The Other Girl
1 01 | What the hell are you doing, Mike?
Notas iniciais


CAPÍTULO UM
O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO, MIKE?
i. na qual star e skye são sequestradas pela shield.
→ → → → → → → → →
Por décadas, sua organização ficou nas sombras, escondendo a verdade.
Mas agora nós sabemos.
Eles estão entre nós.
Heróis.
E monstros.
STAR E SKYE SEMPRE ESTAVAM NO LUGAR CERTO E NA HORA CERTA. Estava ocorrendo um incêndio no último andar de um prédio, sendo que tal situação tinha acabado de começar e as duas mulheres estavam apenas passando pela rua. Todas as pessoas pararam para filmar, inclusive as hackers, que acabaram por ligar as câmeras dos celulares poucos minutos antes de um homem alto e com o capuz do casaco cobrindo parte de seu rosto saltar da janela, carregando uma mulher em seus braços. Coincidentemente, Star e Skye estavam bem na frente do homem após atingir o chão.
As duas amigas entreolharam-se ao conseguirem ver o rosto do herói, por causa do capuz mal colocado. Porém, quando tentaram se aproximar dele, o homem saiu correndo. Elas resolveram checar a mulher que foi salva, então. Pelo menos, ela se encontrava com vida.
O mundo é repleto de maravilhas.
Não podemos explicar tudo o que vemos, mas nossos olhos estão abertos.
E agora?
Não há mais sombras onde se esconder.
Algo impossível acabou de acontecer.
O que fará a respeito?
•••
TINHA QUASE UMA HORA DO OCORRIDO PRESENCIADO, E STAR E SKYE ESTAVAM BEM ATRÁS DO HERÓI MISTERIOSO. Foi até fácil segui-lo, já que o homem mudou nada do que vestia, apenas retirou o capuz da cabeça após dois ou três quadras do incêndio. Porém, encontrá-lo em uma lanchonete — uma a qual ambas frequentavam com uma certa frequência nas rotinas —, olhando o cardápio, pareceu que tudo estava a favor delas naquele dia
Entraram no estabelecimento e andaram em passos rápidos, apesar de tentarem serem discretas ao fazerem isso — e falharem —, sentaram na mesma mesa que o homem. Star escorregando pelo banco primeiro para conseguir sentar perto da janela, enquanto Skye vinha em segundo.
Sentando-se de forma desleixada, Star apoiou suas costas contra a parede e colocou as pernas em cima do colo de Skye. Sorriu arteira para a amiga, enquanto arrumava os cabelos castanhos escuros levemente antes de levar uma de suas mãos para os cabelos castanhos claros da outra e bagunça-los.
Star virou-se para o homem, após levar um empurrão de Skye. Ignorou a expressão confusa dele e inclinou-se brevemente para frente.
— Aja naturalmente. — sussurrou a morena, logo deixando seus olhos presos na televisão. Mexendo-se um pouco de um lado para o outro, como se não conseguisse ver o aparelho muito bem.
— O quê? — perguntou o homem.
— Finja que estamos conversando. — respondeu Skye, encarando ele.
— Estamos. — retrucou sem firmeza, olhando de canto para a janela e logo voltando o olhar para as garotas.
— Ótimo. — falaram em uníssono, entreolhando-se logo em seguida pelo ato espontâneo.
— Nunca se sabe quem está ouvindo. — Skye complementou
— Nem sei quem está falando. — retrucou, outra vez, o herói desconhecido.
— Ela é Skye e, eu, Star. — falou a morena, apontando para outra e depois para si mesma ao falar seus respectivos nomes — E você é o Herói Encapuzado.
— Por favor, diga que não vai usar esse nome. — pediu aquela com cabelos mais claros, revirando os olhos.
— Espere, o que? Não sou... — Star e Skye pegaram alguns saquinhos de açúcar, enquanto ele tentava arrumar uma justificativa. — Sou operário de fábrica.
— Claro, de dia. — respondeu Skye.
Ambas estavam brincando com os saquinhos de açúcar que tinham em mãos, trocando eles de lado a cada segundo.
— Nós vimos o que aconteceu. Você é um herói. — disse Star, olhando atentamente para homem em sua frente.
— Tipo, um super-herói de verdade, o que é... — quando percebeu que estava ficando animada demais, Skye interrompeu a si mesma de ter um surto ao receber uma cotovelada discreta da outra — Não sou do tipo fã que persegue, mas... — então, Skye riu de forma animada e apertou as mãos punhos, o que fez Star arquear um sobrancelha — Ai, meu Deus! Isso é tão legal! Certo, calma. Não... Não chame atenção.
— Acho que você quase falhou nisso, Skye. — Star resmungou, enquanto reprimia um sorriso debochado.
Skye a olhou, antes de cutucá-la com o cotovelo. A morena revirou os olhos, antes de ficar subitamente séria.
— Você está em perigo, senhor. — Star inclinou-se um pouco sobre a mesa ao falar em um tom mais baixo, como se estivesse com medo de alguém escutá-las.
— Sou o cara errado, moças. — respondeu ele, tentando contornar a situação.
— Não, você tem a abordagem errada. — recrutou Star, abrindo um dos pacotes de açúcar e colocando um pouco do conteúdo na boca — A garota fofa no hospital quer muito agradecê-lo.
— E bem possivelmente "daquele jeito" e você está se escondendo! — Skye exaltou-se.
— O clipe que você a salva teve mais visualizações desde o cachorrinho com tontura, e você não consegue nem arrumar um emprego. — retrucou a morena, tombando a cabeça levemente de lado como se o desafiasse a não acreditar nelas.
