Notas iniciais
OIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIE, como vão minhas "sobrinhas" lindas/cheirosas/inteligentes/perfeitas ? Pois é, tia Oceans está com a corda toda hoje, sabem o motivo? Leiam o título desse capítulo... Vocês vão ver a relação disso com o capítulo, é só tentar pensar pela Nina (Se não conseguirem, fiquem tranquilas, a tia aqui também demorou horas para sacar isso... E eu falo mais nas notas finais). Ei,eu tô postando meia noite segundo o horário de verão, mas aqui ainda é dia 18 :/ É sinistro, leiam logo essa joça. Bom, esse é o momento que todas vocês estavam esperando (Menos as shippers Nakira, para vocês eu só digo uma coisa: Meus pêsames). Bom, podem dar asas à imaginação e podem acender o fogo das ppks, porque agora a coisa vai pegar fogo. Mentira, eu só estou tentando sacanear vocês. Funcionou? Bom, sobre o capítulo: Tá curto, mas tá intenso. Espero que gostem, eu não via a hora de postar e ler os comentários divosos de vocês de novo... Ah, falando em comentários divosos, eu queria agradecer de joelhos e pernas abertas... Okay, só de joelhos mesmo. Vocês são demais, e a tia Oceans tá muito safada hoje, e falando muita besteira. Enfim, obrigada pelo carinho. Ah, às leitoras novas: Sejam bem vindas! Não deixem a loucura da tia Oceans assustar vocês, a tia é doida mas ama demais vocês todas XD Muito bem, chega de enrolar. Vão ler, enquanto isso eu vou tomar meu remédio (Não, não é remédio pra loucura, é pra garganta inflamada mesmo). Imagem de hoje: Tsubaki Tesão-Da-Minha-Cueca Asahina.

Tamborilei meus dedos em minha barriga, nervosa. Eu sabia que precisava fazer aquilo, mas não conseguia parar de tremer. No começo da noite, eu tentara ganhar coragem. Tinha dito a Louis o que eu queria fazer, e ele me desejara sorte. Eu estava confiante, precisava enfrentar aquilo, assim como Juli me dissera para fazer.

Mas confiar na palavra de um esquilo era um pouco estranho, mesmo sendo a verdade.

Toquei o nome do meu namorado na tela do meu celular, prendendo a respiração. Ouvi um pequeno “bip”, eu já tinha discado, agora não tinha mais volta. Colei o celular contra minha orelha, respirando fundo.

Boa noite, senhorita Kazama – disse a voz de Akira.

Senti meu coração se apertar, gelei.

– Oi, Akira – falei.

Ele deu uma risadinha, esperei.

Que bom que você ligou, eu estava mesmo querendo ouvir sua voz – ele disse, feliz – Como foi sua segunda-feira?

Tentei não perder minha coragem, mas era muito difícil. Akira estava tão leve, ele não merecia aquilo.

– Foi... Normal – falei – E a sua?

A mesma coisa de sempre, Sarah dormiu na aula de geometria de novo, precisei provocar uma briga para que o professor não visse – respondeu, soltando um suspiro pesado – ela está cada vez pior, eu estou preocupado.

Expirei pesadamente, sacudindo a cabeça. Akira parecia ter tido a mesma reação que eu, ouvi sua respiração ficar um pouco mais pesada.

Akira e Sarah tinham um passado longo, mais longo do que eu gostaria. Ambos eram filhos de prostitutas, e moravam junto com as mães e outras prostitutas em um porão na parte mais perigosa da cidade. Eles eram como irmãos, visto que Akira, como era o mais velho, cuidava de Sarah sempre. O cafetão das duas ficara furioso com a mãe de Sarah em uma noite, as crianças escutaram tudo. Sarah viu a mãe ser espancada e morta diante de seus olhos, Akira me contou que ela chorou durante a noite inteira, e não dormia desde então. Desde que eu conheci Sarah, eu sabia que ela não dormia. Ainda tinha medo de ouvir os gritos desesperados da mãe quando fechava os olhos, então sempre dormia pelos cantos da biblioteca ou lugares assim. Pelo que eu sabia, ela tinha medo de ficar sozinha. Mesmo tendo quinze anos, ela morria de medo de escuro. Pelas conversas entrecortadas que eu ouvira dos psicólogos e professores, esse medo devia-se ao fato dela ter morado em um porão escuro durante sua vida toda. Eu sabia que aquilo destruía a garota, e sabia que, consequentemente, aquilo destruía Akira também. Já tentaram dar calmantes à Sarah para fazê-la dormir, funcionara durante um tempo, mas ela sempre acordava no meio da noite, gritando muito.

– Ela ainda está sem dormir? – perguntei.

Esse seria o modo gentil de falar, Sarah não sabe o que é uma noite de sono há meses, desde o dia em que ela desmaiou na aula de geometria – disse Akira – Eu estou tentando aliviar para ela, mas você sabe como é difícil fazer a cabeça dessa garota. Ontem eu carreguei tantos livros que minha coluna parecia estar em brasa, e ainda cobri os dois turnos de vigilância que ela tinha.

