The New Girl in the House
9 Compras
Notas iniciais
– Oh, esse é tão lindo – disse Miwa, esticando o vestido que tinha nas mãos para vê-lo com mais clareza – Venha ver, Nina.
Assenti, indo até ela. Era um belo vestido, adorei aquela cor.
– Vai ficar lindo – disse Miwa, esticando a ultima palavra – Experimente.
Ri, mas fiz o que ela disse. Peguei o vestido e encaminhei-me ao provador, fechando a longa cortina de seda vermelha da loja. Despi-me de minhas roupas, colocando o vestido da loja em seu lugar.
– Venha aqui fora, eu quero ver – disse Miwa, empolgada.
Sacudi a cabeça, rindo. Miwa era muito perecida com a minha mãe nesse aspecto, ela também adorava me vestir.
Saí do provador, descalça. Parei a frente de Miwa, pigarreado. Ela virou-se para me olhar, juntando as mãos a frente do corpo.
– Oh, você está linda – ela disse, muito contente – O que você acha, filho?
Ela olhou para o homem ao seu lado, aqueles olhos cor de aveia esquadrilharam-me muito atentamente. Esperei por sua resposta, seus olhos subiram por meu corpo lentamente, absorvendo cada detalhe. Nosso olhar se encontrou, ele suspirou.
– Perfeita – respondeu Iori.
Miwa soltou uma risada emocionada, seu filho ainda me olhava. Sorri, desviando o olhar para o chão, constrangida.
– Vamos levar esse – disse Miwa.
Olhei para ela, a mulher parecia muito empolgada.
– Já estamos levando outros sete vestidos – lembrei, engolindo um sorriso.
Miwa dispensou-me com um aceno de mão, fazendo uma careta impaciente.
– Você precisa de roupas, eu vou comprar tudo que ficar bom em você – ela disse.
– Vai gastar muito dinheiro então, mãe – comentou Iori – Vamos fechar a loja por falta de mercadoria para vender.
Miwa riu, seu filho sorriu para mim.
– Obrigada – falei, devia estar corada.
Iori sorriu ainda mais, direcionando-me aquele seu olhar encantador. Virei em direção ao provador, não suportando ficar na mira daquele olhar por mais tempo. Despi o vestido da loja, colocando minhas roupas de volta com rapidez. Saí do provador, Miwa estava falando ao celular.
– Espera um segundo, querido – ela disse, baixando o celular por um segundo – É o seu pai, Iori vai te ajudar a pagar.
Assenti, ela afastou-se. Iori veio até mim, seus braços estavam cheios de vestidos.
– Me deixe segurar isso – ele disse, estendendo o braço em minha direção.
Sorri, desconcertada. Coloquei o vestido em seu braço, fazendo uma careta.
– Desculpe por isso, estamos te fazendo de cabide há horas – falei, mordendo o lábio.
Iori deu uma risada serena, encarando-me gentilmente.
– Não tem problema algum, eu não podia deixar vocês duas virem ao shopping sozinhas – ele disse – Vocês iriam precisar de ajuda, só estou cumprindo meu dever.
Sorri, agradecida. Iori foi em direção ao caixa da loja, lançando-me um olhar. Segui-o, tirando o cartão de credito que Miwa tinha me dado no início da manhã de dentro do bolso da jaqueta.
– Como se não bastasse todas essas coisas, ela ainda me deu um cartão de credito da loja – falei, soltando um pequeno arquejo.
Iori riu, depositando os vestidos no balcão.
– Nossa mãe está se esforçando para te agradar – ele disse – Irei fazer o mesmo.
Ergui meu olhar até seu rosto, ele me olhava intensamente. Pisquei, desviando o olhar.
– Pagaremos com o cartão – disse Iori, dirigindo um sorriso simpático à moça do caixa.
A mulher derreteu-se, eu não podia culpa-la.
– S-sim, senhor – a mulher disse, gaguejando um pouco.
Entreguei-lhe o cartão, ela fez todo o procedimento tremendo um pouco. Iori pareceu não perceber o efeito que causou na mulher, resolvi deixar aquilo de lado.
– Pronto, senhora – a mulher disse, entregando-me o cartão.
Peguei o pequeno retângulo de prata, Iori pegou as sacolas da mão da mulher, dirigindo-lhe um sorriso perfeito.
– Obrigado – ele disse, virando-se para mim – Vamos?
