The New Girl in the House
21 Lingerie
Notas iniciais
– Para de rir, não teve a menor graça! – berrei.
Não causei o menor efeito, Fuuto ainda ria como se sua vida dependesse daquilo.
– Você... É... Muito... Idiota! – exclamou, rindo a cada nova palavra.
Bufei, cruzando os braços acima dos seios com força.
– Eu não acredito, eu não acredito! – disse Fuuto, tentando respirar – Meu Deus, que garota idiota!
Bufei outra vez, tentando correr para dentro de casa. Fuuto me seguiu, é claro. Essa é uma das desvantagens de morar na mesma casa que uma pessoa que está zombando de você, você não tem para onde fugir.
– Tira o braço da frente, eu quero ver de novo – disse ele, dando um sorriso perverso.
Revirei os olhos, tentando empurrar a porta com o quadril. Não deu nada certo, eu precisaria girar a maçaneta para isso.
– Abre a porta – mandei.
Fuuto negou com a cabeça, encostando-se à parede e cruzando os braços.
– Vai ter que abrir, se quiser entrar – ele disse – Anda, eu já vi eles mesmo, o que custa?
Rosnei de raiva, chutando a porta com força.
– Me deixa entrar! – berrei.
Fuuto riu, mas não tentou me impedir. Continuei chutando a porta até que ela foi aberta pelo lado de dentro, revelando meu irmão mais velho com uma cara muito confusa e exasperada.
– Nina? O que deu em você? – perguntou, franzindo a testa – Por que está chutando a porta?
Forcei um sorriso, lançando-lhe um aceno de cabeça.
– Oi Masa, é ótimo ver você também – falei – Me deixa entrar, por favor.
Ele parecia um pouco irritado, ainda confuso. Fuuto ainda ria, zombando de mim.
– Por que você estava chutando a porta? – perguntou Masaomi, sério.
Mordi a língua para não chamar um palavrão, se não fosse o Masaomi, eu já teria passado por ele com um empurrão.
– Eu queria que alguém abrisse a porta, esse idiota aqui do meu lado se recusava a abrir – respondi, dando um sorriso falso – Vai me deixar entrar agora?
Ele me encarou, firme.
– Por que você mesma não abriu a porta? – perguntou.
Cara, o meu pé estava coçando para dar-lhe um belo chute nos bagos. Respirei fundo, tentando recuperar meu controle.
– Eu não posso descruzar meus braços – respondi.
Ele passou de irritado a confuso, Fuuto ainda ria.
– Essa idiota veio o caminho inteiro me mostrando os peitos, foi uma delícia – zombou.
Masaomi arregalou um pouco os olhos, rosnei de raiva.
– Cala a boca, idiota! – falei, rosnando de novo – Masa, me deixa entrar, por favor!
Minha voz saiu tão irritada que ele resolveu não responder, Masaomi saiu da minha frente. Entrei em casa, andando pesadamente até a sala de estar. Nem percebi as malas na entrada da sala até tropeçar em uma delas, quase indo beijar o chão.
– Nina! – exclamou uma voz alegre.
Pisquei, erguendo o rosto depois de me equilibrar com muita dificuldade.
– Mãe? – chamei.
Miwa riu, abrindo os braços e vindo em minha direção. Abri um grande sorriso, quase obedecendo meus instintos e abrindo meus braços para abraça-la.
– Olha os peitinhos, niña – disse Fuuto, aparecendo atrás de mim.
Forcei meus braços a voltarem para seu lugar, apertando-os com força outra vez. Miwa franziu o cenho, confusa.
– Por que não dá um abraço na sua mãe? Achei que ficaria feliz em me ver – ela disse.
Soltei um muxoxo, querendo enfiar a cabeça em um buraco.
– Mãe, é claro que eu estou feliz em te ver, como não estaria? – falei – Mas eu não posso abrir os braços.
Ela piscou, confusa. Percebi um pouco tarde demais que todos os Asahina estavam ali, até mesmo os que moravam sozinhos. A chegada de Miwa parecia ser um evento importante, até mesmo Natsume estava lá, e sorrindo.
– Como assim? Você machucou o braço? – perguntou Miwa, confusa.
Neguei com a cabeça, Fuuto riu, atirando o braço em meus ombros.
