The Phantom Of The Opera

3 The Music Of The Night


Notas iniciais
Hey! Ah, vocês me lisonjeiam tanto com o incentivo, muito obrigada! Sem mais delongas, vamos ao capítulo. Podemos trocar algumas palavras nas notas finais. :) Música-título: Andrew Lloyd Webber - The Music Of The Night. Vocês estão ouvindo as músicas? Por favor, ouçam, elas são indispensáveis! ♥ Boa leitura. :)

Melancólicas e flamejantes tonalidades de verde a encaram sob a luz decrépita das velas. Um sob a máscara branca e fria, outro nu. O lábio inferior inteiro irradia vermelho, mas metade do superior é coberta. Quase completamente o lado direito do rosto mantém-se oculto pela máscara. A longa capa negra esconde suas roupas, exceto pelo braço sob a manga de veludo em um tom raro de azul-cobalto, assim como a mão enluvada em couro, estendida em sua direção. Os cabelos cor de lua dançam em seus ombros conforme as brisas subterrâneas os tocam. Contudo, no fim de todas as observações atentas, é o par de olhos verdes que captura os seus castanhos e a faz tremer sobre as próprias pernas.

— Você teme me tocar? – Murmura lamuriosamente a Voz.

— Nunca... – Sussurra. – Temo que desapareça caso eu tente. Temo que seja somente mais um de meus sonhos.

A Voz, ainda taciturna, respirando tão brandamente quanto um pardal cantador, descobre a outra mão sob a capa e, tão vagarosamente quanto todos os seus movimentos, extrai da mão estendida a negra luva, exibindo longos, pálidos e finos dedos. Sua pele provavelmente quase nunca via a luz solar.

— Em meus sonhos eu a toco, meu pequeno Rouxinol. – Soa como o mais delicado sopro de vento. – Permita-me...

Regina sente como se o chão desabasse sob seus pés. Como se as pedras úmidas estilhaçassem debaixo de seus sapatos de cristal. Com a mente perdida em nevoeiros, enxergando dentro de si somente os olhos dela, atira-se em seus braços como se fosse, agora, uma alma andarilha que atira-se nos braços dos deuses ao sair da penumbra e encontrar a derradeira salvação. Espalma as mãos em seu peito e ergue-as para enlaçar-lhe o pescoço, escondendo ali seu rosto, sem fôlego, sem comando, mas também sem pressa, no infindo instante da descoberta e da necessidade. O corpo molda-se ao seu, forte, austero; a capa negra envolve o vestido branco como uma gota de nanquim que devora a clareza de um papel.

Regina sente, recostada, que seu coração retumba desesperadamente, ambos os corações retumbam dementes de ansiedade. E quando os dedos embrenham-se em seus cabelos, desfazendo o penteado apertado e acariciando-a, as pernas da bailarina definitivamente cedem.

Vê-se de repente carregada e erguida em seus braços, como se flutuasse. A Voz a segura com extrema devoção, como um tesouro inestimável. Caminha pelo corredor iluminado de castiçais sem abandonar os olhos dos seus. Regina sabe que não é um sonho, que seu Anjo da música está ali, ao seu alcance, com o hálito quente e doce invadindo suas narinas como o cheiro das primeiras flores da primavera.

Regina Mills atribui pouca importância agora aonde a Voz a estiver levando. Pouco lhe importa perder o jantar e os festejos de gala, ou mesmo as festividades nos alojamentos que ao seu triunfo no palco homenagearão. Quando seus olhos os dela encontraram, quando a mão dela a sua tomou, esqueceu-se de Madame Eva, Marie e Ruby. Esqueceu-se de Madame Van Straten, Monsieur Edward Hyde e Monsieur Henry Jekyll. Esqueceu-se, como se este jamais tivesse existido, do Visconde Daniel Pendragon. E tudo ao seu redor passou a pertencer à imensurável emoção de estar nos braços de seu Anjo da Música.

A Voz detém-se na encruzilhada aberta de corredores, sem descê-la, assoviando tão graciosamente quanto um canário liberto anunciando o despontar de um novo dia. De uma passagem Leste surge, em um trote elegante e manso, um belíssimo corcel negro, um Percheron de pelagem sedosa e crina comportada. Como um potrinho brincalhão, rodeia a Voz como seus dóceis relinchos e movimentos garbosos.

