The Newolder History Of Bleach
6 Capítulo 6: Doubts bring a daughter
Retrospectiva
– Eu preciso lhe fazer uma pergunta. – disse Kazumi a Kiriko-san.
– Prossiga.
– Hideraro-kun também é sensível a ver almas?
Kiriko suspira.
– Sim, ele é sim. – responde Matsume. – Nós já vimos um Hollow juntos.
– Então você também é né? – pergunta Kazumi.
– Sim, sou também. – confirma Kiriko.
Hideraro ia pensando, suarento e de frente para o céu com as pernas e braços jogados sob seu cansaço.
– “Hideraro-kun, você vai ficar bem e depois vamos comer alguns Yakisobas juntos, certo?”
– Humpf! Do jeito que está, é difícil acreditar em “ficar bem”. – Hideraro murmurou na proposta de Matsume enquanto ela vinha em mente.
– Hideraro-kun? – uma voz o chamara no instante após seu pensamento. Uma voz aguda e plenamente pura, como de uma criança. Hideraro olha.
– Hideraro-kun é? – perguntou uma menina pequenina […]
– Você é... – Hideraro se lembra do momento em que foi atropelado. -...aquela criança que eu salvei de ser atropelada – disse surpreso.
– Você...leu minha mente? – perguntou Hideraro confuso.
– Hmm...pode se dizer que sim. Desculpe-me por isso, mas fui quase improvável eu não fazê-lo. – ela respondeu sorrindo e um pouco enrubescida.
– Bom, eu não sei o por que, mas eu consigo ouvir alguns pensamentos […]
Hideraro suspirou. – Qual seu nome criança?
– Me chamo Chiba Kaneko, prazer! – apresenta-se a garotinha com a palma da mão na barriga, outra mão nas costas e curvando-se.
– Ah, deixa disso. Meu nome é Ryooru Hideraro e o prazer é todo meu.
– Hmm, achei que fosse Sandairo – diz a menina com as sobrancelhas franzidas.
Hideraro franze o cenho. – Como? Sandai-ro? — pergunta curioso.
Hideraro suspira e olha para ela durante alguns segundos. – Você não deve ficar aqui. – nega ele.
– Hmm, sei...é que você... – Hideraro coloca a mão na boca de Kaneko imaginando o que ela possivelmente poderia falar.
Kaneko escapa de sua mão. – É que você... – Hideraro derruba Kaneko no chão com seu braço passando em seu pescoço.
– hehehehehehe – gargalha a criança. Sorrindo menos, Kaneko olha nos olhos de Hideraro. Ele dá um breve sorriso e faz cócegas na barriga dela. Kaneko gargalha alto e Hideraro a acompanha.
– Musume-san (Formalmente filha em japonês!) – grita um homem chamando-a.
Kaneko e Hideraro interceptam o que estavam fazendo e olha para ele.
– Otõsan (Pai)? Okãsan (Mãe)? – diz a garota olhando para eles.
– Vem musume-san! Vamos embora. – ordena a mulher que estava do lado do homem que havia chamado Kaneko. Ela se levanta.
– Chichioya! (Papai em japonês), podemos levar Ryooru-dono para casa? Ele está mal, está ferido. – pergunta a garota citando Hideraro formalmente.
Os pais de Kaneko olham para Hideraro no chão, sujo, suarento e aparentemente humilde.
– Ah musume, não podemos. – responde a mãe.
– Melhor não. – completa o pai.
– Kaneko ãn? Eu devia ter percebido. (Kaneko em português é garota afortunada; cheia de dinheiro). Hideraro, então, olha para o lado oposto fechando os olhos, decepcionado.
Kaneko olha para Hideraro. – Desculpe-me Hide-chan e obrigado por salvar a minha vida. — A garota se levanta e vai em direção aos pais que estavam de costas indo embora também.
Kaneko detem-se, se volta novamente para Hideraro que a observava indo embora e se aproxima.