– Eu explico, prestem bem atenção – ele disse, abrindo um grande sorriso perverso.
– Fuuto, cala a boca – falei.
Ele me ignorou, senti os olhares de todos os presentes em nós dois.
– Essa cidadã aqui é a criatura mais burra que eu já vi, isso é a maior certeza que eu tenho na vida – começou – Ela é a primeira pessoa que eu conheço que consegue quebrar o bebedouro, molhar o uniforme todo e ainda vir para casa pagando peitinho sem nem perceber.
Eu teria batido nele, se não estivesse com os braços ocupados. Meus irmãos estavam boquiabertos, Miwa riu.
– Me conta essa história direito – mandou.
Ela sentou-se no braço do sofá, cruzando os braços em me encarando. Fuuto abraçou-me com mais força, olhando-me como se eu fosse seu bem mais precioso. Trinquei os dentes, todos aguardavam minha explicação.
– Eu saí com pressa do vestiário depois da aula prática de educação física e esqueci de vestir meu sutiã, e quando estava saindo da escola, decidi beber água no bebedouro – contei, encarando o chão – Eu bati com muita força em algum lugar, a água espirrou na minha cara e molhou minha roupa todinha. O resto vocês podem deduzir, não é difícil.
A reação foi quase imediata, todos ficaram incrédulos. Fuuto explodiu em uma risada, sendo seguido por Tsubaki, Kaname, Hikaru, Yusuke, Miwa e até mesmo Louis. Fiz uma careta, querendo mais uma vez enterrar a cara em um buraco.
– Eu não entendi – disse Wataru.
Todos olharam para ele, o pequeno parecia mesmo confuso.
– Simples, pirralho – disse Fuuto – A sua onee-chan me fez ficar a viagem inteira da escola até aqui apreciando os mamilos dela, eles estavam tão rígidos de frio que eu até fiquei duro.
Ema exclamou alto, cobrindo a boca com a mão. Meus irmãos me encararam, meu olhar vagou até o ventre de Fuuto. Ele estava mesmo... Duro.
– Que horror – disse Miwa, se abanando com a mão – Eu quero meu abraço agora.
Arregalei os olhos, ela riu da minha cara.
– Mãe, eu não acho que isso seja apropriado – disse Iori.
Ele parecia tão indignado quanto eu, pelo menos um.
– Deixe a Nina trocar de roupa, assim não acontece nenhum imprevisto – disse Azusa – Depois ela abraça você, mamãe.
Agora éramos três no hall da indignação, agradeci mentalmente pela existência dos dois.
– E que mal tem nisso? Tudo mundo aqui já viu os seios de uma garota – disse Kaname.
Arregalei os olhos, ele piscou para mim.
– Eu concordo, mas deixo essa escolha com a Nina – disse Miwa, lançando-me um olhar conspirador – Você vai dar um abraço na mãe que está morrendo de saudades de você ou vai colocar uma roupa segura e descruzar esses braços?
Droga, eu odiava quando me colocavam contra a parede. Todos me encararam, e mesmo que tentassem disfarçar, estavam loucos de expectativa.
– Mãe, eu proponho algo melhor – disse Ukyo – Nina troca de roupas e depois abraça a senhora.
Uma onda de emoção me tomou, eu teria abraçado Ukyo, se não estivesse naquele dilema. Miwa sorriu para o filho, esperamos.
– Tenho muito orgulho do meu advogado favorito – ela disse.
Ukyo corou um pouco com aquilo, aquela visão me fez quase rir. Miwa me encarou, assentindo de leve.
– Obrigada – falei, transbordando alívio – Volto em um segundo.
Ela deu uma risadinha, assentindo rapidamente. Disparei pela sala, dirigindo-me às escadas com pressa. Pulei três degraus de cada vez, quase me desequilibrando e caindo. Meus braços se moveram sozinhos, segurei-me no corrimão com força.
– Ponto para a escada! – disse Tsubaki.
Os outros riram, trinquei os dentes. Terminei de subir, correndo até meu quarto. Passei o caminho todo com os braços soltos, não havia ninguém ali em cima. Entrei no meu quarto, fechando a porta apenas por instinto. Apressei-me a pegar roupas secas, parando na frente do espelho para contemplar o desastre.
