Notas iniciais
Hey, sei que demorei, mas esse cap como eu havia falado é o último da primeira fase da fic. Então ele foi meio tenso de escrever e vocês vão entender o por que...
Quero dizer um bigsupermega obrigado a florzinha que recomendou a fic! me deixou muito feliz! *-*
boa leitura.^^

"Ainda o amo. É esse o meu tormento."

–x-


– já pensou em transar na praia?

– com você já pensei em tudo.

Yunho pensava que o menor deitado em seus braços e apoiando a cabeça em seu peito já estivesse dormindo pelo silencio que fazia e, que se não fosse pelo barulho do mar e hora ou outra de carros passando a metros de distancia dali, seria total. – por que a pergunta?

– só queria saber se compartilhamos do mesmo pensamento. – riu de forma sonolenta. – safadinho.

– Eu não era assim. São as más companhias! – brincou e levou um tapa sobre o peito por isso. — Qualquer hora a gente coloca em prática esses... essas... hun...

– Fantasias sexuais? – disse, apoiando o queixo no peito do moreno deitado, o olhando tão inocentemente que mal parecia que aquelas palavras tinham acabado de sair de sua boca. – Tenho muitas!

Yunho perdeu a fala por segundos até conseguir formular algo lógico a dizer.

– teremos tempo para realizar uma por uma... – disse, tirando do outro um sorriso de excitação.

– mal posso esperar! — riu baixo, enquanto trocavam olhares cúmplices.


E, como sempre, se perderam nas horas. O tempo que se congelava, era como se o mundo parasse de girar sempre que estavam juntos. Mas, ele não parava e tudo ao redor ainda estava em movimento. E muitas vezes giravam contras suas vontades.

Os passos sobre a areia da praia eram cautelosos encurtando a distancia em uma aproximação traiçoeira. Era como imaginava, mais ver aquela cena bem na sua frente o causava asco que com os segundos, se transformava e ódio. Asco por ver dois homens deitados juntos em um abraço. Ódio por ser seu único filho a estar envolvendo aquele garoto nos braços.


– Então, é isso que você vem fazer todas as noites?

Seus corpos se retesaram ao ouvir o timbre cavernoso. Num ímpeto se separaram um do outro, olhando assustados para o homem em pé.


– Pai? – Sua voz saiu assombrosa. – O que faz aqui?

Uma risada forte e debochada foi a resposta.

– Nem ao menos parece constrangido por ser pego nessa vergonhosa situação. – disse, impetuoso cuspilhando as palavras indignadas para Yunho.

– Por que deveria estar? – se levantou, junto com o assustado namorado. – Não há nada vergonhoso aqui, pai. – disse, defensivo. Abraçando os ombros do namorado.

Mesmo com a postura protetora de Yunho, JaeJoong não conseguia se sentir bem. O olhar no pai do namorado estava cheio de raiva. Sentia em seu intimo além de medo a sensação de insegurança como se alguma coisa fosse mudar.

– Você acha isso certo? Acha? – gritou, raivoso. – Você me humilhou Yunho.

– Eu nunca fiz isso! – se defendeu da acusação. Não conseguindo aguentar a forma enojada como seu pai se referia a sua relação com JaeJoong. Não permitiria tamanho descaso e aquilo sim era uma verdadeira humilhação.

– Não? – riu de forma descontrolada. – Estar saindo com um homem, ainda mais um garoto de programa. Acha que isso não é humilhação?

Yunho soube que aquelas palavras atingiram em cheio o garoto embaixo de seus braços.

– CALA A BOCA! – descontrolou-se.

– NÃO ME MANDE CALAR A BOCA MOLEQUE!

– Por favor... – a voz fina e chorosa de JaeJoong se fez ouvida. – chega, parem de gritar. Não precisa disso.

– Tá tudo bem, Jae... – Yunho abraçou o mais claro, fazendo esse apoiar a cabeça em seu peito. E depositou um beijo carinhoso sobre os fios castanhos.

– Eu nunca imaginei... – riu sem humor vendo a cena de carinho enojado. – meu filho... que meu filho fosse... – suspirou exasperado, aquela palavra doía em sua garganta.

– O que pai? – questionou, estava a puro nervo. Jogando todas as suas cartas sem medo das consequências. – que eu fosse Gay? — riu sarcástico. – sou, sou sim. Encare isso, não há nada que você possa fazer.

Viu o homem passar as mãos pelo rosto, estava atônico. Sentia como se tivesse levado um forte soco na boca do estomago, pronto para vomitar.

– Vocês são dois doentes. – disse. – Dois perdidos.

– CHEGA! Não fala mais nada! – disse Yunho imperativo. – Vai embora!

JaeJoong estava calado, sua garganta estava seca mas, do contrario seu rosto úmido por lágrimas.

– Eu vou, mas você vem comigo. Está proibido de ver esse...

– Meda suas palavras ao se referir a ele... – disse de forma defensiva, mas ao mesmo tempo ameaçadora.

– O que? Ele é um garoto de programa, não? Estou mentindo? Trabalha naquele bar imundo, só pode ser tão imundo quanto.

– Você estava me seguindo? – agora tudo fazia um terrível sentindo. O jeito indiferente com que ele estava o tratando há alguns dias, era tudo fingimento, armação para o segui-lo.

– Sim, te segui. E como desejo não ter feito isso. Mas, eu vou concertar as coisas, vou concertar você, de um jeito ou de outro!

– Do que está falando?

– Disso aqui... – e como Yunho se lembrava da infância, quando fazia algo de errado ou desobedecia a alguma regra do pai, ele retirava o cinto de couro e daquela mesma forma ameaçadora o segurava em sua direção. Yunho ainda se lembrava da última vez, a fivela de metal tocando sua pele a marcando e algumas vezes deixando arranhões que sangravam.

JaeJoong ao ver a intenção do homem não pensou duas vezes a se intrometer, colocando seu corpo de frente ao do moreno, defensivo mesmo que amedrontado.

– Não faça isso! – suplicou o mais claro, seus olhos brilhavam excessivamente com lágrimas.

– EU NÃO SOU MAIS CRIANÇA! – gritou Yunho sendo protegido pelo namorado, as cargas de adrenalina corriam pelo seu corpo, provavelmente naquele estado mal sentiria as dores das lambadas, pelo menos momentaneamente.

– Mas, também não é um homem. Homens não se deitam com outros! – acusou.

– Sou mais homem que você! – disse, seu tom se tornando falsamente equilibrado. E, aquilo foi o estopim.

Seu pai ameaçou dando alguns passos em sua direção, com a correia na mão pronta para usa-la. Mas, JaeJoong o empurrou, afastando o namorado em seguida.

– Parem, por favor. Não é necessário! – disse suplicando para o homem raivoso a sua frente. – ele vai voltar com o senhor, mas, por favor, me prometa que não vai usar isso...

– Eu não tenho nada a prometer a um imundo como você.

– Rrrr... – Yunho rosnou ameaçando passar a frente do namorado, mas JaeJoong o manteve longe do pai. Seu sague fervia quando ouvia o mais velho se referindo ao namorado daquela forma depreciativa.

– Yunho... – se virou para o namorado descontrolado. Ele estava ainda mais raivoso do que quando brigou no bar saindo aos socos com um cliente abusado, há algumas semanas atrás. Yunho era o tipo de sair completamente do controle naquele estado, podia jurar que ele era violento quando não controlado e que suas ameaças, quando feitas eram compridas. – Yun... Yun... – tentava chamar a atenção dos olhos escuros, fixos na imagem a poucos metros. Suas mãos estavam no pescoço do moreno fazendo um carinho que em outros momentos tanto o relaxou. – Olha pra mim, amor... – sussurrou. Em segundos ele o olhou, ainda com as íris nebulosas. – vai com ele... – tentava manter sua voz calma, serena para que ele voltasse a si. – tá? Resolve isso numa boa, sem gritos. Ele é seu pai, você tem que ficar tranquilo.

Yunhou ouviu em silencio e quando o menor terminou de falar, voltou a encara o pai. Mas, apenas a cara que ele tinha ao presenciar aquela cena do casal aumentava ainda mais o ódio que sentia.

– Coloca de volta esse cinto e vamos discutir como adultos. – disse em fim, tentando encontrar o autocontrole.

O pai mesmo contra a vontade, colocou o cinto ajeitando a fivela.

JaeJoong se sentiu aliviado. Voltou a olhar o namorado e dizer:

– Eu vou embora...

– Eu vou te levar, não vai sozinho.

– vou sim, tá tudo bem. Sempre fiz isso. – disse, não queria que mais uma discursão se iniciasse.

