The New Girl in the House
27 Cedendo
Notas iniciais
– Talvez você devesse usar a saia – disse Ema.
Fiz um biquinho, encarando a peça de roupa que minha irmã me estendia.
– Talvez, mas eu não sei para onde o Natsume vai me levar – refleti – Se for um lugar montanhoso, eu tenho certeza de que eu vou me ferrar.
Ema riu, sacudindo a cabeça.
– Por que o Natsume te levaria para um lugar montanhoso? – ela disse, rindo pelo nariz – Eu sei que você está nervosa, mas não precisa exagerar.
Tive que rir com ela, a risada de Ema era simplesmente contagiante. Deixei-me cair na cama ao seu lado, sorrindo de lado.
– Eu sei que eu não deveria estar nervosa, afinal, não é a primeira vez que eu saio com ele – falei – Mas a Miwa não está aqui para me ajudar, eu não tenho certeza do que vestir.
Ema fez uma careta engraçada, esperei.
– Eu posso não ser a nossa mãe, mas eu também sou uma garota – ela disse.
Sorri, erguendo minha mão para afagar sua mão. Ela sorriu, retribuindo meu carinho ao entrelaçar nossas mãos.
– Eu sei, me desculpe – falei – Você é tão tímida que eu até me senti mal por fazê-la passar pela provação terrível de me ajudar a escolher minhas roupas, você deve estar me detestando.
Ema riu, jogando a cabeça para trás. Ri junto, suspirando. Ela ficava muito mais solta quando estávamos sozinhas como agora, talvez ter sempre um bando de homens por perto a deixasse sempre tímida.
– Não é assim tão ruim, é bom conversar com uma garota – ela disse, corando um pouco antes de continuar – Eu já tenho irmãos há anos, mas nunca soube como era ter uma irmã, estou muito feliz.
Sorri, ela fez o mesmo.
– Eu sempre vivi rodeada de pessoas, mas você é diferente, é minha família – falei – Obrigada por me aturar, eu não tenho te dado muito espaço essa semana.
Ela deu uma risadinha, assentindo. Sorri, sentindo-me bem melhor depois daquilo.
Ema tinha sido minha companheira durante a semana, era praticamente a única com quem eu passava um tempo conversando. Yusuke não parecia muito satisfeito por ter de se afastar, mas não parecia se importar muito, eu era uma garota. Wataru estava diferente, vivia me puxando contra si toda vez que me via. Eu não passava meus dias brincando com ele como na semana passada, ele parecia estar um pouco confuso com aquela mudança. E também tinha Louis, quem eu estava evitando desde aquele... Beijo. Eu tentava me esquivar sempre que ele chegava perto, tudo que eu não precisava ouvir era outra declaração de amor. Mas não era fácil, levando em conta que ele era a pessoa mais próxima de mim naquela casa. Viver sem nossas conversas, viver sem seus abraços... Aquilo estava me matando. Até tentei me aproximar mais de Ema para suprir a falta que eu sentia de Louis, mas tinha algo nele que me prendia muito. Eu tentava não pensar nisso, mas ficar longe de Louis era como jogar sal em uma ferida aberta.
Mas eu não podia me aproximar, não agora.
– Como foi ver seu namorado hoje? – perguntou Ema.
Pisquei, retomando meu controle. Ela sorria, incentivando-me a falar.
– Foi ótimo, como sempre – falei – Ele estava um pouco cansado por ter ficado até tarde ajudando nossa amiga Sarah ontem, mas ainda conseguiu ser bem ativo.
Ela riu, corando um pouco. Dei um sorriso travesso, adorava ver a reação dela diante das coisas que eu dizia. Eu tinha contado exatamente tudo que Akira e eu fazíamos ontem, acho que nunca ri tanto quanto na hora em que vi a reação dela. Mesmo sendo mais velha do que eu, Ema ainda devia ser virgem. Era estranho, mas eu me senti confortável daquele jeito. Era bom conversar com alguém que não me via como “carne”, eu sentia muita falta de ter uma amiga.
– Deve ser difícil passar tanto tempo longe dele para depois só poder tê-lo durante algumas horas – disse Ema, suspirando.
Suspirei também, encarando meus joelhos. Por mais que nosso relacionamento estivesse mais forte do que nunca, ainda doía muito não poder estar com Akira durante meus dias inteiros.
– Ei, eu acho que esse short também ficaria muito bom para seu domingo – disse Ema.
