Notas iniciais
Oi gente. Pois é, sem loucura hoje, só esse simples "oi" seco. O motivo? Eu to envergonhada demais para ligar o caps lock hoje. Eu sei que demorei mais de duas semanas para postar, e não tenho como me desculpar com vocês por isso. O máximo que eu posso fazer é tentar me explicar, então aqui vou eu. Eu tive uns problemas familiares muito fortes no mês passado, e fiquei sobrecarregada/chocada/desesperada demais para conseguir escrever. Sério, eu ficava olhando pra página do Word, passando os dedos no teclado, mas não saia nada, nem uma letra. Eu fiquei me sentindo terrível por isso, e a pressão só ficou pior. Depois dos problemas citados acima, eu voltei pra escola e já senti a barra que vou ter que carregar esse ano, como segundanista. Eu sei que isso não é lá um motivo muito bom, mas foi exatamente por isso que eu não postei nada antes. Estou atrasada em Just A Dream também, e isso me deixa terrivelmente desesperada. Peço desculpas pela demora, mas não posso mais prometer que não vai mais acontecer. Minha vida está em um momento de transição pós-treta muito grande, então eu peço para que vocês tenham paciência comigo. Eu vou tentar, nem que isso custe minha sanidade, postar com mais frequência. Mas aviso logo, eu não vou desistir da fanfiction. Fiquem tranquilas, eu posso demorar, mas não vou abandonar vocês. Vocês não precisam acreditar em mim, mas é verdade. Deixando isso de lado, gostaria de agradecer aos comentários maravilhosos e por todas as favoritamentos. Vocês são demais, é mais do que eu mereço, com certeza. Muito obrigada por todo carinho e apoio que vocês me dão, eu não sei o que seria de mim sem vocês. Mandando agora um agradecimento especial à Misswar e à Caçadora de Demônios pelas recomendações que me fizeram dançar valsa no teto aqui. Eu amei demais cada palavra das duas, muito obrigada por dar à tia Oceans esse prazer. O capítulo de hoje é dedicado às duas, espero que vocês gostem. Eu não tive tempo de revisar, mas vou tentar resolver isso o mais rápido possível. Se acharem algum erro, avise para que eu possa arrumar. Imagem de hoje, Rintarou.

– Aceito – falei.

Todos olharam para o garoto diante de mim, ele abriu um grande sorriso.

– Aceito – disse, derretendo-se em um suspiro apaixonado.

Mordi a língua para não rir, o “juiz” e o padrinho do noivo fizeram o mesmo.

– Se é da vontade de ambos, e se não tem nenhum invejoso fura-olho que quer acabar com o amor desses dois, eu os declaro marido e mulher – disse o juiz, rindo – Pode beijar a noiva, se o pai dela deixar.

A plateia riu, assim como o noivo. Mordi o lábio, sacudindo-me um pouquinho. Meu suposto noivo aproximou-se de mim, sorrindo de leve. Sorri de volta, fazendo um biquinho. Yelisei corou um pouco, mas aproximou-se do meu bico. Pus a mão em seu ombro, esticando-me para alcançá-lo.

– Eu protesto! – gritou Fuuto, batendo a mão na mesa da professora.

Os espectadores riram, prendi o riso. Liu – o Juiz – suspirou.

– De novo? – ele disse – Esse já é seu terceiro protesto, o que o senhor tem contra o casamento da sua filha?

Fuuto estufou o peito, Ken – o padrinho do noivo – prendeu o riso.

– Ela é minha única filha, e não será tomada de mim por esse conquistador barato! – disse Fuuto, teatral.

Fiz uma careta, atirando meus braços em volta do pescoço de Yelisei.

– Por favor, papai – falei, dramática – Não me separe de meu noivo, eu estou grávida!

Um coro de risadas encheu o ar, os olhos de Fuuto quase pularam para fora.

– Crime! Estupro! – meu “pai” berrou, sacudindo as mãos na direção de Yelisei – Você deflorou minha filha! Eu devia matar você!

A professora quase não conseguia se manter sentada na cadeira, ria tanto que seu corpo magro ameaçava cair a qualquer momento.

– Ele me deu pizza, papai – falei, suspirando – Ele me deu pizza e eu dormi com ele, foi isso.

– Se eu soubesse que era fácil assim pegar a noiva... – disse Ken, sacudindo a cabeça.

A plateia riu de novo, forcei um bico.

– Mas você já me pegou, padrinho – lembrei.

Ele deu de ombros, meu “pai” franziu o cenho de irritação.

– E como você conseguiu? – ele disse.

Ken sorriu, todos nós esperamos.

– Dei sorvete a ela, sua filha adora comer – ele disse.

Fuuto bateu a mão na testa, Yelisei parecia abismado.

– Você dormiu com meu melhor amigo? – perguntou.

Pisquei os olhos, derretendo-me em seus braços.

– Oh, dormi – respondi, sofrida – Ele foi tão mais bruto do que você, me arrancou tanto sangue.

A professora precisou ser amparada por uma garota, Liu se esforçava para não rir demais. Meu suposto noivo fez uma careta, apertando-me em seus braços.

– Se ele te fez sangrar, de onde saiu o sangue que eu te fiz derramar? – perguntou.

Fiz um bico, suspirando de pesar.

– Sempre ando com uma gilete, vai que algum idiota resolve tirar minha virgindade? – perguntei.

Yelisei arquejou, meu pai rosnou de fúria.

– E você ficaria com qualquer idiota? Minha filha, você merece uma surra! – disse Fuuto.

Bati a mão na testa, iniciando um choro muito ridículo.

– Mas, meu pai – comecei, soluçando – Só fiquei com metade da cidade até hoje, meu filho precisava de um pai.

Yelisei arregalou os olhos, Ken não conseguiu se aguentar. Liu acabou seguindo o caminho do irmão, os dois gêmeos começaram uma sequência de risadas muito extravagante. Até mesmo Fuuto rira daquilo, Yelisei conseguiu ter força suficiente para fingir uma cara de mágoa.

– Então você nunca me amou, só queria um pai para seu filho? – ele disse.

Ri baixinho, tentando mascarar aquilo em um suspiro falso.

– Claro que não, e como eu poderia te amar? – respondi – És idiota e fraco, nem mesmo teu irmão menor foi tão impotente como tu foste.

Yelisei arquejou, olhando-me nos olhos.

– Ficaste até com meu irmão? Ele tem dez anos e meio! – protestou.

– E é mais homem do que tu, se satisfez minha filha no teu lugar – disse Fuuto, batendo a mão na mesa – Agora, casem de uma vez. Não quero minha filha virando assunto da cidade!

Sorri para Fuuto, estendendo minha mão em sua direção.

– Oh, como amo este meu velho e incapaz pai – falei, virando-me para Yelisei com um sorriso – Noivo meu, beije-me antes que eu fuja com esse lindo juiz que hoje nos celebra nosso matrimônio.

Liu riu, Ken caiu no chão. Yelisei sorriu, puxando-me para si com uma vontade incomum. Suas bochechas estavam muito vermelhas, mas ele não parecia relutante. Precisei ficar nas pontas dos sapatos, mas consegui plantar um beijo no canto da boca do meu melhor amigo. Ele retribui meu gesto, inclinando seu rosto na direção do meu. Aquele “beijo” durou cerca de cinco segundos, Yelisei segurou-me pela cintura e manteve-me perto dele.

– Já tá bom isso aí, chega! – disse Fuuto.

Ele puxou-me de Yelisei, quase arrancando meu braço. Arquejei, aquilo não estava no roteiro. Por sorte, a professora achou aquilo engraçado. Forcei um sorriso, tentando não encarar o rosto rubro de Yelisei. Fuuto lançou um sorriso incrível para a plateia, algumas garotas tremeram.

