The New Girl in the House
39 Orfanato
Notas iniciais
Dobrei a direita na rua certa, soltando um suspiro. Eu andava bem devagar, como se estivesse curtindo meu momento de solidão. Algumas pessoas deviam odiar se sentirem sozinhas, mas no presente momento, eu me sentia aliviada. Eu havia feito besteira no começo da semana, então tive que lidar com onze irmãos irritados e reprovadores. Os únicos que não esboçaram reação alguma ao que fiz foram Louis e Fuuto. Esse último eu até compreendia, fora ele quem me induzira. Mas Louis não ter feito nada me surpreendeu um pouco, ainda que eu já imaginasse aquilo. Tínhamos brigado, mas continuávamos sendo irmãos, e se ele um dia realmente se importou comigo, ele devia ao menos tentar salvar o mínimo de afeto que ainda nos restava.
Mas eu não me incomodava mais com aquilo, já que estava disposta a seguir em frente. Errada ou não, eu fizera uma escolha, e o que me restava agora era viver da maneira como havia escolhido. Por mais que doesse, eu sentia que tinha feito a decisão certa. Akira não me virou as costas quando eu o traíra, ele continuara lá por mim. Eu não fora capaz de ver isso até me embebedar com Fuuto naquele dia, e mesmo que de uma forma errada, isso serviu para me convencer de que eu não estava sozinha.
Desacelerei ainda mais meus passos, erguendo o olhar até o orfanato. Tudo estava como eu lembrava, calmo como se nada de ruim tivesse acontecido com nenhum dos moradores daquele lugar. Dei um passo na direção dos portões, que se abriram para mim quase imediatamente. Sr. Kitazawa, o porteiro fiel, acenou para mim, convidando-me para entrar. Sorri, acenando em agradecimento. Entrei na propriedade, olhando em volta devagar, querendo gravar cada detalhe. As coisas eram tão simples ali, eu fora feliz naquele lugar triste.
– Veio visitar o namorado? – disse uma voz.
Ergui o olhar, deparando-me com meu pesadelo favorito. Sorri, assentindo.
– Fico feliz por ele estar melhorando, mas eu tinha que ver com meus próprios olhos como ele está – falei, dando de ombros – E também estou morrendo de saudades, ligações diárias não são nem de longe o suficiente.
– Ligações? De onde Yushima tiraria um celular? – perguntou Mishima, cruzando os braços.
Fiz uma careta, mordendo a língua. Ela sacudiu a cabeça, olhando-me como se eu fosse um bebê tentando erguer uma espada pesada.
– Vocês não conseguem ficar sem quebrar regras, conseguem? – ela disse, suspirando – Achei que com Barnes fora a situação melhoraria.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Bruce era uma peste, mas ele não é o único “traficante” dentro do seu orfanato, senhora – falei.
Mishima semicerrou os olhos, um vestígio de sorriso passou por seus lábios.
– Nomes? – disse, indagadora.
Fingi pensar, fazendo um bico.
– Er... Acreditaria se eu dissesse que eu esqueci? – falei, abrindo um sorriso travesso.
Ela deu uma rápida risadinha, sacudindo a cabeça. Ri, satisfeita.
– É claro, amnésia aos 16 é cada vez mais comum hoje em dia – ela disse, sarcástica – Yushima está em seu quarto, lembre da costela quebrada.
Assenti, batendo continência. Ela solidificou sua expressão, virando as costas e seguindo seu caminho. Sorri para o chão, soltando um suspiro contente. Era bom ter uma boa relação com ela, por incrível que pareça, Mishima foi a coisa mais parecida com uma mãe que eu tive enquanto morei aqui. Eu não trocava Miwa por nada, mas sentia uma grande gratidão e respeito pela diretora, e não deixaria de sentir isso nem se ela atirasse em mim.
Comecei a andar, dirigindo-me à entrada do prédio principal. Algumas garotinhas corriam umas atrás das outras perto das escadas, não pude deixar de sorrir com aquilo. Sentia falta de morar com crianças, era bom estar com pessoas inocentes para variar. Subi os degraus com habilidade, sentindo-me cada vez mais familiarizada com a situação. O corredor principal continuava a mesma coisa, as salas estavam fechadas com o término das aulas. Alguns residentes caminhavam tranquilamente, vivendo suas vidas como se nada mais importasse. Segui meu caminho, dirigindo-me às escadas. Cumprimentava um ou outro residente ocasionalmente, eles sorriam para mim como se estivessem vendo uma deusa. Eu devia ser a única pessoa a voltar aqui depois de ser adotada, e isso fazia com que eles me amassem ainda mais.
Parei diante da porta G-7, respirando fundo. Não queria hesitar, mas não deixava de pensar nas coisas que Akira tinha dito para mim no hospital. Ainda nos amávamos muito, mas ele achava que eu tinha mudado. Eu não tinha argumentos para tentar convencê-lo do contrário, mas ainda me sentia mal com aquilo.
Respirei fundo, dando duas batidas decididas na porta. Ouvi um barulho do lado de dentro, como se alguém tivesse sentado na cama.
– Quem é? Sarah? – disse a voz de Akira.
Ri, revirando os olhos. Ele soava um pouco sonolento, devia estar dormindo bastante agora que estava tomando remédios para sua fratura. Sem pensar duas vezes, girei a maçaneta. Empurrei a porta, enfiando a cabeça para dentro do quarto.
– Não, não é a Sarah, mas eu posso ir embora, se você quiser – respondi.
Ele arregalou os olhos, abri um grande sorriso.
– Nina! – exclamou, rindo – Você veio!
Ri, entrando de vez. Fechei a porta atrás de mim, trancando-a assim que pude. Virei para Akira, estudando-o com o olhar.
– E que tipo de namorada deixaria seu namorado sozinho em uma belíssima tarde de sexta-feira? – perguntei, dando de ombros.
Ele riu, maravilhado. Caminhei em sua direção, Akira levantou da cama. Ele cambaleou um pouco, mas deu dois passos firmes o bastante para acabar com nossa distância. Abracei-o, soltando um muxoxo de prazer. Akira me abraçou de volta, dando uma risada serena.
– Por um momento eu achei que você fugiria e nunca mais apareceria aqui, que bom que eu estava errado – ele disse.
Ri, apertando-o mais um pouco.
– Com quem eu fugiria? Meu namorado está aqui – falei.
Ele riu, dando de ombros.
– Com o Ian Somerhalder? Você sempre disse que fugiria com ele se pudesse – ele disse.
Ri mais um pouco, fazendo uma careta logo em seguida.
– Não dá mais, ele se casou – falei, soltando um suspiro de falsa tristeza – Minha vida acabou.