— Como assim, em perigo? — questionou o homem, encostando as costas no banco. Finalmente, dando a atenção que as duas queriam.
Ambas pareceram receosas em mencionar o que era, então, olharam para todos os lados antes de responderem em uníssono:
— SHIELD.
— O quê? Devo carregar um escudo? — ele fez um sinal com seu braço com fosse um, fazendo Star revirar os olhos para disfarçar um sorriso breve.
— SHIELD. O Governo. — respondeu a morena, ficando séria novamente.
— Homens assustadores de ternos escuros que vão atrás de caras como você. — Skye disse, completamente focada com desconhecido a sua frente que nem percebeu a mulher ao seu lado olhar para as próprias mãos como se fossem a coisa mais interessante que tinha ali. — Sabiam da Batalha de New York antes de acontecer. Eliminaram tudo antes que fizessem perguntas sérias. Num instante.
— Quanto tempo acha que vão levar para eliminá-lo? — questionou Star, erguendo o olhar para ele. — Por experiência própria, nem muito.
— E querem saber por que me escondo?
— E se você não se escondesse? — perguntou Skye, fazendo a sua amiga olhar para ela com as sobrancelhas arqueadas levemente. Não era nisso que Star estava pensando. — E se tomasse iniciativa e deixasse as pessoas saberem que é um herói?
— Eu sou apenas um cara. — recrutou o homem.
— Um cara assim consegue emprego, benefícios. — recrutou Star, ficando entediada — Nós podemos ajudar. Somos ótimas com computadores. Muito ótimas. Nós poderíamos ajudar com uma nova identidade ou...
— Uma máscara! — completou a castanha, um pouco mais empolgada que a outra.
— Certo! — então, o homem se levantou, o que fez as duas imitarem o seu movimento.
— Ou, também, você poderia ficar com o capuz...
•••
DEPOIS DE UMA CONVERSA POUCO PROMISSORA, STAR E SKYE FORAM PARA A VAN QUE MORAVAM. Levando alguns salgados da lanchonete para comerem depois de fazerem que tinham que fazer naquele momento. Apesar que Star estava quase desistindo da espera ao sentir seu estomago querendo se comunicar, mesmo que fosse pouco.
— Star. — chamou a outra de forma hesitante. Recebendo um balançar de cabeça, ela logo tratou de continuar — O que você quis dizer com "experiência própria"?
A morena sorriu de forma arteira, passando um de seus braços sobre o ombro da outra facilmente, já que Star sempre foi mais alta.
— Nem sempre vivemos juntas, Skye. — o sorriso não tinha deixado seus lábios — E há coisas que eu nunca contei a você, e hoje não será o dia.
Bagunçou o cabelo da outra, logo entrando na van para evitar uma cotovelada de Skye.
Arrumaram o que ainda faltavam dos equipamentos para gravar um novo vídeo para a Maré Crescente, Star sentada no banco da carona enquanto Skye permanecia na parte de trás da van.
— Como virá até nós? Pelo ar? Pela terra? — começou Star, falando cada palavra calmamente.
— Como irá nos silenciar dessa vez? Como conseguirá?
— A verdade está no vento. Está por toda parte. — a morena voltou a dizer, sorrindo no final ao saber da próxima frase que seria dita pela outra.
— Não pode deter a Maré Crescente.
— Não irá nos achar. — Star sentia que algo aconteceria, mas não mudou nenhum momento o seu tom de voz — Você não verá nosso rosto, mas esteja certo, vamos lutar contra os que escondem a verdade de nós.
— E nada, nada pode nos deter...
Então, o sentimento de Star que algo aconteceria se concretizou.
A porta da van foi aberta subitamente, interrompendo a parte de Skye. Os olhos de Star de arregalaram em surpresa ao perceber que a SHIELD tinha as encontrado e, principalmente, por ver Phil Coulson ali parada ao lado da entrada da van, sendo que a última vez que o viu foi quando Loki tinha o matado.
SHIELD tinha trazido Coulson de volta a vida. Como? Ela não sabia, e nem estava disposta a saber. Queria se manter afastada da agência, já teve sua conta de acontecimentos com ela.
— Ei. E aí? — perguntou a castanha, meio nervosa, usando um tom como se estivesse fazendo nada. Então, o outro agente colocou um saco na cabeça de Skye.
— De novo não. — então, ela simplesmente saiu correndo da van, pelo lado oposto que Phil e o outro agente estavam. Sendo seguida rapidamente por ambos. — Merda!
Correndo pela rua, Star e os outros chamavam atenção das poucas pessoas na rua, que apenas voltavam a fazer o que estavam fazendo antes como se nada estivesse acontecendo. Star estava ficando cansada de correr. O que era estranho, já que ela tinha uma resistência física muito boa. Porém, o sedentarismo estava afetando sua fuga. E seu senso de direção, pelo visto. Já que logo em seguida se encontrou de cara com um beco, enquanto o agente desconhecido se aproximava lentamente com um saco preto nas mãos e Coulson a observava atentamente.
— Isso é sério, Phil? — então, um sorriso um debochada apareceu em seus lábios com um súbito pensamento — Ou seria tio zumbi? Afinal, eu vi você morto.
— Estive morto por 40 segundos. — Star ergueu uma das sobrancelhas. Algo estava muito errado naquela história.