– Esse foi nosso trabalho relâmpago, espero que tenham gostado – ele disse, “radiante”.

As garotas suspiraram, os garotos reviraram os olhos. Abri um grande sorriso, tentando entrar na personagem uma última vez. Curvei meu corpo para frente, fazendo uma mesura exagerada para meu público. Um dos garotos – que era conhecido pelo nome “Ayato” – soltou um assovio. Os outros garotos começaram a bater palmas, gritando palavras de incentivo. As garotas juntaram-se à festa assim que meus garotos começaram a sorrir e acenar, Fuuto segurou minha mão e fez uma mesura como a minha. Eu me sentia a própria Marilyn Monroe.

– Foi ótimo, incrível! – saldou-nos a professora – Podem sentar, vocês acabam de ganhar metade da nota do semestre!

Liu soltou um urro de alegria, Ken pulou no irmão. Todos nós rimos, apenas Fuuto revirou os olhos.

– Vamos, filha idiota – ele disse.

Sorri, apertando sua mão.

– Como quiser, meu pai idiota – respondi.

Ele bufou, mas parecia estar prendendo um sorriso. Mordi o lábio, deixando que ele me conduzisse até nossos lugares. Eu estava entre Fuuto e Yelisei este ano, com Liu atrás de mim e seu gêmeo atrás de Yelisei. Ninguém sentava atrás de Fuuto, ouvi algo sobre um tipo de trato entre as garotas, visando “dividir” meu irmão entre elas. Até tentaram me afastar dele, mas eu apenas revirara os olhos. Talvez agora eu fosse odiada, mas eu nunca deixaria que uma tiete maluca atrapalhasse minha vida. Sentei em minha cadeira, meu irmão idiota sentou-se em seu lugar. Olhei em volta, abrindo um pequeno sorriso ao notar que a maioria dos garotos da sala me observava. Yelisei sentou-se ao meu lado, sorria como um menino ao tomar sorvete.

– Bom trabalho lá, Ninfa – ele disse, olhando-me com aquele olhar cálido que ele tinha.

Sorri de volta, ignorando a sobrancelha erguida de Fuuto.

– Você também não foi nenhum amador, amor – falei, dando uma piscadela.

Yelisei corou, rindo timidamente. Ri silenciosamente, suspirando. Aquela peça fora nosso primeiro “trabalho relâmpago”, coisa que a professora Momoi adorava passar. Não era justo fazer aquilo no primeiro dia de aulas, mas eu não conseguia ter raiva daquela mulher. Ela era mais jovial que muita adolescente, esbanjando vitalidade naquele corpo alto e magro. Ela parecia quase frágil, mas era só passar cinco minutos na mesma sala que ela para mudar de opinião. Tinha longos cabelos claros que lhe caiam até abaixo da cintura, contrastando com seus olhos grandes em um lindo tom de verde escuro. Todos os garotos da sala suspiravam por ela, eu já pegara até mesmo Fuuto observando o corpo da professora. Pelo que eu sabia, ela era noiva de outro professor. Só sua aparência já era o bastante para fazer todos amarem suas aulas, mas é claro que ela conseguia equilibrar tudo aquilo com uma linda maneira de cuidar de todos nós.

– Você corta pros dois lados, Ninfa? – perguntou Ken, cutucando-me com um lápis.

Revirei os olhos, meus garotos riram.

– A professora é tão bonita que até a Kazama fica balançada, eu ainda não sei por que eu continuo nutrindo esperanças – disse uma voz.

Olhei por cima do ombro, deparando-me com o tal Ayato sorrindo para mim. Bufei, virando o rosto para frente de novo.

– E quem é você para nutrir esperanças com a minha Ninfa? – indagou Liu, hostil.

Ken fechou a cara, enfatizando as palavras do irmão. Yelisei franziu o cenho, Fuuto nem mesmo se importou. Ayato riu, lançando-me um olhar predatório.

– Ela parece mesmo uma Ninfa, daquelas que ficariam melhores se estivessem nuas em uma floresta qualquer – ele disse.

Fuuto lançou-lhe um olhar assassino, o sorriso de Ayato foi morrendo aos poucos. Liu e Ken juntaram-se a meu irmão, iniciando uma espécie de “mutirão pra assustar garotos imbecis”. Yelisei apenas fechou a cara, ele era um pouco calmo demais para ficar assustador. Bufei, Ayato engoliu em seco.

– Foi só um elogio, vocês não sabem repartir? – ele disse, ligeiramente nervoso.

– Nós vamos “repartir” a sua cara se você falar qualquer coisa sobre a nossa Ninfa outra vez, fui bem claro? – vociferou Ken.

Pisquei, chocada. Todos os presentes encararam meu amigo, até a professora parecia surpresa. Ayato engoliu em seco, abrindo um sorriso tenso.

– Foi um elogio – repetiu.

Ken bufou, Liu fechou a cara pra Ayato. Fuuto nem mesmo disse uma única palavra, apenas fingiu que estivera encarando o quadro durante esse tempo todo. Respirei fundo, a professora deu uma risadinha.

– Está vendo no que dá ser bonita? Os garotos ficam loucos por você, senhorita Kazama – ela disse – Muito bem, vamos começar a aula? Quem aí lembra do último trabalho que fizemos no ano passado.

Yelisei ergueu a mão, ainda um pouco sério. A professora sorriu para ele, assentindo devagar.

– Aquela palestra sobre Michelangelo? – disse Yelisei.

Momoi sorriu, indicando meu amigo com o dedo mindinho.

– Memória impecável como sempre, senhor Sakura – ela disse, sorridente – Exatamente isso, mas eu lembro de ter dito outra coisa no dia da apresentação...

– A senhora pediu para guardarmos o material que pesquisamos para expandir a palestra a um dia de visitas – disse uma garota que eu nem tentara aprender o nome.

A professora aplaudiu, a aluna corou um pouco.

– Correto! Muito bem, senhorita Suzuki – disse a professora – Vou dar mais detalhes sobre isso no decorrer desse mês, quero tudo pronto pro mês de agosto. Quem se dedicar, ganha o imenso prazer de escrever o discurso de despedida de vocês.

Suspirei, os alunos começaram a cochichar. Uma sensação de nostalgia me preencheu, eu já estava concluindo o ensino médio. Em breve eu teria que ir pra faculdade, mas não sabia direito que carreira queria seguir. Talvez eu devesse perguntar aos meus irmãos como eram as áreas que eles trabalhavam, alguma delas devia atrair meu interesse.

Bom, os profissionais atraiam meu interesse, talvez as profissões também consigam. Eu nunca me vi trabalhando em um escritório, mas não me importaria nem um pouco de ficar em um escritório com Natsume ou Ukyo. Nunca fui fã de hospitais, mas seria uma médica dedicada só para dividir um consultório com Masaomi. Nunca pensei em trabalhar com dublagens, mas adoraria estar perto de Azusa e Tsubaki o tempo todo. Eu talvez pudesse virar fotógrafa, nada melhor do que ter um lindo modelo em casa para se ter motivação. Eu não sabia jogar, mas talvez pudesse ser algum tipo de profissional da área do esporte para ajudar Subaru... Talvez nutricionista, aí eu seria médica e ficaria perto do meu irmão atleta. Talvez Wataru... Não, Wataru ainda era criança. Eu nem sabia o que Yusuke e Ema iam fazer, mas aqueles dois deviam gostar de arquitetura ou coisa do tipo. Trabalhar com Fuuto estava fora de cogitação, eu não passaria horas do meu dia com ele nem se fosse paga... O que eu iria ser. Mas não compensava, eu preferia mil vezes virar mafiosa.

