Notas iniciais
OIIEEEEEE, POVO CHEIROSO! Tudo bem com vocês? A tia está ótima. Perceberam que eu não demorei muito dessa vez? Mereço um doce? Ufa, nem acredito que tô postando tão rápido depois de toda aquela seca criativa que me devastou nesses meses. Se isso for um sonho, por favor, não me acordem! Espero que dê para continuar assim, eu gosto de postar... TOMA ESSA, UNIVERSO! VEM ME SACANEAR AGORA, EU TE SACANEIO DE VOLTA! Enfim, tô até sem assunto. Como estão suas vidas? Mais alguém aí viu Os Vingadores? MAIS ALGUÉM AÍ ESTÁ EM CHOQUE E ÊXTASE POR CAUSA DAQUELE FILME?! Gostaria de agradecer a todo mundo que ainda está aqui, muito obrigada por não terem desistido da tia Oceans. Muito obrigada também pelos comentários maravilhosos que vocês continuam me mandando, vocês são perfeitas, é muita areia pro meu caminhãozinho. Gostaria de mandar um "Obrigada" especial à Maya, minha linda esposa que me fez essa capa linda (Essa mulher é demais, eu nunca canso de repetir isso). Eu amei tanto, TANTO! Sério, eu não sei o que seria de mim sem você. Gostaria de agradecer também à Blue e à Khaleesi, que me ajudaram com alguns detalhes. Minhas perguntinhas básicas e inconvenientes não irritam vocês? Hahaha, eu espero que não. Vocês são demais, espero que gostem ^^ Créditos ao meu irmão, que também me ajudou, por mais que ele não vá ler isso aqui... Espero sinceramente que vocês todas gostem, está um pouco curto, mas não está chato (Na minha humilde opinião). Estou postando sem revisar, então provavelmente deve estar com erros, mas eu vou tentar arrumar em breve. Imagem de hoje: Mais fofura pra vocês XD

Sentei na cadeira, soltando um suspiro profundo logo em seguida. Fechei os olhos por um segundo, tentando me situar. Minhas ações tinham sido automáticas desde a última sexta-feira, eu comia, dormia, comia mais, dormia mais... Apenas isso, tinha me transformado em um gato doméstico e preguiçoso.

Mas não era por livre e espontânea vontade, eu só não queria ficar na sala.

Minha vida tinha se tornado mais escura do que de hábito, tanto que eu passei boa parte dos meus dias até aqui trancada no meu quarto, tomando sorvete e escutando alguma música qualquer. Tinha dado adeus à minha dieta sem noção, adotado a moda dos moletons em qualquer situação e estava deixando uma espinha horrorosa viver tranquilamente em meu ombro direito. Fora que meus cabelos estavam um verdadeiro lixo, eu não era capaz de fazer nada além de um rabo de cavalo torto. Eu estava horrível, isso era óbvio.

Mas eu era a única nessa situação.

– Ninfa, você ainda está nesse plano? – perguntou-me uma voz familiar.

Ergui o olhar, meu rosto estava livre de qualquer expressão. Reconheci o rosto de Yelisei pairando diante do meu, ele estava apoiado em minha mesa com as duas mãos. Pisquei, calada. Ele piscou, erguendo uma sobrancelha.

– Eu disse “bom dia”, você não ouviu? – ele disse, um pouco incerto.

Sua voz me acordou, eu estava quase em transe ao encarar seus olhos. Ele corou um pouco, engolindo em seco. Suspirei, a culpa não era minha se eles eram tão verdes.

– Bom dia, Yelisei – falei.

Ele sorriu um pouco, mordendo o lábio logo em seguida. Esperei, piscando bem lentamente.

– Er... Você teve um bom final de semana? – ele perguntou.

Pisquei bem lentamente outra vez, tentando formar uma frase completa. Yelisei esperou, seus olhos eram mesmo muito verdes.

– Acho que sim, quer dizer, dormi na maior parte do tempo e meus sonhos foram bem legais – contei, inexpressivas.

Ele piscou, franzindo o cenho.

– Sonhos legais? – perguntou.

Assenti, encarando fixamente seus olhos. Yelisei engoliu em seco, desviando o olhar. Suas bochechas estavam vermelhas, seus olhos continuavam verdes.

– Que tipo de sonhos? – ele perguntou.

– Macacos – respondi, aérea – Macacos voadores com sunga de natação.

Ele riu, dei um pequeno sorriso. Yelisei olhou nos meus olhos, sorridente.

– Sem senso de humor está intacto, ao menos isso – ele disse – Eu fiquei preocupado quando cheguei e te vi, você está parecendo um zumbi.

Franzi o cenho, fazendo um ligeiro bico. Ele sorriu, encarando meu rosto de forma atenciosa e terna.

– Eu estou bem, só estou um pouco... Desligada da vida – falei, desviando o olhar – Esse final de semana não foi o melhor da minha vida.

– O que aconteceu? Quer falar sobre isso? – ele perguntou, sorrindo daquela maneira gentil que só ele conseguia.

Abri a boca para responder, mas o professor entrou na sala na hora. Tínhamos ficado com Sr. Tanaka, que nesse ano era nosso professor de história. As férias de fim de ano tinham feito maravilhas àquele homem, até uma noiva ele arranjara, a professora Momoi.

– Sakura, deixe para cortejar Kazama depois, volte ao seu lugar – disse professor, depositando sua costumeira pasta preta em cima da mesa.

Yelisei arquejou, grande parte da turma começou a rir. Meu amigo corou, encarando o chão. Sorri, suspirando. Ele me olhou rapidamente, respirando fundo.

– Até depois, Ninfa – ele disse.

