The Newolder History Of Bleach
7 Capítulo 7: Storm case
CAPÍTULO 7 – Bleach: Storm case
Duas semanas já se foram e eu tenho que voltar para a escola. Minha cabeça — em particular — e meu corpo estão melhores – pelo menos é o que eu digo senão eu ainda ficaria por mais tempo estático no meu quarto -. Na realidade, eu estou bem sim, porém às vezes as dores batem repentinamente. É certo que eu fui ferido em dois dos meus quatro membros quando fui atropelado, entretanto, antes disso eu já estava sentindo dores insuportáveis em todo o corpo. Eu ando pensando o por que disso estar acontecendo. Apesar de tudo, é muito desagradável e ponto.
Hoje é o dia que voltarei às aulas. Daqui a exatamente 2 minutos já estou saindo de casa. Só me falta ajeitar o cabelo.
Hideraro arrumava seu cabelo em frente ao espelho do quarto. Ele estava maior do que antes. Era liso e caído como sempre, porém estava ultrapassando um pouco seus ombros.
Hideraro caminhava pelas ruas com um sorriso no rosto. Ainda devagar devido aos danos sucessivos que seu corpo sofreu desde que chegou no Japão.
Rishimoru o esperava encostado num poste da outra calçada. – Ei! – acenou ele com a mão.
– Rishimoru-kun, como está o dia? – perguntou Hideraro quando o amigo já se aproximara.
– Bem, considerando que agora é 5h30, não sei, meu dia sequer começou.
Hideraro não queria dizer a ele que, então, o dia dele já havia começado há 5 horas e 30 minutos porque não queria já deixá-lo irritado numa hora dessas.
– E então Hideraro-kun, como está você? Sua perna e seu braço. – neste último Rishimoru deu um tapinha bem sutil.
Hideraro sentiu uma leve dor, mas não queria comentar porque entendeu o gesto do amigo.
– Bem, estou melhor. – respondeu Hideraro normalmente.
Rishimoru suspirou.
– E então, você não vai passar na Matsume para irmos juntos?
– Eu não sei onde ela mora. Você sabe? – perguntou Hideraro.
– Não. Só sei a Kazumi.
– Onde será que mora a Matsume? Deve ser por aqui, mas acho que não é na Koremi. E além do mais, ela está me devendo Yakisobas. – Hideraro ia proferindo.
– É, eu também acho que não porque...
– Como? Você sabe onde é a casa da Kazumi? – Hideraro interrompeu só agora se dando conta do que seu amigo tinha dito pouco antes.
Rishimoru se assusta com o movimento repentino do amigo. — Sim. Eu já fui lá.
– Já? Por que?
– Ela me convidou.
– Ah!...ela te convidou... – Hideraro suspirou e repetiu. – Vamos chamá-la então.
– Tudo bem.
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Rishimoru batia na porta.
– Olá! – disse Tsuki, a mesma mulher que havia atendido Rishimoru no dia em que foi lá para uma tarde com Kazumi.
– Olá Tsuki-san. Tudo bem? – perguntou ele esquecendo que Hideraro estava ao seu lado.
– Estou bem sim – respondeu ela sorrindo. – E esse menino, quem é?
– Ah, desculpe-me por não apresentá-lo. Bem, esse é Ryooru Hideraro, meu amigo e também de sua filha.
Tsuki sorri para ele.
– E essa é Amaise Unae Tsuki, mãe de Kazumi.
– Prazer em conhecê-la Amaise-san. – disse Hideraro oferecendo-lhe a mão.
– Prazer é meu – Tsuki ignorou a mão de Hideraro e foi direto a seu corpo abraçando-o afetivamente.
Hideraro se surpreendeu um pouco, mas pareceu admirar aquele braço.
– Espera aí. – disse ela subitamente e largando o abraço. – Você disse Ryooru Hideraro? – perguntou ela para Rishimoru.
– Sim. – respondeu ele.
– Sim sim. – avigorou Hideraro com um sorriso no rosto, comichando seu cabelo.
– Sim sim – pensou ela com os olhos observadores.
– O que fo...
– E sua mãe, como está? – ela perguntou não se dando conta de que acabara de interromper Rishimoru.