–... E à biblioteca também – disse a professora, tirando-me de meus devaneios – Esse trabalho de hoje foi apenas uma prévia, faremos muita coisa este ano. Vou pedir para alguém se voluntariar para ser o representante da turma e outro alguém ser o vice. Lembrando que, se o aluno escolhido para representar vocês não vier às aulas com frequência, o cargo será dado ao vice.

Ninguém ergueu a mão de imediato, mas a maioria dos alunos começou a cochichar com seus amigos. Sorri de leve, era incrível como os japoneses eram organizados. A escola do orfanato não era lá uma maravilha, mas era legal ver como tudo funcionava. Eu nunca quisera muito assumir o controle de nada por lá, mas adoraria saber como Akira se sentia. Ele era muito procurado para tudo, como se fosse o “cabeça” dos alunos. Eu já fora do conselho estudantil, mas ele era muito mais requisitado do que eu. Eu era venerada pelas crianças, mas isso era tudo.

– Nina? – chamou-me Yelisei – Você está acordada?

Pisquei, percebendo um pouco tarde demais que ele me encarava. Sorri de leve, assentindo uma vez. Yelisei sorriu um pouco, tomando fôlego antes de falar.

– Você quer tentar? Acho que faríamos uma boa dupla – ele disse.

Ri, um pouco surpresa.

– Eu? Yelisei, você é perfeito para o cargo, mas eu não sei nada sobre liderar – falei.

Yelisei parecia ter murchado um pouco, olhando para minha mesa.

– Só seja minha vice, você não vai precisar fazer nada – ele disse, mordendo o lábio inferior de forma ligeira – Por favor, ninguém mais quer ser vice.

– Eu quero – interveio Ken.

Liu deu um soco no braço do irmão, lançando-lhe um olhar de advertência. Ken demorou um segundo para entender, mas quando o fez, abriu um sorriso malicioso.

– Isso mesmo, Ninfa – ele disse – Você faria uma ótima dupla com Yelisha, seja na escola ou no altar.

Yelisei corou, arquejando. Revirei os olhos, os gêmeos riram.

– V-vocês dois... – começou Yelisei, engolindo em seco – Enfim, você aceita ser minha vice?

Tive que prender o riso para não humilhá-lo, Yelisei esperou por minha resposta. Tossi para disfarçar, ele respirou fundo.

– Sinto muito, Yelisha – respondi – Essa vida de vice-representante não é pra mim, eu nem consigo ser uma boa aluna.

Ele murchou, foi bastante visível. Ouvi uma risadinha debochada ao meu lado, nem precisei olhar para ver que Fuuto achara aquilo divertido. Liu e Ken pararam de rir, enquanto Yelisei deu um sorrisinho sem graça.

– Ah, tudo bem – ele disse – Obrigado assim mesmo, por ter sido delicada.

Forcei um sorriso, ele fez o mesmo. Fuuto deu outra risadinha debochada, respirei fundo para não chutá-lo. Ken cutucou Liu e disse alguma coisa no ouvido do irmão, que assentiu uma vez e fingiu que eu não os via. Pisquei, confusa. Ergui o olhar até Yelisei, surpreendendo-me com o que vi. O garoto sempre sorridente estava sem um sorriso no rosto, ele respirava bem devagar. Franzi o cenho, soltando um suspiro pesado.

– Você está bem? – perguntei.

Precisei cutucar Yelisei com a ponta do sapato para fazê-lo me ver, ele sorriu de leve.

– Sim, por que não estaria? – respondeu.

Suspirei, tentando prestar atenção no que a professora dizia.

–... Alguém? – ela perguntou, sorrindo sugestivamente para Yelisei.

Meu amigo negou com a cabeça, respirando fundo. Suspirei, a professora assentiu de leve.

– Vamos fazer uma votação – ela disse.

Meu amigo mais próximo soltou um suspiro pesado, fazendo-me imitar seu gesto.

– Eu não acredito que eu vou fazer isso – resmunguei.

Ergui-me da cadeira, atraindo a atenção do todos os presentes. Lancei um breve sorriso a Yelisei, caminhando em direção à professora assim que ele abriu um lindo sorriso surpreso e incrédulo para mim.

Valeria o esforço, eu tinha certeza.

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– Eu ainda não acredito que eu fiz aquilo – cochichei.

Yelisei riu baixinho, apertando minha mão levemente.

– Obrigado – cochichou de volta.

Sorri, ele fez o mesmo para mim. Olhei em volta, tentando achar o livro que a professora pedira. Espiei Yelisei por cima do ombro, o garoto procurava o livro em uma prateleira paralela a que eu estava.

– Que livro estamos procurando mesmo? – cochichei.

Yelisei não me olhou ao responder, parecia muito focado em sua tarefa. Mordi o lábio, ele tinha mesmo vocação para representante de turma.

O Diário de Anne Frank – respondeu.

Franzi o cenho, Yelisei não percebeu.

– E o que esse livro tem a ver com a aula dela? – perguntou.

Ele deu de ombros, ainda sem parar de procurar. Sacudi a cabeça, suspirando. Voltei meu olhar até a estante de livros, tentando achar o título certo. A biblioteca da escola era muito bem abastecida, eu vira livros ali que eu nem sabia que existiam. Devia dar um trabalho terrível arrumar aquilo tudo, eu esperava sinceramente que meu cargo de vice-representante não me obrigasse a fazer aquilo.

– Achei – disse Yelisei.

Soltei um suspiro de alívio, queria ir para casa. Meu amigo pegou o livro com cuidado, erguendo o olhar para encontrar o meu. Ele sorriu de leve, desviando o olhar.

– Precisamos fazer o que agora? Ir pra casa? – perguntei.

Yelisei negou com a cabeça, sorrindo mais um pouco.

– Ainda temos que organizar o mapa da sala, organizar as atividades de matemática e entregar o livro à professora – ele disse – Só depois poderemos ir, isso é, se ninguém mais precisar da nossa ajuda.

Respirei fundo, Yelisei parecia se divertir com aquilo. Sacudi a cabeça, forçando um sorriso.

– Eu já entrei nessa roubada mesmo – falei – Culpa sua, sabia? Você não devia fazer carinha de cachorro abandonado quando uma garota molenga te nega alguma coisa, é injusto.

Ele riu, sacudindo a cabeça. Sorri de leve, desviando o olhar até a saída da biblioteca.

– Vamos logo? Quero terminar isso ainda hoje – falei.

Yelisei assentiu, rindo pelo nariz. Ele dirigiu-se à saída, espiando-me por cima do ombro. Sorri, seguindo-o. O garoto abriu a porta da biblioteca pra mim, lembrando-me o motivo que me levou a aceitar ser sua vice. Talvez eu não conseguisse viver comigo mesma se deixasse Yelisei triste pelo resto do ano letivo, ele era simplesmente fofo demais. Liu e Ken praticamente organizaram uma torcida para nós assim que a professora anunciou nossa candidatura, fazendo cerca de 99% dos alunos da sala ovacionarem Yelisei e eu como se fôssemos os salvadores do universo. O único que nem mesmo esboçou uma reação feliz foi meu querido irmão, que Yelisei e eu resolvemos ignorar. Ninguém precisava da implicância do Fuuto para viver, e já que eu estava nessa para deixar meu amigo feliz, por que daria atenção ao cara que mais detesta Yelisei?

Meu amigo entrou em nossa sala de aula primeiro, deixando a porta aberta para mim. Sorri, era fácil se acostumar com aqueles mimos. A sala parecia ainda mais espaçosa quando estava vazia, acomodava facilmente cinquenta alunos em minha faixa de idade. O quadro estava limpo até demais, o brilho branco ameaçava cegar uma pessoa desavisada. Uma tela com vários pinos coloridos fora colocada no lado esquerdo, ladeando o quadro. A mesa da professora, agora vazia, era posicionada na frente do quadro. Eu achava aquilo estupidez, como iríamos ver o que estava escrito no quadro se a professora estava sentada bem na nossa frente?

