The One That Got Away
4 Infinito
Notas iniciais
enfim, boa leitura. ;)
Quanto tempo dura o infinito? Talvez seja menos que imaginamos, bem menos do que juramos que seja. É estranho pensar nisso logo na minha idade, mas quando se é velho sobra muito tempo para pensar. Na juventude não acreditamos que tudo acaba, como se nossas palavras pudessem mudar o tempo e nossas vontades fossem decisivas. Entre minutos, horas, anos e décadas percebi que o infinito é relativo para cada um, vi muitos se iniciarem em um juramento, mas também acabarem em uma única palavra ou gesto. O meu infinito se perdura entre as marés, talvez encontre o fim em minha morte, mas enquanto meu coração ainda bater e ainda houver lembranças estarei predestinado ao infinito.
–x-
Ficou ainda um tempo deitado na cama depois do toque do despertador. Havia demorado a pegar no sono. Ficou horas rolando na cama revivendo aquele momento no Mustang. Sentia-se completamente acordado, vivo como nunca se sentiu antes. Olhava o teto como se fosse a visão mais interessante do mundo, era estranho como tudo a sua volta estava se tornando mais bonito e havia um motivo para isso, um lindo motivo chamado JaeJoong.
Depois de um banho e fazer sua higiene matinal, começou a se arrumar, enquanto isso sua mente divagava. Nunca havia namorado sério antes, sempre foi de mais rolos que amores e nunca com outro homem, apesar de em seu intimo não recusar tal ideia. Sentia-se um idiota por nunca ter cedido a seus instintos, quem sabe teria o conhecido antes. Mas, o importante era o agora. Havia o encontrado, estavam juntos e não permitiria que nada mudasse isso.
Logo quando chegou a sala encontrou seu pai saindo da cozinha.
Seus olhares eram sérios um sobre o outro. As brigas estavam constantes, Yunho sabia da desconfiança do pai. Não estava se preocupando mais em inventar desculpas, simplesmente saía e, quando ele perguntava para onde, dizia a primeira coisa que vinha em mente sem se importar com o que ele iria pensar.
– Yunho...
Odiava ouvir seu nome sendo pronunciado por aquela voz. Parou em frente aporta e olhou para quem o chamava. Seu pai o encarava sério, com os braços cruzado e aparentemente pronto para começar mais uma discursão.
– não vai se despedir de mim nem da sua mãe? Não toma mais café da manha conosco e ainda nem ao menos nos dá um bom dia. – disse em tão de sermão. — Parece que a escola está sendo bem interessante nesse ultimo mês.
Yunho não pode deixar de notar a desconfiança no tom do mais velho, mas fingiu nada perceber.
– não, está normal, mas acho que estou apenas ansioso para acabar logo com isso! – respondeu indiferente.
– acha mesmo que me engana? – ralhou.
– Pai... Por favor, agora não. – pediu, tentando não se estressar não queria estragar aquele inicio de dia que tinha tudo para ser ótimo. – quando eu voltar, agente conversa.
– quando voltar? – riu. – você não para mais em casa. E eu sei que não é na escola que você está.
– então, onde você pensa que eu estou? – perguntou, desafiando o pai. Se ele dissesse em alto e bom tom o que pensa, Yunho não negaria caso fosse verdade. Teriam a ultima discursão, pois depois disso nunca mais precisaria entrar naquela casa.
– Não sei se quero saber Yunho, realmente não sei! – e com o olhar mais desgostoso do mundo dirigido ao filho se retirou do cômodo.
JaeJoong estava na cozinha quando ouviu a campainha tocar, no mesmo instante limpou as mãos sujas por chocolate e correu para a porta e nem precisou verificar, pois já sabia quem era. Yunho sorriu tão lindo ao vê-lo que só pode se sentir imensamente orgulhoso, pois aquele moreno parado na sua porta, agora era seu namorado. Afastou-se alguns passos dando espaço para que ele entrasse. Em seu rosto também tinha um sorriso lindo e encantador, lembrando Yunho que agora existia um motivo para não temer nada nem ninguém, pois tudo o que ele precisava estava ali, diante dele e estava certo de que o protegeria.
Ficaram em silencio por longos instantes, seus olhares diziam tudo àquilo que não saia de seus lábios até que o silencio foi quebrado.
– vai ficar só olhando? – perguntou JaeJoong, sorrindo enviesado. – se é só pra isso que eu sirvo é melhor tirar uma foto.
Yunho riu, antes de vagarosamente se aproximar do mais claro, sem quebrar o contato de seus olhares. JaeJoong sorriu com os olhos enquanto sentia seu rosto ser levemente acariciado.
– Você não tem noção do que se tornou pra mim! – declarou, sentindo as palavras fluírem de seu intimo.
– o que quer diz... – não pode concluir a pergunta, seus lábios foram tomados em um beijo apaixonado que em instante foi igualmente correspondido. JaeJoong enlaçou os braços ao redor do pescoço amorenado enquanto esse sentia um leve sabor de chocolate misturado ao adocicado natural de seus lábios rosados e só interrompeu aquele contato quando realmente foi necessário respirar, do contrario, não findaria nunca aquele beijo. – Está com fome?
Perguntou carinhosamente ainda abraçado ao moreno. Depois daquele beijo era impossível não sentir seu corpo mole, completamente entregue ao namorado. Yunho meneou em um sim antes de ser puxado pela mão até a cozinha.
– nossa que cheiro bom! – exclamou o moreno.
– estou fazendo waffles com chocolate. Gosta?
– oh... Eu amo! — disse fazendo JaeJoong sorrir satisfeito.
