Eu ainda continuava deitada depois que meu celular despertou. O desliguei e continuei de olhos fechados. Adorava a escuridão no quarto e não queria levantar, precisava apenas de mais cinco minutos.

Eu estava quase cochilando novamente quando ouvi a porta do quarto se abrir. A luz do lado de fora clareou um pouco o cômodo, mas nada que me fizesse abrir os olhos. Fiquei parada virada para o lado com um dos braços encaixado por debaixo do travesseiro. Senti algo se mexendo por debaixo da minha coberta. Um corpo pequeno se aproximava de mim. Sua mãozinha pegava meu braço colocando por cima de sua cintura e logo senti uma mão na minha bochecha. Seu pequeno corpo estava encolhido sobre o meu e me segurei para não sorrir.

“Mamá?” Maya falava próximo ao meu rosto com a voz rouca de quem acabou de acordar. Não me mexi. “Mamá, acorda, está na hora de acordar.” Seus dedinhos apertavam minha bochecha e eu queria rir, mas quis brincar com ela mais um pouco.

A abracei e pude ouvi-la rindo. Sua risada sempre tão gostosa. Maya sempre foi muito sorridente, e era fácil fazê-la rir.

“Mamá, você está acordada.” Seu dedinho foi até um dos meus olhos abrindo o mesmo e quando ela o fez, apertei-a lhe dando um susto que a fez gritar. ”Você estava me enganando.” Ela ria com o cabelo nos olhos. Passei meus dedos sobre sua testa colocando seu cabelo para trás. Maya tinha o cabelo liso, dificilmente eu conseguia prender algo em sua mexas já que sempre escorregava. Não sei de onde ela puxou isso. Talvez de algum parente distante dos Lopez ou do pai, mas algo eu tenho certeza que ela puxou de mim. Sua pele morena, seus olhos castanhos claros e sua pequena carinha de latina. Sempre disse a Maya que ela parecia uma mini pocahontas que a propósito é seu filme favorito.

“Mas não deixa mesmo eu dormir, huh?” Eu a olhava e seu rosto delicado estava próximo ao meu, e ela se aproximou mais e encostou a pontinha do seu nariz ao meu.

“Não.” Ela respondeu. Seus braços se envolveram em volta do meu pescoço, sua bochecha encostava-se à minha e ela me apertava. “Mamá?”

“Oi, meu amor”.

“Você vai levantar ou não? Eu estou com fome.”

“Claro que você está com fome, Maya. Você come o tempo todo.” Dei dois tapinhas em seu bumbum e ela se colocou de pé na cama, passando as mãos nas bochechas jogando o cabelo para trás toda atrapalhada.

“Vem, vem, mamãe.” Sorri ao ouvi-la me chamar assim. Minha mãe sempre ensinou Maya a me chamar de ‘mamá’ desde quando ela começou a falar. Eu adoro quando ela me chama assim, mas ouvi-la falar ‘mamãe’ soa mil vezes mais fofo e ela fica mais fofa e carinhosa do que já é.

A olhei por alguns segundos antes de me levantar. Assim que me coloquei de pé, Maya pulou no meu colo prendendo suas pernas na minha cintura, seus braços envolta do meu pescoço e deitou a cabeça sobre o meu ombro.

“Macaquinha se prendendo desse jeito na mamãe.” Passei os braços envolta de suas costas a segurando e pude ouvi-la rindo quando a chamei assim. “Já lavou o rosto e escovou os dentes?”

“Não, mamãe.” Sua mão dançava entre o meu cabelo, e eu podia ouvi-la cantarolar baixinho.

A levei comigo para o banheiro a colocando em seu banco próximo a pia para ela alcançar a torneira. Peguei sua escova de dente colocando sua pasta de morango e dando para que ela começasse a escovar os dentinhos. Enquanto ela fazia isso, eu lavava meu rosto. Logo ela me entregou sua escova e dei espaço para que ela enxaguasse sua boca fazendo muita bagunça como de costume. Passei a mão pegando um pouco de água e lavando seu rosto.

“Eu deveria estar te dando um banho, Maya, daqui a pouco vamos precisar sair.” Entreguei a toalha em suas mãos e ela secou seu rosto me devolvendo.

“Aonde vamos?” Maya pulava do seu banco se colocando em pé ao meu lado passando a mão pelo cabelo. Com certeza seus cabelos estavam incomodando.

