The Partner - Segunda Temporada
4 Coisas inusitadas acontecem de vez em quando
Notas iniciais
Jason’s POV
Madeline ficou com o mais fácil. Futebol Americano não é muito a minha praia. Certo, é só eu pensar que estou jogando Hóquei, vai ser fácil. Gosto de Hóquei, então posso passar a gostar de Futebol Americano também.
— Ei, eu já vi você calouro — disse Taylor aparecendo do nada.
Com tantos caras do meu lado, porque ele tinha que olhar justo para mim?
— É, nos vimos na festa.
— Que merda! Então você acabou se safando da brincadeira, não é?
— Digamos que sim — falei sorrindo e ele riu dando tapinhas no meu ombro que estava com a proteção do uniforme, então nem senti.
— Boa sorte no teste. Vai ser um prazer tê-lo na equipe.
Ele se afastou correndo de costas e acenando. Me perguntei se ele era mesmo o que eu e Madeline pensávamos. Ok, não posso me dar ao luxo de pensar que ele é inocente antes mesmo de nem começar a investigar o caso. Se bem que na festa ele não foi nada gentil com a Madeline, então para ser seu amigo, tenho apenas que me manter fora do seu caminho, não posso roubar sua reputação.
— Bom, vocês fizeram os alongamentos, certificaram de que o uniforme está protegendo todas as partes de seus corpos aonde dói mais, certificaram também se conseguem se mover dentro do uniforme — disse o treinador do time olhando para todos os homens que estavam sentados nos bancos, ou seja, os que vão fazer o teste. — Agora, entrarão em campo, jogando contra o nosso time, é claro que eu não vou contar o número de touchdown que vocês fizerem, irei contar o desempenho em campo e as força em proteger seus parceiros. Não importa se ganharem ou não dos nossos jogadores, o que eu acho difícil. Então, EM CAMPO, JÁ!
Obedecendo o grito do treinador, todos nós nos posicionamos de acordo com a posição ao qual estávamos para fazer o teste, como ninguém iria fazer teste para quarterback, um dos jogadores do time veio para o nosso, enquanto outro passou para o outro lado como linebacker, a posição na qual eu estou fazendo o teste.
Tudo que tenho que fazer é certificar de que o nosso quarterback não irá ser interrompido no seu trajeto em levar a bola até o outro lado do campo para marcar ponto para o time. É só proteger o quarterback, só isso. Deveria ter pedido algumas dicas para o Lucas que já foi um jogador de Futebol Americano, mas acho que dá para comparar com o Hóquei de boa.
O jogo foi bem, consegui cumprir o meu papel, eu acho. O treinador não reclamou das minhas táticas de agarrar o adversário pela costela e impedi-lo de chegar perto do nosso quarterback. Eu sabia muito bem que não havia uma proteção eficiente ale como no resto do nosso corpo, e se eu conseguisse agarrar com os dedos como se fosse uma garra, isso o imobiliza no começo e até ele conseguir se acostumar com o choque inicial, já está impedido de ultrapassar a minha frente.
Quando o jogo acabou, de seis a oito para o time fixo, fomos todos para o chuveiro exclusivo para os jogadores de futebol americano. Eles têm muitas coisas exclusivas, um campo enorme com grandes arquibancadas exclusivas, apenas nesse esporte tinha animadoras de torcida aqui, havia também até uma pensão só para eles do lado de fora de Harvard, a maioria estava lá e só vinha para cá para estudar. Não acreditei quando escutei tudo isso de Taylor, que conversava animadamente comigo durante nossa chuveirada.
— Venha morar com a gente, você foi aprovado, agora é do time — ofereceu Taylor depois que saímos do chuveiro e nos trocávamos.
— Tem quarto disponível? — Perguntei.
— Claro, o pai de do último quarterback comprou o local especialmente para nós do time de futebol americano de Harvard. Acho que foi só para aparecer no jornal como um homem que apoia o esporte. Enfim, todo ouarterback comanda o local. Então, eu comandarei o lugar pelos dois anos seguintes, e se você continuar jogando do jeito que jogou hoje, quem sabe me substitui quando eu me formar, hein?
