The New Girl in the House
7 Série de TV
Notas iniciais
Fechei o chuveiro, estremecendo com a temperatura da válvula de prata. Sequei-me cuidadosamente com a toalha, sorrindo sem querer. O cheiro do meu sabonete novo impregnava o banheiro, espalhando o perfume suave de jasmim por todo o ambiente. Abri o Box de vidro, saindo da área do chuveiro. Passei creme hidratante em todo meu corpo, cantarolando baixinho. Os banhos no orfanatos sempre eram movimentados, já que tínhamos banheiros coletivos separados por sexo. Mesmo que eu tenha banhado-me com meninas durante meus anos de orfanato, nunca era confortável demorar tanto passando hidratante pelo corpo.
Vesti minhas roupas, ainda cantarolando. Perfumei-me com capricho, outra coisa que quase nunca fazia no orfanato. Penteei meus cabelos, arrumei-me o melhor que pude. Ainda precisava conquistar a confiança de alguns outros irmãos, precisava estar impecável.
Saí do banheiro, levando meus pertences pessoais. O som da televisão no andar inferior quase abafava o som das risadas de Wataru, eles deviam estar assistindo uma comédia. Rumei para meu quarto, o corredor estava vazio. Entrei no cômodo sem fechar a porta, não pretendia passar muito tempo lá mesmo. Guardei meus pertences nas prateleiras que eu passara as ultimas duas horas arrumando, minhas roupas já estavam no armário. Guardei minha mala debaixo da cama, ajoelhando-me no chão. Lembrei do meu esconderijo no dormitório do orfanato, deixando um sorriso escapar.
– Onee-chan! – guinchou uma voz infantil.
Levantei-me em um pulo, Wataru saltitou para dentro. Seu pequeno corpo colidiu contra o meu, lançando-me na cama subitamente. Ele me abraçou pela cintura, quase deitando por cima das minhas pernas. Se estivéssemos em um desenho animado, estariam saindo corações de sua cabeça.
– O que você está fazendo? – ele perguntou, enterrando o rosto entre meus seios.
Arfei, tentando entender o que acontecia. Wataru ajeitou-se em meu colo, olhando-me com aqueles olhos claros enormes.
– Nada – respondi, ainda alarmada – Por que o desespero? Tem medo de nunca mais me ver viva?
Wataru deu uma gargalhada, apertando-me ainda mais. Soltei uma risada surpresa, o pequeno me abraçava como se estivesse abraçando uma enorme pilha de ouro.
– Que engraçado, onee-chan – ele disse, ainda rindo.
– Você vai me chamar assim sempre? – perguntei.
Ele assentiu, fixando aquele olhar em mim.
– Algum problema, onee-chan? – perguntou, piscando os olhos.
Abri a boca para responder, mas o olhar de Wataru me impediu. Olhando para aqueles olhos, me senti como se estivesse sendo derretida em uma panela.
– Não, sem problemas – falei, tentando sorrir.
– Ah, onee-chan – disse.
Ele ficou repetindo isso durante um tempo, abraçando-me com força. Tentei respirar, Wataru tinha uma força incrível para sua idade. Lembrei-me do que Rintarou dissera no carro, e ele tinha toda razão.
Os irmãos Asahina eram mimados.
– Vamos assistir a série juntos, onee-chan? – perguntou Wataru, erguendo aquele olhar.
Fiquei sem palavras outra vez, ele era muito fofo. Assenti, tentando lembrar do como se raciocinar.
– Yay! – exclamou.
O garoto pulou da cama, ficando de pé em questão de segundos.
– Vem – chamou-me agarrando minha mão.
Fui puxada por Wataru até estar de pé, não pude conter uma risada surpresa.
– Calma – pedi.
Ele riu, puxando-me para fora. Mal tive tempo de fechar a porta e Wataru já me levava para a escadaria, tropecei nos últimos degraus.
– Wataru, menos – disse Masaomi, esticando o pescoço para ver a cena de onde estava: na cozinha.
– Vamos perder a série se não formos rápidos – disse Wataru, puxando-me outra vez.
