The New Girl in the House
24 Mensagens
Notas iniciais
Acordei com uma sensação boa, como se eu estivesse dormindo com um anjo. Abri os olhos e percebi que era verdade, meu irmãozinho ainda estava ao meu lado. Sorri, piscando um pouco. Wataru dormia de modo angelical, era difícil lembrar-se do quão ativo aquele garoto era quando acordado enquanto ele estava dormindo.
Sentei na cama, sentindo a cabeça girar um pouco. Talvez fosse por culpa da única taça de vinho que tomei na noite anterior, ou talvez fosse apenas por causa do tempo que eu passara acordada na noite anterior.
Ah, a noite anterior. Só de lembrar, meus lábios esticaram-se em um sorriso sereno. Natsume, ou melhor, Natt... Ele era um amor, só tinha dificuldade para mostrar isso. Eu adorara sua companhia, espero que possamos nos encontrar outra vez em breve.
– Hum, onee-chan – arrastou-se uma voz sonolenta.
Olhei para o lado, dando um meio sorriso. O pequeno esfregava os olhos com as mãos, soltando um bocejo preguiçoso. Observei-o, sentindo meu sorriso crescer. Wataru abriu os olhos, encarando-me com aquelas esferas enormes.
– Onee-chan – ele disse.
Dei uma risadinha, ele sorriu abertamente.
– Sou eu, a onee-chan – falei.
Eu sei, agi como uma idiota, mas não pude controlar. Acordar ao lado do seu irmãozinho te faz ficar tão carinhosa, não pude conter a doçura em meu olhar ao encara-lo.
– Não tive pesadelos quando dormi com a onee-chan – disse Wataru, fazendo uma careta muito linda – A onee-chan é meu anjo da guarda.
Ri, ele fez o mesmo.
– Bom dia, meu amor – falei.
Ele se derreteu, espalhando-se na cama e abrindo os braços. Ri, ele parecia um bebezinho ao pedir colo ao fazer aquilo. Suas mãozinhas abriram-se e fecharam-se, ele sorria de maneira tão doce que pude sentir meu coração virar calda de chocolate. Abri meus braços, pronta para recebê-lo. O pequeno atirou-se contra mim, abraçando-me com força. Ri, embalando-o em meus braços.
– Bom dia, onee-chan! – berrou.
Ri de seu entusiasmo, Wataru me soltou como se tivesse tomado um choque.
– A onee-chan vai brincar comigo hoje? – perguntou, dando um sorriso cheio de dentes.
Fiz um biquinho, fingindo pensar. Ele esperou, seus olhos enormes fitavam-me tão intensamente que eu até me arrepiei.
– Eu vou pensar – respondi.
Ele fez um bico, cruzando os braços. Ri, agarrando-o com força e apertando-o contra meu peito.
– É mentira, seu bobo – falei, esmagando-o contra mim – Vou passar o dia todo com você, eu prometo.
Ele arquejou, meu abraço não o deixava respirar muito bem, mas não soltei-o. Sei lá, talvez a energia dele tivesse me contagiado enquanto dormíamos juntos.
– Eu vou morrer, onee-chan! – berrou.
Sua voz soou estrangulada, ri. Soltei-o bruscamente, fazendo seu pequeno corpo cair para trás como uma fruta podre. Ele ofegou, respirando fundo. Aqueles olhos enormes pareciam pular para fora, ri da careta que ele fazia.
– Eu quase morri, a onee-chan quase me matou! – ele disse, exagerando os fatos.
Ri, arregalando os olhos e pulando nele como um tigre ataca sua presa. Ele gritou, pulando para fora da cama. Pulei da cama, correndo atrás dele pelo quarto e rindo como uma lunática.
– Volta aqui, minha hiena linda! – exclamei.
Ele gritou, correndo em direção à porta. Ri, ele saiu do quarto antes que eu pudesse alcança-lo. Fechei a porta, jogando-me no chão. Ri muito, apertando minha barriga. Eu não sei o que deu em mim hoje, mas eu estava morrendo de vontade de atacar aquele pirralho. Talvez a fofura dele tivesse me afetado de um jeito insano, ou talvez a minha insanidade tivesse alcançado um nível tão elevado que nem eu sabia explicar direito.
Ergui-me do chão, ainda rindo. Caminhei pelo quarto, recolhendo os travesseiros que tínhamos espalhado pelo chão. Arrumei minha cama, pegando a hiena de pelúcia e apertando-a contra meu peito. Enterrei a cara no brinquedo, respirando fundo de olhos fechados. Ela cheirava a Wataru, um doce cheiro de infância. Sorri, abrindo os olhos e colocando a pelúcia na cama outra vez. Caminhei despreocupadamente até meu armário de higiene, catando os artigos que eu precisava para fazer minha higiene matinal. Abri algumas gavetas, remexi um pouco e selecionei algumas roupas.
Estava direcionando-me à porta quando ouvi o som característico de uma nova mensagem, fazendo-me virar a cabeça para trás e franzir o cenho. A tela do meu celular estava acesa, ele vibrava sobre minha mesinha de cabeceira. Soltei um suspiro, indo até o aparelho. Joguei minhas coisas na cama e sentei, desbloqueando a tela e abrindo a mensagem.
Ei, está tudo bem? Não vi você chegar ontem, devo ter dormido ao tentar entender aquele filme bobo.
– Louis.
Sacudi a cabeça, mordendo o lábio. Digitei uma resposta, sacudindo um pouco a perna.
Oi, eu estou bem, como você está? Eu percebi, não vi você com a cara pregada no vidro quando Natsume me deixou na porta de casa.
– Nina.
Enviei aquela e esperei, sabia que ele responderia. Em questão de dois minutos, meu celular vibrou outra vez. Abri a mensagem, respirando fundo.
Estou bem, embora esteja cheio de clientes para hoje. Ele te deixou na porta de casa? A relação de vocês está séria a esse ponto?
– Louis.
Revirei os olhos, digitando rapidamente uma resposta.
Fala sério, quem vai ao salão de beleza em pleno domingo? Como assim “séria a esse ponto”? Ele só cumpriu o dever de irmão mais velho e me deixou em casa.
