The Partner - Segunda Temporada
2 Festa para os calouros
Notas iniciais
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Madeline’s POV
Para ser a minha lenda, eu não tenho apenas que usar uma peruca, lentes castanhas e dispositivo de voz, tenho também que usar perfume masculino, aprender gírias, saber andar, saber conversar sobre coisas que nós meninas jamais sabíamos que os meninos conversavam, ter a capacidade de diferenciar um time de basebol, futebol rugby, etc. um do outro e o mais importante de todos: ser bom com as mulheres.
— Você tem sorte de ter um professor como eu — Jason disse.
— É — concordei ocupada demais cheirando os frascos de perfumes dele para saber qual eu vou usar para a festa.
— Sério, você ainda tem muito que aprender.
— Bom, vê se eu estou andando conforme os padrões — levantei-me da cama e então soltei os braços de qualquer jeito, inclinei o corpo um pouco para trás e andei com as pernas um pouco abertas. Dei duas voltas pelo quarto, na segunda volta, Jason puxou minha calça para baixo.
— Pronto, agora está melhor.
— Isso é ridículo — falei levantando a calça.
— Mad, se você quiser ser um garoto, vai ter que usar a calça assim — e ele a abaixou novamente.
— Mas tem caras que não usam calças assim.
— E você já viu essas caras com mulheres? — Ele perguntou e eu fiquei calada pensando. — Madeline, isso é a vida real e não um filme na qual o nerd esquisito ganha a garota mais bonita. A pessoa pode até ser feia, mas tem que saber se vestir.
— Ok, mas estando em Harvard, isso não nos classifica como nerds?
Jason bufou e passou a mão no cabelo impaciente.
— Estamos indo a uma festa e não para as aulas.
— OK, vou usar o seu boné então — disse pegando um dos milhares que ele tem.
— Não, esse não — ele tomou da minha mão o boné roxo e me entregou um azul marinho com detalhes preto.
— Por que esse não? — Perguntei intrigada.
— Porque é o meu boné da sorte.
— Então você é do tipo que tem boné da sorte, cuecas da sorte, meia da sorte, só falta dizer que tem uma coleção dos seus dentes de leite num pote de conservas.
— Não dos dentes, mas dos meus band-aids de todas as minhas quedas de skate.
— Sério? — Perguntei surpresa e com certo nojo.
— Todo skatista tem orgulho de suas quedas.
— Credo, só os loucos para colecionar isso.
— Se você parar para pensar, no FBI acontece o mesmo. Quando maior a fama do bandido do qual você apanhou feio e no fim venceu, maior o crédito e o reconhecimento.
É claro que ele se referiu aos meus pais e isso não me deixou nada contente.
— Fique sabendo que quando eles fazem isso, mais de mil pessoas ficam a salvo, enquanto numa queda de skate não se salva ninguém por ter recebido reconhecimento.
— É impressão minha ou você está querendo discutir? — Perguntou ele se aproximando. — Porque eu estou disposto a te enfrentar.
— Você é... — Fui interrompida pelo barulho na porta.
Rapidamente ajeitei o dispositivo de voz que já estava no sutiã e Jason foi atender a porta enquanto eu colocava o boné na cabeça e dava uma última conferida no espelho.
— Olá — pude ouvir a voz da Nora.
— Oi — respondeu Jason.
— Bom, fiquei com medo de que vocês esquecessem da hora ou do lugar já que eu falei as coisas rápido demais e acho que eu...
— Obrigado por aparecer, Nora — Jason disse interrompendo-a antes que ela fizesse um discurso enorme. — Está pronto Jonathan?
— Sim — respondi indo até a porta e dando um sorriso forçado para Nora.
— Oi Jonathan — disse ela contente ao me ver.
— Oi — respondi e fiquei contente pelo o dispositivo de voz ser eficiente e disfarçar a minha voz para algo um pouco mais grave que a minha voz normal.
— Vamos? — Jason disse passando o braço pelo ombro de Nora depois de fechar a porta do quarto.
Estou nervosa com ele, mas pelo menos está me ajudando com Nora. Só que não foi muito eficiente, já que ela se desviou do abraço dele para conversar comigo durante todo o caminho até o salão de festas.
Quando chegamos ao salão, quase cai para trás. Havia de tudo, com certeza é pior que a festa do Jason e do Chaz. Foi ai que eu pensei em Alexis e me perguntei quantas garotas serão violentadas essa noite e aparecerão grávidas no dia seguinte.