Caí no sofá, mal tendo tempo para respirar. O garotinho jogou-se ao meu lado, enroscando-se a mim como um pintinho. Pude ver os corações imaginários saindo de sua cabeça outra vez, soltei um suspiro desesperado.
Eu nunca teria paz.
– Começou! – ele disse, aumentando o volume da televisão.
Fixei meu olhar na tela, podendo ver o tal programa. Era Everybody Hates Chris, uma de minhas séries favoritas. Logo as piadas de Chris Rock começaram a surtir efeito em Wataru e em mim, começamos a rir como duas criancinhas bobas. Tão rápido quanto pude perceber, Wataru deitou-se em meu colo. Envolvi-o com meus braços, dando um sorriso involuntário.
A sensação de paz durou até eu erguer meu rosto para a tela outra vez, meu sorriso murchou aos poucos. Três duplicatas estavam paradas bem na minha frente, olhando-me com quase o mesmo olhar curioso. Eles tinham rostos iguais, olhos do mesmo tom violeta e cortes de cabelo quase iguais. A diferença estava apenas na cor dos cabelos, sendo um moreno, um alaranjado e um esbranquiçado. Os três tinham marcas de nascença discretas no rosto, e eram todos muito lindos.
– Tsubaki, saia da frente da TV – disse Wataru, resmungando.
O de cabelos brancos, Tsubaki, deu um sorriso brincalhão. Observei-o dar um passo a frente, os dois ficaram no mesmo lugar de antes.
– Quem seria essa belezinha aqui? – ele disse, dando-me uma piscadela.
Wataru me olhou, abrindo um sorriso enorme.
– É a minha Nova onee-chan! – respondeu, alegre.
Ergui meu olhar, Tsubaki me olhava intensamente. Tentei um sorriso, saiu uma careta.
– Oi – falei.
Ele riu, os outros dois deram pequenos sorrisos.
– Oi, nova irmã – ele disse.
Sorri, ele fez o mesmo.
– Eu te cumprimentaria melhor, mas... – falei, apontando para Wataru.
Tsubaki riu outra vez, dispensando meu comentário com a mão.
– Não fique mimando-o demais, Wataru não pode ter tudo de você o tempo todo – ele disse, piscando – Somos muitos, ele precisa aprender a compartilhar.
Meus pelos se eriçaram, Wataru sentou-se. Olhei para o pequeno, ele fazia bico. Ergui meu olhar para o rosto de Tsubaki, ele mordia o lábio.
– Mais alguma coisa te impede agora? – perguntou.
Neguei com a cabeça, um sorriso lento espalhando-se em meu rosto.
– Sendo assim... – ele disse, sorrindo.
Ri baixo, erguendo-me do sofá. Ficamos frente a frente, ele devia ter 1,76 de altura. Tsubaki sorriu, aproximando-se de mim. Só me dei por mim quando seus braços fecharam-se em volta do meu corpo, puxando-me para seu peito. Colei em seu corpo, meus braços ficaram espremidos em seu peito. Tsubaki encostou a boca em minha orelha, sua respiração eriçava os pelos de meu pescoço.
– É um prazer conhecê-la, irmãzinha – disse, sua voz tinha um certo tom de riso.
Engoli em seco, Tsubaki não me soltou.
Mais rápido do que pude processar, ele me soltou e pôs a mão atrás da cabeça, gemendo.
– Azusa, isso nunca é legal – resmungou, encarando o irmão moreno. Ele parecia ter levado uma bordoada na orelha, prendi o riso.
O moreno sacudiu a cabeça, desgostoso. Seu olhar me encontrou, sua expressão suavizou-se de imediato.
– Olá, sou Azusa Asahina – ele disse.
Sorri, aproximando-me um pouco mais dele.
– Nina Kazama, é um prazer – falei.
Ele sorriu, trocamos um rápido aperto de mão. O ultimo irmão ainda me olhava, levou um certo tempo para perceber que era o único que me fitava intensamente. Ele sacudiu a cabeça, vindo até mim a passos firmes.