– Nina (O que aconteceu com as dedicatórias divertidas?).
Enviei aquela, mordendo o lábio. Esperei outros dois minutos, uma nova mensagem chegou. Abri-a, curiosa.
Pode parecer absurdo, mas minhas clientes preferem vir ao salão aos domingos e segundas. Se você tá dizendo...
– Louis (Meu bom humor só faz efeito quando eu escuto sua voz).
Dei um sorriso, meus dedos moveram-se sem minha consciência mandar.
Essas velhas devem estar querendo ver sua cara, não é algo tão absurdo, considerando que você é o cabeleireiro mais lindo do mundo ♥. Ei, não fale comigo neste tom. Confie em mim.
– Nina (Quer uma mensagem de voz? Eu posso mandar uma).
Enviei aquela e larguei o celular, se eu continuasse ali, iria passar o dia inteiro mandando mensagens para Louis. O celular vibrou no segundo em que eu toquei a maçaneta, fazendo-me revirar os olhos. Eu não podia ignorar Louis depois de ontem, então voltei à cama. Peguei meu celular, dirigindo-me à porta enquanto abria a mensagem.
Haha, você soa como uma namorada ciumenta e carinhosa ao mesmo tempo, Akira é um homem de muita sorte. Não está mais aqui quem “falou”, confio mais em você do que em mim mesmo.
– Louis (Não é a mesma coisa, queria vê-la pessoalmente).
Ri pelo nariz, sacudindo a cabeça. Meus pés me guiavam pelo corredor, meu olhar nem sequer desviava-se da tela do celular enquanto eu digitava uma resposta.
Não tem nada a ver, não invente u.u Akira é sortudo, mas a sortuda da relação sou eu. Isso é bom de ouvir, agradeço pela consideração.
– Nina (Então, assunto encerrado).
Baixei o celular, erguendo o olhar um pouco tarde demais. Um corpo sólido colidiu-se contra o meu, ofeguei de dor.
– Ai! – gemi.
Afaguei meu estômago, mordendo o lábio. O homem que esbarrara em mim afagou seu próprio estômago, mesmo não saindo muito lesado na situação.
– Olha por onde anda! – disse Subaru.
Pisquei, surpresa. Ele não gritara, sua voz só saíra forte por conta de sua dor. Fiz uma careta, erguendo minha mão para afagar sua área machucada.
– Desculpa, Subaru – falei, afagando-o – Eu sou uma idiota, desculpa.
Ele arfou, afastando-me com suas mãos. Só percebi que tinha deixado-o corado quando o mesmo desviou o olhar, mordi a língua para não rir.
– Só tente tomar cuidado – ele disse.
Assenti, Subaru me soltou. Observei-o seguir pelo corredor, seus membros rígidos como se ele tivesse virado cera. Abafei uma risada, sentindo meu celular tremer. Abri a mensagem, retomando meu caminho.
Gostei da carinha, por que você diz isso? Explique-me melhor, por favor.
– Louis (Para mim, o assunto só vai se encerrar quando eu abraça-la).
Ri pelo nariz, digitando uma rápida resposta.
Já viu o Akira? Ele é lindo, inteligente, carinhoso, gentil... É demais para alguém como eu, eu tenho sorte por ele ter olhado para mim.
– Nina (Você não existe).
Enviei a mensagem, erguendo meu olhar. Percebi que estava quase indo na direção errada, forcei meus pés a corrigirem sua rota. Meu celular vibrou, abri a mensagem sem nem hesitar.
Não existe um homem que seja “demais” para você, na verdade, acho que não existe um homem que esteja apto para assumir o papel de seu companheiro.
– Louis (Pelo que eu me lembro, essa frase é minha).
Bufei, irritando-me um pouco pela última frase. Digitei a resposta, ainda um pouco irritada.
Lisonjeada.
– Nina.
Entrei no banheiro, olhando em volta antes de começar a tirar a roupa. Ouvi meu celular vibrar, mas decidi ignorar. Lembrar daquela frase me fazia lembrar da tal da Yui, e aquela não era uma lembrança boa, longe disso. Catei meu celular, abrindo a mensagem antes que Louis mandasse outra.
Nina, eu senti frieza na sua resposta? Eu fiz alguma coisa?
– Irmão apreensivo (Sério, o que foi que eu fiz?)
Revirei os olhos, nem mesmo ri ao notar a volta do humor na mensagem.
Fria? Eu? Não, deve estar me confundindo com outra pessoa.
– Nina (Agora, EU estou sem humor).
Enviei aquela e entrei no Box, iniciando meu banho. Estava molhando meu corpo quando ouvi meu celular vibrar, bufei. Sequei minha mão na toalha, abrindo uma brechinha no Box para poder pegar o celular. Abri a mensagem, tentando evitar que meu aparelho se molhasse.
Agora eu senti sarcasmo, minha situação é assim tão péssima?
– Irmão ainda mais apreensivo (Achei que isso ia te fazer sorrir... Desculpe-me).
Revirei os olhos, sorrindo sem querer. Não tinha como ter raiva do Louis, eu não conseguia.
Não foi sarcasmo, foi sua imaginação. Eu estou tomando banho, pode esperar uns dez minutos para mandar sua resposta? Obrigada.
– Irmã (Finalmente) sorridente.
Enviei aquela mensagem, colocando o celular em uma área segura. Voltei ao meu banho, enfiando a cabeça debaixo do chuveiro. Estava passando xampu quando meu celular vibrou outra vez, bufei. Lavei a espuma das mãos e sequei-as, abrindo o Box outra vez. Peguei meu celular, abrindo a mensagem com certa impaciência.
Que bom, fico muito mais aliviado agora. Bom banho, certifique-se de lavar as áreas mais remotas e não esqueça de economizar água.
– Irmão muito contente.
– O que?! – guinchei – Áreas remotas? Ele tá de brincadeira?
Bufei, sacudindo a cabeça. Digitei uma resposta, o xampu ameaçava escorrer pelo meu pescoço.
Que bom que está aliviado, mas eu estou TENTANDO TOMAR BANHO! Se eu receber uma mensagem sua dentro dos próximos vinte minutos, eu nunca mais falo com você.