A maioria dos convidados pareciam ter em média vinte anos, então tudo aqui é lícito e muito explícito. Uma garota loira que parece ter uns vinte e pouco, estava girando sua blusa no alto da cabeça enquanto seus seios estavam expostos para um bando de caras bêbados. Havia também um canto com cortinas, como provadores de lojas, e de um deles saiu uma garota descabelada ajeitando o sutiã por baixo da blusa. Olhando para o lado, vi um grupo de dois caras e quatro garotas, duas estavam se beijando enquanto um dos caras aproveitava para passar as mãos nos corpos das duas. Estava tão transtornada com a cena, que nem percebi que Nora estava chamando minha atenção.
— Sim? — Disse voltando ao normal. — Pode repetir?
— Perguntei se você vai querer cerveja — ela repetiu quase gritando no meu ouvido por causa do som alto.
— Não, obrigado.
— Tem certeza? — Insistiu.
Olhei para um canto onde havia dois barmans atrás de uma bancada de mármore servindo os que se aproximavam.
— Acho que um martíni não seria ruim — falei e Nora sorriu me puxando pela mão entre a multidão que dançava até a bancada, foi nessa hora que eu percebi que Jason já não estava mais próximo. Onde ele se meteu? Bom, não é difícil de adivinhar, com certeza envolve mulher no meio desse sumiço. E ele ainda disse que ia me ajudar com a Nora.
–
Jason’s POV
Parecia que Nora não ia deixar Madeline tão cedo, então avistei uma morena sorrir para mim, olhei de relance para a Madeline e ela não parecia estar preocupada em afastar Nora, aproveitei a oportunidade e fui de encontro a morena. Não trocamos nem duas frases direito e ela já foi me beijando, gosto de garotas com atitude. Só que ela estaca com atitude demais para o meu gosto, pois durante o beijo, suas mãos entraram dentro da minha camiseta.
— Opa — falei partindo o beijo e tirando as mãos dela do meu corpo. — Desculpe gata, mas hoje não estou aqui para isso.
— Tudo bem, só beijos então — e ela avançou para cima de mim novamente.
Percebi que ela estava bêbada demais e que se eu não conseguisse me livrar dela logo, acabaria perdendo boa parte da festa.
— Olha, eu vou ali pegar uma bebida — disse partindo o beijo mais uma vez.
— Eu vou com você — ela praticamente se jogou nos meus braços.
— Não precisa. Eu... — Olhei em direção aos barmans e vi Madeline sentada ao lado de Nora perto da bancada. — Eu vou falar com o meu primo e já volto.
Ela sorriu debilmente e se encostou na parede quando me afastei. Quase corri em direção a Madeline, se não fosse a pista de dança lotada no caminho. Assim que me aproximei, Madeline me puxou pela camiseta até um canto afastado de Nora, pela sua cara boa coisa é que não era.
— Onde você estava? — Perguntou me prensando contra a parede com apenas um braço. Tenho que me acostumar com o fato de que Madeline pode ser bem mais forte do que quando quer, prova disso foi o dia da Seleção.
— Estava com uma morena.
— Jason! — Ela me repreendeu. — Será que você pode pelo menos tentar fazer algo de útil nessa festa para nós dois?
— Ok — disse por vencido. — Vou procurar os dois suspeitos. Na verdade vou procurar o Taylor Bourdin, que foi o que eu fiquei no nosso acordo. Você vai procurar o Arthur Garcia ou pode continuar com a Nora e tentar tirar informações dela bêbada. — Olhei para as horas no meu celular e Madeline tirou seu braço de mim. — Me encontre à meia noite no banheiro masculino.
— Você sabe que eu...
— Olha, vou facilitar para você. Vou dar uma olhada cinco minutos antes para garantir que não vai ter ninguém dentro. Você me conta o que conseguiu e eu te conto o que consegui. Certo?
— Certo — então novamente ela me prendeu contra a parede. — E nada de ficar com ninguém, entendido?
— Sim, senhora — falei batendo continência e ela se afastou mal humorada, com certeza ainda está com raiva da nossa quase-briga no quarto.
Legal, agora eu vou ter que ir atrás de um cara que supostamente pode ter matado a namorada ao invés de curtir a festa com as melhores mulheres daqui.
Não foi tão difícil achar o Taylor. Ele tem jeito com as mulheres e estava dançando com uma loira e com uma morena ao mesmo tempo. Ótimo jeito de superar a morte da namorada. Com certeza, esse cara colocava chifres em Marisa. Aproveitei a chance em que ele se aproximou da bancada para pedir uma bebida e decidi puxar assunto.
— Festa maneira — disse como quem não quer nada
— Na verdade, aqui tem festas melhores. As festas dos calouros são apenas zoação.