Yelesei tossiu baixinho, fazendo-me erguer uma sobrancelha. Ele sorriu de leve, olhando-me com certo orgulho. Sorri de leve, cruzando os braços. Ele ampliou aquele sorriso, desviando o olhar até o quadro com pinos. Ele estava sorridente daquele jeito desde o momento em que fomos nomeados os representantes de turma. Eu até decorara seus movimentos, como se ele estivesse programado para fazer aquilo. Ele tossia, me olhava, percebia que eu estava olhando pra ele, sorria, eu sorria de volta, ele sorria ainda mais, desviava o olhar, suspirava...

– Você cuida do mapa da sala? – perguntou Yelisei, lançando-me um rápido olhar – É fácil, você só precisa usar a memória e arrumar de acordo com o posicionamento de hoje.

Assenti, fazendo um pequeno bico e olhando em volta. Eu lembrava mais ou menos, já que parara de prestar atenção no posicionamento assim que meus amigos escolheram seus lugares. Eu não falava com metade dos alunos da sala, já que minha classe era cheia de fãs do Fuuto. Chegar com ele e ficar o dia todo perto dele fazia de mim um alvo, pelo menos metade das garotas do colégio me odiavam apenas por me verem com seu querido cantor. Eu tinha sorte por ter meus amigos, já que eles afastavam as fanáticas malucas que, uma vez, tentaram colocar cola em meu milk-shake de morango.

– Esses pinos representam os alunos – disse Yelisei, despertando-me de meus devaneios – Os azuis representam os garotos, e os vermelhos, as garotas. Você coloca os pinos em cada um desses quadradinhos, que representam as cadeiras, e depois escreve o nome de cada aluno. É simples, consegue fazer sozinha?

Assenti, ainda que não fizesse ideia de como se escrevia o nome de alguns alunos. Yelisei abriu um sorriso contente, seus olhos brilhavam como estrelas.

– Sabia que você seria uma boa vice – ele disse, feliz – Vou entregar o livro à professora, pode arrumar o mapa e esperar por mim aqui?

– Claro – respondi, sorrindo de leve.

Ele sorriu ainda mais, radiante. Aquilo me fez rir baixinho, era incrível o modo como ele agia de vez em quando. Esse entusiasmo todo raramente era mostrado, eu só via esse lado do garoto quando estávamos sozinhos como agora. Era fofo, eu sentia como se Yelisei fosse meu irmão mais novo, ou um primo doce e distante.

– Volto em um minuto – ele disse.

Assenti, acenando rapidamente. Ele sorriu para o chão, dirigindo-se à saída. Observei-o até que ele estivesse fora das vistas, suspirei. Olhei em volta, tentando voltar mentalmente ao momento em que todos escolheram seus lugares. Minha memória era terrível, mas, inexplicavelmente, eu lembrava da maioria. Sorri pro nada, girando nos calcanhares para encarar o quadro dos pinos. Tirei-o de seu apoio na parede e coloquei-o sobre a mesa da professora, assim seria bem mais fácil organizar tudo. Curvei-me sobre a mesa, apoiando as mãos uma em cada lado do quadro. Espalhei os pinos coloridos com a mão direita, e peguei logo um pino vermelho para me representar. Depois de lançar um rápido olhar ao lugar que eu escolhera, preguei o pino vermelho na quarta cadeira da penúltima fileira. Peguei quatro pinos azuis para representar meus garotos, e posicionei cada um no lugar certo. Posicionei o pino azul que representaria Fuuto de forma bem inclinada na minha direção, e arrumei meu pino de forma que parecia que ele estava chutando o pino de Fuuto. Abri um sorriso malicioso, até que aquele era um bom trabalho.

– Trouxe a lista dos alunos – disse uma voz.

Ergui o olhar, deparando-me com o rosto sorridente de meu companheiro representante. Sorri, ele carregava uma pasta amarela cheia de papeis.

– Esses são os testes de matemática? – perguntei.

Yelisei assentiu, colocando a pasta em cima da mesa da professora. Sorri de leve, voltando minha atenção ao quadro dos pinos. Yelisei escorregou uma folha de papel até minha mão esquerda, sorrindo. Sorri para agradecer, os olhos dele pareciam petecas molhadas, tamanho era seu brilho. Sorri para a mesa, sacudindo a cabeça. Se fôssemos animais, ele seria um labrador animado e fiel. Ri silenciosamente, ele começou a organizar os testes. Tentei fixar minha atenção no trabalho que precisava realizar, até que deu certo. Posicionei mais alguns pinos no quadro, lançando olhares ocasionais às cadeiras. Percebi um pouco tarde demais que meu pino vermelho estava quase completamente ladeado por pinos azuis. Aparentemente, o posicionamento desse ano seria por zonas. Meu pino era o único vermelho dentro da zona azul, o que devia fazer de mim um garoto no corpo errado. Ou a dona de uma harém composto por garotos, eu preferia a segunda opção. Não tinha nenhum pino azul dentro da zona vermelha, o que me leva a pensar: Se eu não estudasse ali, será que os pontos vermelhos estariam ladeando Fuuto completamente? Eu não era a única garota perto de Fuuto no ano passado, o que mudara nesse ano?

Soltei um suspiro, posicionando o ultimo pino vermelho no ultimo espaço em branco. Eu nem levara tanto tempo para arrumar tudo, já podia me considerar uma verdadeira profissional. Estava prestes a escrever “Poder Kazama” no quadro quando ouvi uma risadinha divertida, ergui o olhar. Yelisei colocava a última folha de papel na pilha dos testes, ele ria pras folhas como se elas tivessem contado uma ótima piada.

– O que é engraçado? – perguntei, cruzando os braços.

Yelisei abriu um sorriso torto, juntando todos os testes.

– Você está parecendo uma feminista que acabou de parir quadrigêmeos sem a ajuda de um médico – ele disse, rindo em meio à frase.

Bufei, cedendo-lhe um sorriso.

– Ei, eu tenho uma péssima memória, lembrar de tudo que eu lembrei é quase um milagre – falei.

Ele riu de novo, sacudindo a cabeça.

– Então acho melhor eu dar uma conferida – ele disse.

Bufei, fazendo-o rir mais uma vez. Afastei-me da mesa para que meu amigo pudesse olhar, ele abriu um sorriso orgulhoso para mim.

– Muito bom, ótimo trabalho para uma péssima aluna – ele disse.

Fiz uma careta indignada, ainda que risse por dentro. Cruzei os braços, meu amigo riu baixinho.

– E quem foi que disse que eu sou uma péssima aluna? – indaguei.

Yelisei apontou para mim com a lista de alunos.

– Você mesma – ele disse, enfatizando seu gesto.

Ri, negando com a cabeça.

– Nada disso, eu disse apenas que não conseguia ser uma boa aluna – falei.

Yelisei sorriu, fixando seu olhar no meu.

– Você não disse que era péssima, mas foi o que deu a entender – ele disse, seus dentes brilhavam naquele sorriso – Acho melhor você aprender a falar com mais clareza, você pode se meter em uma enrascada qualquer dia.

Bufei, sustentando seu olhar.

– Você não faz ideia, meu caro – falei.

Ele sorriu de novo, fiz o mesmo. Encaramos-nos por algum tempo, ele estudava minha expressão, como se tentasse descobri o nível de verdade em minha última fala. Por fim, ele desviou o olhar.

