The Night Belongs To You.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Quinn estava em seu apartamento fazendo café enquanto sua cabeça estava longe. Ela não conseguia parar de pensar nas duas latinas e tudo o que ela tinha feito. É óbvio que estavam bravas com ela e sem dúvidas Maya estaria magoada. Fabray sabia que tinha pisado na bola, mas quem pode julgá-la? Ela entrou em pânico quando Maya a chamou de “mãe”. Quinn sequer estava em relacionamento com Santana e Maya já a via dessa forma.
Ela acordou naquela manhã e mal conseguia pensar no que fazer. Quinn não precisaria trabalhar hoje e não sabia o que faria. Ela iria pedir desculpas para Santana? Ela deixaria tudo pra lá? O que ela poderia fazer? Santana não a perdoaria com facilidade, aliás, elas não estavam namorando, porque precisava tanto assim se justificar? Argh, fala sério Fabray, você deu bolo em uma criança. Uma criança que te chamou de mãe. É óbvio que você precisa se justificar. A loira pensou enquanto tomava seu café em silêncio.
“Quinn?” Uma voz ecoava dentro do apartamento de Fabray fazendo a mesma sair de seu transe. “Quinnie? Ah, você está aí.” Brittany entrava na cozinha sorrindo.
“Hey Britt.” Quinn respondia dando um sorriso de lado. “O que te traz aqui tão cedo? Caiu da cama?”
“Há há.” Brittany revirava os olhos se sentando de frente para Quinn. “Não, eu acordei cedo e estava sem o que fazer e então resolvi vir visitar minha melhor amiga.” Pierce sorriu roubando a xícara de café de Quinn. “E então, por que você está com essa cara de insuportável?” A dançarina perguntou fazendo Quinn arquear sua sobrancelha.
“Obrigada pelo insuportável.” Fabray sorriu. “Enfim, eu acho que fiz uma das piores burradas do mundo, B.” Quinn respirava fundo, mordendo o canto de seus lábios.
“Mm, ok, estou ouvindo.” Brittany falava suavemente.
“Você sabe, faz duas semanas que estou saindo com Santana. Algumas vezes ela dorme aqui ou eu durmo no apartamento dela.” Quinn pausou. “Na verdade, esses últimos dias passei maior parte do tempo no apartamento dela com ela e Maya e bom, ontem de manhã eu prometi que levaria Maya para jantar em um lugar diferente, porque ela queria comer cachorro-quente, mas ela não pode.” Brittany ouvia atentamente. “Então eu prometi que a levaria para comer algo muito melhor e que ela ia adorar e. –”.
“E o que você fez?” Brittany arqueava sua sobrancelha interrompendo Quinn.
“Como eu estava dizendo.” Fabray respirou fundo. “Eu disse a Maya que sem dúvidas ela ia amar e então ocorreu um pequeno problema com ela não querer ir para a day care, porque sempre que Santana a leva cedo demais, ela acaba ficando sozinha e como eu sairia mais tarde, disse que a levaria.”
“Mhm, to ouvindo.” A dançarina tomava outro gole de café.
“Enfim, resumindo, quando a deixei na porta da day-care, ela.” Quinn pausou olhando para o nada.
“Ela o que? Te chutou? Te bateu? Te xingou?” Brittany olhava atenta para sua amiga.
“Não, ela me chamou de mãe, Brittany.”
“Oh.” Brittany falou, ficando as duas em silêncio por alguns segundos.
“Eu enlouqueci. Eu surtei.” Quinn colocava as mãos em seu rosto. “E fiz a uma idiotice.”
“O que? Você bateu nela?” Brittany praticamente gritou fazendo Quinn revirar os olhos.
“Céus Brittany, é claro que não, ninguém bateu em ninguém.” Fabray respirava fundo. “O que aconteceu foi que acabei não saindo com elas para jantar. Santana me ligou o dia inteiro, me mandou mensagem para saber se estava tudo bem e se eu levaria mesmo Maya para jantar, mas eu a ignorei e acabei não indo jantar com elas.” A voz de Quinn era baixa. “E Santana me mandou depois uma mensagem de voz que me fez arrepender amargamente por ter feito isso não só com ela, mas com a Maya. Céus, aquela garotinha é um amor, eu não deveria ter feito isso.”
“Quinn!” Brittany gritou fazendo sua amiga assustar. “Eu não acredito que você fez isso. Por que raios você deu o cano justo em uma criança?” A dançarina balançava a cabeça negativamente.
“Eu sei, eu sei.” Fabray fechava seus olhos por alguns segundo. Quinn se sentia culpada. Seu coração estava apertado só de imaginar o quão decepcionada Maya deveria estar. “O que eu faço?”
Assim que Quinn fez sua pergunta, Brittany revirou os olhos. A dançarina conhecia muito bem sua melhor amiga. Ela sabia que Quinn tinha seus problemas para se relacionar, mas Santana demonstra ser ótima para Quinn e Brittany não entendia o porquê de Fabray continua negando que gosta da latina, ou que está na hora de se abrir para alguém. Brittany podia não entender, mas imaginava o porquê.
Fabray sempre foi muito dedicada ao seu trabalho. Sempre demonstra fazer tudo com muita paixão, principalmente quando o assunto eram as crianças, Quinn sempre se preocupou com elas e desde quando perdeu sua irmã, Cassie, aos 10 anos, prometeu para a mesma que não deixaria mais nenhuma criança ir embora sem os cuidados necessários. Cassie e Quinn sempre foram melhores amigas e a diferença de idade era de apenas um ano. Quinn nunca contou como ou o porquê que Cassie faleceu, mas Brittany sabia que isso até hoje mexia com sua amiga.
