The New Girl in the House
25 Aposta
Notas iniciais
– O que?! – berrei.
– Meu ouvido, Nina – disse Ukyo.
Arquejei, fazendo uma careta para o celular.
– Desculpa, Ukyo – falei – Eu só me assustei, e muito.
Ele riu um pouco, sua risada ficava ainda mais bonita pelo telefone.
– Não tem problema, foi um pedido surpreendente, afinal – disse Ukyo – Você vai fazer o que eu pedi?
Arfei, engolindo em seco. Girei nos calcanhares, tentando ignorar o fato de que dois dos três irmãos meus presentes me observavam.
– Eu posso tentar, mas não me culpe se eu causar um incêndio – falei.
– Confie em sua capacidade, você consegue fazer isso – ele disse – Preciso desligar agora, boa sorte.
– Eu vou mesmo precisar – falei – Boa audiência.
Ukyo deu uma curta risadinha, encerrando a chamada. Baixei o celular, engolindo em seco.
– Quem morreu? – perguntou Tsubaki.
– Eu – respondi.
Ele riu, revirando os olhos.
– Sério, o que aconteceu? – perguntou.
Olhei em volta, tentando acreditar no pedido que Ukyo me fizera.
– Ukyo não vai poder vir, ficou preso no tribunal – falei – Ema e Yusuke também estão presos na faculdade, não tem ninguém para fazer o jantar.
Tsubaki piscou, encarei seu rosto. Wataru arregalou os olhos, pude sentir seu desespero me atingir, mesmo estando a dois metros de distância do pequeno.
– Não tem jantar hoje? Eu vou morrer! – exclamou.
Eu teria rido, se não estivesse tão nervosa. Tsubaki me encarou, parecia ler minha mente.
– Não acabou, não é? – disse.
Neguei com a cabeça, encarando o chão.
– Eu disse que sabia cozinhar algumas coisas quando jantamos juntos pela primeira vez, parece que a memória do Ukyo é boa – falei – Ele me passou as chaves do salão de banquetes hoje, eu vou fazer o jantar.
Wataru ergueu o rosto, ele estava se descabelando.
– Nem tudo está perdido, estamos salvos! – berrou.
O pequeno pulou do sofá, correndo até mim. Seu corpo colidiu-se com o meu, ele me abraçou com força, enterrando a cara nos meus seios.
– A onee-chan vai fazer o jantar! – exclamou.
Tsubaki riu da reação do pequeno, Wataru soltou uma risada deliciosa. Eu ainda estava em choque, meu olhar estava fixo em um ponto qualquer do chão.
– Nina, está tudo bem? – perguntou Azusa.
Ele estava calado até o momento, ouvir sua voz parecia ter ajudado minha alma a ficar um pouco calma. Suspirei, erguendo o rosto. Meus três irmãos olhavam para mim, respirei fundo.
– Eu não sei cozinhar – falei.
Os três piscaram, confusos.
– Você disse que sabia – disse Azusa.
Engoli em seco, Wataru parecia estar desesperando-se outra vez.
– Eu só sei fazer lanches e sanduiches, não posso alimentar treze pessoas – falei.
Tsubaki passou a mão na nuca, Azusa deu um sorriso.
– Não somos treze, apenas sete de nós vamos jantar aqui hoje – ele disse – Não se preocupe, você pode procurar receitas em alguns livros que Ukyo guarda.
Ergui o olhar, encarando-o. Azusa sorria gentilmente, olhando-me como se estivesse escolhendo um cãozinho de estimação.
– Eu não sei se consigo dar conta de tudo sozinha, somos muitos – falei.
Tsubaki levantou-se do sofá, vindo até mim em um fôlego só. Esperei, ele abriu um sorriso terno.
– Vamos te ajudar, maninha – ele disse.
Pisquei, o sorriso de Azusa murchou.
– Vamos? – perguntou.
Tsubaki revirou os olhos para o irmão, voltando-se para me encarar. Ele deu um sorriso enorme, aproximando-se de mim.
– Claro que vamos – ele disse – Quero vê-la de avental, e estou ansioso para ter você como minha criada.
Bufei, revirando os olhos. Azusa franziu o cenho, erguendo-se do sofá.
– Menos, Tsubaki – ele disse.
Azusa veio até mim, sua expressão suavizou-se assim que nos encaramos.
– Vamos te ajudar, não se preocupe – ele disse.
Sorri, assentindo.
– Obrigada, vocês são os melhores irmãos do mundo – falei.
Tsubaki abriu um grande sorriso, retribuí. Azusa sorriu também, um pouco corado.
– Onee-chan, eu vou ajudar também! – disse Wataru, apertando-me com força.
Ri, finalmente abraçando-o de volta. Os três sorriram para mim, soltei um suspiro de alívio.
– Estão fazendo uma orgia e nem me convidaram? – disse uma voz.
Virei o rosto para trás, piscando. Nem ouvira o som da porta de se abrindo, surpreendi-me ao ver Fuuto. Ele havia passado a semana fora de casa, ensaiando para um show que ele fez ontem. Eu não sentira sua falta, claro, mas não gostava de ficar longe dele.
Muito bem, isso não saiu direito.
– Bem que vocês podiam escolher uma garota melhor, essa aqui nem é bonita – zombou Fuuto.
Revirei os olhos, Azusa franziu o cenho.
– Também te amo, irmão querido – falei – Que bom que voltou, eu senti sua falta... Bem, não senti não.
Ele revirou os olhos, sorrindo de lado. Sorri de volta, tentando esconder minha alegria.
Alegria? Eu devo ter confundido, eu queria dizer “repulsa”.
– Se reuniram para me receber? Que lindo – disse Fuuto.
Revirei os olhos, assim como Tsubaki. Wataru abriu um grande sorriso para Fuuto, eu não conseguia entender como aquele pirralho podia gostar tanto de um cara como aquele.
– Vamos fazer o jantar, Fuutan – anunciou, feliz.
Fuuto riu, lançando-me um olhar debochado.
– Vocês quatro vão cozinhar? Acho melhor ligar logo para o corpo de bombeiros – zombou.
Bufei, revirando os olhos.
– Nós não somos idiotas como você, seu metido – falei.
Fuuto riu, uma risada carregada de escárnio.
– Aposto que vão queimar até mesmo água – zombou.
Ri, Tsubaki e até mesmo Wataru fizeram o mesmo. Azusa prendeu o riso, ajeitando os óculos.
– Fuuto, não se queima água, se ferve – ele disse.
Ri ainda mais, Fuuto revirou os olhos.
– Que seja – resmungou – Vocês são tão burros que vão acabar dando um jeito.
Soltei uma risada debochada, soltando os braços de Wataru de mim. O pequeno me olhou, franzindo as sobrancelhas. Ignorei, indo até Fuuto a passos decididos.
– Eu aposto meu cabelo que nós quatro conseguimos cozinhar melhor do que você – falei.
Fuuto revirou os olhos, cruzei os braços.
– Eu aceito sua aposta, com uma condição – ele disse.
Dei um sorrisinho debochado, mas meu deboche não era nada comparado ao desprezo no olhar de Fuuto.
– Se eu perder, você pode ficar com a minha limusine por duas semanas – disse Fuuto, dando um sorriso quase cruel – E se você perder, eu quero a calcinha que você está usando agora.