— Certo. — ela respondeu, mantendo a sobrancelha erguida — Que tal vocês deixarem eu e Skye irmos, fingido que nada aconteceu? Não precisamos criar uma cena aqui, apenas nos deixem ir embora.
O agente desconhecido continuou se aproximando de Star, o que a fez revirar os olhos.
— Está bem. — bateu as mãos nos lados do corpo — Vamos fazer uma cena.
Star pegou o maior impulso que conseguia com a distância praticamente pequena entre ela e o agente, pulando e levando os pés contra o peito dele. Um chute que foi o suficiente para tirar o equilíbrio do homem, mas não por tempo suficiente. O agente rapidamente se recuperou e foi em sua direção com um dos braços erguidos, mas Star se defendeu com a mesma rapidez, batendo braço com braço.
Dobrou o joelho contra o abdomen do homem, que se curvou para frente brevemente. O que foi o suficiente para Star aplicar um soco contra o seu rosto e fazê-lo cair no chão. Quando virou-se em direção a Phil Coulson, foi recebida com sedativos em seu corpo.
— Que merda, tio zumbi. — caiu no chão, apagada.
— Pensei que tinha dito hackers. — resmungou o agente, levantando-se do chão.
— Eu não fazia ideia que era ela. — recrutou Coulson, colocando a garota no carro deles, junto de Skye. Indo rumo ao Ônibus.
•••
STAR ACORDOU QUANDO A JOGARAM BRUSCAMENTE CONTRA UMA CADEIRA. Ao abrir os olhos, colocou as mão sobre eles ao sentir o incomodo da súbita claridade.
— Vocês estão cometendo um grande erro. — escutou Skye dizer ao seu lado, chamando a atenção de Star, que olhou para menor rapidamente.
— Vocês não parecem tão grande. — recrutou o agente desconhecido, levando a morena o olhar com uma sobrancelha erguida enquanto tudo que aconteceu anteriormente voltava em sua mente.
— Disse aquele que levou um soco na cara. — Star respondeu, deixando seus olhos escanearem toda a sala de interrogatório que estavam. E passou o olhar rapidamente pelos os únicos que já tinham falado, antes de parar em Phil Coulson. Sabia que ele tinha a reconhecido, mas ainda esperava uma confirmação que eles realmente se conheciam.
O agente sem nome a fuzilou, fazendo a morena sorrir irônica. E foi ali que Phil soube que tinha que intervir.
— Desculpe pela falta de finesse. O agente Ward tem história com o seu grupo. — disse Coulson, e Star inclinou levemente a cabeça ao escutar o sobrenome do outro agente que ainda a fuzilava do outro lado da sala — A Maré Crescente.
— Sério, Phil? — perguntou a morena, ainda com o deboche no tom de voz, enquanto um sorriso sarcástico surgia em seu lábios — Estou pouco me lascando para isso.
Ward se aproximou de Star, pronto para tentar algo contra ela pelo desacato — e como vingança por poucas horas antes —, mas ele foi lento demais. A mulher o olhou de forma desafiadora, apenas para chutar sua canela logo em seguida. O agente se afastou rapidamente enquanto resmungava de dor.
— Não sei o que... — Skye tentou dizer para afastar a atenção da amiga, porém foi interrompida rapidamente.
— Certo. — cortou Ward, a voz quase quebrando — Podemos fazer isso de duas formas.
— Uma delas é a fácil? — ironizou Skye.
— Não. — retrucou Grant, mantendo tanto a expressão facial quanto o tom de voz completamente sério.
— Não. — Skye disse, mas soando totalmente nervosa.
Enquanto Star, totalmente o oposto, revirava os olhos completamente cansada com o agente Ward e suas ameaças falhas.
— Quais são os nomes de vocês? — questionou Phil.
— Skye. — a menor das hackers respondeu, após hesitar por um momento.
Star suspirou de forma cansada, apoiando os braços na mesa a sua frente e colocando o queixo sobre as mãos.
— Você já sabe o meu nome. — respondeu simplesmente, olhando diretamente para Coulson, que sorriu de lado ao ter sua confirmação.
— Star.
— Seus nomes verdadeiros? — questionou Ward.
— Isso pode esperar, Ward. — recrutou a morena, o nome do agente carregando ao sair de seus lábios.
— Star, será que dá para parar? — sussurrou a castanha, que logo bufou ao ser ignorada.
— Não, ela está certa. — falou Coulson — Precisamos de outro nome. De um certo herói.
— Por que acha que sabemos isso? — perguntou a hacker mais baixa.
— Bem, vocês cometeram um pequeno erro. — disse Phil, enquanto se sentava na cadeira em frente as duas mulheres — Um dos celulares que usaram para filmar o Herói Encapuzado tinha a mesma assinatura criptográfica de algumas postagens da Maré Crescente. — jogou uma ficha da SHIELD sobre a mesa
— Uau, é. Foi um erro? Ou estamos no centro da sua sede secreta? O que é isso? — perguntou Skye, olhando ao seu redor. Porém, Star já sabia exatamente onde eles estavam naquele momento.
— É o Ônibus. — respondeu a morena, fazendo todos a olharem surpresos enquanto se jogava contra a cadeira que estava, abrindo outra vez o seu sorriso sarcástico — É um nome bem carinhoso para um avião, sabe?
O sorriso não deixou os seus lábios ao perceber o silencio dos três, principalmente dos agentes logo em sua frente.