No entanto, com a promessa que Quinn fez a sua irmã, a mesma nunca deixou de recusar um trabalho. Se for para ajudar crianças, Quinn ia sem hesitar e há um mês, Fabray tinha achado a oportunidade perfeita para crescer. A mesma se candidatou para ajudar crianças carentes na Florida. Acredite ou não, lá existem crianças que precisam de voluntários e Quinn não fazia seu trabalho pelo dinheiro em si e sim pelo amor que ela tinha pela sua profissão.
“Eu não posso me relacionar com ninguém, B.” Quinn olhava para sua melhor amiga. “Você sabe que se eu for chamada pra ir embora para a Florida, eu vou, porque eu esperei muito por essa oportunidade e ela chegou. Tudo bem que não me chamaram ainda e não sei se vão, mas Britt, e se chamarem? Eu não posso me abrir para Santana, eu não posso me relacionar e deixar alguém entrar, principalmente alguém que tem uma filha que por sinal é muito adorável e ugh!” Quinn batia a palma de sua mão em sua própria testa se sentindo frustrada.
“Quinn, isso já tem o que? Um ou dois meses, você vai deixar de ser feliz, de viver sua vida a espera de algo que sequer te deram um sinal, ou uma resposta?” Brittany tomava outro gole de seu café. “Quem garante que eles vão chamar ainda? Eu sei que você ficou super frustrada por não terem te dado um sinal, mas Q. Você precisa viver. Você precisa deixar alguém entrar e eu tenho certeza que Santana está disposta a isso e Maya...” Brittany pausou. “Maya com certeza te ama, e acho que a prova disso foi ela ter te chamado de mãe, porque é exatamente assim que ela te vê. Você está sempre na casa dela, sempre com elas é claro que ela te veria como uma segunda mãe, Q, você não tinha que ter ficado doida por causa disso, a garotinha só estava expressando o quão feliz ela estava por ter você sempre perto dela e de Santana.” A dançarina terminava de falar e Quinn ficou em silêncio enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
“Wow, obrigada Brittany, agora eu me sinto muito melhor.” Fabray respondeu mordendo seu lábio inferior.
“Não Q, eu estou te falando à realidade. Se você ficar aí sentada esperando que alguém da Florida te dê algum sinal, você nunca vai poder aproveitar e ser feliz. Você tem duas pessoas lá fora que claramente te amam. Bom pelo menos a Maya, já a Santana eu não sei. Enfim, você precisa parar com isso, ok? Senão você vai perder o combo maravilhoso que apareceu na sua vida.” Brittany sorria. “Uma latina gostosa, sexy e divertida com uma filha adorável? Quinnie, por favor, né? Quer um combo melhor do que esse?” A dançarina brincava fazendo Quinn sorrir pela primeira vez.
Talvez Brittany tenha razão. Quinn não devia se prender com seu suposto trabalho na Florida. Ele nem sequer chegou e sabe Deus se ela seria chamada. Isso poderia ser o seu maior sonho, mas a chances dela conseguir eram de uma em um milhão, já que existiam vários candidatos para poucas vagas. Já fazia mais de um mês que Quinn tinha mandado os seus dados para a vaga e até hoje ninguém disse nada e de repente, Santana e Maya apareceram em sua vida. Talvez isso seja um sinal. Um sinal bom que ela precisava viver sua vida e não só se preocupar com seu trabalho.
Pela primeira vez, Quinn deveria se dar uma chance, certo? Cassie ficaria feliz ao ver que sua irmã estava tentando ser feliz e deixando alguém entrar em sua vida pela primeira vez. Droga, o que foi que eu fiz?
“O que eu faço, Brittany?” Quinn fazia um bico suave olhando para Brittany que agora começava a sorrir maliciosamente.
“Eu tenho uma ótima ideia.” A dançarina arqueava sua sobrancelha.
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“Mamá, eu não aguento mais comer.” Maya encostava-se à cadeira depois de comer dois muffins de chocolate e tomado um suco de laranja. “Acho que vou explodir” A pequena latina fechava seus olhos enquanto Santana e Rachel começavam a rir.
“Você não vai explodir, munchkin, vai ficar tudo bem” Santana passava a mão na testa de Maya, tirando a franja da pequena do lugar.
“E então, Rach.” Santana mordia seu panini enquanto conversava com Rachel. As duas amigas decidiram de última hora em irem tomar um delicioso café na lanchonete da Ellie. Depois da noite a espera de Quinn, Santana precisava tirar a médica de sua cabeça e nada melhor do que sair com sua melhor amiga. “Como estão às coisas entre você e Mike?” A latina perguntou e percebeu que sua amiga deu de ombros antes de responder.
“Um saco.” Rachel revirava os olhos. “Eu estou meio cansada, a gente anda brigando demais nesses últimos dias, porque ele reclama que eu fico demais nos meus ensaios, como se eu pudesse fazer algo sobre isso.”
“Céus, homem é tudo igual. Carente demais. Ugh!” Santana fazia careta fazendo Maya rir. “Mas sério, você não tem culpa se precisa ficar trabalhando até tarde. Mike anda meio paranoico, e na boa hobbit, eu ainda acho que vocês dois não fazem um bom casal.” Rachel arqueava sua sobrancelha. “Eu amo vocês, de coração, mas juntos? Rach, você precisa de alguém que saiba cuidar de você. Alguém que te entenda, porque meu Deus, você é muito complicada e mais do que nunca, alguém que tenha paciência e aprenda a lidar com você.”