Ela apertou minha mão sugestivamente, recuperando minha atenção. Ela devia ter feito aquilo apenas para me tirar da minha tristeza temporária, sorri.
– Se a minha irmã está dizendo, que sou eu para discordar? – perguntei.
Ela riu, suas bochechas coraram de leve. Ri, Ema era uma garota incrível.
– Tente experimentar, eu quero ver – ela disse.
Assenti, dando um pulo da cama. Peguei o short que ela recomendara, indo aos pulos para atrás de meu closet improvisado. Eu tinha esticado um lençol em um canto, Ema rira tanto quanto eu ao arrumar meu quarto. Era a primeira vez que eu brincava de casinha com alguém depois da morte dos meus pais, nunca me senti bem o suficiente para fazer aquilo com mais ninguém.
Mas Ema era especial, e, francamente, quem naquela família não era?
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Acabei optando por uma calça, e depois de tanto comer chocolates, tomar sorvete e engolir avidamente quase um balde cheio de pipocas, eu tinha certeza de que nada do que eu tinha serviria em mim do domingo.
Ema estava jogada ao meu lado, havia perdido a compostura depois da terceira garrafa de cerveja. Ela recusara no início, mas depois bebeu. Eu tive que subornar Tsubaki para ele comprar aquelas garrafas, o mínimo que ela podia fazer era beber!
– Eu acho que o ovo veio primeiro – falei.
Ema riu, negando com a cabeça. Seu rosto estava vermelho, era a primeira vez que eu a via bêbada.
– Eu discordo, já li em vários lugares que a galinha veio antes – ela disse.
Ri, até sua voz estava diferente, mais aguda. Ergui minha garrafa de cerveja, levando o gargalo à boca e ingerindo um curto gole. Eu havia tomado umas três antes daquela, minha cabeça já estava começando a girar.
– Estamos mesmo discutindo sobre isso há horas? – ri – Acho que termos pulado o jantar deve ter desregulado nossos cérebros.
Ema riu, fixando seu olhar no teto.
– Foi bom termos ficado aqui, acho que nenhum dos nossos irmãos aprovaria as cervejas que nós bebemos – ela disse.
Bufei, revirando os olhos.
– Eles não são nossos donos, Ema. Podemos fazer tudo que quisermos, somos mulheres livres – falei.
Ema bufou de leve, ri.
– Você ouviu isso em algum livro? Parece-me surreal demais – ela disse.
Ri, dando de ombros.
– Eu não lembro, acho que o Natsume deve ter dito algo parecido com isso, e minha mente bêbada deve ter melhorado – falei – E isso não foi surreal, você é quem é recatada demais.
Ema arregalou os olhos, sentando um pouco rápido demais.
– Eu sou recatada? – ela perguntou – Isso é ruim?
Neguei com a cabeça, pescando uma pipoca no balde ao meu lado.
– Não para você, é parte do seu charme – falei – É até bonito, mas seu modo de pensar chega a ser um pouco obsoleto.
Ela piscou, fixando seu olhar em um ponto aleatório no chão.
– Eu nunca pensei dessa forma – ela disse, engolindo em seco – É por isso que ele não repara em mim?
Arregalei os olhos, assim como Ema. Ela parecia ter percebido como tinha se entregado apenas depois que eu soltei uma gargalhada, seu rosto estava tão vermelho quanto a blusa que ela vestia.
– Você está apaixonada! – acusei, rindo – Ai meu Deus, eu amo essa vida!
Continuei rindo, Ema parecia desesperada demais para conseguir formular uma desculpa aceitável.
– Não é isso! Você entendeu errado! – ela disse – Eu não me referia a um garoto em especial!
Ri, debochada.
– Estava se referindo a quem? A ele? – apontei para a bolinha de pelos enroscada em meu travesseiro.
Ema perdeu a voz, expirando pesadamente. Ela fixou seu olhar em seu esquilo, por mais que aquele bicho parecesse me odiar, ele tinha passado boa parte da nossa noite das garotas dormindo em meu travesseiro. Talvez eu tivesse que trocar meus lençóis depois, mas Ema me garantira que ele sempre dormia com ela, e que era um esquilo limpo. Eu já vira as fezes de Juli, tenho certeza de que ele não era tão limpo assim.
– Tudo bem, você está certa – disse Ema, rendendo-se com um suspiro.
Abri um sorriso vitorioso, preparando-me para bombardea-la com perguntas.
