Notas iniciais
Oie, como vão? Primeiramente, gostaria de dizer que estou pirando aqui. Estou pirando aqui, gritando e bagunçando os cabelos por apenas um motivo: Recebi uma recomendação. AHHH! Obrigada, obrigada, obrigada,obrigada,obrigada. Ana Braga, você não sabe o quanto eu fiquei feliz. Muito obrigada mesmo, amei aquela recomendação, que foi a primeira da fic. Poxa, aquilo me renovou, me fez uma nova mulher. Este capítulo eu dedico à Você, Ana. Espero que goste. Bom, voltando aos pronunciamentos formais e padrão de todas as notas iniciais. Espero que gostem, esse capítulo está enorme, acho que eu me empolguei. Eu teria postado antes, mas tive uma situação. Estou correndo contra o tempo, ainda tenho que terminar uma resenha para o jornal da minha escola (EU NÃO QUERIA, MAS A PROFESSORA COLOCOU MEU NOME LÁ, QUE COISA!). Não é que eu não gosto, pelo contrário. Eu adoro fazer qualquer tipo de artigo, mas prefiro que minhas coisas fiquem no anonimato. Eu sou tímida e insegura, fazer o que. Bom, a imagem de hoje também é uma situação. Eu vou colocar a foto da Ema, já que ela é da família e coisa e tal. Acontece que eu descobri que ela é mais velha que o Yusuke :P Então hoje a foto é a dela.

Desci as escadas aos pulos, correndo em direção à porta da frente. Saí para o jardim, correndo em direção ao portão. Abri a caixa de correio, pegando todo o conteúdo interno e corri de volta para a mansão Asahina. Só parei de correr quando cheguei na sala, dando uns três pulinhos no mesmo lugar.

– Depois reclama quando eu digo que é infantil – disse Fuuto.

Dispensei-o com um aceno de mão, revirando os envelopes que tinha recolhido.

– Três para o Masa, quatro para o Ukyo, uma para Tsubaki, uma para Ema... – falei, ficando cada vez mais impaciente – Caramba, tem até para o Wataru aqui.

– Minha carta foi respondida! – guinchou o pequeno.

Ele pulou em mim, fazendo-me quase derrubar as cartas. Franzi as sobrancelhas, entregando a carta dele.

– Para quem você mandou uma carta? Pessoas ainda mandam cartas para falar com alguém? Não estamos no século XXI? – perguntei.

Wataru revirou os olhos, abrindo a carta sem me responder.

– É para uma empresa de animes, ele escreveu pedindo que não matassem sua personagem favorita – disse Masaomi, vindo até mim – Pode me dar as minhas cartas?

Assenti, separando as cartas endereçadas à Masaomi. Wataru fez um bico ao ler sua carta, lançando-me um olhar de fazer pena.

– Eles disseram que não podem prometer nada, e usaram uma palavra estranha para se referir à minha carta – ele disse.

Masaomi franziu as sobrancelhas, estendendo a mão em direção ao pequeno. Wataru estregou a carta ao irmão, observei Masaomi lê-la.

– Diz aqui que eles acharam seus modos ínfimos, ou seja, baixos – ele disse, erguendo o olhar da carta para encarar Wataru – O que você disse naquela carta?

O pequeno cruzou os braços, encarando o chão. Masaomi esperou, fiz o mesmo.

– Eu disse que chutaria os traseiros deles se eles matassem a minha personagem favorita – respondeu, dando de ombros.

Tossi para encobrir o riso, saiu como um porco gripado. Todos me olharam, fiz o possível para ficar séria novamente. Wataru deu um meio sorriso para mim, seus olhos “infantis” não estavam nada infantis.

Não devia ter feito isso, Wataru. Você deve respeito às pessoas, eu já disse isso várias vezes e só vou repetir mais essa vez – disse Masaomi, lançando um olhar severo ao pequeno – De agora em diante, todas as cartas que você for enviar vão passar por mim primeiro.

Wataru fungou, fazendo um bico.

– Sim, Masa-san – ele disse.

Masaomi respirou fundo, acalmando-se. Wataru ergueu minimamente seu olhar até mim, como se quisesse ver minha reação diante de sua expressão tristonha. Semicerrei os olhos, percebendo que eles estava fingindo.

Agachei-me diante dele, esquecendo as cartas que tinha nas mãos por um estante. Abri meus braços em sua direção, Wataru correu até mim. Abracei-o afetuosamente, ele enterrou seu rostinho em meus cabelos. Acariciei seus cabelos macios, sentindo os olhares dos meus irmãos em nós dois.

– O Masa está certo, você não deve fazer isso – falei, alto o suficiente para que todos ouvissem.

Wataru fungou, apertando-me com mais força. Soltei um suspiro exageradamente dramático, como se estivesse chateada.

– Eu te entendo, pirralho – sussurrei, movendo minha boca quase imperceptivelmente na orelha do pequeno – Também tenho vontade de chutar a bunda dos produtores quando matam meu personagem favorito, você fez o que eu não tive coragem até hoje. De um modo torto, você me deixou orgulhosa.