Akira riu, soltando-me. Soltei-o também, erguendo o rosto para olhar em seus olhos. Ele sorriu para mim, piscando lentamente. Sorri de volta, me inclinando em sua direção. Akira pareceu saber o que eu queria, já que também se inclinou na minha direção e deixou que nossos lábios se tocassem. Suspirei, iniciando aquele beijo tão ansiado por ambas as partes. Deslizei meus lábios por entre os deles, sentindo seu gosto. Ele fez o mesmo que eu, iniciando nossa dança. A sincronia que só nós dois tínhamos voltara, deliciando-me com a forma como nos encaixávamos. Como eu pude negar aquilo por tanto tempo? Eu amo esse garoto.
Embrenhei meus dedos em seus cabelos, apertando sua cabeça. Akira pôs a mão na lateral direita do meu pescoço, afagando minha bochecha com seu polegar esquerdo. Sorri em meio ao beijo, sentindo que ele fazia o mesmo. Mordi carinhosamente seu lábio inferior, sugando-o de leve. Podia sentir aquele corte, embora sentisse que ele estava melhorando. Contornei o machucado com a língua devagar, como se pudesse sará-lo com o poder do meu carinho. Meu namorado soltou um muxoxo, apertando-me contra si. Desci meu beijo até estar mordiscando o canto de sua boca, deixei que minha língua traçasse um caminho úmido até chegar no maxilar dele. Deixei uma mordida ali, puxando o rosto de Akira para mim. Estava faminta, e aquele era meu alimento favorito.
– Volta pra cama, tenho vários planos para você hoje – sussurrei, chupando um pouco o queixo dele.
Akira rosnou baixinho, apertando minha cintura intensamente. Sorri, afastando-me dele.
– Você sabe que pode me machucar, não sabe? – ele disse, mordendo o lábio.
Mordi meu lábio também, os olhos dele brilharam de malícia.
– Eu tenho vontade até de matá-lo, meu bem – respondi, lançando-lhe uma piscadela.
Ele riu, transbordando testosterona. Sorri, segurando-o pelos quadris. Empurrei-o levemente em direção à cama, dando uma ordem silenciosa para que ele sentasse. Akira me obedeceu, sorrindo de lado e olhando em meus olhos. Esperei até que ele estivesse sentado, segurando sua cabeça. Olhei em seus olhos, ficando repentinamente séria.
– Se eu te machucar, você me avisa – falei.
Ele riu, trazendo-me para perto ao pôr as mãos em minha cintura.
– Sabe que está me fazendo sentir como uma garota virgem, não sabe? – ele disse.
Fiz uma careta, ele sorriu para mim.
– É sério, eu não quero machucar você – falei.
Akira lançou-me um olhar malicioso, puxando-me até estar com o rosto pairando acima dos meus seios. Senti sua respiração quente em minha pele, mordi o lábio.
– Não foi você mesma quem disse que queria até me matar? – ele disse, sorrindo – É uma pena, eu estava mesmo ansiando por isso.
Ri, ele mordeu o lábio.
– Você não devia brincar com fogo, Yushima – falei.
Akira mordiscou a pele exposta pelo decote do vestido, reprimi um gemido.
– Talvez eu queira me queimar – ele disse.
Meu coração pulou uma batida, levando consigo o pingo de sanidade que ainda me restava. Puxei os cabelos de Akira, forçando sua cabeça para cima. Nem lhe dei tempo de pensar, apenas juntei nossos lábios como se nada mais importasse. Akira não demorou nem mesmo dois segundos para alcançar meu estado de insanidade, sua língua cutucou meus lábios. Deixei que ela passasse, jogando minha língua de encontro à dele sem pestanejar. Ele soltou um muxoxo, me apertando contra ele com força. Suas mãos desceram até estarem em minhas pernas, subindo logo em seguida, por debaixo do meu vestido. Arfei, deliciando-me com o contato de nossas peles. Mordisquei sua língua, transformando aquele beijo em uma batalha molhada e deliciosa. As mãos de Akira apertaram minhas pernas, seus dedos espertos logo encontraram minhas nádegas. Akira apertou ali também, fazendo-me soltar um arquejo em meio ao beijo. Pude sentir seu sorriso, ele mordeu meu lábio inferior. Puxei-o para mim, inclinando-me em sua direção, pedindo silenciosamente para que suas mãos continuassem a traçar seu caminho. Ele logo o fez, embrenhando as mãos por dentro da minha calcinha. Parti o beijo para poder ofegar, jogando minha cabeça para cima. A boca esperta de Akira continuou beijando-me, descendo lentamente até meu pescoço, sugando minha pele. Mordi o lábio, sentindo minha respiração mudar. Os dedos dele acharam a camisinha que eu trouxera escondida em minha calcinha, senti seu sorriso contra minha pele. Ele pegou o pacote e jogou na cama, puxando minha calcinha para baixo logo em seguida. Senti o tecido fino escorregar em minhas pernas, caindo no chão logo em seguida. Akira impulsionou minha perna esquerda para cima, tirando meu sapato assim que pode. Ele repetiu o mesmo processo com minha outra perna, deixando-me descalça e sem roupa de baixo. Mordi o lábio, afastando-o um pouco. Akira me olhou nos olhos, entendendo onde eu queria chegar. Ele mordeu o lábio, afastando-se o bastante para conseguir tirar a camisa que usava. Subi meu próprio vestido, livrando-me dele assim que pude. Ele terminou de tirar a calça do pijama que usava assim que terminei de me despir, deixando apenas sua cueca e meu sutiã. Nem lhe dei tempo para pensar, apenas apoiei meus joelhos em volta do seu corpo e sentei em seu colo. Akira me abraçou, colando nossos corpos. A pele dele estava quente, levando-me à loucura. Soltei um muxoxo, puxando seus cabelos de novo. Akira me beijou, inclinando-se para trás. Segui seus movimentos, deixando que sua língua invadisse minha boca. Ele segurou meus quadris, colocando-me na posição que queria que eu ficasse. Apoiei sua cabeça no travesseiro, tentando deixá-lo confortável. Sentei sobre seu ventre, sentindo sua excitação já evidente. Mordi o lábio, ele fez o mesmo. Baixei meu corpo para beijá-lo de novo, sentindo suas mãos apertarem meu traseiro. Nossas línguas se encontraram ao mesmo tempo, envolvendo-se naquela nossa sincronia. Friccionei um pouco sua ereção, ofegando ao sentir as consequências daquilo. Akira me puxou contra si, investindo contra minha vulva. Soltei um arquejo alto, partindo o beijo. Ergui o olhar, deparando-me com aquelas esferas azuis. Seus olhos brilhavam de desejo, fazendo com que algo dentro de mim se apertasse de prazer. Abri um sorriso, erguendo-me um pouco. Ele sorriu de volta, livrando-se da cueca logo em seguida. Peguei a camisinha e dei para ele, esperando que ele a vestisse. Akira fez o que eu pedira, apertando minha cintura assim que tinha terminado. Posicionei-me da forma correta, lançando-lhe um olhar intenso.