— Podemos discutir o que sei depois. — fez um sinal de descaso com uma das mãos, antes de continuar a falar ao perceber que ninguém realmente sabia como reagir — Já devem ter percebido que não podem decifrar a nossa criptografia, então, vocês têm, absolutamente, nada. — um risinho irônico escapou de Star ao relaxar contra a cadeira, ainda carregando um ar superior em relação aos agentes.
— Temos uma forte coincidência. — retrucou Coulson, abrindo uma das outras pastas que possuía — Vocês estando no local logo antes do incêndio começar. O que minha equipe irá encontrar lá? — jogou a pasta na mesa, bem acima da ficha. — Como sabiam que o encapuzado estava no prédio?
— Explodiram o prédio para expô-lo? — perguntou Ward.
— E você explodiu? — retrucou Skye.
— Não é nosso estilo. — respondeu o agente Phil Coulson, o zumbi.
— Você, ao menos, sabe qual é o verdadeiro estilo de vocês? — recrutou Star com raiva, uma das sobrancelhas sendo erguida novamente. Memórias de anos anteriores passando pela mente dela e Phil.
— Acabamos de ser raptadas pelo seu estilo! — Skye também retrucou, mostrando sinais de irritação — A S.H.I.E.L.D. acobertou o Projeto Pégasos no Novo México. Claro que acobertaria a Centopeia.
Elas se entreolharam ao perceber a troca de olhares dos agentes e Ward sussurrar, nada discreto, "Centopeia?" para Phil.
— Não acredito. — a hacker de cabelos mais claros abriu a boca novamente, o tom de voz mais divertido. Star balançou a cabeça negativamente, uma expressão divertida percorrendo o seu rosto se iniciando com um sorriso. — Não sabem o que é. Equipamentos de bilhões de dólares a sua disposição, e ganhamos de vocês com um notebook que ganhei em uma aposta e outro quase aos pedaços?
— Precisa pensar no seu amigo. — pediu Coulson, ignorando o comentário de Skye — Não somos os únicos interessados em pessoas com poderes. Gostaríamos de detê-lo, sim. O próximo cara irá querer explorá-lo, e o cara depois disso vai querer dissecá-lo.
— O que é a Centopeia? — perguntou o agente Ward, os olhos escuros as encarando intensamente como se tentasse intimidá-las.
— Não te interessa. — respondeu Star, sorrindo ironicamente. Era uma provocação, todos sabiam disso. Principalmente a vítima dela.
Porém, assim mesmo, o agente tentou se aproximar agressivamente, mas Phil o interrompeu. Percebendo que ele já tinha perdido por completo a pouca paciência que tinha. O sorriso sarcástico de Star de intensificou com o ato. Coulson olhou para baixo, negando com a cabeça perante a situação e pessoa que a criara.
Star não tinha mudado nada desde a última vez que a viu, o que foi ano passado.
— Star, vamos falar sério. — pediu Coulson, fazendo a morena parar de sorrir por um momento e logo concordar com o pedido do mesmo.
— Centopeia. — a mais alta passou a língua pelos lábios ao senti-los secos, pensando um pouco sobre o assunto — Tinha algumas conversas na rede e aí, então, sumiu. Simplesmente sumiu.
— Rastreamos o ponto de acesso até aquele prédio. — completou Skye, que tinha se levantado em algum momento e andava de um lado para o outro lentamente.
— O que procuravam? — perguntou Ward.
— A verdade. O que você procura? — retrucou Skye, virando-se para o agente.
— Paz Mundial. — respondeu Grant, e Star teve que conter um risinho debochado pela resposta padrão usada em diversos lugares — Vocês hackers pseudo-anarquistas adoram causar encrenca, mas nunca lidam com as consequências. As pessoas têm segredos por motivo, Skye.
Ele tinha se aproximado da menor enquanto falava, o que alertou Star. Principalmente, com a última frase que ele disse. Tinha um tom suspeito naquilo.
— Só porque você é razoável e firme... — então, a castanha começou a cutucar o agente no peito, o que fez ele se afastar levemente — Não significa que não seja um capanga malvado do governo.
— Só nos dê o nome do cara de vocês. — Grant pediu.
— Ele não é o nosso cara! — retrucou Skye.
— Entendem que ele está em perigo? — disse Phil.
— Então, nos deixe ir! — falou Skye exaltada, fazendo Star, que resolveu permanecer quieta na espera de uma boa discussão, bater a mão contra a testa. Ward iria interpretar tudo errado, ela sabia disso. — Deixe-me falar com ele. Eu, não o T-1000 aqui.
— Quer ficar sozinha com ele. Claro. — disse Ward, quase revirando os olhos — Ela é uma fã. Toda essa invasão a SHIELD, rastreando poderes. Elas poderiam muito bem serem duas daquelas cosplayers que cercam a Torre Stark.
— O quê? Eu não... — Star olhou para amiga com as sobrancelhas arqueadas — Foi apenas uma vez — retrucou Skye, desistindo de inventar uma desculpa. A outra hacker foi escorregando lentamente da cadeira, numa tentativa de fingir que não estava ali, uma das mãos cobrindo o rosto.
— Ward. — chamou Phil, com a porta já aberta. Mesmo com o olhar direcionado para a mulher mais alta que tinha permanecido quieta na maior parte do tempo.
Ambos saíram da sala, deixando as duas sozinhas.
— Star... — foi interrompida com a mais alta colocando o indicador sobre os lábios e fazendo um barulho para que ela ficasse em silêncio. — Mas...
Star fez o barulho mais uma vez, colocando a cabeça contra a mesa.
Skye bufou, jogando-se na cadeira ao seu lado, mas não disse mais nada.