Dei um beijo em sua orelha, disfarçando para que ninguém notasse que eu havia dito algo para ele. Wataru afastou-se um pouco de mim, colocando seu rostinho diante do meu. Dei uma piscadinha marota, ele abriu um sorriso travesso, abraçando-me com força outra vez.

– Onee-chan! – guinchou.

Ri, dando um beijinho em sua testa. Ele afastou-se de mim, dando uma piscadinha tão marota quanto a minha. Sacudi a cabeça, erguendo-me do chão outra vez. Todos me olhavam, Fuuto parecia ter percebido o que eu fizera, mas apenas sorria de forma perversa. Revirei os olhos, começando a entregar as cartas de cada um.

– Por que você foi correndo buscar as nossas cartas mesmo? – perguntou Louis, assim que entreguei as duas que chegaram para ele.

Dei de ombros, ele deu um sorriso.

– Com certeza não foi pela bondade do coração dela – disse Yusuke.

Fiz uma careta, meus irmãos deram algumas risadinhas. Fui até Ema, pegando a carta dela e estendendo em sua direção. Dei meu melhor sorriso inocente quando ela pegou, a garota sorriu para mim.

– Obrigada – ela disse.

Dei de ombros, crescendo aquele sorrisinho.

– Não vi o nome do remetente, mas se for uma carta de amor, eu já sei quem mandou – falei.

Yusuke parecia estar tendo um ataque cardíaco,todos olharam para ele na mesma hora. O ruivo emitiu um som super estranho, enquanto seu rosto ficava tão vermelho quanto seus cabelos. Fuuto riu, Louis e Iori sacudiram a cabeça, dando sorrisinhos.

– Não é nada disso! – gaguejou Ema, mais vermelha que Yusuke – É apenas uma empresa de cartões me oferecendo seus serviços.

Ri, piscando para ela.

– Eu sei, só estava brincando – falei – Mas, não se espante quando receber uma carta de amor. Sei de alguém que deve estar considerando muito te mandar uma neste exato segundo.

Yusuke emitiu aquele som outra vez, Fuuto e eu rimos outra vez.

– Tem carta para mim, irmãzinha? – perguntou Tsubaki, roubando minha atenção.

Procurei entre as cartas que tinha na mão, achando cartas endereçadas a ambos os gêmeos que ali moravam. Dei a carta de Azusa para seu dono, ele sorriu para mim. Estendi a carta de Tsubaki para o próprio, mantive minha expressão impassível.

– Obrigado – ele disse, dando uma piscadela.

Revirei os olhos, mas cedi-lhe um sorriso. Entreguei as cartas restantes, ficando com apenas dois envelopes nas mãos.

– Esses são para quem? – perguntou-me Masaomi.

Estufei o peito, dando um sorriso enorme.

– Para uma tal de Nina Kazama – respondi, piscando de forma marota – Eu não sei quem é, mas deve ser uma garota fascinante.

Meus irmãos riram, Fuuto revirou os olhos.

– Aposto que essa tal de Nina é uma grande otária – ele disse.

Revirei os olhos, alguns garotos lançaram-no olhares severos.

– Vai se ferrar – falei.

Ele riu, relutantemente, acabei fazendo o mesmo.

– Quem mandou as cartas? – perguntou Iori.

Sorri, batendo os envelopes contra a palma da minha mão duas vezes.

– Um é da mesma empresa de cartões que mandou aquela carta para a Ema, e a outra é da mamãe – respondi.

Ele assentiu, sorrindo levemente. Retribuí seu sorriso, baixando os olhos até a carta que a empresa de cartões mandara. Abri-a sem pressa, imaginando tratar-se de apenas uma propaganda sem importância. Espantei-me ao perceber a presença de um retângulo prateado dentro do envelope, juntamente com as congratulações da empresa. Peguei o cartão, boquiaberta.

– Eu recebi um cartão?! – guinchei, tremula.

Alguém pousou a mão em meu ombro, virei para trás. Era Ukyo, ele devia ter ouvi meu guincho da cozinha.

– Então ele finalmente chegou? A mamãe estava começando a ficar preocupada com toda essa demora – ele disse.

Escancarei a boca, arregalando os olhos.

– Como é? – perguntei.

Ele deu um pequeno sorriso, olhei em volta. Todos ali pareciam familiarizados com aquela situação, engoli em seco.

– Todos nós temos cartão, mamãe fez um para cada quando fizemos 16 anos – disse Louis.

Wataru cruzou os braços, ele estava visivelmente irritado por não ter seu próprio cartão.

– Ela não podia ter me avisado? – perguntei, franzindo as sobrancelhas.

Fuuto bufou, Masaomi me encarou.

– Para te dar tempo de recusar? Acho que não – ele disse.

Revirei os olhos, olhando para o cartão.

– Eu realmente não preciso de um cartão de credito – falei.

– Mas tem – disse Fuuto – Agora cala a boca e aceita.

Revirei os olhos, ele me encarou.

– Também te adoro, querido irmão – falei – Tudo bem, vocês me convenceram.

Guardei o cartão dentro do envelope outra vez, fazendo uma nota mental: Ele nunca seria usado.

– E a outra, não vai abrir, Onee-chan? – perguntou Wataru.

Voltei a sorrir, ele correu em minha direção.