– Quem é ele? Ele é bonito? Vocês se conheceram onde? Ele é bonito? Ele é mais velho? Ele é bonito? Ele trabalha? Ele é bonito? – disparei, mal dando paradas para respirar – Ele estuda com você? Ele é ruivo? Ele parece com o Yusuke? Ele é bonito?
Ema acabou rindo, embora seu rosto estivesse corado. Calei a boca, tentando deixa-la responder.
– Ele é um rapaz que eu conheci já faz um tempo – ela disse, suspirando – Ele tem 23 anos, já estudei no mesmo lugar que ele, mas ele já saiu de lá. Ele trabalha, é famoso no que faz. Ele é moreno, tem olhos escuros, não parece com o Yusuke e é lindo.
Cobri a boca com as mãos, emitindo um guincho desesperado. Ema evitava meu olhar, apenas encarava o chão.
– Oh, meu Deus – gemi – Minha irmã está apaixonada! Eu tenho uma irmã e ela está apaixonada!
– Para, Nina. Menos, por favor – disse Ema, cobrindo o rosto com as mãos.
Ri, mas fiz o que ela disse. Eu podia ver suas bochechas vermelhas por trás de suas pequenas mãos, sempre achei que ela corava com muita facilidade, mas eu nunca tinha visto Ema corada daquele jeito.
– Vamos acordar todo mundo, alguns deles tem trabalho amanhã – disse Ema, sem tirar as mãos do rosto.
Revirei os olhos, pescando mais algumas pipocas e colocando-as na boca em questão de segundos.
– Relaxa, eles nem devem estar dormindo ainda – falei, engolindo as pipocas após três mastigadas – E eles vão ter que saber disso um dia, ou acha que vocês dois vão conseguir casar sem que ninguém saiba?
– Para, Nina. Já chega – disse Ema, praticamente implorando – Eu não quero que ninguém saiba, é tão errado.
Suspirei, ela fez o mesmo por trás das mãos que cobriam-lhe o rosto.
– O que é errado? Ele nem é tão velho assim, e ainda trabalha – falei, sacudindo a cabeça – O que há com você?
Ema respirou fundo, finalmente tirando as mãos do rosto. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, devia ser efeito da bebida.
– Ele é uma pessoa proibida, não podemos ficar juntos – ela disse.
Franzi a testa, inclinando a cabeça para o lado.
– Como assim “proibido”? Ele tem namorada? – perguntei.
Ema arregalou os olhos, um pouco desesperada.
– Por Deus! Não! – guinchou – Eu saberia se ele tivesse, eu acho. E é outro tipo de proibição, é algo grande demais, que envolve gente demais.
Pisquei, confusa.
– Ele é da máfia? – chutei.
Ema bufou, rindo. Bufei, fazendo uma careta.
– Nina, você bebeu menos que eu, mas é quem está falando besteiras – ela disse – É claro que ele não é da máfia, como eu conheceria alguém da máfia?
Dei de ombros, ela riu.
– Então ele não pode ser alguém tão ruim, tem certeza de que ele não é da máfia? – falei.
Ema riu, sacudindo a cabeça. Ergui minha garrafa de cerveja outra vez, tomei um longo gole dessa vez.
– Ele é uma boa pessoa, é gentil, atencioso – ela disse, suspirando meio a frase – Eu tenho um pouco de medo de chegar mais perto, sei que isso causaria uma certa rebelião.
Ri pelo nariz, assentindo.
– Sei como é, eu só não contei sobre o Akira até agora por morrer de medo de causar uma briga imensa – falei – Mas eu acho que tem jeito para nós duas, talvez devêssemos ser um pouco mais corajosas.
Ema suspirou, piscando levemente. Sorri de lado, observando-a sem que ela percebesse. Ela tinha mesmo aquela “aura” que as garotas apaixonadas exibiam, ainda que o feitiço em torno dela fosse discreto. Será que eu era a única que sabia? Será que Ema já tinha comentado sobre aquilo com nossa mãe?
– Eu acho que tenho tanto medo da aceitação quanto você, Nina – Ema disse, suspirando pesadamente – Não é fácil ser garota quando se tem treze irmãos.
Suspirei, engolindo em seco. Ela já vivia com os Asahina durante anos, mas ainda estava no mesmo dilema que eu.
– Será que um dia nós vamos nos libertar disso? – deixei escapar.
Ema ergueu o olhar, nosso olhar se encontrou. Vi muitas coisas por trás de seus olhos castanhos, principalmente solidão. Ema crescera praticamente sozinha, eu já sabia disso. Eu nunca tivera uma irmã, e por mais que vivesse rodeada de gente, eu nunca abrira meu coração para ninguém além de Akira.