— É — concordei como se soubesse o que ele estava falando, como se eu fosse a todas as festas que dão aqui, sendo que essa é a primeira.
— Soube que esse ano a gente vai poder usar tinta e balões de água, ano passado era apenas pistola d’àgua, que foi uma chatice, agora vamos poder sujar os novatos. Estou ansioso para dar meia noite em ponto. Você vai participar das boas vindas aos calouros? — Perguntou ele depois de pedir sua bebida.
Foi ai que eu entendi a parte da “zoação”. Os veteranos vão acabar com nós, calouros, daqui a alguns minutos, como um ritual de boas vindas. Já ouvi falar disso, devia ter desconfiado quando Nora disse “festa para os calouros”.
— Claro — concordei como se fosse um veterano como ele.
A bebida dele chegou e ele tomou um gole, olhando atentamente para algo acima do meu ombro. Segui sei olhar e não acreditei no que vi.
— Aquele garoto só pode ser um calouro — Taylor disse depositando seu copo na bancada já vazio e olhando atentamente para a Madeline cercada por oito mulheres que ouviam atentamente o que ela falava, e o mais estranho era que elas estavam dando em cima da Mad, pensando que ela é um garoto. — Vou tentar acertar o maior número de balões possíveis nesse cara — então Taylor se afastou.
Inveja, ele está com inveja da Madeline por achar que ela é um garoto no qual consegue mulheres fácil e que pode chegar a ser uma concorrência. Sei disso, sou garoto e quando estava no colegial, já me senti ameaçado por outro garoto antes, ameaçado a perder a fama de pegador. Me pergunto como Madeline conseguiu isso, pois nem eu consegui atrair tantas mulheres de uma vez só, pior, ela nem está fazendo charme e nem nada e ela é uma garota! Talvez ela saiba de algo segredo, alguma coisa que as garotas saibam de como se sentirem atraídas por um cara. Bom, pelo menos ela passou no quesito mulheres, está se saindo melhor do que pensei como garoto.
Observei o Taylor na pista de dança e de longe o vi voltar a dançar com as duas mulheres que estava antes, mas ele sempre dava umas olhadas na Madeline, e posso garantir que não é um olhar de quem está interessado por ela, já que ele não sabe que ela é uma garota. Olhei para as horas no meu celular e ainda falta meia hora para a meia noite, a sorte é que eu escolhi a hora certa para me trancar no banheiro com a Madeline.
–
Madeline’s POV
Nora já estava bêbada, mas não estava conseguindo conversar com ela sobre o assunto da morte de Marisa, já que havia um monte de mulheres prestando atenção atentamente na minha opinião sobre o livro Cinquenta Tons de Cinza. E não sei como isso foi acontecer já que eu só mencionei para a Nora, e ai uma garota do lado ouviu e assim por diante foi vindo mais e mais para ouvir com atenção.
— Nossa, você é muito inteligente — disse uma delas.
— Obrigado.
— Você já leu algum livro do Sidney Sheldon?
— Um apenas, mas não gosto muito dos livros dele — confessei.
— E você por acaso já pegou inspiração com livro Cinquenta Tons? — Outra garota perguntou.
— Inspiração? — Perguntei confusa.
Nora riu colocando a mão no meu ombro.
— Você sabe — cochichou ela bem perto do meu ouvido. — Você por acaso já botou em prática o conhecimento que adquiriu sobre sexo.
— N-não — disse envergonhada e todas elas riram.
— Bom, então está na hora — uma delas passou a mão na minha perna.
— Então, err — olhei para as horas no celular e agradeci mentalmente por faltar três minutos para a meia noite. — Vou no banheiro e já volto.
Me esquivei das mãos bobas e segui em direção ao banheiro onde vi o Jason me esperando na porta. Ele fez um gesto com a mão para que eu fosse rápida e então entrou. Apressei o passo e entrei no banheiro fechando a porta atrás de mim, Jason pegou um pedaço de pequeno de madeira que conseguiu arrancar de uma das portas das cabines e colocou sobre a fechadura.
— Isso irá impedir alguém de entrar na primeira tentativa, só não garanto que vá aguentar a segunda.
— Tudo bem — disse e então tirei o boné,a peruca e a toca, deixando meu cabelo cair sobre meus ombros. — Ah! Mamãe tinha razão em dizer que essas perucas incomodam — fechei os olhos apreciando o toque do meu cabelo em minha pele. Então senti a mão do Jason acariciando o mesmo. Seu corpo estava bem próximo de mim e quando abri os olhos, vi nossa imagem refletida no grande espelho do banheiro. Ele estava atrás de mim, também nos observando através do espelho.
