Notas iniciais
Lamento por ter demorado tanto, mas estive muito ocupado com minha vida pessoal nos últimos dias, mas aqui está o terceiro capítulo.

Já faz uma semana desde que passei a pertencer ao mundo dos mortos, passei praticamente toda essa semana deitada e refletindo sobre tudo o que está acontecendo, não sei o que fazer daqui para frente, não tenho mais família, não posso mais voltar para Greenville, a única coisa que me restou foi Bethany, quis tanto ter ela de volta, que acabou custando minha vida. Ainda estou desorientada, não experimentei usar meus poderes, Bethany está preocupada comigo, ela acha que não estou aceitando isso e por isso se culpa algumas vezes, mas é tudo culpa minha, eu escolhi morrer por ela, essa foi uma escolha que eu tomei. Aceitar tudo isso não está sendo fácil, estou conseguindo por enquanto, porém precisei de uma semana para isso, agora já me sinto pronta para abraçar sem receios o meu novo eu.

– Bethany, me ensine como viver em sociedade estando morta.

– É claro, acho que primeiro deveríamos descobrir o seu poder.

– E como fazemos isso?

– Acho que a melhor maneira é meditar, deixe sua mente limpa e sinta tudo que está ao seu redor, perceba algo que você sinta mais, por exemplo, o que eu mais sinto é fogo, foi assim que eu controlei meus poderes.

Sentei, cruzei as pernas, fechei os olhos e esvaziei a mente e senti uma energia, me concentrei nessa energia e quando percebi eu havia queimado a luz da sala.

– Wow! Seu poder é eletricidade?

– Eu acho.

Fui até a janela com Bethany, me concentrei na luz do poste e a queimei, para ser sincera, eu quebrei ela, pois saíram um monte de faíscas e o vidro se espalhou pela calçada.

– Seus poderes são mais legais que os meus!

– Agora você vai dizer que por fogo nas coisas não é divertido?

– Ingrid, você entendeu!

– Ok, mas como eu controlo? Quer dizer, e seu eu não quisesse explodir a luz do poste, só queimá-la.

– Poderes são coisas complexas, mas você precisa manter o foco, relaxe e concentre-se na lâmpada, depois pense no que você quer que aconteça.

Foquei-me em outro poste, mas infelizmente eu acabei o fazendo pegar fogo, ainda bem que Bethany pode controlar o fogo e assim apaga-lo.

– Olha Ingrid, vai ficar tudo bem, só precisa praticar em coisas menores e que não causem tanto dano, e só praticar que em breve você apagará toda New York.

– Não exagere Bethany!

Abracei Bethany, estava querendo fazer isso desde que a vi aqui em New York, estava morrendo de saudades da minha melhor amiga e agora ela é a única pessoa que eu posso abraçar.

– Eu também senti sua falta Ingrid!

– Agora, o que podemos fazer para não sermos reconhecidas, meu pai provavelmente mandou a polícia atrás de mim.

– Eu comprei uma tesoura e seis tintas de cabelo.

– Um, eu não vou cortar meu cabelo, e dois, SEIS TINTAS?

– Eu estava pensando em repicar meu cabelo até a metade do pescoço, pintá-lo todo de preto e as pontas de rosa.

– VOCÊ VAI FAZER ISSO COM O SEU CABELO?

– A intensão é não sermos reconhecidas e isso exige drásticas mudanças no visual.

Eu fui primeiro para mudar meu cabelo, fiquei chocada quando ela cortou meu cabelo uns dois dedos acima do ombro, as pontas repicadas, Bethany pintou um cabelo de loiro e fez californiana com tons de azul, tenho que admitir que ficou muito bom, principalmente por causa do meu cabelo ondulado. Então chegou a vez de Bethany, fiz tudo como ela tinha dito, cortei o cabelo dela cinco dedos acima do ombro, deixando as pontas repicadas, pintei o cabelo de preto e deixei as pontas rosa, ela também tinha ficado com cabelo ondulado, tornando nossos cabelos um arraso. Confesso que fiquei um tanto sentida em ver todo aquele cabelo no chão, dava para fazer duas perucas de cabelo longo com o que sobrou. Concordamos em sempre sair de óculos na rua e usar cores de maquiagem vibrantes, já que não costumávamos usar cores fortes antes, as roupas estamos pegando em bazares, já que não temos tanto dinheiro, mas até que são umas roupas bem legais, o dinheiro que Bethany ganha dá para pagar o aluguel e comida, sobrando pouco para outras coisas. Estou pensando em procurar um emprego, para ajudar nas despesas, assim sobra mais. O apartamento dela é bem pequeno, fica no Queens, tem uma cozinha junta da sala, eu durmo no sofá, já que só tem um quarto, o banheiro é pequeno também, mas o apartamento é bem organizado. Agora só tenho uma curiosidade, como vou para o Purgatório?

