The New Girl in the House
11 Chamada - Especial Akira
Notas iniciais
O silencio de instalou do outro lado da linha, prendi a respiração. Logo uma risada loucamente aliviada ecoou em meu ouvido, soltei um arquejo surpreso.
– Oh meu deus, Nina, é você! – disse Akira, ele ria descontroladamente – Não consigo acreditar, é como um sonho!
Acabei acompanhando sua risada descontrolada de modo mais sutil, eu quase podia ver sua careta risonha.
– Ah, estou tão feliz, sabia que valeria a pena invadir o escritório da Mishima – ele disse, soltando um longo suspiro – Eu esperei você ligar, esperei muito.
Ele não tinha tom de acusação em sua voz, mas não pude evitar de me sentir mal. Dei um sorriso amarelo, olhando em volta de modo arrependido.
– Meu desculpe, Akira – falei – Eu não tinha um telefone, só ganhei ele ontem, mas esqueci de ligar.
Era verdade, eu iria ligar para Akira depois que terminasse meu banho, mas acabei com a cabeça cheia de Tsubaki.
– Nossa, só estamos sem nos ver a cerca de três dias e você já esqueceu de mim? – ele disse, seu tom era brincalhão – Me sinto traído.
Ele riu, como se divertisse-se muito com a ideia. Soltei um pequeno arquejo, irritando-me com aquele seu comentário.
– Que droga, Akira! – chiei – Eu nunca te trairia, eu só esqueci de te ligar.
Akira riu, deixando-me ainda mais surpresa.
– É uma boa ideia, essa sua – ele disse – Você poderia dizer da próxima vez que esquecer de me liga algo tipo assim: Akira, eu traí você. Eu ficaria com muita raiva, aí você poderia rir e dizer: é mentira, eu só esqueci de te ligar.
Ele deu mais algumas risadas antes de perceber que eu estava chateada, ouvi-o soltar um suspiro.
– Nina? Você ainda está aí? – perguntou, parecendo um pouco preocupado – Por favor, fale comigo.
Soltei um suspiro leve, Akira esperou.
– Estou aqui – falei – Mas pode ser por pouco tempo, é só você começar a dizer coisas idiotas como essa.
Ouvi seu suspiro pesado, esperei.
– Me desculpa – ele disse, sua voz parecia quase cansada – Eu fiquei tão feliz por receber sua ligação que comecei a falar besteiras, me desculpa.
Respirei fundo, pude ouvir sua hesitação do outro lado da linha.
– Tá – cedi, dando de ombros com força – Não diga mais bobagens.
Pude ouvir um risinho contido, trinquei os dentes.
– Como quiser, senhora – ele disse – Por que não me conta como foi seu dia?
Soltei um suspiro de alívio, feliz por tomarmos um rumo confiável.
– Meu dia foi bom, obrigada. E o seu? – falei, sem conseguir reprimir um sorriso.
– Meu dia também foi bom, obrigado – ele disse, falando como se não tivéssemos passado três dias longe um do outro.
Abri um sorriso ainda maior, sem conseguir reprimir uma risadinha. Ouvi sua respiração ficar um pouco mais pesada, ele respirou fundo.
– Por favor, não me diga que você está sorrindo – ele disse, quase implorando.
Pisquei, confusa. Ouvi seu arquejo impaciente, respirei fundo.
– Odeio isso, odeio mesmo – ele disse, suas palavras eram duras.
Abri a boca para falar, mas não fui capaz de dizer uma única palavra.
– Odeia o fato de eu estar sorrindo? – perguntei, confusa.
– Não é isso,é exatamente o contrário – respondeu, soltando um suspiro pesado – Eu amo quando você sorri, eu amo ver ser seu sorriso. Saber que você está sorrindo, saber disso e não poder ver ser sorriso diante de mim, isso me deixa louco.
Ele expirou pesadamente, pude imagina-lo segurando a testa com sua mão livre.
– Eu odeio estar longe de você, odeio muito – ele disse, respirando fundo – Tudo que eu queria agora era poder tocar você, beijar você, ver seu sorriso e poder beija-la sabendo que sempre estaremos juntos.
Escutei tudo aquilo com um punho de ferro apertando meu coração, não pude refrear um ofego.