– Minha mãe, você a conhece? – perguntou Hideraro.
– Não, não a conheço. – respondeu ela quase subitamente. – Quero saber quem é ela.
Hideraro suspirou.
Rishimoru a observou e formulou uma pergunta.
– Kazumi já tinha falado de Hideraro né?
– Kazumi? Não. Nunca me falou deste seu amigo.
Aparentemente, Hideraro estranhou seu modo de se referir a ele.
Rishimoru franze o cenho.
– Tem certeza?
Tsuki olha para ele. Antes que pudesse responder...
– Ah, perdoe-me. Perdoe-me pela inelegância de minhas perguntas para convosco. – desculpou-se ele curvando um pouco sua cabeça.
Hideraro poderia até se encafifar com uma menina em cima dele em sua cama, mas nada poderia ser tão bizarro quanto ver Rishimoru fazer aquilo. Aparentemente, por um segundo, Hideraro se perguntou o por que ele se desculparia com alguém daquela forma. Nem com Kiriko ele era assim.
– Nada nada, eu te desculpo.
Hideraro parecia um pouco confuso com tudo aquilo.
– Nada nada – ele pensou franzindo mais uma vez o cenho.
Talvez eu não precise falar, mas quem eventualmente repete as coisas que fala é Hideraro e sua mãe.
– Ela disse que Kazumi nunca lhe falou sobre Hideraro. – Rishimoru pensou.
Rishimoru retornou em uma cena.
– [...] Você é o menino que visitaria ela né?
– Ela também te disse que eu a chamo de Kazumi-chan?
– Não, não disse, isso eu deduzi.
Rishimoru se retomou.
Isso é estranho. Não era de se imaginar que a Kazumi falaria de mim e dele não.
– Bem, Kazumi está? – perguntou Hideraro partindo os pensamentos de seu amigo.
– Não.
– Ela já foi para a aula?
– Já sim. Ela foi com Raizo-kun.
– Com Raizo? – perguntou Rishimoru.
– Sim. Ela me disse que iria ir contigo, mas teve de ir antes com Raizo. Sei lá, talvez para chegar mais cedo e terminar uma lição.
– Ela disse que iria ir comigo? – perguntou Rishimoru com um sorriso orgulhoso no rosto.
Tsuki acena com a cabeça.
– Bem, então nós já vamos. Tchau e...foi muito bom te conhecer Amaise-san. – Hideraro tentou se despedir. Ele não era lá muito bom para essas coisas. Sério mesmo.
– Tudo bem. Tchau. – respondeu Tsuki soando um pouco amarga.
– Tchau pra ti também Rishimoru-kun! – disse ela mais elegantemente com um sorriso no rosto e abraçando-o afetuosamente.
Rishimoru não podia deixar de ver estrelas com aquilo.
– Claro. Tenha um bom dia Tsuki-san. Tchauzinho. – Rishimoru respondeu para ela segurando em suas mãos e depois se virando para ir embora.
Ela acenou sorridente mais um tchau para eles.
Hideraro fez o mesmo. – Tchau Tsuki-san! – disse ele acenando já a alguns metros distantes.
– Ryooru Hideraro, prefiro que me chame de Amaise-san. – sugeriu ela normalmente, mas um pouco apavorante.
Hideraro não tinha percebido que a chamara assim. Não costumava chamar as pessoas não íntimas pelo primeiro nome. Essa foi umas das primeiras coisas que sua mãe lhe ensinou, e mesmo apesar de já ser um costume no Japão, ele fazia isso com mais efetividade já que, para ele, tímido, era um pouco mais fácil de se tratar com os outros. Enfim, a indelicadeza dela fez parecer que seus olhos estavam sombrios.
– Ah! Desculpe-me desculpe-me. – retratou se ele com ambas as mãos abertas e uma cara assustada.
Tsuki estava séria, porém logo abriu um sorriso no rosto. – Vão! Senão perderão a aula.
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Hideraro e Rishimoru andavam pelas ruas em direção a escola.
– Nossa, ela nos disse que Kazumi talvez estivesse na escola mais cedo para fazer alguma lição.