— Você pensar no seu caso — disse sorrindo e vestido a camiseta.
— Sobre a proposta da pensão ou sobre me substituir?
Pensando bem, até que não seria uma má ideia ir para a pensão. Eu terei um quarto só para mim e Madeline ficará com mais espaço no quarto aqui no campus. Estarei mais próximo do Taylor e a gente poderá discutir sobre a missão depois das aulas, antes de voltarmos para nossos quartos.
— Sobre a proposta da pensão — sorri. — Agora tenho que ir, prometi ao meu primo que o levaria para fazer compras.
— Fazer compras? — Taylor franziu o cenho.
— O cara não sabe se vestir — inventei uma desculpa de última hora. — Precisa da minha ajuda.
— Então vai lá transformar o seu primo — ele riu e eu também.
— Amanhã no treino eu te dou uma resposta — gritei antes de sair.
Taylor fez um sinal de ok e eu segui em direção ao prédio do meu quarto. No caminho, alguém me parou colocando a mão no meu ombro. Quando me virei, vi a garota que havia levado a carta para a Madeline no quarto.
— Olá — disse ela sorrindo amigavelmente.
— Oi — falei surpreso.
— Queria pedir desculpas por hoje de manhã, não quis atrapalhar você e a sua namorada.
— Ela não é minha namorada.
— Ah não? — O sorrindo dela aumentou. — E são o quê?
— Nós somos... Ficantes.
— É impressão minha ou você demorou para dizer a palavra ficantes? — Ela franziu o cenho pensando.
— Ok, ok... Você me pegou — falei rindo. — Mas eu e ela não estamos namorando.
— Então, já que você não tem namorada, gostaria de ir tomar um sorvete comigo no parque?
— Sorvete no parque?
— É, porque você parece meio em dúvida sobre aquela garota e uma caminhada no parque acompanhada de um sorvete de casquinha pode ser o início de uma amizade.
— Bom, agora não vai dar, tenho que ajudar o meu primo que precisa de roupas novas — disse lamentado por ter feito um compromisso antes.
— Amanhã?
— Claro — sorri. — Passo no seu quarto depois das aulas.
— Então você aceita sair com uma estranha?
— Me chamo Philippe Kendall e você?
— Evelyn Bradley, é um prazer conhecê-lo Sr. Kendall.
— O prazer é todo meu Srta. Bradley.
— Até amanhã, então — ela sorriu se afastando.
— Até — acenei e depois segui, finalmente, em direção ao prédio do meu quarto.
-
Madeline’s POV
Como fugir? Não posso ir embora sem saber o resultado e sem ouvir o que os membros da equipe têm a dizer.
Sem perceber, senti uma mão no meu ombro e levantei-me num pulo do banco.
— Ei, não sabia que ia te assustar — era Arthur.
— Tudo bem — disse mais calma.
— Só queria dizer que você foi bem na luta, você e aquele garoto — ele levantou o olhar apontando e eu sabia para quem era, então nem atrevi me olhar.
— Obrigado — respondi.
— Pessoal, coloquem suas tolhas que eu vou dar o resultado — o treinador disse entrando no vestiário.
Tentei não olhar muito, mas era quase impossível não notar aquele monte de homens com barrigas saradas a mostra do meu lado. Alguns ainda estavam enrolando as toalhas na cintura, ou seja, estavam andando pelados pelo vestiário enquanto eu estava com a cara num livro.
— Apenas quatro entraram para o time — o treinador olhou para o papel que carregava. — Vou dizer os nomes só uma vez e vou embora, espero ver os quatros amanhã de manhã antes das aulas.
Respirei fundo pensando em como sair dessa. Eu não poderia me esconder por muito tempo, se ele está mesmo aqui em Harvard e se ele passou no teste, eu vou dar de cara com ele uma hora ou outra. Não tenho escapatória.
— Lance Nanssi, fique ao meu lado — disse o treinado e um homem loiro com uma aparência de uns vinte e sete anos ficou ao lado do treinador. — Richard Nokuro — um garoto japonês que parecia ter a minha idade ficou ao lado do treinador sorridente. — Jonathan Kendall — respirei fundo e tomei a minha posição do lado esquerdo. — E por último, Chaz Somers — ele sorriu e ficou ao meu lado.