– É melhor se despedirem bem, pois é última vez que irão se ver! – disse o mais velho.

– Você não pode fazer isso. – ralhou Yunho. – não vai nos impedir!

– veremos...

– Não briguem! – pediu JaeJoong. – Vai lá, não liga para as ameaças... Eu te amo.

Confessou, sua primeira confissão de amor e se lamentava por ter sido naquela situação, mas foi verdadeira, foi necessária. Precisava que ele soubesse. E, mesmo com tudo foram aquelas pequenas palavras que fizeram Yunho derramar lagrimas. Sabia que o pai poderia fazer qualquer coisa, mas nada o separaria de JaeJoong e depois daquele eu te amo flutuando dos tão adorados lábios avermelhados, só teve mais certeza disso.


JaeJoong viu o namorado e o pai, se afastarem. Estavam distantes um do outro. Ficou ali até não conseguir mais vê-los, queria ter certeza que nada aconteceria e logo depois foi embora se permitindo em fim chorar copiosamente pelo medo que sentia de ser afastado do único homem que amou e que amaria para o resto de sua vida.


(...)


– Você nunca mais vai vê-lo. – disse o homem ao volante.

– Já disse que não há nada que você possa fazer. – respondeu.

Suas vozes eram calmas, falavam como se estivessem mantendo uma conversa fútil sobre o tempo, mas era apenas focar em ambos os olhares que poderiam ser visto a tempestade que sentiam.

– Claro que posso e vou. Não tenho filho gay, Yunho . Você vai se curar!

Yunho riu sem humor.

– Não sou doente, pai.

– Tem razão, é pior...

Logo quando chegou em casa encontrou sua mãe preocupada, os encarando do sofá.

– Sabe onde seu filho estava? – começou o pai, caminhando até a mulher receosa. – Na praia deitadinho na areia abraçado com um garoto de...

– PARA, NÃO O CHAME ASSIM! – gritou Yunho.

–E prefere que eu o chame como? Prostituto, perdido, da vida fácil...? — disse usando sarcasmo.

Yunho respirou fundo sentindo seus músculos retesarem. Suas mãos se fecharam em forma de punho, precisando controlar o impulso impetuoso que corria seu corpo. Apesar de tudo aquele homem era seu pai.

– Se acalmem... — a voz mansa de sua mãe se fez presente. – Yunho, meu filho, isso é verdade? – perguntou ela, se aproximando do filho já com muitos centímetros maior que ela.

Yunho concordou com um aceno de cabeça.

– É o JaeJoong. – disse. – aquele amigo que eu trouxe aqui uma vez...

– Eu disse que aquele garoto não era boa coisa, não disse? Mas, você nunca me ouve, mulher!- ralhou o pai.

– Por que, Yunho? Por quê? – perguntou a mulher chorosa.

– Por que, o que mãe? Por que eu estava com ele na praia? Ou... Por que eu me apaixonei por ele?

Um riso grave e maldoso soou no cômodo.

– Se apaixonou? – riu. – vou fingir que não ouvi essa nojeira!

– Não há nojeira alguma em se apaixonar... pai. – se defendeu. Já sentia a adrenalina esvair e, como uma droga, o que restava era uma sensação de vazio, não tinha mais forças para continuar se defendendo das palavras grosseiras e humilhantes do mais velho.

– Desde quando isso ta acontecendo, meu filho? – perguntou sua mãe e Yunho teve medo de responder quando disse:

– Vai fazer dois meses...

– Um dois meses de sem-vergonhice. Mas, acabou... vai para seu quarto!

A ordem fez Yunho rir.

– O que? vai me colocar de castigo?

– Sim! Vai logo para seu quarto.

– Vai filho, não discuta mais com seu pai, mais tarde nós conversamos com mais calma. – disse sua Mãe, carinhosamente puxando o filho até o quarto. Yunho se sentiu desarmado. Apenas JaeJoong e sua mãe tinham a capacidade que fazer isso com ele.

Entrou em seu quarto sentindo que estava caminhando para seu próprio exilio. Parou e ficou encarando o pai, do lado de fora da porta, ambos sérios.

– Me de seu celular!

– acha mesmo que pegando meu celular vai me impedir de alguma coisa?

– Não, mas posso dificultar! – disse. – agora, me dê!

Yunho entregou o celular na mão do pai. Sabia que logo daria um jeito de entrar em contato com o namorado e dá um basta na situação.

A porta foi fechada e Yunho pode ouvir o barulho da tranca. Riu soprado, não acreditando da infantilidade do pai. Se jogou na cama mentalizando o namorado. Se ele havia chegado bem em casa, se estava magoado, se havia ficado com medo, se pensava nele...

Lembrou-se do “Eu te amo” e acabou por sorrir enquanto fitava o teto. Também o amava, e era por esse sentimento que se manteria firme que daria um jeito de contornar a situação e de voltar para os braços do amado.

(...)


Acordou assustado todo enroscado no edredom verde. JaeJoong teve um pesadelo onde era separado do namorado. Estava ofegante e levemente suado. Lembrou-se de que acabara de acordar de um pesadelo para encarar outro. Pegou seu telefone sobre o criado mudo ansioso para ouvir a voz do namorado, para saber como ele estava para implorar que viesse a seu encontro. Mas ao ligar, a voz que atendera do outro lado da linha não chegava a ser nem um pouco parecia com a do namorado. JaeJoong sentiu seu coração espremido no peito ao perceber que o pai do moreno falava sério em afasta-lo de si.


– Me deixe falar com o Yunho, por favor... – sua voz saiu trêmula.

– Como tem coragem de ligar? – ralhou o homem do outro lado da linha. – Esquece meu filho, ouviu seu perdido, nunca mais chegue perto dele! – foram suas ultimas palavras raivosas, antes de desligar o aparelho, definitivamente.


JaeJoong deixou seu braço despencar sobre o colchão com o telefone em mão. Sentia-se sufocado apenas de pensar que não teria como entrar em contato com o moreno, e não sabia até quando isso duraria. Voltou a se deitar, ainda enroscado ao tecido, afundando seu rosto no mesmo inspirando o perfume que tanto necessitava.


(...)


Yunho não conseguira dormir. Ficara acordado na madrugada, fitando o nada, mas pensando em tudo, tudo que envolvia JaeJoong. Só cochilou quando os passarinhos começaram a cantar, mas por um pouco mais de uma hora.


– Filho?

A porta se abriu, e sua mãe entrava no cômodo trazendo em mãos uma bandeja com algumas coisas para o filho. Já havia se passado da hora do almoço e só pode ver o filho naquele momento enquanto o marido estava dormindo no sofá da sala.


– Oi... – a voz do moreno era rouca, como se estivesse chorando. E estava. Secou as lagrimas rapidamente ao ver sua mãe.


– Trouxe comida, está com fome? — mostrou a bandeja.


– Não, na verdade meu estômago está embrulhado.


– Você precisa se alimentar! – disse ela com preocupação de mãe. Colocou a bandeja sobre o criado mudo e, logo depois se sentou na beirada da cama. O encarando com um olhar materno. – come um pouquinho. Fiz macarrão ao molho branco do jeito que você gosta. – sorriu.


– ah, mãe imagino que está uma delicia, mas... – suspirou. – Eu só quero o JaeJoong agora, só quero ouvir a voz dele...


– É tão sério assim? Está realmente apaixonado por aquele garoto?


– Muito, como nunca imaginei que pudesse. Aconteceu tão rápido e de forma tão intensa que é difícil saber quando isso começou, mas eu o amo. E o que seu marido está fazendo é injusto.


– Yunho, entenda não é fácil para nenhum pai saber que...


– Saber que seu filho está feliz, está sendo amado por alguém, está amando... ? É, isso que é tão difícil de entender?


– por que não uma garota, Yunho... ? Uma bela mulher também pode te fazer feliz e...


– Não pode... – a interrompeu. – Sabe por quê, mãe? Por que nenhuma delas pode ser o Jae. Sempre me relacionei com mulheres e nunca me senti feliz com nenhuma, nunca me senti amado e nunca amei nenhuma delas... O que tem de tão nojento nisso?


– Nada meu filho... – não conseguiu controlar as lágrimas impulsivas. Era tão nítido o amor que seu filho sentia por aquele garoto que não podia negar, era lindo ver os olhos dele brilharem e mesmo não aprovando esse tipo de relacionamento, respeitaria apenas para ver o filho feliz.


– Mãe, me deixe falar com o Jae...

– Mas...


– Me dê seu celular, eu preciso saber como ele está.

Mesmo amedrontada com o pedido do filho, não conseguiu negar.


(...)