– Por que a mamãe te mandaria uma carta? – perguntou Yusuke.

Dei de ombros, todos me encaravam.

– Ela está em Milão, eu pedi um cartão postal – respondi.

Fuuto revirou os olhos, Wataru abraçou minha cintura.

– Abre, onee-chan! – pediu, guinchando como um esquilo selvagem – Também quero ver o postal da mamãe!

Ri, mas fiz o que ele disse. Retirei um cartão postal de dentro do envelope, juntamente com uma carta.

– Olha só! – exclamei.

Wataru puxou minha mão para baixo, podendo ver o cartão postal. Louis e Iori se aproximaram, juntamente com Masaomi, Tsubaki e até mesmo Fuuto. Colei Wataru ao meu corpo, dando espaço para que todos pudessem ver. O pequeno me abraçou, deitando a cabeça em meus seios.

– Milão é tão linda – falei – Eu sempre quis conhecer a Itália.

Wataru ergueu o rosto, abrindo um sorriso enorme para mim.

– Quando você for, me leva junto? – perguntou, piscando os olhinhos.

Abri a boca para responder, mas não consegui dizer nada. Mesmo estando um pouco acostumada com ele, Wataru ainda me paralisava.

– Wataru, você já visitou a Itália no ano passado – disse Masaomi.

O pequeno revirou os olhos, apertando seus braços em volta do meu corpo.

– Por isso mesmo, eu vou ser o guia da onee-chan! – ele disse – Me leva, por favor?

Arquejei, ele fez um biquinho.

Droga, biquinho não!

– Tá – foi o que consegui dizer.

– Yay! – guinchou, apertando-me com toda a sua força.

Arquejei, quase sufocando. Ele realmente era uma criança muito forte, não pude contê-lo de forma alguma.

– Mas pode levar anos, não posso prometer te levar para lugar algum agora – falei.

Wataru riu, postando-se diante de mim. Ele me abraçou de novo, apoiando o queixo no meio dos meus seios.

– Não tem problema, onee-chan – ele disse, sorrindo calorosamente – Não importa a data, eu vou viajar com a onee-chan!

Ri, ele fez o mesmo. Soltei-me dele, ele afastou-se com um pulo.

– Agora lê a carta em voz alta – mandou.

Revirei os olhos, inclinando meu corpo para frente. Depositei um beijo carinhoso em sua testa, ele abriu um sorriso enorme.

– Como quiser, senhor – falei.

Ele riu, abri a carta. Corri meus olhos pela letra caprichosa de Miwa, dando um sorriso involuntário ao ver que ela marcara o fim da carta com um beijo cheio de batom vermelho.

– Leia, onee-chan! – guinchou Wataru.

– Eu devia parar de te mimar – comentei.

Ele revirou os olhos, cruzando os braços de expectativa. Voltei minha atenção para a carta, pigarreando para preparar a voz.

“Querida filha, como é bom escrever uma carta com uma dedicatória assim” – comecei, parando para rir um pouco – “Estou enviando o cartão postal que me pediu, juntamente com um pedido de desculpas por não voltar na data que prometi. Tivemos um problema, e vamos precisar ficar em Milão durante todo esse mês. Espero que me perdoem, prometemos que vamos compensar isso em breve com algo que vocês vão gostar.

Soltei um pequeno suspiro, parando para puxar ar.

– Bom, com isso já estamos acostumados – disse Yusuke.

Fuuto deu uma cotovelada no ruivo, que lançou-lhe um olhar de pura raiva.

– Não seja tão duro, Yusuke – disse Ema.

Yusuke olhou para ela, o olhar que Ema lançou-lhe me fez sentir-me mal, como se a culpa fosse minha. Todos nós olhamos para o chão, constrangidos demais para dizer alguma coisa. Yusuke ficou vermelho, ele parecia tremer um pouco.

– Ela sempre viaja, quase nunca vem aqui – justificou-se, olhando para o chão.

Masaomi soltou um suspiro, engoli em seco.

– Eles pediram desculpas, e ainda prometeram se redimir – disse Ukyo.

– Vamos nos contentar com isso, não é o fim do mundo – disse Masaomi.

O segundo mais velho assentiu, olhei para Masaomi sem querer. A pose paternal dele parecia ter afetado todos os presentes, já que todos suspiraram. Wataru me sacudiu, chamando a atenção de todos os presentes.

– Continua, onee-chan – ele disse.

Assenti, dando um pequeno sorriso. Encarei a carta novamente, retomando a leitura do ponto em que havia parado.

“A Itália é um lugar incrível, eu sei que você sonha em conhecer esse país. Topei com várias lojas de roupas maravilhosas, e seu pai e eu compramos muitas roupas italianas para você e para Ema. Comprei quase uma mala cheia de lingeries para vocês, dizem que as lingeries italianas só não são mais lindas que as francesas, mas eu tenho as minhas dúvidas. Aposto que vocês duas vão amar, comprei alguns espartilhos que..." – parei de ler, engolindo em seco – Eu vou pular essa parte, está bem?

Ninguém respondeu, meu olhar encontrou o de Ema. Ela estava tão vermelha quanto os cabelos de Yusuke, engoli em seco. Todos os presentes me olhavam, fugi de seus olhares ao concentrar-me na carta outra vez.