Franzi a testa, ele esperou.

– Não se esforce demais, eu não quero que você fique doente – falei – Tente falar com os outros, talvez se isso envolver mais gente, a Sarah aceite descansar direito.

Eu sei, mas é mais forte do que eu, e eu quero ajuda-la – disse Akira.

Suspirei, abrindo um sorriso terno.

– Meu Akira, sempre generoso – falei.

Ele deu uma risadinha, soltando um suspiro amoroso.

Minha Nina, sempre gentil – retrucou – Sinto sua falta.

Respirei fundo, ele fez o mesmo.

– Me desculpe, Akira – falei – Eu sinto muito, mesmo.

Ele não disse nada, talvez estivesse sentindo o desespero em minha voz. Fechei os olhos, tentando não perder a coragem.

– Tem algo que eu preciso te contar – falei.

Minha voz morreu, senti minha garganta se apertar. Akira respirou fundo, como se estivesse se preparando para ouvir.

Pode dizer, estou ouvindo – ele disse.

Abri minha boca, mas não consegui dizer. Respirei fundo, engolindo em seco. Era como se minha garganta estivesse em chamas, eu não conseguia respirar.

– Eu... Eu... – falei, gaguejando – Akira, eu te amo.

Ele não disse nada, fechei minha mão com força, como se fosse bater em alguma coisa.

– Akira, eu traí você – sussurrei.

Assim que pronunciei aquelas palavras, senti como se um peso enorme tivesse sido jogado em meus ombros. Engoli em seco, meus olhos arderam. Akira ficou completamente mudo por um segundo, nem sua respiração parecia existir.

Esperei por um grito que não veio, assim como as acusações que não vieram. Cada segundo de espera era uma tortura, eu sentia um peso enorme em meus pulmões, impedindo-me de respirar direito. Por fim, tão baixo que quase não pude ouvir, Akira suspirou.

Demorou mais do que eu pensava – ele disse.

Foi como se ele tivesse me espetado com um garfo gigante de metal, meu corpo inteiro começou a tremer. Sua voz era dolorosa, ele quase não conseguia falar.

Às vezes eu me pergunto o que eu ainda estou fazendo nesse meio, é mais do que claro para mim o que você sente por eles – disse Akira – Eu te amo, Nina. Mas eu sei que você não sente o mesmo por mim, não mais.

Dei um pulo na cama, sentando-me tão rápido que espantei Juli. Ema tinha saído de novo, eu pegara o esquilo para me fazer companhia. De certa forma, ele era minha motivação para continuar.

– Akira, eu te amo – falei, exasperada – De tudo que eu já senti, esse é o sentimento mais forte, só não tão forte quanto o amor que eu sentia pelos meus pais. Eu nunca deixei de te amar, e nunca parei de pensar em você.

Respirei fundo, sentindo algumas lágrimas saírem. Akira não disse nada, apenas esperou.

– Eu estava bêbada, Ema e eu tomamos algumas cervejas sem comer quase nada – falei – Eu bebi bem mais do que ela, tanto que fiquei morrendo de dor de cabeça depois.

Engoli em seco, fechando os olhos.

– Eu desci para pegar mais bebidas e topei com Tsubaki na cozinha, ele também tinha bebido, eu acho – falei – Ele disse que estava com fome, então eu fiz omeletes. Bebemos mais enquanto eu cozinhava, eu devo ter tomado umas dez garrafas de cerveja. Quando a comida ficou pronta, estávamos tão bêbados que tivemos que nos apoiar um no outro para poder chegar à sala.

Enterrei meu rosto na mão, ouvindo o ruído distante da respiração de Akira.

– Ele começou tudo, eu estava tão bêbada que não consegui me esquivar – falei – Tudo passou em uma espécie de borrão, eu não me lembro de muita coisa, só lembro-me da dor. Eu não conseguia respirar, ele é pesado. Eu chorei muito, minha cabeça parecia prestes a explodir. Eu não sei se continuaria acordada se ficasse ali por mais tempo, mas não tinha força para levantar.

Meu peito se apertou, vestígios daquela noite rodaram em minha cabeça. Senti os beijos quentes de Tsubaki em meu corpo outra vez, meu estômago se revirou.

– Louis acabou com tudo, acho que se não fosse por ele, eu tinha ido parar em um hospital ou coisa parecida – falei – Ele cuidou de mim, eu passei o dia seguinte inteiro vomitando no banheiro dele e desarrumando sua cama. Tomei uns vinte banhos, esfreguei minha pele com tanta força que até feri em alguns pontos. Eu queria me lembrar de mais coisas, queria ter forças para parar de chorar, mas eu não consigo.

Arquejei, tentando fazer meus pulmões funcionarem. Minhas lágrimas lavavam meu rosto, como uma cachoeira. Juli subiu em minha cama, correndo até minhas mãos. Ele embolou-se ali, como se tentasse me passar algum conforto.

Eu odeio estar longe de você, minha Nina – disse Akira, arquejando – Eu estou morrendo de raiva, mas tudo que eu consigo querer agora é abraçar você. Só em pensar no quanto ele te machucou, eu fico até... Ah! Eu fico cego de ódio.