Assenti, respirando fundo. Ele sorriu, dando um passo para o lado e encontrando seu lugar ao meu lado. Olhei para a outra cadeira ao meu lado, soltando um suspiro. Fuuto não estava em casa hoje, já que tinha feito um show durante o final de semana. Eu pegara carona com Ukyo para chegar na escola, então não senti falta da limusine. Mas sentia falta da companhia de Fuuto, mais do que gostaria de admitir.

Eu sabia que não fazia sentido algum me afastar dele agora, depois do que aconteceu na sexta-feira. Eu chorara em seu ombro, e ele me abraçara até eu não ter mais lágrimas para soltar. Depois disso ele me levara até meu quarto, levara alguns pedaços de pizza que ele tinha comprado mais cedo e ficara comigo até ter certeza de que eu tinha dormido. Eu nem vira o momento em que ele saiu do quarto, e, embora ele tenha me ligado no dia seguinte e dito que tinha saído assim que eu perdi a consciência, eu ainda tinha a leve impressão de ter sido abraçada a noite inteira. Fuuto não estava ao meu lado quando eu acordei, então fiquei sem saber se aquela sensação de proteção fora só um sonho.

– Quero que todos leiam o texto da página 124, dissertem sobre e ele e elaborem quinze questões com base no que acharam – disse o professor, cruzando os braços ao sentar-se no tampo da mesa – Vai valer metade da nota do bimestre, então eu sugiro que vocês prestem bastante...

A porta da sala foi aberta, interrompendo as palavras do professor. Sem olhar para os alunos, trajando sua versão do uniforme da escola e carregando uma sacola de alguma loja de grife, vinha Fuuto Asakura, minha versão de irmão mais velho “perfeito”. Todas as garotas da sala começaram a dar gritinhos animados, alguns garotos reviraram os olhos. Meu irmão bufou silenciosamente, encarando o professor.

– Licença, eu posso entrar? – ele disse.

Aquelas palavras pareciam ser novas para ele, já que a careta que o garoto fazia não era das melhores. Tanaka sorriu, encarando Fuuto com um sorriso engraçado.

– Claro que pode, que portas não se abrem para Fuuto Asakura! – ele disse, divertido.

Acho que até Fuuto deve ter detectado o sarcasmo do professor, já que Tanaka detestava atrasos, e fazia questão de dizer isso todos os dias. Mas era Fuuto, ninguém tinha coragem de contestar qualquer coisa que ele dissesse. Meu irmão deu um impulso para dentro, fechando a porta da sala com o calcanhar esquerdo e passando a mão direita nos cabelos em um mesmo movimento. As meninas foram à loucura, suspirei. O olhar dele esquadrilhou a sala até me encontrar, ele veio em minha direção assim que eu retribuí seu olhar. Todos os alunos observaram meu irmão enquanto ele vinha até mim, esperei. Fuuto olhou-me de cima, exatamente da forma como adorava. Continuei inerte, encarando seus olhos castanhos. Aquele olhar durou por quase um minuto, até ele bufar e se dirigir ao seu lugar. Antes de sentar, ele atirou aquela sacola na minha mesa. Pisquei, um pouco alarmada, já que aquele projétil quase acertara minha cara. Olhei para ele, erguendo uma sobrancelha. Fuuto me ignorou, cruzou os braços e passou a encarar a mesa do professor, respirando em movimentos profundos, tenso. Desviei o olhar até a sacola, respirando fundo. Todos os alunos agora olhavam para mim, ansiosos. Movi minha mão, segurando uma das abas da sacola, abrindo um pouco e espiando para dentro. Pude identificar os contornos de uma caixa de chocolates redonda e colorida, um pequeno frasco de perfume francês e um par de luvas de lã azul claro, mas o que mais chamou minha atenção foi o pequeno elefante de pelúcia cinza claro. Pisquei, sentindo meu coração se apertar. Engoli em seco, respirando fundo. Esperei até que o professor se virasse para tirar o elefante de dentro da sacola, pude sentir meus olhos esquentarem. Respirai fundo, abraçando a pelúcia contra meu peito com meu braço direito. Estendi cegamente minha mão na direção de Fuuto, achando seu braço. Apertei fracamente a manga de sua camisa, agradecendo com aquele gesto. Respirei fundo, mordendo o lábio com força. Ouvi Fuuto bufar, descruzando os braços. Minha mão escorregou até voltar a pender ao lado do meu corpo.

Senti uma mão envolver a minha, meu coração pulou uma batida. Olhei para Fuuto, um pouco incrédula. Ele ainda encarava a mesa do professor, sua expressão era tão tensa que chegava a ser irritada. Os dedos dele apertaram os meus, esfregando-os logo em seguida, como um carinho bruto. Meus lábios tremeram, mordi o lábio. Enterrei meu nariz no elefante de pelúcia, fechando os olhos.

Aquilo devia ser um sonho, eu devia acordar a qualquer momento. Aquele Fuuto não podia ser real, estava tudo errado. Eu devia estar muito mal para que ele fizesse aquilo, Deus, ele até comprara um elefante de pelúcia.

Engoli em seco, respirando fundo. Abri os olhos, expirando com força. Apertei os dedos de Fuuto, mordendo o lábio. Ele apertou meus dedos de volta, entrelaçando-os por um tempo, antes de soltar minha mão. Pude sentir que ele tinha colocado um papelzinho entre meus dedos, retraí meu braço. Abri o bilhete, deparando-me com sua caligrafia perfeita logo em seguida.

Se você chorar de novo, eu enfio esse elefante em um lugar onde vai ser difícil tirar.

– O maior, o melhor.