– O que eles querem de nós? – perguntou Ema – Por que eles agem como se fossemos as únicas garotas do planeta? Por que eles não conseguem nos ver como parte da família?
Suspirei, Ema engoliu em seco.
– Eu não sei, Ema – respondi – Realmente não sei.
Ela respirou fundo, parecia ter aquela dúvida dentro de si durante anos. Aquilo podia até mesmo matar alguém, viver com uma incerteza como aquela. Eu só morava ali havia alguns meses, mas me sentia a ponto de colapsar depois do incidente da sexta passada. Eu tentava não pensar nisso, me esquivava dos garotos desde aquele dia, mas parecia que nada do que eu fazia era o suficiente.
– Talvez a gente tenha sorte por viver nessa família, mas eu me sinto muito sufocada de vez em quando – disse Ema – Eu tenho Juli como meu apoio, mas nem sempre é o suficiente.
Suspirei, os olhos dela pareciam ainda mais vermelhos. Devo ter perdido a parte em que ela começou a chorar, e também deve ter perdido a parte em que eu mesma estava à beira das lágrimas.
– É como um tipo de maldição, é um pouco cruel – falei, pigarreando para fazer minha voz funcionar – Fomos jogadas aqui sem misericórdia alguma e somos forçadas a viver à mercê da sorte, sem saber quando será o próximo ataque dessas feras famintas. Eu me sinto em uma cova de leões, nem no orfanato eu era assim tão... Ah, nem sei do que chamar.
– Eles vivem em conflito – concordou Ema, assentindo – Foi assim comigo também, sua chegada parece ter melhorado um pouco as coisas para mim, mas ainda é difícil.
Assenti, ela bufou.
– Eu só queria ter irmãos – ela disse – Só queria que eles se comportassem como irmãos de verdade.
Tossi, Ema se assustou um pouco com minha ação. Ri, tentando acalmar minha tosse.
– Foi mal, eu me empolguei demais e quase engoli minha língua – falei, pigarreando – Eu cortei o clima, vamos fingir que não aconteceu.
Ela riu, soltando um suspiro enorme. Suspirei também, esticando a mão para pegar minha garrafa de cerveja.
– Você não vai parar? Já está ficando tarde – disse Ema.
Dei de ombros, tomando um gole antes de largar a garrafa.
– Eu preciso beber um pouco, vou acabar ficando maluca no meio de todos esses homens lindos – falei.
Ema riu, assentido.
– Sei como é – ela disse – Por mais que eles sejam carentes de atenção feminina, eles são muito lindos.
Soltei um muxoxo, Ema pegou algumas pipocas.
– Você já viu a bunda do Kaname? Aquilo não é de Deus – falei – E o “amigo” dele então... Nossa.
Ema riu, corando um pouco. Parecia estar curtindo a conversa, mas ainda era tímida demais para falar sobre isso.
– Eu acho que não devia dizer nada sobre isso, mas adoro os olhos do Ukyo – ela disse.
Ri, dispensando-a com um aceno de mão.
– Olhos? Você fica olhando para os olhos? – falei – Por favor, que boca é aquela? Aquele homem é a perdição!
Ema riu, fiz o mesmo. Juli emitiu um grunhido sonolento, espichando-se em meu travesseiro e mudando de posição. Ele dormia mesmo com nosso barulho, o coitadinho devia estar morrendo de sono.
– Eu também gosto dos olhos do Masaomi, e acho linda a maneira como ele sorri para Wataru – disse Ema, pensativa – Ele vai ser um pai incrível algum dia, tenho certeza.
– Pai, marido... – falei – Quem não quer um médico lindo como ele?
Ema assentiu, dando uma risadinha.
– E o Azusa, já viu homem mais lindo que ele? – falei, arquejando – O rosto dele deve ter sido esculpido, ele é lindo demais para ser humano.
Ema riu baixinho, catando mais algumas pipocas.
– Os trigêmeos são lindos, mas eu também acho que o Azusa é o mais lindo deles – ela disse, suspirando – Também é o único que eu consigo ver como irmão de verdade, mesmo que tenha sido difícil deixar isso claro no começo.
Ri pelo nariz, ela sorriu de leve.
– Ainda não falamos do Tsubaki, isso devia ser crime – falei, arregalando os olhos – Ele é um Adônis! Eu já vi ele nu!
Ema soltou uma exclamação, arregalando os olhos. Ri, mordendo o lábio.