– Não force demais, não quero que se machuque – falei.
Ele bufou, mas assentiu. Sorri, lançando-lhe um olhar carinhoso antes de deixá-lo entrar em mim. Já fazia algum tempo que eu não o sentia, meu interior quase se desacostumara com a sensação. Mordi o lábio com força, sentindo uma onda de prazer lavar meu corpo. Akira arfou, mordendo o lábio também. Trocamos um olhar necessitado, mostrando um ao outro o quando sentíamos falta daquilo. Joguei a cabeça para trás, impulsionando-me para cima. O membro de Akira saiu de dentro de mim, ficando apenas com uma pequena parte no lado de dentro. Soltei um muxoxo, descendo novamente. Ele mordeu o lábio, fechando os olhos. Fiz o mesmo, erguendo meu corpo de novo. Continuei fazendo aqueles movimentos, subindo e descendo sobre o corpo do meu namorado. Nunca tínhamos feito naquela posição, eu não fazia ideia do quanto aquilo era bom. Eu podia senti-lo por inteiro dentro de mim, ocupando o espaço que era feito para aquilo. Eu sentia como se pudesse explodir a qualquer momento, cada nervo do meu corpo sofria contrações por conta daquele prazer. Akira ofegava debaixo de mim, apertando minha cintura com tanta força que marcava minha pele. Eu não ligava para o desconforto dos seus apertos, apenas me entregava a ele para sentir mais daquela sensação indescritível. Meus seios pulavam enquanto eu fazia aquilo, ainda que estivessem presos no sutiã. Aquilo incomodava, mas eu não queria parar agora. Como se tivesse lido minha mente, ele subiu as mãos até encontrarem o fecho do meu sutiã, abrindo-o logo em seguida. Sorri, ofegante. Ajudei-o a livrar-se da peça, debruçando-me sobre ele no caminho. Meus mamilos tocaram a pele quente de seu peito, mordi o lábio com força. Akira abriu um sorriso enorme, investindo contra mim com força. Gemi, movendo-me contra ele. Estava tudo mais intenso agora, era pele contra pele. Eu podia senti-lo em mim, pulsando em meu interior enquanto eu pulsava para ele de volta. Minha vagina o apertava, chamando-o para mim. Akira obedecia aos chamados do meu corpo, investindo contra mim com cada vez mais força. Minhas pernas queimavam de esforço, mas eu não conseguia parar. Nossas respirações se misturavam, as mãos dele apertavam minha cintura e seios com força, como se não pudessem escolher uma só parte minha para acariciar. Forcei-me contra ele com mais força e rapidez, fazendo-o entrar e sair de mim cada vez mais. Meu interior de apertava com força, eu sentia como se algo quente estivesse se arrastando para fora de mim. Era como se essa coisa quente estivesse presa por muito tempo, e agora lutava para ser livre. Me mexi com mais força, abrindo a boca assim que senti começar. Aquela sensação atingiu seu auge, atingindo-me com um orgasmo terrivelmente libertador. Minhas pernas começaram a tremer, eu respirava entre arfadas pesadas. Akira mordeu o lábio, investido contra mim mais umas três vezes, até revirar os olhos e soltar um arquejo quase torturado. Senti que ele também tinha atingido seu auge, apertei-o dentro de mim. Quase sem ar, deixei que meu corpo desabasse sobre o seu. Eu sabia que podia machucá-lo, mas não conseguia sair de perto dele. Akira me abraçou, como se aprovasse minha reação. Seus dedos começaram a fazer carinhos em minhas costas, tentamos acalmar nossas respirações. Eu sentia seu coração bater com força contra meu peito, o meu estava na mesma situação. Abri um sorrisinho cansado, fechando os olhos.
Ficamos daquele jeito durante minutos, nenhum de nós decidiu falar. Akira dera um jeito de tirar a camisinha usada e jogá-la na lixeira ao lado da cama sem me tirar de cima dele, o que me deixara internamente feliz. Os dedos dele ainda afagavam minhas costas, traçando contornos imaginários em minha pele. Eu brincava de arranhar suavemente seu ombro esquerdo com minhas unhas, o que fazia seus pelos se eriçarem um pouco. Sorri, respirando fundo.
– Eu senti falta disso – falei, preguiçosamente.
Akira suspirou, abraçando-me mais um pouco.
– Eu também, querida – ele disse, suspirando outra vez – Eu também.
Sorri, soltando um suspiro. Fechei meus olhos, aninhando-me nele mais um pouco.
– Posso tirar uma soneca? Você me esgotou – falei, sorrindo.
Ele riu baixinho, depositando um beijo em minha testa.
– Só não durma demais, eu ainda não te beijei o suficiente por hoje – respondeu.
Ri, revirando os olhos. Ergui meu corpo, engatinhando um pouco para ficar com meu nariz na altura do dele. Sorri, fechando os olhos. Devagar, toquei seus lábios com os meus, beijando-o com ternura. Akira retribuiu meu beijo, apertando minhas costas com carinho. Apoiei meu peso no braço esquerdo, afagando suavemente sua bochecha esquerda com minha mão direita. Nosso beijo fazia pequenos ruidinhos molhados, fazendo meu corpo se arrepiar de satisfação. Ele também se arrepiou um pouco, sugando meu lábio inferior de leve. Parti o beijo, afastando meu rosto do dele para olhar em seus olhos.
– Já é o suficiente? – perguntei, marota.
Ele abriu um grande sorriso, negando com a cabeça. Mordi o lábio, rindo. Toquei seus lábios com os meus de novo, beijando-o mais intensamente dessa vez. As mãos dele me apertaram mais um pouco, soltei um muxoxo rouco. Inclinei-me em sua direção, achatando meus mamilos em seu peito. Aquilo me deixou arrepiada, arfei baixinho. Akira arfou também, mordiscando meu lábio inferior. Mordisquei o dele também, acariciando-o com minha língua logo em seguida. Encerrei o beijo com uma mordidinha em seu queixo, erguendo meu rosto para encará-lo. Akira sorriu, mordendo o lábio.
– E agora? – perguntei.
Ele riu, esticando-se para me beijar de novo. Retribuí seu beijo, apertando-me contra ele. Sua língua acariciou meus lábios, pedindo para entrar. Deixei, indo recebê-la com minha língua. Nossa dança começou outra vez, fazendo com que cada pelo do meu corpo se eriçasse com o contado. Seu gosto entorpecia meus sentidos, o calor dele praticamente excitava cada partícula de Nina Kazama que existia. Arfei, aprofundando o beijo mais um pouco.
