Notas iniciais
Oi gente, como vocês estão?! É isso aí, eu não morri! Estou mais saudável do que nunca, e muito feliz. Tia Oceans está de volta, sentiram minha falta? Eu senti falta de vocês... Um super capítulo para vocês, fiz esse bem grande e com direito a flashback e tudo. Tudo isso para compensar o tempo que passei sem escrever, estou muito animada por estar melhor, espero sinceramente que vocês gostem. Também vou trazer aqui uma informação: Teremos capítulos especiais! É isso aí, vou dar mais detalhes no próximo capítulo, assim divido as bombas em partes. Deixo vocês agora com as crônicas de Nina (ó que nome chique), nos vemos nas notas finais. Imagem de hoje, por ordem de nascença...

– Vamos logo, irmãzinha idiota – disse Fuuto, batendo na porta do meu quarto.

Calcei meu sapato aos pulos, tentando tomar fôlego para responder.

– Eu já vou, tenha calma – falei – E não me chame de idiota.

Pude ouvi-lo rir, trinquei os dentes. Parei diante do espelho, dando um jeito na minha cara da melhor forma possível. Penteei meus cabelos de forma desajeitada, colocando uma tiara branca para disfarçar minha falta de paciência.

– Se me fizer esperar mais um minuto, vou te deixar aqui – disse Fuuto.

Bufei, terminando de passar batom.

– Eu já disse que eu já vou, você é surdo? – respondi, lançando um olhar á porta.

Fuuto bateu na porta outra vez, engoli um palavrão. Peguei minha mochila, correndo de forma desajeitada em direção à porta. Fuuto virou-se como um modelo quando abri a porta, lançando-me um olhar indagador.

– Demorou – resmungou – O que estava fazendo? Costurando o uniforme com um graveto?

Revirei os olhos, saindo do quarto e fechando a porta por fora. Girei a chave, trancando a porta. Enfiei a chave dentro do meu sutiã, aquilo sempre evitava uma perda.

– Eu não demorei mais de 30 minutos, criatura impaciente – resmunguei, virando-me para encara-lo — A culpa foi toda sua.

Ele bufou, olhando-me de forma debochada.

– Não é minha culpa se o banheiro do andar está quebrado – ele disse.

Ri pelo nariz, olhando-o.

– Mas passar quase uma hora no único banheiro disponível é sim sua culpa – revidei.

Ele bufou, olhando-me de cima a baixo.

– Se estava com tanta pressa, por que não pediu para usar o banheiro do Louis? – Fuuto perguntou – Ou o do Masaomi, o do Ukyo, o do Azusa, o do Tsubaki...

– Porque eu não quis incomodar – respondi, arregalando os olhos – Todos aqui tem seus compromissos, eu não quero atrasar ninguém.

Fuuto bufou, aproximando-se um passo.

– Mas quer me atrasar – ele disse – A sua sorte é que um ídolo sempre se atrasa.

Revirei os olhos, passando por ele.

– Então ídolo seria eu, fui eu quem me atrasei – falei.

Ele riu, olhando-me de forma superior.

– Acabou de admitir que foi você quem se atrasou – ele disse – É por isso que eu te chamo de idiota.

Bufei, descendo as escadas com força.

– Não me chame de idiota, idiota – falei.

Ele riu, descendo as escadas com rapidez.

– Mas você é idiota, idiota – insistiu.

Trinquei os dentes, tentando evitar dar um soco em Fuuto.

– Idiota é a sua...

– Olha a boca, irmãzinha – disse Fuuto, tapando minha boca com a mão – Não fale da mamãe.

Empurrei sua mão para longe, ele riu.

– Idiota – disse, piscando para mim.

Revirei os olhos, dirigindo-me até a mesa. Ukyo estava arrumando as coisas para o café da manhã, distraído. Pigarreei, segurando no encosto de uma das cadeiras. Ele ergueu o rosto, um pouco surpreso. Sorri, dando um pequeno aceno.

– Ah, bom dia, Nina – ele disse, abrindo um sorriso – Teve uma boa noite?

– Bom dia, Ukyo – falei, piscando os olhos de forma meiga – Tive uma ótima noite, obrigada por perguntar. E a sua?

Ele pareceu um pouco desconcertado com minhas piscadas, sorri internamente.

– Minha noite foi ótima, obrigado – ele disse, contente – Está com fome?

Assenti, dando uma risadinha. Ukyo abriu um sorriso, eu estava quebrando aquela seriedade dele com êxito.

– Eu vou trazer algo para você, sente-se – ele disse.

– Obrigada – falei, radiante.

Sentei-me à mesa, dando um sorriso contente. Era meu primeiro café da manhã com uma família, estava empolgada. Ukyo retornou da cozinha com meu café da manhã em uma bandeja, abri um grande sorriso.

– Aqui está – ele disse.

– Obrigada – repeti.

Ele depositou uma tigela de papa de arroz bem na minha frente, dando um sorriso.

– Espero que goste – ele disse, afastando-se.

Encarei a papa, respirando fundo. Já estava acostumada com comidas japonesas, então não ia mais torcer o nariz. Eu tinha alguns problemas com a alimentação logo quando cheguei no Japão, as comidas que meu pai fazia me dava alguns calafrios. Minha mãe era espanhola, eu morei na Espanha durante alguns anos da minha vida. Mesmo tendo nascido no Japão, eu me considerava uma garota espanhola.

– Bom dia – disse uma voz agradável.

Virei meu rosto para trás, a visão do sorriso sereno de Iori me recebeu.

– Bom dia – respondi, dando um pequeno sorriso.

Seu sorriso ficou ainda mais afetuoso, concentrei-me na tigela a minha frente.

Estava estranho olhar para Iori, eu não conseguia deixar de pensar no dia anterior.

– Bom dia! – disse uma voz animada.

Senti alguém debruçando-se sobre mim, e logo depois senti um beijo caloroso ser depositado em minha bochecha. Arquejei, escancarando a boca e tocando meu rosto no local onde Tsubaki havia me beijado.

– Tsubaki! – exclamei.

Ele riu, suas mãos apertaram meus ombros.

– Bom dia, irmãzinha – ele disse, sorrindo de maneira provocante – É bom te ver, ainda mais depois do que aconteceu ontem a noite...

Sacudi os ombros, livrando-me de seu aperto nada sutil.

– Bom dia, bom te ver também – falei, irônica.