Ele bateu em alguma coisa, pude ouvir um som de coisa se partindo. Funguei, mordendo a língua.

– Me desculpe, Akira – gemi, chorando – Eu sinto muito, me desculpe.

Não chora, Nina. Para com isso – disse Akira, sério – Eu não estou com raiva de você, pare de chorar.

Funguei, confusa. Juli arranhou um pouco meu dedo, como se quisesse chamar minha atenção. Ignorei-o, fungando de novo.

– Como você não sente raiva de mim? Eu fiz a pior coisa do mundo – falei – Eu jurei que te amava, me entreguei a você, mas fiquei bêbada e estraguei um namoro de anos por ser uma patricinha idiota. Como você não me odeia? Eu traí você, Akira!

Tive vontade de jogar o celular contra a parede, mas aquilo não ia me ajudar. Enterrei meu rosto em meus joelhos, sentindo o esquilo da minha irmã escalar meu corpo pela minha blusa.

Eu sei o que aconteceu, sei que não foi sua culpa – disse Akira, irritado – Droga, Nina. Eu já sei disso há dias, para de chorar!

Pisquei, confusa. Encarei o celular, Juli sentou em meu ombro.

– Ki – ele disse, mordiscando minha orelha.

Afastei-o com a mão, voltando minha atenção à respiração de Akira.

Eu estava arrumando os arquivos da Mishima quando meu celular tocou, pensei que era você, mas era esse tal de Tsubaki – contou Akira – Ele disse que pegou meu número com Louis, me contou a história toda e disse que a culpa foi toda dele. Eu odeio esse cara desde aquele dia, mas tenho que admitir que ele gosta mesmo de você para ter feito isso.

Abri e fechei a boca, tensa demais para falar. Juli puxava meus cabelos, ignorei-o.

– Se você sabia, por que não me disse nada? – perguntei, fungando – Você foi gentil comigo em nossos telefonemas mesmo sabendo o que eu tinha feito, por que fez isso consigo mesmo?

Porque eu te amo, Nina Kazama – disse Akira – Eu estava esperando que você mesma me contasse, eu meio que achava que aquilo não passava de um trote ou coisa parecida. Ouvir de você foi ainda pior, por que você demorou tanto? Por acaso você planejava esconder isso de mim? Droga, às vezes eu me odeio por te amar tanto.

Engoli em seco, Akira expirou pesadamente.

Eu não estou com raiva de você, estou com raiva dele, e de mim mesmo – ele disse – É claro que ele te atraiu mais do que eu, para que você iria querer um garoto como eu se você pode ter um homem como ele? Seus irmãos tem tudo, eles podem te dar o mundo, e eu tenho que me contentar com algumas ligações às escuras e três horas semanais ao seu lado.

Sua voz estava carregada de amargura, minha garganta se fechou. Akira respirou fundo, fechei os olhos.

– Eu nunca me importei com dinheiro, eu não ligo para os bens que meus irmãos têm – falei.

Claro que você não liga, você é rica – disse Akira – Seus pais tinham dinheiro; seus pais adotivos tem dinheiro;você veste roupas caras; você mora numa mansão e pertence à uma família cheia de celebridades e pessoas bem sucedidas. É claro que você não liga para o dinheiro, você só vive rodeada por ele. Enquanto isso eu fico aqui, fazendo sacrifícios para tentar ganhar dinheiro. Você tem demais, compra coisas caras só por diversão e esquece de onde você veio com a mesma facilidade que usou para esquecer a dor de perder seus pais.

– Não fale essas coisas, não é justo – falei, engolindo em seco – Eu não pedi para ser adotada, e não os amaria menos se eles não passassem de uma família de maltrapilhos. Pessoas amam pessoas, pelo menos as pessoas de verdade pensam assim.

Akira soltou uma risada carregada de escárnio, arquejei.

Não me venha com essa, se você fosse tão humilde como diz, não faria questão de esfregar na minha cara tudo que sua família de dá toda vez que nos falamos – ele disse, ríspido – É fácil deduzir sua escolha: Entre um cara rico e um cara órfão que mora em um orfanato, quem seria o melhor para você?

O que? – guinchei, incrédula – Acha que eu só fiquei com o Tsubaki pelo fato dele ter dinheiro? Deus, eu estava bêbada!

Akira riu de novo, seu escárnio era tanto que meus pelos se eriçaram.

Se não foi por isso, por que foi? – ele disse – Por que você não me traiu com Bruce ou outro garoto desse orfanato? Por que esperou até ter sido adotada para resolver pular a cerca? Hum? Responde, Nina. O que você viu nele que eu não posso te dar? Eu também tenho um pênis, e você faz questão de se esfregar nele toda vez que nós nos vemos. Eu me sacrifico muito por você, mas você só pensa em abrir as pernas para um ricaço qualquer!