– Akira... – falei, minha voz morreu no fim de seu nome.
Ouvi sua respiração pesada do outro lado da linha, pude adivinhar que ele estava a beira das lágrimas apenas por ouvir aquele som.
– Eu sinto tanto a sua falta, minha Nina – ele disse, respirando fundo antes de continuar – Eu gostaria de dizer que estou bem, que estou feliz por você. Eu gostaria de sorrir para o celular e dizer que eu estou tranquilo, que vai ficar tudo bem. Mas eu não consigo, eu não consigo, Nina.
Ele pagou para puxar fôlego, esperei.
– Eu só consigo pensar em coisas ruins, só consigo pensar nessa maldita distância que insiste em te levar para longe de mim – ele disse, engoli em seco – Meu amor, me perdoe. Eu sei que eu devia estar te dando forças agora, mas eu não consigo. Eu estou fraco, eu fico fraco longe de você.
Ele parou de falar, deixando sua voz morrer. Akira era um garoto brincalhão, mas eu sabia o quanto ele podia ficar sensível. Eu devia dizer alguma coisa, mas não conseguia parar de tremer.
– Akira, eu te amo – foi tudo que consegui dizer.
Ouvi uma fungada, refreei um gemido de dor.
– Eu também te amo, mais do que posso descrever – ele disse, sua voz estava um pouco embargada, mas ele tentava disfarçar – Me desculpe por ser um filho da mãe egoísta, mas eu acho que percebi um pouco tarde demais que eu não posso ficar sem você.
Sequei uma lágrima que escorreu em meu rosto, soltando um suspiro pesado. Deixei-o em silencio, se estivéssemos juntos, eu apenas o abraçaria.
– Passou? – perguntei, minha voz saiu bem fraquinha.
Ele fungou outra vez, soltando um pigarro forte.
– Não, mas eu consigo aguentar – ele disse – Me desculpe.
Soltei um suspiro, percebendo que ele já havia parado de chorar.
– Posso perguntar como você está? – perguntei, forçando uma cautela incômoda.
Ouvi uma risadinha fraca do outro lado da linha, suspirei.
– Estou bem, tirando o fato de estar longe da minha namorada amada, claro – respondeu – Assumi seu cargo de vice-líder com conselho estudantil.
Abri um sorriso satisfeito, eu havia consegui fazê-lo sorrir.
– Que ótimo, fico muito feliz por você – falei – A Mishima está te tratando bem?
Akira bufou, divertido.
– Ela me trataria melhor se eu não tivesse usado o celular durante a última aula de hoje – ele disse.
Revirei os olhos, Akira esperou.
– Por que estava com o celular na mão? Perdeu o juízo? – ralhei.
– Eu estava desesperado, queria ver se você me ligava – justificou-se, pude imagina-lo erguendo as mãos em rendição – Eu fui descuidado e ela acabou me vendo e confiscando meu celular, nada além disso.
Revirei os olhos outra vez, mas não pude conter um suspiro culpado.
– Desculpe – falei – Vamos evitar isso, só vou te ligar após o toque de recolher, assim ninguém confisca seu celular.
– Muito bem, bom plano – ele disse, sua voz tinha tom de riso – Assim eu não preciso invadir a sala da Mishima outra vez, aliás, eu te admiro muito por fazer isso tantas vezes sem se pega por ninguém.
Não pude conter uma risada, ouvi Akira rir.
– Eu tenho meus talentos – falei – E você não devia sair da cama depois do toque de recolher, pode ser perigoso.
Ele com certeza revirou os olhos, mordi o lábio.
– Não duvido nada dos seu talentos, senhorita Kazama – ele disse, imitando a voz de Mishima – Mas é muito mais perigoso para você do que é para mim.
– Eu rio na cara do perigo – brinquei.
– Não duvido nada – repetiu – Você travessa, senhorita Kazama.
– Você é muito pior do que eu – falei.
– Disso sim eu duvido – ele disse.
Rimos juntos, era como se nunca tivéssemos nos afastado.
– Onde você está? – ele perguntou, soltando um pequeno suspiro de alívio.
– Em casa, mais precisamente, na minha cama – respondi.