Enquanto o maior estava sentado à mesa, JaeJoong terminava de preparar o café da manhã sobre o olhar atento do namorado. Yunho não podia deixar de admira-lo, até seus mais simples movimentos eram delicados e prendiam sua atenção, era nítido o carinho com que ele preparava a refeição. Como colocava a massa dos waffles no prato e depois derrama sobre essas uma deliciosa calda de chocolate, tudo com muito cuidado. Yunho sorria bobamente esquecendo que JaeJoong podia vê-lo e mesmo que não quisesse ser pego naquele momento estranhamente intimo em admiração ao namorado não conseguia para de sorrir, até a visão periférica do mais claro o denunciar. JaeJoong não demostrou o quanto radiante estava por ser olhado daquela maneira, não foi fácil fingir indiferença quando seu rosto se aquecia e se tornava rosados e mais parecia que seus lábios tinham vontade própria e faziam força para se curvarem em um sorriso, mordeu seu lábio inferior com força, voltando sua atenção para o que fazia. Arrumou a mesa com pratos e talheres e segundos depois já levava o prato com waffles e muita calda de chocolate para a mesa, vendo o namorado olhar faminto.
– posso atacar? – perguntou Yunho, já pegando o garfo e faca.
– bom apetite!
Yunho se deliciava de chegar a sujar os lábios, fazendo o mais claro rir. Não poupava elogios ao talento do namorado para a cozinha e comeu até se da por satisfeito.
– acho que engordei o suficiente por um dia! – disse, se recostando a cadeira com a mão sobre a barriga.
– não se preocupe, posso dá um jeito nisso mais tarde. – um sorriso sensual e cheio de intenções ao namorado antes de se levantar recolhendo a louça, sem ao menos esperar para ver o sorriso de resposta e igualmente sensual que lhe foi dirigido.
Jogaram-se no sofá, preguiçosos.
Na televisão a maioria dos canais passavam desenhos animados, acabaram se entretendo com um por alguns minutos, mas não tardou aos inocentes carinhos se tornarem mais íntimos até a superfície do sofá se tornar insuficiente para tantos afagos.
JaeJoong estava com a cabeça recostada sobre o braço do sofá tendo o namorado sobre si, seus olhos estavam fechados enquanto recebia os beijos carinhoso e os toques eróticos dos lábios e mãos do moreno, mas no rápido instante em que abriu os olhos e encarou a televisão acabou assustando o namorado com o impulso forte de seu corpo para se levantar afoitamente.
– O que foi? – perguntou Yunho sem entender a agitação do outro.
– olha, olha... – apontava para a televisão.
– o que? – não viu nada de interessante que justificasse o animo do namorado.
– Como o que? Vai passar Marley e Eu! – pegou o controle sobre a mesa de centro e aumentou o volume da televisão, enquanto Yunho ainda o encarava com uma expressão de “idai?”.
– Você vai preferir ver um filme do que... – gesticulou, tentando se expressar sem usar palavras. – cê sabe...
– Não é um filme qualquer, é o meu favorito, então shiu! – colocou o dedo indicador sobre os lábios fazendo sinal de silencio.
– aff... – cruzou os braços, emburrado. – mas, o que tem de tão interessante nesse filme?
Aquela pergunta atingiu o mais claro com uma indignação sem tamanho.
– você nunca viu Marley e Eu? – questionou incrédulo.
– Não! – deu de ombros.
– como assim? – abriu a boca. – ah, okay, Yunho chega pra lá... – empurrou o namorado, o fazendo se sentar no canto oposto do sofá. – você não sai daqui sem ver esse filme. – disse, logo depois se encolhendo no sofá e apoiando a cabeça no colo do namorado.
– pessoa folgada! – ralhou em tom brincalhão.
– shiu, vai começar!
Os minutos se passaram. Yunho não media esforços para provocar o menor deitado, pouco estava interessado no filme. Passava a mão pela nuca do mais claro, brincando com os cabelos castanhos, mas seus carinhos pareciam passar despercebidos. Adentrou sua mão pela blusa que ele vestia, subindo a mão em direção ao mamilo, mas antes de alcançar seu destino JaeJoong o impede com o braço e diz em tom indiferente.
– presta atenção no filme!
Yunho bufou, mas sem escolha acabou por voltar a assistir o filme.
Na segunda parada para o comercial, JaeJoong se sentou no sofá, erguendo os braços se espreguiçando.
– legal o filme, né? – sorriu.
–uhum... – Yunho não queria admitir, mas até que havia se interessado pela história, mas claro que preferia mil vezes mais estar com o corpo nu do namorado colado ao seu, entretanto, era bom estar perto dele de qualquer maneira.
– arsh... – empurrou o ombro do moreno. – que empolgação! – fez biquinho, fingindo ressentimento.
– ownt – roubou um selinho. – é legal sim, mas não era bem isso que eu gostaria de estar fazendo agora com você. – disse zombeteiro, fazendo o namorado dá um sorriso sonso.
– e o que seria?
– chega mais perto para eu te contar. – lambeu os lábios, fazendo sinal para o namorado se aproximar. JaeJoong se aproximou vagarosamente, encurtando a distancia de seus rostos, mas antes da distancia ser quebrada, o intervalo do filme acaba e o mais claro volta a se interessar apenas nisso.
– depois você conta! – disse, se deitando novamente no colo do namorado, deixando esse mais uma vez “chupando dedo.” Pois Yunho, mesmo a contra gosto, teve que aceitar.
Já era a parte final do filme. E com certeza a mais emocionante de toda historia.
Yunho se sentiu tocado pela mensagem final e teve que admitir que aquela uma hora e meia havia valido apena.
– é um filme muito legal e... – dizia quando percebeu algo estranho. O namorado emitia leves gemidos e soluços. – Jae?
