The Oncer Games
5 O pão
Notas iniciais
Pfvr se vcs lerem comentem pra eu saber o que tão achando e tals?
Thanks e espero que gostem...
Na mansão magestosa da Presidente, que parecia mais um castelo, nos sentamos na longa mesa que ocupava quase toda a enorme sala luxuosa. Assim como as coisas na Capital eram coloridas demais, aqui elas eram alvas demais, tão cristalinas que brilhavam mais que o lustre gigante no teto que dividia a sala ao meio.
Cinna, Nova, Effie e Jefferson se juntaram a nós, assim como a equipe dos outros tributos. Havia uma menina com ar de superiodade, cabelos loiros e vestido brilhante, que deveria ser do Distrito 1, e o casal do 2, que usavam roupas douradas, que estavam olhando para Graham e eu como se quisessem que as chamas de nossas roupas nos carbonizasse.
Depois de todos sentados, entraram os organizadores com suas barbas e cabelos assustadores. E por fim ela, a Presidente Regina que apesar de estar sorrindo e demonstrando real felicidade, tinha algo nela que transmitia escuridão. Talvez o motivo da sua felicidade, a iniciação dos Oncer Games, a morte de vinte e três jovens. Ou talvez fosse só saudade de Henry dizendo que ela era uma bruxa.
- Espero que vocês não nos decepcione e honre seus distritos – falou triunfante.
Lágrimas arderam nos meus olhos, mas as obriguei a voltarem. Estava com raiva porque aquilo não era justo, eu poderia morrer tendo Henry pra cuidar, talvez a mãe de algum daqueles jovens ficasse louca com a morte do filho, tenho certeza que muitos deles ajudam a alimentar sua familia, como Gale. Eu morreria achando isso uma tremenda injustiça.
Percebi que Jefferson a olhava com uma raiva pior que a minha, seu rosto estava ficando ruborizado como se pegasse fogo igual a saia do meu vestido, e logo se mergulhou em seu cantil. Me concentrei no pão que estava em uma bandeja dourada a minha frente, e a voz da Presidente ficou distante. No entanto aquele pão me fez lembrar de Graham e como ele havia me ajudado. Meu pai tinha acabado de morrer, tio Leroy só sabia beber e tudo que Henry e eu tínhamos era derivado do leite da Lady.
Estava chovendo e eu passei de frente a padaria com uma fome desastrosa e o cheiro de pão quente me atacou bem no estômago. Seduzida entrei na padaria disfarçando, havia tanta gente aquela hora que Graham e a mãe pareciam perdidos... Então sem pensar duas vezes, me aproximei da cesta de pão, peguei um enrolado na blusa pra não queimar minha mão e corri.
Esbarrei nas pessoas que tentavam entrar quando passei pela porta, e esse obstáculo foi o que me deu tempo de ouvir a mãe de Graham gritar “PEGA...”, como não ouvi passos atrás de mim, entendi pra quem foi o grito. Eu era mais rápida que qualquer pessoa, mas o lobo cinzento dos Mellark estava no meu calcanhar em poucos segundos. Tentei desviar, derrubar coisas, respingar lama em sua cara mas o animal continuava me perseguindo. Disparei em direção à mata, deslizei entre as árvores porém nada o despistava. Foi quando me distrair para averiguar a distancia entre ele e eu que escorreguei num barranco lamacento. O lobo por sua vez desceu até mim devagar como se estivesse ostentando sua vitória.
Recuei rastejando enquanto o animal se aproximava rosnando e eu via a morte diante dos meus olhos. Encostada entre uma árvore e o animal feroz eu sabia que era o fim. Já podia sentir o bafo do lobo que me analisava como se estudasse qual ponto seria melhor atacar, quando um grito o fez recuar parecendo cachorrinho assustado.
- Fantasma, não – Graham estava ofegante mas o animal ainda obedeceu o seu comando.
Ele desceu a barranco num salto e se pôs entre eu e o lobo, que ainda me olhava feio como se tivesse esperança de receber uma segunda ordem para me atacar.