– Bethany, agora que já sei usar meus poderes, você poderia me ensinar a ir para o Purgatório.

– Ok, é simples, pessoas morrem e encontram a paz a todo o momento, sinta essa energia, sinta as almas indo para o Purgatório e deixe essa energia te envolver.

Fechei os olhos e fiz tudo o que ela mandou, e quando abri meus olhos estávamos nós duas no purgatório.

– WOW! É realmente fácil!

– Aqui você não tem seus poderes, mas você pode se teletransportar para qualquer lugar. Vamos para Paris?

– Claro, como eu me teletransporto?

– Só se concentre no lugar que você vai, eu te encontro no topo da Torre Eiffel!

Ela sumiu em um flash, agora e minha vez. Pense em Paris, pense em Paris, pense em Paris, pense em ...

– Hey, pode abrir os olhos novata, você já chegou!

– Beth! Eu consegui!

– Eu vi Ingrid, mas devemos voltar, temos que achar um emprego pra você.

– Calma, eu quero encontrar Cassy!

– Quem?

– A garota ruiva que tentou te salvar quando você estava paralisada.

– Ah! Conte mais sobre ela.

– Ela já estava aqui há um tempinho, Cassy disse que antes de abraçar a morte ela iria visitar daqui todos os lugares que ela não conseguiu enquanto era viva, você iria adorá-la, ela é muita legal! A coitada morreu no dia do casamento, de helicóptero.

– De helicóptero?

– O governo cedeu um para ela poder ajudar nas buscas por pessoas soterradas, mas ela não podia usar para si mesma, porém se ela não usasse, ela iria chegar atrasada, então conseguiu autorização para usá-lo, porém houve uma tempestade e o helicóptero caiu.

– Bela história!

– Pois é! Mas Beth, você parece muito preocupada, o que houve?

– Ok! Eu te conto! Eu escutei alguns sussurros.

– Beth, do que está falando? Sussurros? Como assim? Sussurros sobre o que?

– Ingrid, quando alguém tem uma morte extremamente dolorosa, demorada e sofrida, a pessoa deixa marcas nesse mundo, que são interpretadas através de sussurros, você poderá ouvi-los aqui ás vezes. Essas pobres almas tiveram uma passagem tão difícil que continuam conectadas com o purgatório, algumas até continuam conectadas ao mundo dos vivos e como elas já se foram, os sussurros, nome o qual essas almas são conhecidas, sabem de tudo sobre todos, passado, presente e futuro. Geralmente você as ouve falando do presente, mas o que eu ouvi creio que seja de um futuro próximo.

– Beth! Você está me assustando! O que você ouviu?

– Elas disseram que as sombras vão voltar!

– Mas elas não podem, já não fazem parte dos vivos nem das almas do purgatório.

– Ingrid, pense! Todas essas almas voltando para os vivos e transitando entre dois mundos deve estar causando grande desequilíbrio, e se analisarmos, as sombras são almas que não querem encontrar a paz e não podem ficar aqui. Então, com todo esse desequilíbrio, faz sentido elas voltarem e dá uma razão pela qual temos poderes. Talvez essas novas habilidades tenham uma função, que seria combater as sombras.

– Você está certa. Temos que descobrir se isso vai realmente acontecer e se for, também temos que descobrir como vamos deter essa ameaça.

– Ok! Não vamos pedir a um anjo da morte, eu não quero que eles tentem me segurar nesse mundo de novo.

– Bem, eu também não vou arriscar.

– Então devemos voltar ao mundo dos vivos e descobrir alguma irregularidade com as sombras, podemos fazer isso enquanto arrumamos um emprego para você.

Então, voltamos ao mundo dos vivos.

– Você aprendeu rápido Ingrid!