Quando virou para olhar no rosto do outro percebeu que sua calça estava úmida, JaeJoong estava chorando.
– o que houve Jae?!- virou o rosto dele em sua direção, mas esse foi relutante até em fim encarar o namorado com sua face úmida e olhos vermelhos.
– nada... – disse choroso, enxugando as lagrimas.
– não acredito que está chorando por causa do filme.
– hum... Estou. Não acredito que você não esteja! – ralhou.
– é só um filme, um lindo filme, mas mesmo assim... um filme! – riu. A cada dia com JaeJoong era uma nova surpresa. E parecia que a cada dia ele roubava uma parte nova de si com seu jeito apaixonante.
JaeJoong se sentou no sofá.
– seu sem coração, esse filme é baseado em fatos reais, okay! – disse. – e alguém que tenha um mínimo de sentimento chora com aquelas cenas... – fungou.
Teve vontade de rir, mas se manteve sério para convencer o namorado de que não era um “sem coração.”.
– são poucas coisas que me fazem chorar, mas eu me emocionei em muitas partes.
– qual foi a ultima vez que você chorou? – perguntou o mais claro.
Yunho se fez relutante em responder, mas por fim achou melhor que ele soubesse.
– ontem!
JaeJoong abaixou a cabeça, não precisava pensar para saber o motivo. Foi por sua causa.
– eu sinto muito, eu...
– não estou te culpando. – sorriu. Tocando o queixo do mais claro, fazendo ele o encarar. – mas, você tem razão quando diz que sou sem coração. – disse Yunho, causando uma expressão interrogativa no namorado. – você o roubou de mim. Agora é seu!
Um sorriso tão singelo e apaixonado se formou nos lábios cheios e rosados que Yunho só pode sentir uma sensação de amor aquecer seu peito. Naquele momento teve certeza, estava muito mais do que apaixonado, estava amando.
– vou cuidar bem dele. – sussurrou JaeJoong, enquanto vagarosamente os braços do moreno o cercava carinhosamente aproximando seus corpos. – cuida bem do meu? – pronunciou em um sussurro dengoso.
– prometo... – depositou um beijo estalado sobre a bochecha de porcelana do namorado. -... Protege-lo... – outro beijo na outra bochecha – cuidar dele... – na testa. – e faze-lo sorri todos os dias. – selou seus lábios em um beijo carinhoso.
Estavam completamente envolvidos em uma atmosfera de amor. Imersos em carinho, obtendo um do outro naquele beijo, que se aprofundava aos poucos, o que muitos procuravam a vida inteira. Felicidade.
Yunho se levantou do sofá, e antes que o namorado pudesse pensar em alguma coisa, ele o pegou no colo o fazendo abraçar seu pescoço.
– o que mesmo que disse que queria fazer comigo? – perguntou JaeJoong sorrindo sonso nos braços do namorado.
– vou te mostrar! – retribuiu sorrindo malicioso.
O curto trajeto da sala ao quarto foi preenchido por beijos que o mais claro não poupava, umedecendo e marcando o pescoço do moreno.
JaeJoong foi posto sobre a cama com carinho. Yunho não pode deixar de reparar que o seu, agora ex- edredom forrava a cama.
– dormiu mesmo com ele? — perguntou deslizando seu corpo sobre o do namorado, fazendo esse deitar completamente na cama.
– aham – sorriu. – nunca dormi tão bem. Claro que eu preferia que fosse você aqui, mas...
– eu vou compensar agora, o que acha? – perguntou, subindo a blusa que o menor vestia, e pouco a pouco deixando o belo abdômen a mostra, para sua boca avida explorar.
JaeJoong fechou os olhos sentindo a ternura dos beijos e a umidade da língua do moreno deslizar por sua pele. Ninguém nunca o tocara daquela forma, com aquele carinho e muitos menos o fizera sentir o que Yunho fazia até o simples toque no namorado era capaz de causar grandes erupções em seu corpo. Como por exemplo, naquele momento em que ele brincava com a língua na cavidade de seu umbigo. Parecia se perder em êxtase. Arqueou as costas em uma reação de deleite, suas mãos agarradas ao edredom, bagunçando a cama em seu ato.
– o que foi? – perguntou Yunho olhando o namorado que estava com olhos fechados.
– ah... não para... – suplicou.
Yunho sorriu torto e cumpriu com gosto a suplica do mais claro.
Voltou sua atenção a pele exposta, depois de tirar completamente a blusa que ele vestia.
Daquela forma podia ver as marcas da noite anterior no carro. Suas marcas na pele clara, a prova que aquele prazeroso momento realmente existiu.
Beijava mais, sugava mais, marcava mais cada pedaço de pele sentindo um prazer novo e completamente inebriante com as manifestações do outro. Como era gostoso o proporcionar prazer, como adorava ser o causador daqueles murmúrios maviosos.
Não tardou para JaeJoong se encontrar completamente nu e vulnerável aos toques eróticos e apaixonados do namorado. Para ambos estarem entregues um ao outro e ao prazer preencher a casa em gemidos e suplicas.
JaeJoong se aconchegou mais ao peito do moreno. O edredom que antes forrava a cama, agora cobria seus corpos nus. Não trocavam palavras, apenas carinhos em um silencio gostoso até que uma música distante começou a tocar chamando a atenção de ambos.
– meu celular! – comentou Yunho.
– ain, vai atender não! – disse em tom de ordem, apertando o braço esquerdo do namorado que caia sobre seu ombro.
– nem pensei nisso! – depositou um beijo sobre o cabelo castanho do mais claro.
– sei bem que não. – riu.
Depois que saíram da cama, tomaram banho juntos, e como resultado o banheiro ficou todo molhado e escorregadio. Quando voltaram para a sala, Yunho foi procurar o celular dentro de sua mochila, achou estranho o numero que o ligara, retornando a ligação.