– Irmã molhada (Se cair xampu no meu olho, eu juro que processo você por perturbação).
Enviei a resposta e joguei o celular em um lugar seco, voltando para dentro do Box. Passei a maior parte do meu banho lançando olhares desconfiados ao meu celular, como se duvidasse da capacidade que Louis tinha de interpretar corretamente as palavras. Felizmente, ele me deixou em paz. Com um suspiro de alívio, voltei ao meu banho.
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– Onee-chan, é a sua vez – disse Wataru.
Assenti, pegando os dados e jogando-os. Tsubaki encarava-me, talvez para me deixar nervosa.
– Cinco – leu Azusa.
Assenti, movendo meu peão cinco casas para frente. Ele caiu na “Fábrica de Carros”, comemorei com uma dançinha muito comprometedora.
– Vai querer comprar, Nina? – perguntou Ema.
Revirei os olhos, lançando-lhe um sorriso travesso.
– Eu esperei por isso durante todo o jogo, pode me dar o certificado – falei.
Ela deu uma risadinha, procurando o certificado de compra correto. Contei minhas cédulas de dinheiro falso, separando o valor correspondente ao preço da propriedade que eu comprara.
– Aqui está – disse Ema, estendendo-me o papelzinho.
Sorri, pagando-a e guardando o certificado junto com os outros. Eu já tinha três conjuntos habitacionais, um hotel, duas casas e uma fábrica de carros. Meu dinheiro também estava rendendo, eu ganhava as cédulas de Wataru cada vez que ele jogava.
– Você vai perder, só avisando – disse Tsubaki.
Revirei os olhos, ele lançou-me um olhar desafiador.
– Não tenha tanta inveja, eu não tenho culpa por ser melhor nesse jogo do que você – falei.
Ele semicerrou os olhos, dei um sorriso inocente.
– Quer fazer uma pequena aposta? – perguntou.
Meus olhos devem ter brilhado, assenti. Tsubaki deu um sorriso enorme, senti os olhares de todos os presentes serem direcionados a mim.
– Se você ganhar, eu compro aquele CD do Guns N’ Roses que você passou dias cobiçando da loja de discos e te dou de presente – ele disse.
Dei um sorriso enorme, sentindo minha pouca hesitação virar fumaça.
– Fechado – falei.
Tsubaki riu, encarando-me de forma quase desafiadora.
– Não quer saber o resto do acordo? – perguntou.
Assenti, lembrando-me subitamente daquele fato. Tsubaki abriu um sorriso enorme, aproximando-se de mim enquanto olhava nos meus olhos.
– Se eu ganhar, você vai ter que me dar um beijo – ele disse.
Arregalei os olhos, ele riu. Wataru fez uma cara feia para Tsubaki, Azusa franziu o cenho.
– Tsubaki, menos – ele disse.
Seu gêmeo dispensou-o com um aceno de mão, ainda me encarando fixamente.
– Eu não vou fazer isso – falei.
Tsubaki deu um sorriso malicioso, negando com a cabeça.
– Você já aceitou, não pode voltar atrás agora – disse.
Mordi a língua, fechando os olhos.
– Droga, é verdade – resmunguei.
Tsubaki riu, divertindo-se com a minha burrice. Fiz uma careta, abraçando meu corpo e voltando-me para encarar o tabuleiro. Estávamos perto do fim agora, eu comprara uma das três últimas propriedades que ainda estavam à venda. Tsubaki e eu éramos os maiores magnatas do jogo, em seguida vinha Azusa e por último, Wataru. Ema estava jogando apenas como o “banco”, sendo que ela cuidava das transações financeiras do jogo. Eu jogava muito esse jogo no orfanato, e sempre ganhava.
– Tsubaki, é sua vez – disse Azusa.
Tsubaki lançou-me um olhar sexy, movimentando-se de forma sensual até para pegar os dados. Se ele fazia aquilo para tentar me convencer a beija-lo, até que podia funcionar.
– Três – leu Wataru.
Mordi o lábio, reprimindo um grito de alívio. Tsubaki praguejou, movendo seu peão a contragosto até posiciona-lo no “hotel” de Azasa.
– Droga – praguejou, fazendo uma careta – Eu me recupero.
Ri, ele preferiu não me encarar. Azusa deu um sorriso, lançando-me um olhar de cumplicidade.
– Toma, vê se não gasta todo meu dinheiro – disse Tsubaki, estendendo algumas notas de dinheiro ao gêmeo.
– Obrigado – disse Azusa.
Tentei não rir, não deu muito certo. Azusa sorriu para mim, dirigi-lhe uma piscadela. Tsubaki fez uma careta, sorri.
– Sua vez, Azu-san – disse Wataru.
Ri um pouquinho daquele apelido, Azusa apenas sacudiu a cabeça. Ele catou os dados, jogando-os no meio do tabuleiro logo em seguida.
– Nove – li.
Sorri marotamente, Azusa retribuiu meu sorriso. Observei-o cair bem no meu condomínio, fiz outra dançinha comprometedora.
– Isso! – falei.
Azusa e Wataru riram, Tsubaki fez uma careta. Ri da cara dele, esperando Azusa contar as notas necessárias para efetuar o pagamento.
Meu celular vibrou em meu bolso, fazendo-me dar um pulinho de susto. Tsubaki me encarou, peguei o celular.
– Tomou um choque? – zombou.
Ri, negando com a cabeça. Ele sorriu, lançando-me um olhar quase doce. Abri a mensagem, mordendo o lábio.
Finalmente terminei, estou indo para casa agora. Vou passar no supermercado para comprar sorvete, quer alguma coisa?
– Louis.
Sorri, olhando em volta antes de digitar.
– É o Louis? – perguntou Azusa.
Assenti, Tsuabki bufou.
– Vocês passaram o dia todo mandando mensagens um para o outro, o que tanto vocês conversam? – perguntou, encarando-me com curiosidade.
Dei de ombros, lendo a mensagem mais uma vez.
– Coisas do dia, eu acho – falei – Não sei explicar, só acho legal.
Tsubaki revirou os olhos, lançando-me um olhar indagador.
– Você passaria o dia todo trocando mensagens comigo? – perguntou.