– Hide-chan, eu tenho...uma coisa para você. Por favor, leia. – Kaneko joga o papel sobre o tórax de Hideraro. -...e por favor, me desculpe. – pede ela olhando para o corpo dele com uma face triste e uma voz partida.
CAPÍTULO 6 – Bleach: Doubts bring a daughter
Hideraro olha para o papel dobrado.
Sandairo Hideraro é você quem deve estar lendo esta carta, ou pelo menos quem deveria. estava notificado isso em duas linhas de antecedência ao conteúdo. Então, Ele desdobra e começa a ler.
Bem, meu nome é Chiba Kaneko. É essa identificação que eu conheço.
Meus pais adotivos são Chiba Arasu e Chiba Alice. Tenho 7 anos.
Você deve estar mal, mas eu sei que irá acordar. Eu sei que sua vida não está comprometida. Hoje, quando me salvou, foi de bela coragem sua atitude e eu te agradeço, te agradeço mesmo.
Nesta carta, eu te convido para passar aqui em casa. Também moro na Koremi Boêmi. É fácil de encontrá-la, é a maior casa da rua e para constar, seu número é 78 e fica desalinhada com suas vizinhas, sendo assim, estando mais ao fundo, atrás de um grande jardim que ocupa as extremidades das casas adjacentes.
Tudo bem, você não me conhece, porém eu quero que o faça para lhe contar algumas coisas que não viera simplesmente em minha cabeça, eu realmente senti que preciso, bem como ouvir palavras suas também, que em temática, de certa forma, igualmente correspondem a mim. É a você quem eu devo desentranhar toda parte, aparentemente, mítica da minha vida. Afinal de contas você a salvou.
Sandairo-sun seja forte...seja forte para salvar a sua vida assim como salvou a minha.
Grata, Chiba Kaneko.
Hideraro termina a carta, com seus cabelos curtos e lisos balançando diante a leve brisa do crepúsculo. Ele dobra a carta devagar como se estivesse se decidindo e olha para o céu por alguns segundos.
“Nesta carta, eu te convido para passar aqui em casa”. Hideraro pensava.
“Nesta carta, eu te convido para passar aqui em casa”. Hideraro repetiu a frase.
Hideraro sentou-se.
– Como assim? – Hideraro parecia bastante curioso.
“[...] você não me conhece, porém eu quero que o faça para lhe contar algumas coisas...eu realmente senti que preciso[..]” O cérebro não só indagava sobre o porque daquele conteúdo como também indagava a si próprio do por que estar, inexplicavelmente, sentindo que deve ir até o local sugerido, mesmo também sentindo que pode ser perigoso. Esse último, em definitivo, só pode deixar se subentender de que Hideraro está enlouquecendo.
– Eu vou? Será que eu vou? Que eu devo aceitar? – Hideraro perguntava-se a si mesmo.
Ele se levanta.
– Ah! Sim, eu vou sim. Quem sabe ela não me diz verdades sobre a minha vida que eu nem mesmo sei. – Hideraro disse tentando se convencer de que, pelo fato de que ela pôde ler a mente dele, poderia fazer qualquer tipo de outra coisa.
Hideraro vai caminhando até uma árvore e se solta nela ainda parecendo tão cansado como antes. É possível ver que suas mãos estão sangrando e de uma delas cai uma gota de sangue ao chão. Bem quando isso acontece, Hideraro ouve um ruído altamente ribombante. Não era um ruído, era um grito. Ele olhou para o alto em direção ao horizonte e tinha certeza: era um Hollow. Hideraro deu alguns passos cambaleados para frente, mas caiu no chão e logo fechou os olhos. Não pareceu desmaiar, mas sim, dormir de cansaço.
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E a Fênix, já está com as duas asas? – perguntou um homem sentado numa cadeira, estando visível somente a calça de couro preta e o coturno que calçava.
– Não, eu ainda estou começando a aprimorar somente a primeira – respondeu uma voz soando um pouco mais jovem enquanto que o foco estava em uma metade do cabelo do homem sentado. Era liso e longo até os ombros, assim como o de Hideraro, porém vermelho próximo a rosa e alguns aglomerados de fios eram empinados, parecido a um degradé, mas com um volume ainda maior. É possível notar também, através do canto do seu rosto próximo a orelha, que usava um piercing circular e pequeno e que tem a pele clara.