“Também estamos levando presentes para os seus irmãos, espero que eles gostem das nossas escolhas. Não vou dizer o que estamos levando para Wataru, é surpresa e não queremos que você conte-o. confiamos em você, querida, mas sabemos que ele pode ser muito insistente e fofo quando quer.” – li, rindo – Nossa, a Miwa sabe de tudo.

Wataru fez um biquinho, cruzando os braços. Trinquei os dentes, insistente e fofo.

– Continua – ele disse.

Prendi o riso, mas a careta que ele fazia não tinha preço.

– “Estamos com saudades, estaremos em casa assim que possível. Mande um beijo aos meninos, e dê chocolate ao Fuuto se ele estiver com raiva por só você ter recebido uma carta. Lembre-o que uma menina precisa ser mimada pela mãe, e lembre-o de que ele já foi mimado o suficiente por todos. Um grande beijo, mamãe e papai.” – li, suspirando – Bom, sinto muito por sua carta nunca ter sido escrita, meu querido Fuuto.

Fuuto revirou os olhos, bufando. Ri, dobrando a carta e colocando-a dentro do envelope, juntamente com o cartão postal. Meus irmãos me olhavam de leve, alguns com certa curiosidade, alguns com incerteza.

– O que foi? – perguntei.

Eles desviaram o olhar, apenas Louis continuou me olhando.

– Gostou de ter recebido uma carta da mamãe? – ele perguntou.

Sorri, mordendo o lábio inferior.

– Bom, eu insisti para que ela mandasse, então não foi surpresa – respondi – Mas, eu adorei.

Ele abriu um sorriso contente, sorri para o chão.

– Bom, o jantar está quase pronto – disse Ukyo – Kaname vai juntar-se a nós para o jantar de hoje.

Senti um fraco arrepio, um irmão que eu não conhecia. Fiquei um tanto nervosa, como será que ele era?

Wataru pegou minha mão, despertando-me dos meus devaneios. Olhei para baixo, encontrando seu olhar.

– Enquanto o Kaname-san não chega, a onee-chan vai assistir televisão comigo? – perguntou.

Droga, ele fez bico de novo. Eu não iria recusar, Wataru estava jogando sujo.

– Tá – respondi, trincando os dentes.

Ele riu, puxando-me em direção ao sofá. Sentei-me em um lugar vago, o pequeno sentou-se ao meu lado, mas deitou a cabeça em minha pernas. A maioria dos irmãos sentaram-se nos sofás disponíveis, enchendo a sala de vida. Louis sentou-se ao meu lado, sorrindo calmamente.

– Tudo bem com você hoje? – perguntou – Não nos vimos muito durante a semana.

Sorri, era verdade. Louis esteve muito ocupado durante a semana, ele vinha recebendo muitos clientes importantes desde o último show de Fuuto. Eu também estava um pouco atarefada, muitas coisas estavam acontecendo na escola, e logo, logo viriam as provas finais. Algumas fãs do Fuuto também estavam me cercando com mais frequência, mas Yelisei, Liu e Ken sempre as mantinham longe de mim. A semana fora muito corrida, eu já estava dando graças à Deus por estarmos em uma quinta feira. Amanhã era o dia da minha segunda visita ao orfanato, e isso já estava me deixando ansiosa.

– Estou bem, obrigada – falei – E você? Está tudo bem? Estou sentindo sua falta.

Ele sorriu, fiz o mesmo.

– Foi uma semana agitada, mas eu estou bem – respondeu – Também estou sentindo a sua falta, mas vamos compensar isso em breve, tudo bem?

Inclinei um pouco a cabeça, Louis deu uma risadinha.

– Que tipo de compensação? – perguntei.

Ele riu mais um pouquinho, esperei.

– Um passeio de irmãos – respondeu – Só um irmão, e só uma irmã.

Dei um sorriso, ponderando por um tempo.

– De que casal de irmãos você está falando? – brinquei – Eu vejo muitas opções por aqui, é uma família grande.

Louis riu, sacudindo um pouco a cabeça. Sorri, ele me olhou nos olhos.

– Só você e eu – respondeu.

Dei uma pequena risadinha, ele esperou.

– Aceito – falei – Quando você quiser.

Louis abriu um sorriso enorme, abri um sorriso um pouco mais modesto.

– Que tal sábado? – perguntou – Eu vou estar ocupado pela manhã, mas posso leva-la para um passeio à tarde.

Assenti, Louis pôs sua mão acima da minha, que estava na cabeça de Wataru.

– Me encontre no meu salão, às três? – disse Louis.

– Estarei lá – respondi, assentindo uma vez.

Ele cresceu ainda mais aquele sorriso, esbanjando alegria. Sorri também, completamente contagiada por sua magia.

Voltei minha atenção à televisão, percebendo um pouco tarde demais que Wataru havia sintonizado em um canal de músicas.

– Olha lá, onee-chan! – guinchou o pequeno, apontando para a televisão.

Revirei os olhos, sacudindo a cabeça. Fuuto estava na televisão, algo que não era nada incomum para aquele garoto. Trajava roupas despojadas e modernas no clipe, aquela blusa quase não cobria os músculos de seu peito.