– Obrigado, mas agora vamos à busca!

Saímos pelas ruas de New York analisando todos, mas não parecia haver nada errado, então Bethany sugeriu que eu tentasse o emprego de vendedora, fomos até uma loja no centro da cidade chamada FreshLook, não era tão grande, mas tinha uma boa quantia de clientes. Entramos e logo chamamos pela gerente, uma moça chamada Kiria foi chamá-la, quando voltou pediu para subirmos na sala da gerente.

– Meninas, vocês vão adorar a gerente, o nome dela é Simone, ela é muito simpática e acho que conseguiram o emprego, vocês são exatamente o que a gerente procura.

– Hum... Kiria, certo? Eu não estou procurando emprego, só estou acompanhando minha amiga Ingrid, ela quer o emprego.

– Ok! Sem problema, aqui é a sala dela, Simone está sentada naquela cadeira de costas para vocês.

Percebi que algo estranho ia ocorrer quando Kiria trancou a porta quando eu e Bethany entramos.

– Olá, Simone. Eu sou Ingrid, estou procurando um emprego e essa é minha amiga Bethany, ela só está me acompanhando.

– Me mate!

Não acreditei no que acabei de ouvir, e Simone continua virada de costas para nós.

– O quê?

– ME MATEM AGORA OU MATAREI VOCÊS!

Nesse momento a gerente virou a cadeira, ela estava vestida toda de preto e seus olhos completamente pretos também, até mesmo a parte branca dos olhos. Ela apontou a mão para mim e percebi uma escuridão saindo de suas mãos.

– INGRID SE ABAIXA!

Estava tão concentrada que não vi que Simone iria me atacar usando algum tipo de magia negra, graças à Beth, consegui me abaixar a tempo.

– BETHANY, O QUE É ISSO?

– ACHO QUE É UMA SOMBRA QUE TOMOU POSSE DE UM CORPO HUMANO!

– Acertou querida, agora me mate ou vai pagar!

– POR QUÊ?

– Porque eu só posso voltar ao purgatório se um dos que voltaram de lá me matarem!

– INGRID, NÃO PODEMOS FAZER ISSO! NÃO PODEMOS LIBERTAR ALGUÉM QUE NÃO ENCONTROU A PAZ!

– OK! BETH, O QUE VAMOS FAZER?

– CORRE!

Bethany praticamente explodiu a porta usando seus poderes, estávamos descendo as escadas quando Simone gritou:

– KIRIA, PEGUE ELAS!

Kiria veio em nossa direção e me acertou algum tipo de magia negra, comecei a me sentir fraca, e então Beth percebeu que não tínhamos escolha, então ela acertou uma enorme bola de fogo em Kiria, provavelmente morreu na hora, ela fez o mesmo com Simone. Felizmente, a loja estava vazia, não havia mais ninguém lá, então fomos correndo para casa. Assim que chegamos, Bethany surtou:

– O QUE VAMOS FAZER INGRID? SE MATARMOS ESSAS COISAS, ELAS VÃO PARA O PURGATÓRIO E VOLTAM PARA ESSE MUNDO!

– ME EXPLICA DIREITO POR QUE ISSO É UMA CATASTROFE, VOCÊ FALA COMO SE ELAS FOSSEM A PIOR COISA QUE EXISTE!

– INGRID, ELES PERDEM AS EMOÇÕES AO IREM PARA AS SOMBRAS, A ÚNICA COISA QUE SENTEM É RAIVA E VINGANÇA POR TODO ESSE TEMPO.

– ELES VÃO QUERER TRANSFORMAR TUDO E TODOS EM SOMBRAS!

– Calma Beth! Tudo vai ficar bem, nós vamos até o purgatório amanhã de manhã e descobriremos mais, buscaremos alguém que saiba o que está havendo.

– TODOS MUNDOS CORREM PERIGO! NÃO CONSIGO ME ACALMAR!

– Bethany, olha pra mim! Tudo vai ficar bem! Não se preocupe, acharemos um jeito.

Ela me abraçou com força, senti a suas lágrimas em minha blusa. Ficamos abraçadas até ela se acalmar.

Notas finais
Se você gostou da fic, gostaria que acompanhasse essa história e comentasse o que você está achando da história. Em breve mais capítulos...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.