Alguém bateu na porta, jogando um balde de água fria sobre nossa animação. Akira não me deixou partir o beijo, apenas me puxou contra si.
– Se não fizermos barulho, vão achar que estamos dormindo – ele sussurrou contra meus lábios.
Sorri, sacudindo um pouco a cabeça. Continuei beijando-o, nossas línguas começaram a dançar novamente.
– Você tem cinco minutos para sair desse quarto, ou passará os próximos quarenta dias limpando todas as janelas desse prédio – disse Mishima, intimidante até quando não podíamos vê-la.
Dei um pulo, partindo o beijo. Arregalei os olhos para Akira, sentando na cama.
– É a diretora! – sussurrei, desesperada.
Ele arregalou os olhos também, dei um pulo da cama. Comecei a catar minhas roupas, vestindo-as da maneira mais rápida e desajeitada possível. Akira estava na mesma situação, talvez pior do que eu. Entrei em meu vestido e fui correndo ajudá-lo a abotoar sua camisa, já que a calça ele conseguira colocar sozinho. Eu podia ouvir as batidas do salto de Mishima no chão enquanto ela contava os minutos, aquele som me arrepiava de agonia.
– Ela é meu pior pesadelo, isso nunca vai mudar – disse Akira.
Assenti, concordando. Ele terminou de se vesti, comecei a arrumar a cama. Botei o travesseiro em seu devido lugar, esticando o lençol logo em seguida. Botei os sapatos assim que tive a chance, meu namorado esperava por mim diante da porta. Assenti, erguendo-me da cama e respirando fundo. Tentei fingir que não estávamos fazendo nada de errado, mas meu teatro foi por água abaixo assim que Akira abriu a porta e nós dois demos de cara com a mulher mais assustadora que eu já tinha conhecido.
– Se vão fazer isso toda vez que se encontrarem, ao menos pratiquem como se arrumar em menos de cinco minutos – ela disse, firme.
Abri a boca para responder, mas tudo que consegui soltar foi um arquejo sem graça. Akira fez uma careta, lançando-me um olhar de “E lá se vai nossa privacidade”. Ele olhou para a diretora logo em seguida, sua infelicidade era sentida de longe.
– Em que posso ajudar a senhora? – ele perguntou, um pouco amargo.
Mishima ignorou aquilo, apenas fixou seu olhar no rosto do garoto. Tremi, abraçando-me para tentar espantar o frio.
– Você tem trabalho a fazer na biblioteca, não pense que sua detenção vai ser suspensa só porque você está com visitas – ela disse, dura.
Akira fez uma careta, franzi o cenho.
– Que detenção? – perguntei, cruzando os braços.
Meu namorado parecia prestes a fugir correndo, a diretora me encarou.
– Ah, então ele não contou a você que andou brigando ontem à tarde? – ela disse, sarcástica – Os namoros de hoje só são feitos de sexo? Cadê o diálogo?
Senti minha cara esquentar, arregalei os olhos. Tentei relevar o que ela disse, lançando um olhar indagador ao meu namorado. Ele me olhou, cabisbaixo.
– Explique-se – mandei.
Ele respirou fundo, soltando um muxoxo torturado.
– Aqueles garotos estavam falando coisas nada gentis, alguém tinha que calar a boca deles – ele disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
– E você acha que tinha que ser você? Todo machucado? – indaguei, bufando – Você é um completo idiota, Yushima.
Ele bufou, fechando a cara como um garotinho ao ser repreendido pela mãe. Mishima assistia a cena com um pequeno sorriso, como se adorasse ver garotos levarem puxões de orelha de suas namoradas. Respirei fundo, resolvendo deixar aquilo para quando estivéssemos sozinhos. Aproximei-me de Akira, segurando-o pelos ombros e girando-o até que ele encarasse a diretora. Forcei um sorriso, firme.
– Pode puni-lo sem pena alguma, a senhora tem a minha benção – falei.
– O que?! – guinchou Akira, incrédulo.
Lancei-lhe um olhar firme, ele bufou.
– Isso é perseguição, por que as mulheres querem acabar com a minha vida? – ele disse.
Bufei, apertando seus ombros com força. Ele ofegou de dor, desvencilhando-se de mim.
– Você não faz ideia de como isso soou mal, e eu faço questão de enfiar eu mesma juízo na sua cabeça mais tarde – falei.
Ele bufou, lançando-me um olhar indagador. Pus os braços na cintura, firme. Mishima riu, assustando-nos um pouco.
– Que evitar que isso dure para o resto da sua vida? Nunca se case – ela disse, encarando Akira – Agora desça, tem trabalho para fazer.
Akira fez uma careta, baixando um pouco a cabeça para nós duas.
– Sim, senhoras – ele disse.
Tentei não rir, notando que Mishima fazia o mesmo. Meu namorado saiu do quarto, com a diretora encarando sua nuca como se pudesse controlar sua mente. Ri com a visão, sacudindo um pouco a cabeça. Saí do quarto também, não tinha sentido algum em ficar ali sozinha. Varei no corredor, olhando em volta para achar alguma coisa para passar o tempo.
– Nina? – chamou-me alguém.
Olhei para a esquerda, deparando-me com minha segunda pessoa favorita naquele orfanato.
– Sarah? – chamei.
Ela abriu um sorriso cansado, vindo até mim com dois saltinhos. Abracei-a assim que pude, a cabeça dela batia na altura dos meus ombros. Sorri, contente por vê-la.
– Achei que você não fosse voltar aqui nunca mais depois do que aconteceu – ela disse, um pouco incerta.
Bufei, sacudindo a cabeça.
– Eu vim visitar Akira, queria ver se ele estava bem – falei.
Ela se afastou um pouco, cruzando os braços. Suas tranças loiras sacudiram um pouco, ela gostava daquele penteado.
– Você o perdoou? – perguntou, indagadora.
Pisquei, um pouco surpresa. A postura de Sarah era quase dura, ela me olhava como se fosse uma advogada.
– Perdoei, por que? – perguntei, cruzando os braços também.
Ela bufou, sacudindo a cabeça.
– Eu não sei se você é muito boa ou se é muito estúpida – ela disse.
Engoli em seco, afastando-me dela um pouco.
– Eu prefiro achar que sou a primeira opção – falei, incerta – Aliás, por que você acha isso?
Ela respirou fundo, desviando o olhar até o chão. Esperei, um pouco desconfiada.