– O que?! – exclamamos eu, Tsubaki, Azusa e Wataru, ao mesmo tempo.
Fuuto cresceu aquele sorriso, tinha um brilho demoníaco no olhar. Minha boca estava escancarada, Azusa estava exatamente do mesmo jeito. Wataru e Tsubaki encaravam Fuuto com copiosas expressões de ódio, o cantor olhava-me nos olhos.
– Você comeu merda? – perguntou Tsubaki.
– Passou dos limites – disse Azusa.
– A onee-chan não vai dar a calcinha dela pra você, eu não vou deixar! – berrou Wataru.
Lindo, agora os vizinhos também sabiam sobre a aposta. Obrigada, Wataru.
– Não se metam, deixem-na responder – disse Fuuto, zombando dos irmãos.
Fiz uma expressão de pura raiva, avançando em sua direção. Parei quando nossos corpos quase se encostavam, precisei inclinar um pouco meu rosto para cima. Fuuto olhava-me como se observasse um fenômeno natural muito raro, seu sorriso transbordava sarcasmo.
– Veio até aqui para que eu mesmo possa tirar sua calcinha? – perguntou.
Sua voz saiu bem macia, sensual. Ele usava aquele tom nos comerciais que eu vira, era o tom sedutor que sempre atraia mulheres aos shows dele.
– Eu não vou perder! – falei, firme – Se prepara para ficar sem seu carrinho idiota.
Passei por ele com um empurrão, encaminhando-me à cozinha. Não vi a cara dos meninos, mas eles devem estar surpresos com minha reação. Eu nunca aceitaria aquilo em meu humor normal, mas Fuuto tinha conseguido me tirar do sério.
Entrei na cozinha, respirando fundo. O espaço era relativamente grande, mas ficaríamos um pouco apertados ali. Tinha dois fogões, o que eu julgava ser exagero. Vários armários brancos decoravam as paredes, fazendo uma única moldura que envolvia uma geladeira de portas duplas, um forno, um micro-ondas, um congelador e uma pia enorme. Não pude deixar de abrir a boca, aquele lugar era incrível. Eu já estivera ali antes, mas nunca reparara tanto nos detalhes.
– O que vamos cozinhar? – perguntou a voz de Tsubaki.
Sua voz me deu um leve sustinho, mas consegui controlar meu corpo, evitando um pulinho constrangedor. Os quatro homens entraram na cozinha, todos me encarando.
– Somos dois competidores, então cada um escolhe sua própria receita – falei.
Tsubaki e Azusa se entreolharam, Fuuto deu de ombros.
– Seria melhor dividirmos-nos em duplas, assim ninguém sai mais favorecido que ninguém – disse Azusa – Wataru pode ser assistente das duas duplas, assim todos saem ganhando.
O pequeno assentiu, entusiasmado. Olhei para Fuuto, ele deu de ombros outra vez.
– Beleza, eu quero o Azusa – falei.
Agarrei o braço de Azusa, quase pendurando-me nele. Ele ofegou, surpreso com minhas ações repentinas. Sorri abertamente para ele, abraçando seu braço.
– Credo, maninha – disse Tsubaki, fazendo uma voz manhosa – Você me magoou.
Revirei os olhos, rindo pelo nariz. Tsubaki estava sério, seus olhos fuzilavam seu gêmeo.
– Você quer ficar comigo, Azusa? – perguntei, erguendo meu rosto.
Azusa me olhou, dei várias piscadas. Dei um sorriso angelical, deixando que meu rosto fizesse o trabalho todo. Azusa piscou, desviando o olhar de leve. Ele sorria, mas suas bochechas estavam ligeiramente vermelhas.
– Sim – respondeu.
Sorri, esticando-me o máximo que consegui. Ele era mais alto do que eu, mas não foi tão difícil depositar um beijo em sua bochecha. Sua pele era macia, livre de qualquer vestígio de barba. Sorri contra sua bochecha, demorando-me uns três segundos naquele beijo. Firmei meus pés no chão, encarando o rosto de Azusa com um sorriso.
– Vocês vão “ficar” aqui na cozinha? Tem criança aqui – zombou Fuuto.
Revirei os olhos, soltando o braço de Azusa. Tsubaki não sorria, apenas encarava o irmão gêmeo com um brilho estranho nos olhos.
– Vamos logo começar, primeiro temos que ver os ingredientes disponíveis – disse Azusa.
Assenti, caminhando até a geladeira. Ela tinha portas duplas, senti como se estivesse abrindo as portas de um salão luxuoso. A geladeira estava cheia das coisas mais variadas, eu podia fazer qualquer prato que me viesse à mente.
– Temos frango, peixe, carne de boi... – falei, rindo pelo nariz – Se eu procurar bem, eu tenho certeza de que vou achar carne de coala aqui.
Fuuto bufou, Tsubaki riu.
– Tem como você ser mais idiota? – perguntou Fuuto.
Virei meu rosto para trais, lançando-lhe um sorriso “amável”.
– Não tem como, só se eu fosse você – respondi.
Tsubaki riu, Azusa deu uma risadinha discreta. Fuuto lançou-me um olhar de raiva, joguei-lhe um beijo.
– Vocês dois não podiam ser mais unidos – disse Azusa.
Neguei com a cabeça, Fuuto fingiu que não tinha ouvido. Sorri, voltando-me para a geladeira outra vez.
– Eu não sei fazer nada muito elaborado, talvez devêssemos procurar receitas em algum lugar – falei.
Azusa mordeu o lábio, lançando um olhar de duvida a um dos armários.
– Acho que Ukyo guarda o livro de receitas ali – ele disse.
Mordi o lábio, Azusa foi em direção ao armário. Aproximei-me dele, curiosa. Ele abriu a porta de um armário perto do fogão, posicione-me atrás dele.
– Achei – anunciou.
Ele virou-se para nos encarar, mas encontrou um obstáculo em seu caminho: Eu. Nossos corpos se chocaram com uma força considerável, o cotovelo dele quase acertou meus peitos.
– Ai! – gemi.
Dei um passo para trás, afagando meu estômago. Azusa arquejou, encarando-me com um olhar cheio de preocupação.
– Você está bem? Céus, me desculpe, Nina – ele disse.
Tentei sorrir, ainda afagando meu estômago.
– Tá vendo no que dá ser curiosa? Gente burra só se ferra – disse Fuuto.
Mostrei-lhe minha língua, parando de afagar minha barriga. Azusa sacudiu a cabeça, olhando-me outra vez.
– Você está bem mesmo? – perguntou.
Assenti, sorrindo de leve.
– Me desculpe, a culpa foi minha – admiti.
Ele sorriu, aproximando-se de mim. Sua mão tocou meu ombro direito, sua palma era quente, mesmo com a manga da minha blusa cobrindo minha pele.
– Você não precisa pedir desculpas, eu preciso – ele disse.
Sorri, soltando um suspiro.
– Eu não peço se você não pedir – sugeri.
Azusa riu, afagando meu ombro.
– Trato feito – disse.
Meu sorriso cresceu, assenti. Ficamos nos encarando durante uns segundos, seus olhos brilhavam muito por trás daqueles óculos.
– Ei, niña – disse Fuuto.
Senti meu braço ser puxado, arrastando-me. Meus pés se moveram por conta própria, impedindo minha queda eminente.
– Ei! – protestei.