– AhAhAh! – Hideraro gargalhou alto comichando a cabeça. – Eu nem sei. Eu fiquei fora por 2 semanas. Isso foi o suficiente para eu nem sequer lembrar que eu estudava. Pensando bem, ser atropelado tem suas prerrogativas.
Hideraro então gargalhou mais uma vez.
Eu queria saber, como ele pôde tentar parecer um garoto despreocupado com a escola se ele usou a palavra “prerrogativas”. Isso é constrangedor. Falha total.
– Imbecil! Estou dizendo isso porque ela não é de esquecer a lição. – disse ele exasperado com o amigo.
– Eu sei lá. Espera aí. – Hideraro olhou para ele. – Como assim?
– Como assim o que?
– Como você sabe disso? Ela nem é da nossa sala.
– Eu sei. Mas eu já a conheço bem. Eu converso com ela, Matsume e Raizo todos os dias. Eu sei como cada um é. Pelo menos um pouco.
Hideraro percebeu que Rishimoru estava certo. Já faz 2 semanas que foi atropelado e desde que entrou na escola só criou preocupação na cabeça de seus amigos.
– O Raizo, A Kazumi e a Matsume querem ser nossos amigos e eu estou falando pra eles que não é preciso de você dar consentimento com palavras, você já os considera. – Hideraro pensou nisso e olhou para baixo com um rosto decepcionado consigo mesmo. — Pensando bem, depois do dia que eu voltei para casa eles não passaram mais lá e Rishimoru também não comentou nada sobre eles em relação a meu estado físico. – Hideraro pensou e olhou para Rishimoru quando esse veio em sua cabeça. – Talvez eles me esqueceram ou pelo menos distraíram suas cabeças com coisas mais relevantes do que um menino quase aleijado.
Ele foi duro consigo mesmo, todavia isso pareceu tranquilizá-lo mais.
Enfim, eles chegaram na escola.
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– Alunos, antes de começarmos a aula, eu vou apresentá-los nossa nova amiga. Entre, vamos entre! – A professora acenou com a mão para a menina que estava frente a porta, porém, do lado de fora.
A menina entrou. Era Kazumi. Todos a olhavam, principalmente Hideraro, Rishimoru e seu íntimo amigo Raizo. Kazumi parou ao lado da professora. Pela primeira vez ela usava somente o uniforme da escola. A camiseta e a calça. Não, minto, ela não usava somente o uniforme. A camiseta estava por cima de uma blusa cinza fina que possuía uma touca. Inclusive, a touca estava sobre a cabeça dela. Kazumi olhava para baixo aparentemente envergonhada. Quando Hideraro olhou para ela se lembrou de Matsume e ao olhar para trás encontrou o assento dela vazio.
– Então alunos, essa menina vai ser aluna da nossa sala agora.
– Nossa, que gatinha! – exclamou um garoto no fundo da sala para seus dois amigos próximos. Todos na sala puderam ouvir, mas ninguém se pronunciou.
– É mesmo. – um deles concordou e os três então riram se contorcendo de alegria como idiotas.
Hideraro continuava a olhar para a mesa de Matsume. Então, olhou para Rishimoru.
– Cadê ela?Não a viu? Ela faltou? – foi perguntando ele baixo para que ninguém ouvisse e gesticulando as palavras para que Rishimoru entendesse melhor.
Não deu muito certo, a professora notou. Talvez se ele sentasse no fundo né?
– Hideraro! Tem uma menina aqui se apresentando e você aí conversando! Que falta de respeito! – repreendeu a professora.
Kazumi, em baixo do capuz curvou ainda mais sua cabeça em direção ao chão, aparentemente se entristecendo. Aquilo deixou Hideraro magoado consigo mesmo.
– Ah, desculpe-me professora.
– Professora? Você não deve desculpas a mim pelo seu desdém.
Talvez a professora devesse parar de falar o quanto Hideraro errou porque quanto mais ela o fazia mais Kazumi se machucava. Era o que parecia.
– Ah...ehn...desculpe-me Kazumi.
– Já se conhecem é? – perguntou a professora.