“Wow, isso foi um elogio? Porque sinceramen. – “
“Não, eu não quis te ofender.” Santana interrompeu. “O que eu estou querendo dizer, Rach, é que você é uma garota diferente e especial, nem todos entendem o seu lado, não estou dizendo que você é insuportável, eu estou dizendo que você é especial e tem o seu próprio mundo que por sinal eu sou muito feliz de fazer parte dele e é disso que você precisa, Rachel, de alguém que saiba como entrar no seu mundo e que te faça feliz vivendo junto com você e não tentando te tirar do seu mundo das maravilhas.” Rachel sorria ao ouvir as palavras de Santana. A morena nunca tinha ouvido a latina falar desse jeito. “Mike é um ótimo amigo, mas como seu namorado.” A latina pausou. “Me desculpe, short, mas não acho que ele seja ótimo.” Assim que Santana terminou de falar, as palavras da mesma deixou Rachel um tanto pensativa em sua própria bolha. “E nada me tira da cabeça que você é lésbica.” E assim, o momento adorável de Santana tinha acabado.
“E assim se vai a adorável Santana.” Rachel começava a rir. “Nem todo mundo é gay, Santana. Falando nisso.” A morena pausava. “Mm, alguma notícia da... Mm, você sabe.” Rachel queria saber de Quinn, mas não tinha certeza se era seguro dizer o nome da médica na frente de Maya. Santana poderia não gostar disso.
E Santana pareceu realmente não ter gostado do fato de Rachel ter tocado nesse assunto. A latina olhou para Maya que continuava encostada na cadeira passando a mão em sua barriga, mas estava com os seus olhinhos bem atentos no assunto das duas adultas na mesa. Santana não queria que Maya se lembrasse de Quinn. Pelo menos não agora.
“Não.” A latina respondeu. “E não pretendo ter notícias tão cedo.” Santana arqueava sua sobrancelha voltando tomar seu café.
O que Quinn tinha feito com Maya, tinha decepcionado a latina. Ela não esperava esse tipo de coisa vindo da médica. Santana sempre acreditou que Quinn fosse diferente, mas depois da noite passada, Fabray provou que talvez poderia ser como qualquer outra pessoa.
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“Você acha mesmo que isso vai dar certo, Brittany?” Quinn perguntava após ouvir a ideia de sua melhor amiga.
“Claro que vai. Confia em mim.” Brittany sorria empolgada.
“Não acha que isso seria demais?” A médica franzia o cenho.
“Quinn, você gosta da Santana. Isso é nítido e não adianta você querer esconder isso de mim, porque eu sou sua melhor amiga e te conheço como a palma da minha mão.” Brittany gesticulava enquanto falava. “Eu só acho que você precisa se permitir sentir isso, Quinn, porque eu sei que vai muito além de um simples gostar.” A dançarina sorria enquanto Quinn encarava sua xícara por alguns segundos.
Brittany tinha razão. O que Quinn sentia por Santana, ia muito além do que um simples gostar. Do que uma simples paixão. Quinn precisava parar de se preocupar com o seu suposto trabalho na Florida que nunca aconteceu e por visto, nunca aconteceria. Ela não podia deixar de ser feliz a espera de algo que nunca foi certeza, Santana e Maya sim, elas eram certeza e só dependia de Quinn para tê-las definitivamente em sua vida ou não.
“Está certo, mas eu acho que vou precisar de ajuda.” A médica sorriu de canto indo pegar seu celular.
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“Tchau, lovebug, nós vemos mais tarde, está bem?” Rachel depositava um beijo na bochecha de Maya, enquanto se despedia das duas latinas antes de ir ensaiar.
“Tchau tia Rach!” A pequena respondeu acenando.
“Adiós, chica.” Santana piscava para Rachel, enquanto a mesma saia da lanchonete deixando mãe e filha sozinhas.
Enquanto Rachel caminhava pela rua, a morena começou a sentir seu celular vibrar em seu bolso. Assim que ela olhou para seu block screen, viu que era um número desconhecido, mas mesmo assim, resolveu atender.
“Alô?” A morena dizia baixo prestando atenção onde andava.
“Rachel? Mm, é a Quinn.” A loira dizia fazendo Rachel franzia o cenho.
“Quinn? Como você?” Rachel arqueava sua sobrancelha. “Desculpa, não querendo ser rude, mas, como você conseguiu meu número?”
“Mmm, Santana me passou seu número há dois dias atrás quando precisei ficar com Maya?” Quinn fazia a pergunta mais para si mesma do que para Rachel. “Ela disse que se caso eu precisasse de alguma coisa, era só te ligar. Enfim, eu sei que isso foi só naquele dia, mas.” Quinn pausou fazendo a ficha de Rachel cair. Por que raios ela estava falando com a Quinn? A médica machucou sua melhor amiga e pior, machucou sua afilhada.
“O que você quer, Quinn?” Rachel falava com o seu tom de voz firme.
“Olha, você como melhor amiga da Santana já deve estar sabendo o que aconteceu. Eu quero que você saiba que eu me arrependo amargamente pelo o que fiz e se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria, mas. –“
“Você não pode.” Rachel interrompeu.
“Sim, eu não posso.” Quinn respirava fundo. “Mas eu gosto delas, Rachel, eu realmente gosto. Na verdade, eu amo as duas. Eu realmente amo a Maya e.” A loira pausou e Rachel esperava ansiosa para ouvir o resto da frase. “E eu... mmm, eu gosto da Santana e verdade, e só me dei conta disso agora, depois de Brittany ter me feito abrir meus.”
“Ok?” A morena ainda não estava entendendo o porquê de Quinn estar ligando para ela, mas agora tudo parecia bem interessante. “E você me ligou porque...”
“Porque eu preciso da sua ajuda.” Quinn falou respirando fundo torcendo para que Rachel pudesse ajudá-la.
“Ok estou ouvindo.” A morena respondendo ouvindo atentamente o que Quinn começava a falar.