Comecei a escovar meus dentes e ela me olhava impaciente. Bati os dedos em sua testa devagarzinho a fazendo rir. Me virei para a pia enxaguando minha boca antes de respondê-la.

“Hija, hoje vamos ao médico, você precisa fazer exame.” Maya tinha apenas quatro anos, mas tem um sério problema com bronquite. Foram noites e noites acordada para cuidar dela. Somos apenas nós duas e sendo mãe de primeira viagem – e nova -, me viro sempre nos trinta para fazer o possível para ela não passar mal. Sua bronquite é crônica e é preocupante para uma garotinha nessa idade. E para ajudar muito, Maya é alérgica a diferentes temperos, doces, sucos, que quando ingere, faz com que ela tenha crises respiratórias. Faço tratamento com ela desde o ano passado. Começamos o tratamento com Dr. Charles, mas depois mudamos para iniciamos outro tratamento há três meses atrás com a Dra Quinn Fabray. Ela é atenciosa e cuidadosa com Maya e desde o começo demonstrou ser uma ótima médica. Estou satisfeita com todos os exames que ela faz e todos os remédios que ela medica.

Pegava Maya no colo novamente saindo do banheiro. Ela ficou em silêncio antes de falar.

“Mas, mamá, eu não quero ir, vai doer.” Suas mãos estavam sobre as minhas bochechas me apertando.

“Maya, como você sabe que vai doer se nem sequer sabe como é?” Tirei suas mãos das minhas bochechas chegando à cozinha e a colocando sentada em sua cadeira.

“Eu sei, mamãe, vai doer, sempre dói.” Eu saia de perto dela indo pegar sua caneca da hello kitty para fazer seu tão famoso chocolate quente.

“A Dra sempre me machuca.”

“Ela não te machuca, meu amor.” Eu a respondia enquanto misturava seu chocolate com o leite. “Aqui, toma tudo e logo vamos tomar um banho, tá?” Me aproximei de sua cadeira colocando sua xícara sobre a mesa.

“Machuca sim.” Ela respondeu dando um gole no seu leite.

“Hija, o que ela faz são exames, ela não te machuca de propósito, e vamos conversar agora.” Puxei uma cadeira colocando ao lado dela e ao me sentei tentando me manter de frente para ela. “Escúchame, hija.” Falar em espanhol com Maya era fácil, ela conhecia algumas palavras que pela a convivência com minha mãe a fez aprender. Ela tomava seu leite e me olhava por cima da xícara. “Hoje eu preciso que você seja muito, mas muito corajosa.” Ela não respondeu continuo me olhando e agora passava a mão na sua franja. “Se você for corajosa. -”.

“Igual você, mamãe?” Ela me interrompeu me fazendo sorrir.

“Isso, igual a mamãe, eu prometo que depois do exame podemos ir tomar um sorvete delicioso. O que acha? Consegue fazer isso por mim?” Passei a mão em seu cabelo colocando sua franja para trás de sua orelha.

“Sorvete?” Ela sorriu e seus olhos brilhavam. “Mhm, eu posso.” Maya largou sua xícara e agora balança seus pés. “Vamos tomar banho, mamá.”

Eu ri franzindo o nariz e me aproximando dela e dei um selinho na minha pequena antes de pegá-la no colo e colocá-la no chão.

“Andando, munchkin.” Sai andando na sua frente e ela veio atrás devagar para tomarmos banho.

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“Maya, não.” Chamava atenção de Maya que cismava em não ir ao hospital dizendo que preferia apenas o sorvete. Já estávamos prontas e a consulta era daqui 30 minutos. Eram 10h da manhã e precisávamos ir.

Peguei em sua mão arrumando sua roupa. Deixei que ela mesma escolhesse e pela primeira vez, ela não optou por sua roupa de balé. Pegou sua calça legging azul escura com sua blusinha branca com mangas cumpridas e um desenho pequeno da hello kitty preso à cima do seu peito. Pegou seu arco de cabelo rosa dizendo que não queria a franja no olho. Cabelo de Maya não era muito grande, tinha a altura de seus ombros, era liso de uma cor escura como os meus. Como eu disse, não sei de onde essa menina puxou cabelos tão lisos e escorridos. Seu sapato ela também os escolheu pegando o all star azul, da mesma cor de sua calça. O all star que tio Puck deu. Ela amava o Puck e tudo que ele dava a ela, minha pequena usava. Assim como todos os outros presentes que ganhava de tia Rachel. Ela estava pronta e sentada no sofá e enquanto eu procurava a chave do carro ela insistia em não querer ir e apenas tomar o sorvete.