– Natsume Asahina – ele disse, estendendo a mão para mim.
Apertei sua mão, sentindo-me como se estivesse fechando um contrato importante.
– Nina Kazama, é um prazer – repeti, dando um meio sorriso.
Ele assentiu, soltando minha mão. Pisquei, Natsume era um pouco sério demais, não sei ao certo se tinha o conquistado.
– Gostou da casa, irmãzinha? – perguntou Tsubaki, enfiando-se na minha frente outra vez.
Assenti, sorrindo.
– Gostei mais das pessoas, mas é uma boa casa – falei.
Ele riu, mordendo o lábio. Azusa sorriu, postando-se um pouco atrás do irmão. Natsume me olhou, estudando-me.
– Bem, tem um lugar que você deveria conhecer – disse Tsubaki.
Pisquei, curiosa.
– Qual? – perguntei.
Ele riu, aproximando-se mais.
– Mais tarde, irmãzinha, mais tarde – respondeu, piscando o olho direito.
Recuei um passo, recordando-me de Bruce. Tsubaki sorriu, afastando-se um pouco de mim.
– Onee-chan, a série – disse Wataru.
Olhei para ele, o pequeno tinha os braços cruzados. Olhei para os trigêmeos, dando um sorriso tímido.
– Vou lá – falei – Bom conhecer vocês.
Recuei até o sofá, Wataru jogou-se sobre mim outra vez. Tsubaki riu, sentando-se ao meu lado no sofá.
– Eu adoro essa série – ele disse, piscando.
Sorri, fixando meu olhar na tela da televisão. Azusa sentou-se no sofá, franzindo um pouco a testa. Natsume ainda estava parado no meio da sala, ainda me olhando. Dirigi-lhe um sorriso simpático, ele piscou, como se despertasse de um transe.
– Natsume, vai virar um poste se continuar parado aí – disse Tsubaki, colocando seu braço acima do encosto do sofá, quase envolvendo meus ombros.
Natsume fez uma careta, ainda sério.
– Eu já vou, só passei para conhecer a Nina – ele disse, pigarreando – Até outro dia.
Acenei, sorrindo. Ele dirigiu-se á porta de saiu, fechando-a pelo lado de fora. Prendi uma risada, Tsubaki percebeu.
– Um pouco descolado, não acha? – ironizou.
Ri, assentindo levemente. Voltamos nossas atenções para a série, rindo cada vez que algo muito engraçado acontecia. Ema desceu as escadas, sorrindo para nós.
– Posso me juntar a vocês? – perguntou, ainda sorrindo.
Wataru pulou do sofá, indo em sua direção com um sorriso enorme.
– Claro que sim, onee-chan! – disse.
Ri, Tsubaki encarava-me com um sorriso. Seu braço envolvia meus ombros, seu olhar era uma misto de divertimento e sensualidade. Wataru jogou-se no sofá outra vez, sentando Ema em seu lado direito. O garotinho estava no meio de nós duas, sorri.
– Duas onee-chan’s! – ele disse, inventando aquela palavra – Estou no céu.
Rimos muito, Ema afagou o rosto do pequeno. Azusa observava a cena com um sorriso, sorri para ele. O moreno suspirou, contente. Voltei minha atenção à televisão, assistimos a série rindo ocasionalmente.
A porta bateu, e Fuuto entrou. Ele olhou para nossa cena no sofá, Tsubaki dirigiu-lhe um sorriso irônico.
– Fuuto – ele disse – Já conhece nossa nova irmã?
Fuuto me olhou, dei um sorriso inocente. Ele revirou os olhos, grunhindo alguma coisa enquanto subia as escadas. Uma vez no andar de cima, Fuuto olhou para mim. Soprei-lhe um beijo, acenando a sorrindo inocentemente.
– Idiota! – grunhiu.
E sumiu no corredor, ri. Os presentes ficaram me olhando, Tsubaki observava-me atentamente.
–Parece que Fuuto não gosta muito de você – disse Azusa.
Dei de ombros.