Pude ouvir um leve farfalhar, ele devia estar se aprumando.
– Como é aí? – perguntou – Me conte tudo sobre tudo.
Soltei um suspiro, ele é tão mandão.
– Aqui é incrível, a casa é enorme – falei – Meus pais são maravilhosos, minha nova escola é até legal. Miwa e eu fomos ao shopping ontem, ela me comprou a metade daquele lugar.
Akira escutou tudo em silêncio, ele só suspirava.
– Nina, você está feliz? – perguntou, ligeiramente preocupado.
Pisquei, confusa.
– Estou bem – respondi – Estou feliz.
– Pois não parece – ele disse, falando imediatamente após a conclusão da minha fala.
Pisquei, ainda mais confusa.
– Por que? – perguntei.
– Você fala deles como se eles fossem robôs, é estranho – ele disse, devia estar franzindo as sobrancelhas – Tem certeza de que está feliz com eles? Essa Miwa deve ser a sua mãe, por que você fala calorosamente dela e não menciona seu pai? Ele fez algo com você? Você odeia ele? Deus, Nina. Não me deixa tão preocupado, eu não aguento.
Não pude evitar de soltar uma risadinha divertida, sacudi a cabeça.
– Akira, você é muito perceptivo – falei – Bom, eu os adoro, mas não temos muito contato. E não, Rintarou não me fez mal algum, e não seria capaz de fazer. Eu falo mais da Miwa porque somos mais apegadas do que eu sou com Rintarou.
Akira esperou, ouvindo tudo que eu tinha para dizer.
– Entendi – ele disse, parecia muito aliviado – Vocês não convivem juntos? Como assim, eles são ausentes?
– Tenta ficar calmo, eu não fui adotada por dois chefões da máfia japonesa – falei, sarcasticamente – Eles não moram comigo.
Ele não respondeu, devia estar surpreso.
– Você mora sozinha? – perguntou.
Dei uma risadinha, desfrutando da piada particular.
– Não, eu moro com meus irmãos – falei.
– Ah, então você tem irmãos – disse Akira, aliviado outra vez – Eles são legais? Quantos são?
Agora sim eu ri de verdade, ele esperou.
– Ficaria surpreso, mas eles são todos muito legais – falei, ponderando – Menos o Fuuto, mas o Fuuto não conta.
– Fuuto? Por que esse nome não me é estranho? – disse Akira, pensativo.
– Porque eu sou irmã de Fuuto Asakura – respondi, mordendo o lábio.
Akira parou de respirar, não pude deixar de rir.
– Nossa, isso é serio? – perguntou – Uau, quem diria.
Ri outra vez, ouvi seu suspiro.
– Quem diria – concordei – Mas ele não é a única estrela dessa família.
– Claro, agora você mora aí – ele disse.
Ri, sentindo meu estômago revolver-se como se eu tivesse engolido um barriu de borboletas.
– Obrigada, mas não foi isso que eu quis dizer – falei – Tenho um irmão médico, outro advogado. Outro é escritor, mas eu ainda não conheço ele. Outro é um monge, eu também não conheço ele. Também temos os trigêmeos, dois deles são dubladores, e o outro é empresário e designer de games famosos. Outro é cabeleireiro, e ele é um doce. Outro é jogador de basquete, creio que você conhece ele. Outro é modelo profissional, ele é outro doce. Outros dois estão não faculdade, depois deles vem o Fuuto. Depois temos a mim, e por último temos o caçulinha.
Fez-se silêncio do outro lado da linha, mordi o lábio.
– Por favor, me diga o número exato de pessoas que moram em sua casa – ele disse, sua voz saiu fraca.
– Somos 12 ao todo, mas temos mais três irmãos que moram sozinhos – respondi.
Fez-se silencio do outro lado da linha outra vez, prendi a respiração.
– Caramba, coitada da sua mãe – ele disse, sua voz saiu fraquinha, como se ele sentisse dor.
Explodi em uma risada, ele também riu.
– Você tem toda razão, eu ainda não consigo aceitar o fato de que a Miwa teve treze filhos – falei, ainda rindo – A Ema é filha do Rintarou, meus pais se casaram tem mais ou menos uns três anos.