“Mamãe, eu acho que podíamos tomar sorvete primeiro, porque ó, se formos primeiro no médico, vai atrasar e o sorvete vai derreter.” Ela encolhia os ombros e fazia bico me olhando.

“Não Maya, nós precisamos ir ao médico primeiro, Dra Fabray precisa te ver, ok?” Estendi minha mão para segurar na dela. “Vem, agora vamos.” Ela pulou do sofá segurando minha mão e saiu correndo para o corredor até o elevador enquanto eu fechava a porta.

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“Srta. Lopez?” Uma enfermeira apareceu ao meu lado. “Dra Fabray está esperando por vocês.”

“Obrigada.” Maya já estava no meu colo. Como sempre grudada no meu corpo como uma macaquinha, mas dessa vez ela apertava seus braços em meu pescoço quase me enforcando. Era nítido que ela estava com medo. “Maya, você não precisa ter medo, já conversamos sobre isso.”

“Olá, Maya.” Quinn falava se levantando e vindo até nós. “Como está essa pequena pocahontas?” Quando Quinn a chamou assim, Maya levantou a cabeça sorrindo para ela.

“Bem, Dra. Fabray.” Maya respondeu com sua voz baixa.

Quinn apenas sorriu agora se virando para mim. “Como está, Srta. Lopez?”

“Muito bem, obrigada.” Sorri me sentando com Maya.

“E então, teve alguma crise essa semana?”

“Não, felizmente, nenhuma. O remédio está sendo ótimo, ela parou de ter aquelas tosses que me deixavam acordada a madrugada inteira e...-“

“Não deixo mamãe mais acordada.” Maya me interrompeu olhando para Quinn de lado.

“Isso é ótimo, Maya, eu fico muito feliz em saber disso.” Dra. Fabray sorria enquanto fazia suas anotações na fixa da minha filha. “E ela já começou a natação como eu sugeri?”

“Sim, começou semana passada.”

“Tio Kurt quem me leva para as aulas de natação e fica me esperando, ele sempre me espera.” Maya adorava responder as perguntas de Dra. Fabray. Ela sempre foi muito esperta.

“Ótimo, eu sugiro ainda que ela continue com a medicação, e agora se possível de seis em seis horas, e não se esqueça da inalação três vezes ao dia, assim ela para com aquele chiado no peito.”

“Todos os dias, nunca me esqueço.” Dei um beijo na cabeça de Maya que sentava de lado no meu colo e encostava a cabeça no meu peito.

“Bom, muito bom.” Dra Fabray finalizava suas últimas anotações antes de continuar. “E então Maya, está pronta para começarmos seu exame?”

Maya colocou seu braço envolta da minha cintura me apertando, cruzou suas pequenas pernas e escondeu seu rosto sobre meu peito. “Mamãe?”

“Hm?”

“Eu preciso ser corajosa agora?” Sua voz era abafada e baixa, e sua pergunta me fez sorrir.

“Sim, hija, você precisa ser corajosa agora como conversamos, ok?”

O exame que Maya faria agora era para descobrir quais tipos de alimentos e produtos causavam nela alergia e falta de ar. Era um exame um tanto delicado já que usariam agulhas no braço da minha hija por quase quarenta minutos. O exame seria feito na própria sala de Dra. Fabray, o que já era fácil para segurar Maya e fazê-la ficar quietinha.

Passei meus braços por baixo dos dela a pegando no colo para ajeitá-la, mas ela grudou no meu corpo com força e não me deixava colocá-la para frente.

“Mamá, eu não quero.” Ela dizia com um pequeno tom de medo misturado com desespero. Olhei para Dra Fabray que preparava o exame tirando mais de 10 agulhas pequenas de dentro de seus devidos plásticos e as colocava por cima de uma toalha.

“Hija, por favor, você precisa fazer esse exame, eu vou estar bem aqui, não vou a lugar algum, e tenho certeza que Dra. Fabray vai deixar você continuar no meu colo.”

“Claro, Maya, você pode continuar no colo da sua mamãe, mas eu vou precisar do seu braço, tá?” Era Quinn quem falava agora.