– Cala a boca, idiota! Eu nunca vi Tsubaki como um homem, não a ponto de por em risco nosso namoro para transar com ele. Mas se isso ajuda, saiba que ele é muito, muito melhor do que você nunca vai ser, e aquele foi o melhor orgasmo da minha vida – rosnei – Eu amei você desde a primeira conversa que tivemos, eu nunca me importei com o fato de que você morava em um orfanato. Eu tive sorte, Akira, muita sorte. Uma mulher me escolheu dentre várias crianças melhores do que eu, ela viu alguma coisa em mim que nem eu mesma consigo ver. Eu já fui rejeitada muitas vezes em apenas dois anos, isso doeu tanto quanto a morte dos meus pais. Não me venha falar de dinheiro, porque foi exatamente por causa disso que eu vi meus pais morrerem na minha frente! Sabia que eu lembro até hoje da expressão de dor no rosto da minha mãe? Sabia que eu sinto até hoje o cheiro do sangue do meu pai? Sabia que depois de três dias de luto por eles dois eu descobri que a minha mãe estava grávida? Sabia que eu matei meus pais e meu irmão que nem tinha nascido? Não, não sabia! Não sabia por que eu nunca contei isso para ninguém, eu nunca contei com tantos detalhes como foi ter minha vida destruída bem diante dos meus olhos! E sabe por que eu nunca te contei? Porque eu nunca achei que você fosse me amar se descobrisse o quanto eu sou quebrada, Akira.

Akira ficou mudo, um soluço violento subiu pela minha garganta. Engoli em seco, tossindo um pouco. Tudo que ele me dissera parecia ter virado pedra, e agora estourava meu coração com suas batidas duras. Chorei com mais força, já não sentia vergonha, agora eu estava morrendo de raiva.

– Você acha que eu ligava para o dinheiro deles? – perguntei, cerrando os dentes – Eu trocaria tudo que minha mãe adotiva me deu para ter meus pais de volta, eu trocaria até mesmo a minha vida para que eles voltassem a respirar. Você sabe o que é amor? Você sabe o que é ver sua família ser morta diante de seus olhos por sua culpa? Não! Você não sabe, porque você não tinha uma família! Tudo que você tinha era sua mãe, uma prostituta viciada que tentou vender-se nas ruas para ganhar dinheiro até mesmo depois de descobrir que tinha câncer de estômago. Você não tem ideia do que é perder alguém que ama, já que você nunca amou ninguém de verdade, nem seu pai, o homem que te visitava sempre naqueles hotéis baratos e naquele porão imundo para te dar carinho. Então não venha jogar na minha cara o quanto a minha família adotiva tem dinheiro, você não sabe o que eu faria para ter meus pais de volta!

Joguei o celular no travesseiro, sem me importar em desligar a chamada. Podia ouvir Akira gritar meu nome do outro lado da linha, mas tudo que eu consegui fazer foi chorar. Joguei-me na cama outra vez, abraçando meu travesseiro. Meus soluços eram tão fortes e frequentes que eu quase não conseguia respirar, minhas lágrimas quentes ensopavam meu travesseiro.

A vida é uma coisa frágil. Em um minuto você está bem, e em outro, você só quer gritar.

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Meu celular tocou durante horas, até eu não aguentar mais e ativar o modo silencioso. Eu chorara tanto que quase não conseguia abrir meus olhos, já que meu rosto estava tão inchado que eu não conseguia mover minhas pálpebras. Juli dormia ao lado da minha cabeça, ele ficara ali durante todo meu pranto. Minhas lágrimas pararam de escorrer a uns minutos, eu sentia um gosto terrível em minha boca. Ukyo batera em minha porta umas três vezes, chamando-me para jantar. Eu não levantara da cama, apenas dissera que não estava com fome. Tsubaki também aparecera para me chamar, resolvi ignora-lo.

Eu nunca brigara daquele jeito com Akira, nem mesmo no dia em que ele fora beijado por uma antiga residente. Lembro-me de ter sentido raiva na hora, mas sabia que não fora culpa dele. Sempre fomos unidos, ele foi o primeiro garoto a se aproximar de mim naquele orfanato. Eu ainda estava em choque, não queria comer nem beber nada. Mishima me mandara ao psicólogo, mas eu não queria falar. Akira foi o único que eu não tentei afastar, tinha algo em seus olhos puros que me deixava segura. Eu só fui perceber que estava apaixonada por ele quando Sarah me disse, foi como se toda a dor que eu sentia tivesse me abandonado naquele momento. Akira era minha força, sempre foi assim. Mas aquilo era tudo culpa minha. Eu nem culpava Tsubaki, já que sabia que tudo tinha acontecido porque eu nunca assumira meu namoro com Akira. Eu provocara tudo, era tudo culpa minha. E agora três dos homens mais importantes da minha vida estavam feridos, e eu não conseguia fazer nada além de chorar. Tinha me igualado à pior das mulheres, tinha refeito os passos da mãe de Akira.

Meu celular vibrou outra vez, eu já estava tão acostumada com aquele som que nem me assustei. Juli acordara com aquilo, seus olhinhos fixaram-se em meu rosto. Suspirei, desviando o olhar. Estiquei minha mão para pegar meu celular, nem precisei ver quem era para saber. Atendi a ligação, colocando o celular na orelha sem pressa.