Franzi as sobrancelhas, ele esperou.
– Isso soou muito autodepreciativo de sua parte, mas eu acho que sim – respondi.
Ele sacudiu a cabeça, sua mão – que estava em meu ombro direito – afagou minha cabeça quase carinhosamente.
– Você não tem jeito – ele disse.
Sorri, dando-lhe um suave empurrãozinho com o ombro. Ele sorriu para mim, apressei-me a digitar minha resposta.
Só quero um pouco do seu sorvete, embora eu não ache que você teria alguma escolha quando eu te pedir um pouco. Volte logo, está perdendo a diversão.
– Nina.
Mandei a resposta e coloquei o celular na perna, percebendo que todos olhavam para mim.
– O que? – perguntei.
– É sua vez – disse Azusa.
Encarei o tabuleiro, franzindo as sobrancelhas. O peão de Wataru havia caído na casa de Tsubaki, ele agora ria, contando as notas que o pequeno havia dado-lhe. Fiz uma careta, pegando os dados e jogando-os. Meu celular vibrou na hora em que os dados caíram na mesa, fazendo-me morder o lábio.
– Sete – leu Azusa.
Assenti, movendo meu peão ao longo do tabuleiro. Parei na companhia de Perfumes de Azusa, fazendo uma careta.
– Sete vezes quinhentos... – Pensou Azusa, olhando para cima durante um segundo – Você me deve 3.500.
Revirei os olhos, fazendo um bico. Contei algumas notas e entendi a Azusa, ele aceitou o pagamento com um sorriso no rosto. Peguei meu celular, abrindo a mensagem.
Vou comprar um pote grande, espero que goste de sorvete de chocolate. Diversão? O que você está fazendo?
– Louis.
Dei um pequeno sorriso, erguendo o olhar para ver Tsubaki movendo seu peão. Ele caiu no condomínio de Wataru, o pequeno gritou de alegria. Ri, digitando uma resposta.
Adoro, obrigada. Estou jogando “Futuro Magnata” com Wataru, Azusa, Tsubaki e Ema, está muito divertido.
– Nina.
Enviei aquela e coloquei o celular na perna outra vez, quando ergui o olhar, deparei-me com meu irmãozinho.
– O que houve? – perguntei.
Ele não respondeu, tinha os braços cruzados acima do peito. Sua boquinha estava retorcida em um bico de irritação, ele respirava como um búfalo irritado.
– Ele faliu – disse Azusa.
– Agradeço – disse Tsubaki, contando as últimas notas que Wataru tinha.
O pequeno bufou, lançando um olhar irritado ao tabuleiro.
– É só um jogo, Wataru – falei.
Ele não respondeu, pisquei. Wataru nunca me ignorara antes, ele devia estar muito irritado.
– Ele sempre perde, por isso ele está assim – disse Ema.
Wataru lançou-lhe um olhar irritado, a garota se retesou.
– Eu não perco, vocês roubam! – disse Wataru.
Pisquei, ele bufou outra vez. Ema piscou várias vezes, parecia quase desesperada.
– Ninguém roubou, Wataru – ela disse.
O pequeno ignorou-a, fixando seu olhar no tabuleiro. Engoli em seco, era incrível como ele conseguia mudar de personalidade em questão de segundos. Era muito parecido com Fuuto nisso, mas é claro que eu nunca diria isso em voz alta, não quero morrer.
– Sua vez, Nina – disse Azusa.
Wataru me encarou, seu bico diminuiu um pouco.
– Vai, onee-chan – ele disse.
Sorri, catando os dados. O pequeno continuou me encarando, dirigi-lhe uma piscadela.
– Eu vou vinga-lo, caro Wataru – falei.
Tsubaki riu, Azusa e Ema fizeram o mesmo. Wataru sorriu, desfazendo aquela carranca. Joguei os dados, mordendo o lábio de ansiedade.
– Oito – leu Ema.
Tsubaki riu, seu braço apertou-me contra seu peito.
– Bem no meu hotel, que delícia de jogo – ele disse, ainda rindo.
Empurrei-o, fazendo um bico. Movi meu peão, deixando-o bem na casa do hotel de Tsubaki. Ele sorriu para mim, um sorriso carregado de malícia.
– Beijo de língua é minha especialidade, pode ser? – disse.
Revirei os olhos, tentando focar minha atenção nas notas de dinheiro. Contei as cédulas necessárias para efetuar o pagamento, entregando-as para seu novo dono. Tsubaki abriu um grande sorriso ao pegar as notas, sua mão apertou meu ombro. Senti meu celular vibrar, peguei-o e desbloqueei a tela.
Já comprei o sorvete, mas meu taxi está preso no trânsito. Parece que você vai ter que jogar sem mim, desculpe.
– Louis.
Ri, sacudindo a cabeça. Digitei uma resposta, esquivando-me de Tsubaki, que tentava ler o que eu escrevia.
Sinto muito, também odeio quando o trânsito fica ruim. Não tem problema, você não ia querer estar aqui para me ver perdendo para o Tsubaki :P
– Nina.
Enviei a resposta e coloquei o celular na perna, encarando o tabuleiro outra vez.
– Sua vez, Nina – disse Ema.
Assenti, inclinando-me sobre o tabuleiro. Eu estava prestes a jogar os dados quando Ukyo entrou na sala, chamando nossa atenção de imediato.
– O jantar está pronto – Ukyo disse.
Wataru deu um pulo, erguendo-se do sofá sem nem hesitar. Ri, sacudindo a cabeça.
– Continuamos depois – disse Azusa.
Assenti, colocando os dados no centro do tabuleiro. Levantei do sofá, sendo seguida por Tsubaki. Ele envolveu meus ombros com seu braço, exatamente como estávamos sentados. Olhei-o, ele sorriu.
– Vamos comer, minha sobremesa vai ser um beijinho doce – disse.
Revirei os olhos, sacudindo a cabeça. Ele riu da minha reação, abraçando-me de lado como se fossemos um casal.
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– Finalmente terminou – disse Louis.
Não respondi, apenas fechei os olhos. Ouvi Louis desligar a televisão, respirei fundo.
– Você conseguiu entender? – ele perguntou.