Fuuto me ignorou, apenas puxou-me pela cozinha. A mão de Azusa deixou meu ombro, ouvi-o arquejar de leve. Mesmo lutando contra, a força de Fuuto superou a minha. Ele não me deixou até estarmos fora das vistas, de volta à sala.
– Você ficou maluco? – rosnei.
Fuuto me ignorou, puxando-me com força para si. Acabei batendo em seu peito, meus olhos se arregalaram.
– Me solta – mandei.
Ele não disse nada, nem mesmo parecia ter me ouvido. Tentei empurra-lo, mas ele era muito mais forte do que eu.
– Fuuto, é sério – falei, firme – Me solta.
– Cala a boca, sua idiota – ele disse.
Ele imprensou-me contra a parede, deixando-me sem tempo para raciocinar. Arquejei, Fuuto fingiu que não tinha ouvido. Seus braços envolviam-me como uma camisa de força, seu rosto estava tão próximo do meu que seus lábios quase triscavam nos meus. Seu corpo vibrava de leve, ele encarava meus olhos como se sua vida dependesse disso.
– Eu. Não. Quero. Que. Você. Deixe. Eles. Te. Tocarem. – ele disse, pronunciando cada palavra como se fossem mandamentos – Eu não quero que eles te toquem, só eu posso fazer isso.
Seu corpo estava um pouco curvado para frente, nossos rostos estavam quase se tocando. A respiração dele era tão quente quanto a de Louis, senti meus pelos se eriçarem.
– Você só pertence a mim, não se esqueça disso – disse Fuuto.
Lancei-lhe um olhar de ódio, ele finalmente me soltou. Observei-o voltar para a cozinha de forma tempestuosa, quem visse de longe, pensaria que tivéramos uma briga feia. Grunhi, dando um tranco para frente. Voltei à cozinha, devia estar de cara feia, já que os gêmeos piscaram ao me ver.
– Nina, está tudo bem? – perguntou Azusa.
– Ele te molestou? – perguntou Tsubaki.
– Onee-chan, Fuutan pegou nos seus peitos? – perguntou Wataru.
Mesmo não querendo, as palavras do pequeno me fizeram rir. Aquilo não fez minha raiva passar, mas resolvi apenas ignorar a idiotice de Fuuto. Peguei Wataru pelos ombros, puxando-o para mim. Ele riu, abraçando-me de volta.
– Não, ele não pegou nos meus peitos – falei.
O pequeno riu de novo, soltando-me de repente.
– Vamos cozinhar, eu quero ajudar a minha onee-chan! – ele disse.
Ri de seu entusiasmo, mas assenti. Ergui meu olhar, levando-o de encontro até o de Azusa.
– Vocês já escolheram as receitas? – perguntei.
Os dois gêmeos ainda me olhavam com certa desconfiança, fingi inocência.
– Tsubaki escolheu suflê de camarão, eu escolhi estrogonofe grelhado – disse Azusa.
Senti minha boca encher-se de água, abri um sorriso enorme.
– Estou começando a adorar essa ideia – comentei.
Wataru, Tsubaki e Azusa riram, Fuuto fingiu que não tinha ouvido. Eu não me importei com essa inércia dele, não queria deixar a infantilidade de Fuuto tirar minha concentração.
– Vamos começar – disse Azusa – Nina, pegue os ingredientes na geladeira.
Assenti, sorrindo como uma criança. Azusa sorriu ao ver isso, relaxando por completo. Aquilo me deixou com uma sensação de alívio enorme, detestaria que ele se cortasse em alguma coisa por minha culpa.
– O que preciso pegar? – perguntei.
Azusa sorriu para o livro de receitas, que eu não havia percebido em sua mão até então. Caminhei até ele, espichando curiosamente meu pescoço para ler o que estava escrito.
– Por enquanto só precisamos de cebola, alho, margarina, frango e vinho branco – disse Azusa, lançando-me um olhar por cima dos óculos – O vinho é para pôr no estrogonofe, vou ficar de olho em você.
Revirei os olhos, rindo um pouco. Ele deu um sorriso, olhando-me como se eu fosse um cachorrinho fofo.
– Pode ficar, mas eu não garanto que vou me comportar – brinquei.
Azusa riu, sacudindo a cabeça. Sorri, satisfeita. Ele era um pouco reservado, mas eu conseguia fazê-lo sorrir quase sempre. Azusa era muito diferente dos outros doze Asahina, e por mais reservado que parecesse, ele devia ter um coração muito quente.
Abri as portas da geladeira, fazendo um biquinho. Localizei os ingredientes que Azusa requisitara com um pouco de esforço, eu não estava brincando quando disse que podia achar qualquer coisa ali.
– Ukyo tem medo de morrer de fome? – perguntei.
Tsubaki riu, sorri.
– Não, ele só gosta de encher bem a geladeira, já que não tem muito tempo para ir às compras com muita frequência – disse Azusa.
– E somos muitos, isso tudo aí não dura nem uma quinzena de dias – disse Tsubaki.
Ri pelo nariz, com aquilo eu concordava mesmo. Eu já vira os Asahina comendo varias vezes, por mais diferentes que eles eram, todos comiam bastante.
– Sai da frente – disse Fuuto.
Ele empurrou-me com o ombro, jogando-me para trás. Minha cebola quase caiu, rosnei de raiva.
– O que deu em vocês dois? – perguntou Azusa.
Bufei, dirigindo-me à bancada mais afastada da cozinha.
– É frescura desse idiota, ignore-o – falei – O que mais eu tenho que fazer?
Azusa não respondeu de imediato, apenas encarou-me com firmeza. Seu olhar não me deixava mentir, engoli em seco.
– Tivemos um atrito, mas não é nada demais – falei – Azusa, a receita.
Ele me encarou, sustentei seu olhar. Devo ter parecido bastante convincente, já que ele apenas suspirou e cortou nosso olhar.
– Corte o frango em tiras, eu cuido da cebola e do alho – ele disse.
Assenti, soltando um suspiro de alívio.
– Onde eu acho uma faca aqui? – perguntei.
Eu estava mesmo perdida, não sabia localizar nada naquela cozinha. Azusa riu um pouquinho de minha confusão, parecia estar mais calmo.
– Aqui, onee-chan – disse Wataru.
Encarei-o, o pequeno abriu uma gaveta perto da pia. Ele tirou uma grande faca de dentro, o brilho da lâmina cruelmente afiada me arrepiou um pouco.
– Cuidado com essa faca, Wataru – falei.
O pequeno revirou os olhos, vindo até mim com um sorriso engraçado.
– Eu não sou criança, onee-chan – ele disse.
Bufei, sacudindo a cabeça. Peguei a faca de suas mãos, voltando-me para o frango. Já ia abrir o pacote de frango quando senti uma mão em minha cintura, virei a cabeça.
– Não vai vestir seu avental? – perguntou Azusa.
Ele sorria delicadamente, segurava um avental rosa no braço esquerdo. Sorri, ele mesmo já havia vestido um avental azul.
– Me dê aqui – pedi.
O sorriso dele cresceu, esperei.
– Vire-se – ele disse.
Pisquei, mas fiz o que ele disse. Virei meu corpo em sua direção, ficando frente a frente com Azusa. Ele abriu o avental, sem me olhar diretamente. Esperei, sentindo meu coração bater um pouquinho mais rápido. Azusa sorriu um pouco, estendeu o avental em minha direção. Senti o tecido encostar em minhas roupas, olhei para baixo. O meu avental tinha algumas flores bordadas com linha branca, formando algo bem delicado e artesanal. Tinha faixas de veludo vermelho, o que eu considerava um exagero.