– O que ele fez, aquilo não foi certo – ela disse, encarando o chão – Ele fazia aquelas coisas com a professora, só pra ganhar dinheiro. Traiu você, e traiu a si mesmo. Ele sabe como nossas mães sofriam nessa vida, e mesmo assim ele continuou... Se prostituindo. Isso é muito errado, eu não sei se conseguiria perdoá-lo se fosse você.
Arquejei, surpreendida pelas palavras de Sarah. Ela ergueu o olhar, olhei em seus olhos. Eram verdes como os de Yelisei, mas eu não via nos olhos dela a inocência que via nos olhos dele. Aquela garota já sofrera muito, tinha seus motivos para não ver as ações de Akira do mesmo jeito que eu via. Para ela, o garoto que a protegeu desde sempre agora era uma espécie de traidor.
Respirei fundo, firme. Ela me encarou, como se esperasse por minha resposta. Eu não sabia nem da metade das coisas que aquela garota sabia sobre sofrimento, mas entendia muita coisa sobre defender alguém importante para mim. Eu não deixaria ninguém desentender as ações de Akira, nem mesmo Sarah.
– Isso é muito mais complicado do que parece, e por mais que eu não aprove os meios que ele usou, Akira só fez o que fez para me mostrar algo que eu nunca deveria ter esquecido – falei – Sim, eu o perdoei. Doeu muito, mas eu reconheço que ele agiu assim por algo além do impulso e da tentação do dinheiro. Ele me ama, Sarah. Eu o amo, e isso nunca vai mudar.
Ela olhou no fundo dos meus olhos, medindo minha sinceridade. Esperei, mostrando-lhe que minhas palavras eram firmes. Quando pensei que ela fosse bufar ou fazer careta, Sarah me surpreendeu com um sorriso minúsculo.
– Sabe, eu achei que você tinha mudado muito, mas acabei de perceber que você ainda é a mesma Nina romântica de sempre – ela disse.
Pisquei, um pouco surpresa. A garota respirou fundo, endurecendo um pouco a postura.
– Preciso ir, tenho que fingir que entendi alguma coisa na aula de química e fazer uma droga de atividade – ela disse – Foi bom te rever, vê se não desaparece de novo.
Sorri, assentindo. Ela me deu mais um abraço antes de ir, deixando-me sozinha outra vez. Soltei um suspiro, olhando em volta.
Não achava que ela fosse sentir aquelas coisas por Akira, já que eles eram como irmãos. Mas podia entender como ela se sentia, era simplesmente coisa demais para alguém aceitar. Eu tivera meus motivos para perdoá-lo, mas Sarah não via da mesma forma. A única coisa que eu podia fazer era lamentar, embora soubesse que aquilo não devia durar muito, ela não aguentaria passar muito tempo com raiva do “irmão”. Eu a conhecia muito bem, e por mais irritada que estivesse, Sarah sempre ia perdoar Akira.
Ela precisava dele, assim como eu, e eu o perdoara.
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– Então seu dentinho caiu? – perguntei, maravilhada – O que mais aconteceu enquanto eu estive fora?
A pequena Yumi mordeu o lábio inferior, se sacudindo um pouco.
– Aprendi a fazer trança – ela respondeu, contente.
Arquejei, abrindo um sorriso enorme para a garotinha. Eu a vira dizendo as primeiras palavras, literalmente, naquela orfanato.
– Jura? Que maravilha! – exclamei, estupefata – Um dia você vai me ensinar, não vai? Eu nunca aprendi a fazer isso direito.
Ela riu, sacudindo a pequena cabeça e fazendo seus cabelinhos negros sacudirem.
– Nina-nee-chan, você é tão boboca – ela disse, rindo.
Arregalei os olhos, escancarando a boca.
– Onde foi que você aprendeu isso? Comigo que não foi – falei.
Ela riu de novo, pulando um pouco onde estava sentada: Em minhas pernas.
– Foi sim, Onee-chan – ela disse.
Ri, sentindo-me aquecida. Já fazia tempo que eu não era chamada daquela forma, já que Wataru não estava brincando quando disse que não me perdoaria por ter bebido. Ele não falava comigo desde aquele dia, e aquilo estava me matando. Pelo menos eu tinha Yumi, uma garotinha de três anos que eu conhecera dois meses depois de entrar nesse orfanato.
– Ei, não é verdade – falei – Eu te ensinei a falar “imbecil”, “planária” e “acéfalo”, mas “boboca” não.
Ela riu, lançando-me um olhar brincalhão.
– E isso não é pior, onee-chan? – perguntou.
Ri, fazendo cócegas em sua barriga. Ela explodiu em uma gargalhada gostosa e infantil, fazendo com que eu risse também. Algumas garotas que passavam pelo corredor riram com a cena, não era comum ver uma ex-residente sentada no chão do corredor com uma garotinha, mesmo naquele lugar. Deixei que Yumi respirasse um pouco, soltando um suspiro alegre.
– Onee-chan, eu senti saudade – ela disse, ainda risonha.
Soltei um suspiro forte, abraçando a pequena com força.
– Eu também, meu amor – falei, engolindo em seco – Eu também senti.
– Tá me matando, Nina-Boboca! – ela disse.
Arquejei, arregalando os olhos. Ri, ainda que tentasse fazer uma expressão severa para a garotinha risonha que me encarava com aquele par de olhos pretos que exalavam inocência e maturidade ao mesmo tempo.
– O que?! O que andam ensinando às crianças hoje em dia? – perguntei, bufando falsamente – No meu tempo, éramos castigados por chamar os mais velhos assim.
Ela revirou os olhos, gesto que tinha aprendido comigo, ainda que eu não me orgulhasse daquilo.
– Nina-Boboca é velha, velhota! – ela disse.
Ri, atacando-a com cócegas outra vez.
– O que?! Repita isso! – falei, rindo.
– Velhota, velha gagá! – ela disse, entre risadas.
Ri junto, por mais que quisesse repreendê-la. Eu não a culpava por me chamar de “boboca”, já que aquela palavra era fraca para me descrever. E era uma criança, afinal. O que crianças e bêbados dizem é a mais pura verdade.
– Chega, onee-chan! – ela gritou, se jogando no chão.
Ri, mas ajudei Yumi a se levantar. Ela riu mais um pouco da minha cara, antes de sair correndo pelo corredor gritando “Nina, boboca, velha gagá!”, provavelmente indo se juntar às amiguinhas nos jardins do orfanato. Ri, sacudindo a cabeça. Respirei fundo, deixando que a saudade de morar ali me preenchesse um pouco.
– Um pouco velha para ficar brincando no chão, não acha? – disse uma voz desconhecida.