– O sentimento é mútuo – respondi, piscando.
Azusa assentiu, dando um meio sorriso. Tsubaki abriu um sorriso lento, fixando seu olhar em meus lábios.
– Interessante, irmãzinha – ele disse.
Sorri, dando de ombros outra vez. Masaomi apareceu, vestia roupas mais formais e tinha um jaleco pendurado no braço direito.
– Vai sair, Masa-san? – perguntou Wataru, ele parecia adorar colocar apelidos nas pessoas.
Masaomi assentiu, fixando seu olhar em mim.
– Recebi um chamado urgente, um dos meus pacientes precisa de novos cuidados – ele disse – Acho que estarei de volta ainda hoje, vai ficar bem?
Ele perguntara aquilo para mim, e perceber isso me fez abrir um grande sorriso. Tsubaki olhou de Masaomi para mim, fazendo uma rápida careta.
– Claro que ela vai ficar bem, ela está comigo – ele disse.
Masaomi sacudiu a cabeça, dirigindo-se à porta.
– Até mais, Masa – falei.
Ele virou o rosto assim que falei o apelido que eu mesma fizera, sorri amplamente diante de sua surpresa. Ele deu um sorriso satisfeito, meu coração se aqueceu.
– Até mais, Nina – respondeu.
Acenei, ele acenou de volta e saiu. Suspirei assim que a porta foi fechada, Tsubaki, Azusa e Wataru ficaram olhando para mim. Fingi que não tinha percebido, voltando a olhar para a televisão. Uma propaganda comercial começou a passar, Wataru cutucou-me.
– Olha! – ele disse.
Prestei mais atenção, entendendo o motivo de sua euforia. Fuuto “Asakura” apareceu, dançando um dos seus “sucessos” novos. Na televisão ele era lindo, olhava para a câmera como se realmente amasse quem estava assistindo. A voz do narrador anunciou a data do próximo show, Fuuto piscou e deu seu sorriso de ídolo para a câmera. O comercial acabou, Wataru pulou em meu colo.
– Ele não foi incrível?! – perguntou, vibrando – Fuuto é um sucesso!
Ri da empolgação do pequeno, ainda que discordasse. A performance de Fuuto fora realmente boa, mas eu detestava aquela maldita capa de bom garoto que ele usava nas entrevistas. Agora que o conhecia de verdade, não iria mais me enganar com aquele sorriso galanteador.
– Bom, para os padrões de idade, ele é incrível – falei.
Tsubaki riu, mesmo Azusa deu um sorriso. Ema permaneceu quieta, como se concordasse, mas não quisesse se comprometer.
– Fuuto é famoso, eu adoro ir aos shows dele – disse Wataru.
Sorri para o pequeno, era muito claro que seu gosto musical ainda não era bom.
– Um dia eu te levo em um show de verdade – falei – Mas antes, preciso moldar sua formação musical.
Wataru me olhou, indeciso. Abri um grande sorriso, sentindo que sua hesitação amolecera por completo.
Parecia que causávamos um efeito igual um ao outro, adorei saber que não era a única a ficar encantada com um grande sorriso.
– Tudo bem, onee-chan – ele disse, voltando á sorrir.
Wataru deitou-se em meu colo, colocando sua cabeça na curva do meu pescoço. Abracei-o com carinho, mesmo tendo o conhecido há apenas algumas horas, Wataru já me conquistara muito. Ficamos daquele jeito durante um tempo, comecei a acariciar-lhe os cabelos como se penteasse uma boneca gigante.
– Isso é belo de se ver – disse alguém.
Olhei para a porta, percebendo agora que eu tinha perdido a chegada de mais três homens no recinto. Um deles usava terno, e era um dos homens mais lindos que eu já tinha visto. Era alto e loiro, seus olhos eram muito azuis e ele devia ter cerca de 1,82 de altura. Ele parecia ser o mais velho dos três, esse devia ser o segundo filho. Ele parecia muito com Miwa, e usava óculos. Ele parecia ser o dono da frase anterior, pois logo deu um passo a frente.