Meus mamilos estavam mesmo em evidência, rígidos pelo frio. Eu só percebera que havia esquecido de vestir o sutiã quando Fuuto me dissera, mas eu já tinha exibido meus peitos para praticamente metade da escola. Senti-me uma maldita por ter rido por Yelisei ter esquecido de vestir as calças, o mundo era mesmo um lugar justo.
Terminei de catar minhas coisas e saí do quarto, rumando para o banheiro na velocidade da luz. Cobri meus seios com a toalha, nunca se sabe quando um irmão vai aparecer no caminho das pessoas. Cheguei ao banheiro, entrando e preparando-me para o banho mais rápido da história. Fui mesmo rápida, mesmo precisando lavar os cabelos por conta da água que espirrara em mim. Eu tinha sorte por ninguém ter visto o momento em que eu quebrei o bebedouro, ou eu estaria cumprindo alguma punição com os mamilos à mostra agora mesmo.
Sequei-me com minha toalha, passando meu hidratante corporal. Vesti minhas roupas na velocidade da luz, finalizando o que eu tinha para fazer no banheiro e tratando de sair logo dali. Corri até meu quarto, jogando tudo em cima da cama e correndo para as escadas sem parar para respirar. Desci os degraus aos pulos, quase desabei quando terminei.
– E o novo recorde é de dez minutos e quarenta e três segundos – disse Kaname, consultando o relógio de pulso que Ukyo estava usando.
Tentei rir, saiu como um ganso com asma.
– Vou ganhar meu abraço agora? – perguntou Miwa.
Assenti, recompondo-me da melhor maneira possível. Ela ergueu-se do sofá, vindo até mim com os braços abertos. Retribuí seu gesto, abraçando-a assim que ficamos próximas o suficiente. Fomos agraciadas por uma salva de palmas oferecida por Tsubaki, Kaname, Hikaru, Masaomi, Louis e Fuuto, os outros apenas sorriram ao ver a cena. Soltei Miwa devagar, ela sorria calorosamente para mim.
– Senti sua falta, querida – ela disse.
– Eu também, mãe – respondi.
Ela sorriu ainda mais, soltando-me por completo.
– Milão é linda, vou levar você e a Ema comigo da próxima vez – ela disse, seus olhos brilhavam – Vamos passar o dia inteiro no shopping outra vez, estou louca para repetir a experiência.
Ri, assentindo devagar. Miwa parecia muito feliz ao ver minha reação, Ema apenas sorriu de leve.
– Onee-chan! – berrou Wataru.
Dei um pequeno pulinho, eu ainda me assustava com aqueles seus ataques repentinos. O pequeno correu em minha direção,abri meus braços por instinto.
– Vamos brincar hoje, onee-chan? – perguntou, abraçando-me.
Sorri, carregando-o com habilidade.
– Vamos sim, minha hiena – respondi.
– Yay! – berrou, rindo alegremente.
Ri, balançando-lhe devagar. Nossos irmãos observavam a cena, colei a bochecha de Wataru contra a minha.
– Vocês dois se dão muito bem – disse Miwa.
Assenti, por mais óbvio que aquilo fosse. Ela não convivia conosco todos os dias, deve ser por isso que ela ainda não estava habituada a ver Wataru me agarrar.
– Eu preciso ir, tenho uma reunião em uma hora – disse uma voz séria.
Virei meu rosto na direção de Natsume, ele ergueu-se do sofá. Miwa aproximou-se do filho, eles se abraçaram durante uns três segundos. Sorri ao ver a cena, ela bagunçou um pouco o penteado sempre impecável de Natsume.
– Tome cuidado no caminho, não quebre nenhum bebedouro da sua empresa – disse Miwa.
Ele riu um pouco, mordi o lábio com aquela visão. Eu já tinha visto Natsume rir durante a festa de halloween da semana passada, mas aquela era a primeira vez que eu ouvia sua risada. Era linda, grave e poderosa, igualzinho sua voz.
– Até mais – ele disse, dirigindo um aceno de cabeça aos irmãos.
Os outros 12 Asahina acenaram brevemente, como se estivessem executando um movimento ensaiado. Senti vontade de rir, Natsume encaminhou-se à saída. Ele virou o rosto em minha direção quando passou por mim, interrompendo sua saída.
– Nos vemos no sábado? – perguntou.