Ergui o olhar, reparando na figura de uma garota baixinha diante de mim. Tinha grandes olhos pretos e cabelos da mesma cor, cabelos que ficavam escondidos por quase por completo dentro de um gorro verde. Ela trazia um ursinho de pelúcia vermelho no braço esquerdo, enquanto a mão direita estava estendida na minha direção. Ela sorria, olhando-me como tivesse acabado de me achar catando flores do chão. sorri de volta, aceitando sua ajuda.
– Hoje é o dia de me chamar de velha? Tudo bem que eu estou quase para fazer 17, mas acho que não aparento ser tão velha assim – falei.
Ela riu, retraindo os braços. Sorri, passando as mãos na roupa para tirar a poeira que grudara em mim.
– Deve ser sua pose maternal, você parece uma mãe de 17 anos – ela disse, antes de rir – Fora que tem peitos enormes, se eu fosse homem, já tinha agarrado você.
Ri, arregalando um pouco os olhos. Ela riu também, olhando-me nos olhos como se eu fosse algo muito interessante.
– Você é nova por aqui, eu não lembro do seu rosto – falei.
Ela assentiu, dando de ombros.
– Kim Maeda, cheguei há alguns meses – ela disse.
Sorri, estendendo a mão num gesto amigável.
– Nina Kazama, saí há alguns meses – falei.
Ela bufou pelo nariz, como uma risada. Kim ignorou meu aperto de mão, descruzando os braços apenas para beliscar minha cintura. Ofeguei, surpresa.
– Eu sei, você é tipo lenda aqui dentro – ela disse, lançando-me um sorriso sinistro – Era uma vez, uma linda garota peituda que foi adotada, mas ela sempre volta em tardes de sexta feita. Reza a lenda de que, sempre que a veem, ela sorri como uma princesa visitando um vilarejo de seu reino e acena como se fosse sua mãe.
Ri, um pouco desconcertada. Ela riu da minha cara, dando de ombros como se não tivesse dito nada de importante.
– Fora que eu fiquei com seu antigo quarto, e achei sua carta gigante – ela disse – Você tem futuro como escritora, eu nunca li tanto!
Ri de novo, mais desconcertada ainda.
– Não escrevi tanto assim, mas fico feliz por alguém ter achado minha carta naquele esconderijo improvável – falei.
Ela riu, arregalando um pouco os olhos.
– Tá brincando? Aquele é o melhor lugar do mundo para esconder doces roubados – ela disse – Aliás, valeu por todas aquelas dicas, eu achei o telhado um lugar incrível.
Pisquei, surpresa. Ela sorriu, lançando-me um olhar travesso.
– Enchendo a cabeça da minha namorada com suas abobrinhas, Maeda? – disse uma voz.
Nós duas olhamos para onde vinha aquele som, encontrando um Akira sorridente vindo até nós. Ele parecia ligeiramente apressado, mas devia ser só impressão minha, já que Kim não pareceu ter percebido nada. Ela apenas sorriu de lado, lançando-me outro olhar travesso.
– Ah, Yushima, foi ela quem encheu minha cabeça com abobrinhas – ela disse – Aliás, eu devo saber mais sobre seu namoro do que vocês dois, acho que vou até escrever um livro.
Ri, Akira bufou. Ele chegou onde estávamos, tomando minha mão sem esperar nenhum segundo. Sorri com aquilo, ele lançou um olhar travesso à garota diante de nós.
– A melhor parte ela não narrou naquela carta, acredite – ele disse, malicioso.
Escancarei a boca, os dois riram de mim. Olhei para ele, um pouco incrédula.
– Você leu a carta? – perguntei.
Akira sorriu, lançando-me uma piscadela.
– Essa tampinha me mostrou, adorei o modo como me descreveu, fiquei me sentindo um Deus Grego – ele disse.
Revirei os olhos, Kim riu.
– Mas você é, eu não menti em nada – falei, simples.
Ele abriu um sorriso enorme, puxando-me para si. Sorri, deixando que ele abraçasse meu corpo de lado e plantasse um beijo carinhoso em minha testa. Fechei os olhos por um segundo, mas os abri assim que percebi que Kim nos olhava como se fossemos um casal de velhinhos declarando seu amor um pelo outro depois de sessenta anos de casados. Desviei o olhar, sorrindo para Akira. Ele sorriu de volta, desviando o olhar do meu rosto para olhar a garota.
– Estamos indo, vá procurar o que fazer – ele disse.
Pisquei, surpresa pelas palavras dele. geralmente, Akira era gentil com todos. Mas Kim não pareceu incomodada, apenas revirou os olhos e sacudiu a cabeça.
– Certo, acho que tem alguém por aí precisando de mim, ou coisa parecida – ela disse.
– Duvido muito, mas vá logo – disse Akira.
Ela mostrou-lhe a língua, fazendo com que meu namorado risse e revirasse os olhos como se estivesse lidando com uma criança mimada. Sorri, um pouco surpresa. Kim sorriu para mim, piscando o olho esquerdo.
– Até mais, alteza – ela disse.
Ri, ela acenou uma vez, antes de nos dar as costas e seguir seu caminho. Olhei para Akira, indagadora.
– Muito íntimos, não acha? – falei, dando um meio sorriso.
Ele revirou os olhos, esperei.
– Ela é uma chata, sempre ensinando coisas feias aos pequenos e roubando comida para comer em locais proibidos – ele disse, lançando-me um sorriso divertido – Ela parece com você, na verdade.
Revirei os olhos, soltando-o de mim. Akira me olhou, estranhando minha reação.
– Então vai lá ficar com ela, aposto que ela quer sua companhia – falei, tentando soar divertida.
Akira piscou, inclinando a cabeça para a esquerda. Seu olhar se fixou no meu, ele ficou repentinamente sério.
– Está com ciúmes? – ele disse.
Senti meus pelos se eriçarem, vendo um sorriso enorme crescendo no rosto de Akira. Bufei, cruzando os braços.
– E se estiver? Vai fazer o que? – indaguei, um pouco dura.
Ele riu, aproximando-se de mim. Seus braços envolveram minha cintura, sacando-me para si com certa ferocidade. Encarei seus olhos com firmeza, aguardando sua resposta. Akira mordeu o lábio, seus olhos brilharam com malícia.
– Te beijar até você ficar sem ar – ele disse, sua voz saiu baixa e envolvente.
Mordi o lábio, descendo o olhar até encarar sua boca convidativa. Ver aquele corte lá quase cortou minha excitação, mas eu ainda estava com vontade de beijá-lo como se não houvesse amanhã.
– Me leve até nosso lugar especial e talvez eu te deixe fazer o que quer – falei, baixinho.