JaeJoong estava jogado na cama, sem animo nem para abrir os olhos. Seu estomago reclamava gritando que já era hora de se alimentar, mas não sentia vontade de nada. De repente uma musiquinha começou a tocar, o irritando profundamente. Era seu celular. Pegou o aparelho jogado em um canto sobre a cama e olhou no visor. Sua expressão ficou contorcida ao não reconhecer o número que o ligava, provavelmente era um antigo cliente que não desistia de enchê-lo o saco. Deixou o aparelho de lado, ainda tocando até o som irritante se cessar.

Yunho ficou aflito quando a chamada caiu na caixa postal, mas foi então que se lembrou de que o namorado nunca atendia chamadas desconhecidas por medo de ser algum daqueles homens asquerosos. Ansioso para falar com ele, logo mandou uma mensagem de texto para informa-lo de que era ele a ligar.


“Amor sou eu, Yunho. atende esse telefone!”

JaeJoong ouviu o bip de mensagem do celular, pensou em ignorar, mas de forma inconsciente sua mãos buscou o aparelho. Percebeu ser o mesmo numero da ligação e se sentiu enjoado de imaginar ler a mensagem e confirmar se de um dos clientes do bar com suas palavras imundas. Mas, sentiu uma alegria súbita ao saber ser de Yunho. e no mesmo instante quando o aparelho voltou a tocar ele o atendeu, se sentando na cama em um pulo.


– Yunho! – sua voz saiu emocionada.

– Oi Jae, como você tá? – não havia nada que pudesse definir em como era bom ouvir a voz do namorado.

– Como você acha? Preocupado, com medo...

– Me perdoe por tudo que você teve que ouvir na praia.

– Não foi culpa sua. E seu pai, vocês conversaram?

–Não. Ele tá louco, acho que quer me manter em cativeiro. – riu sem humor.

– Yun, resolve logo isso por favor. – pediu manhoso.

– Eu prometo que vou resolver, mas você precisa ter paciência...

– Paciência? Eu não tenho paciência, Yun eu quero você aqui, agora.

Yunho sentiu seu corpo tremer com as palavras em tom choroso do outro. Queria muito se teletransportar para o lado do namorado ou arrombar aquela porta que o prendia naquele quarto e correr para os braços de JaeJoong. Jogou-se de costas na cama desgrenhando os cabelos com a mão livre se sentindo agoniado. Acorrentado por nada poder fazer, pelo menos momentaneamente.

– Não fala assim.

– então vem...

– Jae, me escuta! – disse, seriamente. Voltou a se sentar na cama. – A formatura é daqui a um mês... Eu tenho um plano.

– Você não vai pedir o que eu estou pensando, né? – o que era apenas manha se tornou um choro real.

– Nós vamos continuar falando por telefone, e vai da para nos vermos quando eu tiver que ir para o colégio, por que ele vai ter que me deixar ir...

– Ele vai te vigiar! – contrapôs.

– provavelmente. Mas, se não puder te tocar, eu fico feliz em te ver mesmo se for de longe.

– Você não pode estar falando sério!

– Eu prometo que esse mês vai passar rápido e no dia da formatura vamos nos ver e nesse dia nós dois... – antes de poder concluir o que dizia, ouviu a porta se destrancada e no susto, rapidamente escondeu o celular nas costas.


– Com quem estava falando? – seu pai entrou no quarto já em tom acusador e desconfiado.

– Comigo mesmo, por quê? Vai me proibir de falar também? – perguntou sarcástico. JaeJoong estava ouvindo tudo do outro lado da linha.

– Engula essa malcriação e depois venha, sua mãe fez um lanche para você.

Quando o mais velho saiu. Yunho voltou a pegar o aparelho que havia escondido.

– Jae... – sussurrava. – tenho que ir, te ligo mais tarde, okay.

– não, não tá okay... Mas, não tem outro jeito né?!

– sinto muito por isso, meu amor. – se lamentou. – até mais tarde...

– até.

(...)


Yunho não imaginava que seria tão complicado. Já havia se passados dois dias, longos e tortuosos dias apenas ouvindo a doce voz do amante pelo telefone. Nem mesmo ao colégio estava indo, passava o dia todo em seu quarto, às vezes ajudando a mãe em alguma atividade doméstica.

JaeJoong voltara com a mesma rotina monótona de sua vida antes de conhecer o moreno e o ponto mais alto de seu dia era quando o mesmo o ligava e por minutos podia esquecer toda a situação perturbadora que se envolveram.


(...)


Uma semana havia se passado, mas parecia que foram muito mais dias. Conseguiram se ver apenas uma única vez naquela semana, não trocaram palavras, apenas um olhar breve enquanto o moreno era escoltado pelo pai até o carro, na saída do colégio. Graças a Deus que JaeJoong não fora visto pelo repressor.

Já era madrugada. JaeJoong acabara de sair do bar, fora trabalhar mesmo sem a autorização do namorado que o fizera jurar que não iria entrar naquele lugar sem sua companhia. Mas, ele não podia se dar ao luxo de ficar em casa, precisava de dinheiro, tinha suas contas para pagar, seus gastos pessoais, apenas por isso. E, mesmo assim ficara apenas como garçom. Depois do episódio de semanas atrás, a ameaça do namorado, os homens mal tinham coragem de o olhar.

Mas, o mal sempre chega sorrateiro.

JaeJoong sentiu uma incomoda presença e inconscientemente aumentou o ritmo de seus passos. Segundos depois, ao olhar brevemente sobre o ombro, teve a certeza que estava sendo perseguido. Continuou a caminhar apressado, olhando ao redor tentando encontrar uma alternativa. Mas, não conseguiu encontra-la, sua distração momentânea não o fez perceber que estava caminhando para uma emboscada.

Tudo já estava planejado na mente pervertida daquele homem sedento e JaeJoong estava fazendo exatamente como imaginara. A alguns metros dali, naquela mesma calçada havia um beco que até poucas noites atrás era selado com tabuas de madeira, mas ele mesmo as tirou deixando apenas algumas suficientes para encobrir seu pecaminoso ato.

JaeJoong não teve como reagir quando de repente foi puxado só se dando por si quando já estava dentro de um lugar escuro onde a luz dos postes não chegava tendo apenas a da lua para iluminar.

– QUEM É VOCÊ?- gritou assustado, se afastando da silhueta masculina na penumbra.

– Que decepção gracinha, não se lembra de mim?

Aquela voz fora facilmente recordada. E quando, a luz atingiu parte daquele rosto, JaeJoong teve vontade de rir.

– você, o que houve? Gostou de apanhar? – riu sarcástico.

– o Seu namoradinho que não está aqui. Faz um tempinho que ele não aparece, cansou de você?- A cada palavra se aproximava sorrateiramente, mas JaeJoong se afastava.

– Sai da minha frente! – exclamou se sentindo literalmente encurralado, quando suas costas bateu no muro.

– Acha que eu estou aqui para brincar? – riu, ficando perigosamente perto do garoto. – na verdade eu quero brincar sim... – colocou a mão sobre os braços cobertos por uma blusa de mangas compridas.

– Tira a mão... – rosnou, empurrando o homem que deu apenas alguns passos pra trás rindo, como se estivesse se divertindo.

– Está tão metidinho, esnobe. Vou abaixar esse seu fogo...

JaeJoong foi agarrado e prensado ainda mais contra o muro. Um grito de socorro saiu de sua garganta, mas ninguém o ouviria dali. Sua boca foi tampada por uma das mãos do homem enquanto a boca do mesmo invadia sem permissão o pescoço alvo. Gemia em protesto enquanto tentava repelir o corpo maior e mais pesado para longe do seu. Tentativas falhas. Isso o excitava ainda mais à medida que ele se debatia desesperadamente e sua expressão se tornava de pânico, mais ele gostava.

– Isso... Assim dá uma de difícil! – disse em um prazer sádico.

JaeJoong respirava com dificuldade, a mão que estava sobre sua boca, foi retirada indo para seu pescoço.

– Tão indefeso sem aquele otário do seu namoradinho. – riu.

– Me solta... – rosnou. Tentando afastar a mão que envolvia seu pescoço e quase bloqueava sua respiração.

– Você não tem para onde fugir. – riu. – vai ser meu!

– NÃO, ME SOLTA!

JaeJoong sabia que quanto mais reagisse mais ele gostava, essa era a graça e o excitava. Sabia bastante sobre estupradores. Em todos aqueles anos já conhecera homens que não negavam em dizer que o sexo forçado era muito mais prazeroso. Entretanto, não conseguia se acalmar e ser indiferente. Precisava correr.