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Já tinham se passado algumas horas desde quando Maya e Santana tinham chegado do café. A latina ainda estava preocupada com sua filha por ter levado um bolo de Quinn na noite passada. Santana achou que quando Maya acordasse, sua primeira pergunta seria onde estava Quinn, mas ao contrário disso, a pequena acordou calada.
Maya naquela manhã acordou sem saber o que estava fazendo na cama de sua mãe. Ela se lembrava de que estava assistindo desenho e depois não se lembrava de mais nada. A pequena não sabia ao certo se Quinn estava lá ou não, então Maya se levantou da cama calada procurando por algum sinal de que talvez Quinn estivesse em sua casa, mas tudo o que a garotinha encontrou, foi sua mãe sozinha fazendo café na cozinha.
Santana estava preocupada. Ela queria saber o que se passava pela cabeça de Maya, mas não estava com coragem para perguntar. Talvez fosse melhor se a pequena esquecesse o que aconteceu na noite passada e pudesse se divertir somente com sua mãe o dia inteiro, mas nem tudo duraria para sempre.
Maya estava terminando seu banho quando Santana voltava do quarto segurando a toalha de sua filha. A latina desligou o chuveiro, enrolando a toalha em volta do corpo da pequena a pegando no colo e a levando para cima de sua cama.
“Mamá?” A voz de Maya quebrava o silêncio entre elas. “Cadê a Quinn?” Assim que Maya citou o nome da médica, Santana foi pega de surpresa. No mesmo segundo a latina respirou fundo, sem parar de secar o corpo molhado de sua filha. “Ela não veio hoje.” Maya passava a mão em seu cabelo, tirando o mesmo de suas bochechas. “Por que?” Santana terminava de secar o corpinho de Maya, começando vestir a roupa na mesma enquanto pensava em uma resposta decente.
“Mm, eu não sei mijá, eu acho que ela está ocupada no hospital.” Santana respondeu colocando uma blusinha de manga cumprida em Maya.
“Mas ela não vem?” A garotinha ainda insistia. Ela não sabia o que significava “levar um bolo”, mas ela não parecia se importar. Pelo menos, naquele momento, Maya parecia bem e apenas curiosa.
“Não, mijá, ela não vem.” Santana agora terminava de vestir, Maya, colocando-a sentada na cama para secar seu cabelo.
“Por que?” Maya perguntou enquanto Santana a colocava em seu colo, começando a pentear o cabelo escuro da filha.
“Eu não sei, Maya.” A latina responder firme, com o seu tom de voz sério. Ela não estava querendo falar sobre isso. Santana sequer sabia como explicar algo assim sem que Maya se magoasse.
“Mas, ela é sua namorada e você gosta dela. Ela tem que vir aqui hoje.” Maya passava a mão em sua franja, olhando para frente. O modo como à pequena referiu-se a Quinn, fez os estomago da latina revirar.
“Maya, ela não é minha namorada e ela não tem que ficar vindo aqui todos os dias.” Santana rebateu dessa vez perdendo um pouco de paciência.
“Ah.” A pequena respondeu e Santana pode notar o tom de tristeza na voz de sua filha.
“Olha,” A latina ajeitava Maya em seu colo, colocando-a de frente para ela. “Eu e Quinn não estamos namorando, mijá e ela não tem obrigação alguma de ficar vindo aqui.” Santana sorriu tentando ficar mais calma, mas pela expressão de Maya, ela percebeu que sua filha não tinha gostado do que tinha acabado de ouvir.
“Yo, sexy mamá.” Antes que Maya pudesse responder, a voz de Puck ecoava no apartamento.
“Estamos aqui.” Santana gritou de seu quarto e em menos de um minuto, Puck abria a porta encontrando suas duas latinas favoritas sentadas na cama.
“Tio Puck!” Maya gritou pulando do colo de sua mãe e correndo para os braços do seu padrinho. “Grrrr.” Ela imitava um dinossauro mostrando seus dentes, fazendo Puck rir.
“Grrr” Puck fazia o mesmo. “Minha babysaurs.” Ele depositava um beijo na testa de Maya. “E aí, tudo bem? Eu vim buscar vocês pra gente ir dar uma volta.” Puck sorria empolgado olhando de Maya para Santana.
Maya assim que ouviu Puck dizer que tinha indo buscá-las para passear. A pequena abriu um sorriso enorme, juntando suas mãos e olhando para Santana.
“Buscar pra irmos onde?” A latina perguntava enquanto tirava a toalha molhada de Maya de sua cama. “Eu não sei se estou muito a fim de sair hoje, Puckerman.”
“Qual é, Tana, eu vim convidar vocês pra irmos tomar um sorvete.” Puck ainda segurava Maya que ao ouvir a palavra “sorvete” desceu do colo de seu padrinho, indo abraçar os joelhos de sua mãe.
“Mamá, por favor, vamos, vamos? É sorvete.” A pequena praticamente pulava nas pernas de Santana, fazendo a mesma olhar para sua filha e depois para Puck.
“Qualquer dia eu juro que eu te mato.” A latina respondeu revirando os olhos. “Está bem, está bem. Nós vamos.”
“Eba!” Maya gritou levantando seus braços ao comemorar. “Nós vamos tomar sorvete!” A pequena voltou correndo para os braços de Puck.
“Só me da um minuto, eu acabei de tomar banho e estou de pijama.” Santana se virava para tirar sua blusinha, mas parou assim que percebeu os olhos de Puck em cima dela. “Então, Puck, eu preciso me trocar.” A latina falou.
“Ah é, claro, é. To saindo!” Ele gritou se virando com Maya para saírem do quarto.