Assenti, ele estendeu-me seu braço. Lancei um rápido olhar à mulher do caixa, ela ainda estava paralisada no mesmo lugar. Engoli uma risada, aceitando o braço do meu irmão. Seguimos juntos até a porta da loja, Miwa ainda falava ao celular.
– Tudo bem, nos vemos mais tarde – ela disse, desligando a chamada – Venham aqui.
Fomos até ela, ainda de braços dados. Miwa deu um sorriso quando nos viu daquele jeito, erguendo seu olhar até meu rosto.
– Vocês ficam bem assim – ela disse.
Pisquei, paralisando. Iori corou um pouco, Miwa piscou para mim.
Droga, por que ela estava sendo assim tão mãe?
– Rintarou pediu para levarmos uma nova gravata para ele, e eu ainda quero procurar algumas coisas – ela disse, olhando para nós dois – Iori, cuide da Nina. Vou ligar assim que tiver terminado, leve-a até a loja de cosméticos.
– Sim, mãe – disse Iori, prontamente.
Ela sorriu, e afastou-se no corredor movimentado do shopping. Iori me olhou, abrindo um sorriso sereno.
– Vamos? – perguntou.
Assenti, retribuindo seu sorriso. Iori guiou-me por todo o corredor, desviando do caminho das outras pessoas com tanta leveza que eu pensei que ele estava flutuando. Entramos em uma enorme loja de cosméticos, o cheiro maravilhoso que o lugar tinha me fez suspirar. Iori me olhou, um tanto receoso.
– Precisa de privacidade? – perguntou.
Pisquei, um tanto confusa.
– Como assim? – perguntei.
Ele olhou rapidamente para o interior da loja, depois voltou a olhar-me.
– Não prefere fazer suas compras sozinha? – perguntou – Sei que mulheres precisam de artigos bem específicos todos os meses, não quero ser um estorvo.
Arquejei, compreendendo-o. Iori esperou pela resposta, um tanto cauteloso.
– Não tem problema, já tenho tudo o que preciso – falei, rindo um pouco – Só vim comprar meu perfume, mas obrigada pela preocupação.
– Ah – ele disse, um pouco desconcertado – Entendo.
Ri, olhando-o com doçura. Iori recuperou-se de seu desconcerto momentâneo, sorrindo para mim.
– Sendo assim, vou acompanha-la – ele disse.
Assenti, dando uma ultima risadinha. Iori e eu entramos na loja, várias das clientes viraram o pescoço para observar meu acompanhante. Andamos até o corredor de perfumes, corri os olhos por entre os milhares de frascos.
– Qual perfume procura? – perguntou Iori, olhando-me ternamente.
– Jasmine Soul – respondi.
Ele assentiu, correndo os olhos pelos frascos. Soltei meu braço do dele para poder procurar melhor, Iori olhou-me de um modo diferente quando eu fiz isso. Ignorei seu olhar, indo de encontro com o frasco que procurava. Peguei o objeto nas mãos, Iori aproximou-se de mim.
– É esse? – perguntou.
Assenti, sorrindo para o frasco.
– É meu favorito desde que eu me lembro – falei – O cheiro de jasmim me encanta, é uma das minhas flores favoritas.
Iori pegou o frasco de minhas mãos com delicadeza, observando bem o objeto. Observei-o cheirar o perfume de leve, abrindo um leve sorriso ao fazê-lo.
– Na língua das flores, o jasmim significa sensualidade, amor, beleza delicada e graça – disse, olhando-me nos olhos – O perfume dos jasmins funciona como afrodisíaco, relaxante ou calmante natural, as empresas cosméticas usam o jasmim-dos-poetas para fazer suas essências.
Sorri, ele fez o mesmo.
– Incrível – falei, suspirando – Como sabe de tudo isso?
Iori olhou-me nos olhos, sua calma era uma maravilha.
– Adoro todo e qualquer tipo de flor, de modo que aprendi o significado de cada uma delas – respondeu, sorrindo – Mesmo trabalhando como modelo, gerencio uma pequena floricultura no centro.
Sorri, maravilhada.
– Incrível – repeti – Sempre gostei muito de flores, mas o jasmim é realmente uma flor marcante para mim.
Ele sorriu, depositando o frasco de perfuma em minhas mãos.
– Combina perfeitamente com você – ele disse.