Akira abriu um sorriso enorme, puxando-me pelo corredor logo em seguida. Sorri, entrelaçando nossos dedos e seguindo-o até onde queríamos estar. Eu sentia as pessoas nos olhando por onde passávamos, mas só fui prestar atenção em alguma coisa quando Akira parou diante da porta do telhado. Esperei que ele a abrisse, varando comigo para o lado de fora. Empurrei a porta atrás de mim, deixando que Akira me guiasse até nosso canto. Joguei-me no chão assim que pude, puxando-o para mim. Ele ofegou de dor, se retesando um pouco. Congelei, arregalando os olhos.
– Eu não matei você, matei? – perguntei, ligeiramente exasperada.
Ele grunhiu, sentando no chão. Esperei, estudando-o com o olhar até que ele estivesse pronto para falar.
– Não, mas foi por pouco – ele disse, por entre os dentes.
Reconheci aquilo como um sinal de dor, engoli em seco. Sentei-me de joelhos ao seu lado, pousando as mãos nas pernas. Akira me olhou antes de recostar-se ao muro, respirando fundo.
– Desculpe-me – falei, fraquinho – Por um momento eu... Desculpe.
Desviei o olhar até meus joelhos, respirando fundo. Não tinha motivos para agir daquela maneira, ainda que realmente tivesse sentido ciúmes da relação de Akira com Kim. Mas aquilo não justificava minha falta de cuidado. Ele estava machucado, Deus. Eu devia estar cuidando dele, e não o machucando ainda mais.
– Não precisa ficar assim, eu mesmo esqueço de vez em quando – ele disse.
Notei certo divertimento em sua voz, ainda que ainda reconhecesse uma pontada de dor. Meu coração se apertou, ergui o olhar. Akira me olhava atentamente, com um leve sorriso carinhoso nos lábios. Suspirei, movendo-me em sua direção. Ele abriu o braço direito, recebendo-me como se eu fosse uma criança carente. Enterrei o rosto em seu pescoço, inalando profundamente o cheiro de sua pele.
– Eu só queria te beijar, me deixei levar pelo momento – falei.
Ele riu baixinho, seus dedos começaram a afagar minha cintura.
– Eu queria que você me beijasse, que droga de costela – ele disse.
Franzi o cenho, desencostando minha testa de seu ombro. Olhei em seus olhos, ligeiramente tensa.
– Não brinque com isso, é coisa séria – ralhei – Aliás, precisamos conversar sobre isso.
– De novo com isso, eu não aguento mais – ele disse, jogando a cabeça para cima.
Suspirei, franzindo o cenho. Akira encarou o céu, talvez esperando pelo que eu diria. Soltei um suspiro pesado, aconchegando-me em seu corpo como um pintinho se aconchega em sua mãe. Aquilo pareceu ter surpreendido Akira, mas ele apenas me abraçou mais. Enterrei meu nariz em seu pescoço, respirando fundo seu cheiro.
– Eu sei que é difícil, mas eu preciso saber como você está lidando com isso – falei, devagar – Eu sou sua namorada, Akira. Quero estar com você. Nesse momento, principalmente, e em qualquer outro também. Me deixa entrar, amor.
Ele soltou um suspiro pesado, pude sentir sua rendição vindo. Soltei um suspiro, depositando um beijo carinhoso na pele de seu pescoço. Senti seus pelos se eriçarem contra meus lábios, indicando que ele havia gostado do carinho. Rocei a ponta do meu nariz no local onde beijara antes, fechando os olhos.
– Eu te amo, Nina – Akira suspirou.
Pude sentir sofrimento em sua voz, meu coração se apertou. Engoli em seco, desgrudando minha pele da dele. Olhei em seus olhos, analisando cada parte daquelas orbes azuis. Seu brilho natural estava quase ofuscado, mas eu podia ver um lampejo de luz ali. Pude ver naqueles olhos que Akira me amava, e por mais machucado que ele estivesse, ele se sentia confortável comigo. Talvez eu fosse a única que o deixava assim no momento.
Toquei seu rosto com a palma da mão direita, afagando sua pele com meus dedos. Contornei o desenho de seus lábios com o dedão direito, soltando um suspiro.
– Eu também te amo, Akira – falei, calma – Me deixa cuidar de você.
Ele sustentou meu olhar, como se procurasse alguma coisa em meus olhos. Esperei, devorando sua expressão. Aos poucos, seu lindo rosto foi ganhando uma expressão mais calma, quase como se ele estivesse agradecido com alguma coisa. Suspirei, sentindo que ganhara aquela discussão silenciosa. Afaguei seu rosto de forma carinhosa, dando um pequeno sorriso gentil.
– Conte-me, amor – falei – Como você está?
Akira pensou um pouco, desviando o olhar até suas pernas. Segurei sua mão com minha mão livre, esperando por sua resposta. Não queria pressioná-lo, todos nós precisávamos de tempo.
– Estou melhor, eu acho – ele disse, um pouco incerto – Tenho dormido melhor, mas de vez em quando tenho alguns pesadelos.
– Que tipo de pesadelos? – perguntei.
Ele respirou fundo, engolindo em seco. Esperei, apertando um pouco seus dedos para deixá-lo mais confortável.
– Do tipo que você não gostaria de ter logo após ter quebrado uma costela – ele disse, fazendo uma careta – Eu sempre acabo me mexendo demais, a dor me deixa louco.
Suspirei, engolindo em seco. Akira começou a mexer seus dedos contra os meus, retribuindo um pouco do carinho que eu lhe dava. Afaguei seu rosto, respirando fundo.
– Eu devia ter te dado mais tempo antes de te atacar no seu quarto, eu podia ter te machucado mais ainda – falei.
Inesperadamente, Akira sorriu. Um sorriso pequeno e tímido, mas um sorriso lindo. Ele me olhou nos olhos, aquelas esferas azuis brilharam de leve.
– Sabe de uma coisa? Eu me sentiria bem até mesmo se quebrasse outra costela ao fazer amor com você – ele disse – Achei que demoraria um pouco para esquecer dos toques daquela... Pessoa. Mas você apareceu e cuidou de mim da sua maneira, acho que eu não podia querer namorada melhor, nem um tratamento melhor.
Ri de leve, sacudindo a cabeça. Ele sorriu mais um pouco, suspirando intensamente. Puxei sua mão até meu rosto, depositando um longo e carinhoso beijo em seu dedo luxado.
– Eu devia ter perguntado se você queria fazer, que tipo de namorada eu sou? – falei.
Ele suspirou, soltando minha mão. Esperei, Akira ergueu meu queixo com seu dedo polegar.
– O melhor tipo possível, o tipo que faz todas as outras namoradas do mundo parecerem um bando de velhas fofoqueiras – ele disse.