Ele disse aquilo em voz baixa, mas todos ouviram. Sua voz saíra como um ronronar de leão, senti meus pelos se eriçarem.
– As sete – completei.
Ele abriu um pequeno sorriso ao ouvir minha resposta, parecia estar contente por saber que eu lembrara de nossa conversa da sexta passada. Eu tinha uma péssima memória, mas só haviam passado três dias desde então, e eu não esquecia de coisas muito importantes.
– Até sábado, então – ele disse.
– Até – respondi.
Ele deu um meio sorriso, parecia sem saber o que dizer. Senti Wataru se revirar em meu colo, ele virou seu rostinho na direção de Natsume. Os dois se encararam por um segundo, Wataru exibia uma expressão muito séria e firme. Estremeci, Natsume se retesou. Wataru encarou-o daquela maneira até que Natsume pigarreou, sacudindo a cabeça e retomando seu caminho. Ouvi a porta da frente bater, Wataru relaxou.
– Onee-chan, vamos brincar agora? – perguntou, sua voz saiu bem manhosa.
Pisquei, rindo pelo nariz. Ele tinha talento, pude sentir a presença de mais um ator mirim na família.
– Depois vocês brincam, eu quero um tempo de qualidade com minhas duas filhas, e tem que ser agora – disse Miwa.
Ela tirou o pequeno de meu colo e colocou-o no chão, deixando-nos com expressões de desolação copiosas no rosto.
– Vamos, Nina e Ema – disse Miwa – Hikaru, me ajude com essas malas.
– Claro, mamãe – disse Hikaru.
O quarto filho ergueu-se de onde estava sentado, observei-o carregar duas daquelas malas enormes como se estivesse segurando suas pastas leves. Pisquei, ele piscou para mim. Miwa puxou-me pela mão, fazendo o mesmo com Ema. Nós quatro subimos as escadas, Miwa guiou-nos até o quarto de Ema. A garota abriu a porta, parecia um pouco desconcertada. Revirei os olhos, lançando-lhe um sorriso gentil. Ela era mais velha do que eu, mas eu sentia como se Ema fosse minha irmãzinha.
– Ponha as malas na cama, Hikaru – mandou Miwa.
Ema se encolheu um pouco, Miwa pareceu não ter percebido que estava invadindo o espaço particular da garota.
– Mãe, podemos fazer isso no meu quarto? – perguntei, chamando a atenção de todos – Não quero bagunçar o quarto da Ema, o meu já está um a bagunça mesmo, eu posso aproveitar para dar uma organizada.
Miwa me olhou, Hikaru lançou-me um olhar indagador.
– Pode ser, melhor assim – disse Miwa, acenando rapidamente – Vamos lá.
Assenti, ela saiu pela porta. Ema sussurrou um agradecimento mínimo, sorri. Saímos do quarto dela, rumando para o meu. Hikaru ficara para trás, ele estava vestido como um homem hoje, então aquilo estava mesmo embaraçoso.
– Vamos logo, meninas – disse Miwa – Eu quero que vocês provem tudo que eu comprei, só assim saberemos se vai ficar bom.
Sorri com a ideia, por menos interessante que a moda parecesse para mim, eu adorava fazer aquilo com minha falecida mãe.
Miwa abriu a porta do meu quarto, entrando rapidamente. Ema e eu seguimos ela para dentro, com Hikaru em nossos calcanhares.
Meu quarto estava minimamente arrumado, mas tinham algumas roupas jogadas em cima da minha cama. Alguns livros estavam jogados por cima da mesinha de cabeceira da cama, algo que eu precisava ler por conta da escola. Tinha uma calcinha jogada em cima do meu abajur, eu não me importaria, se ela não fosse semelhante a uma cortina antiga.
– Que bagunça! – disse Miwa.
Dei um sorriso amarelo, correndo para esconder aquela calcinha. Pelo menos ela estava limpa, eu usava ela apenas para limpar a tela do meu celular.
– Parece que um furacão passou por aqui – comentou Hikaru.
Ele riu, olhando em volta com os olhos parcialmente arregalados. Ema mordia o lábio, constrangida.
– Você precisa arrumar seu quarto, Nina – ela disse.
Semicerrei os olhos, ela encarou o chão. Eu estava passando por aquilo para ajuda-la e é assim que ela me agradece? Não se fazem mais irmãs maiores como as de antigamente.