Sentia as mãos ásperas violar sua blusa e beijos molhados em seu pescoço que o causava ânsia de vomito. Num ímpeto de se livrar daqueles toques JaeJoong conseguiu acertar um chute entre as pernas do opressor. Nos segundos em que seu corpo foi liberado correu, mas não conseguiu sair do beco. Foi puxado pela blusa, com violência o suficiente para perder o equilíbrio e cair.

– SEU DESGRAÇADO.

O chute havia acertado sua virilha e ele ainda comprimia aquela região com a mão.

Agora não era apenas excitação que corria em suas veias, mas também raiva e uma vontade insana de castigar aquele garoto de programa insolente. Ajoelhou-se no chão, com o corpo do menor entre suas pernas. Colocou peso suficiente sobre o garoto, não permitindo que ele saísse do lugar.

– achou mesmo que fosse fugir... – riu, aproximando seu rosto perigosamente ao de JaeJoong e esse não pensou duas vezes ao cuspir na cara daquele homem, mostrando todo o nojo que sentia. E, isso foi suficiente para desencadear ainda mais o ódio que ele sentia. Limpou seu rosto onde o garoto havia cuspido e em seguida proferiu fortes socos na face pálida e úmida por lágrimas de medo de JaeJoong. Golpes que doíam sua própria mão, mas não parou até JaeJoong não ter mais forças para gritar até suas suplicas serem resumidas a soluços.

Sentiu tudo girar quando a violência se cessou. A queimação em seu rosto não o deixava pensar, tudo estava confuso.

– QUER DEIXAR AS COISAS DIFICEIS? – ouviu a voz daquele homem soar próxima. – Adoro coisas difíceis... – palavras serem sussurradas em seu ouvido. Sua calça jeans foi retirada até abaixo da coxa que foi agarrada sem pudor. Não teve forças para reagir, não sabia nem ao menos onde estava só conseguia focalizar naquela dor absurda em sua cabeça e no sabor de sangue em sua boca. Estava tão vulnerável e indefeso que seu corpo foi facilmente mudado de posição, agora colocado deitado de bruços no chão sujo de concreto.

Sua peça intima foi retirada, se juntando a calça jeans.

– Como você é delicioso... – inclinou seu corpo sobre o do menor incapaz de defesa. – aposto que aquele imbecil não dá conta... – riu soprado. – O que? Ah... Você quer né... Safado... – delirava. Deu um tapa na nádega carnuda e de cor pálida causando um gemido de dor do garoto. Retirou sua calça e peça intima. E, enquanto passava uma de suas mãos pelo corpo exposto de JaeJoong, se estimulava com a outra até seu membro se encontrar ereto e lubrificando com sua própria saliva. – Você não deve ser tão apertadinho, já levou muito cacete, né não? Hã? – ria. JaeJoong mal conseguia ouvir sua palavras, pois nem seus próprios pensamentos faziam algum sentido. A única coisa que estava em sua mente era uma imagem um tanto turva. Yunho. E foi a suplica por esse nome que saiu de seus lábios antes de se sentir rasgado pela violenta penetração. Um grito seco cortou sua garganta e não havia mais nada que pudesse fazer. Estava sendo violentado, sentia seu corpo ser invadido sem pena com estocadas cada vez mais fortes. As lagrimas corriam silenciosas por sua face marcadas com mais sinais de violência. Tentava pedir socorro, suplicar para que ele parasse, mas de sua garganta só saía palavras embargadas, não tinha folego nem para se manifestar em protesto. Entretanto, ouvia gemidos roucos de prazer, palavras desconexas daquele homem imundo que o estuprava.

Não sabia quanto tempo havia se passado, mas foi o mais longo e doloroso de sua vida até que enfim ouviu um gemido mais como um rosnado, ele havia gozado em seu interior e finalmente parou com as estocadas. Um silencio fúnebre se fez no local. JaeJoong ainda sentia o peso do homem sobre si e em sua entrada. Até que enfim, Ele se levantou.

– ah, viu só... Para que ficar tão arisco? Delicia! – arrumava sua roupa enquanto falava. – é uma pena eu não te grana agora, mas coloca na conta! – riu.

JaeJoong continuou imóvel, deitado no chão, seus olhos fixos na parede oposta amedrontado até para respirar. Ouviu passos se afastando e de repente o silencio voltou.

Levantou-se com dificuldade, cambaleando um pouco e quase voltando ao chão.

Ficou de pé, com a respiração desregulada e sentindo as dores da agressão sofrida em cada parte do corpo. Ajeitou a roupa que lhe foi abaixada e depois girou no calcanhar, olhando a entrada daquele beco. Seu corpo tremia, mas não era frio, seu estômago estava embrulhado e sentiu o algo subir até sua garganta, inclinou o corpo e vomitou colocou para fora toda a ânsia, o nojo e repulsa que sentia.

A mochila que carregava ainda estava no mesmo lugar que havia caído. A pegou e, com passos curtos, trêmulos continuou o mesmo caminho de antes. Parecia que estava vendo um filme em câmera lenta. Seu corpo pesava, sua cabeça latejava e tudo o que queria era se sentir seguro outra vez.

Sentou-se no ultimo degraus de entrada para sua casa. Havia chegado ali, mas não tinha mais forças para continuar, toda sua energia foi usada naquele trajeto. Jogou-se no chão, deitando em posição fetal, encostando a mochila no rosto para abafar seu choro incessante. Sentia-se tão sujo, tão impuro. Talvez, se fosse em outro momento de sua vida não tivesse ligado, alias era um garoto de programa seu corpo já era sujo o suficiente, usado o suficiente. Não havia o mínimo valor. Mas, não eram mais aqueles tempos e o que antes era usufruído por todos, agora, pertencia a uma só pessoa e era nessa mesma pessoa que pensava todo aquele tempo. Procurou seu celular dentro da mochila. Precisava daquela proteção, daquele calor, precisava que ele viesse a seu socorro.


–x-


Yunho estava deitado na cama lendo pela vigésima vez a mesma revista sobre carros antigos quando ouviu seu celular, ou melhor, o da sua mãe, tocar. Seu coração se agitou em surpresa ao ver quem o ligava.

– Jae...

A alegria de sua voz foi substituída por uma expressão confusa e preocupada quando mal reconheceu a voz do outro lado da linha.

– Yun...Por favor... – a voz era demasiadamente rouca sendo difícil até de compreender.

– O aconteceu, por que está falando assim? Jae, onde você tá?- um desespero súbito o dominou.

– Yun, vem, por favor...

– ONDE VOCÊ ESTÁ? – se levantou da cama, sentindo seu coração doer no peito ao pressentir que ele estava ferido.

– em casa... não me deixa... — silencio, ele havia desmaiado.

– Jae... Jae...Jae... ah, droga! – desligou o telefone e correu para a porta do seu quarto, trancada. Com todo o desespero que sentia, começou a dar fortes murros e chutes contra a superfície de madeira além de gritar até acordar os pais.


– O QUE VOCÊ TA FAZEN...

Não teve tempo de terminar sua bronca, quando abriu a porta para repreender o filho barulhento, esse mesmo saiu do quarto o empurrando contra a parede o posta sem nem ao menos s olhar para trás.

– VOLTA AQUI MOLEQUE!

– VOCÊ NEM TENTE ME IMPEDIR! – gritou pela primeira vez parecendo realmente ameaçador diante seu pai.

– Filho, não fala assim. – sua mãe se manifestou assustada.

– ME DEIXEM EM PAZ E ABRE ESSA MALDITA PORTA. – chutou a porta de entrada da casa.

Sua mãe foi até a mesinha de canto e pegou a chave que era guardada na gaveta. Receosa a entregou para o filho. Yunho teve dificuldade em abrir a porta, seu desespero o fazia tremer. Quando a porta foi aberta, e antes de sair correndo rua adentro ouviu a voz de seu pai.

– Se for, eu não tenho mais filho...

Yunho o encarou, mas nada disse. Não se importava com nada além do garoto que suplicava por sua presença. Sem mais olhar pra trás, correu em direção a casa do namorado.


Seu coração que batia acelerado no peito por conta da corrida simplesmente se despedaçou ao ver aquele garoto que julgava ser a pessoa mais importante e especial de sua vida ali, desacordado naquela madrugada fria, mas ao se aproximar e ver as marcas vermelhas e sangue seco em seu rosto tudo se tornou ainda pior. Começou a chorar silenciosamente, subindo os degraus e se sentando ao lado do amado.

– Jae, pelo amor de Deus, Jae... – se curvou sobre o corpo encolhido do outro. O abraçando. – acorda, por favor, eu to aqui...