JaeJoong acompanhou a rápida conversa ajoelhado no sofá, enquanto o namorado estava em pé de costas para o mesmo. Depois de algumas frases trocadas sem muita paciência com quem estava do outro lado da linha, Yunho desligou, se virando de frente para o mais claro.
– quem era? – perguntou JaeJoong, abraçando a cintura do moreno que estava sem camisa.
– um colega de classe. – bufou. – queria saber por que eu sumi e me avisar que preciso ir amanhã.
–arsh, então não vai vir amanhã? – questionou decepcionado, formando um biquinho em seus lábios avermelhados. Yunho achando aquela expressão muito doce e fofa acariciou lhe a face com a costa de sua mão direita.
– claro que venho, mas não vai dar para ser de manhã! – disse se lamentando.
Como de costume, no final da tarde Yunho voltou para casa até em fim à noite se encontrarem no bar.
Dia seguinte.
Irritado se levantou da cama já sabendo que sua manhã seria longa e tediosa sem a companhia do namorado que se tornara tão frequente. Arrumou-se e antes de sair do quarto com a mochila sobre o ombro mandou uma mensagem a JaeJoong, um simples, mas sincero desejo de “Bom dia”.
Como sempre seu pai o encarou de forma rabugenta e como sempre também, ignorou. Sentou-se a mesa pela primeira vez em tempos e isso não pode passar sem uma piadinha do mais velho.
– ow, mas o que houve hoje? Lembrou que tem cozinha em casa?
Yunho nada respondeu, sorriu para mãe agradecendo a xícara posta em sua frente.
É claro que a mulher estava preocupada com o filho, mas não entendia a desconfiança do marido. Ele só era um jovem curtindo uma fase.
Minutos depois, Yunho já saia indo, dessa vez realmente para o colégio.
Pensou em passar antes na casa do namorado, mas como esse não havia respondido sua mensagem imaginou que ele ainda estivesse dormindo, então passou direto.
Logo chegando ao colégio, foi cumprimentado por vários colegas curiosos sobre seu sumiço e ansioso para contar sobre as novidades da festa de formatura dali a dois meses.
– Baile de gala?! – exclamou Yunho surpreso, olhando para os três meninos a sua frente.
– pois é, sabe como é né, as meninas são maioria então... – deu de ombros.
– vai ser tipo festa americana, as meninas escolhem um cara para dançar e no final vai ter a escolha do rei e rainha.
– o que? – Yunho só pode rir com toda a cafonice. – eu não to acreditando que vocês aceitaram isso.
– olha, não tivemos escolha. Você sabe que metade de toda a festa está sendo paga pelo pai da Tiffany. Ela deu o lugar, o Buffet a decoração, se fossemos contra ela poderíamos perder tudo. Sabe como aquela garota é mimada.
– sei, mas... – Yunho estava exasperado. Aquilo tudo era ridículo demais.
– quer saber uma coisa? – perguntou um dos garotos, mas nem ao menos esperou uma resposta do moreno e continuou. – eu sei quem vai te escolher.
– hã? A mim? Quem?
– não olha agora, mas ela acabou de chegar! – disse, mirando o portão de entrada. Yunho também olhou e só pode pensar que aquilo era alguma pegadinha.
Tiffany chegava com mais alguma amigas e quando percebeu a presença do moreno a olhando sorriu radiante e indo em direção aos garotos que logo fingiram não vê-la.
– Yunho quanto tempo! – cumprimentou sorrindo.
– pois é! – forçou um sorriso. Não queria que ela fizesse o que ele achava que ela faria.
– Já te falaram sobre as mudanças da festa?
– aham, e que mudanças...
– ah, gostou? — olhos brilhando.
– sinceramente... – se interrompeu quando viu os colegas que estavam atrás da garota fazerem sinais com as mãos para que ele se calasse. – hun... São interessantes. – mentiu. O que ele realmente queria dizer é que era exagerado, extravagante e muito dispensável.
– ownt, você é um fofo Yun.
Inconscientemente, ao ouvir seu nome ser pronunciado daquela forma, sua feição se tornou reprovadora. Só uma pessoa tinha o direito de chamá-lo por aquele apelido. – JaeJoong. E, se não fosse ele, qualquer forma carinhosa, meiga e fofa, se tornava patético.
E foi exatamente o que ele pensou naquele momento. O quanto aquilo soou patético.
– Já tem par? – quis saber a garota, enquanto se sentava uma mesa a frente de Yunho.
– não.
– ótimo. – sorriu. – agora tem!
O moreno ficou sem reação por alguns segundos, tentava entender de onde vinha tanta autoconfiança daquela garota.
– não acho que... – inventaria uma desculpa qualquer se não fosse interrompido nesse momento:
– já tem um Black Tie? Por que se tiver joga fora, vou comprar um novo. Ah, falando nisso, tem alguma coisa para fazer depois daqui?
– tenho!
– desmarca.
– o que? – riu incrédulo.
– desmarca, vamos ao shopping. Eu vou comprar meu vestido ai agente aproveita para tirar suas medidas.
– isso não é necessário...
– claro que é. Você tem que estar impecável, já que seremos o rei a rainha! – sorriu.
–x-
“amor, não me espere para o almoço. antes vou pagar todos os meus pecados.”
Foi a mensagem que Yunho enviou ao namorado enquanto se dirigia a um sportage branco estacionado em frente ao colégio. Mas, como parecia que a sorte estava a seu favor, logo recebeu uma mensagem automática avisando que seus saldos não eram suficientes para enviar a mensagem. Ótimo, muito bom.