Hideraro olhou para ela questionando o porque então ela o mandou pedir desculpas já que normalmente ele não saberia o nome da menina. Ele estava certo.
Ele se calou por um tempo esperando que Kazumi respondesse, mas ela não fez nada mais do que continuar a olhar para baixo com a touca sobre a cabeça.
– Sim...ehn...já conversamos algumas vezes antes. – ele respondeu a professora, porém olhando para Kazumi.
A professora suspirou. – Bem, essa é Ainaru Kazumi, tem 15 anos e estudava aqui desde o 5º ano do ensino fundamental.
O braço de Kazumi “saudou um oi” para a sala.
– Ainaru-san, você faz aniversário quando mesmo? – a professora perguntou.
– Ah, só em Janeiro do ano que vem. – respondeu ela mais solene do que como de costume.
Elas continuavam conversando entre elas e por vezes a professora soltava alguma risada enquanto Kazumi se mantinha séria...
– Bem, é isso. Alguma pergunta ou objeção alunos?
– Professora! – exclamou Hideraro com um braço para o alto.
– Diga.
– Você disse Ainaru Kazumi?
Rishimoru olhou para ele e sua cabeça logo entendeu o por que essa pergunta.
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– Você é mãe dela?
– Sim, sou Amaise Unae Tsuki.
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Não havia sentido. O sobrenome de Kazumi não era o mesmo de sua mãe.
–Sim, Ainaru Kazumi. Por que Hideraro-kun? – perguntou a professora.
– Nada. Nada não.
– Bem, então sente...
– Você viu a Matsume hoje? – indagou Hideraro interrompendo a professora.
Kazumi olhou para ele. Não havia nada de diferente no rosto dela, mas ela estava ausente por baixo daquela touca. Aquilo era realmente um tanto curioso. Kazumi demorou a responder e então a professora repetiu o que iria dizer.
– Sente-se Kazumi.
– Sim.
Kazumi sentou-se atrás de Rishimoru e do lado de Matsume, caso a mesma estivesse em sua mesa.
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Rishimoru e Hideraro estavam no intervalo das aulas para o café da manhã, sentados num batente próximo ao muro do portão da escola. A sacada da escola era vasta e estava repleta de alunos e alunas. O relógio dizia 7h.
– Rishimoru-kun, você percebeu? A Kazumi está muito estranha comigo.
– Como assim? Não, está não. – negou Rishimoru também acenando com a cabeça.
– Sim, está. Eu vi que ela estava conversando normalmente contigo.
– Oras, você não abriu conversa. Talvez ela não tenha falado mesmo, já que ela não é de se iniciar com os outros.
Hideraro percebeu que havia grande probabilidade de Rishimoru estar certo. O fato de ela ter sido de outra sala aliado aos 15 dias que não se falaram pode ter feito Hideraro esquecer que Kazumi, mais que todos, era tímida. Talvez, ela fosse assim com todos, inclusive os amigos.
– Será mesmo?
– Sim, claro. Com certeza. Você não viu? Ela falou comigo normalmente, com a condição de que eu deveria chamá-la, senão... – Rishimoru se interceptou, pois não era suficiente continuar.
O maior problema para Hideraro, é que ele também era tímido, não tanto quanto ela, mas também era tímido.
– Cara, você tem que se abrir mais com os outros! – disse Rishimoru sorridente empurrando seu amigo como um “deixa dessa cara”. Não intencionalmente, ele fez isso no braço direito de Hideraro, que fez uma careta absurda.
– IDIOTA! O meu braço, O MEU BRAÇO! – Hideraro repreendeu seu amigo.
– Ah, desculpe-me desculpe-me. – corrigiu-se Rishimoru no tom mais sínico que se pode imaginar, isso porque se aproveitou da raiva do amigo.
Hideraro continuava reclamando enquanto Rishimoru estava de braços cruzados e olhos fechados com o rosto orgulhoso direcionado para frente.
Depois de um tempo os dois tornaram-se sérios.
– Mas ela realmente está estranha. Ela foi a primeira a sair da sala. Saiu rapidamente como se não quisesse falar com alguém. – Hideraro argumentou.
