The Oncer Games
4 O fogo
Notas iniciais
Mas tá ai e espero que gostem...
Spoiler: O Cinna é uma fada madrinha u.u Só que não kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Assim que chegamos a deslumbrante e colorida Capital fomos pro Centro de Transformação. Um lugar onde eramos animadamente torturados para ficarmos no minimo apresentáveis pro desfile que aconteceria hoje a noite. O desfile era uma maneira elegante de dar inicio a carnificina ao melhor estilo Capital: empolgante e colorido. Portanto tive que aguentar calada a equipe de preparação me torturar dolorosamente. Achei que eles trocariam até minha pele, mas não.
Estava nervosa olhando pro teto esperando meu estilista, deitada na mesa. E alguns minutos depois ele chegou, me surpreendendo. Eu esperava alguém colorido e exagerado mas a pessoa que entrou era tão normal... Estava pronta para ver alguém como o resto da equipe: um homem com voz fina e cabelo amarelo com uma lista vermelha no topete e um quilo de maquiagem na cara e uma mulher com voz estridente, cabelo azul e cilios assustadores de tão grandes, que estava tão maquiada quanto o homem exceto pelo batom que deixava sua boca com o formato pequeno, e que me lembrava uma boneca de pano que meu pai comprou no prego, como a de Effie. No entanto Cinna era um homem moreno, de barba mal feita e cabelo da cor natural recém cortado, usava uma camisa preta e calça jeans, e a única impressão da Capital era a sombra bronze, os brincos na orelha e uma boina verde.
– Oi Katniss, meu nome é Cinna e eu sou seu maior fã – disse com a voz doce e sem o sotaque irritante da Capital, estendendo a mão pra mim.
Ele era tão... Normal. Que eu gostei dele instantaneamente, seria bom ter uma pessoa não definida por cores por perto, uma pessoa apenas.
– É o seu primeiro ano? – Perguntei apertando sua mão.
– Sim, mas não é pelo que você está pensando que fiquei com o Distrito 12. Eu escolhi trabalhar com ele.
– Por quê? – Perguntei surpresa.
– Simpatizo com pessoas de lá – respondeu dando de ombros.
Aquilo era estranho, geralmente os estilistas novos pegavam os distritos considerados piores como o Dez, Onze, Doze... Porque nossas roupas tinham que refletir a essência de cada Distrito. No nosso caso era sempre algo relacionado ao carvão, por nosso Distrito ser responsável pela extração de carvão para a Capital. Era algo que não dava muita liberdade criativa então sempre deixavam essa bomba para os novos estilistas.
– Então Katniss, Nova e eu – Nova devia ser a estilista do Graham – Estávamos pensando em fazer algo... Diferente, esse ano.
– Diferente como? – Perguntei exitante, talvez apesar da aparência normal Cinna fosse tão birita quanto o povo da Capital.
– O que vocês usam pra queimar o carvão?
– Fogo – Eu não estava entendendo onde ele queria chegar...
– Exatamente. E a minha ideia é.. Fazer de você a rainha do fogo, a garota quente.
– Como assim?
– Só preciso que confie em mim – disse pegando minha mão – Eu só quero te ajudar, e dependendo do que use hoje pode sim fazer eles repararem em você.
Eu precisa disso, toda ajuda era bem vinda, eu precisava ganhar e seria uma bela maneira de fazer os patrocinadores prestarem atenção em mim.
– Tudo bem — concordei.
A noite chegou e depois de longos momentos de espera e mais umas horas de tortura pra fazer meu cabelo e me maquiar, Cinna voltou com um vestido que me fez perder o ar. A parte de cima era vermelho e a de baixo, com varias camadas de saia que se encobriam até meus pés, de um preto tão negro quanto o carvão mas que brilhava tanto quanto o céu estrelado.
Após coloca-lo Cinna me deu um sapato de Cristal e sorriu me encarando, parecia satisfeito consigo mesmo.