Ri, sacudindo a cabeça. Dobrei o bilhete outra vez, girando o rosto em sua direção. Sorri, soltando um suspiro aliviado. Ele relaxou um pouco, mas continuou encarando a mesa. Olhei rapidamente na direção do professor, reparando que ele estava concentrado com alguns papeis. Peguei um impulso para o lado, atirando-me na direção de Fuuto. Apoiei meu peso na mesa dele, esticando minha cabeça. Depositei um beijo em sua bochecha, voltando ao meu lugar logo em seguida. Fuuto pareceu surpreso, mas não fez nada além de dar um sorriso de lado, relaxando por completo. Sorri, desviando o olhar até o elefante. Brinquei um pouco com suas orelhas, soltando um suspiro.

– O prazo de entrega da atividade termina em vinte e três minutos e quinze segundos – disse o professor, escrevendo alguma coisa em um papel aleatório.

Engoli em seco, sentindo Fuuto bufar ao meu lado. Coloquei o elefante no meu colo, apressando-me para pegar meu livro. Folheei-o, apressada. Sentia como se uma injeção de adrenalina tivesse sido injetava diretamente no meu coração, dando-me um momento de vitalidade de eu não tinha há dias.

Meus olhos se abriram para a realidade, eu sentia o limbo tremular atrás de mim. Aquela vitalidade me fez ver que eu ainda tinha uma vida para viver, e uma atividade monstruosa para entregar.

Estranhamente, aquela vitalidade cheirava a canela.

**~**~**~**~**

Fechei o livro, bufando. Meu estômago roncou, reclamando pela ausência de comida em seu interior. Meu corpo virara o rosto para mim, irritado com minha consciência por não termos comido nada hoje. Eu ainda estava dividida comigo mesma, mente e corpo ainda brigavam, e eu não sabia de que lado devia estar.

Só sabia que estava com fome.

– Quer almoçar com a gente, Ninfa? – perguntou Yelisei, brotando ao meu lado.

Assenti, arregalando um pouco os olhos. Ele riu da minha reação, contente.

– Vem, Liu trouxe uma torta de chocolate muito convidativa – ele disse.

– Ninguém vai tocar na minha torta – disse Liu, arrumando suas coisas em sua mochila.

Yelisei riu, soltei um suspiro que devia ter sido uma risada desnutrida.

– Ele diz isso, mas daria até mesmo o bentô inteiro se você pedisse – disse Yelisei.

Liu bufou, olhando-nos por cima do ombro.

– Nem pense em pedir isso, eu estou morrendo de fome – ele disse.

Ri, sacudindo a cabeça. Yelisei revirou os olhos, estendendo a mão na minha direção.

– Não liga para ele, eu divido minha sobremesa com você – ele disse, sorrindo de forma doce.

Sorri de volta, estendendo a mão para aceitar sua ajuda. Ouvi uma batida ao meu lado, me assustando um pouco. Fuuto levantou de sua cadeira, vindo até mim e agarrando meu braço. Ele me puxou para cima, cambaleei. Precisei apoiar meu peso com a mão para não cair, ele não me soltou. Lancei-lhe um olhar firme, ele me ignorou.

– Vamos, você vai almoçar comigo – ele disse.

Abri a boca para responder, mas ele me puxou em direção à saída. Tudo que pude fazer foi agarrar meu elefante, já que ele não pareceu se importar muito com meus tropeços.

– Ei, ela vai almoçar comigo – disse Yelisei, sério.

Meu irmão parou, olhando em volta como se tivesse uma mosca rondando sua cabeça. Meu amigo esperou, cruzando os braços acima do peito. Fuuto abriu um sorriso sarcástico, fingindo simpatia.

– Desculpe, você não deve ter escutado, mas eu disse que ela vai almoçar comigo – ele disse.

– E você não deve ter escutado que ela disse que quer almoçar comigo – disse Yelisei, firme.

Pisquei, sentindo meus pelos se eriçarem. Fuuto semicerrou os olhos, puxando-me para ele. Meu corpo bateu em seu peito, arregalei os olhos. Meu irmão encarou meu amigo, apertando-me possessivamente.

– Ela é minha, ela vai almoçar comigo – ele disse.

Abri a boca para protestar, mas Fuuto começou a me puxar pela sala outra vez. Ouvi Yelisei arquejar, mas tudo que pude fazer foi lançar-lhe um olhar desesperado antes de ser rebocada para o lado de fora da sala. Fuuto não desacelerou o passo, apenas me abraçou pela cintura e foi me puxando pelo corredor.

– Que droga, eu odeio quando você me trata assim – resmunguei.

Ele me ignorou, nos levando até a saída principal da escola. Bufei, tentando empurrá-lo sem derrubar meu elefante.

– Qual é o seu problema? Não pode tentar ser gentil pelo menos uma vez na vida? – indaguei, irritada.

– Quer parar de reclamar? Eu nunca mais vou ser legal com você – ele disse, bufando.

Ri, uma risada carregada de escárnio. Encarei seu rosto, tentando ignorar os cochichos e gritinhos dos espectadores da cena.

– Esse é você sendo legal? Acho que prefiro quando você simplesmente me ignora – resmunguei.

Ele rosnou, arrastando-me mais rápido. Desisti de tentar escapar, tropeçando para tentar andar no ritmo dele. Fuuto soltou um suspiro de alívio, relaxando visivelmente.

– Obrigado, eu já não aguentava mais tanta ingratidão – ele disse.

Franzi o cenho, saímos do prédio da escola.

– E pelo que eu seria grata? – perguntei.

Fuuto não me olhou, apenas abriu um sorriso de tirar o fôlego. Bufei, virando a cabeça para a frente.

E perdendo o ar por completo.