– N-nina! – gaguejou Ema, desesperada – Q-quando foi isso?
Ri, sacudindo-me um pouco.
– Foi antes das minhas aulas começarem, eu e ele tivemos um encontro por acaso no banheiro e eu acabei puxando a toalha dele sem querer – contei, mordendo o lábio com força – Ema, eu já vi o Akira nu, mas o Tsubaki... Ah, aquilo dele é enorme!
Ema soltou uma gargalhada, surpresa e exasperada. Ri com ela, respirando fundo.
– Eu gosto do jeito do Iori, ele é um verdadeiro príncipe – disse Ema.
Assenti, deixando um suspiro escapar. Não pude deixar de pensar no quanto Iori e Louis eram diferentes, era fácil achar meu favorito ali. Iori já se confessara para mim, mas nunca avançara tanto. Ele me respeitava, eu sentia que o amor dele era real, saudável.
– Eu fico mexida quando ele beija minha mão, me olha docemente ou me presenteia com uma flor – confessei, dando um sorriso sonhador – Se eu não tivesse o Akira, acho que já teria me apaixonado pelo Iori.
Ema sorriu para o chão, soltando um suspiro enorme.
– Eu nunca senti nada além do fraternal por ele, mas Iori é o tipo de rapaz apaixonante que até as garotas mais estranhas sempre querem – ela disse – Louis também tem esse poder, não sei em qual dos dois o encanto é mais forte.
Suspirei, aquilo era verdade. O encanto de Louis era muito forte também, quanto mais eu tentava escapar, mais eu me envolvia nele.
– Eu amo o Louis, mas não quero falar sobre ele agora – falei, engolindo em seco – Que tal o Yusuke? Ele também é lindo.
Ema assentiu, corando um pouco.
– Eu gosto do jeito dele, Yusuke pode ser daquele jeito, mas tem um senso de justiça muito forte – ela disse.
Sorri, encarando-a. Aquilo era bom! Ela apreciava algo nele!
– Eu não me dou muito bem com ele, mas sei que ele é um grande cara – falei, fingindo inocência – Você não acha que ele daria um bom namorado?
Ela piscou, corando um pouco.
– Por que você está dizendo isso? – disse, ligeiramente nervosa.
Dei um sorriso malicioso, dando de ombros.
– Por nada – menti – Só pesquisando.
Ema estremeceu, lançando-me um olhar desconfortável.
– Você parece o Fuuto de vez em quando – ela disse.
Arquejei, apertando minha própria perna.
– Ah, Fuuto – falei, trincando os dentes – Que delícia de garoto, eu entendo porque as fãs gostam tanto dele.
Ema riu, confusa.
– Achei que vocês dois se odiassem – disse.
Mordi o lábio, catando algumas pipocas.
– Nos odiamos, mas nem morta eu deixaria de reparar em um homem como aquele – falei – Já viu aqueles movimentos sexuais? Aquilo pode matar alguém do coração, devia ser proibido por lei.
Ema explodiu em uma gargalhada, lançando a cabeça para trás. Ri, igualmente escandalosa.
– Nina, você é louca! – disse Ema, rindo.
Dei de ombros, mordendo o lábio.
– Talvez eles tenham me deixado louca – chutei – Mais louca do que o Kaname eu não sou, isso você precisa admitir.
Ela riu, assentindo. Bebi um gole de cerveja, percebendo que aquela garrafa já tinha acabado.
– E o Wataru, aquele anjo – falei.
Ema suspirou, assentindo.
– É um doce, um garoto incrível – disse.
Suspirei, abraçando meu próprio corpo.
– Ele é tão fofo! Eu tenho que me controlar para não mordê-lo de vez em quando – falei – Fora que ele tem um tipo de feitiço poderoso, imagina só como ele vai ser quando for adulto? Vai sair arrancando calcinhas por onde passar.
Ema arregalou os olhos, rindo. Talvez meu linguajar estivesse um pouco inferior ao dela, mas a garota parecia não se importar.
– Ele parece muito com o Fuuto, e também tem coisas do Tsubaki nele – disse Ema.
Assenti, comendo mais pipoca.
– E também tem o Natsume – falei – Aquele sim deve arrancar calcinhas, aquilo sim é homem de verdade!
Ema riu, catando algumas pipocas.
– Ele é doce, mesmo sendo sério – ela disse – Se preocupa conosco, é muito protetor.
– É lindo, deve ter um corpo perfeito – suspirei – É errado pensar essas coisas do próprio irmão?