– Muito bem, vamos bagunçar isso aqui mais ainda, então não tem problema – disse Miwa, batendo palmas duas vezes – Malas na cama.
Hikaru assentiu, dirigindo-se à minha cama. Ele sorriu para ao andar, sorri para o chão, um pouco constrangida. O quarto filho depositou as malas em cima da minha cama, chutei um par de sapatos para o lado para que ele não tropeçasse em sua volta. Ele riu daquilo, sacudindo a cabeça.
– Quer que eu saia, mamãe? – ele perguntou.
Miwa franziu as sobrancelhas, Ema desviou os olhos.
– Por quê? – perguntou Miwa, encarando o filho.
Ele olhou-me rapidamente, esperei.
– Nina não deve estar acostumada a ter homens no quarto dela, eu vocês vão brincar de desfile, não vão querer privacidade? – ele disse.
– Ah, entendi – disse Miwa – Bem, é escolha da Nina.
Os três olharam para mim, dei um meio sorriso.
– Pode ficar, se quiser – falei, afagando meu braço – Não é o primeiro homem a entrar aqui mesmo, eu não me importo com essas coisas.
Ema pareceu um pouquinho surpresa, Hikaru riu. Miwa me encarou, sua expressão era completamente desesperadora.
– Qual é o homem que entra aqui? – ela perguntou.
Mordi o lábio, percebendo o quão anormal aquilo soara.
– Wataru, Masaomi, Louis, Fuuto – respondi, tentando contar mentalmente – Que eu tenha visto, são só eles. Mas minha roupa suja desaparece do nada, eu tenho certeza de que eu não sou sonâmbula e as levo para a lavanderia no meio da noite.
Hikaru riu, Miwa deu um sorriso.
– Ukyo cuida das roupas – disse Ema – Talvez seja ele quem leva suas roupas.
Sorri, sacudindo a cabeça.
– Eu vou ter que agradecê-lo depois – comentei.
Miwa riu, Ema e Hikaru sorriram de leve.
– Chega de enrolar, vamos aos presentes – disse Miwa, avançando sobre as malas.
Esperei enquanto ela abria uma delas, a mala azul. Ema jogou o peso do corpo para a perna direita, afagando o próprio braço.
– Senta aqui, Ema – falei.
Dei duas batidinhas na cadeira da minha escrivaninha, a garota deu um sorrisinho.
– Obrigada – ela disse.
Dei de ombros, sorrindo. Ela sentou-se perto de mim, Miwa tirou um vestido azul de dentro da mala.
– Esse é da... – disse, pensando por um segundo – Ema.
Ela estendeu o vestido à Ema, a garota pegou-o de forma encabulada.
– Obrigada, Miwa – ela disse.
Miwa fez um rápido gesto, piscando.
– Deixe para agradecer depois, ainda tem muita coisa para ser entregue – ela disse, dando uma risadinha.
Sorri, ela voltou-se para a mala outra vez.
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– Agora é a vez das lingeries! – anunciou Miwa, batendo palmas.
Ri um pouco de seu entusiasmo, tentando achar meus próprios braços. Miwa havia soterrado-me com roupas e mais roupas italianas, eu não conseguia respirar direito. Ema não estava em melhores condições, a garota mal conseguia conter o volume das roupas que ganhara. Vários pares de sapato estavam jogados por perto da minha cama, eu não conseguia entender como Miwa conseguira colocar tanta coisa em apenas uma mala.
– É uma mala só para as lingeries? – perguntou Ema, um pouco alarmada.
Miwa deu uma risadinha malvada, agora que sei de quem Fuuto havia puxado isso.
– Exato, querida – ela disse – Eu trouxe muitos sutiãs, espero que ninguém esqueça de usa-los.
Ela lançou-me um olhar sugestivo ao dizer aquilo, soltei um muxoxo.
– Foi um acidente! – falei, jogando os braços para o alto.
Alguns vestidos caíram no chão quando fiz aquele movimento, Miwa riu.
– Eu sei, querida – ela disse – Eu adoro constranger vocês!
Agora eu sei de quem Tsubaki e Kaname puxaram aquilo, Miwa parecia a junção dos filhos mais malucos.
– Er... Miwa – disse Ema, encarando o chão – Temos que ver as lingeries com o Hikaru aqui?