Assenti, enterrando o rosto nas mãos. Senti Louis envolver minha cintura com seu braço esquerdo outra vez, enterrei-me em seu peito.
– Me explique, então – ele disse.
Sua voz estava suave, como sempre. Funguei, tentando secar as lágrimas para que ele não as visse.
– É lindo, eu não sei como você não entendeu – falei, pigarreando no meio da frase – É um romance, Louis.
Ele deu uma risadinha, senti seu polegar esquerdo acariciar minha bochecha direita, retirando uma lágrima que sobrevivera.
– Me sinto ainda mais idiota, já que você compreendeu tanto o filme a ponto de chorar com ele – disse Louis, suspirando – Me explique, por favor?
Assenti, fungando outra vez. Sentei-me na cama, respirando fundo. Olhei para Louis, ele encarava-me com um sorriso no rosto.
– É simples, só precisa prestar bem atenção – falei – Angelina não queria perder o amor de Ethan, já que, se ele soubesse que ela era a assassina do pai dele, ele nunca mais iria querer vê-la outra vez. Ela tentou manter o segredo, mas o amor deles cresceu tanto que ela não resistiu e contou. Ele ficou com tanta raiva que a fez ser presa, mas depois se arrependeu.
– É isso que eu não entendi – disse Louis.
Respirei fundo, mordendo o lábio.
– Ele a amava, Louis – falei – Ele a amava tanto que o amor superou o ódio, e mesmo com tudo que aconteceu, ele a amava tanto que arquitetou a fuga da prisão para que eles pudessem ficar juntos de novo.
Louis virou um pouco a cabeça, encarando-me como um cachorrinho encara seu dono.
– Mas ela morreu no final, e foi culpa dele – ele disse.
Assenti, Louis franziu as sobrancelhas.
– Não faz sentindo, o plano todo – comentou – Não faz sentido algum invadir uma prisão para soltar alguém e depois avisar a polícia da localização.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Louis, foi a Angelina quem chamou a polícia – falei – Você não viu? Ela ativou o rastreador do celular dela logo no final.
Louis assentiu, ainda um pouco confuso. Sorri, ele parecia um garotinho naquele momento.
– Ela não queria que Ethan vivesse como um fugitivo, então decidiu de entregar para a polícia e deixa-lo em paz – expliquei – Mas o detetive russo acabou matando-a, fim da história.
Louis fez uma careta, sacudindo a cabeça.
– Esse filme não faz sentido – disse.
Ri, mordendo o lábio.
– Louis, era só olhar para a tela que você ia entender tudo – falei.
Ele deu um sorriso enigmático, aproximando-se de mim. Sorri, Louis sentou-se ao meu lado.
– Eu estava ocupado demais observando as caretas fofas que você fazia, não tinha tempo para assistir o filme – ele disse.
Ri, inclinando a cabeça para o lado. Louis abraçou-me carinhosamente, dando uma risadinha suave. Abracei-o de volta, deitando minha cabeça em sua clavícula.
– Da próxima vez, vamos ver um filme de terror – falei.
Ele riu, assentindo de leve. Fechei os olhos, respirando fundo. A história de Ethan e Angelina me fizera chorar, mesmo tendo Louis ao meu lado para me reconfortar. Eu passara a metade do filme tomando sorvete com Louis, e a outra metade, abraçando-o para tentar controlar o choro. Eu passei o dia todo ansiosa, mesmo depois de ter perdido para Azusa. Tsubaki odiou o meio termo, enquanto eu comemorei por ter uma desculpa para não cumprir a aposta.
– Você está com sono? – perguntou Louis.
Assenti de leve, ele soltou um suspiro calmo.
– Quer dormir comigo hoje? – perguntou.
Pisquei, erguendo o rosto. Nosso olhar se encontrou, Louis sorria para mim.
– Sério? – perguntei, fazendo uma careta.
Louis deu uma risadinha, assentindo.
– Eu posso dormir sozinha, não se preocupe – falei.
Ele encarava meu rosto com um olhar de adoração, me senti quase constrangida.
– Eu não recebi toda minha dose diária de você, eu preciso de mais – ele disse – Durma aqui hoje, por favor?
Pisquei, tentando raciocinar direito. Louis ainda sorria carinhosamente, suas mãos afagavam minhas costas calmamente. Aquilo me derreteu, suspirei.
– Eu preciso tomar banho e escovar meus dentes – cedi.
Louis abriu um grande sorriso, puxando-me para seu peito outra vez. Ofeguei, ele riu baixinho.
– Pode usar meu banheiro, eu vou pegar roupas limpas para você – ele disse.
Afastei-o, ele piscou.
– Eu posso pegar minhas próprias roupas, meu quarto é a duas portas daqui – falei.
Louis riu, sacudindo a cabeça.
– E o que me garante que você vai voltar? – ele disse – Eu pego suas roupas, você espera aqui.
Abri a boca para responder, mas Louis calou-me com um beijo na testa. Ele apertou-me um pouco mais contra seu corpo enquanto beijava-me, soltei um suspiro. Louis deu uma risadinha, sentindo meu corpo amolecer diante de seus toques.
– Já volto – sussurrou.
Seus lábios ainda estavam em minha testa, assenti. Louis soltou-me, levantando-se da cama com um sorriso contente no rosto. Sorri com aquela visão, ele caminhou calmamente em direção à porta do quarto.
– Ah, pode ir tomando banho enquanto espera – ele disse, sem virar-se em minha direção.
Assenti, Louis saiu do quarto. Olhei em volta, respirando fundo. Aquele era um legitimo quarto masculino, decorado com papéis de parede cinza com floreios verdes. A cama era de casal, o que era uma injustiça, já que a cama de alguns dos meus irmãos era de solteiro. A TV era enorme, abastecida com um aparelho de DVD, um Xbox 360 e um conversor de TV a cabo. Também tinha um notebook ali, descansando em uma escrivaninha cheia de livros. Um grande espelho repousava ao lado da grande janela, com uma prateleira cheia de produtos para cabelo ao seu lado. Tinha um grande guarda roupas com portas de correr ao lado de uma porta que julguei ser o banheiro, finalizando a mobília do quarto. Tudo ali parecia ter a cara do Louis, sorri com o pensamento.