– Você deve ser Nina, não é? – perguntou.
Assenti, tentando me erguer. Wataru ainda estava em meu colo, parecia estar quase dormindo. Levantei com o pequeno no colo, segurando-o com os dois braços. Wataru não era muito pesado, e eu já carregara crianças antes. Fui em direção ao loiro, ele sorriu e estendeu a mão para me cumprimentar.
– Ukyo Asahina, ao seu dispor – ele disse.
Sorri, cumprimentando-o devagar.
– Você já sabe quem sou eu, mas... – falei, piscando – Nina Kazama, é um prazer.
Ele riu um pouco, não era tão serio quanto Natsume, mas tinha seu charme. Sacudi a cabeça para livrar-me do pensamento, outro dos irmãos se aproximou de mim. Era um pouco mais baixo que Ukyo, mas ainda era mais alto do que eu. Seus cabelos eram um pouco mais longos que os de Azusa, e eram de uma tonalidade cinzenta e azulada ao mesmo tempo. Seus olhos da cor da aveia esquadrilharam meu rosto de forma gentil, como se não se importasse muito com minha aparência.
Um verdadeiro príncipe.
– Seja bem vinda, senhorita – ele disse – Sou Iori Asahina, é um imenso prazer conhecê-la.
Sorri, derretendo-me. Iori tomou minha mão, fazendo-me equilibrar Wataru em um braço só. Minha pele foi suavemente beijada, senti o rosto esquentar.
– Sou Nina, é ótimo conhecê-lo, Iori – falei, sorrindo de forma boba.
Ele sorriu, soltando minha mão bem devagar. Ergui meu olhar para o ultimo irmão, precisando olhar para cima como uma criança. Ele era mais alto que Ukyo, se é que era possível. Devia medir 1,83 ou coisa assim, e era dono de um corpo atlético e musculoso. Seus cabelos e olhos tinham o mesmo tom cinzento, como um céu tempestuoso. Olhei-o de cima a baixo umas duas vezes, tentando lembrar de como se pronunciava frases completas.
Que gigante!
– Ah, você é nossa nova irmã – ele disse, direto – Sou Subaru Asahina.
Assenti, ele não estendeu-me sua mão.
– Sou Nina, mas você já deve saber disso – falei, tentando não gaguejar.
Ele assentiu, desviando o olhar. Olhei-o de cima a baixo outra vez, as palavras escaparam da minha boca sem que eu tivesse consciência disso.
– Você é jogador de basquete, não é? – perguntei.
Ele voltou a me olhar, um tanto deslocado.
– Isso mesmo – respondeu.
Olhei-o de cima a baixo pela ultima vez, engolindo em seco.
– Tinha que ser – comentei, sacudindo a cabeça – Acho que já te vi em alguma revista de esportes, você joga pela liga estadual, não?
Ele assentiu, dando um pequeno sorriso. Me senti bem melhor com seu sorriso, graças aos céus Akira é fã de basquete.
– Eu não sou muito ligada a esportes, mas acho que já te vi jogando na TV, fiquei impressionada – falei, sorrindo – É bom te conhecer, alguns dos garotos que eu conheço ficariam impressionados se eu dissesse que você é meu novo irmão.
Ele corou, um pouco encabulado. Sorri, ajeitando o pequeno Wataru em meus braços.
– Obrigado, que bom que gostou – Subaru disse, olhando em volta.
Assenti, inclinando um pouco o rosto para olha-lo nos olhos. Ele me olhou, dei um sorriso gentil. Aos poucos ele foi relaxando, até que sorriu. Abri um grande sorriso, feliz.
– Hum, onee-chan – disse Wataru, sonolento – Eu estou com sono.
Franzi a testa, olhando para o relógio.
– Mas ainda são três da tarde – falei.
Ele bocejou, enterrando o rosto em meu pescoço.
– Ele acordou muito mais cedo do que costuma acordar hoje, disse que não conseguia dormir bem – disse Ukyo.
Acariciei os cabelos de Wataru, sua respiração estava bem mais leve.