Ela parecia muito desconcertada, talvez porque o quarto filho não parava de encarar a mala das lingeries.
– Sim, vamos precisar dele – disse Miwa – Hikaru vai ser nosso consultor, ele é o único dessa família que consegue encarar um espartilho sem ficar dando em cima de vocês duas.
Hikaru assentiu, dando um sorriso contido. Pude ler muitas coisas naquele sorriso, mas não vi nenhum sinal de atrevimento.
– Eu acho que o Louis também não ia ficar dando em cima de nós – comentei.
Hikaru riu, até mesmo Ema deu uma risadinha.
– Do que vocês riram? Eu contei alguma piada? – perguntei, franzindo a testa.
Hikaru riu ainda mais, Ema mordeu o lábio para não rir alto.
– Louis já está comprometido, corte ele da sua lista – disse Hikaru.
Trinquei os dentes, Hikaru riu ao perceber minha reação.
– Não é esse tipo de comprometimento, não me leve a mal – ele disse, encarando-me fixamente – Eu quis dizer que não vai ser imparcial, ele está comprometido porque não ia conseguir ficar neutro.
Miwa franziu a testa, Ema riu baixinho.
– Eu lhe conto tudo depois, mamãe – disse Hikaru.
Miwa assentiu, olhando-me rapidamente. Louis me parecia perfeitamente imparcial, ele tratava-me do mesmo modo que tratava Ema, eu acho. Eu nunca vira os dois juntos, em geral, quando vejo Ema, ela está sempre com Yusuke ou Subaru. Louis não daria em cima de nós duas, ele apenas nos encheria de elogios. Acho que Iori faria o mesmo, mas eu estava tentando manter certa distância dos dois desde a festa de halloween. Iori me dera uma flor que era uma declaração de amor, e Louis tentara me beijar várias e várias vezes. Eu fiz as pazes com ambos no outro dia, mas ainda estava um pouco receosa.
– Nina, o que acha? – perguntou Miwa.
Pisquei, dando um pequeno pulinho. Ela já havia exposto metade do conteúdo da mala, os três olhavam para mim.
– Sobre o que? – perguntei.
Hikaru revirou os olhos, Ema deu uma risadinha.
– Você estava viajando mesmo, pensando em alguém especial? – perguntou Miwa.
Ela encarava-me de modo malicioso, engoli em seco. Eu devia parar de pensar nos meus irmãos daquela forma, já que o único que dominava meu coração era Akira.
Akira, meu namorado. Só em pensar naqueles olhos azuis, meu corpo se arrepiou de imediato. Ele me perguntara tudo sobre aquela festa, e eu contei-lhe quase tudo. Omiti as partes em que Kaname e Tsubaki me atacaram, assim como omiti a parte em que Ukyo tocara piano para mim. Omiti as cantadas de Fuuto, assim como omiti a parte em que eu bebi Martini. Omiti sobre os beijos falhos de Louis, e nem mesmo pensei em contar sobre a declaração de Iori. Não era a primeira vez que eu omitia partes da minha relação com os meninos, e aquilo deixava um peso terrível em meu peito. Eu não queria que Akira ficasse com ciúmes, e se ele soubesse de tudo isso, meus treze irmãos seriam assassinados sem nenhuma misericórdia.
– Não, não estou pensando em ninguém – menti, dando um sorriso sínico.
Os três me encararam, céticos. Desviei meu olhar até as lingeries que estavam espalhadas na cama, fingindo ter mais interesse nelas do que vontade de continuar pensando em meu namorado ciumento.
– Essas são da Ema? – perguntei, erguendo uma calcinha mínima com meu dedo indicador.
A garota corou, Hikari riu. Aquilo os distraiu com maestria, comemorei internamente.
– Isso mesmo – disse Miwa, abrindo um sorriso enorme – Agora ela arruma um namorado, ou eu não me chamou Miwa.
Explodi em uma risada, Ema corou como os cabelos de Yusuke. Hikaru riu, Miwa sorriu de forma satisfeita.
– N-não diga isso – gaguejou Ema, seus olhos estavam arregalados.
Ri ainda mais, ela ficara completamente fofa quando corava daquele jeito. Acho que sei por que Yusuke era apaixonado por ela, Ema era uma garota adorável.