– Entendo. Então, use essa asa e manobre-a contra aquele Hollow que apareceu ao Sul.
– Certo. Vou te mostrar que fiquei mais forte. – respondeu a voz adolescente enquanto o foco era as paredes e o teto do lugar.
Ele parecia um templo, tinha colunas e pilares arquitetados de maneira semelhante aos antigos. Estava muito escuro e não dava para enxergar muitas coisas além de sombras de objetos, que naturalmente são mais escuras, como de mesas, cadeiras e alguns quadros nas paredes.
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Já às 18h30, Hideraro caminhava, ainda sujo, mas não mais tão suarento e cansado como antes. Ainda sim, caminhava lentamente e respirando fundo tentando recuperar 100% da integridade física. Hideraro para em frente ao portão de uma casa de número 78. Era enorme e tinha um jardim que era três vezes maior que a casa em que ele mora. Isso sem incluir a casa que parecia cerca de duas vezes maior que seu jardim. Sem duvidas, era a casa de Chiba Kaneko. Havia três seguranças nos portão cinza e comprido. Um em cada lado dele e um bem no meio onde ele se abre. Hideraro vai até o do meio e pergunta:
– Chiba Kaneko está?
O segurança de prontidão, sério, olha para o garoto, e claro, considera sua aparência horrível já que era difícil de não se notar. – Quem é você e o que quer com ela? – perguntou ele.
– Meu nome é Ryooru Hideraro. Ela me pediu que viesse, e então, aqui estou.
O segurança olha desconfortado para o menino sujo de lama, grama, suor seco e um pouco mais de muito o que você pode imaginar. Era como se ele estivesse trabalhado na roça durante 12h sem parar embaixo de 42 graus; dando banho em animais, cuidando de todos os plantios e amaneirando “toda” a área campestre. E sozinho para variar.
O segurança usa o rádio para falar com Chiba Kaneko.
– E então? – indagou Hideraro ao segurança após já ter terminado sua conversa de rádio.
– Ela disse que te conhece sim, mas não me deu permissão para entrá-lo.
– Mas... – Hideraro fica um pouco irritado porque sabia que com certeza ele não tinha perguntado se teria que dar permissão. Se ele o fizesse, ela positivaria. Entretanto, Hideraro não exprime a indignação e fica ainda na calçada olhando para a casa. Depois de alguns segundos senta-se sobre a beirada da calçada e junta suas pernas abraçando-as com as mãos.
Depois de alguns minutos ela aparece.
– Hide-chan! Hide-chaaaan! – chamou ela do portão, ainda do lado de dentro.
Hideraro vira sua face. – Kaneko-chan! – exprime.
– Vamos, levante-se! – ela pediu gestionando com seu braço. – Venha cá.
Hideraro se levantou e chegou bem a frente do segurança de novo.
– Abra o portão pra mim Anzen-san. – pediu Kaneko.
– Sim, Chiba-sama.
Ele faz conforme a ordem e Hideraro entra conforme ela o chama gestionando.
– Mas Chiba Kaneko-sama, ele vai entrar? Quero dizer, Chiba Arasu-sama deixou? – questionou o segurança.
– Assim como eu estou dizendo para deixá-lo entrar, também te digo que é eu quem vai ouvir do Oto-san caso ele se manifeste. — repreendeu Kaneko soando muito rude, mas amenizou isso com um subseqüente sorriso.