– Acho que já podemos ir, fizemos tudo que precisávamos – ele disse, pigarreando ligeiramente – Vou pedir nossa dispensa ao diretor, pode me esperar lá embaixo?

– Claro! – respondi, dando um pulinho.

Yelisei riu, sorri.

– Até logo – ele disse.

Assenti, ele pegou seus papéis e dirigiu-se à saída. Suspirei, aproveitando a privacidade para fazer alguns alongamentos. Eu passara bastante tempo das minhas férias pesquisando exercícios e alongamentos para perder peso, já que ganhara peso durante o fim do ano. Eu não me incomodaria, se minhas roupas não tivessem ficado um pouco mais apertadas. Não consegui nem entrar em uma calça jeans, e quase arranquei minha pele para tentar diminuir o volume de meu corpo. Mas isso teve seu lado bom, já que agora eu não sentia me sentia mais uma garotinha. Vi na internet que ganhar peso pode ser algo bom para desenvolver mais músculos, e se tinha uma coisa que eu precisava agora, era definição corporal.

Terminei de fazer minha última série de alongamentos, erguendo-me com um suspiro. Estava bem mais fácil agora, eu já estava me acostumando um pouco mais. Talvez eu estivesse exagerando um pouco com a ideia de perder peso, mas era terrível não entrar em uma roupa. Aquela era minha calça favorita, perdê-la era como ver a morte de um cachorro em um filme qualquer. Eu era sensível a mortes de cachorros em filmes, então perder minha calça fora um choque tremendo.

Respirei fundo, tentando não deixar aquilo me entristecer. Eu nem comia tanto assim ultimamente, como não estava perdendo peso? Se Miwa soubesse disso, ela nunca mais me deixaria tomar sorvete de chocolate. Aquele pensamento me fez gelar por dentro, engoli em seco. Bom, ela não precisava saber disso. Ninguém precisava saber, ninguém prestava atenção nos meus hábitos alimentares mesmo, só o... Não, nem Louis seria tão observador assim.

Carreguei o quadro dos pinos e coloquei-o no lugar, arrumando o que tinha bagunçado logo em seguida. A sala ficara quase igual à antes, a única diferença eram os pontos coloridos no quadro dos pinos. Eu fizera mesmo um bom trabalho, eles bem que podia me pagar por isso. Sorrindo, peguei minha mochila e encaminhei-me à saída da sala. Fechei a porta da sala assim que saí, aquilo devia ser alguma regra, já que todas as outras salas estavam fechadas. Caminhei tranquilamente pelo corredor, não havia mais nenhum aluno na escola. Talvez fosse por causa do horário, nenhum estudante normal ficaria na escola até tão tarde. Já estava anoitecendo, as aulas terminaram duas horas atrás. Apenas Yelisei e eu permanecemos, talvez fossemos os primeiros representantes a serem nomeados. Isso me deixaria irritada, se não fosse tudo ideia da professora Momoi. Era impossível ter raiva daquela mulher, mesmo depois de ficar quarenta minutos procurando um livro para ela na biblioteca enorme da escola. Desci um curto lance de escadas, alcançando o térreo da escola. Minha sala ficava no primeiro andar, já que agora eu estava no último ano. Eu ainda não me acostumara com aquilo, e nem tivera muito tempo para isso. Hoje era o primeiro dia, e eu já fora vítima de um atentado durante a cerimônia de apresentação. Fuuto era um cidadão de palavra, e eu tive o prazer de ter meu vídeo exibido diante de todos os alunos. Os professores conseguiram tirar o vídeo antes que ele acabasse, e o “meliante” não fora pego. Eu teria me escondido para sempre debaixo da cama, se não tivesse me divertido com a situação. Liu, Ken e Yelisei riram muito, então eu não tive escolha se não rir da minha própria desgraça. Aquela não devia ser a reação que Fuuto esperava que eu tivesse, mas ele não parecera irritado, apenas feliz.

Claro, envergonhar a irmã deve ser uma felicidade e tanto para um garoto tão idiota.

– Ninfa, podemos ir! – disse uma voz animada.

Espiei por cima do ombro, deparando-me com a visão de meu amigo correndo na minha direção. Arregalei um pouco os olhos, Yelisei parou ao meu lado. Os cabelos dele estavam um pouco bagunçados pela breve corrida, seu sorriso enorme parecia quase o sorriso do marido da boneca Barbie. Ri, surpresa.

– Você correu no corredor principal? Quem é você e o que fez com meu Yelisha? – questionei.

Ele corou um pouco com a última parte, mas riu. Sorri, ele deu de ombros rapidamente.

– Não tem mais ninguém aqui, e estamos no “corredor”- ele disse, sorridente.

Ri, ele fez o mesmo. Comecei a andar, soltando um suspiro forte. Yelisei emparelhou-se comigo no corredor, sorrindo de leve.

– Quer uma carona para casa? Seu irmão te abandonou aqui – ele disse, lançando-me um olhar rápido.

Estremeci, fazendo uma careta.

– Obrigada pela oferta, mas eu não estou com vontade de vomitar hoje – falei – Odeio motos.

Yelisei riu baixinho, enfiando as mãos nos bolsos da calça.

– Eu vou devagar – insistiu – Podemos passar no café dos Yamazaki, eu te pago um cupcake.

Engoli em seco, sentindo minha alma ser fisgada em um anzol açucarado e com cobertura de chocolate. Yelisei me olhou com aqueles olhos verdes, como se sua oferta não fosse tentadora o bastante. Trinquei os dentes, devia ser crime ser assim tão fofo.

– Tudo bem! – cedi, bufando – Mas eu também quero um Milk-shake.

Yelisei riu, seu rosto foi tomado por uma expressão realizada. Sorri, ainda que soubesse que ia sofrer com minha escolha.

– Legal! Vamos agora mesmo – ele disse – Soube que a mãe dos Yamazaki inventou um novo tipo de torta, quer experimentar?

Assenti, abrindo um grande sorriso. Yelisei sorriu, feliz.

– Foi realmente bom ter ficado na escola até tarde, assim eu pude passar mais tempo com você – ele disse.

Pisquei, ele só percebeu como soara tarde demais. Seu rosto ganhou uma forte cor vermelha, ele arregalou os olhos.

– D-digo, como amigos – gaguejou – E-eu só...

Não deixei ele continuar, apenas abracei-o de lado. O garoto ofegou, um pouco trêmulo. Ri, fechando os olhos por um segundo.

– Concordo com você, Yelisha – falei.

Ele ofegou de novo, soltei-o. Encarei seu rosto, sorrindo de leve. Ele ainda estava vermelho, mas já conseguia sorrir. Sorri com a visão, sorrindo e sacudindo a cabeça.

Talvez ficar até tarde na escola não fosse tão ruim assim.

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Fechei a porta da geladeira, deixando um suspiro aflito escapar. Peguei o copo de suco que enchera a pouco e virei na boca, tomando tudo de uma só vez. Coloquei o copo de vidro na bancada da pia, apoiando-me da mesma logo em seguida. Fechei os olhos, soltando um muxoxo agoniado.

Viagens de moto, tem coisa pior? Eu nunca me acostumava, e já aceitara várias caronas de Yelisei. Ele fora devagar hoje, como prometera. Mas não foi o bastante, eu continuava enjoada. Eu não entendia o motivo de todo aquele enjoo. Eu estivera segura o tempo todo, agarrando Yelisei como se minha vida dependesse disso. Mantive os olhos fechados para me sentir melhor, como fizera na montanha russa. Mas não ajudara. Eu continuava enjoada, mesmo depois de ter passado quase dez minutos agarrando a grade do portão para me manter firme. Aquilo fizera Yelisei rir, mas não me fizera melhorar muito. Que bom que nenhum dos meus irmãos estava em casa para ver a cena, acho que não seria nada agradável ter alguns homens enormes assistindo seu melhor amigo te abraçando e acariciando seus cabelos até você conseguir respirar direito. Por outro lado, talvez Masaomi soubesse algum macete médico para me fazer melhorar. Ou talvez Iori pudesse conversar comigo sobre alguma planta até minha vertigem passar, ele sempre me deixava calma mesma. Ou talvez Tsubaki pudesse fazer alguma piadinha obscena para me fazer rir, não se consegue passar mal perto daquele homem. Talvez Fuuto... Não, Fuuto não, ele só pioraria tudo. E Natsume? Ele me abraçaria como fez depois da montanha russa?

