Notas iniciais
Segundo cap da minha tchutchufic õ/
Obrigada vcs que leram e comentaram no cap anterior *o*
Espero que gostem, e se puderem comentem *-*

Assim que acabou o jantar, corri para o vagão onde se localizava o meu quarto. Me joguei na cama e enfim respirei. Meu peito estava pesado e tão apertado que o ar era incapaz de entrar. Arfando comecei a chorar. O trem que nos levava à Capital era confortável e estavelmente ágil, mas ainda assim eu sentia tudo ao redor estremer.

Eu nunca fui de chorar nem de sentir medo. A única vez que chorei foi quando meu pai morreu na explosão da mina, porque fiquei com medo do que aconteceria a mim e a Henry. Pra todos os efeitos tio Leroy cuidava da gente, mesmo que isso não fosse verdade, pelo menos não nos levavam pro lar comunitário. No entento agora eu estava aqui, tremula de medo.

Na verdade não era exatamente medo, era... Era só que Henry e eu já tínhamos perdido muitas coisas na vida, e parecia tão injustamente massacrante perdermos um ao outro. Respirei fundo, e decidi que se eu quisesse voltar para o Henry eu teria que lutar além do que achava que era capaz. E isso era tudo o que eu mais queria.

Olhei a minha volta e me perguntei se era eu mesma que estava com Gale caçando esquilos de manhã... Enquanto eu enxugava as lágrimas me permitir ter um flashback dos últimos acontecimentos.

Do momento em que tive que soltar a mão do Henry para furarem seu dedo e coletar a gota de sangue que garantia que ele estava participando. Passando por meu nome sendo sorteado e em seguida o do Henry – só de lembrar um calafrio percorreu minha espinha.

Depois Graham Mellark se oferecendo no lugar do meu irmão. Obriguei-me a refletir sobre esse momento, como tinha sido estranho.... Graham Mellark já havia devolvido a minha esperança uma vez, e o fez de novo hoje. Graham era filho do padeiro, mas todos o conheciam por viver com um lobo em seu calcanhar. Um animal cinzento, de olhos amarelos, gigantesco e com um ar feroz, porém inofensivo e até um tanto dócil se você não fosse ameaça para ele ou seu dono.

Ao lembrar do lobo eu xinguei Graham mentalmente e me senti aliviada por ter me recordado. Ele dominava lobos então pelo menos não seria comido por um dos Caçadores – como chamavam os lobos que seriam soltos todos os dias para nos devorar. Provavelmente ele não estava sendo caridoso ao se oferecer por Henry. Talvez estava fazendo como os Tributos dos distritos ricos, que se ofereciam por glória própria.

Mais tarde teve a despedida no Palácio da Justiça. Lembrei de como eu gritei com tio Leroy para que cuidasse do Henry, embora achasse que não era sua obrigação. Ele por sua vez chorou e pediu desculpas, se culpou novamente por não ter morrido no lugar do meu pai e prometeu que largaria a bebida e cuidaria do Pequeno Sonhador – como meu pai apelidara Henry. Por fim me abraçou forte desejando boa sorte.

Gale também entrou, com suas poucas palavras e sorriso largo, disse que eu poderia conseguir vencer todos os monstros, me orientou a fazer um arco e prometeu vigiar o tio Leroy e ajuda-lo a cuidar do Henry. Antes de ser expulso pelos Pacificadores, ele segurou firme na minha mão, me olhou nos olhos, e eu juraria que estavam lacrimejando, e pediu “Voce tem que voltar Catnip. Promete que vai tentar Katniss?” Eu assenti e sussurrei um sim, mas os Pacificadores o arrastaram pra fora e bateram a porta.

Por fim, depois de um longo tempo... A porta se abriu novamente, e Henry pulou em cima de mim. Eu o abracei, sentindo seu cheiro de erva doce e sua pele gelada, não queria soltar aquele corpo magrelo nunca mais. Eu não disse nada pois estava com o choro preso na garganta, e chorar poderia assusta-lo. Alguns minutos depois ele me soltou devagarinho. E como quem se lembra de algo urgente, tirou a mochila das costas, que estava com algo pesado dentro. Então me entregou seu livro.

