Notas iniciais
Oie gente, como estão? Então, como prometido, teremos Masaomi e Wataru nesse capítulo. No próximo veremos alguns outros irmãos, se contentem com o número 1 e com o número 13 por enquanto. Espero sinceramente que gostem. P.S.: As imagens que eu for colocando dos irmãos serão em ordem de nascimento, ou seja, Hoje teremos a foto do Masaomi como imagem especial.

Nenhum de nós disse nada durante parte do trajeto, limitei-me a observar o caminho que tomávamos. Já tínhamos passado por vários quarteirões, atravessado uns quatro bairros, passado por um píer e um grande salão de recepções. A arquitetura ficava mais fina a cada rua que avançávamos, fazendo-me pensar na sorte grande que eu tirara. Os Hinata deviam ser muito ricos, eu só não estava melhor que Lily, uma garota que fora adotada por um dos cantores mais famosos do Japão.

– Aproveitando a viagem? – perguntou Miwa, virando o rosto para trás.

Assenti, sorrindo de leve. Ela sorriu, me pareceu um pouco curiosa.

– Não quer fazer nenhuma pergunta? – disse Sr. Hinata – Geralmente quando uma mocinha vai se mudar, ela pergunta tudo aos pais.

Ri, encarando minhas próprias mãos. Tinham muitas perguntas varrendo minha mente, mas preferi fazer logo a maior delas.

– A casa de vocês é muito longe? – perguntei.

Eles riram, percebi a banalidade da pergunta logo após isso.

– Um pouco, mas já estamos na metade do caminho – respondeu Miwa, ainda olhando para mim – Outra pergunta?

Assenti, pensando na outra coisa que me atormentava.

– Esse irmão que vai estudar comigo, estaremos na mesma turma? – perguntei.

Miwa assentiu, Sr. Hinata olhou-me rapidamente através do espelho interno do carro.

– Faremos o possível para que vocês caiam na mesma turma, assim você vai se sentir melhor – ele disse, concertando a resposta da esposa.

Assenti, soltando um suspiro aliviado. Miwa deu um sorriso de lado, um pouco marota.

– Não vai perguntar como ele é? – ela perguntou.

Pisquei, considerando a pergunta.

– Geralmente quando as mocinhas vão ganhar um novo irmão, elas perguntam até mesmo o peso corporal do rapaz em questão – disse Sr. Hinata, dando um leve sorriso.

Ri outra vez, Miwa continuava me olhando.

– Acho que não preciso fazer essa pergunta, se ele foi criado por vocês, deve ser um bom sujeito – respondi.

Eles sorriram, fiquei um pouco constrangida.

– Obrigada, querida – disse Miwa – Mas Fuuto foi criado apenas por mim, já que Rintarou casou-se comigo há três anos.

– Ah – falei, constrangida – Desculpe.

Ela deu de ombros, sorrindo.

– Não tem problema, você não tinha como saber – ela disse.

Assenti, dando um pequeno sorriso.

– Fuuto, não? – falei, pensando – Esse nome não me é estranho.

Miwa e Rintarou riram, desfrutando de uma piada interna. Senti-me completamente de fora, baixei os olhos.

– Você vai se surpreender – disse Miwa – Acho que vão se dar bem.

– Não conte muito com isso – disse Rintarou, dando um sorriso.

Miwa olhou para o marido, pareciam prontos para uma discussão familiar.

– Fuuto é um doce – disse Miwa.

– Claro, a mãe sempre defende – disse Rintarou, dando uma curta risada – Ema não costuma falar muito de Fuuto, então eles não devem ser muito próximos.

Miwa sacudiu a cabeça, encarando o marido.

– Ema e Nina são muito diferentes, nem tente comparar suas filhas – ela disse – Fuuto e Nina serão amigos, tenho certeza disso.

Sorri, internamente feliz.

– Não estou comparando minhas filhas, só estou dizendo que Ema não parece se dar muito bem com Fuuto, logo a Nina também não vai – disse Rintarou.

Miwa sacudiu a cabeça, prendi o riso.

– Ela vai gostar o Fuuto e ponto final – ela disse, virando-se para me olhar – Acredite em mim.

Rintarou bufou, reduzindo a velocidade por estarmos diante de um sinal vermelho.

– Não tente levar a menina para seu lado, Miwa – ele disse, olhando-me através do espelho interno do carro outra vez – Vai mimá-la do mesmo jeito que mimou o Wataru.

Wataru? Fuuto? Ema? Quantos filhos esse casal tinha? Pisquei, um pouco confusa.

– Wataru não é mimado, ele é apenas o caçulinha – disse Miwa, lançando um olhar afetado ao marido – Eu nunca tive uma filha, me deixe viver.

Ele sacudiu a cabeça, rindo um pouco.

– Está vendo, Nina? – ele disse, virando-se para me olhar rapidamente – Não se assuste se deparar-se com seus irmãos mimados daqui a pouco.

Ri, Miwa encarou o marido.

–Meus filhos não são mimados, eu só os criei com amor – ela disse – E Nina é menina, ela precisa ser mimada.

