Notas iniciais
Oi gente, atualizando aqui, de boas. Teremos mais alguns Asahina nesse capítulo, mas ainda não teremos todos juntos. A foto do capítulo será do Ukyo, seguindo a ordem de nascimento. Espero que gostem, nos vemos nas notas finais.

O carro dos Hinata deu a partida e saiu, dobrando a mesma esquina que tinha dobrado antes. Minha mala agora era carregada por Masaomi, Ema e eu caminhávamos em direção à casa em silencio, e Wataru segurava minha mão de forma um pouco possessiva.

– Por aqui, Nina – disse Ema, chamando-me.

Ela subiu uma pequena escada e passou pela porta da casa, olhei para Wataru.

– Você primeiro? – pedi, dando um meio sorriso.

Ele assentiu, subindo as escadas sem soltar minha mão. Entrei na casa logo após a entrada de Wataru, deparando-me com o interior. A sala era enorme, isso era fato. Sofás imensos envolviam uma mesa central, bem de frente para uma televisão enorme. À esquerda, uma mesa cheia de cadeiras estava posicionada sobre um tapeta branco. Uma cozinha espaçosa ficava quase entre os dois cômodos, tudo isso com apenas uma pequena parede. Uma escadaria moderna ficava posicionada bem no meio dos cômodos, ligando aquela parte da casa aos andares superiores. As paredes da sala estavam cheias de porta retratos, reconheci os três irmãos que eu já havia conhecido em algumas das fotos. Wataru puxou minha mão para baixo, só fui perceber agora que olhava tudo um pouco boquiaberta.

– Gostou? – perguntou Masaomi, sorrindo gentilmente para mim.

Assenti, tentando parar de olhar em volta. Seu sorriso ficou ainda maior, causando-me um certo frio na barriga.

Se todos os garotos dessa casa forem lindos assim, vou precisar de um psicólogo muito em breve para não ficar maluca.

– Venha, vamos ao seu quarto – disse Ema.

Sacudi a cabeça, livrando minha mente de pensamentos impuros. Masaomi já estava quase no meio da escada quando comecei a me mexer, Wataru guiava-me. Subimos as escadas e varamos em uma espécie de sacada interna, tinham dois corredores ali em cima.

– Ali fica o banheiro – disse Masaomi, indicando o corredor a minha frente.

– E ali ficam os quartos – disse Ema, apontando para o corredor a minha esquerda.

Assenti, Wataru puxou minha mão outra vez. Olhei para baixo, deparando-me com a careta mais linda que eu já havia visto.

– Quer conhecer meu quarto? – perguntou, piscando os olhos.

Tive medo de estar derretendo, senti uma sensação calorosa espalhar-se por meu corpo. Pisquei, tentando retomar meu autocontrole antes que pulasse naquela criança e a mordesse por inteira.

– Agora não, Wataru. Ela ainda nem sabe onde fica o quarto dela – disse Masaomi, sua voz foi o que me trouxe de volta a realidade – Depois você pode pedir de novo.

Wataru direcionou aquele olhar ao irmão, Masaomi quase não foi afetado.

– Mas eu quero que a onee-chan conheça meu quarto, Masa-kun – ele disse, devia estar inventando aquele apelido na hora – Por favor?

Masaomi respirou fundo, mas negou com a cabeça. Wataru pareceu querer protestar, mas o mais velho lançou-lhe um olhar firme.

– Não insista – disse Masaomi.

Wataru olhou para mim, engoli em seco. Estava no meio do meu primeiro conflito entre irmãos, e não fazia ideia de quem deveria apoiar.

– Que tal deixar que ela descanse um pouco? – disse Ema, juntando as mãos abaixo da Cintura – Tenho certeza de que ela pode ficar um pouco mais conosco mais tarde.

Os garotos me olharam, assenti devagar. Masaomi sorriu, Wataru me abraçou.

– Tudo bem, onee-chan! – disse o pequeno, apertando-me com força.

Respirei fundo, Wataru enterrava a cara no meio dos meus seios.

– Valeu – cochichei para Ema, dando um sorrisinho.

Ela assentiu, um pouco constrangida.

– Que barulho é esse? Por que esse pirralho não para de gritar? – disse alguém.

Virei meu rosto na direção da voz, vinha do corredor dos quartos. Dos rapazes saíram de um elevador, andavam até nós em movimentos diferentes.