Senti o rosto esquentar, engoli em seco. Iori olhava-me fixamente, sustentando meu olhar de forma calma e doce. Pisquei, desviando o olhar.
– Er... Obrigada – falei, pigarreando – Eu vou pagar logo isso aqui.
Ele assentiu, tomando meu braço sem pedir permissão dessa vez.
– Eu te acompanho – falou.
Sorri, um tanto nervosa. A única coisa que me vinha a mente agora era a voz de Akira no dia que fiz negócios com Bruce, a frase “Eu mato ele”.
Pensar em Akira me fez sorrir, mas depois soltei um suspiro. O que será que ele estava fazendo agora? Estaria ajudando Sarah com os papeis dos alunos? Estaria observando o céu do telhado?
– Nina? – chamou-me Iori.
Sua voz macia despertou-me de meus devaneios, olhei para cima.
– Está tudo bem? – perguntou – Parece distraída.
Pisquei, desviando o olhar outra vez.
– E estava mesmo – respondi – Está tudo bem, foi só um devaneio.
Iori continuou me olhando, percebi que estávamos na fila do caixa. Franzi as sobrancelhas, não lembrava-me de ter chegado ali tão rápido. Isso acontecia quando eu me perdia em devaneios, quase caí da escada do terceiro andar do orfanato uma vez por isso.
– Próximo – chamou a senhora do caixa.
Avançamos juntos, Iori soltou meu braço para que eu pudesse pagar o perfume. A senhora sorriu quando chegamos perto, estiquei um pouco os lábios.
– Boa tarde, jovens – ela disse.
– Boa tarde, senhora – disse Iori, dando um sorriso caloroso para a mulher.
Ela sorriu, mas não afetou-se como a mulher da outra loja. Observei-a passar meu perfume no caixa, sua mão pegou um pacote prateado de dentro de uma gaveta.
– Presente da loja, campanha estadual – ela disse, dando um sorriso – Um casal lindo como vocês merece, usem bem.
Ela colocou o pacote prateado em minhas mãos, só percebi o que era quando Iori tentou devolvê-lo.
– Somos irmãos, senhora – ele disse, vermelho e desconcertado – Não podemos aceitar.
A senhora riu, empurrando gentilmente sua mão.
– Ora, fiquem com ele – ela disse – Mesmo sendo irmãos, um de vocês pode precisar.
Iori me olhou, arregalei os olhos. A senhora terminou o procedimento, entreguei-a meu cartão de crédito. Finalizamos a compra, Iori pegou a sacola sem olhar para mim. Saímos da loja, ainda envergonhados demais para trocarmos olhares.
– O que vamos fazer com isso? – perguntei.
Iori não me olhou, apenas apertou o pacote de preservativos na mão.
– Eu fico com isso – ele disse, um tanto frio – Não vejo a utilidade dessa coisa em suas mãos.
Olhei-o, ele evitava me olhar.
– Eu tenho 16 anos – falei, franzindo uma sobrancelha – Isso teria tanta utilidade em minhas mãos quanto nas suas.
Iori me olhou, soltando um rápido arquejo. Sustentei seu olhar, ele tentou esconder sua surpresa e irritação.
– Teria? – perguntou – Quer dizer que você já...
Abri a boca para responder, mas não saiu nada. Iori desviou o olhar, parecia decepcionado.
– Entendo – ele disse – Sujeito de sorte.
Quase não pude ouvir essa última parte, minha boca se abriu num perfeito “O”.
– Iori, você me entendeu mal – falei – Eu nunca fiz... Você sabe o quê.
Ele soltou um longo suspiro aliviado, deixando um sorriso escapar.
– Não mesmo? – perguntou.
Assenti, encarando-o enquanto andávamos. Iori fixou seu olhar no corredor, mas pude ver seus olhos brilharem.
– Entendo – falou, sua voz saiu bem mais terna do que antes – Desculpe.
Dei de ombros, fitando o chão.
– Não tem problema – falei.
Ele me olhou, dando um sorriso calmo. Retribuí sem querer, Iori tomou meu braço outra vez.
– Iori! Nina! – disse uma voz animada.
Olhei em volta, Miwa vinha te nós com algumas sacolas nas mãos. Iori e eu fomos até ela, ele estava bem mais leve agora.
– Nem precisei ligar, que bom que tomamos o mesmo caminho – ela disse, parando á nossa frente – Comprou seu perfume, querida?
Assenti, abrindo um sorriso.