“Mamá, não, eu não quero.” Maya praticamente me escalava. Suas mãos foram para os meus ombros e ela tentava se levantar para se segurar em mim. Coloquei as mãos por baixo de seus braços, afastando seu corpo fazendo-a olhar para mim.

“Maya, por favor. Lembra do seu presente depois que sairmos daqui? Depois que for corajosa?” Ela balançou a cabeça dizendo que sim, mas seus olhos enchiam de lágrimas. “Não chora, eu vou estar bem aqui, hija.” Fiz um biquinho e ela me olhava e parecia pensar no sorvete.

“Está pronta, Maya?” Dra Fabray se aproximava colocando sua cadeira ao nosso lado e trazendo seus medicamentos e agulhas para começar o exame.

Maya a olhou com os olhos arregalados e depois se virou para mim. Dra Fabray pegou seu braço apoiando sobre a mesa por cima da toalha. Maya empurrava suas costas contra o meu corpo enquanto Dra ainda passava algodão com álcool no pequeno braço moreno.

“Maya, você está me empurrando.” Dizia me ajeitando na cadeira e ajeitando ela no meu colo.

Fabray agora pegava um tipo de caneta marcando todos os lugares onde eu imagino que ela aplicaria as agulhas. Era um tipo de acupuntura, mas com agulhas menores. Quando a primeira agulha entrou no braço de Maya, ela pulou no meu colo me fazendo olhá-la.

“Doeu?” Dra Fabray perguntou antes de colocar outra.

“Não?” Maya fez uma cara me olhando. “Não, não doeu.”

“Então vou colocar as outras, está bem?”

Maya encostou a cabeça no meu peito e parecia tranquila. Dra Fabray continuava aplicando as agulhas e algumas horas fazia com que Maya pulasse no meu colo de susto.

Maya já estava com todas as agulhas em seu braço e ela precisava ficar quieta, mas depois de alguns minutos em que ela estava sem se mexer, começou a reclamar que seu braço estava ardendo.

“Mamá, tá ardendo, tá coçando.” Ela queria tirar o braço de cima da mesa, mas não deixei.

“Bunny, se você fizer isso, vai doer muito mais, você precisa ficar quietinha, está bem? Mamãe está aqui com você.” Eu dizia encostando o queixo sobre sua cabeça.

Só estávamos nós duas na sala, e Dra Fabray continuava seu atendimento na sala ao lado. Maya precisava ficar quieta por mais 15 minutos. Algumas bolinhas em seu braço começavam a mudar de cor, e isso chamou sua atenção.

“Mamá, olha, esse aqui está ficando vermelho.”

“Hija, você está mudando de cor.” Pude ouvi-la rindo e tentando me olhar.

“Mas não quero ficar vermelha, mamãe. Já sei, quero ficar verde.”

“Verde?” Eu ria enquanto brincava com ela. “Então você vai virar o hulk.” Franzi a sobrancelha e ela fez o mesmo fazendo cara de brava.

“Hulk da mamãe?” Sua cara de brava ainda continuava.

“Sim, a hulk da mamãe.” Franzi o nariz dando um beijo no topo de sua cabeça.

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“Não, você que é, mamãe.” Maya ria enquanto eu a chamava de bananinha já que metade do seu braço agora estava amarelo.

“E então, podemos tirar?” Fabray entrou na sala e quando Maya a viu, quase pulou de felicidade esticando seu braço.

Dra se sentou novamente a nossa frente observando todos os pontos que mudaram de cor. Eram apenas duas cores, amarelo e vermelho, metade estava em amarelo e eu me perguntava qual dessas cores indicava o que ela podia ou não comer.

“Bom,” Dra começava pegando o braço de Maya e ao lado a ficha médica para as anotações. “Olha Srta Lopez, pelo visto vários pontos do braço de Maya ficaram amarelos e esses são os pontos que indicam que ela tem alergia, alguns são alergias especificas como poeira, perfumes.” Ela anotava e agora colocava a caneta sobre os outros pontos. “Olha, ela tem alergia de corantes, Srta Lopez, tudo que tem corante, ela não pode tomar refrigerante de laranja, uva, coca-cola seria ótimo se prevenisse.”

“Ela quase não toma refrigerante, ela prefere sempre sucos naturais especialmente de laranja.”