Ela estava magnífica. Era uma criança que impressionava qualquer um com sua estética. Estava com um vestido novamente branco, um pingente d’ouro cruzando em diagonal a parte do tórax. Por baixo do vestidinho branco estava usando algo parecido com uma meia-calça amarela de seda. O cabelo, desta vez, estava amarrado por uma presilha de cisne branco divididindo-o em três partes, o que não diminuía muito o tamanho de seu cabelo. Além disso, tinha também duas mechas jogadas frente à face bem ao lado dos olhos claros cristalizados. A relação de amarelo e branco era mais do que perfeita. Usava também um cachecol. Quando Hideraro viu não entendeu de imediato, porém percebeu que o vento leve estava se condensando fazendo o clima esfriar. Aquela seria definitivamente uma noite gelada e Kaneko já tinha remediado.
Kaneko pega em suas mãos e vai correndo levemente em direção à porta da casa e sorrindo. Hideraro vai aos tropeços rindo e pedindo pela espera da criança. Essa cena, estranhamente, me deu a sensação de Déjà Vu, porém, ainda não me lembro o que pode ter originado isso. Gostaria que alguém, caso se lembre, me citasse a situação primordial que pôde fazer surgir essa impressão.
Kaneko se dirige a porta e quando vai abri-la, seu pai faz primeiro.
– Ah! Musume-san (O japonês de filha), o que faz aqui fora? – começou a abaixar o tom de voz quando viu Hideraro ao lado de sua filha. – O que ele está fazendo aqui? – indagou o pai normalmente.
– Ah! Eu o chamei pra vir aqui conversar comigo. Ele vai dormir aqui esta noite já que está escurecendo e ficando frio. – respondeu Kaneko.
– Mas musume... – tentaria negar o pai.
– Eu não, não... – Hideraro também o fazia no mesmo instante.
– Chichioya, ele tem que ficar aqui. Ele está sujo, agora é tarde e ele está com a perna e o braço lesos, além da mão que está ferida.
De alguma forma, Kaneko tinha reparado na mão machucada que antes, Hideraro demorara em perceber.
O argumento de Kaneko só convenceu o pai de que aquele era um garoto pobre e imundo.
– Pois bem, ele pode ficar...
Kaneko abraçou seu pai de felicidade antes que ele pudesse terminar
–...mas ele, de imediato, subirá para um banho e irá até a médica para cuidar de seus machucados – que por sinal não eram poucos...e nem muitos. Ele estava pior que tudo –
Após isso, descerá para jantar conosco.
Kaneko sorria. Hideraro não muito. Ele tinha se perdido durante boa parte do dia só por que estava cansado de ouvir certos repetitivos argumentos de sua mãe sobre seu pai. Apesar disso, não queria deixá-la preocupada. Ele também sabia que Rishimoru o estava esperando e que Kazumi poderia estar fazendo um escândalo. Sentia bastante falta da Matsume, o que era estranho. Entretanto, fosse somente sua vontade de comer Yakisoba com alguém já que estava com fome.
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– Kazumi, você já está bem? – perguntava Kiriko para a jovem que estava sentada no sofá de sua casa.
– Bem, como você quer que eu esteja bem? Claro que não estou bem, não estou bem, não estou...
– Melhor, melhor. Melhor foi o que eu quis dizer. Você já está melhor? – corrigiu-se Kiriko fechando suas mãos no braço de Kazumi.
Kazumi olha para baixo.
– Ah... Você já está melhor? – perguntou Kazumi devolvendo a pergunta de Kiriko.
Kiriko olha para ela um pouco.
– Bem, melhor do que antes.
– Bem, melhor do que antes também – respondeu Kazumi igualmente a Kiriko.
Kiriko, então, passa sua mão no braço da jovem tentando apaziguá-la. Kazumi se encolhe e Kiriko senta ao seu lado ainda tentando saná-la.
– Será que Hideraro foi mesmo para muito longe? Haveria razão para isso? – questionou Raizo no outro canto da sala.
– Não, creio que não – Rishimoru respondeu olhando para o chão como se algo tivesse passado pela sua cabeça naquele momento.
Matsume se levanta do outro sofá.
– Kiriko-san, posso te fazer uma pergunta?
– Já fez – Kiriko começa a gargalhar, porém se intercepta quando percebe que ninguém encontra a graça, pelo menos em um momento como esse. – Brincadeira, pergunte.