Soltei uma exclamação enorme, escancarando a boca. Eu não era a única a encarar o novo brinquedinho de Fuuto, mas era a única a encarar o carro com um olhar assustado.

– Você comprou um Hummer? O que aconteceu com o BMW? – perguntei, escandalizada.

Fuuto riu, dando de ombros.

– Estava pequeno demais, e eu gosto do estilo desse Hummer – ele respondeu – Claro, é complexo demais para uma idiota como você entender, mas existe certa magia em carros com rodas aro 30.

Tossi, engolindo em seco. Chegamos mais perto do monstro prateado, grande parte dos alunos da escola se aglomerava nos portões para tentar ver melhor aquela máquina. Confesso que sentia certo fascínio por carros grandes, mas eu gostava mesmo da BMW. Até o porteiro da escola estava embasbacado com o monstro de quatro... Digo, de oito rodas. Ele quase não nos viu sair, só veio perceber nossa presença quando Fuuto abriu o portão.

– E-ei, vocês não podem...

– Só vamos ficar no carro, eu já pedi permissão na diretoria – disse Fuuto, sem nem olhar na cara do homem.

Ele ofegou, assentindo. Dirigi-lhe um sorriso amarelo, alguém devia ensinar a Fuuto como se deve tratar as pessoas. Saímos para a rua, meu irmão nem se preocupou em fechar o portão da escola outra vez. Ele me puxou até estarmos diante do carro, segurei-me em seu corpo para não cair no chão. Minha cabeça girava, eu não devia ficar sem comer. Fuuto olhou para mim, erguendo uma sobrancelha.

– Não vai vomitar no meu carro novo, vai? – ele perguntou.

Revirei os olhos, soltando-o com um empurrão.

– Eu vomitaria em você primeiro, idiota – resmunguei.

Ele bufou, sacudindo a cabeça.

– Idiota – disse.

Bufei, abraçando o elefante de pelúcia com força. Ele lançou-me um sorrisinho debochado, estendendo a mão para tocar a maçaneta da porta do carro logo em seguida. Aquilo era um progresso, ele sempre mandava o motorista abrir a porta para ele.

– Tente não enfartar, não pense que eu vou te dar uma carona para o hospital – ele disse.

Bufei, abrindo a boca para responder. Ele abriu a porta, e a visão do interior daquele carro arrancou-me as palavras. Ofeguei, dando um passo para trás. Fuuto riu, puxando-me pelo ombro direito.

– Entra logo, não temos o dia todo – ele disse.

Engoli em seco, dando um passo trêmulo na direção do carro. Ele – milagrosamente – me ajudou a entrar, segurando minha mão e fazendo as fãs aglomeradas na escola gritarem histericamente. Ri, embasbacada. Sentei no banco de couro, afundando um pouco e me deliciando com sua maciez. Fuuto entrou logo em seguida, batendo a porta e abafando o som dos gritos das garotas. Olhei em volta, boquiaberta. O interior era todo em coro preto, bruto e sofisticado ao mesmo tempo. Mordi o lábio, olhando para Fuuto. Ele lançava-me um olhar maligno, dando um sorriso torto.

– Bem melhor do que aquela porcaria velha, não acha? – ele disse.

Ri, incrédula. Deixei meu corpo ocupar mais espaço, era terrivelmente confortável ficar, ainda que fosse com Fuuto.

– É bem legal, confesso – falei, deixando um suspiro escapar – Mas o BMW também era incrível, você reclama com a barriga cheia.

– Por favor, eu não quero ouvir a mesma coisa de novo – ele disse, bufando e dispensando-me com um aceno de mão – O dinheiro é meu, eu faço o que quiser com ele.

Revirei os olhos, deixando o elefante de pelúcia descansar em meu colo.

– Por que eu ainda converso com você mesmo? – falei, cruzando os braços.

Fuuto abriu um sorriso maldoso, cruzando as pernas como um gangster.

– Porque eu te trouxe para almoçar? – ele disse.

Pisquei, Fuuto apontou para um canto com a ponta do sapato. Olhei para onde ele me indicava, arregalando os olhos logo em seguida. Uma verdadeira mesa de jantar para duas pessoas estava arrumada e posta nos fundos do carro, decorada com uma toalha roxa e preta. No centro da mesa tinha uma embalagem de isopor com a marca de um restaurante italiano impressa no verso, mesmo estando fechada, exalava um cheiro divino. Senti meu estômago dar sinais de vida, engoli em seco. Fuuto pigarreou, lançando-me um olhar sarcástico.

– E então? – disse.

Eu sabia que ele estava zombando de mim, mas estava faminta demais para ligar. Sorri, largado o elefante de pelúcia.

– Você é o cara mais legal do mundo – falei.

Fuuto soltou uma risada debochada, levantando-se de onde estava sentado para ir até a mesa. Fiz o mesmo, ele já tinha aberto a embalagem quando cheguei. Estiquei o pescoço para espiar, sentindo minhas glândulas salivares terem orgasmos assim que vi a lasanha incrível que descansava dentro da embalagem. Abri um grande sorriso, tocando o ombro de Fuuto com a mão direita.

– Eu amo lasanha – falei.

Ele revirou os olhos, soltando uma risadinha debochada.

– Moramos juntos, idiota, eu sei disso – ele disse.

Arquejei, maravilhada. Ele tirou duas garrafinhas verdes de dentro do pequeno frigobar que tinha ao lado da mesa, sorri para ele.

– Comprou lasanha só porque sabe que eu gosto? – perguntei.

Ele soltou uma gargalhada, quase derrubando um garfo. Sorri, esperado por sua resposta. Fuuto não parou de rir, apenas serviu o conteúdo das garrafinhas nas duas taças que estavam sobre a mesa.