Levantei-me da cama, calçando meus chinelos preguiçosamente. Passar um tempo com Louis tinha sido ótimo, eu me sentia tão leve que podia até dormir do jeito que estava. Espreguicei-me, dirigindo-me ao banheiro. Abri a porta de madeira branca, dando um passo para dentro do cômodo. Acendi a luz, piscando um pouco até meus olhos se acostumarem com a claridade. Olhei em volta, sorrindo um pouco. O banheiro era muito bem organizado, e cheio de mais instrumentos de trabalho de Louis. A parte que me irritou foi a grande banheira branca que parecia acenar para mim, trinquei os dentes.
– Injustiça – rosnei.
Sacudi a cabeça, fechando a porta do banheiro. Desfiz-me de minhas roupas, colocando-as no cesto de roupa suja de Louis. Ukyo podia achar aquilo estranho, mas eu não ligava. Encaminhei-me até o chuveiro, ignorando a banheira que, agora, parecia me chamar. Por mais tentada que eu estivesse, tomar um banho na banheira de Louis estava fora de cogitação.
Pelo menos, por enquanto.
Entrei no Box, ligando o chuveiro. A água morna chocou-se contra meu corpo, soltei um muxoxo de prazer. Louis usava a temperatura que eu gostava, aquele banheiro devia ter sido feito para mim. Procurei um sabonete entre os vários potes de produtos masculinos, não foi difícil. Escorreguei o sabonete em minha pele, respirando fundo. Ah, aquele era o cheiro de Louis. Eu podia até mesmo comer aquele sabonete, mas um barulho no lado de fora do quarto me despertou dos meus devaneios.
– Nina? – chamou-me a voz de Louis.
– Tomando banho – respondi.
Pude ouvi-lo rindo, por mais que sua voz estivesse abafada pelas paredes que nos separavam.
– Vou deixar suas roupas na cama, estou indo para o banheiro de baixo – ele disse.
Assenti, depois revirei os olhos da minha burrice, Louis não podia me ver.
– Obrigada – falei.
Ele deu outra risadinha, mas não disse nada. Continuei meu banho, ouvindo a porta do quarto bater outra vez. Esfreguei-me com força, tentando fazer aquele cheiro fixar-se na minha pele a qualquer custo. Por fim, resolvi encerrar o banho. Desliguei o chuveiro, sacudindo meu corpo para tirar o excesso da água. Eu sei que apenas animais fazem isso, mas era um costume que eu tinha desde criança. Abri o Box, deparando-me com um dilema: Eu não trouxera toalha.
Trinquei os dentes, respirando fundo para tentar me acalmar. Olhei em volta, tentando pensar em uma solução. Meu olhar recaiu-se em uma grande toalha branca ao lado da banheira, devia ser a toalha de Louis.
– Eu já entrei nessa furada mesmo – resmunguei.
Estiquei meu braço, agarrando a toalha com meus dedos. Puxei-a em minha direção, abraçando-a junto ao meu corpo. O cheiro do sabonete estava forte na toalha também, respirei fundo contra o tecido da toalha. Sequei-me demoradamente, sentindo a textura macia dos pelos da toalha. Louis se enxugava com aquilo, aquele pedaço de pano devia ser protegido como um tesouro nacional. Enrolei a toalha em volta do meu corpo, caminhando em direção à porta. Girei a maçaneta, cautelosa. Espiei para fora, soltando um suspiro de alívio ao ver que Louis não havia voltado.
Saí do banheiro, indo em direção à pilha de roupas muito bem dobradas que Louis deixara para mim. Peguei-as e voltei para o banheiro, estava com pressa. Se Louis voltasse e me visse naqueles “trajes”, eu nunca mais ia ter coragem de olhar na cara dele. Entrei no banheiro e fechei a porta, soltando um suspiro. Tirei a toalha de Louis e coloquei-a no lugar, voltando minha atenção às roupas que Louis trouxera.
– Ele só pode estar de sacanagem – falei.
Ele trouxera um baby-doll de seda vermelha, com alguns detalhes em renda preta. Só isso, apenas aquele baby-doll. Tinha um ponto positivo e um ponto negativo naquilo:
Positivo: Ele não tivera de abrir minha gaveta de calcinhas para pegar uma.
Negativo: Eu teria de dormir sem calcinha.
Eu não reclamaria, já que dormia sem calcinha quase todos os dias. Mas, hoje eu dormiria ao lado de um homem. Que se dane se ele é meu irmão, ele continua sendo um homem.
– Aquele filho da mãe – praguejei.
Vesti o short do baby-doll, sentindo um leve arrepio ao sentir a seda encostar-se à minha pele desnuda. Usar a calcinha suja estava fora de cogitação, eu não tinha outra escolha. Vesti a blusa, encarando-me no espelho do banheiro. Eu tinha várias outras roupas de dormir, outras mais comportadas, inclusive. Louis deve ter pegado a primeira coisa que viu pela frente, o que me fez agradecer mentalmente à Miwa, que insistira em guardar as lingeries italianas em uma gaveta exclusiva.
Meu coração pulou uma batida, e se Louis tivesse aberto aquela gaveta ao procurar aquele baby-doll? Tinha coisa ali que eu estava receosa até mesmo em mostrar a Akira, imagina só se meu irmão viu minhas lingeries?
O som da porta sendo batida me fez dar um pulinho, meu coração acelerou-se de imediato.
– Ainda no banho? – perguntou a voz de Louis.
Ele soara feliz, quase satisfeito. Trinquei os dentes, ele fizera de propósito, só pode.
– Estou me vestindo – respondi.
Ele deu uma risadinha, mordi o lábio de raiva.
– Espero que tenha apreciado minha escolha – ele disse.
Não aguentei, nem mesmo pensei. Abri a porta do banheiro com força, fazendo Louis dar um pequeno pulo de surpresa. Ele me olhou, e então seu corpo pareceu congelar. Trinquei os dentes, encarando-o. Seus olhos percorreram todo meu corpo umas duas vezes, esperei.
– Aprecio minha escolha, você está muito linda – ele disse, sua voz estava ligeiramente mais rouca.