Santana se trocava pensando no quão bom isso faria para ela esquecer o que tinha acontecido na noite passada. Aliás, não só para ela, mas também para Maya que sem dúvidas estava com uma pequena batalha em sua mente por não estar entendendo o que estava acontecendo entre sua mãe e Quinn. Para Maya, Santana e Quinn estavam namorando e a pequena já podia até mesmo considerar a médica como sua segunda mãe, mas as coisas estavam cada vez mais complicadas. Ela não entendia o porquê Quinn não estar em sua casa naquele momento e nem com sua mãe. Maya não entendia o porquê Quinn não ter aparecido na noite passada para levá-la para sair. A cabeça da pequena estava confusa e Santana sabia que Puck tinha chegado a uma boa hora.
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Puck, Santana e Maya fizeram seu caminho até a lanchonete de Ellie. Eles sempre frequentavam aquele lugar. Ellie era o lugar onde você podia tomar café, almoçar, comer sobremesa. Ela definitivamente era o melhor lugar de NY.
Maya tomava seu sorvete de creme com calda de cereja, enquanto Santana e Puck comiam cada um, sorvete de morango e menta. Os dois tinham um gosto diferente para combinação de sorvetes.
“E então lezbro.” Puck começava a falar, mas logo Santana levantou o dedo fazendo-o parar.
“Quantas vezes eu vou ter que te falar pra não me chamar assim na frente da minha filha?” Santana revirar os olhos sorrindo de canto. “Céus Puckerman, ela vai ficar traumatizada.” A latina sorria dando uma colherada em seu sorvete.
“Opa, desculpa bro*.” Puck disfarçava olhando para Maya que continuava concentrada em não derrubar seu sorvete em sua roupa. “Enfim, como vocês estão? Alguma notícia da Qui.-“
“Não.” Santana sabia o que Puck ia dizer e antes que ele citasse o nome da médica, a latina o interrompeu. “Nós estamos bem, não é como se eu ficasse esperando por algo, entende? Não temos nada sério e ela não tem obrigação de fazer nada por mim ou pela minha filha. A única coisa que me deixou irritada, foi o fato de não ter um pingo de consideração pra avisar que não viria.” A latina pausou olhando para o seu sorvete. “Não é comigo que ela tinha que se preocupar, Puck, era com a minha filha. Podia ter tido consideração por ela. Mesmo que não esteja se importando comigo, pelo menos se importe com a Maya, porque ela gosta da Q.” Santana sussurrava ao falar o nome de Quinn ao terminar de falar.
“Verdade, bro, eu também acho. Ninguém machuca minha Mayasaurs.” Puck assentia com a cabeça olhando para Maya que continuava concentrada em pegar os pedaços de chocolates dentro de seu sorvete. “Mas não sei né, sexy, vocês estão ficando a um bom tempo, não tá rolando nada sério mesmo?” Puck perguntava olhando Santana que agora disfarçava.
“Mm.”
“Vamos, bro. Sabe que comigo você pode desabafar. Bota pra fora.”
“Eu não sei, Puck. Ela é ótima, inteligente, carinhosa, encantadora, super, hiper boa em qualquer ocasião.” A latina sorriu maliciosamente e Puck assentiu. “Eu gosto dela, Puck, eu realmente gosto. Eu realmente me apaixonei, mas é difícil admitir isso quando eu vejo que do lado dela não é a mesma coisa, entende?” Santana mordia o canto de seus lábios. “Eu não vejo ela me dando uma brecha sequer me mostrando que sente o mesmo, ou que está pronta pra oficializar. Ela parece que sabe quando eu quero tocar no assunto e corre.”
“Mas você tem certeza? Às vezes ela tá assustada, San. Sei lá, ela tá se relacionando com uma mulher que já tem uma filha. Isso assustaria qualquer homem.” Puck falou e Santana arqueou uma sobrancelha.
“Só que ela é mulher, Puckerman, e exatamente por ela ser uma mulher, eu imaginei que fosse diferente. Há quatro anos não me relaciono com ninguém tão sério assim e quando finalmente acho a pessoa que aparentemente é a certa pra mim, ela corre.” Santana desviava seu olhar para observar Maya. “Ela se deu bem com Maya, ela se deu bem até com a Rachel. Eu estou apaixonada por ela, Puck, mas eu não sei se ela está no mesmo caminho que eu.” A latina mordia o canto de seus lábios e sorriu assim que Maya a olhou.
“Você precisa esperar, eu tenho certeza que ela deve ter uma boa explicação pra te dar. Não to dizendo que to do lado dela, mas quero que você seja feliz, Tana e obviamente se ela se tornar o amor da sua vida, vai te fazer feliz.” Puck sorria piscando para Santana.
Santana ficou pensativa. Ela nunca tinha dito nada disso em voz alta e ao falar, tudo era real. Sim, Santana estava apaixonada por Quinn, mas será que Quinn estava apaixonada por ela? A latina queria conversar com a médica sobre ambas oficializarem o que tinham, mas Quinn nunca deu espaço para Santana sequer dizer ou mostrar para a médica o que ela realmente queria. As duas pareciam estar apenas se divertindo. Pareciam estar naquela fase de amigas com benefícios que não passava e nenhuma das duas tomava passo algum.
Desde o começo Quinn dizia que não podia se relacionar com mães de suas pacientes, mas isso foi antes de Santana conseguir tirá-la desse pensamento, agora que elas estavam finalmente tendo algo, Quinn continuava freando a latina.
A cabeça de Santana girava, ela estava decepcionada com Quinn e chateada. Nem mesmo no dia seguinte a médica deu notícias. Quinn simplesmente desapareceu.