E Yunho naquele momento pela primeira vez, descobriu o que era medo. Puro, real e assustador medo. Sua voz sussurrada, sua suplica em oração aos poucos o despertava.

Ao sentir o peso em seu corpo, o toque em sua pele logo se lembrou do que havia acontecido e em sua mente confusa ainda estava. Levantou-se de repente e afastou o namorado se encolhendo mais ao canto já com lagrimas rolando por sua face machucada.

– Jae, sou eu... – disse o moreno calmamente, percebendo que ele estava assustado. Mesmo com a visão embagada por lagrimas, pode reconhecer o rosto do amado e pode finalmente se sentir seguro. Sem qualquer receio se jogou nos braços do moreno, o apertando em um abraço.

– Tá tudo bem, eu to aqui... – fazia carinho sobre a cabeça do menor, enquanto esse chorava sobre seu ombro, inspirando seu cheiro. Cheiro de segurança que era o que ele mais precisava naquele momento. Yunho era tudo o que ele precisava.

Ficaram longos minutos ali, naquela mesma posição até que Yunho procurou na mochila do outro a chave de casa. Precisava leva-lo para dentro, cuidar dos machucados. Estava tentando ser frio o suficiente para cuidar o amado, para não cair em lagrimas, precisava ser forte por ele. Já imaginava o que acontecera e se sentia a pessoa mais incapaz do mundo por não ter evitado, se sentia fraco, inútil como se seu amor não fosse nada já que não podia nem ao menos protegê-lo. Levantou-se e abriu a porta da casa, logo voltando e se abaixando ao lado do namorado.

– consegue se levantar? – perguntou. JaeJoong, sem responder tentou com a ajuda do outro, mas por ter ficado muito tempo parado as dores pareciam ainda mais latejantes, principalmente a do seu quadril. Yunho ao perceber a dor que menor, o pegou no colo e o levou para dentro. Bateu a porta com o pé antes de levá-lo até o quarto e o deitar sobre a cama.

Com a luz elétrica pode ver melhor os arranhões e marcas de socos, aquela visão só o massacrava por dentro. Sentou-se a beira da cama, tendo os olhos do amado o fitando com um brilho excessivo de lagrimas.

– Yun... – sussurrou.

– Shhhh... – colocou um dedo sobre os lábios do amado que antes eram vermelhos e vivos, mas naquele momento estavam esbranquiçados. – eu vou cuidar de você...

– Eu quero tomar um banho... – disse, sua voz era fraca como se estivesse com sono. Sentia a necessidade de se lavar. Sentia o cheiro podre daquele homem em si isso o causava repulsa de si mesmo.

– tá... okay.

Yunho o ajudou a se levantar e se despir. Enquanto isso via as marcas da violência em outras partes de seu corpo o causando uma revolta inimaginável. As costas arranhadas, o pescoço, as nádegas que pareciam terem sido apertadas com demasiada violência. Sentia o ar faltar, estava prendendo toda a dor dentro de si e não podia desabar em frente a ele.

Amou tanto, cuidou, fora devoto em cada toque a aquele corpo que o vê-lo naquele estado de saber o que ele havia passado só gerava ódio de si mesmo por não ter sido cuidadoso o suficiente. Nunca deveria tê-lo o deixado sozinho, deveria ter enfrentado o pai desde o inicio ter ido a seu encontro na primeira suplica. Aquilo era culpa sua, de seu ato covarde.

Abriu o chuveiro e o guiou para baixo da ducha de água quente. JaeJoong tombou a cabeça deixando a água tocar seu rosto sentindo as feridas arderem, mas isso não era nada comparado a toda a dor interna que sofria. O moreno estava ali sendo atingido por alguns respingos de água, encostado na parede entre o box e o restante do banheiro. JaeJoong ao olhar o namorado tão sério o encarando só conseguiu voltar a chorar. As lágrimas de misturavam a agua da ducha e não dava para ver a diferença entre elas.

– JaeJoong, não chora por favor... – sentia que se o visse chorar mais uma vez também desabaria, mostraria sua fraqueza, aquele seu odiável lado que acabara de descobrir.

– Você vai deixar de gostar de mim, não vai? – perguntou choroso, um medo súbito o atingiu. O medo de ser deixado de lado pelo moreno, dele sentir nojo de si e esta ali apenas por pena.

– O que?

– Por favor não me deixa.

– Jae, meu amor. – entrou no box, não se importando por ficar molhado. Segurou na face do menor olhando em seus olhos e sendo sincero ao dizer: — Eu nunca vou deixar de gostar de você, por que eu te amo, amo muito. Vou ficar velhinho e continuarei a te amar, eu não vou lembrar nem ao menos meu nome, mas ainda vou te amar. Por que é a única coisa que eu sei fazer é a única coisa que eu sinto.

– Jura?

– Juro! – ao dizer, o abraçou. E, aquilo era tudo que JaeJoong precisava para ter forças e para enfrentar sua situação sem medo.

Yunho o ajudou a banhar-se. JaeJoong esfregou sua própria pele, querendo tirar qualquer rastro, digital, fluido daquele mostro de seu corpo, os machucados doíam, mas ele não se importava.

Yunho arrumou a cama para que o namorado pudesse descansar. JaeJoong se enroscou no edredom verde antes pertencente ao moreno se sentindo finalmente bem.

– quer comer alguma coisa? – perguntou Yunho, preocupado, sentado ao lado do namorado deitada na cama.

– Não. Você vai dormir aqui, né?

– sim! – sorriu.

– Não vai mais me deixar, certo?

– certíssimo! – acariciava o rosto do namorado com alguns curativos que havia feito logo depois do banho. – descansa. amanhã agente conversa, tá?

– deita aqui, me deixa dormir no seu peito. Eu preciso ouvir seu coração, sentir o ritmo da sua respiração para dormir bem.

Yunho sorriu carinhoso, depositando um beijo na testa do amado e depois se deitando ao lado no mesmo. JaeJoong logo se aninhou no corpo do namorado, podendo então ouvir o coração do amado, sentir o peito subir e descer no ritmo de sua respiração e enfim, dormir.


(...)


Yunho não conseguira dormir só permaneceu na cama fazendo companhia ao mais claro, zelando seu sono e se permitindo derramar algumas lagrimas silenciosa.

Quando já era manhã, por voltas das 5 horas ele se levantou. Fez um café forte se sentando sozinho a mesa enquanto pensamentos se atumultuavam em sua cabeça. Era mais que certo que não deixaria aquilo barato era do tipo que acreditava em que “Aqui se faz aqui se paga” e seja lá quem tivesse feito aquilo com JaeJoong pagaria caro e na mesma moeda.

Não conseguiu terminar a xícara de café. Estava horrível. Jogou o que sobrou na pia antes de ouvir a voz do namorado vindo do quarto, o gritar. No mesmo instante largou a louça em sua mão e correu de encontro ao amado.

JaeJoong estava sentado na cama, estava suado e muito agitado, com a respiração acelerada. Tivera um pesadelo.


– Jae, hey to aqui, o que houve?

Sentou-se ao lado do namorado, sendo recebido por um abraço.

– nada, eu achei que você tivesse ido embora. – respondeu com a respiração mais controlada. – tive um sonho ruim.

– Não ligue pra isso. Já passou.

– Onde estava?

– na cozinha. Está com fome? Não sou muito bom nisso, mas posso tentar. – sorriu.

– eu posso fazer alguma coisa para agente. – disse, querendo sair da cama, mas sendo impedido pelo moreno.

– Tem certeza? Eu posso cuidar de você.

– Yun, eu preciso me ocupar com alguma coisa ficar sem fazer nada só vai me trazer mais pesadelos. – sorriu para o namorado, tentando o dizer que estava tudo bem. Ou pelo menos que tudo ficaria bem.


JaeJoong foi para a cozinha. Fez torradas e um café mais gostoso do que Yunho fora capaz. Fez à mesa como costumava antes de tudo aquilo acontecer e ficarem uma semana sem se verem. Claro que havia diferença. O clima era silencioso. Não havia os chamegos, nem palavras de duplo sentido os risos soltos e provocantes. Yunho tinha medo de tentar uma aproximação mais intima, achava que ele precisava de um tempo já que uma situação como aquela poderia gerar algum trauma. Seria paciente.


– Jae... – interrompeu o silencio, fazendo o namorado o encarar.

– hun?

– Está pronto para me contar o que aconteceu?

Nunca estaria pronto para lembrar aquele momento. Mas, seria forte pelo namorado. Sabia que ele precisava de uma explicação sua. Precisava encontrar as palavras certas para que as lembranças não o causasse náuseas e foi com um pouco de dificuldade que começou a narrar aquele momento de terror.