Nina?! Nina, fala comigo! – disse Akira, desesperado.

Suspirei, erguendo o olhar até Juli. Ele me olhava, esperto.

– Por que você não para de ligar? Será que ainda tem mais coisa para você jogar na minha cara? Ou será que você acha que eu já corri para algum ricaço qualquer e estou abrindo as pernas para ele nesse exato minuto? – perguntei.

Minha voz saíra fraca, chorar me deixava assim. Ouvi Akira ofegar, ele engoliu em seco.

Eu preciso falar com você, preciso pedir desculpas – ele disse – Eu sou um idiota, Nina. Eu disse coisas que eu jamais deveria ter dito, eu magoei você por ser um idiota invejoso.

Não falei nada, ele arquejou.

Eu tenho inveja dos seus irmãos, você não sabe o quanto – ele disse – Eles podem te ver sempre, podem te tocar sempre, podem te dar tudo que você pedir, e eu estou preso aqui. Eu não sou homem o bastante para ter você, e tenho inveja deles exatamente por ser inferior. Acabo descontando isso em você, eu sou tão covarde que não consigo me esforçar para melhorar, só consigo te culpar por meus próprios defeitos.

Continuei calada, Akira respirou fundo.

Eu te amo, Nina – ele disse – Você não merece sofrer por minha causa, talvez eu devesse te deixar ir. Talvez um deles seja melhor para você do que eu, talvez você seja mais feliz com um deles do que seria comigo. Eu sou sujo, Nina. Sou tão sujo e quebrado quanto você. Eu sei que você não faz ideia da sujeira que eu varro para debaixo do tapete, se soubesse, já teria me deixado. Talvez fosse melhor assim, você sentiria o nojo que eu sinto agora se soubesse de tudo. Eu tenho nojo de mim mesmo, Nina, e a culpa é toda minha.

Aquilo doeu mais do que nossa discussão, fechei meus olhos. Senti uma nova torrente de lágrimas preparando-se para sair, engoli em seco.

– Você sabe que eu sou a única culpada daqui, não se culpe pelos meus erros – falei, derramando algumas lágrimas – Eu sei que eu não sou o que você merece, então, se você quiser, acabe logo com isso. Eu não quero te machucar mais, você não precisa de uma garota quebrada e suja como eu para piorar sua vida.

Nina, não diga isso, por favor – disse Akira, desesperando-se outra vez – Eu não quero te ver sofrendo, não quando o culpado sou eu.

Respirei fundo, abrindo meus olhos.

– Se você não quer me ver, então é melhor a gente dar um tempo – falei.

Akira parou de respirar, pude sentir seu choque me atingir. Juli chiou, arregalando um pouco seus olhos. Desviei o olhar, engolindo em seco.

Eu não quero isso, Nina – disse Akira, arquejando – Eu não estou com raiva, por favor, não me deixe. Eu te perdoo, meu amor. Por favor, nos dê mais uma chance. Eu preciso de você, Nina, sempre precisei. Se terminarmos, tudo que fizemos, tudo que vivemos terá sido em vão...

– Eu não pedi para terminar, eu só quero um tempo – falei, cortando-o – Nós vamos brigar de novo, Akira. Vai ser muito pior assim, vamos acabar nos machucando ainda mais. Eu preciso pensar agora, eu preciso de um tempo.

Parei de falar, parando para puxar fôlego. Akira respirou fundo várias vezes, parecia estar tentando se acalmar. Juli agarrou meu dedo, balançando o rabo duas vezes. Afaguei sua cabeça, esperando por Akira. Quando ele finalmente parecia ter se acalmado, senti um nervosismo intenso tomar conta de mim.

Se é o que você quer, eu aceito – ele disse – Eu nunca vou deixar de te amar, quero que saiba disso, e quero que saiba que eu perdoarei e aceitarei qualquer decisão que você tomar. Eu ainda estou aqui por você, sempre vou estar, tudo bem?

Sorri, tentando não chorar. Ele parecia estar calmo, mas eu sabia que ele estava fingindo.

– Me desculpe, eu realmente sinto muito – falei.

Tudo bem, amor – ele disse – Está tudo bem.

Respirei fundo, ele esperou. Nenhum de nós parecia saber o que fazer em seguida, e eu não estava ansiosa para desligar. Se desligássemos, significaria que estava acabado. Eu pedi um tempo, mas não sabia se aquilo seria suficiente, ou se nosso amor suportaria. Eu já não sabia a extensão do meu amor por ele, e talvez ele também não soubesse a extensão de seu amor por mim. Éramos dois amantes quebrados, e não sabíamos como juntar nossos pedaços.

– O que a gente faz agora? – perguntei, incerta.

Akira hesitou, esperei.

Eu não sei – ele disse.

Respirei fundo, hesitante.

– Será que é tarde para perguntar como você está se sentindo? – falei.

Ele deu uma risadinha, esperei.

Você não tem jeito, Nina Kazama – ele disse, suspirando.

Dei um pequeno sorriso, suspirando também.