Ele riu, sentando-se ao meu lado sem a menor cortesia. Iori encarava a cena, nem percebi que ele havia sentado de frente para mim. Desviei o olhar, tentando fingir que não via o sorriso travesso que Tsubaki me lançava.

– Bom dia – disse uma voz bem mais agradável.

Olhei para trás, Azusa puxava a cadeira vaga ao lado de seu gêmeo com um pequeno sorriso. Seus óculos estavam bem na ponte do nariz, observei-o arrumar a armação da forma correta.

– Bom dia, Azusa – respondi.

Ele sorriu ainda mais, retribui o gesto.

– É bom ver todos juntos – disse outra voz agradável.

Sorri, Louis sentou na cadeira ao meu lado.

– Bom dia, Nina – ele disse.

Sorri, encarando-o.

– Bom dia, Louis – respondi.

Ele sorriu, gentilmente.

– Animada para o primeiro dia de aula? – ele perguntou, olhando-me como se eu fosse um filhote fofinho.

– Mais ou menos – falei.

Ele assentiu, dando uma leve piscada graciosa.

– A escola nova te assusta um pouco? – perguntou.

Neguei com a cabeça, ele parecia interessado.

– O que te assusta? – perguntou.

Respirei fundo, deixando meu olhar vagar até a criatura sentada na outra parte da mesa.

– Vou ter que estudar com aquilo – respondi, indicando Fuuto com a colher.

Louis deu uma risada divertida, aquele som me fez sorrir.

– Vocês dois são muito apegados, não? – ele disse, ironizando um pouco.

– Muito – respondi, tão irônica quanto ele.

Ele riu ainda mais, encarei novamente meu café da manhã. Conversas baixas encheram a mesa, os irmãos conversavam entre si como se já tivessem acostumados com minha presença. Sorri com o pensamento, lembrando de uma questão.

– Cadê o Wataru? – perguntei, olhando em volta.

– Masaomi o levou para a escola, a aula dele começou mais cedo hoje por conta de um evento na escola dele – respondeu Ukyo.

Assenti, me sentindo um pouco culpada por só ter percebido a ausência dos dois naquele momento.

– E o Subaru? – perguntei.

– Bem aqui – disse Fuuto, indicando o irmão ao seu lado.

Pisquei, encarando os olhos cinzentos de Subaru, um tanto surpresa.

– Eu nem te vi, desculpe – falei.

Ele assentiu, um pouco desconcertado. Baixei o rosto, constrangida.

Subaru era enorme, eu devia ter visto ele antes.

– E a Ema e o Yusuke? – perguntei.

– Foram juntos para a faculdade, eles geralmente saem mais cedo do que você vai sair – disse Ukyo.

Assenti, soltando um leve suspiro. Comi o mais silenciosamente que pude, Fuuto ergueu-se de sua cadeira antes mesmo que eu pudesse respirar.

– Vamos, agora – ele disse.

– Mas eu nem... – comecei.

Ele revirou os olhos, vindo até mim e puxando minha cadeira.

– Ei! – protestei.

Ele me ignorou, puxando-me pelo braço.

– Tchau pra vocês – ele disse, acenando para nossos irmãos.

– Me solta! – mandei.

Ele me ignorou outra vez, puxando-me até a porta da frente. Saímos da mansão, Fuuto me arrastou até uma limusine branca que estava estacionada na frente dos portões da propriedade. Ele abriu a porta e me jogou para dentro, entrando logo em seguida. Ajeitei-me no banco largo, afastando-me dele o máximo possível.

– Vai – ele disse, acenando para o motorista.

O homem assentiu, Fuuto apertou um botão, fechando uma pequena janela de vidro que separava-nos do motorista. Cruzei as pernas e os braços, fechei a cara e fiz um bico de irritação. Fuuto me olhou, erguendo uma sobrancelha.

– O que? – perguntou.

Aprumei-me no banco, encarando-o.

– Não me puxe daquele jeito, eu não sou suas fãs malucas não – falei.

Ele revirou os olhos, ignorando-me outra vez.

– Estamos atrasados, estou te dando uma carona na minha limusine, e você ainda fica reclamando? – resmungou – Garota ingrata.

Bufei, sacudindo a cabeça. Parece que a lógica do Fuuto e a minha eram coisas bem diferentes, espero que ele saiba ter respeito.

– Nossa escola é muito longe? – perguntei.

Fuuto deu de ombros, olhando-me rapidamente.

– Um pouco, esquece a escola – ele disse, encarando-me – Eu quero saber o que aconteceu entre você e o Tsubaki ontem.

– Ah, isso... – falei, desviando o olhar – Não foi nada.

Evitei seu olhar, fixando meu olhar no chão do carro.

Flashback on

Entrei no banheiro, fechando a porta devagar. Coloquei minha toalha no suporte ao lado da porta do Box, despindo-me preguiçosamente.

O dia havia sido exaustivo, quem diria que passar horas com sua mãe num shopping seria tão divertido. Por mais cansada que eu estivesse, estava feliz por ter tido aquele momento com Miwa. Até mesmo o mico que ela me fez pagar foi divertido, parando para pensar agora que a vergonha já passou.

Pensar nisso me fez pensar em Iori, e em suas mudanças de humor assustadoramente estranhas. Eu nunca imaginei que ele agiria assim, pensava que ele era gentil. Por mais que ele tivesse sido um verdadeiro príncipe, sua expressão fria ainda me causava calafrios.

Pendurei minhas roupas em um gancho na parede, soltando um suspiro. Entrei no Box, preparando-me para ligar meu chuveiro.

– Droga – falei, soltando um suspiro.

Eu esquecera meu sabonete, e não havia nenhum outro disponível no banheiro. Enrolei-me na toalha, imaginando que não haveria problema se eu saísse do banheiro daquela maneira, afinal, eram quase meia noite.

Abri a porta do banheiro com cuidado, olhando em volta antes de sair. Perímetro seguro, start misson.

Ri com meu próprio pensamento, Akira realmente me viciara em comandos de vídeo game. Deixei a luz acesa, assim como deixei a porta fechada. Saí do banheiro, caminhando silenciosamente pelo corredor. Tentei andar o mais rápido possível, evitando fazer qualquer barulho. Cheguei em meu quarto, abrindo a porta rapidamente. Entrei e fui direto à minha maleta de artigos pessoais. Minha saboneteira estava logo em cima da minha escova de dentes, peguei os dois objetos e saí do quarto. Andei rapidamente até o banheiro, pulando sobre uma caixa que estava do lado de fora do quarto de Ema. Cheguei no banheiro, a porta estava entreaberta.