Ao me olhar no espelho nem me reconheci, estava linda e brilhante com minha maquiagem trabalhosamente detalhada de maneira de que se eu piscasse davam a impressão de que faíscas de fogo soltavam dos meus olhos, e um batom vermelho que reforçou minha pele clara e meu cabelo loiro, que estava preso em duas transas vitorianas.
Isso me fez lembrar de Henry, porque eu parecia uma princesa, aquilo parecia um conto de fadas. Olhei para Cinna com vontade de abraça-lo, ele sem dúvidas seria uma fada madrinha no livro de Henry.
Minha emoção foi interrompida com a chamada para a Carruagem. Saímos de lá as pressas e encontramos Graham e sua estilista. Ele também estava lindo, parecia um principe com seu cabelo arrumado pra trás e um terno vermelho e preto com os mesmos tecidos do meu vestido.
– Estão prontos? – Cinna nos perguntou com um tocha nas mãos.
– Pra quê? – perguntamos eu e Graham assustados.
– Não vai doer, é sintética.
Então encostou a tocha na camada de cima da saia do meu vestido e soprou, como uma cascata o fogo se espalhou pelas outras camadas, causando um efeito tão bonito, mas o tecido preto não derreteu e eu não senti calor. Depois foi a vez da parte de cima do terno preto e vermelho de Graham, que também era divido em camadas que pareciam escamas de um peixe.
– Agora vão, dêem as mãos e sorriem – nos orientou Cinna depois de suspirar em admiração ao seu próprio trabalho.
Graham subiu na carruagem dourada a qual ficávamos de pé e depois estendeu a mão pra mim como o cavaleiro que era. Se eu não soubesse pra onde estávamos indo poderia dizer que aquilo era um sonho.
– É estranho né – falou ele alguns minutos depois com sua voz rouca e firme mas que soou estranhamente doce – Esse fogo, quer dizer não é de verdade mas...
– É, eu sei... – concordei rindo de nervosismo.
Quando nossa carruagem finalmente começou a se mover, puxada pelos cavalos treinados, Graham segurou minha mão como Cinna ordenou, senti um calafrio percorrer minha espinha... Não porque suas mãos eram grandes e quentes e estranhamente acolhedoras de modo que nossos dedos se encaixam sem nenhum esforço e a palma de sua mão cabia a minha dentro dela, mas sim porque já havia sentido aquele toque antes.
O Circuito era ladeado por macieiras e folhas de um verde tão vibrante que dava a impressão que estávamos entrando num bosque. Em suas extremidades o povo colorido da Capital se espremia para nos ver, e no meio deles estavam os patrocinadores.
Pus um sorriso na rosto e senti a multidão vibrar com nossas chamas, nosso falso companheirismo e nossa originalidade. Acenamos e sorrirmos para todos que nos mandavam beijos, tiraram fotos, gritavam por nós enquanto chegávamos a metade o circuito com nossas mãos dadas suspensas acima de nossas cabeças, unidas, em sinal de vitoria, em sinal de orgulho de sermos do Distrito 12.
E quando a carruagem parou ela se ergueu na nossa frente, com lábios volumosos mais vermelhos que o meu, a pele do mesmo tom que a minha, o cabelo negro cortado na altura da nuca, usando um terno negro que não escondia as formas de seu corpo.
– Bem vindos tributos. Bom Oncer Games. E que a sorte esteja sempre ao seu favor – falou a presidente Regina Snow, com uma certa ironia nos olhos castanhos marcantes que foi refletida no sorrido que ela deu ao final da frase.
Depois completamos o Circuito, e fomos para mansão de Regina no centro do bosque jantar com os Idealizadores.
...
Era uma noite tranquila em que ouvia grilos cantar ao longe, e as estrelas e a lua brilhavam tanto que ascendiam as ruas desertas. Em uma velha cabana perto do lago, onde sapos pulavam de pedra para pedra na mais ligeira calma e a brisa batia nas folhas espalhando seus aromas, dormiam Prático e seus dois irmãos. Mas como se tivesse amanhecido Prático* acordou assustado. Estava claro, estava quente, estava sufocante, estava pegando fogo.
– Fogo – gritou Prático pulando da cama – Cícero*. Heitor*. Acordem, tá pegando fogo.