Ema deu de ombros, resolvi deixar para lá.
– Natsume tem um belo relacionamento com o Subaru também, eles andaram brigados, mas hoje em dia já se falam direito – disse Ema – Ele se preocupa muito com o Subaru, sempre o apoia.
Sorri, era fácil de imaginar aquilo. Eu sabia que Natsume tinha um grande coração, só era difícil toca-lo de verdade.
– O Subaru também não é de se jogar fora – comentei – Ele tem todos aqueles músculos, tem aquela bunda durinha, tem aqueles braços fortes...
Deixei minha voz morrer, nem sabia que achava tudo aquilo do Subaru. Ainda que fôssemos distantes, ele ainda era muito lindo.
– O que encanta mesmo são aqueles olhos, aquela aura silenciosa que ele tem – continuei, soltando um suspiro – É difícil falar com ele, mas tem algo no Subaru que me deixa... Fascinada.
Ema ouviu tudo que eu disse em silêncio, apenas assentindo. Suspirei de novo, nunca tinha desabafado sobre aquilo com ninguém. Subaru era um homem atraente, era estranho vê-lo tão de perto e tê-lo tão longe ao mesmo tempo.
– Você parece gostar muito dele – disse Ema.
Dei de ombros, pescando outra pipoca.
– Ele é um caso curioso, mesmo sem falar com ele, eu já o adoro como adoro os outros – falei – Me preocupo muito com a saúde dele também, acho que ele tem se esforçado demais.
Ema assentiu, ligeiramente pensativa.
– Ele é muito dedicado ao basquete, mas tem se distanciado ainda mais de todos nós ultimamente – ela disse – Também fico preocupada, é difícil vê-lo tão abatido.
Suspirei, sentindo meu coração se apertar um pouco. Masaomi já me dissera que Subaru estava bem, mas ele não me convencera muito. Eu estava preocupada, era raro ver o moreno em casa.
– Acho que uma de nós devia falar com ele, ter certeza de que ele está bem – disse Ema – Não gosto de não saber o que está acontecendo.
Assenti, pegando uma pipoca.
– Você vai, ele não falaria comigo – falei.
Ema arregalou os olhos, seu rosto avermelhou-se rapidamente.
– E-eu?! – gaguejou.
Assenti.
– A ideia foi sua – acusei – Fora que você conhece o Subaru melhor do que eu, vai se sair melhor.
Ela respirou fundo, como se tentasse se acalmar. Franzi o cenho, mas resolvi ignorar.
– Acho que você tem razão – ela disse – Ainda não falamos do Hikaru.
Ri, dando de ombros.
– Não tem o que falar do Hikaru, ele é lindo – falei – Só não sei se ele gosta de mulheres.
Ema arregalou os olhos, quase desesperada.
– Por que você acha isso? – perguntou.
Dei de ombros, rindo.
– Ele é, com toda certeza, gostoso. Mas se veste como uma mulher, isso é estranho – falei – Eu acho que ele deve ter sim gosto por mulheres, mas é difícil vê-lo como homem quando ele está usando saias.
Ema riu, vermelha.
– É verdade, mas eu não duvido do Hikaru – ela disse.
Ri, assentindo.
– Todos eles são muito lindos, é verdade – falei – Mas eu ainda prefiro o meu Akira.
Ema sorriu, soltei um suspiro.
– Somos duas apaixonadas – falei – Acho que temos mais coisas em comum do que achávamos.
Ela assentiu, feliz. Sorri, desviando o olhar até minha garrafa de cerveja vazia.
– Eu vou descer e pegar bebidas, você quer alguma coisa? – perguntei.
Ema negou com a cabeça, encolhendo os ombros. Assenti, erguendo-me do chão com um pulo. Peguei as garrafas vazias que tínhamos ali, equilibrando tudo dentro de um balde de pipocas vazio. Estávamos comendo besteiras desde cedo, meu quarto estava cheio de embalagens de salgadinhos e chocolates. Catei todo lixo que encontrei, atirando tudo dentro do balde de pipocas vazio. Ema contemplava seu esquilo adormecido enquanto eu fazia todo trabalho, decidi não deixar aquilo me aborrecer.
Saí do quarto, equilibrando tudo que eu trazia em uma só mão para poder fechar a porta novamente. A casa estava levemente silenciosa, o que não era muito normal em uma sexta-feira. Segui pelo corredor, descalça. Desci as escadas, sem pressa alguma. Confiava em Ema o suficiente para não preocupar com o que ela fazia no meu quarto, ela era uma pessoa tranquila, não faria nada de errado. Dobrei a esquerda, encaminhando-me à cozinha. Não tinha ninguém na sala, o que era incomum. Entrei na cozinha, deparando-me com companhia.