Bufei, voltando para dentro do banheiro. Pude ouvi-lo seguindo-me, tentei concentrar-me em achar uma pasta de dentes.
– Segunda gaveta – disse Louis.
Dei um pulinho, virando meu rosto para trás. Ele estava bem atrás de mim, sorria carinhosamente para meu reflexo no espelho.
– Tem uma escova de dente reserva na segunda gaveta – explicou.
Pisquei, tentando recuperar-me do susto. Louis riu um pouquinho, aproximando-se de mim devagar. Senti meus pelos se eriçarem, ele estendeu o braço na direção do armarinho branco ao meu lado. Louis abriu a segunda gaveta, remexendo um pouco seu interior. Ele não me olhava enquanto procurava a escova, apenas respirava tranquilamente. Virei meu rosto para olhar sua mão, assustando-me um pouco com a visão.
Perto de seus dedos, jazia um pacote de preservativos. Engoli em seco, Louis pareceu não ter percebido. Ele finalmente achou a escova, segurando-a entre dois dedos e fechando a gaveta com os dedos desocupados. Louis estendeu a escova para mim, pisquei.
– Pegue – ele disse.
Engoli em seco outra vez, minha mão ergueu-se de forma quase robótica. Peguei a escova, um pouco cautelosa. Louis sorriu para mim, aproximando seu rosto do meu. Fechei meus olhos por instinto, ele depositou um longo beijo em minha bochecha. Minha respiração falhou, ele cheirava a outro sabonete.
– Vou te esperar no quarto – ele disse.
Seus lábios não deixaram minha bochecha nem mesmo quando ele falou, assenti. Louis afastou-se de mim, sorrindo carinhosamente. Ele parecia não perceber que cada ação dele me deixava constrangida, o que era um certo alívio.
– Escove os dentes – ele disse.
Assenti, ele sorriu, deixando o banheiro. Respirei fundo, curvando meu corpo para frente. Encarei meu próprio reflexo no espelho, analisando a situação. Meu rosto estava minimamente corado, eu respirava com força. Meus olhos estavam um pouco arregalados, mas eu não fugia muito do meu normal. Tratei logo de escovar meus dentes, programando meu corpo para ficar atenta a cada movimento próximo a mim.
Louis trocava os canais da televisão despreocupadamente quando eu saí do quarto, o som dos meus passos o fez olhar para mim.
– Agora é minha vez – ele disse.
Assenti, sorrindo de leve. Louis ergueu-se da cama, vindo até mim. Sua mão trazia o controle remoto da televisão, ele estendeu-o para mim.
– Veja se tem algo que lhe agrade, eu volto logo – ele disse.
Assenti, aceitando o controle. Louis sorriu, afagando levemente meu ombro ao passar por mim. Ele entrou no banheiro e fechou a porta, ouvi o barulho da tranca. Pisquei, será que ele confiava em mim?
Sacudi a cabeça, rindo pelo nariz. Deitei-me na cama, embolando-me nos lençóis macios e quentinhos. Tudo era fofo na cama de Louis, soltei um suspiro preguiçoso. Virei de barriga para cima, apontando o controle para a TV. Zapeei durante uns dez minutos, passando por um programa de culinária, dois filmes da década de quarenta, alguns programas infantis e um filme pornô.
Arregalei os olhos, meus dedos não conseguiram se mexer. Minha boca se abriu, engoli em seco várias vezes. A loira do filme “quicava” como uma bola de basquete, o careca debaixo dela ria para a câmera. Meu espírito parecia ter deixado meu corpo, eu não conseguia mover um músculo. A mulher do filme deu um grito exagerado, e mesmo a TV estando em um baixo volume, aquele som me despertou. Desliguei a TV, atirando o controle para longe. Ele caiu ao lado do travesseiro de Louis, parecia zombar de mim.
Por que diabos o Louis tinha acesso a um canal pornográfico? Em que mundo nós estamos?
Deitei a cabeça no travesseiro, ainda de olhos arregalados. Aquelas cenas giravam em minha mente, eu não conseguia fechar os olhos. Sexo era daquele jeito? Eu já tinha feito, mas não me pareceu tão real na hora. Eu gemera daquele jeito? Minha cara ficara daquele jeito? Eu nunca mais vou conseguir encarar o meu namorado de novo.
A porta do banheiro foi aberta, revelando meu irmão mais “santinho”. Seu rosto estava um pouco avermelhado, ele arfava de leve. Pisquei, engolindo em seco.
Eu devia estar doida, mas ele estava quase com a mesma expressão do homem do filme.
– Desculpe a demora, eu tive uma situação – ele disse.
Sua voz estava um pouco rouca, meus pelos se eriçaram. Só fui perceber seus trajes naquela hora, desejando nem ter olhado. Louis vestia uma calça de pijama cinza e desbotada, era um pouco folgada e tinha um elástico na cintura. Sua camisa branca não tinha mangas, então deixava seus braços expostos. Eu nunca imaginei que Louis tinha uma bunda tão bonita, e seu peito e braços também não deixavam nada a desejar. Mesmo estando com aquela calça folgada, pude reparar em algo que nunca vira antes: Seu “volume”. Pisquei, um pouco surpresa. Ele sempre usava blusas que cobriam aquela parte de seu corpo, era a primeira vez que eu via “ele”. Louis me encarou, como se estivesse esperando minha resposta. Sacudi a cabeça, engolindo em seco ao perceber que estava tão hipnotizada por ele que nem pensara em responder.
– T-tudo bem – falei.
Por que diabos ou gaguejei? Por que Louis parecia se divertir com meu constrangimento?
– Achou algo que te interessou? – perguntou.
Pisquei, sentindo um calafrio. Louis deitou-se na cama, sorrindo para mim.
– Não, não achei – respondi.
Ele assentiu, respirando fundo preguiçosamente.
– Meu dia hoje foi tão cansativo, é bom relaxar um pouco – ele disse, fechando os olhos – Venha aqui.
Ele abriu os braços, envolvendo-me como um polvo. Tentei não me retesar, foi muito difícil. Tudo que eu conseguia pensar era naquele filme pornô, será que Louis assistia aquilo?