– Eu vou sentir sua falta – falei.

Akira respirou fundo, ouvi-o engolindo em seco. Esperei, Akira arquejou de leve, como se tentasse respirar em meio a um mergulho. Engoli em seco, ele engoliu em seco de novo.

Eu sei que esse é um péssimo jeito de pausar uma relação, mas... – ele disse, suspirando antes de continuar – Eu te amo, Nina.

Suspirei, tocando meu celular.

– Eu também te amo – respondi.

Ele suspirou, mas não disse nada. Tirei o celular da orelha, encerrando a chamada sem olhar para a tela. Virei de barriga para cima na cama, encarando o teto do quarto. A lâmpada apagada era a única coisa que eu via, era como se eu tivesse sido abduzida. Juli subiu em mim, acomodando-se entre meus seios. Ergui minha mão para afagar seus pelos, soltando um suspiro pesado.

– O que eu fiz? – perguntei.

– Ki – Juli disse.

Respirei fundo, parando de afagar os pelos de esquilo por um segundo.

“Eu te amo, Nina”.

Fechei os olhos, aquelas palavras rodavam em minha mente. Talvez ele fosse o culpado por aquela briga, mas eu era a culpada por tê-lo provocado. Se era assim que ele me via, talvez eu devesse ter mesmo virado uma burguesinha metida. Eu era a culpada de tudo, eu não passava de uma vadia.

Uma vadia que abrira as pernas para o próprio irmão, alguém imperdoável.

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Meu estado de luto durou por horas, eu não tinha mexido desde o fim da ligação. Meu corpo parecia estar supersensível, eu sentia até mesmo um mosquito em minha perna, mas não queria mata-lo. Talvez algo em mim fosse bom, talvez meu sangue não transformasse aquele mosquito no inseto mais cretino do mundo. Eu tentava não pensar nas coisas que Akira dissera, mas uma questão rodopiava em minha mente.

Por que Tsubaki ligara? O que ele queria com isso? Era remorso pelo que tínhamos feito? Louis o obrigara a fazer aquilo apenas para me proteger? Eu não conseguia compreender aquele gesto, não da maneira que eu queria. Pelo que eu sabia de homens como o Tsubaki, aquele tipo de comportamento só significava uma coisa. Somando com nossa conversa estranha do dia anterior, e ao carinho que ele demonstrou enquanto... Fazíamos sexo, minha conclusão só ficava mais apavorante. Já era o bastante ter dois irmãos apaixonados por mim, eu não sei se conseguiria lidar com o amor de Tsubaki tão bem quanto lido com o amor de Louis e Iori.

Ouvi uma leve batida na minha porta, trazendo-me de volta à realidade. Sequei minhas lágrimas, a pessoa não disse nada. Resolvi ir até lá, por mais que quisesse ficar sozinha. Sentei na cama, sentindo minha cabeça girar um pouco. Juli pulou em minha cama, encarando-me fixamente enquanto eu levantava. Caminhei até a porta, descalça. Girei a maçaneta, abrindo uma fresta para ver quem era. Parado diante de mim, estava o ruivo mais estranho que eu já conhecera.

– Hikaru? – chamei.

Ele sorriu, piscando os olhos verdes. Estava vestido como uma mulher hoje, tentei não rir.

– Eu mesmo, irmãzinha – ele disse, dando uma risadinha – Será que você vai me deixar entrar?

Pisquei, ele esperou. Seu temperamento também ficava diferente quando ele estava fantasiado, tentei não deixar aquilo me abalar.

– O que veio fazer aqui? Achei que você era ocupado demais para desperdiçar seu precioso tempo com seus irmãos ignorantes – falei.

Ele riu, sua personalidade parecia estar oscilando.

– Eu sou, mas ouvi que você estava passando por um mau momento, então resolvi fazer uma visita – ele disse.

Franzi o cenho, ele me encarou com aqueles olhos espertos.

– Ouviu isso de quem? – perguntei.

Ele deu de ombros, piscando de leve.

– De um cara chamado Tsubaki, algo me diz que vocês se conhecem profundamente – ele disse.

Corei, tenho certeza. Meus olhos se arregalaram, Hikaru prendeu o riso.

– Ele te contou?! – perguntei, exasperada.

O ruivo inclinou-se na minha direção, seu sorriso era quase o sorriso de uma daquelas máscaras sinistras.

– Se ele me contou? Eu vi tudo – ele disse, dando uma risadinha – Calcinha de renda preta? Parece que você é selvagem como aparenta. Bem que Kaname disse, você não tem nada de inocente.

Arregalei meus olhos, Hikaru riu.

– Mas...

– Por que você não me deixa entrar? Acho que passar um tempo com seu irmão estranho que se veste de mulher e não parece ser atraído por mulheres talvez possa te ajudar – ele disse, cortando-me em meio à minha fala.

Arquejei, ele riu daquilo também.

– Você pôs escutas nessa casa? Como sabe de tanta coisa? – falei.

Ele não disse nada, apenas inclinou o rosto para olhar meu quarto por dentro. Engoli em seco, ficando sem opções a não ser sair da frente dele. Quando viu minha reação, Hikaru deu uma risadinha feminina.