Os três ficaram um bom tempo na Ellie. Maya não aguentou tomar todo o seu sorvete e enquanto Puck contava da nova garota que ele arrumou, Maya estava sentada no colo de sua mãe, com a cabeça encostada no peito da mesma, quase dormindo.
Enquanto Puck e Santana conversavam, Puck não parava de checar seu celular. Era como se ele estivesse esperando por algum telefonema e depois de alguns minutos a latina sem dúvidas reparou.
“Puck, sério, você está esperando alguma ligação?” Santana passava seus braços em volta da cintura de Maya. “Você não para de checar esse celular, tá me dando raiva já.”
“Relaxa, bro. Só to checando as horas, nada demais.” Assim que Puck respondeu, seu celular apitou e imediatamente ele o pegou olhando para tela e colocando o aparelho dentro de seu bolso. “Mm, San, eu acho que a Maya está cansada, melhor eu levar vocês de volta.” Ele sorria simpático, mas Santana o encarava com os olhos semicerrados.
Alguma coisa ele está me escondendo. Santana pensou antes de assentir e se levantar ajeitando Maya em seu colo.
Os três saíram logo que se despediram de Ellie. Santana colocou Maya sentada no banco de trás do carro de Puck, prendendo o cinto na pequena e se sentando no banco da frente. Assim que Puck fazia seu caminho de volta ao apartamento da latina, Santana percebeu que o mesmo tinha um sorriso no canto dos lábios.
“Ok Noah Puckerman, você está muito estranho com esse sorriso no rosto.” Santana apontava com o dedo fazendo uma careta.
“O que?” Puck se virava olhando Santana pelo canto dos olhos. “Ah, é só que aquela garota que te falei, ela me mandou mensagem querendo me ver hoje.”
“Mmm.” Santana respondeu, mas ainda não estava muito convencida. Ela sabia que Puck estava escondendo alguma coisa, ela só não sabia ainda o que era, mas iria descobrir.
Em alguns minutos, Puck estacionava em frente ao prédio onde Santana morava. Os dois fizeram questão de manter Maya acordada rindo e brincando com ela. Santana não queria que sua filha dormisse agora ou então, ela não conseguiria esperar o jantar para dormir.
Santana saiu do carro dando um beijo na bochecha de seu melhor amigo antes de pegar sua filha. Maya estava segurando a mão de Santana enquanto acenava de longe para Puck.
As duas entraram no elevador e Maya ficava na ponta dos pés para tentar alcançar o número 5 de seu andar. Era difícil já que os botões eram pouco altos para ela e Santana quem acabou apertando.
“Queria que Quinn estivesse ido tomar sorvete.” Maya falava sem olhar para Santana. “Ela ia gostar de tomar sorvete de creme comigo.” A pequena desviava seus olhos de sua mãe.
Santana sabia que Maya já estava apegada a médica e seu maior medo era ver sua filha magoada.
As duas saíram do elevador em silêncio, Santana não disse nada com o comentário de Maya. A latina preferiu não responder, ela estava tão confusa que sequer sabia o que fazer ou o que responder.
Assim que Santana abriu a porta de seu apartamento, ela logo podia sentir um cheiro muito bom. Um cheiro de comida que ela não se lembrava de ter sentido antes de sair de casa, afinal, ela não tinha feito nada antes de sair de casa. Mas que raio de cheiro é esse? A latina pensou fechando sua porta de vagar. Maya queria correr para o quarto, mas Santana segurou a mão da pequena levando-a junto com ela para a cozinha.
Logo que Santana e Maya entraram na cozinha, a latina parou. Sua expressão de repente se tornou protetora. Ela segurava firme a mão de Maya enquanto encarava a pessoa que estava logo a sua frente.
“Quinn!” Maya gritou sorrindo de orelha a orelha e antes que Santana pudesse segurá-la, a pequena saiu correndo pulando nos braços de Quinn que abriu os braços pegando Maya no colo.
“Hey, M.” Quinn depositava um beijo na bochecha de Maya.
“Que bom que você veio hoje. Eu achei que você não ia mais voltar.” Maya sorria colocando suas mãos nos cabelos de Quinn.
“Sobre isso.” Quinn começava a falar sorrindo. “Mm, eu queria me desculpar por não ter vindo te buscar ontem à noite para sairmos.” A médica falava com a voz suave enquanto Maya prestava atenção. Quinn não olhava para Santana que continuava parada na porta olhando para as duas a sua frente. “Me desculpe, está bem? Eu não tive intenção de te deixar esperando e muito menos de te magoar. Você é incrível, Maya e eu fui uma boba pelo o que fiz. Me desculpa.” A médica terminava de falar e Maya estava sorrindo.
“Tudo bem, Q, você tá aqui agora.” A pequena passava seus braços em volta da nuca de Quinn, abraçando a médica e pela primeira vez, Quinn encontrou o olhar de Santana que continuava sério.
“Olha, como sua médica eu falei que você não podia comer cachorro-quente, certo?” Quinn perguntou e Maya assentiu. “Pois bem, eu sei que cachorro-quente é seu favorito e lembrei que você pode comer, mas com um recheio diferente, está bem? Nada de corante e por isso que fiz um cachorro-quente delicioso pra você com salsicha de frango.” A loira sorria enquanto Maya olhava curiosa. “É uma delícia e muito mais saudável pra você, M.”.
“Eu quero!” A pequena falava animada, mas antes que as duas pudessem fazer qualquer outra coisa, Santana pela primeira vez resolveu falar.
“Maya, vai para o seu quarto.” A latina falava usando um tom sério.