Parei para respirar, Akira ainda parecia incrédulo.
– Caramba, eu nunca imaginaria algo assim – ele disse – Eu são todos muito bem sucedidos, pelo que você me disse.
Assenti, arregalando os olhos de leve.
– São mesmo – falei – Ah, quase esqueci. Sabe o jogador de basquete? Pois é, é o Subaru Asahina.
Akira parou de respirar, mordi o lábio para não rir.
– Você só pode estar brincando comigo – ele disse, sua voz saiu como um arquejo.
Ri, sem conseguir segurar-me.
– Não estou brincando, eu fiquei muito surpresa quando conheci ele – falei – Nossa, Akira, ele é um gigante!
Não pude segurar um arquejo animado, falar dos meus irmãos me enchia de alegria. Abri um sorriso ao notar isso, eu meio que me orgulhava deles.
Akira respirou fundo, como se tentasse se acalmar.
– Estou com ciúmes – disse.
Pisquei, soltando um arquejo surpreso.
– Ciúmes? Por que? – perguntei.
Akira não respondeu, ele respirava fundo.
– Nada, esquece – ele disse – Quero saber tudo sobre a relação de vocês, me conte.
– Você é tão mandão – resmunguei.
– Nina, me conta – ele disse.
Pelo tom de sua voz, resolvi não discutir. Akira não era de ter ataques de ciúmes, mas quando ele os tinha, era melhor sair da frente dele.
– Bom, eu vou falar por ordem de nascença – cedi – Começando por Masaomi, ele é o médico. Ele é como se fosse o pai de todos nós, e como é o mais velho, todos obedecem-no sem nem piscar. Eu o admiro muito, e mesmo com toda a carga que ele tem por ser o mais velho, ele consegue ser o adulto mais gentil e doce que eu já conheci. Ele tem 34 anos, mas consegue ser mais juvenil que muito adolescente que eu já conheci. Masaomi é um cara incrível, nos damos muito bem. Ele me trata como uma filha, e as vezes é assim que eu me sinto.
Akira me escutou em silêncio, soltando um suspiro.
– Ele parece ser um cara legal – ele disse, sua voz estava muito mais suave.
– E ele é, mas vamos seguir em frente – falei – Depois dele vem o Ukyo, o advogado. Ele é muito mais sério e responsável que o Masaomi, e é alto demais. Ele é como se fosse a mãe, já que ele cozinha junto com minha irmã. Apesar de ser sério, ele é gentil e educado. Eu também adoro ele, e nos damos bem. Nossa relação é como a relação de um casal de irmãos comum, me sinto muito bem ao lado dele.
Fiz uma pausa para que Akira pudesse processar a informação, aproveitei para respirar fundo.
– Ele também parece ser legal – ele disse, ainda suave.
– Verdade, continuando – falei – Depois dele vem o Kaname, é o monge. Eu ainda não conheço ele, por isso não posso te descrever ele tão bem. Depois do Kaname vem o Hikaru, eu também não conheço ele ainda, mas ele é o escritor. Eles moram sozinhos, cada um em sua casa.
– Não esqueça de me contar como eles são assim que você os conhecer – ele disse – Próximo.
Respirei fundo, dando um pequeno sorriso.
– Depois do Hikaru temos Tsubaki, Azusa e Natsume, os trigêmeos – falei – Eles são parecidos, mas seus cabelos são diferentes. Tsubaki é um maluco, ele é muito brincalhão, e adora provocar. Azusa é mais sério, mas ele é tão suave e gentil que só o fato de ele estar perto de você já te faz sorrir. Natsume é tão sério quanto Ukyo, eu só vi ele uma vez, mas posso afirmar que ele deve ser rigoroso. Ele também mora sozinho.
Parei de falar, lembrando-me do dia em que conheci Natsume. Ele me pareceu ser um cara legal, mas sua seriedade me fez ficar pensativa.
– Continue, estamos indo bem – disse Akira, ainda suave.
Sorri, soltando um suspiro.
– Estou adorando falar sobre isso com alguém, dá um certo alívio – confessei – Eles são tão diferentes um do outros, isso me deixa maluca as vezes.