O jeito era rezar para que a patricinha não fosse mais uma daquelas que demoram uma vida para escolher uma peça de roupa, mas sentia que era exatamente esse o caso.
–x-
JaeJoong acabou por se levantar tarde. Não se lembrava de qual foi a ultima vez que dormira por tanto tempo. Já era meio dia e Yunho não demoraria muito para chegar, sabia que o namorado mataria a ultima aula. Então teria que apressar almoço. Após fazer sua higiene matinal foi direto para a cozinha ver as opções que possuía para preparar o almoço.
Depois de pronto arrumou a mesa. Havia preparado uma deliciosa macarronada com almôndegas. O relógio dizia que o moreno estava alguns minutos atrasado.
JaeJoong enquanto esperava a chegada do namorado foi para a sala para se distrair com algum canal de televisão. No inicio sua tentativa foi bem sucedida, pois trinta minutos de passaram rapidamente. A comida já estava esfriando e Yunho já estava bem atrasado. JaeJoong começara a se preocupar, será que acontecera alguma coisa? Sabia que ele não esqueceria do combinado, então o que estava levando ao atraso. Pegou seu celular pela primeira vez e viu uma mensagem de horas antes. Um simples “Bom Dia”. Sorriu com a mensagem, mas ela também o deixou mais preocupado. Discou os números do telefone e esperou até que ele atendesse, mas não foi exatamente isso que aconteceu.
Após a chamada ser atendida não foi a voz grossa e sensual do namorado que ouviu e sim uma aguda, irritante e feminina.
– alô?
Ficou sem reação durante alguns segundos. Impossível ter discado o numero errado, então quem diabos era aquela garota?
– alô, é o telefone do Yunho, certo?
– é sim, quem é?
O namorado dele sua vaca, pensou.
– dá pra passar pra ele?
– ele tá um pouquinho ocupado. Liga mais tarde, sim? Tchau.
– ei, espera... – ela havia desligado. – cachorra! – gritou olhando o celular em sua mão. Sentiu-se um tremendo idiota. Estava ali, preocupado, fazendo carinhosamente o almoço enquanto ele se encontrava ocupado com uma piranha.
Foi para a cozinha e desarrumou toda a mesa, guardou a comida e ficou longas horas apenas xingando aquele moreno idiota que considerava seu namorado.
–x-
Yunho não aguentava mais, fazia mais de duas horas que estava naquele atelier de costura. Despois de experimentar vários smokings que para ele pareciam iguais, mas a garota sempre inventava um detalhe que não fazia diferença finalmente conseguiu agradar as exigências de Tiffany. Agora esperava essa escolher a roupa.
Enquanto aguardava, olhava no celular de minuto a minuto estranhando nenhuma mensagem ou ligação do namorado. Estava preocupada com o que ele estivesse pensando além de louco para vê-lo. As compras de Tiffany pareciam que não acabariam tão cedo, mas uma coisa era certa, não ficaria ali esperando. Aproveitando que ela havia entrando em um provador e não podia o impedir, avisou a um funcionário qualquer do atelier que iria embora e, mesmo sendo uma caminhada razoavelmente cansativa saiu do shopping indo em direção a casa do, furioso, namorado.
Bateu na porta e logo ouviu a voz de JaeJoong perguntando quem era, ao responder houve alguns segundos de silencio para logo depois a porta ser aberta.
– Oi... – sorriu Yunho ao olhar o namorado.
JaeJoong permaneceu sério, disse nem ao menos uma única palavra. Virou as costas e voltou ao sofá da sala, continuando a fazer o que o mantinha ocupado.
– me desculpe pela demora... – continuou o moreno, mesmo percebendo o jeito estranho e frio do outro. Era compreensível que ele estivesse chateado. Fechou a porta atrás de si e foi de encontro ao mais claro. – tentei te enviar uma mensagem, mas meu crédito acabou.
JaeJoong estava sentado no sofá e havia um notebook em seu colo. Yunho parou atrás do estofado apoiando as mãos no encosto e se inclinou para dar um beijo no rosto do mais claro. JaeJoong ao perceber a proximidade, de forma felina de esquivou do beijo.
– Não me toca! – pediu.
– o que? Por quê? – perguntou, assustado e até indignado por ter sua demonstração de carinho rejeitada.
JaeJoong se levantou do sofá deixando o aparelho que antes estava em seu colo sobre a mesa de centro.
– Olha a hora Yunho. – disse acusadoramente. – lembra-se do nosso combinado? Você está três horas atrasado.
– meu amor...
– Não me chama de meu amor seu filho da puta! – se exaltou. O que o deixava mais estressado não era o fato do atraso do namorado, mesmo que isso também o fizesse querer espanca-lo, mas não se esquecia da voz irritante daquela garota ao telefone. De diabos Yunho estava fazendo com ela?
– Por que está me tratando assim? – perguntou na defensiva. Entendia ela está chateado e até certo ponto com raiva, mas seu atraso não justificava aquele tratamento. Já havia pedido desculpas e dito que não havia como avisa-lo. Será que era tão difícil de compreender?
– não se faça de pobre coitado. Quem era aquela... vadia?
– hã?
– eu liguei para seu celular e uma mulher atendeu. Quem era? E o que você estava fazendo com ela?
– Ligou? – perguntou confuso, pegando seu celular e indo a chamadas e podendo conferir que havia uma ligação do mesmo. – eu não sabia...
– claro que não sabia, estava ocupado demais, né?
Então era isso. Yunho não pode evitar sorrir ao perceber que aquela raiva toda do namorado era ciúmes.
– Ai meu deus, você é muito fofo! – exclamou e mesmo contra a vontade e protestos do outro, o abraçou o espremendo em seus braços. – está com ciúmes!
