The New Girl in the House
1 Prólogo - Pequeno resgate
Notas iniciais
– Bruce, anda logo! – chiei, espichando o pescoço para olhar por cima da mesa que usava de esconderijo.
– Estou quase lá – ele respondeu, um pouco longe de mim.
Trinquei os dentes, recuando até o fim do corredor. Esperei por mais uns dois minutos até o ruivo aparecer, sorrindo. Puxei-o até uma sala vazia, fechando a porta pelo lado de dentro. Encarei-o, ansiosa.
– Conseguiu? – perguntei.
Bruce sorriu, estendendo-me um vídeo game portátil com a mão direita.
– E alguma vez eu falhei? – ele perguntou, piscando o olho direito.
Sorri, refreando um grito de animação. Peguei o console e enfiei no bolso no casaco que usava, Bruce enfiou as mãos nos bolsos da sua calça.
– Te devo essa, pirralho – agradeci, piscando meu olho direito.
Virei em direção à porta, pronta para sair. Bruce segurou-me pelo braço, virando-me para ele com um só movimento.
– Não gosto que ninguém me deva nada – ele disse, sorrindo de lado.
Recuei, puxando meu braço se seu aperto.
– Como quer que eu te pague? – perguntei, desconfiada.
Bruce chegou mais perto, encurralando-me na quina de duas paredes.
– Você sabe o que eu quero – ele respondeu, aproximando-se cada vez mais de mim – Eu quero o mesmo que todo garoto desse orfanato quer, eu quero você.
Recuei o máximo que eu pude, Bruce deu um sorriso malicioso.
– Akira vai te matar – avisei, irritada.
Bruce riu, usando seus braços como barreiras para que eu não conseguisse passar.
– Que se dane o Akira – ele disse, mordendo o lábio – Ele não pode ser o único aqui nesta merda que conseguiu um beijo seu.
Tentei afasta-lo, ele apenas riu. Sua boca ficou perigosamente próxima da minha, trinquei os dentes. Soquei-lhe o nariz com toda a força que consegui reunir, fazendo seu corpo dar um tranco para trás. Bruce levou as mãos ao nariz, resmungando palavrões.
– Droga, gatinha má – ele disse, zombando – Bom soco.
Afastei-me dele, indo em direção á porta.
– Não fuja de mim, Nina – Bruce disse, sorrindo maliciosamente – Você sabe que mais cedo ou mais tarde, não adianta tentar fugir, você vai ser minha.
– Sonha, idiota – resmunguei.
Ele riu, abri a porta e saí da sala. Acelerei no corredor, ignorando os garotos mal encarados que me observavam passar através de frestas nas postas de seus dormitórios. Subi três lances de escada quase correndo, indo parar somente na frente da porta do dormitório G-7. Girei a maçaneta, a porta estava trancada, como sempre. Dei duas batidas apressadas, pisando forte.
– Akira – chamei.
Ouvi o som de passos,e logo depois a porta foi aberta. Fui puxada para dentro sem cerimônia alguma, nem pensei em protestar. A porta logo foi fechada, e o garoto virou-se para me encarar.
Akira era uns dez centímetros mais alto do que eu, fazendo-me precisar olhar um pouco para cima para poder ver seu rosto com clareza. Seus olhos azuis me encaravam seriamente, contrastando com o sorrisinho alegre em seus lábios naturalmente rosados. Seus cabelos pretos caiam com perfeição até um pouco abaixo do ombro, ainda que estivessem um pouco despenteados.
– Nina, o que faz aqui? – perguntou, surpreso – Já passaram das dez, o toque de recolher já começou faz tempo.
– Sim, eu sei. Mas eu precisava te ver – respondi, sacudindo as mãos – Te acordei?
Akira negou com a cabeça, seu pequeno sorriso ficou um pouco maior. Sorri, satisfeita.
– Que bom – falei, tirando o console de dentro da jaqueta – Olha o que eu consegui.
Entreguei-o seu console, Akira arregalou os olhos.
– Meu PSP?! Como você conseguiu? A Sra. Mishima confiscou ele ontem – vibrou, pegando o console – Valeu!
Ri, contente por sua reação.
– Não foi nada, eu sei onde ela guarda as coisas que confisca – falei, dando de ombros – Bruce me ajudou.
O sorriso de Akira se fechou, sua expressão ficou séria.
– Bruce? Você foi pedir ajuda logo ao Bruce? – perguntou, um tanto indignado – Ele não faz favores, e sei bem o que ele vai pedir em troca da “ajuda”.
Abri a boca para responder, Akira colocou o console em cima da cômoda ao nosso lado esquerdo.
– Nina, não se pode confiar no Bruce – ele disse, aproximando-se um pouco mais – Ninguém sabe porque ele está aqui, não se confia em alguém que não conhecemos bem.