Akira deu uma risadinha calma, respirei fundo.
– Pode me contar tudo sobre tudo, sabe disso – ele disse – Pode desabafar comigo sempre, eu estou adorando falar com você.
Abri um grande sorriso, sentindo-me muito aquecida.
– Oh, eu te amo – suspirei – É um alívio poder falar com você.
Ouvi seu suspiro, quase pude ver seu sorriso brilhante.
– Eu também te amo, minha Nina – ele disse – Também estou aliviado...
Sua voz morreu, pude ouvir sua respiração mudar.
– Akira? – chamei, preocupada.
Ele não respondeu, ouvir sua respiração em estado de alerta me deixou nervosa.
– Akira, o que aconteceu? – perguntei.
– Não posso falar agora, espere – sussurrou, quase não pude ouvi-lo.
Mordi o lábio, nervosa. Ele ficou em silencio durante dois minutos, sua respiração cautelosa estava me dando arrepios.
Como eu podia achar aquilo sexy em uma situação como aquela?
– Pronto, ele já foi – disse Akira.
Pisquei, sacudindo a cabeça para voltar ao normal.
– Ele quem? O que aconteceu? – perguntei, engolindo em seco.
Akira deve ter notado o nervosismo em minha voz, sua respiração relaxou.
– O garoto que está na ronda hoje, eu estou na sala da Mishima – ele disse.
Arregalei os olhos, escancarando a boca.
– O que? Que droga, Akira! – falei, dando um pulo da cama – Vai pro seu quarto, agora!
Ele riu, respirei fundo, nervosa.
– Não precisa soltar fogo pelas ventas, ele não me viu – ele disse, ainda rindo – Eu vou ficar bem.
– E o que você está fazendo aí? – perguntei.
Akira riu outra vez, respirei fundo outra vez.
– Vim pegar meu celular, acabei ficando por aqui – ele disse – Fiquei tão feliz quando você ligou que até esqueci de voltar para o quarto.
Droga, por que ele tinha que ter aquela voz tão linda? Por que eu não consigo ficar com raiva dele?
– Não faz isso, seu imbecil – falei, bufando.
– Isso o que? – perguntou, ligeiramente confuso.
– Me desviar da minha raiva ao dizer que ficou feliz com a minha ligação – falei – Eu vou me sentir culpada se você for apanhado, e não vou conseguir ficar com raiva de você.
Ele soltou uma gargalhada deliciosa, trinquei os dentes.
– Oh, Deus. Como eu te amo – ele disse – Minha Nina, você é a melhor coisa que já me aconteceu.
Soltei um gemido de raiva, ele riu.
– Vai pro seu quarto, agora! – mandei – Eu não quero que você seja pego, me obedeça.
Ele riu de novo, ah, aquela risada!
– Quem é o mandão agora, senhorita Kazama? – ele disse, sarcástico.
– Vai! – guinchei, trincando os dentes.
Ouvi-o bufando, prendi a respiração.
– Sim, senhora – ele disse.
Ouvi o som de seus passos, assim como o balanço de seu corpo. Esperei durante alguns minutos, andando de um lado para o outro no meu quarto. Quando eu estava prestes a fazer um buraco no chão, ouvi o som de uma porta sendo aberta.
– Pronto, estou seguro agora, madame – ele disse.
Soltei um suspiro pesado, relaxando.
– Podemos ter uma conversa comum agora? – perguntou.
Assenti, mas depois percebi que ele não podia me ver.
– Sim, podemos – falei, desmanchando-me em um suspiro – Desculpe, eu estava preocupada.
Ouvi seu suspiro doce, ele não estava com raiva.
– Tudo bem, querida – ele disse, sua voz estava serena – Não se preocupe, estamos seguros agora.
Abri um sorriso com o tom de sua voz, sentando-me na minha cama.
– Tudo bem, estou melhor agora – falei – Sobre o que estávamos falando?
Akira deve ter sentado, ouvi o rangido familiar de sua cama.
– Você estava me contando sobre seus irmãos – ele disse – Paramos nos trigêmeos.
– Sim, certo – falei.
Deitei-me na cama, encarando o teto.