Enterrei o rosto nas mãos, rindo. Aquela discussão estava muito divertida, mas eu quase perdera as contas de quantos irmãos teria.

– Então seremos muitos naquela casa? – perguntei, tentando desviar-me do assunto.

Miwa assentiu, dando um sorriso.

– Sim, muitos – ela disse.

Assenti, arrepiando-me um pouco.

– Então Wataru é o caçula? – perguntei – Quantos anos ele tem?

– 12 – respondeu Miwa, sorrindo – Você vai gostar dele, Wataru adorou saber que vai ter uma nova irmã.

Dei um sorriso, pelo menos um era mais novo do que eu. Aquilo deixou-me mais confortável, eu me dava melhor com crianças.

– Fuuto é o mais velho? – perguntei – Ou seria Ema?

Miwa aprumou-se no banco, como se adorasse o assunto.

– Ema é mais velha que Fuuto, ela tem 19 enquanto ele tem 18 – ela disse – O mais velho se chama Masaomi, ele tem 34.

Abri minha boca, se Miwa era mãe de um homem com aquela idade, quantos anos ela tinha?

– Então a ordem seria: Masaomi, Ema, Fuuto e Wataru? – chutei.

Miwa negou com a cabeça, dando um sorriso.

– Não exatamente, ainda tem alguns que eu ainda não citei – ela disse.

Meu queixo caiu, ela riu.

– Só por curiosidade, quantos irmãos eu vou ter? – perguntei.

O casal se entreolhou, ambos pareciam estar divertindo-se com minha confusão.

– Você está acostumada com muitas pessoas no mesmo lugar? – perguntou Rintarou.

Assenti, afinal éramos quase 200 no orfanato.

– Ótimo – disse Miwa – Então não vai ser nenhuma surpresa.

Engoli em seco, eles riram. Baixei a cabeça, como era possível alguém ter tantos filhos assim? Eram todos biológicos?

– Chegaremos em poucos minutos, acho melhor ir se preparando – disse Rintarou, olhando-me por cima do ombro.

Assenti, engolindo minha confusão mental como se ela fosse um comprimido amargo. Miwa afagou minha perna, sorrindo para mim.

– Espero que goste, todos estão animados para conhecer você – ela disse.

Tentei sorrir, mas acho que a expressão apavorada em meu rosto não deixou. Rintarou reduziu a velocidade, dobrando em uma rua larga.

– Chegamos – anunciou.

Ele estacionou o carro perto de uma grande casa, e quando digo grande casa, quero dizer: enorme casa. A fachada era simplesmente incrível, e o terreno ocupava quase todo o quarteirão. Dentro havia um jardim enorme, quase como uma praça. A casa devia ter uns três andares, e tinha uma sacada enorme no segundo andar. Ornamentos de vidro decoravam parte do exterior, misturando designs diferentes.

– Nina? – chamou Miwa.

Consegui desgrudar meus olhos da casa por um segundo, virando meu rosto par encarar minha nova mãe.

– Gostou? – perguntou Rintarou.

– Adorei – respondi.

Eles sorriram, felizes. Olhei para a casa outra vez, mordendo o lábio. Akira ficaria impressionado, eu precisava lembrar de fotografar tudo.

– Vamos? – disse Miwa, afagando minha perna.

Assenti, abrindo um sorriso. Rintarou e Miwa desceram do carro, minha porta logo fora aberta por meu novo pai.

– Obrigada – falei, sorrindo.

Desci do carro, olhando em volta. As casas vizinhas eram todas enormes, mas nenhuma era tão grande quanto a mansão atrás de mim. Rintarou tirou minha única mala de dentro do carro, depositando-a sem esforço algum na calçada. Miwa fez uma careta, olhando-me rapidamente.

– Vamos cuidar disso em breve, eu prometo – ela disse.

Assenti, dando um meio sorriso. Miwa abriu o portão principal e indicou-me o caminho, subi o degrau e entrei. Olhei em volta, o jardim era ainda mais bonito do lado de dentro. Rintarou e Miwa entraram logo após minha entrada, a mulher pôs a mão em meu ombro.

– Eles devem estar lá dentro – ela disse, dando um sorriso.

Logo depois que ela pronunciou essas palavras, três pessoas saíram de dentro da casa. Uma garota, um homem e um garotinho vieram até nós, todos olhando-me curiosamente. O homem vinha na frente, como um chefe de família. A garota vinha segurando a mão do garotinho, que me observava atentamente. Engoli meu constrangimento, ficando minimamente envergonhada. Olhei para mim mesma, não estava tão ruim.

– Mãe, vocês chegaram – disse o homem, dando um sorriso gentil – Essa é a garota?

Miwa assentiu, passando o braço em meu ombro. O garotinho soltou-se da garota, vindo até mim a passos decididos. Olhei em seus olhos, vendo-o melhor.

Tinha grandes olhos castanhos, que esquadrilharam-me com cuidado. Seus cabelos tinham uma coloração salmão-dourado, cor atípica. Era um pouco mais baixo do que eu, devia medir 1,50 ao todo. Seus cabelos batiam em seus ombros e tinham um rabo de cavalo no lado esquerdo, ele usava roupas de um adolescente comum. Um urso de pelúcia varava de seu bolso direito, sorri com a visão. Ele ergueu o olhar até meu rosto, parecia estar um pouco indeciso.