– Você gosta? – perguntou Azusa.
Assenti, erguendo meu rosto. Ele colocou as alças do avental em volta do meu pescoço, suas mãos roçaram em minha pele de leve. Sua mão era mesmo quente, um calor agradável.
– Ficou bem em você – ele disse.
Não respondi, não tinha palavras. Seu rosto estava bem perto do meu, era tão perfeito e delicado que parecia ter sido esculpido por anjos. Aqueles óculos pareciam complementar sua beleza, seus cabelos caiam em volta do rosto, envolvendo sua cabeça de forma muito graciosa. Os trigêmeos eram muito lindos, isso eu já sabia. Mas Azusa... Ele era simplesmente perfeito.
– Erga os braços um pouco, por favor – ele disse.
Sua voz sempre me soara calma, mas naquele momento, ela parecia ter saído da boca de um anjo. Obedeci, ainda não tinha palavras. Azusa levou as faixas de veludo até minhas costas, enlaçando-me. Seus braços envolveram minha cintura, senti suas mãos amarrarem as faixas lentamente. Minhas mãos pousaram suavemente em seus ombros, meu corpo parecia ter vida própria. Meu irmão finalmente terminou de amarrar meu avental, nosso olhar se encontrou. Os olhos dele pareciam pedras preciosas, tamanho era seu brilho. Cada detalhe de seu rosto parecia ter sido lapidado, esculpido. Ele parecia uma daquelas esculturas perfeitas que nos deixam boquiabertas, se o brilho em seus olhos não parecesse tão real, eu diria que estava abraçando uma estátua perfeita.
De fato, eu estava abraçando-o. Os braços de Azusa se retraíram um pouco, mas suas mãos estavam segurando minha cintura. Minhas mãos ainda estavam em seus ombros, meus olhos não conseguiam parar de encarar o rosto dele. Sua boca era fina, quase delicada. Seus lábios deviam ser macios, deliciosos.
Que sabor eles tinham? Doce? Salgado? Algo que meu paladar nunca provara antes? Como seria seu beijo? Como seria a sensação de ter minha língua entrelaçada na dele? Como seria tocar seu peito enquanto nossas bocas estivessem grudadas? Como seria a sensação de ter sua boca na pele do meu pescoço? O beijo dele me deixaria sem ar como o do Akira me deixa?
Soltei Azusa com força, sentia como se tivesse levado um choque. Engoli em seco, meu espírito parecia ter me abandonado.
– Nina?! – disse Azusa.
Ele parecia tão alarmado quanto eu, seu rosto estava um pouco vermelho. Pisquei várias vezes, respirando fundo para tentar me acalmar.
– Me desculpe – falei – E vou cortar o frango.
Virei para a bancada, fingindo que não tinha visto aquela expressão de extrema confusão no rosto do gêmeo moreno. Respirei fundo, tentando fazer meu coração voltar a bater corretamente. Peguei a faca, minha mão tremia um pouco. Ajeitei o frango na posição que achei melhor e comecei a cortar, a faca deslizava no frango.
Muito bem, agora sim eu preciso de um psicólogo. Como eu podia pensar aquelas coisas do meu próprio irmão? Como eu podia pensar aquelas coisas sobre um cara enquanto namoro Akira? O que deu em mim? Eu amo meu namorado!
– Ai! – gemi.
Larguei a faca, fazendo uma careta de dor. Segurei meu dedo indicador da mão esquerda, minha mão rapidamente se encheu se sangue.
– Nina! – disse Azusa.
Ele avançou em minha direção, encurtando a distância entre nós com apenas três passadas longas. Meu corpo se retesou, ele não deve ter visto.
– Você está bem? – perguntou.
Fiz uma careta, erguendo o olhar. Ele encarava-me com uma expressão preocupada, desviei o olhar rapidamente.
– Foi só um corte, eu estou bem – menti.
Azusa respirou fundo, encarando-me seriamente. Minha voz deve ter tremido de dor, o corte ardia tanto que meus olhos começaram a lacrimejar.
– Vai chorar, bebê? – zombou Fuuto.
Que bom! Ele finalmente voltara a falar comigo, e para me zombar, ainda por cima. Isso não é ótimo?!
Não, não é.
– Foi sério, maninha? – perguntou Tsubaki, lançando-me um olhar safado – Eu posso beijar onde dói, se você quiser.
Revirei os olhos, Azusa franziu o cenho para os dois.
– Ela se machucou, querem parar de zombar? – ele disse.
Tsubaki e Fuuto riram, comentando entre si o quão idiota eu era. Revirei os olhos, sentindo alguém menor do que eu puxar meu avental duas vezes.
– Onee-chan, está doendo? – disse.
O pequeno encarava-me com aqueles olhos enormes, cheios de preocupação. Pisquei, sentindo meu coração se apertar. Wataru é a coisa mais linda do mundo, já está provado.
– Um pouco, meu amor – respondi – Mas vai passar, a onee-chan aguenta.
O pequeno fez um biquinho, abraçando-me de leve.
– Quer fazer a dor passar? Lava com vinagre, joga sal por cima e enrola em uma folha de urtiga – disse Fuuto.
Tsubaki riu, lançando-me um olhar divertido.
– Não faça isso, maninha – ele disse – Me deixe beijar onde dói, é bem melhor do que os métodos do Fuuto.
Revirei os olhos de novo, sacudindo a cabeça. Azusa bufou, dando as costas aos irmãos que riam.
– Esses dois... – disse, bufando no meio da frase – É melhor lavar bem isso.
Dei um sorriso amarelo, assentindo. Enfiei a mão machucada debaixo da torneira, Azusa girou a válvula para a água cair. Meu sangue foi lavado em questão de segundos, mas logo mais sangue brotava da ferida. A água fazia meu ferimento arder, trinquei os dentes.
– Isso foi feio, o corte está fundo, Nina – disse Azusa, suspirando – Eu preciso fazer um curativo, venha comigo.
Assenti, tirando a mão debaixo d’água. Azusa fechou a válvula, a água parou de escorrer de imediato. Segui meu irmão para fora da cozinha, Tsubaki e Fuuto ainda riam da minha cara. Trinquei os dentes, aqueles dois eram diferentes, mas estavam tão parecidos que até assustava. Wataru viera conosco, ele ainda me abraçava.
– Temos um kit de primeiros socorros no banheiro – disse Azusa, espiando-me por cima do ombro.
Assenti, dando um meio sorriso. Ele sorriu minimamente, ainda parecia estar preocupado.
– Onee-chan, por que você se cortou? – perguntou Wataru, usando sua voz mais manhosa – Minha onee-chan é inteligente, por que você não prestou atenção?
Abri a boca para responder, mas não consegui dizer nada.
– Boa pergunta, Wataru – disse Azusa, preocupado – Você deve prestar atenção, não queremos que você se machuque, Nina.
Respirei fundo, os dois olhavam-me como se eu tivesse acabado de perder um parente.
– Eu estava devaneando, eu sempre acabo fazendo besteira quando estou devaneando – respondi – Desculpem-me, eu vou prestar atenção.
Azusa expirou pesadamente, Wataru fez uma careta.