- Não – Graham falou com firmeza. O lobo abaixou a cabeça, soltou um grunhido de lamentação, deu meia volta, passou a pata na cara, olhou pra Graham e se sentou derrotado, mas obediente.
Graham me encarou encurralada na árvore, com o coração quase saindo pela boca e chorando. Ele olhou para o pão em meu colo e eu o entreguei tremula, mas ele não pegou.
Você é mais que isso, sei que é. Por mais difíceis que as coisas estejam, você pode mais – falou depois de um longo suspiro.
Levantei o olhar devagar, e o vi chamando o lobo para ir embora e me deixando com o pão. Depois desse dia, dessas palavras, foi que comecei a caçar, meu pai me levava pra floresta porque adorava os pássaros, animais e contato com a natureza e ele havia me ensinado a reconhecer raízes, frutos e um pouco de arco e flecha.
E era por isso que eu grata a Graham, ele salvou minha vida e nem sei porquê. Sei que ter gratidão com ele, não iria me fazer voltar pra Henry agora, mas se não fosse por ele Henry estaria aqui comigo indo para o grande abate.
Um esbarrão frio no meu braço, me fez despertar do transe. Olhei e vi uma Avox ruiva, a sala estava cheia deles servindo o jantar. Avox eram traidores capturados pela Capital que tiveram suas línguas cortadas e foram obrigados a servir desde então. Mas algo me soou tão familiar naquela garota, que tive certeza que a conhecia e catuquei minha mente até encontrar a lembrança...
Hansel* e Gretel* tentavam escapar da grande casa mesmo que o cheiro os seduzissem. Hansel mancava e se apoiava em Gretel, que afastava toda hora os cabelos ruivos da sua testa suada. Tudo que eles precisavam fazer era achar a trilha de migalhas de pão e poderiam ir pra casa. Tentavam não fazer nenhum barulho estrondoso pra não atrair animais nem a Bruxa Cega da casa de doces.
De passo em passo eles iam se rastejando, Gretel se meteria na mata, mas com Hansel mancando não seria uma boa ideia, então seguiram a trilha.
Quando as migalhas de pão finalmente surgiram no caminho, ambos se sentiram aliviados. Mas do nada avistaram um enorme lobo cinza, ficaram paralisados assustados mas o lobo nem percebeu a presença de ambos pois estava ocupado catando migalhas de pão. Suas migalhas de pão, o animal estava comendo, dificultando a volta deles para casa, estavam perdidos agora.
- O que fazem aqui? – Perguntou alguém os assustando.
- Na-naaada – gaguejou Gretel ao ver a Rainha parada ao lado deles, o encarando com uma expressão de curiosidade.
- Dois jovens, machucados, sujos e fedidos não podem estar apenas dando uma volta na floresta a noite – falou a Rainha com certa petulância,
Hansel e Gretel se entreolharam, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa a Rainha pareceu entender.
Ela fungou e disse com um sorriso satisfatório: — Sinto cheiro de doce.
Os irmãos então deram meia volta o mais rápido que puderam e correram para a mata, saindo da trilha. Mais uma fumaça roxa bloqueou seu caminho, se materalisando na Rainha.
- Vou levar vocês pra Bruxa Cega e a primeira coisa que ela fará será cortar suas línguas, ela gosta de servir línguas pras visitas – a Rainha gargalhou e avançou na direção deles.
Mas o lobo surgiu novamente, se pondo na frente deles rosnando pra Rainha. E logo um jovem alto, forte, com barba mal feita e cabelo pra cortar, apareceu do mesmo caminho que o lobo. Pelo seu traje os irmãos reconheceram ser um caçador.
- Vão – ele se dirigiu aos irmãos enquanto a Rainha jogava o lobo para longe com sua magia.
- Caçador – disse a rainha erguendo a grossa sobrancelha negra como seus cabelos presos no coque elegante – Eu procurava mesmo você.
Sem pensar duas vezes Gretel arrastou Hansel para longe o mais rápido possível que sua perna permitia.
Notas finais
Enfim, é isso gente, até o próximo Capítulo e continuem orando até sair o próximo kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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