The Other Side: O Ciclo das Almas
2 Marcada Para Morrer: Parte II
Notas iniciais
Eu estou desesperada, pois não consigo mais ver Bethany, quando me levantei ela não estava mais no estacionamento, ela provavelmente está no Purgatório me procurando, acredito que talvez esteja no cemitério achando que eu fui parar lá, eu gostaria de ir atrás dela, porém tenho medo do que irá acontecer se alguma alma me ver, pois lembro de Bethany ter me contado que se humanos vierem para o Purgatório, eles acabam morrendo quando voltam, mas só se o anjo da morte saber. Será que ele sabe de que eu estou aqui?
Fui procurar algum lugar para me esconder aqui no shopping, mas tem espíritos por todo lado, por enquanto eu vi cinco, mas eles não me viram, então me escondi no poço do elevador, no caminho eu escutei duas almas falando sobre um boato de que há uma humana no Purgatório, isso significa que já estou f*dida, fui até o poço do elevador, pois achei que nenhum fantasma iria lá, mas acho que me enganei.
– Eu sempre quis ver como era o poço de um elevador.
Quando eu escutei essa voz eu levei um dos maiores sustos da minha vida.
– Ah... Hum... Oi?
– Ai que modos os meus! Prazer, meu nome é Cassy.
– O meu é Ingrid.
Cassy era uma garota ruiva, seu cabelo era longo e liso, sua franja era vermelha e ela vestia um longo vestido branco, sendo que todos aqui usavam roupas brancas e folgadas.
– AI MEU DEUS! VOCÊ É A GAROTA HUMANA!
– Por favor, Cassy! Não conte pra ninguém que você me viu, eu estou aqui por acidente, eu toquei na minha amiga morta e como ela não deveria estar no meu universo, ao encostar nela, eu vim parar aqui.
– Então os boatos de que as almas estão voltando para terra são verdadeiros!
– Sim, eu tinha me esquecido que ela já estava morta e fui salvá-la de ser atropelada.
– Então, as almas que estão na terra servem de portais.
– Sim, e agora eu preciso acha-la para voltar para lá, mas o anjo da morte não pode saber, senão eu vou morrer quando voltar para a terra.
– Ok, vou te ajudar, mas precisamos achar outras roupas pra você, pois eles vão te reconhecer. Volto em já!
Não levou um minuto, e Cassy já voltou trazendo um vestido branco para mim.
– Onde você arranjou esse vestido?
– Digamos que alguém não vai poder sair do banheiro sem roupa quando acordar.
– Você é durona, hein?
– Claro que sou, agora se vista.
– Aqui?
– Não, no closet da Paris Hilton.
– Nossa! Delicada que nem um tijolo!
– Anda logo! Antes que alguém te descubra.
Me vesti e saímos ao redor do shopping, mas Bethany não estava em nenhum lugar.
– Acho que ela foi me procurar no cemitério da minha cidade.
– E onde fica?
– É em Greenville, fica há uns cinquenta quilômetros daqui.
– Vamos, almas podem se teletransportar para onde quiserem aqui.
– Mas eu sou humana, o que vamos fazer?
– Bicicletas.
– Por quê?
– Porque as almas, em alguns casos, são fortemente ligadas com algum objeto pessoal e uma cópia desse objeto acaba parando aqui algumas vezes. Já vi carros que vieram do mundo dos vivos, provavelmente haverão bicicletas. Eu vou verificar! Qual é o lugar onde há mais bicicletas no mundo?
– Acho que Amsterdã.
– Eu já volto!
Esperei cerca de cinco minutos até Cassy voltar trazendo duas bicicletas.
– Vamos lá!
– Ok, mas antes, de quem são essas bicicletas?
Falei rindo.
– Não sei, mas acho que não deveria voltar para Amsterdã.
Eu e Cassy subimos nas bicicletas e fomos rumo a Greenville, eu nunca andei cinquenta quilômetros de bicicleta, mas acho que nesse mundo essas necessidades não valem muito. Na maior parte do caminho, fomos conversando.
– Cassy, só por curiosidade, como você morreu?
– Ah, essa até que é uma boa história e acho que temos tempo o suficiente. Lá vai: eu, Cassy Brooks, vinte e seis anos, era voluntária no resgate de pessoas soterradas em terremotos, eu sabia pilotar um helicóptero para isso, mas um helicóptero é extremamente caro, então o governo sedia um para que eu usasse nos resgates. Certo dia, Cassy conheceu o amor de sua vida, John Jones, um jovem de vinte e sete anos, alto, loiro, olhos azuis, gostoso, gentil, ou seja, ele era tudo de bom! Eles se amavam muito, por isso resolveram se casar, o pedido foi no Haiti, então ele foi para Flórida para preparar tudo, já que eu era uma das poucas pessoas que sabiam pilotar. Então, o tão esperado dia chegou, mas os aeroportos não estavam funcionando no dia e eu não faltaria meu casamento por nada, sendo assim, fiz de tudo para que o governo liberasse o helicóptero, e por fim eles deixaram devido aos meus incríveis atos de heroísmo, porém, quando eu estava sobrevoando Bahamas fui atingida por uma tempestade e o helicóptero caiu, aqui estou aqui.
– Isso é muito triste!
– Pode apostar que é, acharam meu corpo no dia seguinte, deixá-lo foi a pior coisa que eu já fiz, mas a vida daquela Cassy já acabou e não há nada que eu possa fazer pra ter aquela vida de volta.
Lágrimas desciam do rosto de Cassy, era tão triste a história dela, morrer no dia do casamento é tão horrível.