“Leve-o com você Katniss, você vai precisar dele. É a sua chance de quebrar a maldição.” Isso me deu vontade de abraça-lo de novo, pois me lembrou como ele era frágil e inocente, meu Pequeno Sonhador. “Não, é seu Henry, você dorme abraçado com isso... Não posso.” Expliquei tentando controlar a dor na minha voz.

Ele colocou o livro sobre meu colo – era realmente pesado, não sei como aqueles bracinhos magrelos conseguiam carrega-lo praticamente o dia todo – e olhou nos meus olhos, como fazia quando queria me convencer de um capricho. “Quero que fique com ele, por favor. Leve-o com você...”

Acabei concordando e depois de outro longo abraço, o Pacificador abriu a porta. “Ah, proteja-o da bruxa” Henry me alertou antes de a porta se fechar novamente.

Depois disso, tiveram mais câmeras na estação, até embarcarmos no trem, onde vi Graham com os olhos vermelhos como se tivesse chorado. Muito esperto, primeiro se oferece heroicamente no lugar de um garotinho de doze anos e depois se demonstra sentimental na frente das câmeras. Ótima estratégia! Mas novidade bonitão: não vai ter só lobos na Floresta Proibida, e dependendo de qual a área que vão nos mandar, a coisa pode ficar muito feia até pros Tributos mais treinados.

Quando finalmente entramos no trem sob a orientação de Effie – que juro que não consigo saber se é ele ou ela, mas por usar vestidos imagino ser uma mulher, apesar da moda da capital ser bem extravagante e radical.

No jantar Effie nos falou de suas influências, dos patrocinadores e sobre como era importante causar uma boa impressão ao publico. Apesar de seu sotaque e sua risada estridente me irritarem, eu simpatizava com ela, ou ele. Já Jefferson, nosso mentor, o único ganhador vivo do Distrito 12, ficava me encarando com a cara amarrada e olhar observador, e dando goles na bebida de seu cantil. Parecia que era só o que sabia fazer, me entenderia com ele outra hora. Mas não pude deixar de observar, quando ele jogou a cabeça pra trás com o cantil na boca, uma cicatriz que parecia circundar todo o seu pescoço.

De volta ao tempo real, me arrastei pela cama e peguei o livro do Henry, “Once Upon a Time”, minha única conexão com ele agora. Era um livro grosso, de formato retangular, folhas amarelas e puídas e com uma capa marrom e dura que estava se soltando, e que havia me custado um esquilo. Quando os Pacificadores revistaram a mochila velha – porque não podemos levar arma de casa – e tive que implorar pra que me deixassem leva-lo, nesse momento Effie surgira ao meu lado e zombou de como aquela proibição era ridícula. “Não dá pra matar ninguém com um livro, meus queridos” E só assim eles me deixaram trazê-lo, parecia que Effie conseguia qualquer coisa.

Ao pegar o livro, abro-o numa pagina qualquer e leio em voz alta, como Henry fazia:

“Snow White estava sem esperanças, sem salvação... Vendo a rainha lhe tirar o que mais amava. Então se lembrando de como havia prometido sempre encontrar seu amado, um comichão de raiva e valentia deu impulso para que ela se levantasse e fosse a luta. Mesmo que perdesse, ela lutaria. Não poderia desistir sem tentar. E ela sabia que na presença do bem, o mal se enfraqueceria. Onde houvesse luz, a escuridão fugiria...”

Ao acabar de ler isso, eu sorri me sentindo mais segura. Mesmo que fossem só histórias, eu estava grata a Henry por ter me dado esse livro. Pois eu lutaria agora com todas as minhas forças para vencer, para voltar pro meu Pequeno Sonhador. Iria sobreviver por ele, porque ele precisava de mim. Eu sabia que era a sua luz em um mundo entregue as trevas, assim como ele era a minha.

Lavei meu rosto, troquei a roupa e me joguei na cama. Amanhã chegaríamos a Capital, amanhã começariam os jogos, mesmo que demorasse um pouco mais para a abertura oficial.

Notas finais
Explicação esclarecedora: o sotaque da Capital é o jeito do Rump falar u.u psé
E é isso, usem e abusem: comentem, divulguem... E esperem o próximo cap *-*