– me solta! – tentava se soltar dos braços do moreno, mas ele era mais forte e o deixava imobilizado, por fim teve que aceitar o abraço. – cretino. – o xingou.
– quer parar de me xingar! – pediu Yunho afastando- se o suficiente para olhar a feição brava do namorado. – aquela vadia é uma colega de classe. A história é a seguinte: nesse tempo que fiquei sem ir aquele colégio inventaram umas frescuras para a formatura. Vai ter a cafonice de rei e rainha do baile e as meninas escolhem o par, essa garota, o nome dela é Tiffany, resolveu me convidar...
– e claro, você não tinha como dizer não. – ironizou.
– ela não me dava chance de escolha. – explicou. – acabei por ir com ela comprar o smoking. – apontou para uma sacola no chão. – e enquanto ela estava lá escolhendo o vestido sai de fininho. – sorriu. – e aqui estou, com o coração ferido por te sido tão xingado e rejeitado pelo meu namorado. – fez voz chorosa afundando o rosto na curva do pescoço de JaeJoong. – me perdoa!
– me solta se não quiser ser xingando de coisa pior! – ameaçou JaeJoong sem se comover pelo jeito arrependido e carinhoso do moreno.
– Jae... – Yunho se afastou apenas um pouco para continuar a olha-lo.
– essa historia está muito mal contada!
– eu estou falando a verdade, por favor, acredita, não tenho motivos para mentir pra você. – disse fazendo sua melhor cara de pobre coitado em uma expressão que se semelhava ao gato de botas do filme Shrek.
JaeJoong sentia que não havia motivos para desconfiar do moreno, mas ao mesmo tempo não conseguia ser indiferente aquela sensação de insegurança. Tinha medo de perder a pessoa mais importante da sua vida.
– Já almoçou? – perguntou vendo o moreno negar. Queria mudar de assunto. – a comida está no micro-ondas é só esquentar.
– me faz companhia. – pediu o moreno, tentando melhorar o clima entre os dois.
– to ocupado. Tenho que montar a playlist para hoje à noite no bar.
– hun.
Minutos depois Yunho voltava à sala. Apesar de a comida estar deliciosa não conseguiu saboreá-la como devia. O mau clima com o namorado desequilibrava todos os seus sentidos. Só queria concertar as coisas. Pegou a bolsa da loja que comprara o smoking e se sentou no sofá. JaeJoong não o encarou, continuou concentrado no notebook e minuto ou outro uma musica tocava. Depois de um tempo com ambos em silencio, JaeJoong deixou o aparelho sobre a mesa de centro e voltou a se recostar no sofá. Yunho viu aquilo como uma ótima oportunidade de iniciar uma conversar.
– nada mal, não é? – perguntou sorrindo, mostrando a bolsa da loja que era de uma marca bem conhecida.
– gente rica é outra coisa, né...
O tom chateado ainda era evidente na voz do mais claro e isso só deixava Yunho ainda mais aflito. Mesmo com receio de se rejeitado aproximou seu rosto ao do namorado, lentamente como se tivesse medo dele fugir, pois era exatamente esse seu medo. Mas, JaeJoong não se afastou como a primeira vez, ao invés disso, fechou os olhos esperando o toque dos lábios do namorado em sua face. E logo, os sentiu em um toque leve.
Yunho tocou o queixo do mais claro virando o rosto do mesmo em direção ao seu, o fazendo abrir os olhos e encara-lo.
– apesar de eu te achar fofo com ciúmes, não há motivos para ficar assim. – dizia em tom baixo como se tivesse confessando um segredo. – eu não tenho olhos para mais ninguém, desde o dia em que te conheci e para ser sincero, nunca olhei outra pessoa antes dessa mesma forma. É como se mesmo sem saber, tivesse esperando esse tempo todo por você. – confessou olhando terno os olhos do amante. — então, por favor, não negue mais meus carinhos, é tudo o que eu tenho para te oferecer, Jae... Me dói se você não os aceita.
JaeJoong não esperava ouvir tudo o que estava ouvindo. Não esperava sentir o coração explodir no peito a cada palavra do namorado. Às vezes achava que estivesse sonhando que não fosse possível para si encontrar alguém como Yunho. Mas, era, e o moreno estava ali de coração aberto apenas para ele.
– me desculpe. – foi tudo o que o mais claro conseguiu pronunciar, antes de ter seus lábios tomados em um selinho demorado e carinhoso. – e me desculpe também pelos xingamentos...
Yunho riu.
– tudo bem. Nada superar a primeira vez que você me chamou de filho da puta. – disse rindo, ao se relembrar daquele momento um dia depois que se conheceram.
Yunho soube naquele exato momento que nunca se arrependeria da decisão de levar aquele desconhecido bêbado para sua casa, de acomoda-lo em sua cama, de ter feito amor com ele em seu carro e de ter entregado seu coração.
– eu fiquei assustado, poxa... – disse manhoso.
– eu sei... – o abraçou, fazendo ele acomodar a cabeça em seu ombro. – mas eu havia prometido que não iria te fazer mal e nunca vou...
–x-
Quando Yunho chegou em casa já era quase noite. Entrou em casa já imaginando que teria mais uma discursão com seu pai, mas para seu espanto, o homem que estava sentado no sofá da sala assistindo televisão nem ao menos o olhou. Atitude muito estranha e mesmo que tivesse ficado aliviado por evitar uma briga não pode deixar de se preocupar, estaria seu pai doente?
Com está questão em mente foi procurar sua mãe que estava em seu quarto.
– Mãe? – a chamou, aparecendo na porta do quarto do casal.
– Oi meu amor, não ouvi você chegar. – sorriu ao ver o filho.