– Não seja idiota, que motivos eu tenho para querer ser gentil com você? – ele disse, tomando fôlego – Essa foi boa, você tem futuro como comediante.

Bufei, afastando-me dele.

– Não sei o que eu estava pensando, claro que um desalmado como você nunca tentaria ser legal com a irmã – falei.

Ele bufou, rindo.

– Senta logo e come a porcaria da sua lasanha, niña iludida – disse, apontando para o banco do carro com o garfo.

Bufei, mas fiz o que ele disse. Fuuto sentou em seu lugar, ficando de frente para mim. A mesa fora posicionada de forma que os bancos do carro serviam como cadeiras, eu me sentia em um restaurante gótico e motorizado. O cheiro da lasanha me deixava entorpecida, mordi o lábio. Meu irmão enfiou uma espátula de prata na embalagem da comida, retirando um pedaço generoso e servindo em um prato. Esperei, sorrindo. Ele soltou uma risada debochada, colocando o prato diante de si mesmo. Revirei os olhos, bufando.

– Por que eu ainda tenho esperanças? – resmunguei.

Estiquei meu braço para pegar meu prato, mas Fuuto foi mais rápido. Rindo, ele pegou a espátula novamente e serviu um pedaço de lasanha no meu prato. Sorri, mordendo o lábio.

– Você pode não ser lá uma dama do meu nível, mas eu fui educado muito bem, obrigado – ele disse.

Bufei, revirando os olhos. Peguei meus talheres, começando a cortar a lasanha.

– Você veio me arrastando da nossa sala até aqui, isso é ter uma boa educação? – indaguei, tentando esconder um sorriso divertido.

Ele riu, enfiando uma garfada de lasanha na boca.

– Esse é só um detalhe, eu não preciso perder tempo tentando ser um cavalheiro com você – ele disse, embolando um pouco as palavras.

Ri, encolhendo-me um pouco no banco. Ele riu, terminando de mastigar o que tinha na boca.

– E essa não foi sua atitude mais educada, Sr. Asahina – falei, preparando uma garfada.

Ele deu de ombros, engolindo. Enfiei o garfo a boca, deliciando-me com aquele sabor divino. Soltei um muxoxo, Fuuto cortou mais lasanha.

– Como eu disse, nada de perder tempo tentando impressionar você – ele disse, lançando-me uma piscadela marota – Aliás, quem precisa fazer isso é você.

Engoli, preparando-me para comer mais. Ele enfiou outra garfada na boca, sorri para o garfo.

– E por que eu faria isso? – perguntei.

Ele deu de ombros, enfiei o garfo na boca.

– Porque eu sou seu ídolo? – chutou, fingindo dizer alguma coisa muito óbvia – Meninas tem a tendência de fingir muita educação ou doçura perto de seus ídolos, e eu ainda não vi você tentando me conquistar.

Não pensei duas vezes, apenas abri a boca, deixando que ele contemplasse meu alimento em sua primeira etapa do processo digestivo. Fuuto fez uma careta enojada, escancarando a boca. Ri, fazendo um esforço absurdo para botar a comida no lugar certo. Engoli do jeito que estava, ganhando mais liberdade para rir da cara do rapaz. Ele soltou um som esganiçado, enfiando a cara nas mãos e puxando seus cabelos com força.

– Eu nunca mais vou deixar você almoçar comigo, nunca mais – ele disse, bufando – Droga, você é a criatura mais nojenta que eu já vi, e olha que eu já vi Wataru passar fezes na cara do Masaomi quando ele era bebê.

Arregalei os olhos, escancarado a boca.

– Wataru fez isso?! – perguntei, chocada.

Fuuto engoliu em seco, abrindo um sorriso sarcástico logo em seguida.

– Fez, e essa lembrança é tão nojenta quanto engraçada, alguém devia ter filmado – ele disse.

Soltei uma gargalhada, batendo palmas. Ele riu também, um pouco mais relaxado por algum motivo que eu não conhecia. Respirei fundo, voltando minha atenção ao prato com um pequeno “Uh”.

– Eu estou cada vez mais apaixonada por essa família, fica cada vez mais difícil escolher a melhor pérola – falei, rindo em meio à frase.

Fuuto bufou, também voltando sua atenção ao seu prato.

– Você não viu nada, Wataru e Hikaru são os reis da zoeira, e olha que eu só peguei o fim da adolescência desse último.

Ri, sacudindo um pouco a cabeça.

– Imagino – falei, soltando um suspiro – Queria ter vivido isso com vocês, aposto que eu iria me divertir bastante.

– Você já se diverte bastante agora, faz diferença? – Fuuto perguntou, comendo um pouco de lasanha.

Ri, dando de ombros. Soltei um suspiro profundo, olhando para o lado por um segundo. Abri um sorriso, sacudindo a cabeça logo em seguida.

Crescer com os Asahina devia ter sido maravilhoso, mas eu ainda preferia minha infância na Espanha. Eu não trocaria minha família por nada nesse mundo, nem mesmo por minha outra família.

Ri silenciosamente, sacudindo a cabeça outra vez. Ergui o olhar até minha lasanha, enfiando um pedaço generoso na boca antes que começasse a pensar em coisas complicadas. Lasanha era bom, tudo fica melhor com lasanha.

– No que você está pensando? – perguntou Fuuto.

Ergui o olhar, reparado que ele me encarava fixamente. Seu braço estava parado no meio do caminho para enfiar o garfo em sua boca, ri daquilo. Dei de ombros, cortando mais um pouco de lasanha.

– Nada de especial, só nos meus micos de infância, que ninguém nunca vai ficar sabendo, já que a única pessoa que está viva para contar sou eu, e eu não gosto de pagar mico – falei.