Regina é apaixonada por cavalos. As moças passeiam com seus pequeninos cães bulldogs e gatos da Birmânia brancos; os moços aprisionam abelharucos coloridos e caminham com suas espingardas lado a lado com seus Cães de Montanha. Para ela, no entanto, os únicos animais aos quais dedicaria seu tempo, e assim o fazia com os dos estábulos da Ópera, seriam os cavalos.

A Voz a surpreende com um sorriso quase imperceptível, apesar de ser impossível para Regina não o ver e estremecer uma vez mais.

— Ele está cativado por você.

— Ele é magnífico... – Suspira a bailarina e sorri, observando o animal sobrestar diante da Voz e inclinar a cabeça em um pedido silencioso de afagos.

— Este é Rocinante. – A coloca sob o dorso selado, acariciando o pescoço macio do animal obediente. – Um fiel companheiro.

— Rocinante... – Sorri escancaradamente ao notar o nome de origem espanhola.

— Pertence a você. O presente a agrada? – Surpreendentemente há expectativa em seu tom.

— Presente...? – Seus olhos arregalam-se.

— Quando requisitada aos banquetes burgueses ou quando visita sua Ama em Perros, para saudar o altar de seus pais, aluga uma das carruagens da Ópera. Não mais aqueles cães babões e emporcalhados precisarão cobiça-la com seus olhos de sarjeta, quase púrpuros de vontade. Rocinante poderá levá-la aonde quer que deseje ir.

— Refere-se à Monsieur Georges e seu filho Gregorie? – Arqueia uma sobrancelha.

— De toda esta corja de homens e mulheres que ousa pousar olhos indignos e buliçosos em você, quando deveriam olhá-la com devoção, respeito e admiração. São indigestos os seus modos. – Pontua friamente, tomando as rédeas do cavalo para guiá-los a pé.

— Você não me olharia com olhos cobiçosos? – A pergunta lhe escapa, mas não no tom divertido que projetara. Juntamente às suas expressões sérias e o lábio inferior preso pelos dentes, culpado, as palavras soam inquisidoras e quase decepcionadas.

Pareceu-lhe passar-se uma eternidade desde que a questionara. A Voz manteve-se de costas para ela, encarando o corredor central, respirando tão fundo que Regina pensou que gritaria a plenos pulmões, mas não, talvez jamais. Seus olhos a buscam e a resposta lhe vem com uma sinceridade indubitável e quase doce.

— Nunca. Eu não a cobiço. Eu a almejo. Eu a venero. Eu a desejo como a Lua anseia o Sol, como o louco anseia o perdão da razão, como um jovem coração anseia a liberdade do amor eterno.

A bailarina viu espalhar-se em suas írises verdejantes a ternura como uma suave onda oceânica. Sabendo-se perder o ar, suspira intensamente, sussurrando rouca.

— Leve-me com você...

Novamente de costas, a Voz tenciona mover-se para frente outra vez, silenciosa.

— Não... – Regina inclina-se na sela, impetrando sua mão coberta sobre a crina, desnudando-a delicadamente da outra luva, agarrando seus dedos como se ela pudesse evaporar. – Leve-me com você e consinta nosso caminho à Rocinante.

Estaria ousando em demasia e excedendo os limites? Não mentiu quando afirmou não temê-la, mas agora, diante dela, sabe com quem fala. Ela, o Fantasma da Ópera. Tinha de ser a famigerada figura mistério da Ópera Fée que assombrava cada um dos corredores, quartos e cenários. Perante seus olhos, porém, ela permanece seu adorado Anjo da Música.

Em consentimento mudo, a Voz impulsiona-se à sela e a toma pela cintura para que recline-se sobre seu corpo, usando da mão livre para guiar às rédeas. Regina deseja ver a paisagem subterrânea do Teatro, mas estando novamente nos braços dela, não consegue conter-se: Involuntariamente fecha os olhos, embalada.

Novamente, embora o fascínio a embriague, o enigma da máscara ainda a corrói. Observa, enquanto cavalgam, como a pele é pálida como o mármore, mas tenra como veludo. Como os olhos transbordam o cintilar da mais rara joia, mesmo que, de algum modo, entristecidos. Como os lábios tremem sutilmente, ao passo em que ela tenta comprimi-los em uma carranca. Bela... Bela, tão bela quanto os Anjos por natureza o são. Ainda assim, metade de seu rosto mantém-se nas sombras. Recorda-se brevemente dos boatos sobre o Fantasma da Ópera, das histórias e descrições controversas de Robin, o maquinista-chefe, das injúrias repulsivas de Zelena, a soprano, e de sua própria imaginação hipnotizada.