– Ei, não ria até ver as suas – disse Miwa, apontando para mim com seu dedo – Não zombe da pobrezinha da Ema, você é uma garota muito malvada.
Fiz um biquinho, tentando parar de rir. Eu sabia que Miwa tinha dito aquilo como uma brincadeira, mas não pude deixar de sentir pena de Ema por culpa minha.
– Desculpa, Ema – falei, afagando o ombro da garota – Eu deixo você rir das minhas.
Ela deu um pequeno sorriso, ainda muito constrangida. Hikaru analisava-me profundamente, tentei relevar aquilo ao ver que Miwa encarava-me com um sorriso louco.
– Vamos para as suas – ela disse.
Assenti, mordendo o lábio. Miwa agarrou vários conjuntos de roupas intima e jogou-os em mim, me afoguei em renda italiana. Tossi, tentando respirar. Os três riram, ri junto com eles.
– Mãe! – protestei.
Miwa riu, seu sorriso era quase maldoso.
– Vamos escolher juntos a lingerie que você vai usar no sábado – ela disse, esfregando as mãos.
Franzi as sobrancelhas, finalmente conseguindo me livrar da pilha de lingeries.
– Por que? – perguntei.
Ela riu, Hikaru e Ema se entreolharam.
– Esperta e inocente, os homens adoram isso – disse Miwa – Seu encontro com Natsume merece algo especial.
Arregalei os olhos, ela riu da minha reação.
– Natsume e eu não vamos ter um encontro! É só um jantar de irmãos – falei, engolindo em seco – Tudo bem, vamos ser só nós dois, mas não vai ser um encontro.
Hikaru revirou os olhos, Ema deu uma risadinha.
– Natsume não costuma sair com mulheres com muita frequência, só quando quer leva-las para a cama – disse Hikaru.
Arregalei os olhos, assim como Ema. Miwa riu, remexendo a minha pilha de lingeries.
– Isso é verdade, então é bom você ainda ter aqueles preservativos – ela disse, sem me olhar – Vamos escolher algo bem especial, só tente não matar meu filho.
Escondi meu rosto nas mãos, gemendo.
– Ele não quer me levar para a cama! – berrei.
Confesso, foi alto demais. Aposto que até mesmo os irmãos que estavam no térreo escutaram, aquilo não me ajudou a me acalmar.
– Quem sabe – disse Hikaru.
Estiquei a pele do meu rosto, grunhindo com se estivesse sendo pisoteada.
– Somos irmãos, pelo amor de Deus! – falei.
Miwa revirou os olhos, bufei.
– Vocês não são irmãos de sangue, não tem problema nenhum – ela disse – Eu já disse que queria ver a Ema com o Masaomi e você com o Iori, mas também acho que você combina com o Natsume.
Bati na minha cara, causando um estalido alto.
– Mãe, eu tenho um namorado! – falei.
Saiu sem querer, só percebi que tinha dito aquilo quando Ema exclamou de surpresa. Arregalei os olhos, sentindo meu corpo congelar de medo.
– Eu sei disso há tempos, não me chame de idiota – bufou Miwa.
Pisquei, erguendo meu olhar. Ela olhava-me de forma cética, até mesmo Hikaru não parecia surpreso.
– Como você sabe? – foi tudo que consegui dizer.
Miwa revirou os olhos, segurando uma calcinha verde com o dedo indicador.
– Eu sei disso desde o dia em que adotamos você, Rintarou e eu nunca nos importamos, mas estávamos esperando pelo seu pronunciamento – ela disse – Quando você se atrasou para vir conosco pela primeira vez, sua antiga diretora chamou uma garota para perguntar se ela tinha te visto. A garota disse que você devia estar se despedindo do seu namorado, sabemos disso desde então.
Minha boca se abriu, senti meus olhos lacrimejarem.
– Então eu passei por todo esse sufoco para esconder meu namoro de vocês para nada? – perguntei, desesperada.
Miwa assentiu, Ema encarou o chão, chocada.
– A mentira não leva a nada, Nina – disse Hikaru – Somos sua família, você devia ter contado isso muito antes.
Baixei o olhar, envergonhada. Os três estavam me encarando, me senti como a pior das criminosas. Eu sabia que a reação deles seria algo parecido com isso, mas nunca passou pela minha cabeça que eles sabiam.