– E então, Ingrid, me conte mais sobre como você veio parar aqui.
– Nada muito interessante, eu tenho dezesseis anos e sofri muito com a morte da minha melhor amiga, depois de um mês eu vou para New York e descubro-a me vigiando, então a acompanho tentando entender isso, sem querer encosto nela e venho parar aqui. Agora estou fazendo de tudo para que o anjo da morte descubra que eu estou aqui, se ele souber eu vou morrer quando voltar para meu mundo.
– Então, quando chegarmos, você fica escondida fora do cemitério e eu vou lá para achar sua amiga.
– Ok! Ah, e a propósito, se um dia você voltar para o mundo dos vivos, vá para New York, vá para um lugar chamado Roses e peça de mim para uma garçonete chamada Cat.
– Pode ter certeza que eu vou!
Após cerca de duas horas, chegamos lá, sendo que não tínhamos que nos preocupar com trânsito. Quando chegamos ao cemitério, vi Bethany de joelhos na frente do anjo da morte, que mesmo sendo uma estátua, tem poderes aqui nesse mundo, ele não podia falar ou se mexer, mas podia paralisar todos que estivessem por perto, ao ver Bethany me desesperei, porém me abaixei atrás do muro, mesmo de longe podia ouvir minha melhor amiga berrando com aquela estátua ou seja lá o que for.
– EU SEI O QUE VOCÊ QUER MORTE! E VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR, PODE ME ATORMENTAR O QUANTO QUISER!
Cassy foi até lá.
– Você deve ser Bethany, vamos, tem alguém que me mandou vir te buscar.
Nesse momento, o anjo da morte derrubou Cassy que ficou imóvel no chão. Fiquei desesperada, se eu fosse intervir, a morte me descobriria, mas não podia deixá-las lá, ao meu lado achei um martelo, e por sorte podia tocá-lo, o agarrei com força, corri por trás da estátua e acertei o martelo com tudo na foice que ela segurava. Então, naquele momento, a foice rachou, mas não quebrou, porém interrompi o poder dela, sendo assim, Cassy se teletransportou e Bethany me agarrou pelo pulso e nos teletransportou de volta para o mundo dos vivos, estávamos novamente no estacionamento.
– Ingrid, você não devia ter feito!
– Eu não deixaria você e Cassy sofrendo!
– Cassy?
– Depois eu te conto, mas agora estamos de volta, está tudo bem!
– Eu não acho! Olhe seu pulso.
Em meu pulso havia o desenho de uma foice, então eu já sabia que estava marcada para morrer.
– O que eu faço agora? Meu pai vai vir me buscar daqui a pouco.
– Você não pode ir Ingrid, pense bem, você está marcada para morrer e vai voltar de carro com seu pai, no caminho você pode sofrer um acidente e levar ele com você.
– Você tem razão. Então o que devo fazer?
– Você podia morar aqui em New York comigo.
– Com que dinheiro?
– Empregos.
– E se alguém nos reconhecer?
– Mudamos drasticamente o visual, tipo pintar o cabelo de loiro e roxo, cortar mais curto, usar óculos, esse tipo de coisa.
– O que digo para o meu pai?
Então o meu celular começa a tocar, é o meu pai.
– Bethany é ele! O faço?
– Atende!
– Oi, pai!
– Filha, eu estou aqui no Roses, onde você está?
– Olha pai, eu não vou voltar para Greenville.
– O QUÊ?
– Pai, esse mês tem sido muito difícil para mim, tudo ao meu redor lembra ela, eu não posso voltar!
– Filha, o que está acontecendo?
– Pai, eu quero que saiba que não importa o que acontecer, eu amo muito você e a mamãe!
Então desliguei o celular, estava arrasada, em lágrimas, a ideia de que nunca mais os veria não saia da minha cabeça.
– Ingrid, eu sinto muito.
– A culpa não é sua, Bethany! É toda minha!
Bethany nos arranjou um carro, ficamos no apartamento dela por umas duas horas, até eu decidir que estava pronta para ir.
– Bethany, eu estou pronta para morrer.
– Você tem certeza?
– Não há nada que eu possa fazer para evitar, o máximo que eu posso fazer é escolher como e vou morrer.
– E então, como vai ser?
– Quero morrer rápido, pensei em um tiro na cabeça, lá na ponte do Brooklyn.
– Ok, eu arrumo uma arma pra você.
Bethany me deu a arma, e fomos até a ponte.
– Ingrid, você provavelmente renascerá lá no fundo do rio, por isso vou estar te esperando em um bote lá e vou dar um jeito no seu corpo.
– Obrigado, Bethany!
Engatilhei a arma, apontei para meu crânio e pulei, logo ao pular, disparei a arma e acordei no cemitério de Greenville, já estava pronta para voltar, mas antes fui ver minha mãe uma última vez, chorei mais um pouco e então voltei ao cemitério.
– Anjo da morte, você não se mexe e nem fala, mas se pode paralisar uma alma, provavelmente consegue ver e ouvir, me desculpe por sua foice, só estava tentando ajudar minha amiga, bem agora estou pronta para ir.
Fui até a estátua e a abracei, logo vi todos os momentos de minha vida em um segundo, cada lembrança, cada sentimento, e quando percebi, já estava no fundo do rio, sai de lá e já encontrei Bethany no bote com o meu corpo, foi muito estranho ver a si mesma morta, fomos até a margem e enterramos meu corpo por ali, e então voltamos para o apartamento de Bethany, onde eu residiria dali em diante.
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