– Kiriko-san... – Matsume para por alguns segundos. -...Hideraro-kun é...Shinigami?
Kiriko fica paralisada e com os olhos estalados.
– Não, claro que não. Shinigamis não são daqui. Por que essa pergunta?
– É que...existem alguns Shinigamis que se “hospedam” no nosso mundo para combater Hollows de algumas cidades.
Kiriko se mantém surpresa.
– E como você sabe disso?
– Eu já falei com alguns e eles já me responderam que às vezes, tem que ficar aqui por um tempo para defender as almas humanas.
– Isso não é mentira – respondeu Rishimoru. – Uma vez, um Shinigami me falou a mesma coisa.
– Rishimoru-kun... – disse Kiriko parecendo surpresa com aquela revelação do menino.
– Você nunca? – perguntou Raizo. – Nunca algum Shinigami já falou com você?
Kiriko ficou tensa. – Eu não gosto de Shinigamis.
– Por que? – indagou Matsume.
– Shinigamis são espíritos que devem proteger as almas humanas. Porém, muitas vidas não recebem o direito de serem purificadas. Simplesmente, porque um Shinigami faz descaso.
– Um Shinigami não faz descaso. – Raizo repreendeu controladamente.
– Onde estão os Shinigamis encarregados de levar as almas para...o outro lado da vida? – Kiriko se interrompe por um instante, porém termina a pergunta.
– Quantos Shinigamis vocês acham que existem? Dá muito bem para os Shinigamis obterem controle de todos os Pluses (almas de pessoas mortas que vagam pela terra. São ligadas a uma corrente que deve ser quebrada por um Shinigami. Caso isso não ocorra, após um tempo o Plus vira um Hollow) e Hollows. Com certeza, eles ficam perdendo o tempo com nada lá onde vivem e não vem cuidar dos humanos... – Kiriko já estava exacerbada e quase caindo aos choros. -...eles, sem sombra de dúvida, ficam priorizando a burocracia e hierarquia que lá existe. Ninguém quer vir, somente quer mostrar poder e força, somente quer dominar servos e excluir suas funções de Shinigamis. Somente isso...só querem isso – Kiriko foi abaixando o tom de voz, declinou a cabeça, conteve o choro, mas começou a lacrimejar.
Kazumi a abraça amparadamente.
– O que foi? Calma Kiriko-san, calma. – Ela ia fazendo o que pouco antes fizera Kiriko a ela.
– Ainda sim, não entendo o por que você tem tanta raiva dos Shinigamis Kiriko-san. – afirmou Rishimoru.
– Eu não tenho raiva, eu só...não os entendo.
– Falando assim, parece sim que você já falou com um. – disse Raizo.
– Eu não disse que não falei, mas, pensando agora...por que um Shinigami falaria com jovens como vocês? – questionou ela aos amigos de Hideraro.
– Acho que é porque somos sensíveis a ver almas – respondeu Kazumi.
– É. Todas as vezes que um Hollow aparece, ele prefere as almas de maior Reiryoku. Logo, ele, normalmente, vem atrás de nós. – contou Matsume.
– É muito difícil você viver sendo a toda hora perseguido por monstros. – afirmou Matsume.
– E é aí que os Shinigamis aparecem. Então, eles, muitas vezes, nos encontram diante de um Hollow. – concluiu Raizo.
– Com vocês não é assim? – perguntou Matsume.
– Sim. – respondeu Rishimoru.
Ele ainda olhava em direção a janela, pensativo. Não parecia só por preocupação.
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– Então, Hide-chan, eu quero falar um pouco com você. De mim e até de ti. – Kaneko disse.
Eles estavam em seu quarto. Ele era até grande para uma criança de apenas 7 anos e era todo decorado com coisas que, talvez, você pudesse acertar se eventualmente, falasse coisas em que não pudesse acreditar. Pode acreditar em mim.