Rishimoru suspirou. – E eu nem perguntei para ela o por que ela veio com Raizo tão cedo. Não foi por causa de lição alguma já que ela me disse que já tinha feito todas. – disse Rishimoru pensativo e aparentemente enciumado.
Rishimoru olha para Hideraro e depois para frente novamente.
– Hideraro-kun, eu posso lhe fazer uma pergunta?
– Já fez. – Hideraro começou a gargalhar.
– O que acha da Kazumi?
Hideraro se retificou e olhou para o amigo por alguns segundos. Comichou o cabelo.
– Aaah! Já vai começar você. Já era para se esperar. Kazumi não poderia ficar de fora de sua mira...
– O que acha dela? – Rishimoru reformulou dessa vez olhando para seu amigo.
Hideraro percebeu, então, que seu amigo não falara como de costume. Com Kazumi foi diferente. Mais sério.
– Ah! Bem, ela é uma menina legal, bonita...e doce. É, e doce! – Hideraro respondeu com um sorriso satisfeito no rosto.
– Você gosta dela? – perguntou Rishimoru.
– Como?
– Isso mesmo. Gosta dela Hideraro-kun?
Hideraro começou a se incomodar com o interrogatório.
– Não, claro que não. Por que? Parece?
– Não, não parece. Foi somente uma pergunta.
Hideraro suspirou. – Você gosta dela né?
Foi a vez de Rishimoru suspirar. – Ah! Sei lá. Ela me tocou um pouco.
– Ãããããhn, tá gostando dela né?
– Não.
– Olha o Rishimoru, olha o Rishimoru-kun. – Hideraro começou a bulir o amigo.
– NÃO! – Rishimoru exclamou um pouco mais alto para que Hideraro parasse.
– O que foi? Qual o problema nisso? – indagou Hideraro sorridente.
– Hideraro-kun, pare, pare com isso!
Hideraro, então, ritmizou. – Rishimoru está apaixonado! Rishimoru está apaixonado!
– PARA! – exclamou Rishimoru mais alto para o amigo que o azucrinava.
Hideraro resolveu cessar. Ele estava sorridente. Foi um bom modo para infernizar o amigo um pouco, porém as coisas não poderiam acabar assim. Quer dizer, nunca pôde antes, então...
– E os Yakisobas? Não vão sair nunca? – perguntou Rishimoru.
Hideraro conseguiu entender de antemão a que Rishimoru se referia.
– Ah! Não sei. – Hideraro olha para o chão. – Eu preciso saber onde ela mora. Eu ia perguntar para ela hoje, mas ela faltou.
Hideraro olha para o céu.
– Por que? Você já quer ir a casa dela é? Ah! Moleque safado.
Rishimoru então gargalha.
– NANIIII (Japonês de “Como?” ou “o que?”)? – Hideraro se exasperou.
Rishimoru mais uma vez orgulhava-se com os olhos fechados e braços cruzados expressando facialmente uma segunda vitória contra o amigo.
– Claro que não, BAKA (Japonês de idiota) – Hideraro o reprimiu.
– Eu só quero saber isso para caso um dia ela precise de mim. Além do mais, ela é uma amiga minha, então é viável eu saber sua casa assim como ela sabe a minha.
– Kazumi também é sua amiga – Rishimoru disse sarcástico.
– O que tem?
– Ah não, nada não.
– Então, você está gostando da Matsume?! – Rishimoru supôs.
Hideraro olha para o amigo por alguns segundos e depois para o céu.
– Sim, quer dizer, mais ou menos. – Hideraro então, olha para o amigo. – Agora já pode me zoar. – se entregou.
Rishimoru se levanta.
– Não. – disse ele de costas para o amigo ainda sentado. – Eu não vou fazê-lo.
Hideraro franze o cenho.
– Isso é algo particular. Você não pode decidir, pois seu coração o faz por ti. É um direito que ele rouba de você. – Rishimoru olha para o amigo, porém ainda de costas. – Parece um sacrilégio né? – Rishimoru então, ri sinuosamente.
Hideraro continua a olhar chocado para ele.
– Eu acredito que as duas gostam de você. Particularmente, eu acho isso. – Rishimoru diz indo em direção a outro lugar.