— É bom vê-la novamente — sussurrou ele disfarçadamente.
É claro que ele me reconheceu, o “vê-la novamente” diz tudo.
O treinador saiu, depois de dizer rapidamente os nossos nomes, ele nem fez aquele suspense. Deve estar atrasado para alguma coisa. Ninguém mais saiu do vestiário, nem os que não passaram, e aquele grupinho que antes ria de mim, agora me encaravam com olhares nada amigáveis.
Os lutadores da equipe foram dando instruções sobre os treinamentos, os critérios do treinador, sobre os campeonatos e sobre os armários (fiquei com o número 6 e infelizmente Chaz pegou o 7 que ao lado do meu). Os outros que não haviam passado, aos poucos foram saindo depois de se vestirem. Ficou apenas os quatro que passaram no teste.
— E para finalizar, gostaria de estar dando parabéns aos quatro, espero ver essa dedicação nos campeonatos — disse Arthur.
— Finalmente — disse um dos lutadores tirando a toalha a toalha da cintura e seguindo para o seu armário.
Os outros que ainda estavam de toalhas fizeram o mesmo e eu virei o rosto, mesmo querendo não ter feito isso, mas eu sabia que Chaz estava me observando. Não queria parecer uma maníaca no meio de homens totalmente nus, sendo que Chaz sabe que eu sou uma mulher e que não deveria estar ali.
Segui em direção à saída e acenei para todos que ficavam.
— Espero vê-lo amanhã no treino! — Ouvi Arthur gritar para mim.
Segui meu caminho, até que sinto uma mão no meu ombro. Eu sabia que era ele, porque eu ouvi seus passos atrás de mim.
— O que você quer? — Perguntei nervosa.
— Só queria dizer olá — Chaz disse erguendo as mãos para o alto em forma de rendição. — Quase não te reconheci com esse disfarce e essa voz.
— Olha só — apontei o dedo em seu peito. — Se você atrapalhar minha missão, não vou pensar duas vezes em te matar.
— Uma ameaça? — Ele sorriu. — Adoro ameaças e quer saber de uma coisa? — Ele se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido. — Você é linda até vestida de homem.
— Você está avisado — disse me afastando dele.
— Espera — Chaz segurou meu braço. — Desculpa por tudo. Não trabalho mais para a CIA. Agora sou um universitário, nada de sabotar FBi, nada de missões perigosas.
— É difícil acreditar em você — puxei meu braço. — Só fique longe da minha missão.
Andei rapidamente em direção ao meu quarto, antes que Chaz pudesse me parar novamente. Assim que entrei, encontrei Jason deitado na cama com as mãos por baixo da cabeça e fitando o teto.
— Até que você não demorou — Jason sorriu e se sentou na cama. — Como foi o teste?
— Eu encontrei uma pessoa.
Jason ficou sério quando viu meu rosto tenso.
— Quem?
— O Chaz.
— O Chaz? — Jason se levantou num pulo da cama e me encarou perplexo.
— Ele está aqui em Harvard, ele fez o mesmo teste que eu, ele passou e ele ainda teve a coragem de falar comigo. Ele me reconheceu! — Disse tudo muito rápido de mais.
— Como? Ele foi chamado para Stanford, eu vi na formatura. Nada de Harvard.
— Você acha que ele pode estar aqui para a sabotar nossa missão?
— Não duvido — Jason se encostou na parede do quarto.
— E agora? O que faremos?
— Avisamos ao Nicholas, ele ficará de olho no Chaz para nós — então ele se apressou para pegar uma de nossas bolsas com apetrechos. — Vamos precisar de um “step”. — Ele pegou um dos apetrechos e jogou para mim, era um pequeno rastreador. — Chaz tem um tênis que ele adora, usa ele para qualquer lugar que vai, se você o vê com ele nos treino, coloque isso na sola, assim vamos saber aonde ele vai quando usar o sapato, ou seja, ficaremos por dentro da maioria dos passos dele.