– Você está bem? – disse uma voz.

Senti meus pelos se eriçarem, engoli em seco. Abri o olho, franzindo as sobrancelhas em uma expressão aflita.

– Acho que um abraço ajudaria – respondi.

Azusa sorriu, ainda que parecesse um pouco preocupado. Soltei um muxoxo, fechando os olhos de novo. Ouvi o som de passos vindo em minha direção, senti mãos segurarem meus braços com certo receio.

– O que você está sentindo? – Azusa perguntou.

Engoli em seco, ele esperou.

– Eu não sei bem – respondi – Minha cabeça gira, e meu estômago está... Estranho.

Estremeci um pouco, sentindo um calafrio subir por meu corpo. Azusa se retesou um pouco, talvez tivesse medo de que eu vomitasse em sua roupa. Tentei rir, mas não saiu nada além de um arquejo fraco.

– Você comeu alguma coisa que te fez mal? – meu irmão perguntou.

Dei de ombros, engolindo em seco. Ele suspirou, suas mãos apertaram-me de forma ligeiramente mais forte.

– Pelo menos comeu alguma coisa hoje? – ele perguntou.

Engoli em seco de novo, abrindo os olhos. Ele me encarava atentamente, como se tentasse detectar a resposta em minha expressão. Pisquei os olhos, aquilo não pareceu afetá-lo.

– Isso é um “não”, não é? – Azusa disse.

Fiz uma careta, ele soltou um suspiro pesado.

– Desculpe – falei – Tomei um copo de leite de manhã, e tomei um Milk-shake de baunilha mais cedo.

Azusa fez uma careta, encarando-me seriamente.

– Só isso? O dia todo? – ele disse.

Tremi, ele parecia quase indignado. Baixei a cabeça, assentindo fracamente. Ele soltou um suspiro pesado, como se tivesse acaba de ver uma criança teimosa sujar o estofado branco do sofá novo.

– Por que você fez isso? Estava com vontade de passar mal hoje? – ele disse, um pouco irritado.

Surpreendi-me com seu tom de voz, mas não estava em posição para reclamar. Soltei um muxoxo, erguendo o olhar. Ele parecia estar sentindo minha aflição, seu rosto pacífico estava quase sôfrego.

– Minha calça favorita não entrou! – respondi, sacudindo-me um pouco – Eu sinto minhas roupas ficarem apertadas de uns tempos para cá, mas hoje minha calça favorita não entrou. Eu entrei em pânico! Não conseguir comer nada.

– Parou de comer só por isso? – Azusa indagou, indignado – Nina, isso é mais do que imprudente. Você é uma adolescente, precisa se alimentar direito.

Fiz uma careta, engolindo em seco.

– Eu sei, mas se a mamãe descobrir que eu estou perdendo minhas roupas, ela nunca mais vai me deixar chegar perto de sorvete! – falei.

– E isso é o que te preocupa? Ficar sem tomar sorvete? – Azusa perguntou, arquejando.

Assenti, baixando a cabeça. Ele arquejou de novo, olhando-me com um olhar cálido.

– Eu não sei se dou risada ou repreendo – ele disse, rindo um pouco – Nina, o problema das roupas não é porque você ganhou peso. Ukyo tem esse problema, ele esquece as roupas na secadora de vez em quando, principalmente quando deixa alguma coisa no forno antes de lavá-las, e elas encolhem.

Pisquei, erguendo o olhar. Azusa sorriu para mim, encarando-me com um olhar terno e divertido ao meso tempo. Minha boca se entreabriu de leve, pisquei outra vez.

– Você está me dizendo o que eu acho que você está me dizendo? – perguntei, chocada – Eu fiquei quase um mês sem comer chocolate e pizza por causa da secadora?

Azusa riu, afagando meus braços de forma carinhosa. Seu lindo rosto estava bem perto do meu, eu podia ver cada linha perfeita de seu rosto. Ele parecia ter sido desenhado, esculpido. Seus olhos violeta brilhavam, deixando-me um pouco atordoada. Sua boca era tão linda, ainda mais quando estava esticada em um sorriso. De novo, como seria beijar aqueles lábios?

– Um mês sem chocolate? Isso não é extremo demais? – disse alguém.

Pisquei, Azusa ficou tão surpreso quanto eu. Sorrindo de maneira quase fria e vaga, carregando uma sacola branca, e entrando na cozinha como um rei entra no palácio de seu maior aliado, vinha meu cabeleireiro favorito. Meu coração vacilou um pouco, tentei disfarçar. Louis sorriu mais um pouco, vindo até mim.

– Louis, você não disse que passaria o dia todo trabalhando hoje? – Azusa perguntou, franzindo o cenho.

O mais novo não encarou o mais velho, apenas sorriu para mim.

– Saí mais cedo, queria comprar sorvete antes de vir para casa – ele disse, sacudindo a sacola.

Azusa assentiu, Louis sorriu para mim outra vez.

– Boa noite, Nina – ele disse, quase se derretendo ao pronunciar meu nome.

Engoli em seco, ele piscou devagar. Desviei o olhar, era difícil me manter inteira ao encarar aqueles olhos cor de malva que eu tanto amava.

– Oi – respondi.

Louis piscou, até Azusa se surpreendeu com aquela minha frieza. Suspirei, tocando o peito de Azusa levemente. Aquilo chamou sua atenção, nosso olhar se encontrou. Forcei um sorriso, tentando fingir que não sentia o olhar de Louis queimando meu rosto.

– Acho que vou ficar melhor depois de um banho, obrigada por esclarecer o mistério das roupas – falei.

Azusa riu um pouco, mas não soltou meus braços.

– Tem certeza que vai ficar bem sozinha? Posso ficar com você, se precisar – ele disse.

Abri um sorriso maroto, erguendo uma sobrancelha.

– Está se oferecendo para me dar banho, senhor Asahina? – falei, encarando os olhos do meu irmão.

Azusa corou um pouco, meu sorriso cresceu.

– Eu não disse isso – ele respondeu, dava para sentir certo nervosismo em sua voz.

Ri, sacudindo a cabeça. Estiquei-me um pouco, alcançando sua bochecha esquerda. Depositei um beijo carinhoso em sua bochecha, ele ofegou baixinho. Afastei-me de seu rosto, Azusa sorriu para mim. Seu rosto estava um pouco corado, mordi o lábio.

– Sério, eu vou ficar bem – falei – Mas você pode me fazer uma visita mais tarde, o que acha?

Ele sorriu, suas mãos apertaram meus braços de forma carinhosa.

– Acho uma ótima ideia – ele disse.

Sorri, Azusa fez o mesmo. Suas mãos soltaram meus braços, ele estudou meu rosto cuidadosamente antes de sair da minha frente para que eu pudesse andar. Ri um pouco daquilo, ele sorriu mais um pouco. Passei por ele, desviando o olhar levemente. Pude sentir seu sorriso, e aquilo me fez sorri mais. Sem querer, ergui o olhar até o rosto de meu espectador. Louis olhava-se de forma levemente indagadora, mas sorria. Sorri de leve, dirigindo-lhe um cumprimento com a cabeça. Tentei passar por ele sem dizer nada, mas ele segurou meu pulso. Ergui o olhar, levantando uma sobrancelha. Louis sorriu um pouco, encarando meus olhos.