– Ele costuma ter problemas para dormir? – perguntei, um pouco preocupada.
Ukyo negou com a cabeça, franzi as sobrancelhas.
– Ele disse que estava muito ansioso com a sua chegada para conseguir dormir – disse Iori, olhando-me ternamente.
Arquejei, abraçando ainda mais o menininho em meu colo. Algumas das crianças do orfanato me tratavam como sua irmã mais velha, logo, eu já tinha aquele sentimento dentro de mim. Mas conhecer Wataru, aquilo mudou muita coisa. Como não amar uma pessoa que mal te conhecia e já confiava tanto em você? Como não amar alguém que mal te conhece e já te ama?
Pisquei, contendo a emoção por um segundo. Todos me olhavam, acho que dei bandeira demais.
– Onde fica o quarto dele? – perguntei, piscando outra vez.
Aguardei pela resposta, Ukyo suspirou.
– Por aqui – chamou-me.
Assenti, seguindo-o até a escadaria. Ukyo dirigiu-se ao corredor dos quartos, dobrando algumas esquerdas. Eu já sabia que aquela casa era enorme, mas só vim perceber o quanto depois que quase me perdi. Ukyo abriu uma porta, parando no corredor.
– É aqui – disse.
Assenti, sorrindo e passando por ele. O quarto era do tamanho do meu, e era completamente repleto de brinquedos. Pelúcias, jogos e pôsteres de desenhos estampavam o quarto, gerando um colorido inquietante. Entrei por completo, indo em direção a cama do pequeno. Depositei-o sobre os travesseiros,Wataru dormia.
– Preciso cuidar de algumas coisas, você pode cuidar dele por um segundo? – perguntou Ukyo, ainda na porta do quarto.
Olhei para Wataru, ele dormia como um anjo.
– Acho que sim, ele não vai dar muito trabalho nessas condições – respondi, olhando para Ukyo por cima do meu ombro.
Ele assentiu, dando um sorriso gentil.
– Obrigado – ele disse – Quando Masaomi não está, geralmente quem cuida dele sou eu. Eu não me negaria, mas realmente preciso resolver umas coisas.
Sorri, virando-me para ele por completo.
– Não precisa se explicar para mim, Ukyo – falei – Eu sou irmã de vocês agora, ficarei feliz em ajudar no que for possível.
Ele sorriu, soltando um suspiro aliviado.
– Tudo bem, obrigado – ele disse – Nos vemos mais tarde.
Assenti, sorrindo e acenando. Ukyo saiu, fechando a porta ao passar. Olhei para Wataru outra vez, tomei um susto ao ver seus olhos enormes abertos.
– A onee-chan vai ficar comigo, não vai? – perguntou, sonolento.
Sorri, inclinando-me um pouco sobre a cama.
– Se você quiser que eu fique, eu fico – respondi.
Ele assentiu, afastando-se até seu corpo colar na parede.
– Deita, onee-chan – pediu, piscando os olhos.
Assenti, sentando-se ao seu lado. Deitei-me devagar, virando-me de frente para ele. Wataru me observou por alguns segundos, depois aconchegou-se a mim. Abracei-o com carinho, soltando um suspiro. Comecei a cantarolar baixinho, acariciando-lhe os cabelos. Wataru logo voltou a dormir, soltando um longo suspiro relaxado. Sorri, depositando um pequeno beijo em sua testa. Tentei sair da cama, mas a forma como Wataru me abraçava não permitia muitos movimentos de minha parte. Suspirei, encarando o rosto adormecido do pequeno.
Ele estava sereno, dormindo em sono profundo. Sua boca esticava-se em um pequeno sorriso, como se ele desfrutasse o momento. Sorri, sacudindo a cabeça. O clima do quarto era maravilhoso, propenso a uma ótima noite de sono. Soltei um bocejo involuntário, piscando os olhos. Percebi que não adiantava lutar contra, eu estava cansada.
Deitei minha cabeça, fechando os olhos e caindo no sono com meu irmãozinho abraçado a mim.
IMAGEM ESPECIAL
Kaname Asahina
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