– Tsubaki! – exclamei.
Ele virou em minha direção, abrindo um sorriso enorme.
– Maninha, ainda está acordada – ele disse.
Franzi o cenho, confusa.
– Não está tarde, eu acho – falei.
Ele riu, encarando o relógio da cozinha.
– Já passa da meia noite, você se perdeu bastante – ele disse.
Arquejei, rindo. Tsubaki sorriu, voltando-se para me olhar.
– Eu devo ter me empolgado tanto com minha noite das garotas que nem prestei atenção no tempo – falei, rindo – Pelo menos foi divertido.
Tsubaki riu, voltando sua atenção ao que fazia. Só percebi naquele momento que ele estava tentando fritar um ovo, mas não estava conseguindo nada além de queimar a frigideira.
– Precisa de ajuda? – perguntei.
Ele largou na hora a espátula que segurava, espalhando a gema do ovo na frigideira e espirrando nas paredes. Minha boca se abriu, Tsubaki dirigiu-me um sorriso travesso.
– Divirta-se – ele disse.
Suspirei, indo até ele. Desliguei o fogo antes mesmo de encarar o estrago, se ele tivesse continuado com aquilo, teria explodido a cozinha.
– Como você conseguiu ajudar o Fuuto naquele dia? – perguntei, exasperada.
Tsubaki deu um meio sorriso, inclinando-se levemente em minha direção.
– Eu só cortei as coisas que ele precisava, sou bom com estocadas – ele disse.
Ri, mesmo não querendo. Tsubaki sorriu, satisfeito com o sucesso relativo de sua cantada.
– Você não tem jeito – falei – O que estava tentando fazer? Torturar o pobre do ovo?
Ele fez uma careta, retomando a atenção no trabalho que tentava realisar.
– Acordei com vontade de comer omelete hoje, mas o Ukyo não quis fazer – ele disse, bufando – Ema estava ocupada, e eu não estava com vontade de sair, então resolvi me virar.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Eu vou te ajudar, mas quero que você abra os braços – falei.
Ele abriu um sorriso enorme, safado.
– Quer um abraço? Podia ter pedido logo – ele disse.
Ri, ele fez o que eu pedi. Empurrei minha carga em meus braços, ele arquejou.
– Cuida disso para mim, tudo bem? – falei, dirigindo-lhe uma piscadela marota.
Ele bufou, mas riu.
– É justo, embora eu ainda prefira te dar um abraço apertado – ele disse.
Ri, mordendo o lábio. Eu estava um pouco bêbada, talvez bêbada o suficiente para gostar de ouvir as cantadas de Tsubaki.
– Quer omelete de que? Queijo? Frango? – perguntei.
Ele deu de ombros, seguindo até a pia para lavar minha louça.
– Eu só queria omelete, não importa o sabor – ele disse.
Revirei os olhos, bufando.
– Eu vou ver o que tem na geladeira – falei.
– Tem tudo nessa geladeira – disse Tsubaki.
Ri, dirigindo-me à geladeira. Abri a porta da geladeira, fazendo biquinho.
– Olha, tem frango desfiado aqui – falei, sorrindo – E também tem queijo, o que você acha de fazer uma omelete de frango e queijo?
Tsubaki grunhiu positivamente, jogando meu lixo no lugar certo. Todos aqui tinham o hábito de separar o lixo, eu achava aquilo algo incrível.
– Vai ser assim, então – falei.
Catei os ingredientes que precisava, equilibrando tudo em meus braços e pernas. Acabei parecendo uma bruxa cheia de temperos, mas aquilo evitaria uma segunda viagem á geladeira.
Fui até a bancada da cozinha, colocando tudo que tinha recolhido ali. Dancei pela cozinha, procurando os itens que precisava para fazer a omelete. Cantarolei uma das músicas que ninar que minha mãe sempre cantava para mim, respirando devagar. Juntei o tempero que colocaria no frango em uma tábua de cortar carne, preparando a faca que usei no outro dia. Deixei de ouvir o barulho de Tsubaki lavando a louça, isso significava que ele devia ter terminado. Continuei a cantarolar, cortando cuidadosamente a cebola.
– Você tem uma voz bonita – disse Tsubaki.