— Certo, e como é esse tênis?
— Um all star preto, com um pequeno rasgo na lateral do tênis direito — ele sorriu. — Lembro-me que fui eu quem fez aquilo e quando fui pedir desculpas, ele disse que até ficou mais estiloso.
Sorri para ele e toquei em seu ombro.
— Sinto muito — falei. — Isso é tudo culpa minha. Eu acabei com a amizade de vocês.
— O que você está falando?
— Você e o Chaz, vocês eram melhores amigos e só foi eu aparecer para que tudo... Puf! Desaparecesse.
— Madeline — Jason segurou meu queixo com uma das mãos e colocou a outra por dentro da camiseta que eu estava usando e desligou o dispositivo de voz. — Saiba que você não é culpada. Chaz fez as escolhas dele, ele escolheu lutar do lado da CIA, ele escolheu ficar contra mim.
— isso não deveria ser assim.
— Para de se culpar — ele passou as costas da mão pela minha bochecha. — Vamos às compras?
(...)
Agora tenho roupa suficiente para não pegar mais nenhuma emprestada com o Jason. Não são as roupas que eu normalmente uso, mas são para o Jonathan Kendall. E minha lenda, no momento tem um encontro com uma garota na biblioteca de Harvard, na sessão das bibliografias.
— Você vai mesmo? — Jason riu. — E se ela tentar te beijar?
— Ela não vai fazer isso — disse ajeitando meu novo boné na frente do espelho.
Jason riu e depois encheu a mão de doritos.
— Tenho certeza que ela não te convidou para ir a biblioteca para ler.
— Olha, eu sei me virar, tá legal? — Olhei para ele e peguei um apetrecho. — Qualquer coisa, eu te mando um aviso — balancei o apetrecho na frente dele. — Viu? Se eu apertar o botão, é só você me localizar e me salvar nas garras da garota.
— Ok — ele disse socando um monte de doritos na boca enquanto assistia um filme pelo macbook.
— Tchau.
Sai do quarto rindo por dentro. Até parece que eu vou usar o apetrecho de segurança para chamar o Jason para me ajudar com uma garota pegajosa. Joguei o apetrecho no bolso da minha calça e segui até a biblioteca.
Entrei no prédio e me surpreendi por ver que tinha bastante gente na biblioteca quase às 7:00 horas da noite. Bom, não está tão cheia como estaria de dia, mas está. Fui passando pelos corredores até achar a sessão das bibliografias. O corredor estava vazio. Segui até o final, olhando para os lados, mas não avistei ninguém. Então, senti a presença de alguém e essa pessoa tapou meus olhos. Pelas mãos, eu sabia que era ela.
— Adivinha quem é — sussurrou ela.
— Ellen — disse tirando suas mãos dos meus olhos.
Ela sorriu para mim. Estava bonita e muito perfumada para o meu gosto. Fiquei esperando ela falar, mas percebi que isso não aconteceria tão cedo já que ela me fitava tão profundamente que parecia estar vegetando.
— Então, por que queria que eu viesse aqui? — Perguntei.
Ela não respondeu, simplesmente avançou para cima de mim me prensando contra uma das estantes e tentou me beijar. Ágil, saí facilmente de seu abraço esmagador e sorri de lado.
— Não acha que está sendo apressada demais? — Perguntei coçando a peruca que estava me incomodando.
— Desculpa — ela estava ofegante por conta do seu ato repentino.
— Você não quer dar uma volta? — Sugeri para não deixá-la mais sem graça do que já estava.
Ellen assentiu e eu a segurei pelo braço, guiando-a para fora do campus de Harvard. Paramos numa lanchonete e eu paguei um cachorro-quente para nós dois.
— Desculpe pelo ataque na biblioteca — ela disse depois de mastigar a batata palha.
— Não, tudo bem — sorri.
— É que eu não estava no meu normal. — Ela suspirou e olhou para o lado. — Ultimamente eu não ando no meu normal.
— Hum... Quer me contar o que aconteceu?
Ela olha para mim e deixa seu cachorro-quente pela metade sobre o pequeno prato na mesa.