Hideraro parecia um pouco sonolento e exausto de seu dia, mas estava vestido luxuosamente. Usava uma camiseta toda laranja e uma blusa justa em seu corpo. A blusa era de moletom, marrom e continha alguns bolsos. Todos os detalhes eram vermelhos. Ele a mantinha de zíperes abertos, talvez porque não estivesse com tanto frio, entretanto, o deixou melhor. A calça era azul escura, também de moletom. Usava meias brancas e estava sentado numa cadeira com as pernas dispostas de tal maneira que seus pés estavam embaixo de suas coxas, ou seja, suas pernas estavam juntas a seu corpo e entrelaçadas em si. Apesar de serem roupas de modelos comuns, a qualidade emite a certeza de que tiveram um custo alto. Também, não eram para dormir. Pode ser porque Hideraro não gostava de pijamas ou algo parecido com isso. Possivelmente, Hideraro usava a calça de moletom mais porque estava frio do que porque iria dormir. Ainda era cedo para ir a cama, 20h30 dizia o relógio.
– Bom...ehn...então, eu quero saber o que quer me dizer.
Hideraro estava vacilante, bem diferente da Kaneko confiante que lá estava sentada ao seu lado.
– Hide-chan, você está bem? Ahirí-san te ajudou? – perguntou Kaneko se referindo a enfermeira.
– Sí sí, estou bem sim – respondeu Hideraro com um breve sorriso no rosto.
– Ah, então ta bom – Kaneko ri.
– Mas, e você, ainda está pensando sobre esta tarde quando quase...
– Não, já tinha até esquecido. – interrompeu Kaneko.
– Então você está bem?
– Sim, estou Hide-chan.
– E seus pais não estão assustados não né?
– Não. Ficaram, mas agora não mais. Quando você estava na enfermaria, eles me disseram que você merece o nosso cuidado por ter me salvado.
Hideraro suspirou. – Nada, eu faria isso com qualquer outra pessoa, mas de qualquer modo, eu agradeço pela recepção que eu tenho recebido.
Vocês devem estar se perguntando que tipo de casa era aquela que tinha até uma enfermaria. Bem, era somente uma casa grande com sala de Spa, playground e...uma enfermaria. Eu nem sequer sei como eles podem ter roupas para jovens de 15 anos sendo que lá não há uma pessoa com essa faixa etária.
– Bem, Hide-chan, eu quero me desculpar pela atitude desumilde de meus pais com você.
– Não não, tudo bem. Eu nem ligo muito.
– Mas você ficou um pouco chateado comigo quando eles hesitaram em te ajudar.
– Ah, por um momento sim, mas isso já passou. E não parece que pensa como eles.
– É porque na verdade eles não são meus pais.
Hideraro estala os olhos. – Como é?
– Isso mesmo, não são meus pais.
– Kaneko-chan...
– Eu vou lhe contar – proferiu Kaneko.
– Quando eu nasci, meus pais não tinham condições de me cuidar. Eram pobres, miseráveis e então me abandonaram.
– Te abandonaram? – perguntou Hideraro pasmado.
– Sim. Bem, uma moça me encontrou e me levou para uma instituição onde se abrigam crianças carentes em Karakura.
– Você nasceu em Karakura? – indagou Hideraro.
– Sim.
– Eu também – revelou ele alegrando-se.
– É mesmo? Que bom! Isso é outra coincidência. – disse ela com um sorriso leve.
– Outra coincidência? – perguntou Hideraro para si.
– Bom, continuando o que eu contava-lhe. Nesta instituição, Chiba Alice, que é a herdeira da fortuna do grande médico, filantropo e fundador do hospital Makai, Dansei Yori, junto com seu já marido Chiba Arasu, dono da revista e jornal Okaeri, resolveram me adotar.
– Mas, você se parece com a Alice.
– Coincidência – Kaneko sorri. – Só coincidência.
Era difícil de acreditar. A poderosa família que os dois formavam tinha nela uma menina adotada. Dansei Alice, herdeira da fortuna do maior médico do Japão e Chiba Arasu, dono da Okaeri, a maior produtora de jornais e revistas do Japão, juntos, adotaram uma criança de família miserável. Além do mais, uma criança sensível a ver almas e capaz de “extorquir” os pensamentos dos outros. Definitivamente, não era um vínculo fácil de se considerar.
