The Paths Of A Rain Woman

24 It's Colder Inside


Notas iniciais
Então... há poucos diálogos no capítulo. Mas, por outro lado... algumas surpresas. Não tenho muito a dizer, mas espero que gostem. Boa leitura!

Yano não se surpreendeu quando o peso do corpo de Juvia recaiu sobre ele. Abriu os braços e agarrou seus ombros pálidos sem hesitação, tentando ceder algum tipo de apoio enquanto verificava se ela estava acordada.

A cascata de cachos emaranhados não ajudou em sua inspeção; mas, quando a garota começou a se remexer e o som de soluços chegou a seus ouvidos, ele teve certeza.

Juvia estava aqui.

Sua Juvia finalmente estava de volta.

Quando voltou a olhar para ela, encontrou sua figura reclusa — os ombros baixos e a postura rígida, Juvia afundava ainda mais o rosto em seu peito se agarrava a ele com todas as forças que tinha. Controlou a ânsia de acariciar seu rosto e consolá-la da forma que realmente queria, se limitando à tapinhas resignados nas costas arqueadas.

A pressão de seus dedos era forte sobre o pano da camisa e Yano jurou poder sentir sua mão se abrir e fechar durante vários momentos, agarrando o tecido gasto logo em seguida.

Antes que pudesse pensar em oferecer algum conforto sem exceder seus próprios limites, um som distinto ecoou pelo campo. E, junto à ele, veio um forte tremor.

O chão sob seus pés pareceu querer se mover. Como se buscasse uma forma de se levantar após tanto tempo adormecido, ele rugiu. E com ele o vento soprou.

Mas antes que a ventania pudesse voltar a atingi-los, uma parede estava lá, brotando do solo e erguendo-se como um sentinela.

Seus olhos, claramente chocados, presenciaram conforme paredes de pedra se interpuseram, uma à uma, em seu caminho, formando trilhas que Yano nem mesmo sabia se levariam à uma saída.

A cabeça da jovem se ergueu aos poucos e, sem nunca soltar o amigo, olhou ao redor até que, finalmente, se deu conta.

Estavam num labirinto.

✦▫▫▫ ─────────▫▫▫ ───────── ▫▫▫ ───────── ✦­­­­­­­­ ▫▫▫ ───────── ✦

A primeira coisa que notou quando finalmente saltou do trem, foi como céu estava escuro e as nuvens pareciam se revezar para encobrir o sol. Numa cidadezinha litorânea, naturalmente úmida e quente, Gray achou estranho sentir tanto frio.

O clima não o incomodou. Geralmente buscava conforto em lugares frios — talvez pela sensação de estar em família, pela nostalgia dos tempos em que teve Mika, Silver, Ur e Lyon a seu lado.

Mas, estranhamente, não havia amparo nesse frio.

Não estivesse ele com pressa, teria se preocupado um pouco mais com aquela macabra atmosfera que, de alguma forma, percebera estar lá assim que pisou no chão.

Mas não havia tempo a perder.

Juvia estava esperando.

✦▫▫▫ ─────────▫▫▫ ───────── ▫▫▫ ───────── ✦­­­­­­­­ ▫▫▫ ───────── ✦

Logo que sentiu a terra tremer e viu paredes começarem a se erguer do chão, Saori disparou como uma bala.

Correu o mais rápido que pôde, desviando e se reerguendo após cada resvalada ou queda — cortesia dos muros que não paravam de surgir.

Não conseguiu chegar longe e, caso resolvesse ser sincera, não tinha idéia de onde foi parar. O céu estava negro e sem estrelas; a imagem mais parecia um borrão, fosca e pouco definida — como da vez em que enxergou através dos óculos de Liz.

Para comprovar a teoria louca que viu crescer em seus pensamentos e fazer cada vez mais sentido, Saori se aproximou da parede e, ofegante, encaixou os dedos em uma das rupturas.

Puxou o corpo com a força de braços exaustos, mas lentamente progrediu. Continuou se puxando, içando-se ao topo até que os pés escorregaram da superfície esburacada, tentando levá-la de volta ao chão.

Saori lutou para se manter firme. Cravou as mãos na fenda e pressionou o torso contra a pedra, tentando estabilizar a posição de seus pés. Quando foi capaz de recuperar o equilíbrio, se lançou novamente acima, numa tentativa brusca e arriscada.

Agarrou-se nos buracos e se forçou contra a parede. O suor escorria por todo seu corpo, as roupas empapadas grudavam na pele e Saori se sentiu cada vez mais quente. Mesmo a suave brisa do litoral, enviou calafrios violentos e a tremedeira ameaçou retornar.

Juvia não era a única ferrada.

Não era a única a sofrer as consequências de toda aquela bagunça. As vozes também a atormentavam; seu corpo sofria os efeitos da magia negra e a mente estava mais aflita do que se permitiria demonstrar.

Mas, apesar disso, havia algo errado.

Aquela parede... estava sugando sua energia. Caso não se apressasse, sabia que a maldita sanguessuga arrancaria tudo o que sobrou, até que sua silhueta decrépita se espatifasse naquele inferno.

E, por isso, Saori continuou a escalar, cada vez mais rápido.

Quando alcançou o topo — as têmporas latejantes e a respiração desejando falhar — o contato breve entre a ponta de seus dedos e a superfície áspera resultou numa dolorosa força que lançou sua figura incônscia de volta ao chão.

Antes de cair, no mero segundo que teve para refletir, soube que, para ela, não havia saída.

Era o fim da linha para Saori Galit.

✦▫▫▫ ─────────▫▫▫ ───────── ▫▫▫ ───────── ✦­­­­­­­­ ▫▫▫ ───────── ✦

— Gray!

O rapaz caminhou mais rápido, mergulhando na multidão próximo à uma pequena igreja e puxando o capuz do moletom sobre a cabeça. Diminuiu a velocidade e continuou a se esgueirar até estar próximo a saída daquele aglomerado de gente.

Faltava pouco menos de um passo quando uma mão reposou sobre seu ombro.

Gray não precisou se virar para saber quem era.

— Erza — sibilou, cerrando os punhos e sacudindo-se para longe de seu alcance.

Continuou a caminhar, até que a voz retornou — mais alta e perigosa. Não havia desespero na voz de Erza Scarlet e, por mais degradante que fosse assumir, aquilo o assustava — mais do que deveria.

Declarando rendição, ele se virou sem cerimônia. Ergueu as mãos em pura zombaria e baixou os ombros, numa postura um tanto debochada quanto displicente.

Acompanhou os movimentos de Erza conforme ela se aproximou, as mãos na cintura e os passos firmes. A Titânia praticamente esfregou o papel na sua cara antes de exigir, sem um pingo de gentileza, as feições duras como pedra:

— O que está fazendo?! — ela o agarrou pelo colarinho e puxou-o para mais perto, observando o capuz cair enquanto o rapaz não fazia mais que dar de ombros.

Gray olhou para o jornal, agora caído no chão. E então, com um sussurro meramente compreensível, tombou o rosto de e deixou que a franja cobrisse os olhos.

As palavras seguintes deixaram um gosto amargo na boca; mas, apesar da incerteza, Gray se forçou a prosseguir.

— Ela está aqui.

Notas finais
... Alguém aí? Opniões? Sugestões ? Algum erro no texto? Qualquer coisa que queiram deixar? Comentários são sempre bem-vindos (e um belo incentivo). ^^ E... o capítulo trouxe mais perguntas. Caso tenha prestado atenção na primeira e na terceira parte, pelo menos. Espero que estejam gostando. Até a próxima o/