— Vim para Harvard como castigo dos meus pais — começou ela. — Não sou a garota mais exemplar, então por conta das coisas que fiz, meus pais decidiram me mandar para cá, para ver se eu consigo mudar ao lado das pessoas mais inteligentes do país ou até do mundo. Só que mal sabe eles que as pessoas daqui não são tão santinhas quanto elas pensam.
— E esse foi o motivo para o ataque na biblioteca? — Perguntei segurando o riso por causa de suas ultimas palavras.
— Na verdade, eu só queria pegar o garoto que estava sendo boato entre todas as garotas de Harvard.
— Sou conhecido por todas as garotas? — Perguntei estupefata quase me engasgando com o cachorro-quente.
— Sim, todas elas sabem sobre o Ideal, um apelido que deram a você, pois as meninas o consideraram ideal para elas, nem muito perfeito e nem muito imperfeito, no ponto! — Ela sorriu. — Elas tem razão, você é legal. Se fosse perfeito, na hora que desviasse do meu beijo iria olhar para mim com repulsa e sairia dizendo que sou uma vadia atirada. Se fosse imperfeito, teria me beijado, e ainda teria a coragem de me levar para a cama sem nem perguntar o meu nome. Mas você fez o que eu menos esperava, me convidou para comer cachorro-quente.
— Isso é bom ou ruim?
— Bom — ela sorriu.
Ficamos conversando por mais algum tempo e então vimos que já estava tarde e decidimos ir, afinal, amanhã começa as aulas e o meu treino. Andamos pela rua conversando e então ela viu uma amiga e se despediu de mim com um beijo no rosto. Daí por diante segui meu caminho sozinha até o campus. Quando cheguei no quarto, fui tentar abrir a porta e vi que estava trancada, procurei as chaves nos bolsos da minha nova calça masculina, mas não as achei. Com certeza, deixei dentro do quarto. Estava prestes a bater na porta quando escuto um barulho lá dentro. Encostei meu ouvido na porta e ouvi aquele barulho frustrante que não me era estranho, já que na nossa primeira missão, Jason usou o quarto do pequeno apartamento para seus fins e agora estava fazendo isso aqui em Harvard. Ele está com outra garota no quarto!
Minha vontade era de arrombar a porta e dar uma boa surra nele por ser um maníaco por sexo, mas eu sabia que poderia perder o controle e acabar fazendo aquilo que no final acabaria me arrependendo.
Fiz a coisa mais sensata a se fazer, me afastei do quarto e caminhei pelo campus de Harvard imersa em meus pensamentos, fazendo de tudo para não pensar no Jason com outra no quarto, sendo que ontem era nós dois no quarto transando. Me sinto tão suja, sinto repulsa dele, como pode fazer isso comigo?
— Por que está chorando? — Ouvi uma voz atrás de mim.
Sabia que era o Chaz e mesmo de noite, consegui vê-lo sentando em baixo de uma árvore ao meu lado.
— Isso não te interessa — disse limpando o rosto.
Ótimo, além de nem perceber que estava chorando, aparece um idiota para perguntar o porquê e pior, esse idiota é justamente o garoto que é uma ameaça para mim e para a missão.
— Bom, estou aqui para ver as estrelas — ele disse como se eu tivesse perguntando algo, sendo que eu não estava nem aí para o que ele estava fazendo no momento. — Não tem muitas, mas as poucas que têm são bonitas. Não quer sentar aqui e olhá-las também?
— Isso não é uma cilada?
— Já disse que não estou mais trabalhando para a CIA, Madeline.
— Jonathan — disse rapidamente olhando para os lados para ver se tinha alguém por perto.
Bom, por ser tarde, muitos já estavam em suas camas, guardando energias para o dia de amanhã. Poucos circulavam pelo campus, mas nenhum chegava tão próximo de onde estávamos.
— Percebeu que não precisa desse disfarce agora? — Chaz perguntou sorrindo. — E então, vai se sentar aqui?