A hacker mais alta estava de olhos fechados, apenas aproveitando o silêncio e quase dormindo. Ela tinha certeza que o sedativo que foi usado em si era muito forte, já que ela ainda se sentia meio zonza.
Conseguia sentir o cansaço a vencendo, quando a porta foi aberta novamente. Star sentou-se completamente reta na cadeira, esperando um dos agentes se pronunciar.
— Isso é o QNB-T-16. — disse Phil enquanto mostrava um frasco, fazendo Star sorrir de canto. Ela sabia exatamente o que era aquilo — É o topo de linha de derivados de pentotal sódio. — Skye, assustada, quase levantou-se novamente, se não fosse Ward a empurrando para baixo — É um novo e potente...
— Soro da verdade. — Star interrompeu Phil, que olhou para a mesma sorrindo de leve enquanto os outros dois a olharam surpresos — O efeito só dura uma hora.
— Como sabe disso, Star? — perguntou Skye.
— Quando me sequestraram, uma das vezes, na verdade, eu criei e ajudei Nick Fury a desenvolvê-lo. — respondeu, dando de ombros — É como ter um pequeno cochilo.
— E teremos todas as respostas para a... Ei! — exclamou Ward, assim que Coulson injetou nele o líquido — Que diabos!
— Desculpe, doeu? — questionou Phil e a morena sorriu de canto pelo humor do agente.
— Não. Mas você perdeu a cabeça. — retrucou o agente mais novo — Não deveria fazer isso a um membro da equipe! E sim, doeu um pouco. Mas sempre escondo a dor na frente de mulheres bonitas porque me faz parecer mais másculo. — Star começou a rir de forma baixa e discreta, apesar que um sorriso divertido pairava em seus lábios — Meu Deus, isso funciona rápido!
— Não confia em nós? Pergunte a ele o que quiser. — Coulson começou a andar em direção a porta, antes de parar e virar brevemente em direção a sua antiga amiga, que agora mantinha uma das sobrancelhas arqueadas — Venha, Star. Temos muito o que conversar.
— Sim, senhor. — Star bateu uma continência mal feita, levantando-se rapidamente enquanto lançava um sorriso vitorioso em direção ao Ward.
— Espere aí. Não pode... Isso definitivamente não é o protocolo! — Ward foi interrompido por Star fechando a porta da sala de interrogatório, que soltou um risinho de debochado e pegou de relance o olhar furioso do homem.
— Fez o certo? — perguntou Star, finalmente olhando diretamente para Phil, cujo o rosto se tornou confuso. Ela revirou os olhos — Mentir sobre a droga. Acha que fez o certo?
— Como sabe que é mentira? — perguntou Phil, indicando com a cabeça que eles iriam virar a direita naquele corredor.
— Eu fugi com as anotações que faziam o soro realmente funcionar. — a morena respondeu, sorrindo de canto. Ela sempre tinha dado trabalho para eles, e Star sabia disso. — Mas o que realmente quer comigo, agente?
— Quero responder todas as suas perguntas, apenas isso. — respondeu o homem e a mulher arqueou as sobrancelhas — Depois que você, Star, responder as que eu tenho também.
— Sempre tem um preço. — ela sussurrou frustrada, mas sorriu de leve em seguida — Beleza! Primeira pergunta: Como pode está vivo? Eu vi o seu cadáver.
— Fiquei morto apenas por quarenta segundos, mas tudo foi um grande borrão branco durante esse tempo. — respondeu Coulson e Star franziu o cenho mais uma vez. Isso não é verdade. Os pensamentos da mulher foram logo interrompidos — Minha pergunta: o que aconteceu com você após New York?
— Após sua suposta morte, Avengers, eu e Kath fomos para luta. Resumindo tudo: logo após a batalha, eu, como sempre, fugi. Aproveitei que todos estavam ocupados demais com Loki e o Tesseract, roubei um carro e dirigi para o mais longe que podia. Até que entrei em contato com Skye e me reencontrei com ela após alguns anos.
— Ela é a garota que você protegeu quando mais nova?
— Skye foi e sempre será minha única família. E eu fiz de tudo para deixar a SHIELD longe dela, mas, como visto, eu falhei.
Os dois ficaram por alguns minutos em silêncio até que chegaram a sala de reuniões. Phil colocou a câmera de vigilância da sala de interrogatório para rodar na tela.
— Sua amiga sabe?
— O quê? — Star realmente soou confusa naquele momento.
— Sabe que você, querendo ou não, é uma agente da SHIELD porque a sequestramos quando tentou nos hackear?
— Não. — a morena respondeu sem hesitar, por um momento sua consciência começou a pesar.
— E acabamos por salvar sua vida de uma louca que queria vingança pela irmã?
— Não.
— Skye ao menos sabe algo sobre a sua vida, de verdade? — Phil Coulson estava confuso.
— Ela sabe nada, tio zumbi. — retrucou Star, os dentes cerrados por um breve momento de raiva pelo interrogatório súbito. Respirou fundo, antes de continuar — Ela não sabe que eu fui criada por soviéticos todas a vezes que não fomos adotadas juntas; não sabe que eu, infelizmente, continuo fazendo parte da SHIELD. — suspirou, passando a mão no rosto cansada — Skye não faz ideia de quem eu realmente sou e o que eu fiz durantes todos esses anos. Ela nunca viu as minhas cicatrizes para você ter noção, Phil.
— Você realmente escondeu tudo dela, não é? Apenas para protegê-la.
— Skye merecia, ao menos, um pouco de paz após todos esses anos de busca.
