Capítulo 1

Thom

Um aviso:

As pessoas mentem.

***

O sol entrava pela janela do meu quarto.

Fazia com que meu quadro da Torre Eiffel ficasse quase indistinguível. Levantei-me da cama, retirei os fones de ouvido que tocavam All of Me de John Legend. Se não bastasse eu ainda estar praticamente dormindo, minha mãe gritava comigo por que ia me atrasar para a escola.

Sinceramente, eu não dava à mínima.

Nunca fui mal na escola, ia bem em praticamente todas as matérias, exceto Educação Física. Além de o professor ser um chato, eu não sabia praticar nenhum esporte. Mas, afinal, esse era o primeiro dia de aula, ficaria mal se eu chegasse atrasado.

-Bom Dia, querido!- me diz minha mãe, seus cabelos castanhos e encaracolados reluziam com os raios de sol que entravam pela janela da cozinha. — Temos pão, biscoitos e frutas. O que você desejar.

-Obrigada mãe, mas acho que não vou querer nada hoje, até mais.

-Ah, ok. Boa aula. – Me diz ela um pouco decepcionada com o fato de ter preparado tudo aquilo, e ser praticamente tudo desperdiçado. – Te amo!

Apenas assenti com a cabeça, virei às costas e saí. A escola ficava um pouco longe de casa, não que isso fosse desculpa.

***

Chegando à escola, percebi que não seria um dia fácil. As pessoas me olhavam de um jeito estranho, não entendi o porquê daquilo. Mal vestido eu não estava, meus tênis All Star brancos, minha camiseta de Pokémon, pensando bem, esse poderia ser o problema.

Quando entrei na escola, percebi que talvez o dia não fosse tão difícil assim. Seus cabelos loiros balançavam, ela entrelaçava-os nos dedos. Quando olhou pra mim, achei que fosse cair no chão.

Seus olhos eram verdes, mas, se mesclavam em tons de azul. Não entendi se era pela incidência de luz. Recebi uns empurrões e tive que continuar andando. Minha sala ficava no segundo andar, resolvi pedir informações a alguém.

Cheguei em um garoto que usava uma camiseta de Mario, achei muito interessante, talvez pudéssemos nos dar bem.

-Oi, sou novo aqui, será que podia me indicar onde fica a minha sala? Por favor. – Fui simpático, e paciencioso, coisa que não costumo ser.

-Procure sozinho, não estou aqui pra ser empregado de ninguém. – Me responder, bem, digamos, educadamente?

Ok, naquele momento esperei que começasse tocar Turn Down For What e que descesse um óculos preto na cara dele, mas nada aconteceu. Ele apenas continuou me ignorando como se nada tivesse acontecido.

Minha paciência acabou, virei as costas e fui direto para as escadas, lá em cima tinham algumas portas, por sorte, achei minha sala rapidamente.

Quando tocou o sinal, as outras pessoas começaram a chegar, o cara do Mario, por incrível que pareça, era uma delas.

Por sorte, a garota loira também.

***

No fim da aula, resolvi voltar para casa, poderia ter ficado na escola pra tentar conhecer gente nova, mas, não estava com a mínima vontade.

-Ei você!- Ouvi quando estava na esquina, a voz era de garota, e por sorte, era ela. Bom, eu achava que era por sorte.

-Ãh, sim?- Foi a única coisa que me veio à mente.

-Vi que você é bom em Matemática, poderia me ajudar, bom, pelo resto do ano?

Sério, nesse momento, achei que era uma pegadinha, cheguei a dar uma olhada ao nosso redor.

-Ãh, talvez!- respondi, sei que não foi a melhor coisa a se dizer, mas, novamente, só me veio isso à mente.

-Você só diz isso? Porque se for, não sei se consigo aprender sem explicações. – Ela deu um sorriso que me fez ficar ainda mais idiota.

— Bom, eu nem sei seu nome ainda. – Isso, acho que estava no caminho certo.

-Cas. E o seu?

-Ãh...- Eu não sabia o que estava acontecendo, não me lembrar do meu próprio nome? Aí já é demais.

— “Ãh” digo eu! Sério isso? Se você não quer conversar comigo, e só dizer. – Ela já estava ficando irritada, e eu achando que estava no caminho certo.

—Meu nome é Thom, prazer em conhecê-la.

Nesse momento, minha raiva pelo cara com a camiseta de Mario começou a chegar em níveis altíssimos. Ele sai de trás de uma das árvores, com uma cara de quem esteve rindo pra cacete a pouco tempo.

-Ah, oi! – Ele disse isso na maior calma, virou-se para mim. – Eu queria me desculpar por ter sido tão grosso com você, mas digamos que, durante a manhã eu não tenho um humor tão bom assim.

E o que mais fazia a raiva crescer dentro de mim, é que eu concordava com ele. Também era grosso com as pessoas durante a maior parte da manhã.

-Tudo bem cara, afinal, eu acabei achando a sala. – Viram? Fui simpático de novo.

— Bom, você vai me levar pra sua casa pra nós estudarmos?- Cas foi direto ao assunto, direto demais até. Isso nunca acontecia, pelo menos não comigo.

-Hã.... – Puta que pariu, estava fazendo de novo. –Digo, acho que sim.

-Uou cara. Ela já vai pra sua casa?- Diz o garoto do Mario

— Se enxerga David, só porque ninguém iria pra casa com você no primeiro dia, você fica falando isso.

Acho que o feitiço virou contra o feiticeiro.

-Ok Cas, você venceu. Tchau Thom, até amanhã, quem sabe possamos conversar direito.

-Venha conosco. – Errado, de novo. – E Cas, pra que ser grossa? – Eu só estava piorando a situação, mas ela não pareceu ficar zangada.

-Grossa? VOCÊ está me chamando de grossa? Só não dou um tapa na sua cara, porque gostei de você, vamos lá!

Ok, isso estava muito estranho. Mas, o jeito com que ela falava me deixou bobo de novo. E seus olhos continuavam mudando de cor, mas devia ser só a luz do sol mesmo.

***

Chegando em casa, minha mãe tinha preparado um lanche, comemos, e eu resolvi ir trocar de roupa no meu quarto, para depois estudarmos.

— Bom, eu acho que vou ao banheiro. — Disse David, me acompanhando escada a cima.

Depois de trocar de roupa, ouvi alguns barulhos vindos da cozinha, quando sai do quarto, David saia do banheiro. Descemos juntos as escadas, mas paramos ainda na metade dela.

Cas estava definitivamente fazendo minha mãe de refém.

Com uma mão, ela prendia as mãos da minha mãe às costas. E com outra, mantinha uma adaga no pescoço dela.

— O que diabos você está fazendo? Largue minha mãe! — Gritei, ela era bonita, mas aquela era a MINHA MÃE.

-Thom, seu inútil. Nem pra proteger sua casa você serve. Francamente, eu esperava mais de você! Mas agora, sangue deve vingar sangue. Sem piedade!

Não vi quando aconteceu, mas ela desapareceu, e deixou minha mãe caída no chão, com o pescoço cortado.

Notas finais
Espero que tenham gostado, me diga sua opinião.