Yunho controlava seus impulsos de raiva. Se pudesse sairia dali naquele momento e caçaria o desgraçado que ferira seu namorado, mas tudo que ouvira foi suficiente para ter a vingança perfeita em mente.

– Não precisa dizer mais nada, Jae... – sabia que aquilo o feria ainda mais. Era nítida em seus olhos marejados a dor que sentia. – Eu prometo que ele vai pagar por isso.

– Esquece isso, por favor...

– Não me peça isso! Só quero que confie em mim. Você confia?

– O que pretende fazer?

– Confia em mim? – o que se passava por sua mente mal tinha coragem de dizer.

– Sim.


(...)

O sofá e o chão ficou cheio de pipoca que caia de suas mãos e da grande bacia que estava sendo segurada por JaeJoong. Juntos no sofá assistiam um programa sobre reconstrução de casas.

– Jae...

–Hun?

– Eu preciso ir pra casa...

– O QUE? – se afastou no namorado para o olha-lo nos olhos, fazendo mais pipoca cair ao chão.

– Eu vou voltar, mas preciso pegar roupas e outras coisas, saí de pressa e deixei tudo lá.

–hun, vai voltar mesmo?

– Claro. – sorriu. – não vou demorar, okay?!

(...)


Já era quase sete horas da noite quando chegou ao seu destino. Não era sua casa, pois antes de ter que encarar o pai mais uma vez queria resolver alguns assuntos pendentes. Dois garotos saíram da casa de classe média e sorrindo vieram em direção ao moreno.

– Pô cara, você fica sumindo do nada! – disse um deles, cumprimentando com um toque de mãos Yunho.

–A Tiffany tá arrancando os cabelos com isso! – riu o outro.

– esquece essa garota! – disse o Yunho. Conversar sobre o colégio não era o assunto que queria falar. – tenho uma proposta pra vocês.

– ah é? – trocaram olhares os dois garotos que eram irmãos. – e sobre o que?

– preciso dar uma lição em uma pessoa. – disse frio.

– Hun, em quem?

– Vocês não conhecem. – respondeu.

– então, por quê?

– hun... ele... – sabia que não poderia dizer a verdade. – ele ofendeu minha mãe...

– putz! Ai a porra fica séria. O que quer fazer?

– Tenho algo em mente. Já viram tropa de elite? – sua pergunta fez os dois rirem e cantarem a trilha sonora do filme, empolgados. E uma deles ainda se atreveu a imitar uma cena do filme:

– 02 traz a vassoura! – imitou fazendo voz grave.

Yunho que ficara sério durante as palhaçadas dos meninos finalmente se manifestou fazendo eles se calarem:

– É isso mesmo!

Os dois irmãos voltaram a trocar olhares antes de um deles se manifestar.

– Oi? Cê ta falando sério?

– uhum.

– você quer enfiar uma vassoura no cara?

– É, mas vocês que vão fazer isso! – disse. – eu mostro quem é o cara e vocês o fazem ter um bom e inesquecível momento. – ironizou.

– Cara, tu é sinistro meu irmão! – exclamou um deles, mal acreditando no que ouvira.

– aceitam ou não? Eu vou da uma grana pra vocês.

– Opa. Agora sim falou nossa língua!


(...)


Yunho já esperava que ao chegar na casa dos pais, fosse recebido com paus e pedras.

– Voltou com o rabinho entre as pernas – provocou o pai.

– Se engana. Vim buscar minhas coisas.

A resposta o fez se calar.

Yunho foi para seu quarto, pegou uma pequena mala guardada debaixo da cama e depois começou a jogar suas peças de roupa nela.

– Tem mesmo a coragem de abandonar sua família por um garoto de programa?

– Não estou abandonando ninguém, é você quem quer me abandonar. Continuarei a ter um pai, mas se não quiser mais ter um filho, nada posso fazer... – fechou a mala com um pouco de dificuldade com tantas coisas amontoadas. E encarou o homem parado na porta. – vai à minha formatura? Sabe que eu só aceitei participar dessa festa por sua causa...

Queria muito que o pai comparecesse não só pela razão dita, mas também, pois sabia que seria a ultima vez que veria ele e sua mãe.

O homem relutou em responder então sua mãe disse por ele.

– Claro que estaremos lá! – disse ela.


(...)


JaeJoong foi só felicidade quando Yunho voltou carregando aquela mala de roupas. Parece que aquilo veio para compensar aqueles momentos traumáticos que sofrera. Alias, parecia que aquele momento não existiu enquanto desfazia a mala e arrumava as roupas do moreno junto das suas no guarda roupa.

– Se fosse você não desfazia essa mala agora... – disse Yunho entrando no quarto.

– hã? — Estava colocando uma peça de roupa no cabine. — Por quê? – questionou, olhando intrigado para o moreno.

– Por que logo logo ela vai ter que voltar para a mala. E as suas também. – disse, fazendo JaeJoong ainda mais confuso.

– Por que diz isso?

– Temos que ter uma conversa. – sorriu o moreno o convidando para se sentar ao seu lado na cama.

– e o que é? – perguntou se sentando a cama, segurando em mãos uma camisa do moreno.

– Sabe a festa de formatura...? – perguntou reticente, esperando uma resposta do namorado que logo chegou como um aceno de cabeça. – então, tem uma coisa que estava planejando há muito tempo e bom, desde que eu te conheci eles mudaram um pouco e agora incluem você.

– Que plano?

– De pegar meu carro e iniciar uma viagem sem destino certo, apenas viajar e viver um dia após o outro, livre. Apenas nós dois! – sorriu, só a ideia o excitava. – o que acha?

JaeJoong ficou pensativo imaginando tudo e quanto mais repensava nas palavras do namorado mais gostava de como elas soavam.

– é um convite? – sorriu.

– é... – riu. – um convite que não permite que você negue. Vou te levar de qualquer jeito.

– Eu aceito de qualquer jeito. – riu. – é claro que eu aceito!

E, aquele riso e sorriso do namorado eram tudo que Yunho queria ter para a vida, era apenas o que ele precisava. E mesmo com a face do mais claro marcada do roxões e arranhões nada tirava o brilho e beleza que ele possuía ao sorrir. Tocou levemente a face do namorado o acariciando.

– Vou fazer ele se arrepender por isso, meu amor. – disse, passando os dedos pelas marcas da violência.

– Não se meta em confusão por minha causa, por favor! – tocou a mão do moreno em seu rosto.

– Não posso prometer nada, mas você disse que confiava em mim.

– e confio, mas...

– então, sem mas... – sorriu. – vamos mudar de assunto.


(...)


Quatro dias havia se passado. Aos poucos com cuidados as marcas na face doce e do corpo de JaeJoong se suavizavam. Mas, ele nem ao menos ligava para isso. Há quatro dias, estava morando com o namorado levando uma vida como sempre quisera. Pareciam casados. Acordavam e dormiam juntos, tomavam café e almoçavam. JaeJoong já pudera até reclamar da bagunça do namorado. As roupas espalhadas, do banheiro todo molhado após o banho, ou quando ele bebia água direto da garrafa. Uma vida simples e perfeita.

Mas, naquele dia em especifico JaeJoong estava preocupado. Tentara de todas as formas fazer o namorado mudar de ideia e esquecer a tal vingança que planejara contra aquele homem tenebroso que ainda o fazia ter pesadelos. Entretanto, Yunho estava decidido.


– Pode me dizer pelo menos o que tem em mente? – perguntou JaeJoong enquanto via o namorado terminar de se arrumar para sair. Já era bem tarde, para depois da meia noite, mas isso só fazia parte de todo o planejamento que estava na mente do moreno.

– vou o fazer sentir tudo o que você sentiu. – disse friamente causando aflição ao namorado.

– Por tudo que é mais sagrado Yunho, não faça nenhuma merda. – insistiu suplicante

– Não fica pensando nisso. Oh, pensa só que eu estou indo para a casa dos meus pais pegar o carro, para aquela nossa viajem – sorriu calmo.

Apesar da expressão serena, JaeJoong estava a puro nervos e sentiu seu coração apertar quando viu o namorado lhe dar um singelo beijo na testa e sair fechando a porta.


(...)


Yunho primeiro passou na casa dos pais. Conseguiu entrar em acordo com o mais velho de que ficaria com o carro as noites. Mas, obviamente ele não imaginava dos planos do filho de sair da cidade levando o namorado consigo sem intenções de voltar tão cedo.

Pegou o carro e foi até a casa dos amigos que era seus cumplices. Logo os garotos apareceram, fazendo barulho com suas risadas escandalosas. Yunho percebeu de longe que eles estavam bêbados e com a proximidade sentiu o cheiro conhecido de maconha.