“Ótimo, é uma ótima pedida, e comida com corante como salsicha, praticamente todas industrializadas, nem pensar. Nada disso mais, senão pode causar problema respiratório.”

“Não posso comer mais salsicha? E hot dog?” Maya era esperta e sabia onde era o único lugar que ela comia salsicha. No café da Ellie onde sempre íamos lanchar de sextas-feiras e onde eu costumava tomar meu café da manhã para trabalhar.

“Sem hot dogs pra você, little bear.” Respondi e ela me olhou quase chorando. Hot dog era o único lanche que Maya comia além de waffles.

“Exatamente, quanto mais evitar vai ser melhor para sua saúde, Maya, nada muito em excesso, se come todos os dias, diminua até perder o hábito de comer hot dog e outras coisas.”

“Mas, mas, mamãe.” Maya se virou para mim colocando as mãos em minhas bochechas. “Mamãe, eu adoro hot dogs e os da Ellie são os meus favoritos, eu não vou poder comer mais? Eu não vou?” Seu jeito de falar parecia um tanto desesperado, e eu percebi que ela não tinha gostado da notícia.

“Vamos pensar no que fazer, está bem?” Seu olhar demonstrava que ela não estava gostando nem um pouco daquilo.

Dra Fabray continuo com suas anotações sem dizer mais nada. Quando finalmente terminou, pegou seu bloco de receita para indicar um novo remédio.

“Aqui está. Esse vai ajudá-la a manter o nariz desentupido, e quando der alergia, é só dar este aqui.”

“Obrigada, Dra Fabray, vou comprá-los agora, aproveitar que já estamos por aqui.” Peguei a receita de sua mão e agora me levantava trazendo Maya no meu colo. Coloquei a bolsa no meu braço e Maya escondia o rosto no meu pescoço nos despedindo.

Maya não disse nada enquanto andávamos até o carro. Abri a porta de trás para colocá-la em sua cadeirinha e quando o fiz, percebi que ela chorava em silêncio. Suas lágrimas escorriam por suas pequenas bochechas e ela fazia um bico de manha.

“Maya o que foi?” Peguei em seu braço e ela virou o rosto para o outro lado. “Está doendo? Por que você está chorando, meu amor?”

Ela puxou seu braço e escondeu na sua cadeirinha para que eu não o segurasse. Fiquei olhando-a, mas ela não me olhava de volta e continuava chorando em silêncio. Passei a mão sobre suas bochechas secando suas lágrimas, mas ela não se virou, continuou olhando para a janela quase virando de costas em sua cadeirinha.

“Maya?” Tentei novamente.

“Você e Dra Fabray não me deixam comer hot dog da Ellie.” Ela se virou para mim furiosa me repreendendo. Claro, tudo por culpa do hot dog. “Eu não quero sorvete, eu quero hot dog.” Ela cruzou os braços por cima do seu peito e se virou para a janela novamente. “Eu não gosto de vocês.”

“Little monkey, não é assim, você vai poder comer, mas não todas as sextas-feiras como fazemos.”

“Não, eu quero comer!” Outra coisa que Maya puxou de mim, a teimosia.

“Ei!” Agora era minha vez de ser autoritária e não deixar minha filha ser manhosa. “Não é para falar comigo assim ou eu te deixo de castigo, Maya Rose.” Passava agora seu cinto sobre ela. “A partir de agora será assim, e você precisa se acostumar, é para o seu bem, logo isso acaba e você vai poder comer o que quiser quando estiver bem.” Continuava com o meu tom autoritário e ela ficava quieta. “E não adianta fazer drama, se eu disser que você não pode, é porque você não pode e não vai.” Ela continuou em silêncio, mas ainda chorava.

Não era fácil cortar a comida favorita da sua filha, mas era para o seu próprio bem, e eu queria que ela ficasse bem, sem falta de ar, sem bronquite atacando, e para isso teríamos que fazer alguns sacrifícios. Eu pararia de comer certas coisas na frente dela pelo menos e não traria nada disso para dentro de casa.

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Assim que chegamos à garagem do prédio, Maya continuava calada, ela realmente estava triste pela notícia de hoje. Quando a soltei de sua cadeirinha, ela andava na minha frente até o elevador que já estava por lá. Ela mantinha seus braços cruzados e não me olhava ou falava comigo. Apertei o 10° andar e subimos.