Ergui uma sobrancelha, jurava que tinha deixado a porta fechada. Como não ouvi nenhum barulho, decidi entrar. Nem olhei em volta, uma vez no banheiro, fechei a porta e tirei minha toalha rapidamente.

– Uau! – disse uma voz maliciosa – Com certeza vir ao banheiro de madrugada foi uma ótima ideia.

Senti um calafrio enorme, girando-me tão rápido que meus cabelos voaram ao meu redor. À minha frente, parado e com uma toalha enrolada na cintura, estava Tsubaki. Meu coração pulou uma batida, meus olhos de arregalaram. Soltei um grito abafado, cobrindo-me com a toalha o mais rápido que pude. O homem diante de mim começou a rir, virei de costas para ele, segurando meu rosto entre as mãos.

– O que diabos tá fazendo aqui?! – guinchei, tremendo como uma vara verde.

Tsubaki tentou parar de rir, espirei-o por cima do ombro. Seu rosto estava vermelho de tanto rir, ele segurava a barriga com as mãos.

– Ah Meu Deus! Eu não acredito! – ele disse, sua voz saiu entrecortada por conta do riso – Não, acredito sim. Que hilário!

Grunhi, virando-me para ele com força. Ele demorou até parar de rir, quando o fez, olhou-me com um estranho brilho nos olhos.

– Já pensou em ser modelo? Você tem um corpo lindo – ele disse, dando um meio sorriso.

Arregalei os olhos, arquejando. Ele riu da minha reação, semicerrei os olhos.

– Caramba, que visão linda – ele disse – Que bom que eu resolvi tomar banho agora.

Grunhi outra vez, meu rosto estava quente.

– Não viu a porta fechada? – falei.

Ele riu, olhando-me com certa obviedade.

– Eu vi, e percebi que a luz estava acesa – ele disse – Eu bati na porta, e como ninguém respondeu, eu deduzi que alguém tinha esquecido a luz acesa. Então eu entrei, tirei a roupa, lembrei que havia esquecido minhas roupas, enrolei a toalha na cintura, e quando estava saindo, você entra, fecha a porta, tira a toalha, você me vê, grita, cora como um tomate e ainda me pergunta se eu vi a porta fechada. Francamente, esse deve ser o melhor dia da minha vida.

Ofeguei, soltando um gemido baixo. Tsubaki riu outra vez, enterrei o rosto nas mãos.

– Nossa, que dia perfeito! – gemi, muito envergonhada.

Ele riu ainda mais, espiei-o através dos meus dedos.

– Concordo com você – ele disse – Primeiro, eu consigo o papel que eu tanto queria dublar em um novo anime. Depois, eu acho dinheiro na rua. Depois, eu chego em casa, resolvo tomar um banho, e isso acontece. É o melhor dia da minha vida, sem duvida.

Grunhi pela terceira vez, lançando-lhe um olhar irritado.

– Nem pense em contar isso para alguém! – falei.

Ele revirou os olhos, sacudindo a cabeça.

– E fazer os outros sentirem tanta inveja a ponto de também querer vê-la nua? Nem morto, só eu posso fazer isso – ele disse – Poxa, pena que eu não tirei uma foto. Isso daria ótimas inspirações quando eu estivesse no meu quarto, vou manter essa memória.

Arregalei os olhos, dando-lhe um soco no ombro. Ele riu, recuando um passo por conta do impacto.

– Você é nojento! – resmunguei.

Ele revirou os olhos.

– Eu sou um homem solteiro, preciso me dar carinho de vez em quando, ou acabo ficando carente demais – ele disse – Nada melhor do que uma foto da minha linda irmãzinha para ajudar nesse processo, vou me contentar só com aquela visão. Oh, que visão.

Ele soltou um gemido obsceno, lançando-me um olhar malicioso. Arregalei os olhos outra vez, empurrando-o em direção à porta.

– Ei, qual é? – reclamou, rindo – Vamos tomar banho juntos, já faz um tempo que eu não faço isso com alguém.

– Sai daqui! – guinchei, abrindo a porta e empurrando-o para fora.

Ele riu, consegui joga-lo para fora. Bati a porta com violência, trancando-a com força.

– Calma, maninha – ele disse – Quer acordar todo mundo?

– Não enche! – retruquei.

Ouvi sua risada, sacudi a cabeça. Tomei banho na velocidade da luz, tentando esfriar a cabeça com a água do banho, o que não deu certo, visto que a água estava morna. Fechei o chuveiro, puxando minha toalha com força. Enxuguei-me rapidamente, parando para respirar fundo. Vesti meu pijama de seda azul escuro, eu adorava vestir roupas de seda para dormir. Destranquei a porta e abri-a, espiando.

– Você foi rápida, agradeço. Está frio aqui fora, e eu estou nu – disse Tsubaki.

Ele estava encostado na parede, ao lado da porta. Sua voz me deu um pequeno susto, recompus minha expressão. Respirei fundo, saindo do banheiro. Passei por Tsubaki sem olha-lo nos olhos, ele percebeu que eu estava evitando-o.

Sua mão segurou meu braço, e antes que eu pudesse respirar, Tsubaki puxou-me para seus braços, abraçando-me. Seu corpo estava um pouco quente, levando em conta a frieza da minha pele recém lavada. Seu cheiro natural invadiu meu nariz, entorpecendo-me os sentidos. Não consigo imaginar um motivo coerente para levar Tsubaki a procurar um chuveiro, já que seu cheiro corporal era ótimo.

– Me solta – mandei.

Ele não respondeu, em vez disso, apenas apertou-me mais em seus braços fortes. Senti seu corpo moldar-se ao meu, um arrepio desceu em minha espinha.

Droga, por que ele precisava ser assim tão homem?!

– Eu já falei, me solta – mandei outra vez, trincando os dentes.

– Não – respondeu, sua voz mostrava divertimento, e algo mais...

Sua boca colou-se em minha nuca, sua respiração eriçou os pelos ali presentes. Ele abriu a boca, arrastando-a lentamente até minha orelha. Vários arrepios desceram em minha espinha, sacudi a cabeça.

Tomei uma atitude, movendo meu cotovelo o mais forte que eu pude. Tsubaki recebeu minha cotovelada, soltando um arquejo que foi uma mistura de surpresa e dor. Seus braços me soltaram de imediato, aproveitei a deixa para afastar-me dele.