Conheci varias crianças ao longo dos meus anos de orfanato, e sabia bem como agir diante de uma situação como aquela. Abaixei-me um pouco, apoiando minhas mãos nos meus joelhos. Fiquei frente a frente com o garoto, sustentando seu olhar de forma firme. Abri meu melhor sorriso gentil, respirando fundo bem devagar.

– Oi – falei.

Ele me encarou, e logo abriu um sorriso.

– Oi – ele disse, sua voz ainda era um pouco infantil.

Meu sorriso cresceu, ele quase ria agora. Estendi minha mão e toquei seu rosto, ele parecia radiante com toda aquela atenção.

– Você é? – perguntei.

– Wataru Asahina – respondeu, contente – E você?

Mordi o lábio, estava funcionando.

– Nina Kazama, ao seu dispor – respondi, dando-lhe uma piscadela no fim da frase – É um prazer conhecê-lo, Wataru.

Ele riu, radiante. Ergui meu corpo, e ele fez exatamente o que eu imaginava.

Wataru me abraçou, seu rosto batia na altura de meus seios. Retribui seu abraço, olhando para os outros presentes com expressão um tanto presunçosa.

Uma já estava conquistado, faltavam apenas um numero que eu desconhecia.

– Irmã mais velha – Wataru disse, erguendo o rosto sem me soltar – Onee-chan!

Ri, todos fizeram o mesmo. O garotinho não me soltou, apenas abraçou-me de lado para permitir a aproximação do homem. Tinha cabelos em um tom castanho escuro e olhos quase da mesma cor. Era mais alto do que eu, fazendo-me precisar olhar um pouco para cima para poder ver seu rosto com clareza. Tinha um olhar gentil e um sorriso pacifico, devia ter 1,79 de altura. Sorri para ele, tinha que admitir, era um homem muito bonito.

– Seja bem vinda á família, sou Masaomi Asahina – ele disse.

Ele estendeu a mão em minha direção, apertei-a com um sorriso.

– Nina Kazama, é um prazer – falei, exercendo minha função de nova irmã caçula.

Masaomi sorriu, olhando-me nos olhos. Eu parecia ter ganhado sua aprovação também, e isso me agradou tanto que não pude conter um sorriso animado. Wataru olhou de mim para Masaomi e franziu o cenho, apertando-me um pouco mais. Ri pelo nariz, pequeno ciumento.

– Nina, esta é Ema Hinata, minha filha – disse Rintarou, apontando para a garota.

Ela deu um passo a frente, juntando as mãos e fazendo uma típica reverência japonesa para mim.

– Olá, seja bem vinda à casa – ela disse, gentilmente – Sou Ema, espero que sejamos unidas.

Sorri, indo até ela e abraçando-a levemente. Ema retribuiu meu abraço, contente. Conheci muitas garotas como ela, solitárias e devotas ao mesmo tempo. Sabia como lidar com esse tipo de pessoa, e pelo sorriso de Ema, estava funcionando.

Soltei-a, abrindo-lhe um sorriso.

– Oi, Ema. Sou Nina, e também espero que sejamos unidas – falei.

Ela assentiu, contente. Miwa e Rintarou sorriam de maneira aprovadora para nós quatro, me senti muito bem.

– Onde estão os outros? – perguntou Miwa, dirigindo-se ao filho mais velho.

Masaomi ainda me olhava, baixei um pouco o olhar.

– Tsubaki e Azusa foram ao estúdio com Natsume, devem chegar daqui a algumas horas. Hikaru está em sua casa, disse que vem aqui ainda esta semana. Ukyo está no escritório, chegará a tempo para o jantar. Fuuto está com Louis no andar de cima, arrumando o cabelo. Yasuke está nas aulas particulares, acho que vai encontrar com Iori na floricultura antes de vir. Subaru está treinando, deve chegar mais tarde. Kaname está na casa dele, acho – ele respondeu, contando nos dedos cada nome que dizia – Wataru, Ema e eu estamos aqui.

Pisquei, boquiaberta. Contei nos dedos junto com Masaomi o número 13, encarei minha própria mão durante alguns segundos. Quando finalmente a ficha caiu, fechei minha boca e engoli em seco.

Miwa tivera 13 filhos, e ainda adotara a mim. Adicionando Ema à conta, seriamos 15 filhos do casal Hinata.

– Tudo bem, eles aparecem alguma hora – disse Miwa, segurando-me pelos ombros – Rintarou e eu vamos resolver os assuntos da escola, cuidem dela.

– Sim, mãe – disse Masaomi.

Olhei para cada um, um pouco indecisa. A quantidade de irmãos que eu teria ainda me assombrava um pouco, e mais ninguém parecia ligar para isso.

Sem dúvida alguma os dias naquela casa seriam intensos.

IMAGEM ESPECIAL

Masaomi Asahina

Notas finais
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar. Sério, a mão não vai cair se você enviar um comentário, pelo menos uma letra :( Eu adoro fantasmas, mas não dá pra continuar assim. Beijo.