– Que bom, podemos ir agora – ela disse, radiante – Vamos repetir isso sempre, eu sempre quis passar sete horas com minha filha em um shopping.
Ri, Miwa sorriu carinhosamente para mim.
– Deixe-me levar isso, mãe – disse Iori, feliz como a mãe.
– Ah, claro – ela disse, piscando para mim – Iori é um verdadeiro príncipe, não concorda?
Assenti, Iori sorriu. O pacote de preservativos caiu de sua mão quando ele pegou as sacolas da mãe, infelizmente, Miwa viu. Agachei-me rapidamente, pegando o pacote. Iori estava com as mãos ocupadas demais para pegar o pacote, nosso olhar se encontrou.
– O que é isso? – perguntou Miwa – Deixe-me ver.
Engoli em seco, estendendo o pacote para ela.
– Não! – sussurrou Iori.
Já era tarde, Miwa arregalou os olhos para nós dois. Pela primeira vez em anos, senti o que era a fúria de uma mãe enciumada.
– O que é isso? – perguntou – Iori, por que você tinha isso nas mãos?
Iori arquejou, um tanto desesperado. Engoli em seco, aproximando-me mais do meu irmão.
– A mulher da loja nos deu, é uma campanha do estado ou algo assim – respondi – Tentamos devolver, mas ela insistiu. Iori se ofereceu para guardar, mas não teve tempo.
Falei tudo isso muito rápido, Iori me olhava pronunciar cada palavra com uma expressão surpresa. Miwa olhou para nós dois, como se tentasse detectar sinais de mentira. Como não conseguiu, ela sorriu.
– Tudo bem, já que é assim – ela disse, estendendo-me o pacote outra vez – Toma.
Estendi a mão para pegar, mas Iori pegou na minha frente. Ele derrubara algumas sacolas no processo, Miwa parecia surpresa ao encarar o filho.
– Iori? – ela disse, confusa.
O rapaz olhou-me rapidamente, parecia ter voltado a sua personalidade fria de antes.
– Eu fico com isso – ele disse.
Miwa piscou, olhando de mim para ele várias vezes. Ela pegou o pacote das mãos dele outra vez, fazendo uma expressão severa.
– Nada disso, a Nina é quem vai ficar com isso – ela disse.
Iori encarou a mãe, parecia um tanto irritado.
– Prefiro que ela não tenha algo assim – ele disse.
Miwa me deu o pacote, ambos olhavam para mim.
– Prefere que ela pegue uma doença ou algo do tipo? – Miwa perguntou, séria – Deixe-a com os preservativos, ela precisa deles.
Algumas pessoas que passavam em volta de nós riram com a cena constrangedora, fechei os olhos. Os sons do ambiente viraram apenas ecos, me senti à beira de um abismo.
Um abismo vergonhoso.
– Muito obrigada, “mamãe” – falei, respirando fundo – Obrigada por dizer isso bem alto, obrigada mesmo.
Abri os olhos, as pessoas ainda riam. Miwa olhou em volta, percebendo a cena que causara um pouco tarde demais.
– O que foi? Uma mãe não pode zelar pela filha? – ela disse, olhando para as pessoas.
Engoli em seco, apertando os lábios. Enfiei os preservativos no bolso do casaco, respirando fundo.
– Lindo – falei, ainda apertando os lábios – Muito obrigada.
Soltei um suspiro fundo, olhando para Iori. Ele assistia a cena quase tão constrangido quanto eu, pisquei meus olhos três vezes seguidas.
– Podemos ir agora? – perguntei, ainda ouvindo os ecos.
Miwa olhou em volta, desconcertada. Iori catou as sacolas, vermelho.
– Vamos – disse Miwa, ainda desconcertada – Seus irmãos estão esperando para o jantar.
Assenti, enfiando as mãos nos bolsos do casaco e dirigindo-me à porta do shopping. Pude sentir a presença de Iori ao meu lado, afastando protetoramente todos os homens que me olhavam por conta do que Miwa tinha dito. Engoli meu orgulho, apertando o passo. Miwa vinha do meu outro lado, mais silenciosa do que eu jamais tinha visto.
– Desculpem, crianças – ela disse, desconcertada – Eu só nunca tive uma filha antes, estava preocupada.
Suspirei, tentando sorrir.
– Não tem problema, eu estava há quase um dia sem pagar um bom mico – falei – Não se preocupe, eu realmente adoro quando isso acontece.