– Acabei de chegar. Mãe, meu pai tá bem?
– Tá sim. Por quê?
– É que, são quase sete horas e ele nem ao menos me olhou quando eu cheguei. Tô tão acostumada a levar bronca que... – riu. – Bom, eu não vou dormir em casa hoje, tá?
– como assim? – perguntou com preocupação de mãe evidente.
– vou dormi na casa de um amigo. – respondeu. – não se preocupe! – sorriu.
Faria uma surpresa a JaeJoong. Pela primeira vez passaria a noite inteira na casa do namorado. Tomou banho, se arrumou e acabou por fazer um lanche rápido. Passou diversas vezes pela sala, mas seu pai simplesmente ignorava sua presença. Esperou a hora passar em seu quarto.
Quando Yunho saiu do seu quarto com uma mochila pendurada no ombro que continha suas roupas para passar a noite com o namorado, já eram nove horas da noite. O jeito do seu pai não mudou nada quando avisou que já estava indo. Foi a primeira vez que saiu de casa sem nenhuma discursão.
A atitude do pai era demasiadamente preocupante, mas deixou suas preocupações de lado enquanto se aproximava do Jungle bar. Ficara bem conhecido ali e todos já deduziam seu envolvimento amoroso com o dançarino, por causa disso muitos homens pegaram antipatia por ele. Alias, desde que o moreno aparecera JaeJoong nunca mais fez programas o que deixou muito de seus fies clientes irritados.
JaeJoong logo viu o namorado entrar. Estava ocupado conversando com um cliente, mas não pode evitar sorrir para o moreno.
– Quanto ele te paga?
A pergunta veio como uma ofensa fazendo com que JaeJoong voltasse a fitar o homem a sua frente.
– o que disse?
– Quanto ele te paga? Ofereço o dobro.
JaeJoong ainda demorou alguns segundos para compreender a proposta ultrajante.
– Desculpa senhor, mas eu não... – não terminou o que dizia quando uma nota alta foi posta sobre a mesa.
– Isso é apenas pelo seu sim! – disse encarando o garoto que se demorou ao olhar a nota posta a sua frente. Em outros tempos não pensaria duas vezes ao dizer sim, mas não eram mais aqueles tempos...
– Não, olha, sei que outros garotos adorariam o fazer companhia...
– Outros não me interessam... – disse o interrompendo mais uma vez. – eu quero você... – mais uma nota do mesmo valor foi posta sobre a mesa. Estava certo de que ele aceitaria, mas sua certeza não durou muito.
– Eu já disse senhor, não.
O homem praguejou algo incompreensível. Sentia-se injuriado.
– Tudo bem... – disse por fim, dando a impressão de que guardaria as notas, mas logo voltou com uma. – me deixe pelo menos fazer-lhe um agrado pela conversa. – sorriu.
– hun... – estendeu a mão para pegar o dinheiro, mas antes de conseguir pega-lo, foi recuado.
– me deixe colocar em sua calça. – sorriu sínico.
JaeJoong o olhou desconfiado, fazendo o homem rir.
– o que foi garoto, virou puritano? – zombou.
JaeJoong sabia que não tinha o que temer era forte o suficiente para se defender e não era só por isso, também sabia que seu namorado estava ali, a alguns metros de distância o olhando. Levantou-se e, com passos curtos se aproximou do homem ainda sentado.
– vire-se...
Yunho já vira aquilo acontecer. Já vira inúmeros homens depositando dinheiro dentro da única peça que o namorado vestia. Homens o fitando com luxuria, sussurrando coisas que tinha asco só de imaginar. Estava aos poucos controlando o ciúme a raiva e o medo, pensando sempre que aquilo era um trabalho como qualquer outro. Fincou as unhas no balcão onde estava ao ver JaeJoong vira-se, ficando de costas para aquele homem asqueroso. O viu passar a nota pela linha da coluna do mais claro e descer até o cós baixo da calça de couro.
A música aumentou, pois logo ali em frente uma apresentação sensual começava. A luz tornou-se precária tendo o foco apenas no palco. Yunho olhou naquela direção brevemente, podendo ver um garoto dançar segurando no bastão vertical entre um flash e outro seus movimentos ficavam mais lentos. Sua atenção se desviou por dois segundos e quando voltou a olhar o namorado seu sangue ferveu ao presenciar aquele mesmo homem o agarrar, prendendo JaeJoong em um abraço maldoso. JaeJoong tentou se soltar do abraço inesperado, sentia o barba malfeita roçar em seu pescoço enquanto ouvia alguns murmúrios imundos e vitorioso por tê-lo nos braços.
Yunho simplesmente perdeu seu bom senso e a raiva o guiava enquanto encurtava a distancia, e foi com essa mesma raiva que puxou aquele homem alguns quilos maiores que ele e o acertou um murro fazendo o cara cambalear.
JaeJoong se afastou vendo o namorado possesso proferir mais murros raivosos naquele cliente. Não sabia o que fazer para impedir que Yunho exagerasse, então correu para o balcão chamando a atenção do garçom. Logo, a musica se cessou e as luzes voltaram e todos puderam ver a briga que acontecia.
– O que foi cara? – Yunho gritava enquanto era segurado e afastado do homem que já tinha sangue na boca e nariz. – não é mais tão machão? Me agarra, vem cá...
– Yunho, por favor, já chega... – JaeJoong suplicava tentando acalmar o namorado que estava sendo segurado por dois outros homens.
– eu nem comecei... – ignorou as suplicas e tentou se desvencilhar das mãos que o segurava para avançar no homem que estava sendo protegido por alguns outros clientes.
– Deixa ele... — riu o homem ensanguentado. – eu te meto o processo seu infeliz.