O mais velho deles, carregava o cabo de uma vassoura. E foram de sacanagem com aquele objeto durante todo o trajeto. Yunho apesar de estar se sentindo incomodado com toda aquela situação, ficou calado. Só queria ficar cara a cara com aquele estuprador e faze-lo se arrepender por tudo.

Logo quando chegaram ao local, fizeram tudo o que haviam planejado. Enquanto os dois garotos seguiram para o beco, Yunho foi para a frente do bar. Ficou encostado na parede do lado de fora. Voltara ali, duas noites para saber se aquele homem asqueroso continuava a frequentar o local e não entendeu o motivo de se sentir surpreso quando o viu voltar a frequentar o estabelecimento como se nada estivesse acontecido e ainda da ultima vez que o vira, sair com um dos garotos. Aquilo só aumentou sua raiva.

Ele tinha um horário certo para voltar, era sempre por volta das três da manhã. Estava a alguns minutos adiantados, mas sabia que ele estava lá e logo sairia.


E foi, como esperado questão de minutos até que ele saísse. Nem ao menos reparou no garoto encostado na parede ao lado da porta de saída. Ia caminhando tranquilamente, Yunho prontamente o seguiu.

Alguns segundos depois, ele parou de andar sentindo a sensação de estar sendo vigiado. Olhou para trás e não esperava encontrar aquele garoto moreno parado e sorrindo de forma sínica.

– Você? – se surpreendeu. – o que tá fazendo aqui?

– ué, achei que gostasse de ser seguido. – disse cinicamente.

–ah – riu. – parece que seu namoradinho já te contou do chifre que Te pôs. – riu com vontade. Yunho apesar da grande vontade espanca-lo ali mesmo, se controlou. – disse o quanto ele gemia? Nossa, você tirou mesmo a sorte grande, ele é delicioso. Ainda mais quando fica pedindo...

– Gostou de estupra-lo? – agir daquela forma fria sobre um assunto tão delicado embrulhava seu estômago.

– Estupro? – riu. – Não! Ele tava pedindo por aquilo, sabe como esses garotos de programa são, né? Adoram fazer cu doce, mas no final sempre se rendem. O JaeJoong foi tão facinho. – lambeu os lábios.

– Não pronuncie o nome dele. – disse entre dentes.

– Olha só cara, o que quer? Ficar de papinho sobre o quanto seu namorado adora uma foda? Agente pode conversar sobre isso depois, certo? – disse exasperado, virando de costas para o moreno e continuando a andar. Mas, Yunho o seguiu. Faria o mesmo terror psicológico sofrido pelo namorado.

Mas uma vez sentindo que ainda era seguido ele parou se virando para Yunho. Estavam de frente para o beco escuro.


– Que droga cara. O que quer?

– Foi aqui, não foi? – perguntou Yunho, apontando para o beco. O homem olhou para o local escuro e depois voltou a fitar impaciente o moreno.

– Foi. Bons momentos. – sorriu sonso.

– Tem filhos? Uma esposa? Alguém que aguente esse ser pobre que você é? – perguntou sério.

– Minha vida pessoal não lhe interessa.

– É que eu preciso ter alguém para chamar quando te encontrarem indefeso, machucado e muito, muito fodido! – seu tom era baixo e calmo, quase que diabólico.

O homem não teve tempo de reação, quando dois garotos apareceram de surpresa o imobilizando.

– O QUE ESTÁ FAZENDO? – gritou se debatendo, quase que conseguindo se soltar.

– CALA A BOCA! – Yunho esbravejou em seguida dando um forte murro no rosto rechonchudo, o fazendo se calar e mais uma vez, com aquele mesmo punho, o nariz sangrar. No momento em que ele perdeu parte do sentido pelo golpe, eles o arrastaram para dentro do beco o colocando sentado, encostado no muro que fechava a passagem.

Yunho se abaixou em frente ao homem de cabeça baixa com uma forte dor no rosto causada pelo soco. Yunho agarrou os fios curtos de seu cabelo e o puxou, obrigando esse de encara-lo.

– Me conta como foi... – pediu, com serenidade ameaçadora.

– O que você está querendo? – perguntou tonto. Sentindo que ele estava lhe testando.

– ME DIGA COMO FOI, AGORA! –voltou a pedir, agora aumentando seu tom de voz o tornando autoritário.

– Foi bom... Muito bom... Ele é muito apertadinho para um garoto de programa arrombado. Pronto, é isso que queria ouvir?

– E ele gritou?

– Feito uma vadia... ele adorou...


Os irmãos a alguns metros de distância, mal entendiam o assunto, estavam mais entretidos no baseado que compartilhavam.

Yunho se levantou. Ouvira o suficiente para que seu bom senso fosse jogado no lixo.

– Já que foi tão bom imagino que você não se importe de inverter os lugares. – disse, chamando os comparsas. O homem ao olhar os garotos, em especial o que estava com o cabo da vassoura sentiu um frio incomum, a sensação do pânico o atingiu.

– Que isso cara? Tá ficando maluco! Sou espada!

Isso fez os irmãos rirem de forma esganiçada.

– To vendo, se cagando de medo desse jeito! – disse um em meio aos risos que fazia toda a situação ainda mais assustadora para o homem ao chão.

– Agora... – Yunho se manifestou fazendo as risadas se cessarem. – Sou eu quem vai te fuder. – Yunho se abaixou aproximando seu rosto ao do homem. – e quero te ouvir gritar... – sorriu friamente se levantando e se afastando alguns passos, deixando os amigos no comando.

– Não! Pera cara, vamos conversar perai... oh... – insistia em pânico, tentou se levantar, mas os irmãos não permitiram. E sua vingança começava ali.


Yunho não quis ver a cena de perto, por isso ficou mais próximo da saída do beco, enquanto meio na penumbra via as ações dos comparsas. Alguns chutes e socos eram proferidos contra o corpo que foi deitado de bruços no chão. Eles se divertiam, enquanto faziam o gorducho de saco de pancada. E Yunho sentia um tipo de prazer enquanto o via gritar e pedir para parar. Depois da leve tortura, Eles abaixaram a calça que a vitima vestia e fizeram algumas chacotas sobre o corpo do homem. Yunho já estava de saco cheio daquilo então gritou para que eles chegassem aos “finalmente”.


– Tem lubrificante ai? Camisinha? Alguma coisa? – perguntou zombando, um dos irmãos drogados. – Ih cara, tem não, vai ter que ser no seco mesmo. – riu.

Yunho se aproximou alguns passos no momento em que a vassoura invadiu o homem fazendo o mais alto e grotesco grito que já ouvira estrondar da garganta dele. E depois desse muitos outros vieram. A cada estocada uma suplica misturada a um grito descomunal de dor. Longos minutos depois, Yunho se aproximou. As estocadas ganharam um ritimo mais rápido e fundo o cabo da vassoura parecia que o rasgava no meio. Yunho se ajoelhou de frente para o homem, que chorava desesperadamente.

– Por..ah...por favo..r..ah... Por favor...

Olhava para a feição imparcial do moreno e suplicava.

– Ele pediu por favor, não pediu? Ele pediu para parar, não foi? Você parou? – perguntou, esperando uma resposta que não veio. – Não. Continuo a tortura-lo sem se importar com o que ele sentia... MAIS FUNDO! – gritou uma ordem para os irmãos que revezavam se divertindo. Logo mais um grito de dor. – acha que ele estava gostando? Acha que foi bom pra ele?

– N-não! – chorava copiosamente.

– Pede perdão! Agora!

– Per... ah... Perdão. PERDÃO! Para, por favooor...

– desculpe, é tarde demais! – disse, se levantando em seguida ouvindo ainda mais manifestos dolorosos. Parou ao lado dos garotos. Tirou um envelope de dentro do casaco entregando para o menino “desocupado” – o dinheiro está aqui... eu já vou, mas só quero que parem quando ele desmaiar.

– Sim senhor. OUVIU? É MELHOR DESMAIAR LOGO! – gritou rindo.

Yunho deixou a cena para trás. Sua vingança estava feita, aquele homem nunca mais pensaria em sexo forçado, talvez nunca mais pensasse em sexo na vida.


(...)


Quando Yunho chegou em casa encontrou o namorado dormindo na sala. Ficou o esperando até não aguentar mais de sono e apagar ali mesmo. Yunho sorriu para a cena tão angelical do mais claro todo encolhido no sofá com o edredom verde uma parte sendo segurado perto de seu rosto e o resto, que deveria cobrir seu corpo, caído ao chão.