– Se ele quer fazer sucesso, que faça pelo talento dele, e não apele para o lado sexual da coisa toda – resmunguei.

Louis me olhou, percebi um pouco tarde demais que havia dito aquilo em voz alta.

– Acha que isso está apelativo? – perguntou Louis, franzindo uma sobrancelha.

Bufei, fazendo um rápido gesto para a imagem de Fuuto.

– Olha os movimentos que ele está fazendo, essa dança, isso é apelativo – falei – E olha também as roupas, elas deixam certas coisas em evidência. E preste atenção em uma coisa: quando ele canta a parte que diz “Quero te fazer minha”, ele move os quadris em movimentos sexuais. Isso é nojento.

Louis piscou, bufei uma vez.

– Movimentos sexuais? – perguntou Iori.

Pisquei, olhando em volta. Exatamente todos os presentes na sala me olhavam, incluindo Fuuto. Ema estava com os olhos arregalados, Masaomi olhava-me como se não estivesse acreditando no que eu tinha dito. Abri a boca um pouquinho, sentindo meus batimentos cardíacos ficarem mais rápidos.

– Como conhece movimentos sexuais? – perguntou Masaomi.

Todos me olharam com apenas um tipo de olhar indagador, eu só sentia uma coisa: desespero.

– Eu não conheço nenhum movimento sexual! – respondi, gaguejando um pouco no começo da frase – Mas, prestem bem atenção no que ele faz. Ele coloca os braços para a frente com se estivesse segurando alguém, e depois força os quadris para a frente. Isso é muito sexual.

Dei de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo, enquanto a palavra “droga” era a única coisa em que eu conseguia pensar.

– E ainda explica com todos esses detalhes – disse Fuuto – Como você sabe disso?

Abri a boca, sem conseguir falar nada. Todos ainda me olhavam, até mesmo Wataru. Ele parecia não saber muito do assunto, mas também parecia muito curioso.

– Bom, todo mundo já viu um filme que contém conteúdo sexual um dia – justifiquei-me, dando de ombros – E você fez isso de propósito, essa dança, não foi?

Fuuto assentiu, encarando-me como se fosse a coisa mais normal do mundo.

– É uma jogada de marketing, a maioria do meu público é composto por garotas – ele disse – Que tipo de filme? Por acaso, você não estaria dizendo que viu pornografia?

Arquejei, Ema parecia estar quase explodindo. Todos os meus irmãos me encaravam, quase pude ver minha vida passar diante dos meus olhos.

– É claro que não! Ficou maluco? – guinchei – Filmes comuns, eles sempre tem um casal principal ou algo do tipo.

Gesticulei com as mãos de forma exasperada, tentando acabar de vez com aquele mal entendido. Aos poucos, meus irmãos foram se acalmando. Wataru ainda me encarava, parecia um pouco confuso.

– Do que vocês estavam falando? – perguntou.

Abri a boca para responder, mas as palavras me abandonaram na hora.

– Deixa para lá, Wataru – disse Masaomi – Não é assunto para você.

O pequeno bufou, mas não insistiu. Senti o olhar de Tsubaki em mim, fingi que não havia visto.

– Temos que admitir, a Nina está certa – disse Azusa, falando baixo – Essa dança foi apelativa.

Fuuto revirou os olhos, ignorando o mais velho. Ninguém voltou a dizer nada, apenas ouvíamos a música de Fuuto na televisão. Passaram três clipes de Fuuto em sequência, ganhando os três primeiros colocados no ranque de pedidos do canal. Depois de um tempo, Masaomi e Ema foram para a cozinha, deviam estar querendo ajudar Ukyo. Como o silêncio era quebrado apenas pelo som da televisão, pude ouvir partes da conversa deles.

– Kaname já está chegando, ficou preso no trânsito – disse a voz de Ukyo – Natsume também está perto, ele parou em uma loja para comprar uma garrafa de vinho.

– Jantar em família – disse Masaomi, pela sua voz, ele estava sorrindo – Não temos um há tempos.

– Miwa achou que isso iria deixa-la mais confortável – disse Ema, sua voz ainda estava um pouco aguda por conta da conversa coletiva há pouco – É uma pena que Hikaru não tenha atendido nosso telefonema, acho que Nina iria ficar mais feliz se estivessem todos presentes.

Fez-se um minuto de silêncio, pude ouvir o som de uma torneira abrir-se e fechar-se rapidamente.

– Ela está se adaptando bem – disse Ukyo.

– Verdade, ela parece estar mais confortável agora, depois da semana passada – disse Masaomi.

– Eu não achava que ela era o tipo de garota que se soltava com tanta facilidade – disse Ukyo – O próprio Natsume disse que ela era reservada demais, ele achou que ela iria precisar de um pouco de terapia para se acostumar com todos nós.

– Ela morava em um orfanato, ela deve ter aprendido a se fechar por conta disso – disse Masaomi, suspirando – Eu não achei ela rude, pelo contrario. Nina é simpática, mas ainda se comporta de um modo um tanto calculado perto de nós.

– Ela é fria – concordou Ukyo.

A torneira abriu-se outra vez, alguém devia estar lavando as mãos.