– YUNHO! – JaeJoong gritou, segurando com as duas mãos o rosto contorcido de raiva do namorado. – chega, por favor!
E, pela primeira vez Yunho pareceu ouvir. Suavizou a expressão e gradativamente seu corpo relaxou, mas ainda tinha a respiração acelerada e o coração agitado. Olhou para as pessoas que o seguravam e fez entender que estava tudo bem. Um silencio tenso se fez no lugar até que após um longo suspiro disse:
– Não quero confusão, mas não vou responder por mim cada vez que ousarem a tocar no JaeJoong, entenderam? – disse em tom imperativo parando para olhar rosto por rosto e todos imparciais.
– Vamos embora... – disse JaeJoong. – por favor.
– okay...
JaeJoong saiu rapidamente do recinto, indo buscar suas coisas voltando correndo já com mais peças de roupa e uma bolsa. O Clima ainda era tenso e fez questão de sair dali o mais rápido possível puxando o namorado pelo braço.
(...)
– me desculpe... – Yunho sussurrou quebrando o silencio entre os dois, enquanto caminhavam sem destino.
– não precisava de tudo aquilo.
– eu sei, foi mal... – parou de andar, parando de frente para o menor. – mas eu não suporto que te toquem.
– esse é meu trabalho, Yun... Espero que me aceitem de volta.
– espero que não. – confessou causando uma expressão indignada no namorado.
– arsh... – desviou do moreno, continuando a andar, mas Yunho o segurou pelo braço.
– Não fica assim... Esse é meu jeito ogro de dizer que te amo...
JaeJoong poderia retrucar, o repreender pelo ato e dizer que não havia desculpa, mas as ultimas palavras o fez perde a fala. Yunho sorriu diante da falta de reação do menor, que apenas o encarava estático.
– o que? – riu Yunho, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha do namorado.
– n-nada. – sorriu. Queria ouvir de novo, ouvir aquelas três palavras outra vez, mas no momento certo Yunho as diria da forma que elas deveriam ser ditas.
– quer ir pra praia?
– aham... Mas, vamos comprar uma vodca antes.
(...)
– você briga muito bem, Yun...
– acha? – pegou a garrafa das mãos do mais claro dando um gole.
– aham, é praticamente um super-herói. – riu. – meu super-herói! – após dizer isso, pulou nas costas do moreno.
– ai, você é pesado! – o segurou pela coxa.
JaeJoong riu.
– Diz isso de novo que eu corto sua língua, tá bom amor? – beijou o rosto do namorado. – agora, quero uma corrida de cavalinho até a pedra.
– mas... – era uma distancia considerável até a pedra.
– vai cavalinho...
Mesmo com o sobrepeso Yunho conseguiu correr com o namorado nas costas. JaeJoong ria e imitava um cowboy até que foi posto no chão.
– cavalinho, né... – Yunho se alongava. – quero ver você cavalgar direitinho mais tarde...
O tom maldoso foi logo compreendido pelo mais claro e JaeJoong devolveu a maldade no olhar.
– passa essa vodca pra cá! – pegou a garrafa.
– passa essa boca pra cá... – puxou o namorado e sem dá espaço para reclamação o beijou de forma apaixonada. JaeJoong se afastou e tomou um gole deixando um pouco do liquido escorrer de sua boca e Yunho não perdeu tempo em lamber o queixo e sugar os lábios vermelhos e úmidos.
Sentaram-se na areia fofa. A pedra impedia que a brisa fria os atingisse em demasia. JaeJoong enterrou os pés na areia enquanto seu dedo se ocupava em desenhar sobre a mesma.
– o que está fazendo? – perguntou Yunho, vendo como o namorado estava distraído.
– nada...
Yunho se curvou sobre JaeJoong para olhar o que ele fazia e antes que as mãos ágeis o empurrasse e apagasse o desenho, ele pode ver um coração e dentro dele duas letras.
– Para, seu bobo! – riu constrangido.
– ownt – abraçou o menor. – vem cá...
Yunho se levantou e estendeu a mão para que o outro a pegasse e o levou para perto do mar.
– o que foi?
JaeJoong perguntou mais não obteve resposta. Yunho por outro lado, começou a arrastar os pés descalços sobre a areia e gradativamente um grande coração se formou.
– o que acha? – questionou, olhando para o mais claro que só sabia sorrir. Terminou, fazendo as iniciais de seus nomes, formando um YJ, dentro do coração. Yunho foi para dentro do coração estendendo a mão convidando o namorado a se juntar a ele.
– se o mar levar... – abraçou o namorado. – é por que estamos predestinados ao infinito. Nós dois e o que faz isso acontecer... – levou a mão do namorado ao seu peito o permitindo sentir as batidas aceleradas do seu coração.
– ah, Yun... – o abraçou mais forte, enroscando seus braços ao redor do pescoço amorenado sentindo que o mundo se resumia apenas aos dois e aquela praia. Logo, sentiram a corrente fria tocar seus pés. Olharam para o chão vendo o mar beijar a areia e arrastar o coração. Levar para sempre, o mergulhando na imensidão azul do desconhecido. Assim como estavam, presos um no outro e no destino tão imenso e desconhecido como o mar. Mas, o importante é que teriam o infinito para viver e ultrapassar as marés altas e violentas, até que pudessem enfim, encontrar a calmaria.
Notas finais
Então, desculpe pelos erros de digitação é que o documento que eu havia salvo já corrigido quando fui abrir ele estava todo louco, tipo as palavras com acento foram apagadas ¬¬' ai eu fiquei com preguiça de corrigir outra vez! XD
é isso. ^^ para quem ler Hot Boss, foi mal pela demora, eu já destravei e ela está sendo escrita. o/ POASPAO'
até.
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