– Eu sei, Akira. Eu não confio no Bruce, só pedi ajuda – falei, soando como uma garotinha inconsequente – Eu sei o que ele vai querer em troca, ele até tentou...
Calei-me instantaneamente, mas já era tarde. Akira me encarou, expressões raivosas passaram em seu rosto.
– Ele tentou algo? O que aconteceu? – perguntou, nervoso – Droga, eu mato ele.
Akira virou-se, segurando a cabeça com as mãos.
– Calma, Akira. Ele não fez nada comigo, ele até tentou, mas eu dei um soco nele e saí de lá antes que ele tentasse mais alguma coisa – expliquei.
Akira virou-se para me encarar, sua expressão estava mais leve.
– Você deu um soco em Bruce Barnes? – perguntou.
Assenti, Akira deixou uma risada escapar.
– Essa é a minha garota – ele disse.
Sorri, olhando para o chão. Akira aproximou-se mais de mim, tomando-me em seus braços aconchegantes. Abracei-o, sorrindo.
– Estou orgulhoso de você – ele disse, dando um sorriso – Mas eu acabo com ele se ele tentar algo com você de novo.
Ri sem querer, Akira levantou meu queixo com os dedos. Olhei bem no fundo de seus lindos olhos, observando o quão perfeitas eram as esferas azuis que me encaravam. Nossos lábios encostaram-se delicadamente, Akira apertou-me um pouco mais. Meus dedos entrelaçaram-se em seus cabelos, puxando-o para mim de forma cuidadosa. Ele sugou meu lábio inferior, abrindo uma pequena fenda em minha boca para que sua língua pudesse entrar. Ofeguei baixinho, Akira brincava com minha língua usando a sua. Meu ar começava a faltar, mas não encerrei o beijo. Ele apertou minha cintura com a mão direita, mordendo meu lábio inferior. Arquejei, aproveitando a deixa para puxar um pouco de ar. Akira riu em meio ao beijo, encerrando o beijo puxando meu lábio inferior com os dentes. Ficamos nos encarando por um segundo, Akira dava um sorriso de canto.
– Você morre sem ar, mas não para de me beijar. Estou certo? – perguntou, sacudindo a cabeça.
Baixei a cabeça, constrangida. Akira riu, beijando minha testa.
– Você não existe – disse, suspirando – Que bom que eu conheci você, ou meus dias seriam terríveis pelo resto da minha vida.
Foi minha vez de rir, voltei meu olhar para seu rosto.
– Agradeço, também fico muito feliz por ter te conhecido – falei.
Ele sorriu, soltando um suspiro. Suspirei, querendo que aquele momento fosse eterno.
– Eu preciso ir – falei, um pouco infeliz – Posso ser pega na ronda noturna se demorar muito.
Tentei desvencilhar-me dele, mas Akira me segurou.
– Você corre mais riscos de ser pega se sair daqui agora, boba – ele disse, dando um sorriso de canto – Não é um bom plano.
Franzi as sobrancelhas, fingindo estar injuriada.
– Mesmo? Senhor Bom de planos – falei, prendendo um sorriso – O que sugere que eu faça então?
Akira me encarou profundamente, ainda com aquele sorriso de canto.
– Dorme aqui – falou, simplesmente.
Pisquei, um tanto surpresa. Ele esperou minha reação, sorrindo.
– Sério? – perguntei, surpresa – Está me convidado para dormir com você?
Akira assentiu, piscando. Engoli em seco, um tanto nervosa.
– Como vou saber se não é uma armadilha sua, Yushima? – perguntei, desconfiada.
–Não sabe – respondeu, mordendo o lábio – Essa é a beleza da questão, você não tem como saber o que eu quero dizer com isso.
Semicerrei os olhos, ele riu.
–Tentando trapacear? – perguntei – Está tentando se aproveitar de mim?
Akira deu de ombros, empurrando-me na cama. Soltei um arquejo em protesto, ele ignorou-me por completo. Akira tirou meus sapatos, empurrou-me delicadamente para abrir e espaço para si, e por fim deitou-se ao meu lado.
– Quem sabe – respondeu, piscando e apagando a luz do abajur ao lado da cama – Só tem um meio de descobrir.
Ri, Akira puxou-me para seus braços. Aconcheguei-me a ele, sentindo o calor de seu corpo. Ele arrumou meus cabelos, deixando meu pescoço exposto. Akira acariciava delicadamente a pele de meu pescoço, seus lábios roçavam em minha testa.
– Boa noite, Nina – ele disse.
Suspirei, abraçando-o.
– Boa noite, Akira – respondi.
Ele beijou-me rapidamente, deixando-me sentir o gosto de seus lábios outra vez. Akira embalou-me em seus braços, ninando-me cuidadosamente. Adormeci sentindo seu cheiro, percebendo que tinha uma família nos braços quentes de Akira.
IMAGEM ESPECIAL
Nina Kazama

Fale com o autor