– Eu não quero que a minha onee-chan se machuque de novo – disse o pequeno – Eu vou cuidar da minha onee-chan!
Ri, suspirando carinhosamente. Wataru abriu um sorriso enorme, abraçando-me com um pouco mais de força.
– Eu também não quero que você se machuque, Nina – disse Azusa – Vou proteger você, eu prometo.
Sorri, encontrando seu olhar. Azusa era o mais lindo dos gêmeos, e também era o mais sério deles. Eu via Ukyo e Masaomi como meus irmãos mais velhos, mas nunca vira Azusa daquele jeito antes. Nem mesmo Louis me passava aquela impressão como antes, eu estava ficando sem opções.
– Obrigada, Azusa – falei.
Azusa sorriu, desviando o olhar de leve.
– Não precisa agradecer, é o que eu quero fazer – ele disse – Obrigado por me dar o prazer de ter uma irmãzinha outra vez, vou fazer o que for preciso para deixa-la feliz.
Abri um grande sorriso, Azusa fez o mesmo. Senti Wataru me apertar com mais força, ele encarava fixamente o irmão mais velho.
– Azu-nii, a onee-chan é minha – ele disse, sério e firme.
Azusa piscou, surpreso. Ri, sacudindo a cabeça.
Ciúme é algo ruim, mas eu sempre me divertia com ele.
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– Então, é isso – falei, nervosa – Obrigada por me ouvirem, eu amo muito todos vocês.
Tsubaki bateu palmas, assim como Wataru, Masaomi e Azusa, que estava de pé ao meu lado. Iori sorriu abertamente, olhando-me como se estivesse vendo algo muito amável. Louis também sorriu, olhando-me como sempre me olhava: Com uma espécie de orgulho. Subaru apenas deu um meio sorriso, encarando os pratos vazios como se estivesse tentando enche-los com a força do pensamento. Eu não tinha percebido antes o quanto ele estava cansado, suas feições faciais praticamente gritavam isso para mim. Ele estava colocando muito empenho nos treinos, parece que um jogo importante estava se aproximando. Eu estava um pouco preocupada, mas Masaomi me garantira que estava tudo bem.
– Nem tente compra-los com esse papinho de “eu amo vocês”, você sabe muito bem que vai perder – disse Fuuto, lançando-me um olhar venenoso.
Fiz uma careta, droga, aquele era um trunfo que eu jurava que funcionaria. Azusa suspirou, colocando a mão direita em meu ombro direito.
– Não estamos tentando comprar sua afeição, apenas estamos apresentando nossa proposta de jantar para hoje – ele disse.
Fuuto revirou os olhos, assim como Tsubaki.
– Você tira a graça de tudo, Azusa – disse o gêmeo mais velho.
Azusa franziu o cenho, lancei um olhar duro a Tsubaki.
– Mentira, ele só disse a verdade – falei – Isso é tudo, espero que gostem do nosso estrogonofe.
Meus irmãos assentiram, soltei um suspiro nervoso. Senti a mão de Azusa apertar levemente meu ombro, ele lançou-me um olhar terno. Sorri, chegando mais perto de seu corpo. Já estava de noite agora, e a roupa que eu usava não era uma boa escolha. Azusa estava quente, e eu gostava de calor.
– Gostei da ideia de vocês, a aposta, eu digo – disse Masaomi – O que vocês apostaram?
Fuuto e eu nos entreolhamos, arregalei levemente os olhos.
– Eu apostei meu carro, durante duas semanas – disse Fuuto.
Masaomi arregalou um pouco os olhos, sorrindo de forma surpresa.
– Isso é algo grande, mas pode ser divertido – ele disse, voltando-se para me olhar – E você, Nina?
Engoli em seco, todos os presentes olhavam para mim. Aconcheguei-me mais a Azusa, respirando fundo.
– A calcinha que eu estou usando agora – falei, como um robô.
Ouvi Subaru se engasgar, arregalando os olhos. Os outros não estavam em melhor condição, apenas Fuuto, Tsubaki, Azusa e Wataru sabiam daquele detalhe até então.
– Você apostou o que?! – disse Subaru.
Surpreendi-me com a força de suas palavras, se eu não soubesse que não éramos muito chegados, eu pensaria que ele era meu namorado.
– Vocês ouviram bem, não me façam repetir – respondi, desviando o olhar – E só pra registro: Foi o Fuuto quem disse.
Todos olharam para o cantor, todos com o mesmo olhar de repreensão. Fuuto revirou os olhos, ignorando os irmãos.
– Você topou, nem venha me censurar agora – ele disse – Ah, só para registro: Tsubaki e eu combinamos de dividir o prêmio, ou seja, você nos deve duas calcinhas.
Arregalei os olhos, assim como Azusa.
– O que?! Vocês ficaram loucos?! – disse Masaomi, irritado – Cancelem essa aposta, agora!
Fuuto negou com a cabeça, Tsubaki lançou-me um olhar felino.
– Ela aceitou, agora vamos até o fim – ele disse, rindo um pouco no meio da frese – Fomos ensinados a honrar nossas apostas e pagar nossas dívidas, quer que nós desrespeitemos isso, Masaomi?
Droga, ele era bom naquilo. Tsubaki podia ser muito brincalhão e safado, mas ele parecia muito profissional. Masaomi bufou, passando a mão na testa.
– Nossa mãe vai ficar sabendo disso, podem ter certeza – ele disse, irritado – Façam o que quiserem, mas não quero ouvir reclamações depois.
Tsubaki abriu um grande sorriso, Fuuto e ele bateram as mãos espalmadas como uma dupla de amigos faria. Franzi o cenho, eles não se detestavam? Parece que a safadeza unia os povos.
– Obrigado, Masaomi – disse Tsubaki, sorrindo – Agora comam, eu não vejo a hora de ter a calcinha da Nina nas mãos.
– Nas mãos ou em outro lugar, Tsubaki? – disse Subaru.
Arregalei os olhos, chocada. Tsubaki riu, assentindo de leve para o irmão mais novo.
– Natsume estava certo – falei, chocada – Vocês são mesmo homens.
Todos me olharam, céticos.
– E você ainda tinha dúvidas? – zombou Fuuto.
Tsubaki riu, lançando-me um olhar felino outra vez.
– Eu repito o que disse na noite de halloween: Só não que provo minha masculinidade aqui mesmo porque tem muita gente aqui, maninha – disse.
Revirei os olhos, desviando o olhar. Azusa franziu o cenho, sua mão apertou de leve meu ombro outra vez.
– Tsubaki, respeite a Nina – ele disse, respirando pesadamente.
Tsubaki revirou os olhos, lançando-me um sorrisinho perverso. Fuuto e Tsubaki deviam ser gêmeos, essa é a verdade toda.
– Vamos jantar, essa conversa já está me dando náuseas – disse Masaomi, sério.
Assentimos, engoli em seco. Sentei-me em uma cadeira qualquer, o mais longe dos meus oponentes que pude. A mesa tinha alguns lugares vazios hoje, então pude me dar o luxo de selecionar o lugar que queria. Azusa sentou-se ao meu lado, sorri para a mesa. Eu sei que era apenas uma das regras que impúnhamos a nós mesmos antes de servir os pratos, mas eu estava secretamente feliz por ter Azusa ao meu lado.
– Onee-chan, por que sentou longe de mim? – perguntou Wataru, fazendo um bico de dar pena.