No meu movimento repentino, acabei trazendo algo comigo que eu não queria trazer: a toalha de Tsubaki.

Meu pescoço virou-se para trás por impulso, arregalei meus olhos na hora em que o vi.

– Argh! – arrepiei-me outra vez.

Reprimi um grito, virando o pescoço para a frente outra vez. Fechei meus olhos numa tentativa desesperada de apagar aquela imagem da minha mente, mas foi em vão.

Ouvi o barulho da toalha quando ele cobriu-se novamente com ela, senti sua aproximação, mas não consegui me mexer. Tsubaki me abraçou outra vez, dando uma risadinha em minha orelha.

– Parece que agora nós estamos quites – ele disse.

Arquejei, soltando-me dele por completo.

– Não encosta em mim, seu safado! – falei.

Ele riu, evitei olhar para ele.

– Como queira, minha linda Nina – ele disse – Tenha uma boa noite, irmãzinha.

Trinquei os dentes, soltando um grunhido do fundo da garganta. Avancei pelo corredor, ouvindo sua risada durante alguns segundos. Andei quase correndo até meu quarto, abri a porta e entrei, fechando a porta sem nem ao menos respirar entre as ações. Joguei-me na cama, enterrando o rosto em meu travesseiro.

Acabei pensando nele outra vez, sentindo um calafrio intenso. Tsubaki era, mesmo que eu não tivesse experiência no assunto, enorme.

Soquei o travesseiro, apertando os olhos com força. Soltei um gemido contra o travesseiro, sentindo meu coração bater como um louco.

Acabei indo dormir com a imagem de Tsubaki em minha mente, sabendo que aquele momento ficaria gravado para sempre em nossas memórias, infelizmente.

Flashback off

Senti o rosto esquentar um pouco ao lembrar daquela cena, sacudi a cabeça. Fuuto me encarava, ele nem tentou esconder sua surpresa.

– Pela sua cara foi algo sério – ele disse – E se você não me contar, eu vou dizer à mamãe que você e o Tsubaki estão de segredinhos.

Revirei os olhos.

– O que esperar de um garoto mimado? – falei, irônica – Desculpe te decepcionar, não vai rolar.

Ele grunhiu, virando o rosto para o lado. Tentei não rir, não consegui.

– Do que está rindo? – ele perguntou, irritando-se.

Neguei com a cabeça, engolindo o riso.

– Nada não, esquece – falei.

– Humpf – ele disse, expirando com força.

Prendi o riso outra vez, sentindo a velocidade do carro diminuir.

– Já chegamos? – perguntei.

Fuuto grunhiu em resposta, revirei os olhos. O carro finalmente parou junto a calçada de uma grande escola, alunos uniformizados entravam aos poucos. Fuuto abriu a porta do carro e saiu, levei um minuto para processar a informação.

– Vai sair ou quer que eu te carregue? – disse Fuuto, olhando-me debochadamente.

Revirei os olhos, mas fiz o que ele disse. Fechei a porta do carro, olhando em volta. Algumas garotas soltaram gritinhos ao ver Fuuto, e rapidamente começaram a cochichar. Revirei os olhos de novo, meu “irmão” abriu seu sorriso de ídolo.

– Você tem sorte, Nina – ele disse – Chegou no mesmo carro que o maior ídolo desse país.

– Vai sonhando, quem sabe você chega lá – falei, dando um sorriso sarcástico.

Ele revirou os olhos, aproximando-se de mim e passando o braço sobre meus ombros.

– Ei! – protestei.

Ele bufou, começando a andar. Não tive outra escolha a não ser acompanha-lo, sentindo os olhares de todas as garotas sobre mim.

– Quem é aquela?! – disse uma delas.

– Porque o Fuuto Asakura está abraçando aquela garota?! – disse outra.

– Argh, porque ele não me abraça daquele jeito?! – berrou outra garota.

Arrepiei-me, Fuuto lançou-me um sorriso sarcástico.

– Está vendo só? Agradeça por sua sorte aos deuses da música – ele disse.

Ri, sacudindo a cabeça. Mesmo sendo irritante, Fuuto era uma boa companhia.

Claro que eu nunca vou dizer isso em voz alta, eu tenho o meu orgulho.

Fuuto e eu caminhamos juntos até chegarmos em um corredor movimentado demais para conseguirmos continuar abraçados, meu irmão soltou meus ombros, mas tomou minha mão.

– Não se perca – ele disse.

Revirei os olhos, ele riu.

– Você me acharia, tenho certeza de que procuraria por mim – falei, irônica.

Ele riu outra vez, sacudindo a cabeça.

– Não se ache demais, saiba que eu só topei te trazer hoje porque a mamãe insistiu – ele disse – Não espere o mesmo de mim amanhã, preste atenção e não se perca.

Revirei os olhos, Fuuto puxou minha mão de forma inacreditavelmente gentil pelo corredor. Novos cochichos encheram o ar, outras garotas ficaram indignadas ao ver-me ao lado de Fuuto, e outras simplesmente nos seguiram desde os portões do colégio.

– Nossa sala é aqui – disse Fuuto, lançando-me um sorriso gentil – Vamos, maninha.

Ergui uma sobrancelha, ele estava completamente diferente do que eu sabia que ele era. Dei de ombros, entrando na sala logo após a entrada de Fuuto. Os alunos que estavam dentro da sala congelaram, as meninas arregalaram os olhos de tal modo que eu pensei que eles explodiriam. Fuuto puxou-me até uma cadeira ao lado da janela, ele colocou minha mochila nela.

– Sente aqui – ele disse, sorrindo para mim.

Ok, isso estava estranho, e muito.

– Tá bom – falei, pronunciando as palavras bem devagar.

Fuuto riu, soltando minha mão para que eu pudesse sentar. Sentei-me na cadeira, sentindo olhares queimarem minha nuca. Evitei olhar em volta, detestaria ser o alvo das fãs do Fuuto logo tão cedo.

Por falar no diabo, Fuuto sentou-se na minha mesa, ficando de frente para mim. Seu olhar debochado e sarcástico contrastava com seu sorriso amigável e gentil, quem via de longe achava que ele realmente gostava muito de mim.

– E onde você senta? – perguntei, tentando fazê-lo parar de me olhar daquela forma.

Ele deu um grande sorriso antes de responder, tentei não fazer uma expressão confusa.

– Você escolhe: ao seu lado ou na sua frente? – perguntou, pegando minha mão.