– Podemos conversar um pouco? – ele disse.

Parei de respirar por um segundo, ele esperou. Engoli em seco, tentando não parecer nervosa demais. O que ele queria? Não estávamos bem assim, afastados?

– Claro – respondi.

Ele sorriu mais um pouco, quase aliviado. Louis largou a sacola na bancada da cozinha, puxando-me levemente pelo pulso até estarmos no corredor. Assim que ficamos sozinhos, ele me girou para ficarmos de frente um para o outro. Seu rosto calmo adotou uma expressão confusa, quase desesperada. Pisquei, não esperava por aquela reação. Recuei discretamente, Louis suspirou. Seu olhar não deixava meu rosto, ele parecia estar tentando gravar os detalhes de meu rosto. Engoli em seco, tentando não cruzar os braços. Meu irmão me encarou por mais alguns segundos, até desviar o olhar e soltar um suspiro fraco.

– Me desculpe – ele disse.

Pisquei, confusa. Louis continuou do mesmo jeito, devia estar esperando por alguma reação minha. Respirei, dando de ombros nervosamente.

– Por que você está se desculpando? – perguntei.

Ele respirou fundo, erguendo o olhar. Sua expressão era quase exasperada, mas ele conseguia se manter razoavelmente calmo.

– Eu não sei, nem sei que fiz alguma coisa – ele disse, arquejando – Você está distante, Nina. Eu não sei o que aconteceu, e isso é horrível. Eu te deixei irritada com alguma coisa? O que foi que eu fiz?

Minha boca se abriu um pouco, Louis esperou. Engoli em seco, desviando o olhar até o chão por um momento.

Então era isso que ele pensava do nosso afastamento? Ele achava que eu estava com raiva dele? Eu dera essa impressão?

Eu não sabia o que responder, já que a única resposta que eu tinha para aquilo era “Ah, eu só fiquei com ciúme daquela sua namoradinha ridícula, por isso te ignorei e rezei secretamente para que uma barata mutante entrasse no ouvido da Yui à noite”.

– Nina? – chamou-me Louis.

Pisquei, ele me encarava. Sacudi a cabeça, desfazendo o sorriso homicida que eu nem sentira se abrir em meu rosto. Arquejei, tentando retomar a discussão sem fazer nenhuma piada sobre baratas mutantes.

– Desculpe, eu me perdi um pouco – falei, mordendo o lábio para não rir – Louis, eu não estou com raiva de você.

Louis piscou, franzindo o cenho.

– Não? – perguntou.

Neguei com a cabeça, mordendo o lábio para não rir outra vez. Ele pareceu ainda mais confuso. Olhou em volta, mordeu o lábio, franziu o cenho... Quando nosso olhar se encontrou, ele mordeu o lábio com mais força, incerto.

– Tem certeza? – ele perguntou.

Assenti, deixando um sorriso escapar. Louis inspirou profundamente, seu rosto foi tomado por uma expressão de alívio.

– Que bom, de verdade – ele disse, antes de engolir em seco – Mas, se você não está com raiva de mim, por que se afastou?

Muito bem, era aquela pergunta que eu estava tentando evitar. Fiz uma careta, cerrando os dentes um pouco. Encarei a parede, Louis esperou.

– Então, quando a isso – comecei, arquejando em meio à frase – Bom, eu não sei. Só acho que eu passo tempo demais com você, e fico dependente demais de você, pra tudo.

Louis piscou, confuso.

– Você acha isso? – ele disse.

Assenti, ele franziu o cenho.

– Desde quando? – perguntou.

Dei de ombros, olhando em volta.

– Sei lá, desde sempre? – chutei – Nós somos muito apegados, Louis. Isso não é uma coisa ruim, mas eu me sinto dependente demais de você.

– Nina, você não é dependente de mim – ele disse.

Bufei, arregalando um pouco os olhos para enfatizar o que eu estava tentando dizer.

– Você compra meu sorvete; penteia meu cabelo; faz minha maquiagem; arruma minha cama; me ajuda com os trabalhos da escola; até me põe para dormir – falei, mordendo o lábio – Você faz coisa até demais, eu me acostumo mal. No orfanato era cada um por si, e aqui todo mundo faz as coisas por mim. Eu até gosto, mas eu sinto como se estivesse virando uma inútil aos poucos.

Louis parecia ter sido socado por minhas palavras, sua expressão estava levemente congelada. Esperei, ele levou quase um minuto para se recuperar. Quando o fez, seu olhar confuso se tornou firme.

– Você não é inútil, Nina – ele disse – Eu faço todas essas coisas por você porque eu te amo, e tenho certeza de que os outros são movidos pela mesma coisa que eu. Nós estamos apenas cuidando de você, cada um de sua própria maneira.

– Eu sei, mas... – comecei, perdendo boa parte do fôlego antes de terminar.

Deixei minha boca se fechar, desviando o olhar até o chão. Todos eles eram tão bons para mim, como eu ainda conseguia reclamar de alguma coisa? Eu era mesmo uma ingrata, e estava afastando meu irmão por puro capricho. Ficar com ciúme da relação dele com Yui era minimante aceitável, mas afastá-lo por tanto tempo era burrice. Eu não tinha o direito de julgar as relações de Louis, já que não resolvia a minha própria. Suspirei, Louis era outro lesado na minha situação. Eu já sabia o que ele sentia por mim, mas, ainda que não gostasse muito daquilo, deixá-lo de lado assim era cruel. Era cruel demais.

Ergui o olhar, percebendo que Louis estudava meu rosto com muito cuidado. Deus, esse homem me amava. Como eu conseguia fazer aquilo com ele? Comigo mesma?

Sacudi a cabeça, soltando meus membros e atirando-me no corpo do homem diante de mim. Ele ofegou de surpresa por meu ato repentino, mas não demorou nem mesmo um segundo para me abraçar de volta. Enterrei meu rosto em seu peito, colando meu corpo no dele. Louis me apertou mais um pouco, deitando sua cabeça na minha, colando nossas bochechas. Fechei os olhos, sentindo como se estivesse sendo queimada em uma fogueira. Louis começou a afagar meus cabelos, soltando um suspiro. Arquejei, sentindo o fogo alcançar minha garganta. Encolhi-me no corpo de Louis, escondendo-me do mundo em minha fortaleza salvadora. Ele apertou-me contra si, ajudando-me a fundir nossos corpos. Eu podia sentir cada músculo do peito de Louis colado em meu peito, podia sentir as vibrações de cada respiração sua. Engoli em seco, ainda não era próximo o bastante. Funguei, aspirando seu cheiro com força.

– Não me deixa ir, Louis – murmurei, engolindo em seco – Não deixa eu me perder, não deixa eu me afastar de você.

– Shii, está tudo bem – ele murmurou de volta.

Louis apertou-me com mais força, soltando um suspiro pesado. Enterrei meu nariz em suas roupas, respirando fundo para absorver seu cheio. Ele beijou minha bochecha, enterrando seu nariz em meus cabelos logo em seguida.

– Estou aqui, minha criança – ele disse, baixinho – Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você.

Respirei fundo, tentando acalmar as batidas frenéticas do meu coração. Engoli em seco, deixando que o calor do corpo de Louis me esquentasse.

– Eu vou acabar logo com isso – falei – Com tudo isso, eu prometo.

– Não precisa pensar em nada agora, minha criança – ele disse, beijando meu rosto outra vez – Só me deixe cuidar de você.