“Tio Mike!” Maya gritou e saiu correndo pelo corredor assim que a porta do elevador abriu. Mike e Rachel estavam no hall e pelo visto estavam saindo.

“Como está a minha lovebug?” Mike perguntava com Maya já em seu colo.

“Brava, mamãe não quer me dar hot dogs. Tia Rachel, me da hot dogs?” Agora era Rachel que Maya avistava atrás de Mike.

“Por que ela não quer te dar hot dogs, munckin?” Rachel e Mike são um casal. Namoram há quatro anos, desde quando Maya nasceu. Os dois são parecidos praticamente em tudo. No tempo de colégio não era fácil ver tanta coincidência entre os dois, mas depois que começaram a se interessar um pelo outro, ficou nítido que Mike era a outra metade de Rachel e além de Puck, e Kurt, os dois eram meus melhores amigos e sempre me ajudaram com Maya.

“Porque ela tem alergia a todo tipo de corantes e salsicha tem corante.” Agora era eu quem respondia procurando a chave de casa. “Corante ataca a bronquite e ela não pode, não por enquanto.”

“Hm, então nada de hot dogs para lady Rose.” Mike se virava falando com Maya e a colocando no chão.

“Maya, tio Mike. É Maya.” Maya o corrigiu. Ela odiava ser chamada só de Rose, ou a chamem de Maya Rose, ou só Maya. Quem entende?

“Cada dia ela se parece mais com você, Santana.” Rachel dizia rindo pegando na mão de Mike e se virando para ele. “Vamos? Estamos atrasados.”

“Aonde estão indo os pompinhos?” Perguntei passando por eles indo em direção ao meu apartamento. Eram dois apartamentos por andar, e ficava um de frente para o outro.

“Estamos indo encontrar a mãe de Mike na Ellie e estamos atrasados.” Rachel se abaixou dando um beijo na bochecha de Maya. “Nos vemos depois, lovebug.”

Os dois entraram no elevador e eu e Maya entramos em casa e ela correu para o seu quarto. Passei pela porta fechando a mesma. Joguei a bolsa no sofá e fui atrás da minha filha. Sua porta do quarto estava aberta, eu sabia que ela estava chateada, por mais que pra mim que tenho 24 anos não seja nada, para ela que tem apenas quatro, ficar sem sua comida favorita seria bem difícil.

Ela deitava de bruços, seus braços por baixo do travesseiro e seu cabelo caído sobre o seu rosto. Me aproximei me deitando com ela em sua cama e passava minha mão sobre suas costas.

“Little monkey?”

“Você e a Dra Fabray não gostam de mim.” Ela abafou seu rosto contra o travesseiro me fazendo abraçá-la.

“Ei, eu já te expliquei, isso é para o seu próprio bem, e não vamos cortar para sempre, está bem? Você ainda pode comer, mas não com frequência como sempre fazemos, Maya.”

Ela agora se virava devagar me olhando em meio de algumas mexas de seu cabelo. “Você promete que não vai ser para sempre? Que eu vou poder comer?”

“Prometo.” Passei a mão sobre o seu cabelo tirando de seu rosto. “O que acha de agora irmos comer sorvete?”

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"Lady Hummel, muito obrigada por ficar com a Maya essa noite para mim." Eu dizia enquanto Kurt entrava no meu apartamento e eu calçava meus sapatos na sala.

“Fazer o que né? Blaine não está na cidade então nada mais justo do que ter um encontro sexta-feira à noite com uma Lopez."

Maya apareceu na sala segurando seu ursinho de pelúcia pelas orelhas. Ela já usava seu pijama branco da hello kitty, mais algumas horas e ela já estaria dormindo.

"Mama, aonde você vai? Já esta na hora de dormir, por que você vai sair?"

"Hija, eu vou sair um pouco, mas tio lady Hummel vai ficar com você e te colocar para dormir." Já eram dez da noite e Maya já tinha passado da sua hora de dormir. Sabia que Kurt daria conta do recado, ele sempre deu.

Peguei minha bolsa e enquanto andava até a porta Maya andava atrás de mim como uma pequena sombra. Sua mão alcançou minha perna e ela puxou meu vestido.

“Mamá, fica." Sua voz era baixa e manhosa. Ela olhava com um olhar de pidona. Me abaixei ficando na altura dos seus olhos.