– Não devíamos falar dela pelas costas – disse a voz aflita de Ema.

– Estamos apenas conversando, Ema – disse Masaomi – Estamos preocupados.

– Nos importamos com ela – disse Ukyo – Mas Nina ainda é uma estranha, e se ela não parar de agir como uma forasteira, ela não vai se encaixar.

Mais silencio, respirei fundo. Senti Louis apertando minha mão, olhei para ele. Seu olhar estava quase afetado, mas seu sorriso me deixava confortável. Olhei em volta timidamente, percebendo que todos olhavam para mim. Todos me olhavam com o mesmo sentimento: pesar.

Como se eu tivesse morrido.

Engoli em seco, Wataru remexeu-se em meu colo. Dei um sorrisinho para ele, o pequeno sentou-se em meu colo. Abracei-o, colocando minha cabeça em seu ombro. Ele virou a cabeça para trás, olhando-me com aqueles olhos enormes e firmes.

– Não liga para eles – ele disse – Você é minha onee-chan, e eu te amo.

Ele sorriu para mim, e naquele momento eu percebi que nada mais importava.

Eu também amava Wataru, e mesmo que não deixasse isso transparecer, amava aquela família.

Sorri, depositando um beijo na testa do meu irmãozinho. Ele aconchegou-se em mim, aprofundando aquele abraço como se já estivesse muito acostumado com a minha presença. Apertei-o com força, enterrando meu rosto em seus cabelos macios. O cheiro infantil de Wataru me fez relaxar, mas eu ainda me sentia um pouco entorpecida. Meu coração parecia estar inchado, engoli em seco.

Eu sabia que isso ia acontecer. Eu nunca fora adotada antes, mas sabia que não era filha que todo casal queria ter. Eu não era adequada, não era feita para estar com uma família que não era a minha. Quando meus pais estavam vivos, eles costumavam dizer que não éramos como uma família comum. Nós não éramos perfeitos, mas éramos uma família. Passei dois anos odiando a vida, perguntando-me por que eles haviam me deixado. Eu nunca me sentira inteira desde então, era como se uma aura fria vivesse me cercando. Eu só me sentia confortável em um lugar, nos braços de uma pessoa.

Como se ele tivesse adivinhado que eu estava pensando nele, meu telefone começou a tocar, chamando atenção de todos para mim. Fiz o possível para tirar o celular de dentro do bolso do short sem precisar tirar Wataru de cima de mim, ele estava sendo minha força naquele momento. Nem precisei ver o nome de quem estava ligando na tela do celular, já que estava na hora da nossa ligação diária. Colei o telefone contra minha orelha, beijando as costas de Wataru e fechando os olhos.

– Você tem um sensor, só pode ser isso – falei.

Boa noite para você também, senhorita Kazama – disse a voz animada de Akira.

Suspirei, afundando ainda mais o nariz em Wataaru. Minha mão estava no peito do pequeno, eu podia sentir seu coração bater contra minha pele.

– Boa noite, Akira – falei.

Algo em minha voz deve ter me denunciado, ouvi Akira soltar um suspiro preocupado.

Eu liguei na hora errada? – perguntou – Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

Suspirei, concentrando-me nos batimentos cardíacos de Wataru.

– Nunca é a hora errada, não para você – falei, minha voz saiu baixinha – Na verdade, você ligou exatamente na hora. Eu estava mesmo precisando ouvir a sua voz, esse efeito calmante que só você me dá.

Ouvi alguma coisa ranger, Akira devia ter levantando-se da cama.

Nina, não me deixa preocupado – ele disse, sua voz estava gentil, porem séria – O que aconteceu? Me deixa te ajudar.

Sorri, respirando fundo. Dei outro beijo em Wataru, soltando-o devagar. Ele entendeu meu recado, observei-o sair do meu colo. Levantei do sofá, Wataru segurou minha mão com força. Ele me olhava nos olhos, aqueles olhos grandes e brilhantes pareciam analisar-me como um adulto.

– Onee-chan? – chamou.

Dei um pequeno sorriso, ele franziu as sobrancelhas.

– Eu já volto, tudo bem? – falei.

Percebi que meu tom de voz saiu mais bondoso do que eu geralmente falava, um sinal que poucos entendiam. Akira respirou fundo do outro lado da linha, parecia estar quase entrando em desespero.

Nina, não chora, por favor! – ele disse.

Engoli em seco, respirando fundo. Puxei minha mão da de Wataru gentilmente, ainda sorrindo daquela maneira vaga.

– Eu vou tentar – respondi à Akira – Já volto, Wataru.

Desviei de Wataru, passando pelos outros Asahina sem olhar na cara de nenhum deles. Saí para a sacada o primeiro andar, puxando a respiração com força. O ar frio da noite de inverno me recebeu, como se a noite estivesse tentando me abraçar. Caminhei o mais depressa possível em direção ao canto esquerdo da sacada, onde ninguém podia me ver. Sentei-me no chão frio de mármore, encostando minhas costas na parede gélida da casa.

– Eu estou péssima, Akira – guinchei.