Ele bufou, olhando-me como se eu fosse muito desprezível.

– Idiota, veja como fala da sua família – ele disse.

Suspirei, engolindo em seco.

– É a minha família, eu falo deles como eu quiser – falei.

Ele abriu a boca para reclamar, mas deve ter visto que eu tinha me encolhido um pouco no banco. Respirei fundo, enfiando mais lasanha na boca para fazer alguma parte do meu corpo trabalhar em algo realmente útil. Fuuto bufou, encarando minha mão, como se ela fosse muito interessante.

– Eu nunca disse o contrário, você é surda ou tem alguma doença mental que te faz embaralhar as coisas que você ouve? – ele disse.

Bufei, sacudindo a cabeça. Respirei fundo, tentado me manter calma.

– Você é um idiota, eu não sei onde eu fico com a cabeça quando começo a achar que você é um cara legal – falei.

Ele bufou, dando de ombros como se eu fosse uma barata morta em um esgoto. Comi minha lasanha, tentando fingir que nunca tínhamos iniciado uma conversa. Aquela era a parte irritante de conversar com Fuuto, uma hora alguém começaria uma discussão, não importava o clima bom.

Como eu consigo gostar desse idiota?

– Assim fica parecendo que você não sente falta deles – ele disse, do nada.

Franzi o cenho, largando o garfo por um segundo. Ele não me encarou, apenas comeu seu almoço.

– Não é que eu não sinta falta deles, eu só não gosto de chorar toda vez que cito meus parentes – falei, dando de ombros.

– Se você sente falta deles, então devia falar deles com mais frequência, em vez de dizer o quanto você deseja ter morado conosco desde sempre – ele disse.

Ri, cheia de escárnio. Encarei-o, indagadora.

– Certo, Fuuto. Quando foi que você virou meu conselheiro, hum? – perguntei.

Ele não disse nada, apenas respirou fundo. Soltei um suspiro pesado, forçando meu corpo a voltar a comer. Tinha perdido o apetite, mas era um crime desperdiçar uma lasanha como aquela.

– Você está muito tenta, bebe alguma coisa – disse Fuuto.

Ergui o olhar até minha taça, contemplando o líquido escuro. Devia ser suco de uva, ele devia saber que eu gostava de suco de uva. Suspirando, estendi o braço na direção da taça. Peguei-a, sentindo o vidro frio por causa do conteúdo. Sem pensar duas vezes, levei a taça aos lábios e tomei um grande gole do suco.

Mas não contava que o suco não fosse mesmo um suco.

Quase cuspi fora o gole que tomara, mas engoli assim que percebi a besteira que estava fazendo. Arregalei os olhos, erguendo o olhar até encontrar meu irmão. Fuuto continuava comendo como se nada estivesse acontecendo, pude notar um sorrisinho debochado em seus lábios.

– Você trouxe vinho para a escola?! – acusei, incrédula.

Ele deu uma risada debochada, erguendo o olhar para me fitar com aqueles olhos castanhos cheios de sarcasmo.

– Bom, eu não sei você, mas eu não estou na escola, estou no meu carro novo – ele disse.

Arquejei, arregalando os olhos. Ele parecia estar se divertindo bastante ao gozar da minha pessoa, realmente, Kazama, você consegue divertir alguém com sua estupidez.

– Fuuto, vamos beber vinho na hora do almoço? – perguntei, incrédula – Ainda temos aulas, e você sabe que eu não me controlo muito bem...

– Eu sei, por isso trouxe o vinho mais forte que pude achar – ele disse, erguendo o olhar.

Arquejei, sentindo-me na mira de uma sniper. Eu tinha familiaridade com aquilo, mas a sniper do Fuuto parecia mais debochada e enojada do que a de Mishima. Engoli em seco, desviando o olhar.

– Eu não quero ficar bêbada, não quero que ninguém na escola me veja daquele jeito – falei.

Ele largou o garfo, me encarando fixamente.

– E eu não quero te ver chorando de novo por pensar demais em alguma coisa ruim que aconteceu na sua vidinha escrota, então bebe logo a droga do vinho e levanta a cabeça, não gosto de ver mulher chorar – ele disse.

Engoli em seco, erguendo o olhar até a taça. O vinho convidativo parecia acenar para mim, minha garganta praticamente pedia por aquilo. Eu estava morrendo de vontade de tomar um bom vinho, e o pouco que eu provara praticamente implorava para que eu mandasse a razão ao inferno e tomasse mais. Respirei fundo, era tão fácil apenas esticar a mão e pegar a taça, por que eu sentia como se estivesse presa?

Por que havia feito uma promessa, e geralmente cumpria minhas promessas.

– Bebe logo, não temos o dia todo – chiou Fuuto, irritado.

Bufei, erguendo o olhar até seu rosto. Ele me encarava como se eu tivesse cometido um crime nojento, senti meus pelos se eriçarem.

– Eu não posso, prometi que não ia beber se não estivesse com alguém realmente responsável – falei, firme.

Ele bufou, pegando sua própria taça. Fuuto tomou um gole, senti minha boca salivar.

– Prometeu para quem? Pra sua vadia dos pentes? – zombou, lambendo o lábio inferior – Pelo que eu sei, ele disse que desistiu de você. Por que você ao desiste dele também? Sabe que é a única sofrendo.