Para Regina, a Voz é um anjo. Para Zelena e todos os outros da Ópera Fée, a Voz é um demônio. Para Locksley, será ela anjo e demônio coexistindo em um único ser?

Como poderia um anjo dividir a alma com um demônio, afinal? Os Deuses o permitiriam?

Param repentinamente. A Voz salta da sela e a toma novamente em seus braços, quando Regina finalmente nota estar diante de uma espécie de lago subterrâneo coberto por suaves brumas. Flutuando sutilmente sobre a água, uma gôndola. Sim, uma gôndola negra de bordas e remos vermelhos, como se tivesse saído de um sonho noturno nos canais de Veneza. A Voz a pousa sobre almofadas aconchegadas em uma ponta, dirigindo-se equilibradamente até a oposta, remando de costas para ela. Desta vez, Regina observa tudo ao seu redor, fascinada com a imensidão que esteve durante todos esses anos debaixo de seus pés.

Em uma passagem estreita, a Voz inclina-se na lateral do barco e a bailarina estica-se para deparar-se com grama em forte verde cercando o apertado caminho e, dela crescendo, roseiras. Simplesmente roseiras desabrochando nos subterrâneos escuros da Ópera Fée. Recebe uma em suas mãos e encara os olhos de seu Anjo da Música, sentindo-os confusos e relutantes.

Uma incógnita com título, mas uma incógnita sem nome. Assim é a Voz.

Avançando pelas águas sombrias, chegam ao destino final. A Voz, como se fosse um desbravador em seu navio, imposta-se a subir na ponta da gôndola, abrindo um par de rubras cortinas, revelando o que fez Regina levantar-se e arregalar os olhos.

Nas paredes lisas e claras, como pedras batidas, desenhos. Não, não ilustrações rupestres, rabiscos infantis, ou mesmo pinturas; São partituras. Partituras aleatórias em nanquim gravadas de cima a baixo. O lago finda-se ali, em um espaço singular. Sobre a pequena elevação que se segue, outra gôndola, recheada de almofadas ornadas e lençóis aveludados. Espelhos, um, três, cinco espelhos cobertos por panos, os quais ela não deveria questionar. A mesa, a prateleira, até mesmo a cadeira abriga rascunhos de suas canções. Um quarto além, trancado à chave. Sobre a mesa abarrotada de papéis, uma garrafa de vinho pela metade. Candelabros, muitos deles, em toda parte. Um magnífico órgão no centro, empoeirado nas extremidades, mas polido nas teclas e pedais.

— Meu santuário. Meu refúgio. – A Voz caminha para longe do barco, esgueira-se nas sombras, fugitiva das chamas das velas que se derretem nos braços dourados.

— Sua música... – Ofega, fitando as paredes rudes cobertas de nanquim, pintadas partituras das obras de sua tutora. – Está em tudo. É impossível fugir dela!

— Cada uma das notas, composta em sua homenagem. – A máscara branca parece pairar por suas vestes negras permanecerem ocultas na escuridão.

— Enquanto cantava esta noite, pensava em você. – Dá passos incertos pelo irregular chão de pedra ao sair da gôndola, cautelosa. – Somente em você, como em mais um dos meus sonhos. Senti seus braços segurando-me sobre o palco, guiando-me à perfeição lírica como se o seu toque tivesse o poder de me enfeitiçar-me e fazer-me olímpica.

— Estou sempre com você, Regina... – Sussurra, abrindo e fazendo reluzir seus intensos olhos esmeraldas, agora tão profundos quanto o mar caribenho. – Embora seja verídico que nesta noite não precisava de mim, eu estava lá.

— Eu a vi. – Ofega novamente, tomada por ignota excitação. – No Camarote Número 5, assistindo-me. Senti pânico diante do público, dos administradores e de Madame Eva, mas nada compara-se ao temor em mim caso não fosse de sua aprovação a música que da minha própria alma fluiu.

Ela volta a se revelar. A meia face mostra-se novamente tão pálida quando à máscara que oculta metade de seu rosto. Os cabelos agora presos. As vestes de veludo negras sobre um corpo forte e esguio. Os passos firmes nas botas. Mãos não enluvadas soltam e deixam esvoaçar pela corrente de ar, que de cima da Ópera vem, a longa capa em couro.

— Como poderia desagradar-me receber sua alma como recebi assim que pôs os pés naquele palco? – Abre os braços, reverenciando-a com a mesma força e devoção das ondas que reverenciam a areia. – Você é nada menos que Psyché, Regina.