Tive certeza de que ninguém podia me ouvir, e então contei tudo para Akira. Ele não falou nada até eu terminar, apenas suspirava pesadamente enquanto eu aliviava o peso que sentia em meu peito. Nem me dei conta de que estava chorando até uma brisa fria encontrar meu rosto, secando as lágrimas que desciam em minhas bochechas.

– Eu sei que não foi tão ruim assim, eu estou exagerando muito as coisas – falei, fungando – Mas eu não sei o que pensar, estou me sentindo péssima, e não tenho para onde correr.

Arquejei, tentando controlar aquele choro horrível. Eu odiava chorar, odiava me sentir sozinha como naquele momento.

Nina, fica calma – disse Akira.

Tentei me concentrar na respiração de Akira para poder me acalmar, foi difícil, mas eu consegui. Sequei as lágrimas com a mão esquerda, dando uma última fungada.

– Detesto estar sozinha – comentei, engolindo em seco.

Nina, me escuta – disse Akira – Você não está sozinha, eu estou com você.

– Você está longe – falei.

Akira suspirou, respirei fundo.

Onde está o Louis? – perguntou Akira.

Olhei em volta, a frieza da noite ficava cada vez maior.

– Deve estar lá dentro – falei.

Dentro? Você saiu de casa? – perguntou Akira.

Funguei mais uma vez, esfregando o rosto com a mão.

– Não, eu só estou na sacada – respondi – Ninguém pode me ver daqui, mas posso ver a cidade.

Entendi – Akira expirou – Fique com ele, com o Louis você pode conversar.

Neguei com a cabeça, apenas para confirmar minha tese de que eu estava ficando maluca.

– Não, eu não vou encher o Louis com essas bobagens – falei – Já chega de chorar, eu preciso dar o meu melhor.

Akira suspirou, esperei.

Sua boba teimosa – ele disse – Volte para dentro, converse com eles.

– Não precisamos conversar, é minha culpa – falei.

Akira bufou, esperei.

Você só tem culpa de ser tão cabeça dura, Nina. Isso tudo é uma questão de falta de diálogo, por isso eles se sentem tão distantes de você – ele disse – Converse com eles, Nina. Eles são seus irmãos, você precisa acertar essa situação.

Engoli em seco, Akira respirou fundo.

Se eu estivesse aí, eu te abraçaria e tudo iria ficar bem – ele disse – Mas eu não estou, eu estou longe e desesperado por não poder te acalmar. Nina, por favor, me ajude. Deixa eles te ajudarem.

Respirei fundo, engolindo em seco outra vez.

– Esse jantar nem começou e eu já to me sentindo uma estranha – resmunguei.

Akira suspirou, esperei.

Eu perco a paciência de vez em quando – ele disse – Nina, eu sei que palavras machucam, mas você precisa ouvir um pouco. Faz o que eu te falei mais de mil vezes: Converse com eles. Nenhum deles vai saber o que você sente se você ficar calada, pelo amor de Deus!

Pisquei, Akira respirou fundo.

– Você está bem? – perguntei.

Ele não respondeu de imediato, esperei.

Nos falamos todos os dias, e você é sempre um poço de alegria. Você fala deles com tanto amor que eu até fico com ciúmes, mas eu tento relevar por saber que eles são seus irmãos – ele disse – E então, eles te fazem chorar, e eu não posso fazer nada. Estou me sentindo frustrado e impotente, sou um fracasso tentando te consolar.

Dei um sorrisinho, Akira bufou como uma criança.

– Você é o melhor ombro por telefone que eu poderia querer – falei – Você não é um fracasso, você foi o único que me fez rir.

Ele não disse nada, mas pude sentir que sua tensão estava se aliviando.

Obrigado – ele disse – Tenta ficar bem.

– Por você – falei.

Ele deu uma risadinha, sorri.

– Nina – disse uma voz.

Virei a cabeça para o lado, dando de cara com Louis. Ele exibia um sorrisinho mínimo, seu rosto esbanjava preocupação.

– Você está bem? – perguntou.

Assenti, ele olhou para o meu celular. Lentamente, Louis andou até mim. Quando chegou perto o suficiente para me alcançar, ele estendeu a mão em minha direção. Demorei alguns segundos para entender aquele gesto, mas quando o fiz, entreguei meu celular para Louis. Ele colou o celular contra a orelha, prendi a respiração.

– Akira? – ele disse – Aqui é o Louis.

Encarei seu rosto por um tempo, a expressão sempre calma de Louis pareceu um tanto problemática.

– Entendo – ele disse – Me desculpe, eu quebrei aquela promessa.

Franzi as sobrancelhas, ainda encarando Louis. Meu irmão deu um sorrisinho, pondo a mão na minha cabeça.

– Eu vou cuidar bem dela, não se preocupe – ele disse – Até outro dia.

E então, ele baixou o celular. Peguei o aparelho de volta, percebendo que a chamada já havia sido encerrada. Ergui meu olhar até encontrar o de Louis, ele deu um pequeno sorriso sereno.

– O jantar está pronto – anunciou – Kaname e Hikaru vieram, assim como Natsume. Estão todos te esperando.

Pisquei, engolindo em seco. Louis não desfez aquele sorriso, apenas agachou-se ao meu lado, suspirando. Nossos olhos ficaram da mesma altura, ele em encarou fixamente.