“Mas mamá, Quinn fez cachorro-quente e eu. –“
“Maya!” Santana a repreendia. “Eu preciso conversar com a Quinn. Vai para o seu quarto.” Antes que a pequena pudesse protestar Quinn a colocou no chão e Maya saiu emburrada da cozinha indo para o quarto e Santana pode ouvir a porta batendo. A latina odiava quando Maya batia a porta do quarto, mas sua prioridade não era isso agora. Quinn estava a sua frente e ela queria saber o que a médica estava fazendo ali. “O que você está fazendo aqui?” Santana era direta. “Como você entrou?”
“Rachel me ajudou.” Quinn respondia com a voz baixa. “Ela e Puck me ajudaram a entrar aqui e enquanto vocês saíam eu fiz um jantar para nós três.” Santana arqueava uma sobrancelha. Era isso que Puck estava me escondendo.
“E o que você quer?” Santana continuava parada na porta e agora Quinn se aproximava.
“Eu quero me desculpar.” A médica estava a um passo de distancia de Santana. “Olha San, me desculpe, eu sei que eu não devia ter feito aquilo ontem, eu devia ter avisado vocês que eu não viria ao invés de ter simplesmente desaparecido e. – “
“E ignorado minhas mensagens e minhas ligações.” Santana interrompeu fazendo Quinn se sentir ainda pior. A médica sabia que quando essa hora chegasse, ela precisaria ter força e deixar seu orgulho de lado se quisesse o perdão de Santana.
“Sim.” Quinn respondeu com a voz baixa. “Me desculpa, San, eu não tinha intenção de magoar nenhuma de vocês, principalmente a Maya.”
“Sério? Porque ontem pareceu que você não estava nem um pouco preocupada com isso.” Santana rebatia totalmente na defensiva, mas Quinn não a culpava. A médica sabia que estava merecendo.
“Eu. – “ Quinn mordia o canto de seus lábios.
“O que aconteceu?”
Assim que Santana perguntou, Quinn desviou seu olhar, ela não sabia se deveria falar que Maya a chamou de mãe. A médica não sabia se isso pioraria a situação ou não, mas ela não estava a fim de arriscar. Ela não podia arriscar.
“Quinn?” A latina falava impaciente.
“Eu... Mm, eu entrei em pânico, Santana.” A médica respondia olhando nos olhos da latina e pode reparar que Santana agora estava sem entender.
“Pânico? Por que você entrou em pânico, Quinn? Eu fiz algo errado? Porque eu sinceramente não me lembro de ter feito nada que te deixasse assustada.” A latina gesticulava se segurando para manter seu tom de voz normal.
“Não, San, você não fez nada de errado, é só que. – “
“É só que o que Quinn?” Santana perguntava já um tanto impaciente, mas Quinn ficou em silêncio fazendo Santana rir baixo ironicamente. “Sabe, eu jurava que você fosse diferente. Porque depois de anos sem me relacionar com ninguém, você apareceu. Você pareceu ser incrível não só comigo, mas com a minha filha também. Eu juro que não esperava uma atitude assim, podem falar que é exagero da minha parte ficar tão chateada com o que aconteceu, mas não é só por mim que eu estou assim, é por Maya também. Eu não quero que minha filha se machuque. Não quero que ela fique com esperanças de que você vai aparecer e acabar não aparecendo.”
“Santana, eu. – “
“Não, Quinn, eu realmente gosto de você. Eu gosto muito mesmo e todas as vezes que penso em oficializar o que temos você corre. Então você precisa me dizer o que estamos fazendo aqui porque eu sinceramente não estou entendendo.” Santana terminava de falar e seu olhar encontrava os olhos esverdeados de Quinn que continuou em silêncio.
Quinn queria dar outro passo, ela sabia que devia fazer isso. Quinn sabia que não devia colocar seu trabalho em primeiro lugar. Ela tinha tomado coragem de fazer algo grande essa noite, mas agora que Santana estava a sua frente, ela não conseguia. As palavras certas não saiam. Quinn também gostava da latina e ela gostava muito, mas ela não sabia como colocar isso pra fora. Seu medo de se relacionar a prendia puxando-a para trás. Seu trabalho e sua esperança de ainda ser chamada para ir a Florida ainda continuava em sua cabeça. Será que valia a pena deixar tudo pra lá?
“Maya me chamou de mãe.” Depois de alguns segundos em silêncio a médica finalmente contou, fazendo Santana parar. “Quando eu deixei ela na day care ontem de manhã ela me abraçou e me chamou de mãe. Eu entrei em pânico, Santana, eu não sabia que ela me via dessa forma, aliás, eu sequer sabia que ela via nosso relacionamento dessa forma a ponto de achar que eu poderia ser uma segunda mãe pra ela.” Quinn respirava fundo percebendo que Santana estava surpresa. “Eu gosto de vocês, Santana. Eu gosto muito de você, e ao contrário de você, eu não namoro tem muito mais de quatro anos. Eu não entro em um relacionamento há muito tempo, porque tudo o que eu faço é trabalhar e estudar. Me dedico ao meu trabalho a todo tempo e sempre foi assim antes de você chegar. Eu não me relaciono, porque meu trabalho sempre esteve em primeiro lugar e eu nunca soube colocar uma pessoa em primeiro lugar, Santana e quando Maya me chamou de mãe eu entrei em pânico, porque você conseguiu me tirar da minha bolha onde eu só estudava e trabalhava, pra me trazer até aqui e só realizei isso quando a sua filha me chamou de mãe.” Quinn respirava fundo e Santana continuava encarando-a em silêncio. “Eu gosto muito de vocês, San, eu gostaria de te dizer que eu não vou correr mais quando você quiser oficializar, porque eu provavelmente vou, essa sou eu. Esse é o meu jeito e você precisa ter paciência. É só o que eu te peço, San, tudo bem se você não quiser, porque eu sei que ninguém tem paciência com uma pessoa como eu, mas. –“
“Ela te chamou de mãe.” Santana sussurrou interrompendo Quinn.