– Quem mais sabe? – perguntei, cabisbaixa.
Miwa e Hikaru se entreolharam, Ema ainda encarava o chão.
– Apenas nós três, e Rintarou – disse Miwa – Sugiro que conte aos outros logo, eu sei que eles gostam muito de você, então vamos evitar que isso vire um massacre de corações.
Engoli em seco, refletindo sobre o que ela disse. Iori com certeza ficaria arrasado, eu nem queria imaginar a reação dele. Fuuto e Wataru provavelmente iriam perguntar o endereço do orfanato, e logo depois disso, eu viraria viúva antes mesmo de casar com Akira. Masaomi, Ukyo e Azusa com certeza ficariam decepcionados por minha omissão, Tsubaki, Kaname, Yusuke e Subaru provavelmente não fariam caso algum. Eu não sabia qual seria a reação de Natsume, mas não queria estragar nossa recente e breve amizade.
– Ele é bonito? – perguntou Ema.
Ergui o rosto, ela sorria gentilmente para mim. Percebi com um aperto no coração que ela estava tentando aliviar minha tensão, algo me diz que ela já passara por dilema pior ou parecido algum dia. Dei um pequeno sorriso, subitamente emocionada por aquela reação de Ema.
– Lindo – respondi – Quer ver uma foto? Eu tenho várias no meu celular.
Ela sorriu, assentindo. Percebi que Hikaru também sorria, ele parecia não estar surpreso ou alarmado, apenas sorria. Miwa também sorriu, evitei seu olhar. Por mais gentil que ela fosse, ela ainda era a minha mãe, e eu acabara de confessar que tinha escondido algo muito importante dela Durante semanas.
Selecionei minha foto favorita de Akira, sorrindo para meu celular. Ele estava muito lindo naquela foto, seu sorriso malandro sempre me fazia morder o lábio. Mesmo depois de tudo aquilo, eu sentia que tudo aquilo compensava. Akira era meu namorado, e eu o amava. Se eu precisasse fazer sacrifícios, eu os faria sem nem hesitar.
– Vai nos mostrar ou prefere ficar sonhando acordada ao ver a foto dele? – perguntou Hikaru – Eu tenho certeza de que você já viu muito a cara dele, então nos mostre logo essa foto.
Ri, mas fiz o que ele disse. Entreguei meu celular à Ema, os três se apertaram para vez. Ema sorriu, lançando-me um olhar feliz. Miwa arregalou os olhos um pouco, abanando-se com um sutiã aleatório.
– Nina, minha filha, você tem um ótimo gosto – ela disse – Se eu não fosse casada com Rintarou e fosse uns quarenta anos mais jovem, eu roubava ele de você.
Ri, assim como Ema. Hikaru lançou-me um breve olhar, seus olhos verdes cintilavam.
– Eu não vou exagerar, ele é bonito, mas prefiro as mulheres – ele disse – E se ele te machucar, me deixe saber.
Ri, mas assenti. Akira nunca me machucaria, mas Hikaru era meu irmão mais velho, então eu devia aquilo a ele.
– Vocês dois já acasalaram? – perguntou Miwa.
Arregalei os olhos, Ema exclamou. Hikaru riu, peguei meu celular de volta.
– Mãe! – protestei.
Miwa riu, erguendo os braços em sinal de rendição.
– Tá bom, eu paro – ela disse – Mas eu ainda quero escolher sua lingerie de sábado, e quero escolher sua lingerie do próximo encontro com seu namorado.
Revirei os olhos, rindo. Ela riu junto comigo, trazendo Hikaru e Ema para nosso clima harmonioso.
– Como ele se chama? – perguntou Hikaru.
Abri um grande sorriso, soltando um suspiro. Sonhei com esse momento durante dias, e mesmo não estando com o elenco completo, eu estava adorando aquele filme.
– Akira – respondi – Ele se chama Akira.
Mordi o lábio, como eu amava aquele nome. Akira alimentava todos os meus desejos, e todo amor que eu tinha era dele. Nunca tínhamos “acasalado”, mas eu já sentia como se fossemos um só.
E seria assim por muito tempo, era uma promessa.
IMAGEM ESPECIAL (VIDE NOTAS INICIAIS).
Fuuto Asahina (Segunda temporada).

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