"Eu prometo que quando eu chegar durmo com você para compensar, está bem?" Abracei ela pela cintura, levantado a no meu colo e dando um beijo em sua bochecha enquanto a apertava. "Pode dormir na minha cama hoje, little monkey." A coloquei no chão e ela saiu sorrindo e pulando dizendo que hoje dormiria comigo.

“Hoje pelo visto terei uma ótima sessão de pipa, dora, e princesas para assistir." Kurt dizia sentado no sofá.

"Exato Hummel, faça o seu melhor como babá. Preciso ir." Mandei um beijo para ele da porta e sai.

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"Samantha, eu já estou chegando, para de encher meu saco." Falava ao telefone enquanto dirigia até o bar onde encontraria duas amigas do trabalho. Sou professora de dança em uma das melhores escolas de NY, enquanto eu achava que seria a única lésbica trabalhando por lá, tinham mais duas professoras, uma de canto e outra de piano que também eram e meu gaydar as encontrou logo no primeiro dia de trabalho.

Estacionei logo a frente do bar e desci pegando minha bolsa. Fechei a porta e enquanto passava direto para entrada do bar acionei meu alarme. Entrei e logo avistei Sammy e Nikki sentadas em uma mesa bebendo.

“Ótimo, não esperaram por mim." Me sentava perto delas dando um tapa no braço de Nikki.

"Desculpa, Lopez, mas você demorou demais."

"Eu tenho uma filha para dar banho, janta e colocar para dormir, então eu posso me atrasar." Respondi para Nikki que tentava se justificar.

"Hm, mamãe Lopez." Sammy agora quem falava colocando um copo a minha frente.

"Não fala isso porque é estranho." Revirei os olhos. "E não quero beber cerveja, por favor, né? Cadê o Daniel?" Eu procurava por um dos garçons que eram um dos meus amigos ali.

Quando se frequenta muito um bar lésbico, você fica conhecida. Ainda mais se você for uma Lopez. Santana Lopez, todos acabam te conhecendo.

“Daniel!" Ele passou por mim e eu o gritei. "Daniel, meu amor, me traga o de sempre, mas não lota de gelo." Sorri e ele correspondeu saindo de perto.

“Calma, você esta dirigindo, sabe que beber vodca com limão te deixa bêbada, certo?" Sammy falava chamando minha atenção.

“Não se preocupe, prometo que será só um copo."

“Mhm, sabemos bem aonde vai esse só um copo." Nikki agora quem reclamava.

“Ok, insuportáveis, vai ser só esse."

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“Santana!" Nikki e Sammy chamavam minha atenção enquanto eu chamava Daniel novamente.

“Você falou que ia ser um copo só e já terminou o segundo, você não vai beber mais." Sammy falava abaixando minha mão.

“Nossa eu não sai com duas amigas, eu sai com minha abuela e minha mãe. Cansei de vocês." Me levantei indo ate o balcão. Podia ouvi-las rindo atrás de mim enquanto eu me distanciava. Cheguei ao balcão me colocando no meio de duas pessoas sentadas ali. "Por favor, eu quero uma água com gelo, muito gelo."

Enquanto eu esperava passava meus olhos pelo lugar, nada que me interessava. O bar era frequentado por vários tipos de homossexuais. Dificilmente encontrava-se heteros ali. Os que iam eram por curiosidade ou para conhecer, até porque, ali era o bar gay mais famoso de NY. Continuava observando quando resolvi olhar quem estava ao meu lado, tinha um cara que ria sozinho olhando para o celular, provavelmente falava com algum namorado a outra... “Espera.” Observei novamente a garota ao lado do rapaz. Ela estava sozinha sentada bebendo. “Não acredito.”

“Aqui está sua água, Santana.” O bartender colocou o copo no balcão, eu mal olhei para sua cara, peguei meu copo passando pelo rapaz do celular ao meu lado e ficando entre ele e a garota. Apoiei meu braço no balcão sem acreditar no que estava vendo. Mordi o canto dos meus lábios e me aproximei.

“Fabray? Dra. Fabray?”



Notas finais
Me empolguei com uma nova história. Só para deixar bem explicado, o que acontecer com a Maya e os exames que ela fizer no decorrer da história, são coisas que eu mesma já passei, então não inventei nada. Bronquite é mesmo muito ruim para crianças nessa idade. Espero que tenham gostado.