Assenti, respirando fundo de novo. Louis colou seus lábios em minha testa, afagando meus cabelos com seus longos dedos. Sua respiração esquentava meu rosto enquanto ele me beijava, seus dedos se mexiam devagar na minha cabeça. Suspirei, fixando minha atenção só naqueles toques. A sensação de ter Louis assim tão perto logo me tomou, deixei que apenas aquilo me prendesse no mundo. Meus olhos fechados começaram a pesar, senti meu corpo inteiro ser tomado. Fui arrebatada por Louis, e agora estava presa em seu encanto como uma mosca fica presa no mel.

Mel, era a comparação perfeita para se fazer a Louis. Ele era doce, calmante, relaxante. Ele era como mel, e eu como o ursinho Pooh. Talvez mel demais fosse me deixar diabética, mas era impossível resistir ao poder dele.

– Está mais calma agora? – Louis perguntou.

Assenti devagar, soltando um leve muxoxo. Ele suspirou calmamente, ainda me ninando daquela forma doce e terna.

– Vai me deixar arrumar seu cabelo amanhã? – perguntou.

Ri, e mesmo não querendo, afastei-me dele. Louis deixou que eu quebrasse nosso abraço, ainda que seus olhos dissessem que o que ele mais queria era prolongar aquele momento. Era o que eu mais queria também, mas eu precisava dizer alguma coisa. Respirei fundo, tentando não pensar demais no que eu já devia ter decidido há dias.

– Vou visitar Akira essa semana – falei – Vou... Resolver tudo.

Louis estudou-me cuidadosamente, analisando cada centímetro do meu rosto. Deixei que ele visse a veracidade de minha decisão, ainda que meu coração sangrasse pelo que eu tinha dito. Por fim, ele suspirou e assentiu de leve.

– Eu confio em você, sei que vai fazer o que é certo – ele disse.

Assenti, ele respirou fundo. Estudei seu rosto, Louis parecia triste e aliviado ao mesmo tempo.

– Me promete uma coisa? – ele perguntou.

Assenti sem nem hesitar, Louis ergueu olhar até estar encarando meus olhos com firmeza.

– Promete que vai se lembrar de mim? – ele pediu, sem hesitar – Eu seu que você tem... Outras opções, mas você pode ao menos pensar em me dar uma chance?

Pisquei, incerta. Louis esperou por minha resposta, estudando meus olhos como se tentasse ler minha resposta através deles. Engoli em seco, tentando desviar o olhar para não prometer até mesmo minha alma a Louis.

– Eu não sei – respondi, baixando o olhar – Eu posso tentar, mas...

Louis segurou meu queixo e ergueu meu rosto, seus lábios tocaram minha testa. Engoli em seco, ele respirava de forma curta e entrecortada.

– Promete para mim? – pediu – Por favor.

Seus lábios estavam quentes em minha pele, seu hálito esquentava minha testa. Os dedos dele em meu queixo não me deixavam pensar, tudo que eu conseguia sentir era sua proximidade. Aquilo nunca me incomodara antes, mas Louis nunca me pedira uma chance. Ele era um homem apaixonado, eu não devia ter brincado com ele pensando nele apenas como um irmão. Era muito claro que ele queria estar beijando outra parte do meu corpo agora, mas estava se controlando.

– Louis... – suspirei.

Ele intensificou seu beijo em minha testa, girando-me até eu estar com as costas coladas na parede. Seu corpo encostou-se ao meu, aquecendo-me. Seus lábios desceram em meu rosto devagar, alcançando meu nariz. Minhas mãos se agitaram, e só foram ficar quietas quando meus dedos começaram a puxar o casaco de Louis. Meu corpo precisava dele mais perto, minha alma precisava fundir-se a dele. Louis desceu mais um pouco seus lábios, mas não parou em meu nariz dessa vez. Senti o calor de sua respiração esquentar meus lábios, tremi. Ele encostou sua boca em meu queixo, roçando sem lábio superior em meu lábio inferior. Foi como se tudo que eu temesse tivesse acabado de pegar fogo bem diante de mim, deixando apenas cinzas e um terrível cheiro de queimado. Abri minha boca quase inconscientemente, ansiando por mais daquele contato. Louis beijou meu queixo, movendo seus lábios como se eles estivessem beijando os meus. Meus dedos puxavam sua roupa, tentando trazê-lo para mais perto de mim. Mas o corpo dele já estava colado ao meu, eu não tinha mais como atraí-lo para mim.

Mas a vontade de tê-lo não passava, apenas crescia mais a cada segundo. Eu sentia naquele momento que, se Louis pedisse, eu seria completamente dele. E não precisaria de mais nada.

Devagar, ele descolou seus lábios de meu queixo. Ergui o olhar de forma dolorosa, sentindo o calor que me consumia ficar ainda mais forte. Louis olhou em meus olhos, sua respiração estava um pouco pesada. Eu sentia seu corpo ficar tão quente que parecia estar entrando em combustão, e aquilo ateou de vez fogo em meu coração vacilante.

– Promete? – ele perguntou.

Sua voz serena estava rouca, quase grave. Meus pelos se eriçaram, minha respiração ficou pesada. Olhei em seus olhos e vi que ele estava tão enfeitiçado quanto eu, como se nós dois estivéssemos sentindo a mesma necessidade, o mesmo desejo. Aos poucos, fui achando minha capacidade de respirar normalmente. Engoli em seco, tentando fazer o calor diminuir.

– Prometo – respondi, rouca.

Ele estudou meu olhar, deixei que o fizesse. Estudei seu rosto, gravando cada pedacinho, cada detalhe de sua expressão. Por fim, Louis abriu um pequeno sorriso.

– Obrigado – ele disse, sereno – Vou fazer você feliz, eu prometo.

Arquejei, ele sorriu. Sorri de volta, quase sem querer.

– Ei, eu prometi que ia tentar, tentar – falei, enfatizando a última palavra.

Louis riu um pouco, sua mão esquerda posicionou-se em minha cintura. Sorri, sacudindo a cabeça.

– Eu sei o que pedi para você prometer, mas não consigo evitar. Quero te fazer feliz, é tudo que eu mais quero – ele disse.

Ri, meus dedos ainda estavam segurando suas roupas. Soltei-os, mas mantive minhas mãos ao redor de seu quadril. Louis sorriu, seus dedos soltaram meu queixo. Ele desceu sua mão direita por meu braço direito, parando apenas quando estava em minha cintura. Suspirei, ele fez o mesmo.

– Você é presunçoso demais, esqueceu que eu ainda tenho outras opções? – perguntei, citando suas palavras.

Ele sorriu, dando de ombros. Meus dedos apertaram suas roupas de novo, aquilo devia ser uma reação involuntária. Louis depositou um beijo rápido em minha testa, deixei um suspiro escapar.

– Um homem precisa sonhar – ele disse, calmo – Vale a pena lutar por você, senhorita Kazama.

Sorri, fechando os olhos por um segundo. Não pude mais ver o rosto de Louis, mas podia sentir seu sorriso.

Eu já divagara demais, já estava na hora de resolver minha vida. E de alguma forma, eu sentia que não era apenas a minha vida que seria mudada no processo.

Era melhor deixar os dados rolarem como quisessem, e se aquilo era uma luta, já estava na hora de escolher um campeão.

IMAGEM ESPECIAL

Rintarou Hinata (Só eu pegava esse velho?)

Notas finais
E então, gostaram? Comentem, a tia tá meio tímida, mas vai responder tudo. Imagem de hoje---> http://www.anime-planet.com/images/characters/rintaro_hinata_52194.jpg Espero que tenham gostado, volto a pedir desculpas pela demora. Eu sinto muito mesmo, vou fazer o possível para postar novamente em breve. Próximo capítulo: Sem data definida. Beijo...