Sorri, olhando em seus olhos.
– Sabe que acabou de ofender todas as namoradas e velhas fofoqueiras do mundo, não sabe? – falei.
Ele sorriu, dando de ombros de leve.
– Sabe que eu não ligo, não sabe? – respondeu.
Ri baixinho, suspirando. Akira suspirou também, inclinando-se em minha direção. Esperei até que nossos lábios estivessem colados para poder respirar, ainda sentia como se estivéssemos nos beijando pela primeira vez. Ele sugou meus lábios delicadamente, como se pedisse permissão para avançar. Eu teria revirado os olhos se eles estivessem abertos, ele nunca precisara pedir, eu sempre me entregava para ele. Suguei seu lábio inferior como resposta, sentindo que ele soltara um leve muxoxo. Afaguei seu rosto devagar, dando-lhe o amor que ele precisava. Akira mordiscou meus lábios, soltando um suspiro quase relaxado, como se aquele beijo fosse um tipo de terapia. Sorri contra seus lábios, encerrando o beijo com um selinho molhado. Afastei meu rosto do dele para olhar em seus olhos, deparando-me com aquele azul intenso que eu tanto amava.
– Eu não sei se já te disse isso alguma vez, Senhor Yushima, mas você é lindo – falei.
Ele riu, sacudindo a cabeça. Sua mão puxou-me para outro beijo, correspondi seu beijo com o mesmo entusiasmo. Quando pensei que aprofundaríamos aquilo, meu namorado lindo separou nossos lábios só para rir da minha expressão frustrada.
– Você é linda até quando está brava comigo, Kazama – ele disse, risonho.
Bufei, inclinando-me em sua direção para ganhar mais um beijo. Dessa vez ele me deixou livre para curtir o contato, sorrindo contra meus lábios.
Eu amava aquele beijo, e amava ainda mais o dono daquela boca.
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– Pode cortar isso para mim? – perguntou o loiro.
Assenti, sorrindo. Ukyo sorriu de volta, contente ao entregar-me uma cebola grande e branca. Coloquei-a na bancada da pia, preparando a faca para cortá-la. Meu irmão passou por mim, quase radiante enquanto acendia uma das bocas do fogão para preparar o arroz.
– Obrigado por ter se oferecido para me ajudar hoje, o jantar sairia muito atrasado se eu estivesse sozinho – ele disse, feliz.
Ri, dando de ombros. Cortei a cebola toda em várias tiras, preparando cubinhos logo em seguida.
– Não precisa agradecer, você não teve culpa de ter ficado preso no tribunal hoje, isso é o mínimo que eu posso fazer para ajudar alguém que me ajuda tanto – respondi.
Ukyo riu, uma risada quase musical. Sorri, notando que ele havia corado um pouco com minha última frase.
– Eu nem faço muito, não precisa dizer essas coisas – ele disse.
Sorri, jogando o resultado do meu trabalho com a faca em uma panela.
– Você é meu irmão, só isso já me faz querer te ajudar a qualquer minuto – falei.
Ele riu outra vez, parecia verdadeiramente feliz. Ukyo e eu não tínhamos muitos momentos como aquele, eu adorava sua companhia.
– Eu não poderia querer irmãs melhores, você e Ema são incríveis para essa família – ele disse.
Sorri, contente. Coloquei a panela com os pedacinhos da cebola no fogão, girando nos calcanhares para ir atrás da garrafa de azeite.
Eu não contava com o que veria assim que parasse de girar.
E ele também parecia não contar com minha presença ali, mas conseguiu disfarçar muito bem sua surpresa. Quase gélido, Louis pegou o copo que parecia querer pegar e continuou sua ação como continuaria se eu não estivesse ali. Engoli em seco, assistindo-o beber água como se ele fosse um lince raro e selvagem. Quase pude sentir o ar da cozinha ficando mais pesado, será que eu estava imaginando aquilo?
– Boa noite, Louis – disse Ukyo, sem ser abatido pela frieza do irmão.
Louis terminou de beber sua água, levando o copo para a pia sem olhar na minha direção.
– Boa noite – ele respondeu.
Engoli em seco de novo, desviando o olhar. O irmão mais velho presente pareceu finalmente notar que Louis tinha se transformado em um boneco de neve, recomecei minha caminhada até o vidro de azeite. Infelizmente, ele estava em um armário ao lado da pia. Meu cabeleireiro favorito apenas continuou lavando seu copo, ignorando minha presença ali como se eu fosse um fungo. Ukyo franziu o cenho para nós, parando de mexer em sua panela por um momento.
– Vocês dois estão bem? – ele perguntou.
Meus pelos se eriçaram, engoli em seco. Arrisquei olhar na direção de Louis, decepcionando-me ao ver que ele não esboçou reação alguma.
– Sim – ele respondeu – Vou jantar fora hoje, não precisa me esperar para trancar a casa.
Senti meu coração pular uma batida, mordi o lábio. Louis secou as mãos em um pano de pratos ao lado da pia, girando nos calcanhares para deixar o lugar. Senti seu perfume me invadir quando ele passou por mim, porém, tão rápido quanto chegava, o cheiro me abandonou. Respirei fundo, sentindo minha mão tremer um pouco. Ukyo franziu o cenho de novo, olhando para Louis enquanto ele saía da cozinha sem nem mesmo olhar na minha direção. Baixei a cabeça, soltando um suspiro pesado.
– Nina? – chamou-me Ukyo.
Engoli em seco, sacudindo a cabeça para tentar recobrar meu humor inicial. Forcei um sorriso para ele, pegando o azeite para dourar minha cebola.
– Quer ajuda com o arroz também? Termino com a carne em um segundo – falei.
Ele estudou minha expressão, visivelmente preocupado. Tentei não tremer, sabia que não conseguiria enganar um advogado formado com aquela tentativa medíocre de mudar de assunto. Voltei para perto da minha panela, sentindo que Ukyo suspirava pesadamente.
– Como preferir – ele respondeu.
Sorri, assentindo com um entusiasmos forçado até demais. Ele tentou sorrir de volta, mas parecia ser tão ruim quanto eu nessa história de fingir uma emoção. Fixei minha atenção no que devia fazer, respirando fundo.
Eu não devia ficar daquele jeito, sabia que levaria tempo até Louis me aceitar de volta em sua vida. Talvez ele nem o fizesse, mas eu sabia que aquele era o preço por ter escolhido ficar com alguém que eu amava.
Só que eu também amava Louis, e por mais que eu soubesse que valeria a pena, eu sentia que aquele era um preço bem alto.
Mas que eu mesma escolhera pagar.
IMAGEM ESPECIAL
Yusuke Asahina (Mordi a Foto — Pt. 3).

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