Hideraro continuava olhando para Rishimoru. Muitas coisas vieram à cabeça dele naquele único instante. Geralmente, eles atraem as garotas, entretanto, dentro da proporção, a regra da vida era: Rishimoru na frente. Então, nunca havia acontecido de entre duas meninas, duas gostarem de Hideraro. Ele percebeu que, por incrível que pareça, Rishimoru poderia estar certo.
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– O que há Mai Kawai?
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Hideraro pensou no segundo dia de aula onde sua cabeça estava doendo e não conseguia fazer a prova de história.
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– Hideraro-kun, você vai ficar bem e depois vamos comer alguns Yakisobas juntos, certo?
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Hideraro pensou no dia em que desmaiou e Matsume foi em sua casa ver como ele estava e oferecer-lhe comerem juntos alguma vez.
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– Mas você mal me...conhece, como pode...?
– Porque eu posso, existem coisas que podem, você vai entender Hideraro-kun
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Hideraro lembrava-se do sonho que tivera com Kazumi quando o primeiro estava de cama.
– Você está mal e eu estou muito mal também, não há mais o que você possa perguntar agora! Eu estou precisando de você acordado!
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É certo de que há sonhos surreais, mas neste caso, aquilo que Kazumi passava no sonho era, sem dúvidas, o que ela sentia de verdade, tanto porque quando ele acordou ela estava quase tão mal quanto o próprio.
Hideraro pensou nisso e também no dia que ela quase o beijou no intervalo das aulas. Naquele momento, teve quase certeza que Rishimoru estava certo, ambas Kazumi e Matsume gostavam dele.
Hideraro ainda olhava para Rishimoru que se distanciava, mas ainda não tinha se afastado tanto. Por um momento, na cabeça dele, veio a tona de que tudo aquilo que Rishimoru tinha dito sobre o coração e sentimentos não era para acontecer. Era como se, naquele dia, Hideraro e Rishimoru tivessem trocado de alma. Sendo assim, Rishimoru tinha ficado com a de Hideraro e ele com a idiota. Hideraro não poderia estar mais confuso.
Depois de tudo, Hideraro refletiu de novo sobre o que Rishimoru disse.
– Eu acredito que as duas gostam de você. Particularmente, eu acho isso.
Hideraro então se levantou e foi em direção ao amigo alguns metros distantes.
– Claro que não claro que não. Nada a ver Rishimoru-kun, nada a ver.
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Os alunos estavam na sala. O fim do dia na escola estava chegando. Faltava apenas alguns minutos. Hideraro estava pensando em seu último final de semana. Ele se divertiu muito com Chiba Kaneko. Ele e a menina rica passearam, lancharam, brincaram e contaram muitas histórias. Histórias que até eu quero saber. A face de Hideraro era de um menino pensador e alegre enquanto pensava em tudo isso. Por vezes, seu rosto deixava escapar um sorrisinho. Ele pensara em quando ele tentava subir no escorregador do parque com Kaneko em seus ombros; quando ele jogara Yakisoba no rosto da criança com todos olhando para eles enquanto gargalhavam e se divertiam com a comida; quando essa lhe deu um golpe de Judô que o virou de cima para baixo e quando se empurravam jogando pinball player x player num fliperama de um salão de jogos próximo.
Depois de cessar seus pensamentos, olhou para Kazumi que, apesar de ainda faltar alguns minutos para acabar a aula, já tinha guardado todos os seus materiais em sua bolsa e estava com o queixo sobre a mesa. Estava encolhida em seus próprios braços que a abraçava como se tivesse com frio. Durante todo o dia Kazumi não havia falado com ele e usava aquela touca sobre a cabeça. O dia estava normalmente quente, mas ela insistia na touca, mesmo quando Rishimoru pedia para ela tirar. Ele ficou se perguntando se ela esquecera que já foram tidos como amigos ou se tinha ficado brava ao perceber que entre ele e Matsume havia rolado um clima. Isso se ela percebeu. Mesmo assim, Hideraro estava intrigado com Kazumi e também achou que ela possivelmente fosse sempre assim. Ele nem a viu em todo o intervalo. Mediante a isso, Matsume tinha faltado na escola e ele também queria saber o por que.