— Gosto do seu cabelo assim — ele abaixou a cabeça e encostou seu nariz no meu pescoço. — Você escolheu meu perfume favorito — senti sua respiração em minha pele, isso me fez arrepiar da cabeça aos pés —, Dolce e Gabbana, sabia?
Fiz que sim com a cabeça, um pouco atordoada com o tão perto eles estava de mim.
— O que você conseguiu? — Perguntei me lembrando do porquê estarmos trancados no banheiro masculino.
— Não muita coisa, mas descobri que essa festa foi feita para os veteranos jogarem tinta no calouros, como um ritual de boas vindas — ele tirou meu cabelo dos ombros e então sussurrou no meu ouvido —, e está começando agora, à meia-noite.
Quando ele disse isso, pude ouvir com atenção o barulho que vinha de fora, que era na verdade gritos misturado com risadas, a música estava mais baixa.
— Taylor lhe contou? — Perguntei quase num sussurro. O barulho de fora estava abafado, minha respiração descompassada é mais alta aqui dentro.
— Sim, ele me contou e sabe o que mais?
— Hum?
— Ele se sentiu ameaçado por você.
— Ameaçado? — Sorri.
— Sim — então ele passou os braços ao redor da minha cintura. — Ele acha que você pode roubar a fama dele de pegador.
— Sério?
— É sério — ele sorriu e depositou um beijo no meu pescoço. — Até como homem você é irresistível.
— E aquele papo de que está disposto a me enfrentar numa briga?
— Ainda está com raiva? — Perguntou ele e eu assenti. — Não fique, isso é passado. Agora me conta o que você conseguiu.
— Bom... Eu... Não... Consegui... Nada. — Disse ofegante por ele ter começado a distribuir beijos pelo meu pescoço até chegar ao lóbulo da minha orelha onde ele mordeu neste instante.
— Nada mesmo? — Ele ergueu o olhar para me encarar através do espelho, surpreso.
— Nada — afirmei e então me virei ficando frente a frente com ele. — Estava cercada de mulheres querendo saber o que eu achei do livro Cinquenta Tons de Cinza.
— Então é esse o segredo com as mulheres? Falar sobre livro?
— Não sei — disse confusa. Segredo? — Bom, na verdade elas ficaram mais interessadas em saber se eu já coloquei em prática as coisas que eu li nele.
— E como são as coisas que você leu nesse livro? — Perguntou ele sorrindo maliciosamente enquanto sua mão vagava pelo cós da calça que peguei emprestado em sua gaveta e que agora estou usando.
— São... — Olhei atentamente para ele e decidi entrar no joguinho dele. Aproximei de seu ouvido e cochichei: — São picantes.
— Hum... O Jerry gosta de coisas picantes — murmurou subindo a mão pela minha barriga sob a camiseta que estou usando e que também é dele.
Sem pensar suas vezes, meus lábios foram de encontro aos dele. Toda a minha raiva sobre a indireta que ele fez relacionada aos meus pais se foi. Deixei a língua dele invadir minha boca enquanto minhas mãos estavam em sua nuca e as deles passeando pela minha barriga. Sem partir o beijo, mas tirando suas mãos da minha barriga, Jason me ergueu, segurando firme na minha bunda até me sentar na grande pia do banheiro masculino. Passei minhas pernas ao redor de sua cintura e então partimos o beijo por falta de ar.
— Não vamos transar aqui — disse ofegante.
— Por quê? — Perguntou ele colando nossas testas.
— Vamos embora daqui. Nós temos um quarto só para nós.
— Senti falta disso — confessou ele sorrindo.
Passei a mão por sua bochecha e sorri também.
— Tenho que parar de transar com você, isso não me faz bem — disse.
— Sei que sou um pedaço de mal caminho.
— Engraçadinho — falei irônica e ele mordeu meu lábio superior.
— Amo quando você fala isso.
Então ele se afastou e me ajudou a descer da pia. Peguei a toca e a peruca e ajeitei meu disfarce.
— Acha que já é seguro sair? — Perguntei terminando de ajeitar a peruca e colocando o boné do Jason novamente.
— Se conseguirmos passar despercebidos, sim, vai ser seguro sair.
Respirei fundo e então dei um selinho no Jason, que não resistiu me puxando pela cintura e aprofundando o beijo.
— Pronto, agora podemos ir — ele disse ofegante depois de partir o beijo.
Olhei para os seus lábios e rezei para que ninguém percebesse o quão inchados estavam. Saímos do banheiro masculino, beirando os lugares com poucas pessoas até conseguirmos sair do salão de festas sem sermos vistos.
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