Fiz um bico, tentando controlar minha emoção.
– Foi o combinado, Wataru – disse Azusa – Os competidores não podem sentar junto dos jurados ou dos assistentes, é a regra.
Assenti, enfatizando as palavras de Azusa. Wataru bufou, cruzando os braços acima do peito.
– Eu odeio as suas regras, quero comer com a onee-chan – disse.
Droga, aquela voz doce e sofrida... Wataru um dia seria um homem muito persuasivo e sedutor, talvez ainda mais do que Kaname, Tsubaki e Fuuto.
– Minha hiena, não faz assim – pedi, suspirando – Eu passo o resto da noite com você, só não faz essa carinha.
O pequeno me encarou, pisquei duas vezes. Encaramos-nos durante alguns segundos, até que ele descruzou os braços.
– Tudo bem, onee-chan! – disse, abrindo um sorriso enorme.
Relaxei minha postura de imediato, soltando um suspiro tão forte que senti como se meu corpo estivesse sendo esvaziado. Ouvi Azusa dar uma risadinha ao meu lado, deixei um sorriso escapar.
– Ele te afeta muito, não é? – perguntou Azusa.
Assenti, desviando o olhar até seu rosto. Ele sorria de leve, olhando-me quase carinhosamente.
– Wataru anda muito manhoso, ele não era assim antes de ganhar duas irmãs – ele disse, rindo um pouco – Você e Ema fazem bem a todos nós, somos muito sortudos por ter vocês duas.
Sorri, mordendo o lábio.
– Obrigada, Azusa – falei – Eu tenho muita sorte por ter vocês, eu não estava mentindo quando disse que amo muito todos vocês.
Ele sorriu, suas bochechas coraram um pouco.
– Obrigado, Nina – ele disse – Seu amor é um presente, não podíamos ter algo melhor.
Foi minha vez de ficar constrangida, sorri para a mesa. Sentia o olhar de todos os presentes em nós dois, mas não conseguia olha-los. Azusa era tudo que eu precisava naquele momento, nem mesmo Akira seria tão bem recebido em meu coração agora.
O que foi que eu disse mesmo?
– Vocês não vão comer? – perguntou Masaomi.
Aquilo foi o que eu precisava, a voz do mais velho dos meus irmãos foi o suficiente para me tirar da minha confusão mental. Olhei-o, ele ainda estava sério.
– Comemos na cozinha, não queríamos atrapalhar seu julgamento – falei.
Azusa assentiu, enfatizando minhas palavras.
– Fomos os mais bem servidos, se é que me entendem – disse Tsubaki, lançando-me olhar de soslaio – Passamos boa parte da tarde vendo uma gatinha cozinhar, não podíamos estar mais satisfeitos.
Fuuto riu, assentindo. Revirei os olhos, Azusa sacudiu a cabeça.
– Então vocês deviam esperar em outro lugar, assim seria muito mais fácil julgar os pratos com imparcialidade – disse Iori.
Pisquei, Azusa e eu nos entreolhamos.
– Boa ideia? – chutei.
O gêmeo moreno assentiu, sorri de leve.
– Estaremos na sala – disse Azusa.
Assenti, erguendo-me da cadeira. Azusa levantou-se também, senti sua mão segurar levemente o meio das minhas costas. Sorri, sem virar-me para encara-lo. Pude sentir o olhar de todos e nós outra vez, fingi não ter percebido.
Azusa devia ter o poder de ser a única coisa que eu precisava, e eu me divertia com isso.
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– Acho melhor você ir se despedindo da sua calcinha – sussurrou Fuuto, arrepiando-me os pelos da nuca.
Arrepiei-me toda, dando um passo para o lado. Ele riu, fingindo que não tinha feito nada.
– Já estamos prontos – disse Masaomi.
Respirei fundo, engolindo em seco. Estava nervosa, claro. Mesmo estando confiante de que o prato que Azusa e eu fizemos tinha chances de ganhar, eu ainda tinha certo receio. Era da minha calcinha que estávamos falando, eu não estava ansiosa para perder.
– Vamos tentar julgar os pratos e ignorar as besteiras que vocês apostaram – disse Masaomi, sério.
– Mas, eu digo logo agora – disse Louis, também sério – Eu não vou deixar que ninguém aqui desrespeite a Nina de modo algum.
– Concordo com Louis – disse Iori.
Masaomi assentiu, todos olharam para Subaru. Ele engoliu em seco, quase se engasgando com o suco que bebia.
– Isso aí que ele falou – disse.
Prendi o riso, quase falhando. Não queria constranger Subaru, já era raro conseguir que ele falasse comigo ou sobre mim.
– Não se preocupem, eu não concordo com isso também – falei – Mas eu sou uma mulher de honra, vou pagar minha dívida se for preciso, mas tenho uma condição.
Todos olharam para mim, respirei fundo.
– Já que eu vou ter que dar duas calcinhas se eu perder, também acho que tenho direito a um reajuste no meu prêmio – falei – Se eu ganhar, Azusa e eu vamos ter a limusine durante quatro semanas.
Fuuto lançou-me um olhar de raiva, mas não disse nada. Por mais idiota que fosse, ele devia saber o valor de uma aposta.
– Nenhuma objeção? – perguntou Masaomi.
Fuuto negou com a cabeça, ainda irritado. Procurei Azusa, encontrando-o ao lado do irmão na outra ponta da mesa. Ele dirigiu-me um sorrisinho discreto, como se tentasse me confortar de algum modo. Dei um meio sorriso, respirando fundo.
– Vamos começar – disse Masaomi – Eu gostaria de dizer que não tenho um favorito entre os dois candidatos, então não estou sendo parcial. Julgando apenas pelos pratos que vimos aqui, eu voto no suflê de camarão.
Fuuto abriu um sorriso perverso, engoli em seco.
– É hoje que eu ganho uma calcinha – disse Tsubaki, antes de rir – Nossa, isso soou muito estranho de minha parte.
Eu teria rido como todos os presentes, se não estivesse nervosa. Respirei fundo outra vez, tentando ficar calma.
– Me desculpe, Nina – disse Masaomi – Eu preciso ser sincero, você sabe...
– Está tudo bem, Masa – falei, cortando-o – Eu não estou com raiva, não se preocupe.
Ele não parecia ter se convencido, seu olhar deixava claro que ele estava sofrendo tanto quando eu. Tentei não parecer nervosa, mas não sei se tive sucesso.
– Vamos continuar – disse Louis, olhando para mim – Eu também estou sendo imparcial, embora não concorde com os termos que vocês propuseram. A julgar pelos pratos, eu escolho o estrogonofe grelhado.
Senti como se meu coração estivesse se derretendo, um sorriso enorme abriu-se em meu rosto. Louis sorriu de volta, claramente sincero.
– Isso é favoritismo – disse Fuuto, irritado – Eu sei que o Masaomi foi imparcial, mas o Louis só votou na Nina porque ele quer a calcinha dela.
Todos olharam para Louis, Iori franziu o cenho.
– Isso não é verdade, não diga coisas que você não entende direito – disse Louis – Eu votei por preferir o prato que a Nina fez, e você só concordou com o voto do Masaomi por ele ter favorecido você, Fuuto.
Deus, como eu amo esse homem!
– Chega de discussão, o voto já foi feito, não podemos fazer nada – disse Masaomi, suspirando – Prossiga, Iori.