– Muito obrigado – ele disse, piscando.

Senti meus pelos se eriçarem, ele riu. O ruivo passou por mim, entrando em meu quarto como se fosse a coisa mais natural do mundo. Uma vez do lado de dentro, ele tirou o casaco vermelho que vestia e atirou-o na cadeira da minha escrivaninha. Pisquei, ele riu.

– Feche a porta, temos muito para conversar – ele disse.

Assenti, mesmo estando um pouco nervosa. Fechei a porta devagar, sentindo que Hikaru me encarava. Quando o encarei novamente, percebi que ele estava sentado na beira da minha cama. Juli rosnava, seus pelos estavam eriçados. O ruivo parecia ignorar o esquilo, olhando-me com um sorriso adorável no rosto.

– Venha, querida – ele disse, estendendo o braço em minha direção.

Estremeci, era como se eu estivesse vendo uma Miwa ruiva e estranha. Hikaru parecia querer rir, mas não fez nada além de esperar por mim. Dei um passo hesitante em sua direção, alerta. Ele não se moveu, seus olhos verdes pareciam duas petecas. Resolvi acabar de vez com aquilo, caminhando em sua direção. Ele deu um sorriso satisfeito, engoli em seco.

– Sente-se, finja que eu sou uma garota, se isso te deixar mais calma – ele disse.

Arrepiei-me, ele não tinha usado sua voz masculina até então. Era difícil imaginar que por baixo de toda aquela maquiagem, existia um homem bonito. Sentei na cama, tentando afastar-me dele discretamente. Pelo modo como ele me olhava, eu tinha certeza de que ele tinha percebido meu nervosismo.

– Quer que eu te conte a minha visão dos fatos antes de você começar a se lastimar de novo? – ele perguntou.

Assenti, curiosa. Ele abriu um sorriso enorme, aproximando-se de mim. Engoli em seco, afastando-me dele nervosamente. O sorriso de Hikaru cresceu, ele sentou-se ao meu lado. Seus braços me puxaram para si, ele abraçou-me de lado, manuseando-me como se eu fosse uma boneca.

– Venha para mim, isso – ele disse, puxando minha cabeça em sua direção – Agora deite, isso, perfeito.

Hikaru deitou minha cabeça em seu ombro, eu estava tão tensa que quase não respirava. Ele deu uma risadinha, entrelaçando seus dedos em meus cabelos. Era estranho ficar assim com uma mulher, ainda que ele não fosse uma.

– Bom, eu tinha um presente para o Ukyo, então acabei passando aqui para o jantar na sexta feira – disse Hikaru, seu tom era divertido – Eu queria ver você, mas fui informado que você e Ema estavam trancadas no quarto tendo uma noite especial. Tentei não maliciar nada, mas foi impossível ao ouvir vocês duas rindo tão alto.

Ele riu, apertando-me um pouco. Aquilo me ofendera, mas eu não conseguia me mexer. De certa forma, ele me prendia.

– Acabei ouvindo sua opinião sobre nossos irmãos, tenho que admitir: Para uma garota com um rosto angelical como o seu, você é uma garota perversa – ele disse – Acabei indo deitar depois daquilo, mas senti sede depois de um tempo e resolvi descer. Quando estava prestes a descer as escadas, deparei-me com uma cena um tanto forte para ter sido protagonizada por uma adolescente.

Hikaru sacudiu-me um pouco, ninando-me. Continuei calada, era como se meu corpo estivesse congelado.

– Tsubaki pode se orgulhar, ele prendeu você como um leão prenderia um gatinho assustado. Algumas das mulheres mais ativas conseguem ser completamente dóceis no sexo, você não me parecia ser desse tipo até eu ver por mim mesmo – ele disse, rindo um pouco – Você tem um corpo lindo para uma garota da sua idade, pode ter certeza de que conseguiu fazer esse velho travesti aqui ter uma ereção. Posso parecer um completo pervertido, mas foi divertido assistir o desempenho do meu irmãozinho e da minha irmãzinha. Você pode se orgulhar, Nina. Tudo em você atrai os homens, acho que você já deve ter percebido isso pelo menos uma vez, seu Akira é um garoto de muita sorte. Ele não deve saber bem o que tem, mas tenha certeza de que o mundo seria um lugar bem mais feliz se você fosse solteira, Srta. Kazama.

Estremeci, finalmente encontrando meus reflexos. Hikaru riu, fazendo carinhos em meus cabelos como se estivéssemos conversando sobre coisas inocentes.

– Quando você gritou, eu fiquei tão excitado que voltei para o quarto para resolver meu problema – ele disse – Eu podia ter descido para participar da brincadeira de vocês, mas acho que fazer sexo a três seria muita coisa para uma garota tão jovem. Se você quiser experimentar isso ou quiser aprender alguma posição diferente um dia, pode vir até mim. Seria apenas um processo educativo, eu adoraria ser seu professor.