Ela envolveu meu ombro, devia ter sentido minha ironia. Iori estava silencioso, isso passou a me preocupar depois de um tempo. Saímos do prédio do shopping, Iori passou por nós duas sem dizer nada, andando a passos largos em direção ao carro.
– O que deu nele? – perguntei, cochichando para Miwa.
Ela abraçou-me pelos ombros, sorrindo.
– Ele fica assim no inverno, chega a ser um pouco assustador – ela disse, contente – É ótimo cochichar, eu não fazia isso desde os dias do colegial.
Ri pelo nariz, encolhendo os ombros. Chegamos no carro, Iori guardava as sacolas no porta-malas quando Miwa abriu a porta de trás para mim. Entrei, um pouco mais recuperada da vergonha que Miwa me fez passar. Iori entrou ao meu lado, estranhei. Ele havia ido ao lado da mãe na viagem que nos trouxera ao shopping, o que será que mudara?
– Coloquem o cinto – mandou Miwa, ligando o carro.
Fiz o que ela disse, Iori evitou olhar-me enquanto obedecia a mãe. Engoli em seco, tentando concentrar-me em outra coisa qualquer. Decidi olhar pela janela, observando as ruas passarem. Iori não falou nada pelo resto do caminho, fingi não me importar. Miwa dirigia mais rápido que Rintarou, logo estávamos entrando na rua da mansão Asahina.
– Vocês dois descem, eu vou pra casa – disse Miwa, olhando-nos através do retrovisor.
Pisquei, olhando de Miwa até Iori.
– A senhora não mora aí? – perguntei.
Iori prendeu uma risadinha, coisa que Miwa não fez.
– Não, eu moro com Rintarou – respondeu, dando um sorriso travesso – Só percebeu isso agora?
Assenti, baixando a cabeça. Iori me olhou serenamente, dando um sorriso. Suspirei, alegre por vê-lo voltar a sua “forma”. Miwa estacionou o carro, Iori saiu para pegar minhas novas coisas. Olhei para Miwa, mil formas de agradecer passavam em minha mente, mas eu só conseguia pensar em uma.
– Obrigada pelo dia, mãe – falei, dando um sorriso – Eu me diverti muito.
Ela sorriu, um tanto emocionada. Miwa virou a cabeça para trás, pegando minhas duas mãos.
– De nada, querida – ela disse, ainda sorrindo – Eu também me diverti muito, e sinto que Iori sentiu o mesmo.
Sorri, ela piscou para mim.
– Ele adorou você, eu senti muito isso – ela disse, soltando um suspiro – Sabe, eu sempre quis que Ema casasse com Masaomi, eles ficam bem juntos.
Esperei, um pouco surpresa. Miwa apertou minhas mãos, dando um sorrisinho.
– Não vou atormentá-la com meus sonhos de mãe, mas quero que saiba que eu quero que você seja muito feliz – ela disse – Mas, eu prefiro te ver ao lado de Iori.
Engoli em seco, me retesando. Miwa riu, soltando minhas mãos.
– A reação de Ema foi parecida quando eu disse que sonhava com o casamento dela com Masaomi – ela disse, ainda rindo – Eu adoro ter filhas, vocês são minhas novas alegrias.
Ri pelo nariz, um pouco abobada. A minha porta fora aberta, virei a cabeça para o lado. A visão de um lindo príncipe com a mão direita estendida para mim me fez dar um grande sorriso, claro que o sorriso de Miwa foi bem maior que o meu.
– Venha, Nina – chamou-me Iori, dando um sorriso perfeito – Deixe-me ajuda-la.
Respirei fundo, tentando recuperar meu fôlego. Iori me esperou, abrindo um sorriso ainda maior quando aceitei sua ajuda. Saí do carro, parando ao lado de Iori na calçada. Miwa sorria para nós da janela do carro, seus olhos brilhavam.
– Até mais, filhos – ela disse.
Acenei, Iori lançou um sorriso á mãe.
– Até mais, mãe – ele disse, dando um pequeno aceno.
Miwa sorriu, lançando-nos um beijo e ligando o carro. Observei o veículo afastar-se até sumir, um sorriso pequeno repousava em meus lábios.
– Vamos entrar? Você pode ficar doente se continuar nesse frio – disse Iori, retomando minha atenção.