Encarei Iori, ele me encarou de volta. Parecia estar um pouco sério demais, mas isso passou assim que nosso olhar se encontrou. Eu já sabia exatamente a extensão dos sentimentos dele por mim, então sabia que certamente ele estava com ciúme.
– Por mais que eu tenha gostado de ambos os pratos, apenas um foi capaz de me fazer sorrir como eu só faço ao provar a comida da nossa mãe – disse Iori, sorrindo ternamente – Nina, meu voto é seu.
Tive a impressão de estar ouvindo um “Nina, meu coração é seu”, mas resolvi deixar essa passar. Abri um sorriso enorme, vibrando um pouquinho. Iori sorriu carinhosamente para mim, eu precisava abraça-lo mais tarde.
– Muito bem, o último voto é do Subaru – disse Masaomi.
Pude sentir Fuuto se retesar ao meu lado, ele também devia estar nervoso. Engoli em seco, sentindo meu coração pular uma batida. Todas as atenções foram voltadas para Subaru, ele desviou o olhar.
– Estrogonofe – disse.
Minhas pernas agiram por conta própria, quando me dei conta, já havia corrido na direção de Subaru. Pulei em seu colo, agarrando-o com toda a força que eu tinha.
– Subaru, eu te amo! – gritei.
– Ar! – exclamou, tentando empurrar-me para longe.
Ri, estava mesmo deixando-o sem ar. Não consegui refrear meus instintos, tudo que eu queria fazer era abraça-lo. E foi o que eu fiz, relaxando um pouco meus braços de seu aperto sufocante. Deitei minha cabeça em seu ombro, suspirando carinhosamente.
– É sério, eu amo você – falei – Muito obrigada, você salvou a minha vida.
Ele não respondeu, apenas arquejou. Eu tinha completa ciência de que todos estavam tão alarmados quanto ele, mas eu não dava a mínima. Soltei-o, descendo ao chão com um sorriso elétrico. O rosto de Subaru estava completamente vermelho, ri.
– Desculpe, eu não me controlei – falei, ainda rindo.
Ele não respondeu, apenas desviou o olhar. Ri de novo, sacudindo a cabeça.
– Parabéns, Nina – disse Tsubaki.
Virei para encara-lo, ele sorria para mim com uma felicidade legítima.
– Você foi mesmo ótima, só é uma pena que eu vou precisar de mais um tempo para conseguir sua calcinha – ele disse.
Ri, sacudindo a cabeça. Estendi a mão em sua direção, tentando ser diplomática. Tsubaki revirou os olhos, puxando-me pela mão. Voei para seu peito, sendo recebida por seus braços fortes. Ri de novo, ele fez o mesmo. Sentia-me bem ali, mas não era o abraço que eu queria agora.
Afastei-me dele, sorrindo. Tsubaki soltou-me, sorrindo de volta. Olhei em volta, procurando quem eu queria. Encontrei-o parado no mesmo lugar de antes, sorria abertamente para mim. Sorri de volta, minhas pernas levaram-me até ele.
– Ei – falei.
Ele riu, parei diante de seu corpo.
– Oi, Nina – ele disse.
Sorri, mordendo o lábio.
– Foi por sua causa, sabia? – falei, rindo pelo nariz – Eu teria perdido se você não tivesse me ajudado, muito obrigada por tudo.
Azusa sorriu, abrindo os braços como um convite silencioso. Sorri de volta, afundando-me em seu abraço. Era quente ali, confortável. Eu nunca o abraçara daquele jeito, de um modo tão certo. Aquilo na cozinha não contara, não teve nem mesmo uma fração do carinho que esse novo abraço tinha.
– Eu que agradeço – ele disse, pude sentir um sorriso em sua voz – Você foi ótima, teve muita maturidade e responsabilidade.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Eu quase matei o Subaru sufocado e quase decepei meu próprio dedo, você chama aquilo de maturidade? – perguntei.
Ele riu, suspirei. Minhas mãos encontravam-se nas costas de Azusa, as dele seguravam minhas costas como se eu fosse um bebê.
– Eu sei que não devia, mas você me deixou tão orgulhoso que eu não ligo para o racional neste momento – disse Azusa – Você merece uma taça de vinho.
Pisquei, afrouxando nosso abraço. Afastei-me dele o suficiente para poder encarar aqueles olhos violetas, meu corpo inteiro transpirava incredulidade.
– Verdade?! – perguntei.
Azusa riu de meu entusiasmo, mordi o lábio.
– Você mereceu – ele disse – Será apenas uma, e eu vou ficar de olho em você durante o resto da noite.
Ri pelo nariz, pulando em seu corpo. Ele ofegou de surpresa, mas segurou-me para que eu não caísse no chão. Abracei sua cintura com as pernas, pendurando-me nele como um macaco.
– Obrigada, Azusa! – exclamei.
Ele riu, abraçando-me carinhosamente. Ri de novo, suspirando alegremente.
– Você é demais, irmão – murmurei, apenas ele podia me ouvir – Eu realmente amo você.
Azusa não disse nada, apenas abraçou-me com mais força. Impulsionei meu corpo para baixo, ele deixou que meus pés tocassem o chão. Encarei seu rosto, sorrindo de lado.
– Você também merece um prêmio – falei.
Seus olhos brilharam por trás daquelas lentes, senti meu coração se aquecer.
– O que seria? – perguntou.
Sorri, aproximando-me dele.
– Isso – falei, no momento em que o beijei.
Azusa se retesou minimamente, mas logo relaxou. Algo que diz que ele queria aquilo tanto quanto eu, mas era tímido demais para fazê-lo. Meu corpo estava aquecido pelo momento, mas a parte mais quente era a minha boca. Sua pele era macia, eu parecia ter grudado nele como chiclete. Sua bochecha quente e imaculada parecia não deixar meus lábios se afastarem, fechei os olhos. Azusa me abraçou, ajudando-me a beijar seu rosto. Demorei-me mais alguns segundos naquele beijo, tentando passar-lhe todo o amor que enchia meu coração naquele momento. Por fim, meus músculos faciais não aguentaram mais aquela posição, e eu desfiz meu beijo. Afastei-me de Azusa o suficiente para ver que ele corava, o que me fez rir de leve.
– Obrigado, Nina – ele disse.
Sua voz saiu bem baixinha, aquele som me fez suspirar.
– Não há de que – respondi.
Ele sorriu, feliz. Sorri de volta, soltando-me dele. Senti uma sensação de abandono enorme quando saí de seus braços quentes e acolhedores, mas sabia que aquilo não podia durar para sempre. Afastei-me de Azusa, arriscando olhar em seu rosto por um segundo. Ele ainda sorria, suas bochechas ainda estavam vermelhas. Ele ficava simplesmente adorável daquele jeito, mordi o lábio.
– Acho que eu também mereço um abraço, estou errado? – disse uma voz.
Virei o rosto, encontrando a figura de meu irmão cabeleireiro olhando para mim. Sorri, indo até ele sem nem hesitar. Louis sorriu, abrindo os braços para me receber. Afundei-me em seu abraço, soltando um muxoxo de felicidade.
– Ah, Louis – falei, feliz – Eu tive um tia tão bom.
Ele deu uma risadinha, afagando minhas costas carinhosamente.