Star sorriu para Coulson, que rapidamente retribuiu o ato amigável e quase triste.
— Alem que, pelo menos o que eu acho, ela não está pronta para a verdade. Não agora, depois de hoje, talvez, isso mude.
— Talvez.
— Então! — Star sorriu arteira, descontraindo o clima estanho — Conte-me que está acontecendo na SHIELD. Tenho que me atualizar.
•••
— O AGENTE WARD LHE DISSE ALGUMA COISA? — questionou Coulson a Skye, assim que ela se retirou da sala de interrogatório logo após o homem mais novo cair no sono sobre a mesa (como mostrava a tela na frente deles).
— Ele disse que esteve em Paris, mas não conheceu a cidade e queria que você tivesse ficado no Taiti. — respondeu a mais baixa.
— Um lugar mágico. — Phil não hesitou ao dizer, fazendo Star arquear uma sobrancelha pela estranheza da frase. Apesar que tinha algo familiar naquilo, apenas não conseguia se lembrar.
— Ward não gosta do seu estilo. — afirmou Star, recebendo uma confirmação da outra — Eu gosto.
— Eu acho que gosto. — disse Skye.
— E enquanto ao dele? — perguntou Coulson, fazendo uma reportagem aparecer na tela que deixou as duas mulheres surpresas.
— Isso está errado. Esse não é o cara que conhecemos. Ele era... — Skye suspirou — Ele precisa de uma chance.
— Então dê uma a ele. — diz o único homem ali — O que vocês tem?
— Temos a identidade dele conosco. — respondeu Star, jogando o documento na mesa e em direção ao agente que a colocou no escâner.
Após alguns poucos minutos, o resto da equipe chegou e Star reconhecê-los pelo o que Phil disse a ela antes de Skye reaparecer. A dupla fofa de nerds composta por Leo Fitz e Jemma Simmons — os quais sorriram brevemente de forma amigável para as duas hackers — e a mulher chinesa silenciosa que se manteve neutra a duas. Melinda May, também conhecida como a Cavalaria — apesar de sempre evitar o assunto.
— Michael Peterson. Operário, casado, um filho. — informou Coulson a sua equipe, enquanto as afirmações apareciam nas telas ali na sala — Ele se machucou, foi demitido e a esposa o deixou. Um bom sujeito, más circunstâncias. Meu palpite é que alguém disse que podia deixá-lo forte de novo. Deixá-lo super.
— Quem tem essa tecnologia para tal? — perguntou a agente May — E por que iriam querer fazer isso?
— Fitz, o que temos do vídeo de segurança? Antes da explosão. — questionou Phil.
— O que vemos? — perguntou, outra vez, Melinda, assim que Fitz pôs a gravação, cuja não estava muito boa, em uma das telas.
— Um homem está furioso com o outro homem. — respondeu o de cabelos castanhos e gravata.
— O arquivo está corrompido. — informou Jemma ao seu lado.
— Sim, como a Rússia na Guerra Fria. — comparou Fitz — Não posso sincronizar o sem...
— E se tivesse o áudio? — perguntou Skye, enquanto Star apenas concordou de leve a cabeça ao entender o pensamento da outra.
Elas tinha toda a atenção para elas
— Nós estávamos fazendo vigilância do laboratório. Nosso microfone estava ligado antes da explosão. O arquivo está na nossa van. — continuou Skye — Há muito barulho de fundo para mim, mas para vocês...
— Pode limpar isso, não? — perguntou Simmons para o homem ao seu lado — Com sincronia e validação cruzada...
— Não posso retirar padrões quando o VITC está...
Star, entendendo onde ele estava querendo chegar, não se aguentou.
— Que tal uma subportadora de crominância?
— Sim, e ligada à porta de fundo. — Leo Fitz virou-se para Star que o olhou de forma amigável — Brilhante. — o espontâneo elogio iluminou o rosto da mais alta, o que a fez abrir um sorriso feliz. — O áudio seria perfeito.
— Ficaremos com o áudio — disse a cientista, quase que ao mesmo tempo que o seu companheiro.
— Obrigado. — agradeceu o homem mais novo.
— Sua van está aqui, mas tinham razão. Não pudemos descriptografar os arquivos. — falou Phil.
— A criptografia está acoplada ao GPS. — informou Star.
— Devolvam a nossa van ao beco e estamos dentro. — continuou Skye.
— A agente May escoltará vocês. — avisou Coulson, fazendo Star olhar para a chinesa e sorrir de canto. Então, Phil se voltou para May — E na saída, acorde o Ward.
•••
ESTÁ DE VOLTA NO BECO E NA VAN ERA RECONFORTANTE PARA AS HACKERS, MESMO COM A AGENTE MAY DO LADO DE FORA DE GUARDA. Parecia que tudo estava como antes, já que Melinda não falava com nenhuma das duas e apenas observava os lados. Se tivessem fechado a porta, seria o mesmo que antes do aparecimento da SHIELD.
— Enviamos o arquivo de áudio. — disse Star ao telefone — Não está compactado, pode demorar.
— Sim, sim. Estou recebendo. Quando voltarem, vou lhes mostrar a meu lance. — dizia Fitz, fazendo a mais alta sorri de leve ao ouvir ele se embaralhar com as palavras ao entender o que disse — Uma lance. Não é... É o meu Hardware. Meu equipamento! — constrangido, perceberam ambas as hackers, Fitz continuou — Desligando.