O sinal tocou e, assim como aconteceu no intervalo, Kazumi saiu quase correndo da sala. Hideraro já esperava isso. Ele foi atrás dela numa velocidade equivalente. Saindo da porta ela olhou para trás e percebeu Hideraro próximo com os passos largos. Começou a correr para se afastar e ele fez o mesmo. Hideraro a alcançou e pegou em seu braço virando o corpo dela em direção a ele. Por um momento, seu rosto se contorceu de tanta dor no braço.
– Kazumi, o que há? – perguntou ele ainda segurando no braço dela e tirando seu capuz.
Kazumi estava com seus cabelos lisos um pouco menor do que antes, talvez porque cortou as pontas. Ela o mantinha sempre amarrado dividido em algumas partes e com uma pequena franja no rosto. Desta vez, além de solto, estava um pouco enrolado. Eu, como uma pessoa que não entende bem de estética capilar, posso dizer que seu cabelo ainda poderia aparentar menor por estar enrolado. O mais estranho é que ela estava muito suada como se tivesse acabado de sair de uma maratona. Por um momento, como leitor, me veio à cabeça o dia em que Hideraro estava da mesma forma no parque que Kaneko o tinha achado.
– Nada, não há nada Hideraro-kun.
As palavras de Kazumi soavam firmes e consistentes. Se ela estava tentando se mostrar assim, isso eu já não sei.
– Kazumi, se há algo errado me avise. Eu posso te ajudar. – disse Hideraro tentando conseguir harmonia.
– Não, eu já disse que não há nada. Me solta! – ordenou ela no instante em que ela mesma se soltava.
Kazumi olhou para ele por um ínfimo instante e então fugiu correndo pelo corredor em direção a saída. Hideraro não foi atrás.
Kazumi brava era a tradução de exotismo. Não havia nada mais esquisito do que isso. Kazumi nasceu para ser meiga. Eu acho que qualquer espectador poderia pensar assim.
Hideraro não conseguia deixar de pensar em como o seu dia estava sendo estranho.
Mais uma vez, como um espectador, quem poderá discordar comigo que sua vida depois de vir para o Japão está sendo estranha? Então, ele nem precisa mais se confundir com acontecimentos curiosos.
Os alunos iam saindo da sala passando por Hideraro que estava aturdido com o que acontecera. Talvez Hideraro tenha se acostumado com uma menina que antes o bajulava. Ele tem que entender que mal a conhece. Não há o por que ela mimá-lo.
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Kazumi caminhava pela rua com a bolsa no ombro. Estava novamente com a touca sobre a cabeça. O ar se condensou e uma Garganta se abriu. Um Hollow saiu de lá. Ele era azul e seus punhos e pés brancos como se ele usasse luvas e meias. Os punhos eram largos e os pés pareciam como de patos. Seus dois acrômios eram tão espessos que pareciam dois cilindros por cima dos ombros. Sobre a cabeça haviam vários inchaços, ou galos se preferirem. Os buracos nos olhos da máscara eram praticamente fechados de tão esticados e o buraco Hollow situava-se pouco acima da cintura. Quando ele percebeu Kazumi em sua frente, ribombou um grito de satisfação e Kazumi ficou perplexa em frente a ele. Ele logo foi em direção a ela, mas foi atingido por várias descargas elétricas vindo de sua retaguarda e então, desintegrou-se.
Matsume desceu com um mortal por cima do ombro ainda visível do Hollow e equilibrou-se no chão. O vento que soprou fez a touca da blusa de Kazumi cair. Matsume usava uma camiseta da escola que ficava um tanto larga nela e também vestia um mini shorts, com o emblema da escola. A camiseta e o mini shorts eram brancos e pretos, respectivamente. Seus cabelos negros estavam brilhando conforme a luz do sol e ultrapassavam a bunda quase chegando ao nível do joelho. Sua mão direita segurava uma katana essencialmente de raio materializado o que a fazia reluzir. Ela estava magnífica.
Matsume olhou para sua amiga. – Nossa! Como é duro esse tipo de vida.
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