Arquejei, engolindo em seco. Droga, eu sabia que não devia ter contado nada. Mas Fuuto vira que Louis nem mesmo olhara na minha cara no sábado, e nós não nos falávamos de forma alguma, nem mesmo um “bom dia”. Ele era esperto, sabia ligar os pontos. Eu sempre saia com Louis, e sempre voltava para casa com Louis. Mas não naquele dia, e chegara em casa chorando. Fuuto não era idiota, então eu achara melhor contar tudo antes que ele causasse uma briga com Louis para descobrir o que estava acontecendo. Por um momento eu confiara nele, mas já devia saber que não devia ter me dado aquele luxo.

– Brigados ou não, eu fiz uma promessa, e sou uma mulher de palavra – insisti.

Fuuto bufou, revirando os olhos. Desviei o olhar até meu prato vazio, respirando fundo.

– Você é patética, sabia? – ele disse, rindo com escárnio – Ele desiste de você, arruma outra namorada e você continua sendo o cachorrinho dele. Eu tenho pena da sua vadia órfã.

Pisquei, franzindo o cenho. Ergui o olhar, sendo recebida por aqueles olhos castanhos impenetráveis. Ele ficou olhando para mim como se pudesse ler a minha mente, respirei fundo.

`- Outra namorada? – perguntei.

Ele bufou, olhando-me como se eu fosse uma assassina de bebês.

– Está vendo só? É disso que eu to falando – ele disse, indignado – Isso mesmo que você ouviu, Louis está seguindo a vida dele com aquela garota idiota enquanto você está aí, fingindo que não quer beber o vinho só porque é uma boa garota.

Abri a boca para responder, mas não consegui dizer nada. Baixei a cabeça, tentando pensar em algo coerente. As afirmações de Fuuto giravam em minha mente, gritando acusações bem diante do meu rosto. Era tudo culpa minha, eu tinha feito besteira de novo.

Eu já imaginava que Louis não estava brincando quando dissera que ia tentar ser feliz, mas não esperava que ele seguisse em frente tão rápido. Tínhamos... “Terminado” há apenas alguns dias, e ele já tinha arrumado uma namorada? Então era essa o amor que ele sentia por mim? Eu era tão insignificante assim? Ele não demorara nem mesmo uma semana!

Expirei com força, cansada como se tivesse corrido uma maratona. O peso que eu sentia em meus ombros desde a hora em que vi Akira pela última vez parecia ter dobrado de tamanho, mesmo que as horas que eu gastara com Fuuto tivessem aliviado-o um pouco. Nada parecia certo, aquele pesadelo não parecia ter fim, e me empurrava para o limbo com tanta força que eu nem tinha mais vontade de lutar.

Ergui o rosto, fechando a cara. Fuuto me encarou, seus olhos brilharam.

– Dói, não é? – ele disse – O que você quer fazer para aliviar isso?

Meu olhar vacilou, caindo sobre a taça de vinho sem querer. Respirei fundo, tentando não pensar na promessa. Já que nada mais fazia sentido, por que eu insistia em continuar vivendo como se entendesse alguma coisa?

Sem hesitar, estiquei o braço na direção da taça.

Já chega de sofrer.

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Fuuto fechou a porta atrás de nós, amparando-me em seus braços assim que pude. Não falei nada, apenas deixei que ele me guiasse até interior da casa. Já tinha anoitecido, já devíamos ter voltado para casa há duas horas. Eu conseguira me manter firme até a hora da saída da escola, mas assim que entrei no carro de Fuuto, deixei que a vontade de beber aquele vinho desabasse sobre mim. Fuuto então decidira que beber em um carro não era divertido o bastante, então me levara para uma rodovia fechada para obras. Bebemos durante duas horas, sozinhos. As estrelas já reinavam no céu quando decidimos que era hora de voltar, e meu irmão inconsequente tivera que me carregar até o carro.

Agora não era muito diferente, já que eu me apoiava nele para me manter de pé. Meu braço esquerdo o abraçava pelo pescoço, enquanto meu braço direito o abraçava pela cintura. Meu rosto estava escondido em seu pescoço, seu cheiro era a única coisa que me impedia de sair correndo e chorando. Eu estava bêbada, emotiva e cansada, Fuuto era a única coisa que me mantinha de pé.

– Onde vocês estavam? – perguntou uma voz séria.

– Ainda nesse país, eu acho – disse Fuuto, zombando do mais velho sem pena alguma.

Masaomi bufou, ouvi seus passos vindo em nossa direção. Ele tocou meu ombro, talvez tentando ver se eu ainda estava viva.

– Nina, você está bem? – ele perguntou.

Fuuto me puxou contra si um pouco mais, como se dissesse que eu era dele. Não tive coragem de responder, apenas abracei-o mais.

– Está bem bêbada, na verdade – disse Fuuto, rindo pelo nariz – Saia da frente, antes que eu desista de tentar ser bonzinho e a deixe dormir no meio da sala.

Ouvi alguém ofegar de surpresa, funguei. Masaomi me soltou, ele deve ter cruzado os braços.

– Você a levou para beber? Onde estava com a cabeça? – disse outra voz.

Era Ukyo, ele também se aproximou de nós. Fechei os olhos, não queria que ninguém visse meus olhos vermelhos de tanto beber e chorar. Fuuto bufou, irritando-se um pouco.

– Minha cabeça estava em cima do meu pescoço, caso não saiba – ele disse, ríspido – E nós bebemos no meu carro, tecnicamente não fomos a lugar algum.

– Você merece uma surra, só assim para deixar de ser um fedelho idiota – disse alguém, irritado também.

Fuuto bufou, ignorando Yusuke como se ele não passasse de uma árvore em uma floresta. Senti alguém tocar meu ombro, o toque era bem mais gentil dessa vez.

– Nina, venha comigo, eu vou te ajudar a tomar banho – disse Ema, sua voz estava um pouco trêmula.