– Depois deles vem Louis, o cabeleireiro – falei – Eu provavelmente não devia dizer isso, mas de todos os homens dessa casa, ele é com quem eu me sinto mais a vontade. Ele é muito calmo e suave, fala de um jeito descontraído. Ele é muito gentil, muito carinhoso. Ele sempre cuida de mim, me protege de tantas coisas. Sempre sentamos juntos durante as refeições, ele me faz sentir tão bem. Ele é um ser completamente adorável, eu adoro ficar perto dele.
Soltei um longo suspiro ao terminar, sorrindo bobamente. Louis era mais do que eu podia dizer, e mesmo não o conhecendo direito, eu já o adorava de um jeito incrível.
– Vocês parecem ser muito próximos – disse Akira, sua voz estava um pouco fria.
Ele estava com ciúmes.
– Nós somos, mas isso não deve te preocupar – falei, cautelosa – Louis sabe sobre você, na verdade, ele é o único.
– Então você não disse nada sobre nosso namoro para ninguém? – ele disse, ainda frio.
Suspirei, ele respirava de forma controlada.
– Akira, eu não disse nada para ninguém porque não queria que você fosse punido por isso aí no orfanato – falei – Minha saída ainda está muito recente, eu ainda não posso contar.
– Mas, você pretende contar? – perguntou.
Suspirei outra vez, eu estava toda suspiros naquela noite.
– É claro, meu amor – falei, suavemente – Um dia, eu vou te trazer aqui. Eu quero que todos te conheçam, aposto que Miwa e Rintarou vão adorar você. Mas eles podem pensar bobagem se eu disser algo sobre nosso namoro agora, precisamos ter um pouco de paciência.
Ele suspirou, acalmando-se com minhas palavras.
– Tudo bem, eu confio em você – ele disse.
Abri um pequeno sorriso, virando-me para o lado devagar.
– Louis vai comigo visitar você na sexta – falei – Ele quer muito conhecer você, e isso, de certa forma, é bom para nós dois.
– Tudo bem, vou vestir minha melhor roupa – ele disse, brincalhão – Tenho que impressionar o irmão da minha namorada, não tenho?
Ri, Akira me acompanhou.
– Na verdade, Louis parece estar disposto a aceitar você de qualquer maneira – falei – Ele sabe que não tem mais jeito, eu já estou perdidamente apaixonada por você.
– Como é bom ouvir isso – ele disse, sua voz adotou um tom de riso – Por favor, continue antes que eu fuja desse orfanato para ir atrás de você.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Bom, depois dele vem o Subaru – falei – Ele é reservado, bem na dele. Não conversamos muito, e ele é sempre direto.
– Bom, considerando que ele se dedica bastante ao esporte, isso não é surpresa – disse Akira – O próximo.
Assenti, revirando os olhos para minha burrice.
– Depois dele vem o Iori, ele é o modelo – falei – Posso descrevê-lo em uma única palavra: príncipe. É isso, que ele é, um verdadeiro príncipe. Ele é super calmo, pacato, gentil e carinhoso. Ele está sempre com um sorriso calmo no rosto, é um cara muito suave. Ele parece um pouco com Louis nisso, mas eles ainda conseguem ser muito diferentes. Ah, ele parece ser muito protetor, ele realmente se importa em manter o bem estar das pessoas. Ele conhece tudo sobre as flores, e eu adoro o modo como ele se comunica através da linguagem das flores. Nós nos damos muito bem, ele é uma ótima pessoa.
– hum – ele disse, respirando fundo – Continue.
Tentei desconsiderar o fato de que ele parecia com ciúmes, concentrei-me em minha tarefa.
– Depois dele tem o Yusuke, na faculdade – falei – Não conversamos muito, mas eu posso ver em cada movimento que ele faz que ele está completamente apaixonado por Ema. Ele é um pouco duro, mas tenho certeza de que ele é um doce.
Dei uma pequena risada, era muito divertido observar as reações de Yusuke.
– Isso é reconfortante – Akira disse, soltando um suspiro contente – Continue, meu humor está ótimo.
– Como queira – ironizei – Depois temos Ema, também está na faculdade. Ela é uma garota muito doce e gentil, nos damos bem. Ela é muito inocente as vezes, e por mais que isso seja frustrante, eu me sinto mais velha do que ela. Ela é muito devota a todos nós, faz tudo por todos.