— Se assim me nomeia, do que mais posso chamá-la que não Eros? Minha... Minha Eros. E eu, sua Psyché, meu Anjo da Música. – Ousa se aproximar e tocá-la, segurando seu rosto com as duas mãos. Uma na textura suave e aconchegante da pele e a outra na textura escorregadia e austera da máscara.

Se Regina fizesse silêncio, juraria ouvir a pulsação violenta de seu coração.

— Como Eros, Regina, eu pertenço a você. E como Eros a Psyché decretou, decreto eu: Não deseje ver o que há sob a superfície desta máscara. – Afasta suas mãos, buscando dentro de si uma delicadeza para com outrem que sequer conhecia. Regina perde a frieza de seu rosto sob as palmas, mas encontra calor nas mãos compridas que acolhem as suas como se fossem elas feitas de pétala. – Pense em mim como a música que ecoa nestas paredes e que busca incessantemente encontrá-la. Pense em mim como uma melodia que flui através do tempo e do espaço, desejando pusilânime realizar todos os seus sonhos. Eu não suportaria ver temor em seus olhos, não, não, não para mim. Que o diabo me leve antes que este dia venha a chegar. – Impreca. – Pois, diferente de Eros... Não sou e jamais serei bela, Regina.

— Eu não acredito nisso. E nada poderá revogá-lo. – Volta a tocá-la, determinada, corajosa. – Aguardei tão desesperadamente pelo dia em que nos encontraríamos. Adoeci em espera e curei-me cada vez que sua voz, mais próxima a mim, renovou-me essas esperanças.

— Não sabe o que está dizendo. – Afasta-se para as sombras novamente, aproximando-se de seu velho e grandioso órgão, sentando-se na miúda poltrona acolchoada com incomparável candura e polidez.

— Na primeira noite em que veio a mim, selamos um acordo. – Atreve-se, ajoelhando-se no canto vazio da poltrona ante o instrumento de teclas reluzentes, tomando-lhe o rosto nas mãos pequenas e trêmulas, extremamente perto para seu próprio juízo. – Meu coração em troca da sua Música.

— Não me detesta por este infeliz trato? – Fecha os olhos, consternada.

— Eu não sei o que sentir. Prezo por minha liberdade, mas não poderia detestar-te. Sinto como... Como se nos pertencêssemos.

— Esta noite de mágica e excelência sobre o palco deve tê-la esgotado. Tem fome ou sede? Deseja repousar? – Pontua o assunto, encarando-a novamente.

— Eu quero... – Desvia de seu olhar, corada. – Quero que cante para mim.

A Voz lhe sorri. Regina espanta-se e comove-se em notar o quão doce ela é capaz de sorrir, como uma garotinha tímida. Não dimensiona com exatidão o que sente, mas tem certeza de não ser equiparável a nenhuma das emoções que já conhecera. Não ousa levantar-se da pequena poltrona do piano ao vê-la afastar-se dois passos, suas pernas não suportariam.

Seu Anjo da Música abre-lhe os braços como se abrisse suas asas e finalmente faz ecoar sua voz vibrante pelo lago subterrâneo. Ela canta sobre nada menos do que a música. Ouvi-la vir de suas paredes e dos cantos sombrios de seu camarim não se comparavam a vê-la diante de si, abrindo e fechando ora firme, ora suavemente, os finos lábios tingidos.

Que deleite ela é. Tão leve, como se a qualquer momento pudesse abrir suas asas e flutuar pelo lago, rodopiando. Seus olhos mantêm-se unidos aos dela enquanto desenrola-se a belíssima música, uma composição sua sobre a escuridão melódica. E Regina sente-se imediatamente dominada, estimulada, enlouquecida por este poder da noite, esta vastidão de mistério e segredo, como se sua alma estivesse em chamas a cada palavra e nota proferidas.

E a bailarina sabe, mais do que nunca, que a música é o que traz razão à existência de seu Anjo, sua Eros. A música é sua sedução, seu lar, sua confidente. A música é seu acalento, sua fera, sua arma. A música é simplesmente dela, moldada entre seus dedos como se fosse sólida. O tanger de sua Voz é tão vigoroso. Estruge-lhe o coração, tamanha a imperiosidade sublime em cada som, cada pausa. O fascínio da bailarina eleva-se: Sim, ela é Anjo. Mesmo sabendo-a humana, é divina.