– Achei que tinha dito que você podia contar comigo sempre – ele disse – Por que você não veio até mim? Eu sou seu irmão, Nina.

Engoli em seco outra vez, Louis sacudiu um pouquinho a cabeça.

– O que eu faço com você, Nina? – ele disse – Venha, levante-se.

Ele ergueu o próprio corpo com uma destreza impressionante, permaneci calada. Louis estendeu a mão em minha direção, encarei-a durante uns segundos.

– Venha – repetiu.

Seu tom de voz era tão gentil que me fez engolir em seco, olhei em seus olhos. O olhar de Louis encontrou o meu, ele sorriu gentilmente para mim.

– Confie em mim, Nina – ele disse.

Pisquei, engolindo em seco uma última vez. Respirei fundo, aceitando a ajuda de Louis sem olhar nos seus olhos. Uma vez de pé, tentei desvencilhar nossas mãos juntas. Louis impediu-me, e puxou-me gentilmente em sua direção. Seus braços fecharam-se firmemente ao meu redor, envolvendo-me com gentileza. Não reagi ao seu abraço, apenas respirei fundo, aspirando seu cheiro.

– Você é minha família, tão querida quanto os outros – disse Louis, sussurrando suavemente na minha orelha – Não importa o que eles dizem, eu adoro você.

Fechei os olhos bem apertados, Louis pareceu sentir minha reação. Ele apertou-me mais contra si, abracei-o de volta com toda minha força.

– Eu não estou sozinho, todos aqui adoram você – ele disse – Erga a cabeça, Nina. Você é uma Asahina também, não chore.

Ofeguei, mordendo meu próprio lábio. Louis continuou me abraçando, a gentileza em seu abraço rapidamente virou carinho. Aquele carinho dissolveu tudo o que eu pensava que conhecia, e lavou minha mente. As lembranças daquela conversa dissolveram-se como um comprimido efervescente, deixando para trás apenas um leve cheiro de amargura. O carinho de Louis me segurou, sustentando a Nina que eu conhecia, e alimentando uma Nina que acabara de nascer. Algo muito quente brotou em meu peito, e espalhou-se por todo o meu corpo como fogo no mato. Louis apoiou seu queixo no alto da minha testa, soltando um suspiro.

– Eu também te adoro Louis – falei, engolindo em seco no meio da frase – Obrigada por estar aqui, eu não sei o que eu faria sem você.

– Você ficaria a noite inteira nessa sacada, passando frio – ele disse – E perderia seu jantar, o que poderia deixar todos com muita fome.

Ri, sacudindo a cabeça. Louis afastou-se um pouco de mim, nossos rostos ficaram a três palmos de distância um do outro.

– Detesto roubar a frase do Akira, mas você fica mesmo linda sorrindo – ele disse.

Ri pelo nariz, desviando o olhar. Louis deu uma risadinha suave, segurando meu rosto com uma mão. Ele aproximou-se gentilmente, seus lábios macios depositaram um beijo calmo em minha testa. Sorri, fechando os olhos por um segundo. Louis afastou-se de mim, sorrimos um para o outro.

– Onee-chan! – berrou uma voz.

Louis e eu olhamos para o lado, afastando-nos um do outro apenas um pouco. Wataru nos encarava, seu rostinho estava tomado por uma expressão ciumenta.

– Eu to com fome – ele disse – Larga o Louis.

Pisquei, Louis parecia tão confuso quanto eu. Larguei Louis apenas por precaução, Wataru relaxou um pouco sua expressão. Observei-o vir até mim, sua expressão se suavizava a cada novo passo que ele dava. Assim que estávamos próximos o suficiente, Wataru em abraçou.

– Também quero abraçar a minha onee-chan – ele disse, olhando fixamente para Louis.

Pisquei, sentindo um sorriso hesitante crescer em meu rosto. Encontrei o olhar de Louis, ele riu silenciosamente.

– Vamos entrar – ele disse – Antes que nosso irmão caçula morra de fome.

Wataru assentiu, arregalando os olhos para enfatizar aquelas palavras. Ri, mas fiz o que Louis havia dito. Wataru abraçou-me pela cintura, fazendo com que pudéssemos andar juntos sem atrapalhar um ao outro. Louis veio do meu outro lado, sua mão procurou a minha. Aceitei-a de bom grado, lançando-lhe um sorriso.

E assim, entramos em casa. Os dois me rodeavam protetoramente, sorri com aquele pensamento.

Eu tinha três homens da minha vida agora.

IMAGEM DO CAPÍTULO (VIDE NOTAS INICIAIS)

Ema Hinata

Notas finais
Bom, dá pra ver pelo final que o próximo capítulo será ligado com esse. Sim, outra ponte para vocês. Desculpem pelo drama, mas nada do que a tia Oceans aqui faz é por acaso. Guardem bem os detalhes, está tudo interligado. Espero que tenham gostado, ficou loooongo pra k7. Imagem da Ema (Antes que eu esqueça) ---> http://img1.wikia.nocookie.net/__cb20131120202245/brothersconflict/images/thumb/7/72/Ema_render.png/250px-Ema_render.png Próximo capítulo: 03/10/2014 (Se a professora não inventar de colocar meu nome em mais nada).