– Vocês duas são as únicas meninas da casa? – ele perguntou.
– Isso aí – respondi.
Ele deu um grunhido positivo, indicando que havia entendido.
– Depois temo o Fuuto, nem preciso dizer o que ele é – falei – Cara, nós nos detestamos com força. Ele é completamente diferente do que vemos na TV e nas revistas, eu nunca conheci um cara tão infame. Vivemos nos alfinetando, travamos guerrinhas e nos xingamos. Ele estuda na mesma classe que eu, ou seja, passamos o dia todo juntos. Não é exagero, fazemos tudo juntos na escola. Mas quando estamos em casa, nem cruzamos o caminho um do outro. É uma amizade torta, ou uma inimizade calorosa, você decide.
Akira riu, dei um sorriso.
– Me parece divertido – ele disse.
– E é, e muito – falei, rendendo-me a uma risada – Fuuto e eu somos cúmplices na arte da guerra, mas acho que não seria tão bom de outro modo.
– Bom – disse Akira – Continue.
Suspirei, ele esperou.
– E por último temos o Wataru, ele tem 12 anos – falei – Nossa, Akira. Ele é o ser mais adorável que eu já vi, falando sério. Ele é menor do que eu, vive me abraçando e me chama de “onee-chan” toda hora. De todos aqui, ele é o que me cativou mais rápido. Vivemos grudados quando temos a chance, e eu adoro muito a companhia dele. Ele me afeta de uma maneira insana, eu nunca consigo dizer não a ele. Ele me olha com aqueles olhos enormes e eu simplesmente perco a cabeça, acho que faria qualquer coisa que ele me pedisse. Ele também é muito ciumento e mimado, mas de um modo bom. Nos damos muito bem, muito bem mesmo.
Acabei soltando um suspiro animado ao falar de Wataru, meu coração encheu-se de calor eu pensar no pequeno.
– Ele me parece um garoto legal, aposto que você fica com uma cara de bobona quando ele te olha – riu.
– É isso aí – falei, rindo também.
Suspirei, Akira fez o mesmo.
– É tão bom saber que você está feliz – ele disse – Quando fala dos seus irmãos, você fica muito diferente, fica radiante.
Soltei um longo suspiro.
– Eu estou, muito feliz – falei – Me sinto tão bem, Akira. Me sinto realmente em casa, me sinto em família com eles. Eu sei que ainda é cedo para dizer isso, mas eu me sinto mesmo em família com eles.
Akira soltou um longo suspiro, esperei.
– Estou feliz por você, minha Nina – ele disse – Mesmo querendo muito te ter ao meu lado, eu sei que o melhor para você é viver com eles.
Esperei, ele respirou fundo.
– Não pensemos em coisas tristes, foquemos na sexta-feira – ele disse, pude ouvir o sorriso em sua voz – Nos veremos?
Revirei os olhos, ele riu.
– Claro que sim, Yushima – falei.
Ele riu outra vez, permiti-me dar um sorriso.
– Precisamos acordar cedo, amanhã temos aula – lembrou, seu tom ficou um pouco entediado.
– Eu não quero desligar agora – protestei.
– Nem eu – ele disse – Façamos o seguinte, dorme comigo.
Franzi as sobrancelhas, pude ouvi-lo rindo baixinho.
– Como faremos isso? – perguntei.
Ele suspirou, esperei.
– É simples – ele disse – Ficamos com o celular na orelha, ouvindo um ao outro.
– Mas... – comecei,hesitante.
– Nina – ele disse, sua voz estava tão serena que eu calei a boca – Estamos juntos.
Suspirei, ouvindo sua respiração do outro lado da linha.
– Vai dar certo – falei.
Ele deu uma suave risadinha, sorri de leve.
– Boa noite – ele disse.
– Boa noite – respondi.
Fechei os olhos, ouvindo a respiração doce de Akira até cair no sono.
IMAGEM DO CAPÍTULO
Natsume Asahina (Me deem forças para não pular no pescoço desse homem e beija-lo como se não houvesse amanhã!)
![]()
Fale com o autor