Olhei para nossas mãos juntas, e inevitavelmente a imagem de Akira me veio a mente. Sempre sentávamos juntos, ele sempre pegava minha mão daquele jeito. Respirei fundo, puxando minha mão e juntando-a com sua irmã por debaixo da mesa.

– Que tal bem longe de mim? – fingi pensar – Por que está agindo assim? Ambos sabemos que eu não sou sua parente favorita.

– Fala isso baixo! – ele disse, sibilando baixinho – Não quero que saibam que somos irmãos.

Aquilo não devia me abalar, eu sabia muito bem que Fuuto não gostava de mim. Eu também não gostava dele, mas...

Ainda assim, aquilo me abalou, só um pouco, quase nada.

– Tem vergonha de ter uma irmã como eu ou é só desgosto mesmo? – perguntei, deixando o sarcasmo engolir minha pequena tristeza.

Fuuto revirou os olhos, dando um pequeno sorriso debochado.

– Não é isso, sua idiota. Eu não quero que os garotos saibam que você é minha irmã, ou vão querer chegar perto – ele disse, olhando-me como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Mas não fique pensando que você é especial, eu continuo te detestando.

Revirei os olhos, soltando um longo suspiro.

– Você é ainda pior do que eu pensei, francamente – falei.

Ele revirou os olhos, e nesse momento um homem entrou na sala. Era baixinho e gordinho, tinha olhos e cabelos pretos.

– Bom dia – ele disse.

– Bom dia, professor Nagashi! – responderam os alunos.

Ri pelo nariz.

– O que é isso, eu voltei pra segunda série? – resmunguei, falando baixo para não ser ouvida.

Fuuto riu, assentindo.

– Senhor Asahina, sente-se em seu devido lugar – disse o professor.

Fuuto revirou os olhos para mim, abafei uma risada. Observei meu irmão sentar-se na cadeira ao meu lado, os alunos me olharam ainda mais, todos curiosos.

– Oh, temos uma aluna nova – disse o professor – Por favor, senhorita, levante-se e apresente-se para a turma.

Trinquei os dentes ao ouvir a risada que Fuuto deu, ergui-me da cadeira de forma decidida.

– Se ferrou – disse Fuuto.

Revirei os olhos, indo em direção ao professor. Parei diante do homem, ele dirigiu-me um sorriso. sorri de volta, virando-me e encarando a numerosa turma. Devia ter cerca de 40 alunos naquela classe, isso era bem mais do que eu estava acostumada. Respirei fundo, o professor tocou meu ombro. Virei meu rosto para olha-lo, ele sorria gentilmente para mim.

– Diga seu nome e nos fale algo sobre você – ele disse – Se tivermos alguma pergunta, faremos assim que soubermos seu nome.

Assenti, olhando para a classe outra vez. Senti o olhar de todos sobre mim, fixei meu olhar naquele que me fitava mais intensamente.

Fuuto parecia estar me analisando, como se tudo que eu dissesse fosse ser usado contra mim no futuro, o que eu não duvidava nada. Ele percebeu que eu o estava observando, Fuuto abriu um sorriso. Dei um pequeno sorriso sarcástico em resposta, ele picou para mim.

– Oi gente, meu nome é Nina Kazama. Tenho 16 anos e nasci em Tókio, mas cresci em Madrid, na Espanha – falei – Meus pais eram uma espanhola e um japonês, por isso não tenho feições asiáticas como todos vocês aqui. Eu gosto de ler, gosto de vogar vídeo game e não sou fã de Fuuto Asakura, prefiro música de verdade. Eu não treinei esse discurso na frente do espelho porque não dou a mínima para o que vocês podem vir a pensar de mim, e se tiverem alguma pergunta, façam logo. Estou com sono e não tomei café direito, então eu quero ir logo para casa e comer qualquer coisa que minha irmã cozinhe, fora que quero abraçar meu irmãozinho, estou com saudades dele.

Alguns alunos riram durante minha apresentação, o professor olhava-me de forma quase assustada. Dei um sorriso satisfeito, virando o rosto para olhar para o professor.

– Assim está bom? – perguntei, usando meu tom de voz mais animado.

Ele piscou, gaguejando um pouco.

– Sim, foi ótimo, muito bom – ele disse, encarando a turma – Alguém tem alguma pergunta?

Uma garota levantou a mão, o professor assentiu.

– Por que você não é fã do Fuuto? – ela perguntou.

Olhei para o tal cantor famoso quando fui responder, dei um sorriso.

– Como já citei antes, eu prefiro música de verdade – respondi.

– E de qual cantor você gosta? – a garota perguntou, interessada.

Abri um grande sorriso, suspirando profundamente antes de responder.

– Axl Rose – respondi – Alguma outra pergunta?

A garota deu uma risadinha, os garotos sorriram uns para os outros.

– Eu tenho uma – disse um garoto aleatório – Por que você morava na Espanha, e porque você voltou de lá?

Pensei um pouco antes de responder, dando de ombros.

– Ah, era o país da minha mãe, e ela queria muito ir morar lá – respondi – Voltei porque fui deportada.

Todos pareciam curiosos agora, até mesmo o professor me olhava.

– Por que você foi deportada? – perguntou uma garota.

Suspirei, engolindo em seco.

– Meus pais morreram – respondi – E como eu não tinha nenhum parente vivo, nem lá e nem aqui, eu fui trazida ao Japão por ser meu país de origem.

Todos ficaram me encarando, alguns com pena, outros com curiosidade. Fuuto me olhava de forma inexpressiva, desviei o olhar até uma garota que ergueu a mão.

– Nina é seu nome verdadeiro? – ela perguntou.

Confirmei com a cabeça, Fuuto ergueu uma sobrancelha.

– Sério? Eu achei que era só apelido – ele disse.

Todas as atenções voltaram-se para ele, Fuuto nem ligou.

– Meu nome é uma variação da palavra niña, que significa “menina” em espanhol – respondi.

Ele assentiu, entendendo.

– Você sente saudade de alguém lá da Espanha? – perguntou um garoto.

Ponderei, eu não tinha muitos amigos lá.

– Só sinto falta de umas duas amigas – respondi – Claro, da lista de pessoas que eu sinto falta na Espanha.

– Você sente falta de alguém aqui no Japão ? — o mesmo garoto perguntou, sem nem mesmo me deixar respirar.

Assenti, baixando o olhar por um momento.