Percebendo que Melinda May tinha sua total atenção na rua, Star, o mais discreta possível, levantou alguns papéis específicos que revelaram alguns chips. Os quais Skye rapidamente pegou e os guardou no lugar mais estranho, porém, até que estratégico: no sutiã.
— Deve ser isso. — falou Skye, enquanto abaixava a tela do computador.
— Vamos voltar. — respondeu May.
Porém, antes que a agente pudesse fechar a porta, Mike apareceu e jogou Melinda contra a parece. A chinesa despencou no chão desacordada.
— Mike? — perguntaram ambas as hackers.
— O que diabos você está fazendo, Mike?! — exclamou Star.
— Salvando vocês. — respondeu ele — Dos assustadores homens em ternos pretos. E vocês vão ajudar a nos salvar.
— "Nós"? — ele deixou ambas confusas.
Então, Mike mostrou seu filho para elas.
— Não chore, está bem? Seja forte por mim, Ace. — pediu o homem, entrando na van com o filho, fazendo com que Star se acomodasse no banco de motorista pela falta súbita de espaço — O que nós somos?
— Somos uma equipe. — respondeu Ace.
— Isso mesmo. Dirija! — mesmo relutante em seguir a quase ordem do homem, Star girou a chave do automóvel e acelerou com a van. O seu olhar decaindo para a parte de trás várias vezes durante o percurso ao ver manchas alaranjadas aparecendo no rosto de Mike.
•••
— QUANTO TEMPO VAI LEVAR? — perguntou Mike para Skye, assim que ela abriu as informações sobre o mesmo no computador.
Skye olhou de relance para Star, ainda sentada no banco do motorista, pelo retrovisor interno da van. A mais alta delas balançou a cabeça lentamente e de forma bem discreta, logo desviando o olhar para o celular que usava escondida.
Star conseguia facilmente invadir os sistemas da SHIELD, porém invadir a rede do Ônibus poderia ser um pouco mais difícil e demorado.
— Confie em mim, estou sendo rápida. — pediu a castanha — Não é como apagar uma página no Facebook.
— Ela está contornando o fluxo de dados protegidos da AES. Então, relaxe. — a morena, tentando explicar o que a amiga estava fazendo.
— Como sei que podem fazer isso?
— Já fizermos isso antes. — responderam em uníssono, após uma breve hesitação por ambas as partes.
Então, finalmente, com sucesso e rapidez, Star tinha passado a última barreira e conseguido invadir o canal do Ônibus. Sorriu de canto enquanto colocava o celular discretamente em baixo do banco. Virou-se para os três na parte de trás, fingindo que nada tinha acontecido.
— Vamos levar as moças conosco. — disse Mike Peterson para o seu filho — Não podemos ir ao aeroporto, então pegaremos um trem. E lá, elas nos ajudarão a começar de novo. Ter uma nova vida. Uma vida melhor, como eu sempre disse.
Skye olhou para a mais alta, esperando uma confirmação que veio na forma de um balançar de cabeça.
— Sr. Peterson, bom dia. — disse Coulson no lado de fora, sua soando por um megafone, como Star conseguiu ver pela janela. Ela rapidamente pegou o celular escondido e o colocou no bolso de casaco que usava. — Não somos uma ameaça, viemos ajudá-lo. Mas está em perigo e precisamos levá-lo.
— O que vocês fizeram?! — gritou Mike, fazendo a mancha alaranjada aparecer novamente em seu rosto. E Star foi rápida no raciocínio, até demais. A explosão do laboratório ocorreu por causa da Centopeia, que obviamente tornou Mike "super". Porém, perigoso. Ele estava prestes a explodir.
— Merda. — resmungou a morena no exato momento que Peterson fez a porta da voar para longe e segurou fortemente Ace, Skye e Star. Correndo com eles até dentro da estação.
As duas hackers se entreolharam ao perceber um grupo de homens idiotas por perto que seriam ótimos alvos. Quando eles chegaram ao lado delas, Star e Skye chutaram dois deles nas partes íntimas com a maior força que conseguiam.
— Você tem razão, ela é uma vadiazinha! — exclamou Skye.
Os homens foram em direção as duas, o que fez as soltá-las e focar em proteger seu filho. Star pegou na mão de Skye e as duas saíram correndo, atropelando qualquer um que aparecesse na frente. Conseguiam escutar os gritos dos homens atrás delas ficarem distantes.
As duas pararam em frente uma porta trancada. Estavam tentando arrombá-la quando Mike, em um salto, apareceu atrás das mesmas e agarrou-as pelos braços. Então, um tiro quase os atingiu, o que fez Peterson chutar a porta e quebrá-la, arrastando as hackers com ele.
— Precisa parar! Eles podem ajudá-lo. — exclamou Skye, conseguindo fazer Mike parar. O que foi o suficiente para conseguirem soltarem os braços do aperto extremamente forte do homem.
— Os homens de preto? Eles são seus amigos agora? — então, Mike se virou para Star — Pensei que eles tinham te sequestrado antes!
— Se não pode contra, junte-se a eles. — retrucou a morena, esticando as mãos em uma sinal de rendição.
— Onde está o meu filho?! — voltou a puxar ambas pelos braços até que pararam perto do parapeito.
Então, um homem fardado e armado apareceu, mirando nos três.
— Abaixem-se! — gritou Mike, jogando-as no chão para protegê-las. O que fez Star xingá-lo com força ao se encontrar deitada no chão ao lado de Skye.