– Que bom saber disso, passei o dia inteiro pensando em como estaria sendo seu dia – ele disse, suspirando – Estou vendo que você e Azusa estão muito próximos, isso aconteceu esta tarde?
Ele soava tranquilo, mas pude sentir um leve traço de ansiedade em sua voz. Suspirei, ele esperou minha resposta.
– Foi, aconteceu esta tarde – respondi, suspirando – Eu estou feliz, Louis, muito feliz.
Ele sorriu, abraçando-me com um pouco mais de firmeza.
– Que bom – ele disse.
Sorri, respirando fundo. Afastei-o, ele pareceu não entender.
– Nos falamos depois, tem outra pessoa que eu preciso cumprimentar – falei.
Louis franziu o cenho por uma fração de segundo, mas logo sorriu.
– Pode ir – ele disse.
Ele não parecia muito convincente, mas eu resolvi não ligar. Soltei-me dele por completo, lançando-lhe um sorrisinho. Louis suspirou, dirigindo-me um sorriso mínimo. Dei-lhe as costas, dirigindo-me até o rapaz que me observava desde cedo. Ele sorriu ao perceber minha aproximação, sorri de volta.
– Olá, Nina – ele disse.
Suspirei, sua voz doce parecia massagear meus ouvidos.
– Oi, Iori – falei.
Ele sorriu abertamente, transbordado graça.
– Você foi magnífica, eu realmente adorei seu estrogonofe – ele disse.
Sorri, desviando o olhar de leve.
– Bom, a maior parte do mérito é do Azusa, ele fez quase tudo sozinho – contei – Eu me cortei e não pude fazer muito, ele foi realmente incrível.
Soltei uma risadinha sem graça no fim da frase, não me orgulhava daquilo. Eu fora desafiada e tivera que me apoiar no meu irmão já que fui tão burra a ponto de cortar meu dedo, e além de assumir quase toda a tarefa, Azusa ainda cuidara do meu machucado. Ele merecia o crédito, sem dúvida alguma.
– Vocês passaram a tarde toda juntos? – perguntou Iori.
Virei meu rosto em sua direção, ele fitava-me intensamente.
– Boa parte, sim – respondi.
Iori estava quase sem expressão, como se eu tivesse dito algo muito banal para sequer atrair sua atenção.
– Ele te fez isso? – perguntou.
Sua mão pegou a minha mão ferida, puxando-a delicadamente em sua direção. Senti uma fisgada de dor em meu corte, fiz uma careta.
– Não, isso foi por culpa minha – respondi.
Iori me olhou nos olhos, ainda sem expressão.
– Eu me referia ao curativo – ele disse.
Pisquei, ele esperou. Ri pelo nariz, desviando o olhar até minha mão.
– Sim, ele fez o curativo – falei – Me desculpe, eu não tinha entendido.
Iori não riu, apenas fixou seu olhar em meu dedo.
– Ele colocou até um fixador – comentou, distante.
Fiz uma careta, encarando meu dedo.
– Ele disse que estava muito feio para deixar aberto, então colocou isso – falei.
Iori suspirou, parecia quase pesaroso.
– Eu devia estar aqui, eu cuidaria de você – ele disse.
Iori deu um suspiro pesado, quando triste. Pisquei, engolindo em seco.
– Não foi nada demais, eu só não prestei atenção onde devia e acabei me cortando, não é um problema grande – falei – Mas, se te deixar melhor, eu prometo que vou deixar você cuidar do meu próximo machucado.
Iori riu, lançando-me um olhar terno.
– Espero que você não precise cumprir essa promessa, eu jamais poderia pedir que você se machuque por mim – ele disse – Mas eu estou me sentindo melhor, obrigado.
Ri um pouco, ele me acompanhou. Seu corpo aproximou-se do meu, aproximei-me dele por instinto.
– Dói? – perguntou.
Assenti, Iori aproximou-se ainda mais. Estávamos quase abraçados agora, eu podia senti o calor que ele emanava me aquecer.
– Muito? – perguntou.
Neguei com a cabeça, Iori ergueu o olhar.
– Posso cuidar de você do meu jeito? – perguntou.
Assenti, sentindo um pequeno sorriso espalhar-se em meu rosto. Iori sorriu de volta, levando sua boca até meu dedo machucado. Ele depositou um suave beijo em meu curativo, senti o calor de seus lábios atingir meu corte. Meus pelos se eriçaram um pouco, senti algo completamente inexplicável me atingir: Um calor entre as pernas.
Arregalei os olhos, assustada com minha própria reação. Iori parou de beijar meu dedo ferido, erguendo o olhar lentamente. Nosso olhar se encontrou, ele deu um meio sorriso.
– Meu amor vai cura-la, minha querida Nina – ele disse, quase ronronando para mim.
Meus pelos se eriçaram de novo, o calor entre minhas pernas ficou mais forte. Iori deu uma risadinha ao ver minha reação, engoli em seco.
– Te deixei eriçada? Mil perdões – ele disse.
Iori soltou minha mão, apenas para envolver-me em seus braços. Pisquei, sua boca roçou-se em minha orelha esquerda.
– Anseio muito para fazê-la sentir todo meu amor, minha querida – disse, sussurrando em minha orelha – Esse pequeno beijo é apenas uma fração do carinho que eu vou te dar um dia, eu prometo.
Meu corpo inteiro tremeu, meu coração pulou uma batida. Iori riu baixinho, levando seus lábios até minha bochecha sem desgruda-los de minha pele em momento algum. Ele depositou um beijo em minha bochecha, demorando-se bastante no ato. O calor de seus lábios parecia esquentar meu corpo inteiro, senti-me como se estivesse sendo cozida.
– Onee-chan! – berrou uma voz.
Dei um pulinho, assustando-me. Iori se retesou, encerrando seu beijo por livre e espontânea pressão.
– Onee-chan, brinca comigo? – perguntou Wataru.
O pequeno atirou-se em meus braços, quase me derrubando. Ofeguei, dando três passos para trás para não cair no chão. Wataru apenas sorria, fincando seu queixo no meio dos meus seios e inclinando a cabeça para cima.
– Responde, onee-chan – ele disse, rindo graciosamente – A onee-chan vai brincar comigo?
Abri a boca para responder, mas ainda estava sem fôlego. Iori parecia ter saído de um transe, nosso olhar se encontrou. Devo estar estampando em meu rosto o quanto ele mexia comigo nesse exato memento, já que ele parecia estar contente consigo mesmo.
– Onee-chan, fala comigo! – insistiu Wataru, enterrando a cara nos meus peitos como uma toupeira entra em seu buraco.
– Para, Wataru! – guinchei.
Ele riu, desenterrando a cara e lançando-me um olhar maroto.
– Descobri como chamar a atenção da Onee-chan – disse.
Ele deu um sorrisinho perverso, engoli em seco.
– Quem é você e o que fez com meu irmãozinho? – perguntei.
Wataru riu, abraçando-me com força outra vez.
– Eu amo a minha onee-chan, amo muito – disse.
Arquejei, rindo pelo nariz. O pequeno riu, soltando-me para poder agarrar minha mão boa.
– Vem, onee-chan – ele disse.
Deixei-me ser puxada por Wataru, rindo pelo nariz. Nem me importei em me despedir dos outros, tinha outros momentos para viver agora.
E eu sei que ia me divertir com aquilo.
IMAGEM ESPECIAL.
Subaru Asahina (Eu pegava).

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