Regina jamais se esquecerá e ainda não compreende porque a Voz barganhou sua Música prodigiosa pelo mero coração de uma bailarina órfã. Ainda não compreende o que faz com que seu Anjo lhe seja tão doce e devoto. Por um instante, reflete. Por que a Voz a escolhera? Teria ela ensinado e exigido o coração de outras cantoras em outros tempos, apenas para usá-las como um instrumento sobre o palco?

Cólera. O sentimento danoso derivado da revolta. É exatamente essa a sensação que percorre o corpo de Regina como uma onda explosiva de desconfiança quanto às intenções dela. Entretanto, o que a aborrece, afinal? A adoração ante a Voz tem razões óbvias para uma jovem que sonhou durante toda a sua vida em alcançar a maestria vocal. E sabe que a Voz não o teria feito com as outras duas únicas grandes estrelas da Ópera Fée, Guinevere e Zelena. Então, por que ela foi a escolhida?

Repentinamente, embora repreenda-se por nisto pensar, pergunta-se se a Voz a encontrou em seu estado mais vulnerável e lhe exigiu o coração em troca da música para comprazer-se dela somente. Para usá-la e desusá-la quando bem entendesse. Ou seria, talvez, para ter uma mulher de prestígio na arte e exibir pelas ruas de Paris? Não. Não poderia ser, seu Anjo da Música jamais a trataria com tamanho descaso e vilania.

Ainda assim, corrói-se em dúvidas.

Tudo o que sabe é que não é apenas a admiração entre mestra e aprendiz que lhe toca. Regina precisa e deseja estar ali, no lago, sob as melodias delirantes dela, sob o poder apaziguante de seus olhos, precisa e deseja estar nos braços de seu Anjo da Música.

A última frase da obra dispara violentamente seu peito, quase o sente saltar quando a Voz se ajoelha aos seus pés diante do órgão e sorri com uma doçura lúdica transbordante. Seriam verdadeiras as suas palavras e Regina é, de fato, sua Musa?

— Devemos voltar. – Sussurra a voz. – É necessário que você descanse do dia de hoje. Logo procurarão por você e, mesmo que caso não procurem, amanhã pela manhã só será ouvido o seu nome em toda a Paris. Será requisitada pela sociedade.

— Você se preocupa...? – Regina olha para as próprias mãos, fugindo dela.

— Eu me preocupo em realizar o que quer que você deseje. – Responde depressa.

— Eu desejo ficar.

A Voz nada diz. A toma em seus braços mais uma vez, carregando-a até a gôndola de tecidos e almofadas, deitando-a delicadamente sobre a superfície acolchoada. Tenciona deixá-la, mas a bailarina encolhe-se nos lençóis e prende uma de suas mãos firmemente, como se temesse vê-la partir, não poderia, não agora que finalmente a tem tão perto. Devagar, muito devagar, a Voz acaricia seus fios escuros, entoando uma suave canção de ninar.

Aplausos, flores e palavras agradaram-na. Reverências, promessas e reencontros a surpreenderam. Mas estar finalmente sob as asas de seu Anjo da Música, foi definitivamente a mais esplendida e fascinante recompensa por sua estreia solo sobre o palco da Ópera Fée.

Notas finais
Aqui segue a playlist! Coloquei as músicas até onde escrevi e, conforme prosseguir, continuarei a adicioná-las: https://open.spotify.com/user/myrkurstormur/playlist/0IF3NACSDsBw0kWGJgE4Y6 Este foi bem mais curto, mas o momento foi extremamente significativo. Eu espero que os tenha agradado. Eu devo dizer algo à vocês que deveria ter dito no primeiro capítulo, perdoem-me por isso. Essa Regina eu poderia dizer que é a primeira, aquela jovem com grande inocência que estava apaixonada pelo Daniel antes de tudo ruir. E essa Emma é... Inspirada, muito inspirada na Emma como Dark One, acrescentando toda a desconfiança e solidão dela antes de Henry a encontrar. Mas temos uma longa jornada e tudo há de se transformar, não é? :) Agora, isso é importante: O trato. Eu quis manter o trato do livro, porque é crucial para o desenvolver da história. No livro, de uma forma menos romântica do que escrevi, Erik basicamente faz de Christine uma grande cantora em troca de ela... Pertencer a ele. Então, sim, esse trato foi realizado entre Emma e Regina nesta história, mas ele há de ser desenvolvido e explicado em seu decorrer. :) Vocês gostaram do Daniel? Ninguém ainda me disse nada sobre o Daniel, pobre Daniel! Isso é tudo! Obrigada pelo apoio gentil de vocês. Nos vemos no próximo. (Semana que vem estarei aqui sem falta! ♥)