O homem misterioso atirou novamente, e Star apenas conseguiu ver Mike despencando do parapeito ao ser baleado. Então, ele estava prestes a mirar nas hackers quando Melinda May apareceu pelas costas dele e em segundos o deixou no chão.
Então, as três mulheres rapidamente saíram correndo em direção ao hall de entrada, onde estavam todos da equipe naquele momento. Apenas para encontrarem Mike e Coulson discutindo.
— Em todo lugar, tem gente sendo derrubada, sendo roubada. — Mike pegou um pedaço de madeira, talvez, do chão e o empunhou em uma das mãos — Um deles tenta revidar, e vocês têm de fazer um exemplo dele.
— Se derrubar o prédio, isso irá ajudá-los? — retrucou Coulson
— É mentira! Tudo que diz é mentira! — Mike surtou, chocando a madeira na mão com ao que restou ao seu lado.
Star, com o cenho franzido, apenas piscava os olhos lentamente perante a situação. Estava acostumada com esse tipo de surto. Lentamente, uma de sua sobrancelhas foi se arqueando ao perceber as manchas alaranjadas no corpo de Mike se tornarem maiores.
— Disse que se trabalharmos duro, se fizermos o certo, teríamos um lugar. Disse que bastava ser um homem. Mas há quem seja melhor que os homens.
Star olhou ao redor o mais discretamente que sabia, conseguindo perceber Ward com um rifle em uma das extremidades mais altas da estação.
Mentalmente, ela implorava para ele atirar logo no Mike por causa desse todo discurso dramático.
— Os deuses. E o resto de nós, o que somos? Eles são gigantes. Eles pisam em cima de nós.
— Eu sei. — aproximou-se Coulson, e Star ficou em alerta. — Já vi gigantes de perto. E esse privilégio me custou caro.
Sim, tio zumbi, sua morte.
— Quase tudo. — continuou Phil. — Mas os bons, os heróis de verdade? Não são heróis por terem o que não temos. É o que fazem com isso. Você está certo, Mike. É importante quem você é.
— Eu poderia, sabe? Ser um herói.
— Estou contando com isso.
Então, um tiro certeiro na testa de Mike fez com que ele caísse. Um tiro que assustou a todos por ter sido tão súbito.
— Finalmente, acabou o discurso dramático. — resmungou Star, apenas para ver Jemma correndo em direção ao corpo do Mike. Ela ignorou isso, e virou em direção ao posto do agente Ward. Com o punho fechado, bateu duas vezes no seu peito esquerdo enquanto balançava a cabeça lentamente — Respeito apenas agora pelo ótimo tiro. — resmungou novamente, logo virando-se para o corpo de Mike.
Paramédicos colocavam Mike na maca, mas não havia um saco para cobrir o corpo. Ele tinha sobrevivido, e estava sem manchas laranjas.
•••
OBSERVANDO ACE DE LONGE, NA CASA DA TIA DELE, COM COULSON E SKYE ERA ALGO QUASE RELAXANTE. Era como uma fazenda, e Star tinha certeza que Ace seria feliz ali enquanto seu pai ficava na SHIELD para que fosse treinado.
— Eu disse a ele que o seu pai vinha para casa. — disse Skye, assim que os três começaram a se distanciar.
— Ele virá. — confirmou Phil — Temos experiência com isso.
— Ele quase explodiu. Nós quase morremos. — falou a castanha.
— Eles tem experiência com isso também. — dessa vez, quem confirmou foi Star.
— Não tem tudo planejado. — perguntou a mais baixa.
— Verdade. — afirmou o agente — Não cortamos a cabeça da Centopeia.
Nem da HYDRA, como tanto acham.
— Quem patrocinou este experimento ainda está por aí. Entre outras coisas. — continou Coulson, cortando a linha de pensamento da mais alta.
— É um mundo novo para um muito antigo carro. — Star falou como se lesse um poema, abrindo um leve sorriso.
— Lola consegue dar conta. — garantiu Phil.
— Claro, tio zumbi.
Então, eles entraram no carro. Star e Phil nos bancos da frente e Skye brevemente espremida no meio deles e no pequeno espaço de trás.
— Star? Alguém quer falar com você depois. — disse o agente, e Star sabia que ele estava falando de Nick Fury.
— Sim, senhor. — ainda tinha um tom irônico em sua voz.
— E você, Skye? Pensou na minha proposta?
— Pegar carona em um avião maluco? — questionou a castanha — Não trabalho bem em equipe, na maioria das vezes.
— Não somos exatamente uma equipe. Mas podemos fazer o bem. Você seria uma grande ajuda. — disse Phil — E assistiria se perto o show mais estranho da Terra, o que, afinal, é o que você queria.
— Conseguimos invadir a SHIELD da nossa van. Vai me mostrar algo novo? — perguntou Skye.
Então, o comunicador do carro tocou. Coulson apenas a olhou e atendeu a chamada.
— Fala.
— Senhor? — disse Ward — Temos um 0-8-4.
— Confirmado? — Star se intrometeu rapidamente. Agora as coisas estavam ficando interessantes.
— Querem que nós confirmemos. — respondeu Grant, desligando em seguida.
— O que é um 0-8-4? — perguntou Skye e Phil ligou Lola.
— Skye, você tem dez minutos para decidir se realmente quer saber o que é. — respondeu Star, um sorriso arteiro apareceu em seus lábios.
— Impossível chegarmos ao aeroporto em... — Skye foi interrompida por Lola, que simplesmente começou a subir — 10 minutos.
— A maré está subindo. — informou Coulson, antes de começar a conduzir até o Ônibus.
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