Estaríamos rindo da voz monótona da professora Yuki nesse momento, ele provavelmente estaria desenhando um pássaro na palma da mão. Soltei um pequeno suspiro, recordando-me do seu cheiro maravilhoso. Pensei em seu sorriso, ele parecia ainda mais brilhante em minha mente. Recordei-me da maciez de seus cabelos, sentida por meus dedos todas as vezes em que deitávamos às escondidas no jardim do orfanato. Bruce sempre nos pegava, Akira e eu sempre acabávamos ameaçando-o para que ele não contasse a ninguém.

Aquela lembrança me fez rir, soltei um longo suspiro. Uma mão em meu ombro me fez perceber que eu estava na sala da aula, e que todos os alunos estavam me encarando. Fuuto encarava-me de forma de um tanto irritada, como se ele tentasse ler minha mente, mas não estivesse tendo sucesso.

– Muito bem, pode sentar – disse o professor, soltando meu ombro de forma suave.

– Não! – reclamaram os alunos.

Ri, dirigindo-me ao meu lagar. Alguns alunos lançavam-me perguntas aleatória enquanto eu dirigia-me ao meu lugar, Fuuto ainda me encarava daquele jeito.

– Qual é sua cor favorita? – perguntou uma garota.

– Azul – respondi, a cor dos olhos de Akira.

– Por que você veio com o Fuuto? – perguntou outra garota.

– Pergunte a ele – respondi, quase chegando em minha cadeira.

– Você está solteira?! – perguntou um garoto, gritando do outro lado da sala.

– Não! – respondi, estalando a língua e sentando no meu lugar com um sorrisinho.

– Ah! – a parte masculina da sala resmungou, todos fazendo cara feia.

Ri, sacudindo a cabeça. Todos ainda olhavam para mim, algumas meninas riam da reação dos meninos.

– Pessoal, silencio! – disse o professor.

Quase de imediato, os alunos calaram as bocas. O professor respirou fundo, aliviado.

– Muito bem, vamos começar – ele disse, virando-me em direção à lousa – Continuando a aula anterior, a geografia africana...

Ele continuou falando, perdendo minha atenção de imediato. Juntei minhas mãos ao lado do rosto, tentando resistir à tentação de tirar uma soneca.

Um suave baque em meu braço direito chamou minha atenção, era uma bolinha de papel. Peguei-a com cuidado, olhando em volta para tentar identificar o autor da ação. Um garoto piscou para mim, o circulo de garotos a sua volta acenou discretamente. Sacudi a cabeça, o garoto que arremessara a bolinha de papel mandou-me abri-la com um gesto. Fiz o que ele disse, revirando os olhos.

Você é linda.

– Ayato.

Revirei os olhos para o conteúdo do bilhete, arremessando a bolinha no lixeiro. O professor nem percebeu, voltei a considerar uma possível soneca. Senti outra bolinha me atingi, soltei um suspiro ao abri-la.

Tem mesmo um namorado? Pode ser sincera comigo.

– Ayato.

Revirei os olhos, atirando a bolinha no lixeiro outra vez. Olhei pela janela, observando o terreno da escola. Era um prédio grande, e tinha uma grande área verde. Era bonito, isso eu não podia negar, mas eu não me sentia muito contente ali. Sentia falta dos meus antigos professores, por mais chatos que eles fossem. Senti falta de Bruce interrompendo os professores uma vez por minuto, mesmo achando ele um babaca, não deixava de ser engraçado. Senti falta até mesmo de Mishima, e acabei soltando uma risadinha discreta ao pensar nisso.

Nesse momento, um grupo de pássaros passou voando próximos a minha janela. Abri um sorriso, soltando um suspiro contente. Eles voavam em sentido ao norte, justamente no sentido em que ficava o orfanato. Talvez Akira os visse voar, talvez ele sorrisse ao vê-los, assim como eu fiz. Pensei em amarrar um bilhete na pata de um daqueles pássaros, pensei em contar ao tal pássaro o quanto eu gostaria que aquele bilhete fosse entregue. Talvez o pássaro me ouvisse, e talvez levasse meu bilhete em segurança. Talvez Akira sorrisse ao ver os pássaros, e talvez ele sorrisse ao ler o simples “eu te amo” que eu escreveria em meu bilhete.

Senti outra bolinha me atingir, grunhi, virando o rosto com uma expressão irritada.

Ninguém me olhava, nem mesmo o tal Ayato. Franzi o cenho, pegando a bolinha. O papel era decididamente diferente, abri a bolinha com uma expressão curiosa.

Obrigado por facilitar o meu trabalho, isso até compensa o fato de que você odeia minha música. Não se preocupe, eu não estou abalado, sei que você é minha fã, mas é orgulhosa demais para dizer isso em voz alta.

– Você sabe quem sou eu, niña.

P.S.: continue olhando pela janela e sorrindo como uma idiota, todos estão achando que você está apaixonada, e isso, como já falei, facilita meu trabalho.

Revirei os olhos, amassando a bolinha nas mãos. Olhei para Fuuto, lançando-lhe um olhar sarcástico. Ele não me olhava, apenas sorria ao fingir que prestava atenção no falatório do professor. Ri baixinho, sacudindo a cabeça e suspirando. Guardei a bolinha de papel dentro da mochila, sorrindo no ato. Não que ela fosse especial, mas era a primeira vez que Fuuto e eu tínhamos nos entendido.

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O dia passou aos poucos, arrastando-se mais do que o necessário. Não consegui evitar o suspiro de alívio que soltei quando a aula acabou, fazendo com que a maioria dos alunos que estavam perto de mim me olhassem. Fuuto guiou-me para fora da escola, segurando-me pela mão. Nenhuma garota tivera coragem de perguntar para ele o motivo de nossa proximidade, achei melhor assim. Eu não queria ser alvo das garotas só por ser irmã do Fuuto, preferia que elas ficassem só na curiosidade. Fuuto e eu ficamos juntos durante o dia todo, ele sempre sorria gentilmente para mim enquanto tinha gente por perto. Quando ficávamos sozinhos a coisa mudava, e nos alfinetávamos como normalmente fazíamos.

Neste momento, estávamos um ao lado do outro. A limusine era dirigida a uma velocidade aceitável, fazendo com que nossos corpos não se movessem muito.

Fuuto não olhava para mim, ele parecia não ligar para minha presença. Acabei soltando um suspiro, sorrindo ao perceber que ele não se importava com minha presença.

– Não fique toda aliviada, amanhã você volta para casa andando – ele disse, quebrando o silencio.

Dei de ombros, ele espiou-me pelo canto dos olhos,

– Eu não ligo, gosto de andar – menti, mas não queria deixa-lo ganhar.