“Mm, San desculpa, mas isso foi tudo o que você ouviu?” Quinn desviava os olhos da latina, mordendo o canto de seus lábios.
“Não, desculpa, é só que eu não esperava isso.” A latina respirou fundo sentindo seu estomago revirar. “Tudo o que eu queria, era que você tivesse me avisado, Q. Era só me avisar, você podia ter conversado comigo sobre isso e eu te acalmaria, porque eu não quero que você pense que estou te pressionando só porque minha filha te vê como a segunda mãe dela, porque eu não estou. É claro que eu quero oficializar seja lá o que temos aqui, mas não adianta se eu estou a um passo a sua frente e.- “
“Sh.” Quinn no mesmo instante se aproximou da latina pousando suas mãos no rosto da mesma a interrompendo. Assim que Quinn se aproximou Santana sentia seu coração pular. Os toques de Quinn sempre a deixavam arrepiada e sempre a acalmava. “Desculpa, San. Eu sei que eu deveria ter vindo e conversado, porque você é adorável e teria feito de tudo para eu não me sentir assustada. Eu fui uma idiota.” A loira se aproximava seu rosto ao da latina. “Eu gosto de você, Santana, mas você precisa ter paciência, há muitos anos meu trabalho sempre ficou em primeiro lugar porque eu sempre evitei me relacionar e eu estou assustada por me abrir dessa forma, ainda mais incluindo Maya. Eu juro que não quero machucar vocês e é exatamente por isso que precisamos ir devagar.”
Quando Quinn terminou de falar, Santana se sentia um tanto decepcionada. Não era isso que ela esperava ouvir. Tudo o que a latina queria, era ouvir Quinn dizendo que a amava e que estava pronta para o segundo passo. Céus, Maya a chamou de mãe, como isso pode ser tão difícil? Santana estava apaixonada, isso ela não tinha dúvidas, mas se ela quisesse realmente ficar com Quinn, ela teria que ser paciente e esperar, mas será que ela aguentaria? Será que Quinn valia tanto a pena, assim? Antes que Santana pudesse responder, os lábios de Quinn estavam contra os dela. A médica depositava um beijo suave fazendo o corpo de Santana arrepiar.
“Eu vim compensar por tudo o que fiz.” Quinn sussurrava contra os lábios de Santana, fazendo a latina sorrir.
“Mm, você tem muito que compensar, Fabray.” Logo que Quinn ouviu a voz de Santana daquela forma, a loira sabia que a mesma já não estava mais com raiva. “Eu te desculpo, e eu entendo o que seu lado, Quinn.” Santana pousava suas mãos na cintura da médica. “Só não me faz ficar esperando por muito tempo, eu gosto de você e eu sinceramente acho que isso vai muito mais além do que um simples gostar.” A latina sorriu depositando um beijo na testa de Quinn.
Quando Quinn ouviu que tinha possibilidades de Santana estar apaixonada por ela, a loira respirou fundo desejando que pudesse ser mais aberta pra se permitir dizer o mesmo, mas tudo era tão confuso e complicado que no momento ela não sabia o que dizer. Ela não podia corresponder. Não agora.
“Agora me diz, que cheiro delicioso é esse?” Santana agora passava seus braços em volta da cintura da loira, trazendo o corpo da mesma para perto do dela.
“Mm, bom, eu não sou uma ótima cozinheira igual a você, mas eu tenho meus segredos.” Quinn sorria passando seus braços em volta da nuca da latina. “Eu fiz uma deliciosa torta de frango que aprendi uma vez. Acredite, é minha especialidade.” Fabray falava orgulhosa fazendo Santana rir.
“Sei, especialidade depois da água fervendo né? Porque sério, Q você é ótima para fazer água fervendo. Principalmente pra fazer café.” Santana brincava e recebeu um tapa no braço. “Hey! Eu estou te elogiando, ok?” A latina brincava enquanto Quinn começava a rir.
“Boba, eu sei fazer muitas coisas, ok? É que você ainda não teve a oportunidade de ver meus dotes culinários.” Fabray depositava outro beijo nos lábios de Santana. “Eu estava com saudades suas.” Quinn sussurrava contra os lábios da latina enquanto uma olhava nos olhos da outra.
“Eu também fiquei com saudades.” Santana apertou seus braços em volta de Quinn depositando vários selinhos em seus lábios.
“Mamá?” Antes que as duas pudessem fazer qualquer coisa, a voz de Maya ecoava atrás delas. A pequena estava olhando as duas da porta. Ela queria voltar para a cozinha e ficar com sua mãe e Quinn, mas não sabia ainda se podia. “Eu posso voltar e ficar aqui?” Maya colocava a mão no seu cabelo desviando seu olhar para o chão.
Quinn fazia um bico adorável soltando um “awn” baixinho ao ver Maya daquela forma. Santana começava a sorrir, tirando seus braços em volta de Quinn, indo até sua filha e a pegando no colo.
“Claro que pode, munchkin. Você pode ficar aqui e comer seu cachorro-quente especial” Santana depositava um beijo na bochecha de Maya.
Santana ajudou Quinn a colocar tudo na mesa. Maya estava sentada de frente para Quinn e Santana ao lado. A médica sabia que isso era o que ela precisava. Ela sabia que Santana obviamente iria acalmá-la depois de ter entrado em pânico e agora, Quinn se arrependia por não ter ido conversar com a latina antes. Tudo ficaria bem, é óbvio que tudo ficaria bem. Agora o que resta para Quinn é saber se ela iria conseguir deixar Santana e Maya entrar definitivamente em sua vida.
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