Pisquei, virando-me para ele. O rapaz sorria, estendendo-me sua mão outra vez.
– Oh, sim, vamos – respondi, dando um pequeno sorriso – Obrigada pela preocupação, irmão.
Iori sorriu, aceitei sua mão.
– Não tem de quê – respondeu.
Sorri, catamos minhas sacolas. Iori abriu o portão, entrei rapidamente. Esperei-o terminar de fechar o portão, ele tomou minha mão outra vez. Caminhamos pelo jardim, nossos passos eram lentos e despreocupados. Observei as flores lindas e bem cuidadas que cresciam nos canteiros, abrindo um sorriso com a visão.
– Gosta do jardim? – perguntou Iori, tomando minha atenção..
Olhei-o, dando um sorriso.
– É lindo – respondi – Quem cuida?
– Eu – respondeu Iori – É minha função cuidar das flores e plantas da casa, cheguei a passar essa função á Ema durante um tempo que fiquei fora de casa, mas agora que voltei a tarefa é minha outra vez.
Olhei em volta, contemplando o jardim.
– Ótimo trabalho, esse lugar está lindo – falei.
Iori abriu um grande sorriso, olhando-me nos olhos.
– Obrigado – ele disse – Vem comigo um minuto.
Assenti, ele depositou as sacolas no chão. Fiz o mesmo, Iori guiou-me até um canteiro de flores brancas. Sorri, Iori indicou as flores com o dedo.
– São camélias, gosta? – perguntou, olhando-me nos olhos.
Assenti, observando a beleza das flores.
– Camélias são muito populares na cultura oriental, fora que são muito famosas por seu chá – ele disse, ainda olhando-me nos olhos – O chá é rico em vitaminas importantes, e ainda ajuda a eliminar a gordura corporal e acelera o metabolismo.
Abri a boca, impressionada.
– Incrível, eu preciso de uma garrafa desse chá – brinquei.
Iori deu uma risada suave, sorri.
– Você está ótima, não se preocupe com isso – ele disse – Mas Farei o chá para você, se quiser.
– Outro dia – falei – Se não for um incômodo, claro.
Iori suspirou, tocando minha mão. Baixei o olhar, seu polegar afagava minha mão com movimentos circulares.
– Não será incômodo algum, será um prazer tomar chá com você – ele disse.
Sorri, erguendo um pouco meu olhar. Iori estabeleceu uma ponte entre nossos olhos, fixando seu olhar no meu. Pisquei, desviando o olhar. Ele sorriu, soltando minha mão para agachar-se junto ao canteiro. Iori pegou uma camélia branca, retirando algumas folhas do galho. Ele ergueu-se, segurando a flor com a mão direita.
– Uma camélia é indicada para situações especiais, perfeita para momentos íntimos – ele disse, olhando carinhosamente para a flor – Apesar disso, ela também simboliza o arrependimento.
Iori olhou-me nos olhos outra vez, um pouco sério.
– Peço desculpas pelo modo como agi no shopping, sinto que não fui atencioso o suficiente com você – ele disse, soltando um suspiro – Te ofereço essa camélia como pedido de desculpas, sinto muito, Nina.
Ele estendeu a flor para mim, pisquei. Estava um pouco abobada, nunca havia recebido uma flor de um garoto antes. O único que já me dera flores fora Akira, e era diferente com Iori. Com Akira eu sentia sua devoção no ato, eu sabia que ele me amava, e era um amor correspondido. Com Iori eu não sabia o que pensar, eu não sabia o que ele queria dizer com aquele gesto.
Mesmo confusa, estendi minha mão e peguei a flor. Iori abriu um grande sorriso, corri meus dedos pelas pétalas da camélia.
– Na linguagem das flores, a camélia branca significa a beleza perfeita – ele disse – Combina com você, assim como o jasmim.
Dei um pequeno sorriso, um pouco constrangida. Iori ergueu meu queixo com os dedos, fixando seu olhar no meu. Senti um calafrio, encarando aqueles olhos cor de aveia. Afastei-me dele, baixando a flor. Não consegui encarar o homem em minha frente, temia agir de forma imprudente e quebrar-lhe o nariz com um soco.
– Eu fiz algo errado? – Iori perguntou, aproximando-se de mim outra vez.
Assenti, guardando a flor no bolso do casaco. Iori suspirou, desviando o olhar para o canteiro de flores.