Ele riu, sacudindo a cabeça.

– Você mente mal, idiota – ele disse.

Soltei outro suspiro, dando de ombros outra vez.

– Dane-se – falei.

Ele me olhou, cético.

– Isso não é palavreado de uma niña como você – ele disse.

Dei de ombros pela terceira vez.

– Dane-se, não sou mais criança – falei – E pare de usar o estado bruto do meu nome, eu prefiro a forma lapidada.

Ele riu, não pude segurar um sorriso.

Passamos o resto da viagem em silencio, Fuuto só olhou para mim quando o carro parou diante da mansão Asahina.

– Vamos – ele disse.

Assenti, seguindo-o para fora. Ele abriu os portões e entrou, fechando-o antes que eu pudesse entrar.

– Ei! – protestei.

Ele riu, encarando-me com seus sarcásticos olhos castanhos.

– Me deixa entrar! – mandei.

– Nã-nã-nã – ele disse, batendo a língua nos dentes cada vez que repetia aquele som – Só se você me contar o que houve entre você e o Tsubaki.

Rosnei, batendo na grade.

– Esquece isso, não foi nada demais – menti – Anda, me deixa entrar.

Ele riu, negando com a cabeça.

– Conta ou fica aí, escolhe – ele disse.

Bati o pé no chão, irritando-me.

– E eu achando que você tinha mudado – resmunguei – Continua o mesmo imbecil.

Fuuto riu, colocando o rosto entre as grades.

– Não se iluda, só te tratei bem porque estava atuando – ele disse – Fiz um bom trabalho, vendo por essa sua cara de besta.

Soltei um grunhido irritado, ele riu.

– Está ficando tarde, eu não gosto de passar frio – ele disse – Não me faça ficar aqui por mais tempo, a escolha é toda sua.

– Como você é irritante! – rosnei – Tudo bem, eu conto. Tsubaki e eu nos encontramos ontem de madrugada no caminho pra cozinha, eu estava usando pijamas de girafinhas. Está contente agora?

Ele riu, ignorando minha careta irritada.

– Sério? Eu queria ter visto – ele disse – Vem, entra.

Ele abriu o portão, soltei um suspiro de alívio. Entrei rapidamente, Fuuto fechou o portão, ainda rindo.

– Não se anima muito, eu não te deixaria entrar se não estivesse curioso – ele disse.

Ri, lançando-lhe um olhar sarcástico.

– E eu não te contaria nem se você me fizesse passar a noite toda do lado de fora – falei, rindo – Sinta-se enganado, niño.

Ele parou de rir na hora, abri um sorriso.

– Sua vaca... – disse.

Ri, deixando-o para trás. Corri até o lado de dentro, ouvindo seus passos atrás de mim. Ri ainda mais, entrando na casa correndo. Fuuto correu atrás de mim, conseguindo alcançar-me no momento em que entrei na sala e me deparei com todos os irmãos me olhando de forma curiosa e surpresa. Eu não conseguia parar de rir, e fiquei surpresa ao ver que o mesmo acontecia com Fuuto. Ele me puxou para si com força, erguendo-me em seus braços no ar.

– Me solta, Fuuto! – exclamei, ainda rindo.

Ele não respondeu, apenas girou-me nos braços uma vez, aos risos.

– Onee-chan! – disse uma voz familiar, ele parecia enciumado e contente ao mesmo tempo, fazendo sua voz virar um guincho.

– Wataru, me salva! – falei, rindo tanto que minha voz saiu como um pato morrendo.

Fuuto me botou no chão no momento em que o pequeno correu até nós, ele ainda ria. Respirei fundo, Wataru parou diante de mim. Olhei para sua face, ele cruzou os braços.

– Onee-chan! – repreendeu-me, batendo o pé no chão.

Ri, agachando-me para abraça-lo. Ele não retribuiu meu abraço até eu erguê-lo nos braços, girei-o duas vezes. Ele riu, voltando a sua forma doce de sempre. Depositei um beijo em sua bochecha, o garotinho soltou uma risada animada.

– Boa tarde, gente – falei, sorrindo para os presentes.

– Boa tarde, Nina – disse Ukyo, retribuindo meu sorriso.

– Está de muito bom humor hoje – disse Masaomi, sorrindo de forma surpresa para mim.

Ri, assentindo. Coloquei Wataru no chão, indo em direção a Masaomi. Ele sorriu quando cheguei perto, mas pareceu muito surpreso quando eu o abracei.

– Eu não tinha te visto hoje – expliquei, espichando-me para poder chegar à sua orelha.

Ele soltou um arquejo surpreso, mas logo relaxou. Ele retribuiu meu abraço levemente, como se não estivesse acostumado com uma garota abraçando-o. Afastei-me dele gentilmente, ele sorria para mim. Percebi a presença de Ema em um canto, ela sorria de leve. Sorri abertamente para ela, indo em sua direção. Apertei-a em um abraço, ela soltou um arquejo de surpresa.

– Eu também não te vi hoje – falei, afastando-me dela gentilmente.

Ela riu, corada. Engoli uma risada, como ela conseguia ficar corada ao receber o abraço da irmã?

Olhei para Yusuke, ele estancou. Ri, dirigindo-lhe um aceno.

– Oi, Yusuke – falei.

Ele grunhiu em resposta, ri outra vez.

– Por que eu não ganho um abraço? – perguntou Tsubaki.

Olhei para ele, o homem sorria de forma quase maliciosa.

– Porque minha cota de abraços já acabou por hoje – falei.

Alguns dos irmãos riram, Subaru, Yusuke e Ema deram sorrisos contidos. Wataru correu até mim, abraçando minha cintura.

– A onee-chan vai brincar comigo hoje? – perguntou, olhando-me com aqueles olhos enormes.

Ele fazia de propósito, eu tenho certeza disso.

– Posso tomar banho primeiro? – perguntei.

Wataru riu, assentindo.

– Pode, onee-chan – ele disse, soltando-me.

Ri, indo em direção às escadas. Senti a presença de alguém atrás de mim, como pensei que era Wataru, eu ignorei. Entrei no corredor, indo em direção ao meu quarto. Senti uma mão segurar meu pulso, virei de imediato.

– Não pense que eu desisti, niña – Disse Fuuto, lançando-me um olhar debochado enquanto seu sorriso era divertido – Eu ainda vou descobrir seu segredo.

Ri, puxando meu braço.