O que vinha á frente exibia uma expressão debochada, superior. Tinha olhos e cabelos em um mesmo tom de castanho claro, seus cabelos estavam um pouco bagunçados e estavam presos com presilhas de cabelo ao lado esquerdo da cabeça. Ele também era um pouco mais alto do que eu, devia ter 1,76 de altura.

– Fuuto, mostre mais respeito – disse Masaomi.

O tal Fuuto parou bem a minha frente, olhando-me de cima a baixo com um olhar analítico demais para ser bom. Respirei fundo, resistindo a vontade de soca-lo. Quando finalmente terminou de me analisar, ele deu um meio sorriso sarcástico.

– Quem é essa? – perguntou, ainda me olhando.

Wataru não pareceu gostar da reação do mais velho, pois aprumou-se, estufando o peito. Fuuto revirou os olhos, impaciente com as ações do garotinho.

– Essa é Nina Kazama, nossa nova irmã – disse Masaomi, olhando um pouco seriamente para Fuuto.

Fuuto riu pelo nariz, aproximando-se mais de mim. Ficamos frente a frente, a única coisa que nos separava era o pequeno Wataru.

– Mamãe não mentiu quando disse que ela era bonita – disse Fuuto, baixando um pouco o olhar, observando meu corpo – Não que o corpo corresponda à beleza do rosto, claro.

Afastei-me um pouco dele, colocando Wataru a minha frente.

– Você não me é estranho – constatei – Acho que já vi seu rosto em algum lugar.

Ele riu, dando um sorriso um pouco estonteante demais.

– Claro que já me viu em algum lugar, leiga – Fuuto disse – Você está diante de Fuuto Asakura.

Olhei-o mais atentamente, lembrando-me de súbito da revista onde eu vira aquele rosto.

– O ídolo adolescente das garotinhas, lembrei – falei, balançando um pouco a cabeça – Achei que você era mais alto, e nas revistas que vi, você era bonito.

Todos os Asahina presentes, com a exceção de Fuuto, riram. Ema deu uma risadinha discreta, disfarçando com uma tossezinha suspeita. Fuuto fez uma careta irritada, dei um sorriso inocente.

Se ele sabia como ser infame, eu era do seu nível.

– Não teve a menor graça – disse Fuuto, olhando para Wataru, que era o que mais ria – Foi só uma garota insolente tentando discutir comigo.

Bufei, dispensando-o com um rápido aceno.

– Me poupe – pedi – Você pode ser o chão de muitas garotas, mas para mim você não passa de um cantorzinho metido.

– Ah, se Tsubaki e Yusuke ouvissem isso – disse Wataru.

Olhei para o menor, sem entender. Wataru deu um sorriso radiante, derreti-me.

– Idiota – disse Fuuto.

Observei-o descer as escadas a passos furiosos, a porta da sala foi batida com violência logo depois.

– Eu acho que deprimi alguém – comentei, fazendo uma careta.

Masaomi riu, olhei-o.

– Ele vai ficar com raiva agora, mas, no fundo sabe que é verdade – ele disse, dando de ombros – Vai se recuperar.

Assenti, meu olhar vagou sem querer ao outro rapaz presente. Tinha olhos cor de malva, o que me era um pouco incomum. Seus cabelos tinham uma cor cinzenta com um toque castanho claro, estavam bagunçados. Ele também tinha um pequeno rabo de cavalo, e uma franja cobria um pouco de seu olho esquerdo. Ele parecia ser calmo, quase suave.

– Louis, essa é Nina – disse Masaomi.

Louis sorriu, vindo até mim devagar. Trocamos um aperto de mãos suave, sua pele era quase tão macia quanto uma bolota de algodão.

– É um prazer, Nina – ele disse, usava um tom descontraído e suave – Sou Louis, ao seu dispor.

Sorri, ele afagou minha mão antes de soltá-la.

Certamente, Louis seria a pessoa mais gentil que eu conheceria naquela casa.

– O prazer é todo meu –falei.

Trocamos um longo olhar, seu sorriso parecia ser incansável. Wataru me agarrou outra vez, retomando minha atenção. O pequeno sorria, mas parecia um pouco impaciente.

– A Onee-chan está cansada? – perguntou, piscando os olhinhos.

Assenti automaticamente, perdida na doçura do olhar do garotinho.

– Por que não descansa, e depois fica comigo? – ele perguntou, piscando outra vez.

Assenti de novo, sem prestar muita atenção no que ele tinha dito. Eu era louca por crianças, e algo me dizia que Wataru sabia exatamente como enlouquecer outras pessoas.