Que pergunta idiota, por qual outro motivo ele teria aquele canal desbloqueado em sua TV?
– Está tudo bem? Você parece um pouco tensa – ele disse.
Seus olhos se abriram, ele me encarava fixamente. Pude sentir meu rosto esquentar por dois fatores: Vergonha e sua respiração batendo em minha pele.
– Estou bem, só estou cansada – menti.
Ele não pareceu ter se convencido, mas assentiu. Louis fechou os olhos outra vez, apertando-me contra seu corpo.
– Você já dormiu com um homem antes? – perguntou.
Assenti, ele franziu o cenho. Seus olhos ainda estavam fechados, ele apenas sentia meus movimentos.
– Posso saber com quem foi? – ele disse.
Sua voz saíra um pouco rouca, algo incomum, já que a voz dele era sempre suave. Engoli em seco, ele esperava por minha resposta.
– Com Wataru e Akira – respondi.
Sua expressão suavizou-se um pouco, ele respirou fundo.
– Então você sabe como é – ele disse.
Assenti outra vez, Louis deu um pequeno sorriso. Aconcheguei-me em seu peito, seus braços abraçaram-me com mais firmeza. Eu estava embriagada em seu cheiro, meus olhos não conseguiam se fechar.
– Boa noite, Nina – disse Louis.
Respirei fundo, sua voz sonolenta era adorável, mas ele não ia me enganar com aquilo.
– Boa noite, Louis – respondi.
Ele sorriu, transformando sua expressão em algo quase angelical. Ele ficava muito lindo daquele jeito, mas eu não ia baixar minha guarda. Aquele safado.
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As horas passaram, arrastando-se como lesmas... Eca.
Eu não conseguia dormir de jeito nenhum, mesmo depois de contar carneirinhos, tentar contar de 1 a 100 em todas as línguas que eu conhecia, criar cerca de dois planetas imaginários, fazê-los ir à guerra e inventar um idioma para cada um deles. A pior parte? Eu não podia me mexer.
Louis dormia tranquilamente, abraçando-me exatamente da mesma forma que me abraçara quando deitamos. Ele ressonava baixinho, um pequeno sorriso calmo repousava em seus lábios. Eu não podia me mexer, já que seus braços prendiam meu corpo como uma camisa de força. Eu conseguia respirar, mas já estava inebriada no cheiro de Louis. Aquele era o ninho dele, tudo naquele quarto tinha cheiro de Louis. Eu adorava aquele cheiro, mas já estava me sentindo sufocada.
Fiz o possível para afastar Louis, quase falhando miseravelmente. Respirei fundo, reprimindo um gemido de agonia. Eu já dormira abraçando Wataru, mas Louis era mais forte que o pequeno, e estava me sufocando. Consegui tirar o braço dele de cima de mim sem que ele acordasse, afastando-me dele o suficiente para conseguir virar de barriga para cima. Respirei fundo, quase arquejando de alívio. Virei o rosto para o lado, encarando o rosto adormecido de Louis por um tempinho. Seu pequeno sorriso morreu, seu braço estava estirado na cama, sua mão parecia quase tatear o vazio que meu corpo deixara. Abafei uma risadinha, revirando os olhos. Virei as costas para Louis, encarando agora a porta do banheiro. Meus pelos se eriçaram, trinquei os dentes. Um preservativo? Sério? Logo ele? Com quem ele usaria aquilo? Com a Yui? Eu odiava não ter respostas, será que ele daria o embrulho daquele dia para ela?
O embrulho daquele dia! Como eu não lembrei antes? Eu estava no quarto do Louis, podia muito bem escapulir da cama e ir procura-lo. Ele não deve estar tão escondido, isso é, supondo-se que ele ainda estava ali.
Claro que ele ainda estava ali, se Louis tivesse presenteado “a mulher que ama” com aquele embrulho, ele estaria dormindo ao lado dela nesse exato momento. Mas ele não estava, ele estava comigo. Aquele pensamento me fez sorrir, assim como pensar que, se a camisinha estava fechada, significava que ele ainda não tinha precisado dela!
Revirei os olhos, como é possível uma pessoa ser tão burra? Talvez a sonolência estivesse fazendo aquilo comigo, não sei bem.
Senti algo ligeiramente pesado jogar-se por cima da minha cintura, prendendo-me como uma corda. Meu corpo deu um leve pulinho, ouvi um grunhido baixinho.
– Está fugindo de mim? – disse.
Meu coração se aqueceu, mordi o lábio para não chorar. A voz de Louis saíra tão baixinha, como um garotinho. Ele estava tão sonolento que quase embolava as palavras, quase me senti mal por ter sentido raiva dele, quase.
– Desculpa – sussurrei.
Ele não respondeu, apenas puxou-me contra si. Meu corpo moldou-se contra seu corpo, seus músculos quase se fundiram aos meus. Luis soltou um gemidinho sonolento, abraçando-me como alguém abraça uma pelúcia muito fofa. Eu estava com aquela roupa fina e ele me abraçava com muita força, eu podia senti-lo por inteiro, literalmente.
– Minha criança – murmurou.
Franzi as sobrancelhas, mordendo o lábio para não rir. Quem parecia uma criança era ele, por que ele me chamara assim?
– Vai dormir, você tá morrendo de sono – falei.
Louis não respondeu, fazendo-me pensar que ele já havia dormido. Ri baixinho, sacudindo a cabeça. Sua respiração batia em meus cabelos, eles deviam estar incomodando-o. Ergui a cabeça, fazendo um coque desajeitado apenas para livrar o rosto de Louis dos fios. Ele deu uma risadinha suave e sonolenta, sorri. Seus lábios depositaram um longo beijo em minha nuca, ele soltou outro gemidinho sonolento.
– Eu te amo, minha criança – ele disse, soltando um grande suspiro.
Sacudi a cabeça, rindo baixinho.
– Eu também te amo, Louis – falei – Durma, você precisa descansar.
Ele não respondeu, sorri.
Aquela era a prova que eu precisava para formar meu argumento, ele derretia qualquer barreira que eu construía sem nem precisar estar acordado.
Eu não conseguia resistir a Louis.
IMAGEM ESPECIAL.
Iori Asahina.

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