Neguei com a cabeça, apertando meus braços em volta de Fuuto. Ele me abraçou de volta, soltei um suspiro pesado.

– Ela quer ficar comigo, saiam da frente e nos deixem passar – ele disse, um pouco presunçoso.

– Onee-chan, você bebeu de novo, eu não vou te perdoar dessa vez! – berrou Wataru, irritado.

Soltei um muxoxo, me enterrando em Fuuto como se minha vida dependesse disso. Respirei fundo, tentando não chorar, mas era inevitável. Eu me sentia presa, me sentia como um bicho de zoológico. Fuuto se retesou um pouco, tentando olhar meu rosto. Funguei, permitindo que apenas ele visse minhas lágrimas de desespero. Ele bufou, irritado. Senti seus braços me puxarem para cima, erguendo-me do chão. Agarrei-o com toda força que me restava, deixando que ele me carregasse. Fuuto abriu caminho por entre nossa massa de irmãos, senti alguns tentarem nos deter, mas não por muito tempo. Logo, Fuuto alcançou as escadas. Esperei durante alguns minutos, ele parecia estar estressado. Seus passos eram duros, mas ele me segurava tão forte que eu não sentia muito balanço. Ele só me botou no chão quando chegamos no meu quarto, minha cabeça girou. Fuuto abriu a porta e me empurrou para dentro, trancando a porta uma vez que estávamos dentro. Pude ouvir vários passos no corredor, mas decidi ignorar. Meu irmão me puxou para perto da cama, me jogando nela assim que teve a chance. Chutei meus sapatos, rolando até estar confortavelmente deitada.

– Fica aí, só saia quando todos estiverem dormindo – disse Fuuto, dando-me as costas.

Funguei, me desesperando um pouco. Me sentei na cama, ele estava na metade do caminho para sair do quarto.

– Fica comigo, por favor – pedi, chorosa e manhosa como uma criança mimada.

Ele bufou, me ignorando. Funguei, engolindo em seco.

– Eu não nasci para ser babá, muito menos babá de uma criança bêbada – ele disse.

– Mas foi você quem me fez beber – protestei.

Ele virou na minha direção, lançando-me um olhar cético.

– Eu não forcei o vinho na sua garganta, você bebeu porque quis – ele disse.

Funguei, baixando a cabeça. Ele tinha razão, tudo de ruim que acontecera na minha vida era culpa minha. Eu vinha fazendo besteiras na minha vida há quase três anos, Fuuto não tinha culpa de nada, muito menos obrigação de cuidar de mim.

Suspirei, jogando-me na cama outra vez. Abracei o elefante de pelúcia que eu nem vira Fuuto trazer, respirando fundo. Minha cabeça girava por conta da bebida, eu me arrependia amargamente de ter caído na ladainha de Fuuto. Eu devia ter mais força, devia lembrar da promessa. Mas pensar na promessa me fazia pensar na pessoa a quem eu prometera, e pensar naquilo doía demais. Ao pensar naquilo, eu sentia como se nem todo álcool do mundo pudesse me ajudar, mas agradecia por ter aquela dor de cabeça para me distrair, pelo menos um pouco. Deixei que as lágrimas saíssem, soluçando um pouco.

Ouvi Fuuto soltar um suspiro pesado, grunhindo de raiva logo em seguida. Fechei os olhos com força, ele recomeçou a andar. Respirei fundo, sentindo minha cabeça latejar por conta do choro e da bebida. Eu sabia que enfrentaria um péssimo dia amanhã, mas só conseguia pensar em como aquele dia com Fuuto me ajudara. Eu podia estar chorando muito agora, mas eu sentia como se minha tristeza estivesse me deixando aos poucos, saindo em cada lágrima que eu soltava.

Senti a cama afundar um pouco ao meu lado, meu corpo foi puxado com força. Deixei-me ser envolvida pelos braços de Fuuto, afundando-me em seu corpo. Deitei minha cabeça em seu peito, ele bufou.

– Certo, eu fico – ele resmungou – Para de chorar, isso já tá irritando.

Consegui rir, afundando meu rosto em suas roupas. Respirei fundo seu cheiro, sentindo as lágrimas pararem de sair por si só. Talvez meu dia tenha sido uma droga, e talvez eu tenha errado ao encher a cara daquele jeito. Mas, por outro lado, eu sentia que era necessário. Não que eu fosse começar a beber todos os dias, mas ter quebrado aquela promessa podia ser minha libertação. Eu não queria mais nada que me prendesse ao Louis, e se ele estava sobrevivendo bem sem mim, eu tinha que aprender a viver bem sem ele também.

Respirei fundo, erguendo o rosto. Olhei nos olhos de Fuuto, determinada.

– Você sabe fazer coque frouxo? – perguntei.

Ele revirou os olhos, bufando como se eu fosse uma idiota.

– Claro que sei, quem não sabe fazer isso? – ele disse, rindo debochadamente.

Ri, mordendo o lábio. Enterrei meu rosto nele outra vez, respirando fundo aquele cheiro de canela.

Aquele era o único cheiro que eu queria sentir no momento.

IMAGEM ESPECIAL

Fuuto Asahina (Mordi a foto — Pt. 2)

Notas finais
Eeeeeentão, gostaram? Comentem para deixar a tia Oceans feliz XD Sei que teve chororô nesse capítulo, mas garanto que esse vai ser um dos últimos assim. Já chega de chorar, assim a Nina vai ficar desidratada. Se tudo correr como eu previ, teremos hentai no próximo capítulo (OUVIU, ALIX?). Vou avisando logo aqui, se tiver mesmo hentai no próximo, eu aviso lá também. Próximo capítulo: Acho melhor sacanear o universo mais um pouco. Beijo...