Sem querer acorda-lo, o pegou no colo com cautela, mas com o impulso de ser levantado, JaeJoong acordou, porém permitiu do namorado o erguer aproveitando para se aconchegar de forma bem apertada no corpo moreno afundando seu rosto na curva do pescoço do mesmo. O edredom foi arrastado até o quarto, onde Yunho delicadamente colocou o menor na cama.

– ah, estava acordado. – disse sorrindo ao encarar aqueles olhos grandes, mas puxados.

– uhum. Você demorou.

– eu sei, mas o importante é que acabou. Ele nunca mais vai pensar em tocar em qualquer garoto dessa forma bruta.

– Tenho medo de insistir de saber o que você fez.

– Devolvi na mesma moeda, Jae... – disse, vendo uma expressão confusa no rosto no mais claro. – Não pense besteira, mas ele sofreu as mesas dores que você. Ele pediu perdão...

– Perdão?

– Sim, eu neguei dizendo que já era tarde, nunca vou perdoa-lo por te feito isso, por ter tocado em você, se referido a você daquela forma. Mas, você decide se quer o perdoar.

– Eu... Eu não me importo mais com isso. – disse. – Vou superar... – sorriu tímido. – tendo você comigo eu posso superar qualquer coisa.

Yunho sorriu carinhosamente, e vagarosamente aproximando seu rosto ao do namorado. Estavam todos aqueles dias sem se tocarem, nem ao menos em um beijo. Yunho estava amedrontado de desencadear algum medo no namorado, não sabia até onde aquela situação havia o afetado. Mas, naquele momento não podia se controlar, e via nos olhos de íris escuras desejo que também era transmitido em seus próprios. Vários selinhos regados a carinhos foi trocado enquanto seus olhos não perdiam o contato até que JaeJoong pediu passagem para um contato mais intimo então seus olhos se fecharam e um beijo profundo se iniciou.


(...)


Semanas depois.

Yunho não imaginava que pudesse ficar nervoso naquela noite. Achava que fosse ser uma noite qualquer de final de ano e do fim de um ciclo em sua vida. Mas, estava ansioso, suas mãos suava e seu corpo estava inquieto, balançando de uma lado pro outro, fazendo JaeJoong ter um trabalhão para arrumar a gravata borboleta, peça fundamental do Black Tie.

– Yunho para de se mexer! – ralhou JaeJoong.

– ain, estou nervoso.

– Só pra te avisar isso é só uma formatura, não um casamento! – continuou, dando os ajustes finais e depois se afastando para olhar o belo moreno que parecia um príncipe de contos de fadas com aquela roupa sofisticada, cabelo arrumado e bem perfumado.

– Se fosse um casamento, seria o nosso e eu já teria caído duro no chão. – disse ele puxando o namorado fazendo esse bater em seu corpo.

– Yunho! Você vai amassar a roupa! – ralhou. – mas, se fosse nosso casamento tenho certeza que você pularia a cerimonia e partiria para a lua de mel.

– a aparte que começa a tirar a roupa é a melhor. – sorriu sonso.

– idiota! – riu. – Só fico triste em saber que quem irá desfrutar de você desse jeitinho todo príncipe encantado é uma bruxa vestida de rosa. – fez biquinho.

– Fica tranquilo que a última dança será sua! – sorriu cumplice logo depois acariciando os lábios do namorado com os seus.

– Vou cobrar! – se afastou o suficiente para dizer sussurrado.


(...)

Yunho estava sentado no sofá da sala quando finalmente o celular que ainda era o que pegara de sua mãe tocou. Era ela, avisando que eles já estavam prontos. JaeJoong estava sentado ao seu lado e soube que era hora de ir.

– Bom, lembra-se do combinado, né? — perguntou Yunho.

– Claro! – confirmou. – Agente se encontra lá. – sorriu.

– Não se esqueça das malas e tudo, okay?

– eu sei. Relaxa! – riu. – e curte bastante.

– Até parece. Vou é contar os minutos para estar na estrada com você do meu lado.


(...)


E foi o tédio que Yunho imaginou. Tiffany não desgrudava dele segundo algum, o apresentava para todos de sua família. Era como um tipo de troféu na mão da menina.

Teve toda a breguice do baile, a dança de valsa e depois uma discoteca, mas mesmo essa parte que foi a mais interessante para o moreno, estava desconfortável por causa de toda aquela roupa.

Horas se estenderam. Yunho não bebia muito, pois logo depois teria que dirigir encara a estrada sem destino certo. E era isso que o animava naquela noite. Teria o mundo e JaeJoong só para ele. Seus pais estavam sorridentes, isso também o deixava feliz. Seu pai vendo o filho com aquela bela garota, tinha a esperança de que ele se apaixonasse pela garota e depois daquela formatura tomasse algum juízo.

Finalmente a cerimonia. Depois de tantos discursos com emoção dissimulada e homenagens para professores que infernizaram a vida daqueles alunos por anos era finalmente a entrega do diploma. Aluno por aluno foi chamado ao palco, em ordem alfabética. Até chegar a vez de Yunho, muitos nomes seriam chamados, muitos discursos bestas desses alunos e isso significava hora perdida. Enquanto isso teve que ficar aguentando a Tiffany e sua irritante mania de ficar o agarrando.

Finalmente chegou sua vez. Subiu ao palco com aplausos de seus amigos e claro até mesmo daqueles que não iam com sua cara. Pegou o diploma das mãos do diretor da instituição finalmente tendo em mãos aquele pedaço de papel que lhe permitia cumprir sua promessa ao pai e poder fugir sem culpa, livre para viver como quisesse.

Olhou para os vários alunos sentados nas cadeiras que também o olhavam. Queria muito mandar todos para a casa do cacete, queria extravasar aquela euforia que crescia dentro de si. Queria dizer tudo que pensa daquelas pessoas, dos playboys metidos a machão, das patricinhas esnobes mais rodadas que pratinho de micro-ondas. Queria esfregar aquele diploma na cara dos professores que tanto o fez repetir e falavam que ele nunca conseguiria. Queria muito tudo aquilo, mas tudo que pensava saiu da sua mente no momento em que seus olhos foram até a figura no fundo daquele salão. No sorriso radiante, no olhar cheio de vida. No garoto tão cheio de expectativas e esperança quanto ele.

Com um sorriso travesso nos lábios. Ele o chamou, fazendo um gesto com a mão. JaeJoong, não hesitou, não tinham nada a perder e não tinham medo de arriscar. Começou a caminhar sobre o tapete vermelho, todos olhavam curiosos sem entender, mas para aqueles dois não existia mais nada. JaeJoong começou a correr, subiu no palco e sem a mínima vergonha, foi para os braços do namorado que não só o recebeu com um abraço mas também um beijo cinematográfico de tirar o folego em qualquer telespectador.

Isso causou murmúrios. Uns indignados outros gritando e assoviando excitados com a cena. Tentaram separar os dois, mas nada impedia aqueles lábios de se encontrarem, era magnetismo puro. Quando cessaram o beijo, Yunho não olhou para ninguém, pegou na mão no namorado o puxando para fora do palco. Pode ouvir a voz da Tiffany o gritar, mas a ignorou, tendo certeza que não queria voltar a vê-la.

Foi em direção os pais tão surpresos e indignado quanto a grande maioria dos pais ali.


– Sei o que está pensando. – disse Yunho, com a respiração desregulada por conta do beijo e euforia que sentia. – Mas, não me importo. Aqui está, o diploma que o prometi, mas é tudo pai. Agora, vou fazer minha vida, ao lado de quem eu amo... – apertou JaeJoong que estava abração a si. – amo vocês também, até qualquer dia... – sorriu. E deixando o diploma na mão do pai, saiu puxando JaeJoong para fora de toda a algazarra que se encontrava o salão.

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JaeJoong quando chegou, vindo em um taxi, deixara todas as malas no Mustang que estava no estacionamento. Entre beijos e corrida até o carro eles riam e gritavam, desejando boas vindas à nova vida que teriam e adeus a todas suas tormentas.

Notas finais
E ai? o/
Sim, preferi trocar o flashback do Yun por essa frase que pode ser interpretada como dita, pensada ou sentida por ele. é a frase de um filme que eu me esqueci qual é agora '-' enfim...
sei que foi um cap incomum para a fic, mas é só pra vocês sentirem que essa fic não vai ser apenas docinho, fofinha e carinhosa, terão "coisas". Agora sim, cheguei exatamente onde eu queria, a viagem dos meninos. o/ muita coisa vai acontecer. Ah, desculpem pelos erros, acabei de terminar o cap e só dei uma lida breve, olha bem a hora que estou atualizando. soninho ta tenso aqui!
é isso, vai quero reviews! *faz bico*
bjos