– Desculpe, eu só queria ver seu sorriso – ele disse.
Encarei-o, um pouco receosa. Detestava ter que omitir o fato de que namorava Akira, mas o único irmão que me passou segurança para revelar aquilo fora Louis. Por mais doce que Iori fosse, ele ainda agia como se eu fosse especial para ele.
– Olha, eu já morei em um orfanato. Estou acostumada com assédios e carinhos inesperados, e nem sempre me sinto a vontade com isso – falei – Eu te respeito como irmão, Iori. Por favor, não me obrigue a fazer algo extremo.
Ele me olhou, sustentei seu olhar. Meu coração estava um pouco acelerado, já estava acostumada a dar foras em garotos. Mas Iori era para ser meu irmão, aquilo não era certo.
– Entendi, me desculpe – disse Iori, um pouco arrependido – Vou respeitá-la mais de agora em diante, sinto muito.
Tentei sorrir para minimizar o problema, a única coisa que eu queria fazer era trazer Akira à mansão Asahina.
– Não tem problema, fingimos que não aconteceu nada – falei.
Iori ergueu o olhar, encarando-me. Fixei meu olhar no seu, tentando parecer firme.
– Onee-chan! – gritou uma voz familiar.
Mal tive tempo de processar aquela voz, e senti um corpo colidindo contra o meu. Dei um passo para trás, tentando equilibrar-me. Braços apertaram minha cintura com força, um rosto enfiou-se no meio dos meus seios.
– Onee-chan, você chegou! – disse Wataru, apertando-me ainda mais – Que bom, eu estava com saudades.
Arquejei, recuperando-me do susto. Wataru apoiou seu queixo no meio dos meus seios, erguendo o rosto para me olhar.
– A onee-chan vai brincar comigo hoje, não vai? – perguntou, seus olhos brilharam.
Abri a boca para responder, ele me envolvia naquele olhar petrificador outra vez.
– Wataru, deixe-a em paz por enquanto – disse outra voz familiar.
Percebi a presença de Masaomi no local, recobrando minha atenção. Pisquei, Wataru suspirou.
– Tudo bem, Masa-san – ele disse, infeliz.
Masaomi deu um sorriso aprovador, Wataru despregou-se de mim. O filho mais velho olhou para mim, dirigindo-me um sorriso reconfortante.
– Que bom que chegou, Nina – ele disse – Gostou do passeio?
Sorri, animando-me.
– Adorei, passar horas com Miwa é realmente divertido – falei.
Masaomi sorriu, dirigindo-me um sorriso brincalhão.
– Tenho certeza de que ela já te mandou chama-la de mãe – ele disse.
Revirei os olhos, cedendo-lhe um sorriso.
– É, ela já mandou – falei – Mas é difícil acostumar, preciso de mais um pouco de tempo.
Ele assentiu, dando um sorriso afetado. Iori ouvia nossa conversa ainda um pouco pensativo, seu olhar se recusava a deixar meu rosto. Desviei meu olhar, sentindo um incômodo desnecessário.
– Vamos entrar, o jantar está quase pronto – disse Masaomi, recuperando minha atenção.
Assenti, abrindo um grande sorriso. Caminhei sozinha até onde estavam minhas sacolas, tentando pegar todas elas.
– Deixa que eu te ajudo – disse Masaomi, vindo até mim.
Iori deu uma leve tremida, como se levasse um choque. Antes que Masaomi pudesse dar três passos em minha direção, o mais novo bloqueou seu caminho com o braço esquerdo.
– Eu faço isso – disse Iori, lançando um olhar firme ao irmão.
Masaomi piscou, um tanto surpreso. Engoli em seco, onde eu fui me meter?
– Tá bom – disse Masaomi.
Iori veio até mim, algo me disse que ele o faria mesmo que a resposta de Masaomi fosse outra. Engoli em seco, ele pegou boa parte das sacolas. Fiquei com apenas duas sacolas na mão, Iori pegou-as enquanto olhava nos meus olhos.
– Obrigada – falei, paralisada como a mulher da loja de roupas.
Ele assentiu, dando um meio sorriso. Engoli em seco outra vez, soltando um suspiro aliviado quando Iori afastou-se de mim.
Lembrei daquilo que havia pensado ontem, sim, eu iria precisar de um psicólogo muito em breve.
IMAGEM ESPECIAL
Tsubaki Asahina
![]()
Fale com o autor