Hikaru não parava de me abraçar carinhosamente, como se fosse uma mãe cuidando de sua filha. Eu não conseguia digerir o que ele dizia, mas não conseguia parar de querer ouvir. Aquilo estava aquecendo meu ventre, ainda que eu não me orgulhasse nada daquilo.

– Eu não sinto nada além de desejo por você, então você não tem com o que se preocupar. Não pretendo ser mais um aos seus pés, não hesite em vir até mim se precisar conversar com alguém – ele disse, suspirando – Eu preciso ir para casa agora, só passei aqui para ter essa conversinha animada com você. Eu sei que nem te dei a chance de desabafar, mas eu não estou me sentindo feminino o suficiente para tomar suas dores nesse minuto.

Hikaru me soltou de leve, mas não fez o que eu pensei que ele faria. Em vez de se levantar, ele jogou-me na cama. Seu corpo comprimiu o meu, arregalei os olhos. O ruivo riu da minha reação, confiante o suficiente para ignorar meu nervosismo.

– Mais uma coisa, só para deixar bem registrado – ele disse – Eu não me irritei com o que você disse sobre mim, mas quero que saiba que não é verdade. Se eu ouvir algo assim de novo, farei de questão de te mostrar na hora que eu prezo o que tenho entre as pernas. Pela minha experiência, eu tenho certeza de que você choraria na hora, mas sentiria tanto prazer que talvez fosse precisar de um ou dois dias para se recuperar. Eu nem diria tudo isso assim tão de súbito, mas você me provocou com aquele comentário.

Arregalei os olhos, ele mordeu o lábio cheio de batom. Tentei não vê-lo como uma mulher, mas aquilo era tão difícil quando tentar ficar um mês sem tomar sorvete.

– Eu poderia te mostrar o que tenho agora mesmo, mas sei que você está passando por um momento delicado e precisa pensar um pouco. Admito que você está me deixando excitado com essa carinha, vai ser difícil resistir, mas eu vou tentar. Fora que você nem reage, isso é tão inspirador – ele disse, dando uma risadinha – Ainda que eu não pretenda participar da corrida pelo seu coração, não quero que você me desconsidere como um homem adulto e heterossexual que pode leva-la ao paraíso em apenas cinco minutos. Eu me orgulho de me sacrificar pela minha profissão, mas ainda sou um homem muito ativo.

Pisquei, ele riu de mim. Hikaru baixou seu rosto em direção ao meu, como uma águia em caçada. Quando seus lábios estavam quase tocando os meus, ele parou. Encarei seus olhos verdes, ofegante. Ele deu uma piscadela, dando-me um selinho tão rápido que eu quase não senti. Seus lábios eram quentes, mancaram minha boca com seu batom. Ele afastou-se de mim, rindo baixinho, como se tivesse acabado de presenciar um nascimento.

– Tenha uma boa noite, irmãzinha – ele disse – Nós nos veremos na ceia de natal, pode ter certeza de que você vai adorar o presente que eu escolhi para você.

Como se nada tivesse acontecido ali, ele ergueu-se da cama. Pisquei, quase sem respirar. Ouvi a porta abrir-se e fechar-se, sentei na cama. Juli pulou em meu colo, seus pelos ainda estavam eriçados, mas não tão eriçados quanto os meus. Engoli em seco, sentindo como se estivesse sentada em um maçarico.

O que diabos fora aquilo? Que criatura entra no quarto da irmã e começa a dizer coisas obscenas? Como ele conseguia ser tão dissimulado?

Engolindo em seco, fixei uma coisa na mente: Hikaru era um homem, e eu nunca devia ter duvidado daquilo.

IMAGEM ESPECIAL

Tsubaki Asahina (Segunda temporada... Tesão-da-minha-cueca imaginária).

Notas finais
Então, gostaram? Comentem para deixar a tia Ocenas menos insana! Imagem/Gostoso de hoje---> http://img4.wikia.nocookie.net/__cb20131120064754/brothersconflict/images/6/61/Tsubaki_season_2.png Bom, eu prometi que explicaria, então vamo lá. Seguinte: A Nina tá confusa, insegura e completamente insana. Ela não sabe se fez a coisa certa, não sabe o que pensar de si mesma, não consegue confiar no que seu coração manda e ainda tem medo de magoar os homens da vida dela (Mas ela já magoou, só não se tocou ainda). Nada é fácil de se pensar, e nada está concreto na vida dela agora. Ela sente como se suas certezas fossem ilusões de um passado próximo e distante ao mesmo tempo. Sem ter no que se agarrar, ela acaba vagando na própria tristeza. Se ninguém estender-lhe a mão, ela vai acabar afundando. Sacaram agora? A tia fez o melhor que podia (Com o sono demoníaco que eu tô sentindo agora, é capaz de ninguém entender essa minha explicação complicada). Enfim, eu achei esse título maneiro, o que acharam dele? Próximo capítulo: É surpresa (Eu prometo que é muamba da boa, tia não dá mercadoria ruim pras sobrinhas lindas que ela tem). Enfim, bom fim de semana, e cuidado com a cartinha do Papai Noel (Sem esperança para mim, tia Oceans foi um capeta esse ano :/). Beijo...