– O que? – perguntou Heitor rolando preguiçosamente pela cama.
– ACORDEM TÁ PEGANDO FOGO! TEMOS QUE SAIR DAQUI.
– FOGO – gritou Heitor despertando com um salto.
A cabana estava pegando fogo, desmanchando, enquanto um cheiro forte de madeira queimada os sufocava na fumaça que cobria a pequena casa. Pelo menos madeira demorava a queimar mais do que palha. Prático se lembrou da última cabana que havia sido construida por Cícero e que derretera no fogo em questão de segundos, nem dando-lhes tempo de salvar seus pertences. Então Heitor construira essa de madeira por ser mais resistente, mas parecia que eles não teriam paz...
– Cícero – gritou Heitor esmurrando a cama do irmão que dormia mesmo com o fogo consumindo a casa, e avançando de maneira ameaçadora.
– Me deixem dormir mais pouco – balbuciou Cícero sem nem abrir os olhos.
– A casa está pegando fogo seu porco preguiçoso – berrou Heitor irritado.
Enquanto seus irmãos brigavam, como sempre faziam, Prático resolveu correr para tentar salvar alguns pertences... Como o espelho de sua mãe, e a caixa de dinheiro onde guardava suas economias do trabalho. Enquanto voltava ao quarto percebeu que estava ficando difícil respirar e que sua tosse havia aumentado.
Correu para lá, e Cícero já estava de pé.
– Vamos, não temos tempo – chamou os irmãos com a voz seca, os dois correram atrás dele.
A parte da frente já havia sido consumida pelo fogo, então eles retornaram e saíram por trás.
A salvos e respirando o ar puro do bosque olharam a casa sendo engolida pelas chamas.
– Eu vou construir uma de concreto agora, consegui salvar minhas economias – falou Prático alguns minutos depois que estavam sentados a beira do lago, desnorteados.
– Mas é muito caro – reclamou Heitor.
– Pelo menos vai garantir nossa segurança – afirmou Prático.
– E eu vou soprar, soprar, soprar fogo novamente – falou a mulher, que saiu de trás da árvore com um vestido roxo, gargalhando.
Os três se levantaram num pulo, até Cícero que já roncava encostado num tronco.
– O que você quer de nós? Nos deixe em paz besta – esbravejou Prático.
– Besta? Eu prefiro Malévola. E olhe pra você, tão justo, tão esforçado, tão diferente de seus outros irmãos.
– Não vamos roubar nada pra você!
– Eu acho que vão se não eu soprarei fogo em todas as casas que vocês construírem – desdenhou Malévola – No entanto, eu só preciso de um para roubar um punhado de pó das fadas pra mim – a medida que ela dava um passo a frente os três irmãos recuavam – e eu os deixarei em paz e ainda os compensarei com uma castelo cheio de riquezas. E acho que já sabemos qual de vocês fará isso.
Malévola sorriu olhando Prático, o mais sensato, forte e esforçado dos irmãos. Ele era moreno, com a barba mal feita, cabelo cortado rente abaixo da boina verde e um corpo largo e forte – que os outros irmãos também tinham, parecia a estrutura de um porco.
– Ele faz – concordou Heitor e Cicero empurrou Prático.
– Não – gritou ele tirando a expressão de satisfação do rosto de Malévola – Não vou fazer nada pra você! Não faremos! – afirmou pros irmãos que incentivavam amedrontados.
Então se preparem para ter outra casa queimada – gritou Malévola furiosa fazendo um forte vento arrastar os irmãos trás.
– Pode vim – gritou Prático mas a bruxa já havia sumido.
– Prático...
– Não Cícero, não foi isso que nossa mãe nos ensinou. Essa mulher que venha soprar fogo em nossa casa.
Prático estava determinado a vencer a bruxa que achava que podia o convencer a fazer o que ela queria. Mas riqueza não contava mais que honestidade assim como medo não venceria a seu esforço. Ele manteria sua familia unida, numa casa segura e sem precisar violar seus princípios.
Notas finais
Enfim, espero que tenham gostado e usem e abusem.
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