Olhei relutante para a mão dele que batia na grama aparada gentilmente, me chamando para sentar ao lado dele. Ele pareceu sincero ao dizer que não trabalha mais para a CIA, ainda tenho minhas dúvidas, mas se eu for ser sequestrada de novo por ele, talvez isso mostre ao Jason que não deve dar sopa quando seu amigo sequestrador está a pouca distancia de nós.
— Tudo bem — disse me sentando ao seu lado. Aproveitei a oportunidade de estar camuflada entre a escuridão da noite e a árvore e tirei a toca que estava me incomodando fazia muito tempo. Tirei a toca e desfiz o coque, fazendo meu cabelo cair sobre meus ombros, me senti mais livre e muito melhor depois de ouvir gemidos dentro do quarto que compartilho com o Jason. Coloquei a mão dentro da blusa e desliguei o dispositivo de voz.
— Aquela estrela talvez seja a que mais se destaca das outras — Chaz disse apontando para o céu, ignorando o fato que de eu estava com mão dentro da camiseta. — Estou fitando-a faz um bom tempo.
— Então você gosta de estrelas? — Perguntei com um sorriso divertido no rosto, mesmo essa não sendo a minha intenção.
— Um pouco — ele disse olhando para mim e depois voltando a sua atenção para o céu. — Queria poder ver alguma constelação, mas aqui é difícil.
— Talvez com um telescópio.
— É, talvez. Mas acho que também não. Você tem que ser preciso na hora de procurar uma estrela. Tem um ano certo, um mês certo, um dia certo. Você tem que saber qual quer ver e saber exatamente quando ela aparece, mas no momento não estou interessado em uma única estrela. Mesmo que eu não saiba o nome dessas que estão agora no céu, pelo menos elas ficam bonitas uma do lado da outra.
— Não é uma coisa na qual tenho interesse — disse ríspida.
Olhei para os pés dele e vi que ele estava usando o tênis que o Jason disse, mesmo estando com o rastreador comigo, não estava disposta a colocá-lo na sola do sapato dele. Não me parece certo, agora.
— Que tal batizarmos as estrelas? — Chaz perguntou animado, ignorando a minha última frase.
Dei de ombros e ele começou, apontando par a estrela que ele disse chamar sua atenção.
— Aquela chamarei de Magnífica.
— Magnífica? — Entortei os lábios como se aquele nome não fosse bom. Apontei para outra estrela. — Vou chamá-la de Enéiacleide.
Chaz riu, uma risada gostosa que me contagiou.
— Ok, então aquela será Esvaldosfeira — apontou ele para outra estrela e rimos novamente.
E assim esqueci do Jason, dando nomes engraçados para as estrelas no céu junto com o Chaz. Sei que abaixei minha guarda, mas eu estava contrariada, estava disposta a fazer qualquer loucura. E agora, pensando bem, até que não foi uma loucura sentar ao lado do meu antigo sequestrador e conversar sobre estrelas.
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N. 3ª Pessoa
— Então eles estão em Harvard — o homem de sobretudo sorria com um ar de satisfação.
— Como o senhor pediu — Maya confirmou.
— Mas e aquele bandido perigoso que está a solta? Não acha que...
— Eles sabem se cuidar — O homem de sobretudo interrompeu Charlie. — E o que deu em você, passou a se preocupar com eles?
— Bom, não conhecemos o vilão, agora o alvo deles não é mais uma garota bonita envolvida com tráfico, agora é um assassino que está em jogo — Charlie levantou do sofá. — Só acho que não foi uma boa ideia mandá-los para lá.
— Mas tem uma pessoa que também está lá e se eu conseguir, estarei trazendo-o de volta para nós.
— Você não está se referindo ao...
— Isso, ao Charles Somers — completou o homem de sobretudo.
— E como irá fazê-lo a trabalhar para nós? — Maya perguntou. — Não acha que é arriscado, você sabe que a CIA não está mais nos apoiando em nada. Sabe que eles querem que a gente faça a missão determinada e não que nos preocupemos em destruir o FBI.
— Não vamos destruir exatamente o FBI, só as duas famílias mais poderosas. Cada um de nós tem contas para acertar com os McPherson e os McCann.
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