– E...como você sabe que seus pais eram miseráveis?
– Eles, poucos dias antes de morrer, passaram na instituição perguntando se a criança estava bem. Eles eram, visivelmente, humildes e explicaram que abandonaram a criança porque eles não teriam condições de cuidar e estavam prestes a deixar a vida. Apesar de tudo, não revelaram seus nomes, sobrenomes ou idades. Sequer deram um nome para o bebê.
– E então, seus pais adotivos te nomearam Kaneko. Que modéstia a deles. – ironizou Hideraro um pouco inconformado com o nome atrevido.
– Mas eu acho ele bonito – amenizou ela.
– eu também Kaneko-chan – concordou Hideraro dando ênfase no nome dela.
Hideraro suspira. – Então, você é adotada. Você não parece se limitar a pessoas de classe alta. Os Chibas não te ensinaram a se afastar dos mais humildes?
– Sim. Eles continuamente tentam me restringir das pessoas pobres. Eu não costumo conversar com as pessoas, sejam elas ricas ou pobres, mas dificilmente eu consigo sair do controle dos meus pais sobre falar com os de classes baixas. Mas eu “dou meus pulos”. — Kaneko ri suavemente.
Eles se calaram por alguns segundos.
– Mas e então, eu achei que não encontraria uma pessoa como você. – ela iniciou.
– Ah! Obrigado mesmo, mas aquilo não foi...
– Não me refiro a você ter me salvado. – ela interrompe.
Hideraro suspira.
– Você é...
– Não! – Hideraro expressa um pouco alto interceptando-a.
– O que foi Hide-chan? Qual o problema em você...
– Não! – ele a interrompe mais uma vez. – Eu não sou mais...hmm...e...não gosto mais de lembrar.
– Por que você nega isso?
– Por nada, só porque eu não quero ser assim. Não quero mais isso pra mim.
– Mas por que Hide-chan? – desta última vez a voz de Kaneko soou ainda mais do que harmoniosa. – O que houve? Explique-me. – insistiu ela.
Hideraro olha para baixo e depois volta a olhar para ela.
Kaneko acena para ele com sua face, cobrando as palavras dele.
– Bem, você não vai contar né? – pediu ele com a pergunta.
– Não, não terei o por que falar isso a alguém.
Hideraro olha para ela ainda um tanto relutante.
– É verdade. Pense em mim. Ninguém sabe sobre mim também.
Hideraro enfim aceita depois desse argumento.
– Está bem, vou lhe contar.
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21h30 dizia o relógio...
Na casa de Hideraro, Raizo dormia no sofá da sala. Kazumi dormia na cama de Kiriko-san junto à ela. Suas faces desacordadas expressavam tristeza e Kiriko abraçava a jovem com seu braço, que cobria a barriga de Kazumi. No quarto de Hideraro, Matsume estava dormindo na cama enquanto Rishimoru, que estava ao seu lado deitado, cobria o corpo dela com o cobertor e ficara no sentido oposto olhando a lua pela janela toda aberta. Pensava em alguma coisa.
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8h dizia o relógio...
Estavam todos lá; Kiriko, Rishimoru, Matsume, Kazumi e Raizo. Estavam conversando na pequena e florida sacada da casa de Kiriko. O dia estava ensolarado e a brisa das 6h ainda permanecia.
Eles estavam discutindo, provavelmente, sobre o paradeiro de Hideraro quando todos se interceptam simultaneamente e olham para o portão que se fechara a um instante.
Hideraro vinha caminhando vagaradamente com uma menina ao seu lado. Ela era Chiba Kaneko. Hideraro segurava uma muleta em sua mão direita e olhava para o chão. Apesar de ele estar apoiando-se na muleta para conseguir andar, somente aparentava que mancava um pouco.
– Musu-ko..chan? – disse Kiriko sussurrante.
Todos olhavam-no se aproximando com a cabeça baixa.
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