– Muito bem, vou leva-la o seu quarto – disse Masaomi, despertando-me – Você poderá usar o banheiro depois.

Assenti, sentindo a “vertigem Wataru” passar aos poucos. Masaomi entrou no corredor, seguido por Ema. Wataru seguiu a garota, puxando-me pela mão com um sorriso enorme.

– Vem, Onee-chan! – chamou-me, animado demais.

Ofeguei, sem saber o que dizer. Permiti-me ser puxada por ele, pude sentir as vibrações de uma risada suave bem ao meu lado. Virei um pouco meu rosto para olhar, Louis andava tranquilamente ao meu lado.

– Ele tem um jeito especial, não? – ele disse, sorrindo gentilmente enquanto falava.

– Ele quem? – perguntei, um pouco atordoada pelo que os irmãos me causavam.

Louis permitiu-se soltar uma risadinha discreta, levando seu olhar de encontro ao meu.

– Wataru – respondeu, suavemente descontraído – Ele consegue te deixar sem palavras, não?

– Ah, isso – respondi, desviando o olhar – Um pouco, sim.

Louis encarou-me, um pouco cético. Revirei os olhos, sorrindo espontaneamente.

– Tudo bem, ele me afeta muito – falei, cedendo-lhe um rápido olhar – Eu tenho um certo fraco por crianças.

Wataru virou um pouco a cabeça para trás, lançando-me um sorriso enorme.

– Eu posso te ouvir, minha linda onee-chan – ele disse.

Louis riu, o garotinho continuou puxando-me pelo corredor. Eu já não via mais Masaomi e Ema a nossa frente, olhei em volta.

– Estamos indo para o lugar certo? – perguntei, não direcionando minhas palavras a ninguém.

Wataru assentiu, puxando-me.

– Claro que sim, onee-chan – respondeu – Masa-san e Ema só dobraram a esquerda logo ali.

Avançamos mais um pouco, o pequeno estava realmente certo. Ema esperava do lado de fora de um quarto, Masaomi estava do lado de dentro. Minha mala tinha sido colocada sobre a cama, o mais velho arrumava um pouco mais os lençóis da cama. Wataru empurrou-me para dentro do quarto, tropecei. Teria caído se Masaomi não tivesse me segurado, apoiando-me em seu peito largo. Olhei para cima lentamente, seus olhos escuros encaravam-me. Pigarreei, ele corou. Afastei-me dele, disfarçando o leve rubor em minhas faces. Eu nunca ficava corada.

– Bom, mamãe e eu arrumamos esse quarto para você ontem a noite – disse Masaomi, sem me olhar diretamente – Deixaremos a decoração por sua conta, agora o quarto é todo seu.

Sorri, afagando a cama bem arrumada. A decoração era bem básica, e era formada apenas por móveis. Uma cama de solteiro relativamente grande estava posicionada no canto esquerdo do quarto, uma estante vazia estava posicionada do lado oposto da cama. Havia uma janela do lado direito do quarto, deixando a luz do sol entrar no ambiente. O espaço era médio, mas era muito mais do que eu tinha no orfanato.

– Bem, obrigada – falei, dando um meio sorriso – Vocês são maravilhosos, obrigada por tudo.

Masaomi ergueu o olhar, olhando-me nos olhos por um segundo. Abri um sorriso calmo, soltando um leve suspiro. Ele deixou um sorriso escapar, aumentando ainda mais meu sorriso.

– Não foi nada, é o mínimo que poderíamos fazer – ele disse.

Ri um pouco, juntando minhas mãos. Ema segurava Wataru pelos ombros, Louis observava a cena parado a seu lado na porta do quarto. Masaomi piscou, recobrando seu foco.

– Vamos te deixar descansar – ele disse, sorrindo um pouco para mim – Fique a vontade.

Assenti, lançando-lhe um sorriso radiante. Ele ruborizou um pouco outra vez, Wataru cruzou os braços, impaciente. Meus novos irmãos saíram do quarto, deixando-me sozinha. Fechei a porta apenas por instinto, suspirando em meio ao ato. Girei nos calcanhares, encostando as costas á porta de madeira. Deixei meu corpo descer até o chão, cruzando minhas pernas e olhando em volta.

Meus dias seriam diferentes agora, eu tinha uma nova vida.

IMAGEM ESPECIAL

Ukyo Asahina

Notas finais
Espero que tenham gostado, próximo capitulo dia 30/07/2014. Beijo.