– Gostaria de te ver tentar – falei.

Ele riu sarcasticamente, passou por mim, e sumiu no corredor.

** ~ **

– Obrigado, onee-chan – disse Wataru, sorrindo.

Sorri de volta, agachando-me para depositar um beijo em sua testa.

– Foi divertido – falei – Acho que vou topar brincar com você mais vezes.

– Yay! – ele disse, rindo.

Ri também, soltando um longo suspiro.

– Boa noite – falei.

Wataru aconchegou-se nas cobertas, soltando um suspiro.

– Boa noite, onee-chan – respondeu.

Sorri, erguendo-me. Direcionei-me à porta do quarto, apagando a luz. Saí do quarto, fechando a porta devagar.

– Ele está ficando acostumado – disse uma voz.

Virei, Louis me observava com um sorriso gentil no rosto.

– Parece que estamos formando um costume aqui – brinquei.

Ele riu, sorri.

– Como foi seu dia? – perguntei, começando a andar.

Louis sorriu, acompanhando-me.

– Foi um pouco cansativo, mas foi bom – respondeu, sua voz tranquila me acalmou muito – E o seu?

Suspirei, dando um pequeno sorriso.

– Foi até legal – falei, parando para revirar os olhos – Tirando o fato de que eu passei o dia todo com o Fuuto, é claro.

Louis soltou uma risadinha calma, não pude deixar de sorrir.

– Nada pode ser perfeito, certo? – ele disse – Quero dizer, ninguém pode ter um dia completamente perfeito, pode?

Pensei um pouco, Louis sorriu para o chão.

– Tem razão – suspirei – Mas isso não significa que não sevemos tentar deixar o dia de alguém perfeito.

Ele me olhou, olhei para ele. Trocamos um longo olhar, nem reparei que já estávamos na porta do meu quarto. Por fim, Louis abriu um sorriso lindo.

– Você é realmente uma garota fascinante – ele disse – É um belo conceito.

Sorri, desviando meu olhar para o chão por um segundo. Senti sua aproximação, não pude refrear um suspiro. Abracei-o de volta, ouvindo sua risada calma e tranquila.

– Achei que você já tivesse atingido seu limite diário de abraços – ele disse, seu tom era leve e descontraído.

Dei de ombros, ainda abraçando-o.

– Eu abro uma exceção para você – falei.

Ele riu baixinho outra vez, soltei um suspiro. Soltamos-nos devagar, Louis abriu um sorriso carinhoso para mim.

– Boa noite, Nina – ele disse.

Sorri de volta, afastando-me dele de forma gentil.

– Boa noite, Louis – falei.

Ele suspirou, lançando-me um ultimo sorriso, antes de virar-se e desaparecer no corredor. Como se fosse um costume, acabei observando-o ir embora outra vez. Entrei em meu quarto com um pequeno sorriso, soltando um suspiro aliviado.

Eu estava um pouco nervosa desde a hora do jantar, nem mesmo Wataru tinha conseguido prender minha atenção por completo enquanto brincávamos. Eu estava com uma coisa na cabeça desde ontem, quando comprei o aparelho branco na loja de eletrônicos do shopping.

Sentei na cama, enfiando a mão debaixo do travesseiro. Tirei o iPhone e girei-o nas mãos, soltando um rápido suspiro. Já havia vários contatos em minha agenda, todos da minha família. Miwa adicionara alguns contatos de emergência, o telefone da casa dela e o telefone do motorista do Fuuto, caso eu fosse precisar. De todos os números naquela agenda, eu só conseguia pensar em um.

Eu já havia decorado aquele número, já tinha salvo ele em minha agenda, mas ainda assim não tinha jogado aquele papel fora. Eu o guardava dentro de um pequeno baú de joias que Miwa me dera ontem, assim como coloquei a bolinha de papel de Fuuto me jogara hoje.

Mesmo sabendo que aquele era o número certo, eu ainda estava nervosa. E se Mishima tivesse confiscado o celular dele? E se Bruce tivesse nos dado o número errado só por sacanagem? E se ele não atendesse?

Sacudi minha cabeça com força, é claro que ele ia atender.

Ainda assim, aquele nervosismo ainda não me abandonara. Disquei o número, tocando na tela com meus dedos trêmulos. Colei o telefone contra minha orelha, prendendo a respiração.

A ligação chamou uma vez, meu coração acelerou-se como se estivesse correndo uma maratona.

Chamou outra vez, tentei respirar fundo, falhando miseravelmente.

Chamou pela terceira vez, comecei a ficar preocupada.

A ligação chamou pela quarta vez, meu coração parecia feito de chumbo. Minha chamada já durava quase um minuto, e ninguém atendera. Soltei um suspiro pesado, fechando os olhos com força.

– Vamos, Akira – sussurrei – Atenda.

A ligação chamou pela quinta vez, soltei um ultimo suspiro.

E então, a ligação parou de chamar. Ouvi um som estranho, mas familiar.

Foi um arquejo, um arquejo de desespero, talvez. Não sei ao certo, e nem me importava.

Alô?! – sussurrou uma voz conhecida, quase entrando em desespero – Alô?! Nina, é você?!

Minha respiração parou, meu coração pulou uma batida. Abri meus olhos, sua voz estava tão vívida que pensei que ele estava ali.

– Akira?! – chamei, minha voz saiu como um grasno desesperado – Akira, sou eu!

IMAGEM DO CAPÍTULO (COMO EU SENTI SAUDADES DISSO)

Azusa Asahina

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado. Vou colocar o link do Azusa aqui só por garantia ---> http://img4.wikia.nocookie.net/__cb20131115221946/brothersconflict/images/thumb/e/ec/Asahina_azusa_render_brothers_conflict_by_tsunderemayu-d68dke5.png/240px-Asahina_azusa_render_brothers_conflict_by_tsunderemayu-d68dke5.png Aqui está o uniforme da Nina ---> http://www.polyvore.com/nina_kazama_uniforme_da_escola/set?id=129178109 Pronto, muito obrigada por terem lido, tia Oceans ama vocês. Tia Oceans ficou todo esse tempo pensando em vocês. Tia Oceans estava morrendo de saudade de vocês. Tia Oceans está falando dela mesma em terceira pessoa porque tia Oceans é idiota. Ignorem a tia Oceans, mas comentem para deixar a tia Oceans feliz. Não liguem para o fato da tia Oceans ter apenas 15 anos e já querer ser chamada de tia, essa tia Oceans é louca. Beijo...