Sua voz me arrepiou, nem percebi que ele estava tão perto. Seu corpo estava a apenas uns dez centímetros de distância do meu, sua respiração tocava meu rosto. O cheiro que eu tanto idolatrava naquele homem enchia meus pulmões, respirei fundo.
– Obrigada – falei, dando um meio sorriso – Minha mãe costumava cantar para mim, aprendi algumas canções de ninar. Eu costumava cantar para fazer as crianças do orfanato pararem de chorar, mas parei de tentar a alguns meses.
Tsubaki deu um meio sorriso, encarando-me fixamente. Ele não exibia aquele sorriso safado de sempre, parecia quase tranquilo.
– Você gosta de alho? – perguntei.
Ele assentiu, ainda encarando-me daquela forma. Sorri, desviando o olhar. Cortei mais alguns temperos, preparando-me para ir ao fogão. Tsubaki continuou no mesmo lugar, me observando calmamente. Tentei não deixar aquilo me deixar nervosa, mas era difícil. Eu estava relaxada por estar bêbada, mas tudo que eu dissera sobre ele no meu quarto era verdade. Eu já tinha visto Tsubaki nu, e ele já tinha me visto nua. Isso já era o bastante para matar uma boa relação, mas eu nunca me sentira desconfortável perto dele. Por mais safado que ele fosse, eu ainda adorava sua companhia. E eu estava carente de atenção masculina, ainda que tivesse visto Akira horas atrás.
– Quer cerveja? – perguntou Tsubaki.
Assenti, juntando os materiais que precisava para fazer o refolgado do frango.
– Você aprendeu a fazer omelete com a sua mãe? – perguntou Tsubaki, pegando duas garrafas de cerveja na geladeira.
– Isso aí – respondi, sorrindo – Ela adorava cozinhar, eu devo ter puxado isso dela. Ainda que eu não saiba de muita coisa, eu adoro tentar.
Tsubaki deu uma risadinha, vindo até mim. Sorri, ele estendeu-me uma das garrafas.
– Valeu – falei.
Ele dirigiu-me uma piscadela, inclinando-se em minha direção.
– Disponha – disse.
Seu hálito bateu em meu rosto, era algo agradável, mas eu não sabia exatamente o que era. Sorri, tentando não morder o lábio. Ele se afastou, olhando em volta. Peguei uma panela pequena, uma espátula e meus temperos, encaminhando-me ao fogão.
– Vai demorar muito? Eu to morrendo de fome – disse Tsubaki.
Ri, dando de ombros. Ele lançou-me um olhar malicioso, sentando-se em uma bancada atrás de mim.
– Pelo menos eu posso apreciar a vista – ele disse.
Revirei os olhos, fixando minha atenção na panela. Eu estava vestindo uma camisola azul, não era muito curta, mas era um pouco justa. Eu não era nenhuma modelo, mas podia me orgulhar de meu corpo. Ele me olhava de uma forma esquisita, meus pelos se eriçavam de segundo em segundo. Tentei ignora-lo, mas era difícil. Ele era um homem lindo, ainda mais quando vestia pijama.
Tsubaki estava vestindo uma calça de linho cinza e uma camiseta preta, parecia ser um pijama normal para um homem como ele. Eu já tinha visto seu corpo incrível, mas ainda me arrepiava um pouco ao vê-lo com os braços expostos daquela forma. Seus cabelos estavam bagunçados, ele parecia ter acabado de acordar, embora eu soubesse que ele nem tinha ido dormir.
– Eu nunca fiquei acordada até tão tarde da noite aqui em casa – confessei, rindo um pouco – E eu devo ter parecido uma criança agora.
Tsubaki riu, mexi um pouco o conteúdo da panela com a espátula.
– Vendo você vestida assim, eu nunca pensaria em você como uma criança – disse Tsubaki, usando aquele seu tom sexy.
Mordi o lábio, tentando conter um sorriso.
– Acho que você é o único que não me acha infantil nessa casa – falei – Eu meio que gostei disso.
Ouvi Tsubaki rir, uma risada mais sexy do que divertida. Eu gostava daquele lado do Tsubaki, acho que me sentia atraída por ele de alguma forma.
– Beba sua cerveja, Nina – ele disse, ainda naquele tom sexy – A noite ainda é uma criança, enquanto você é uma mulher linda.
Senti meus pelos se eriçarem, mordi o lábio com força.
– Tudo bem – falei, bem devagar.
Larguei minha espátula durante um tempo, esticando minha mão na direção da garrafa de cerveja cheia. Abri o lacre com habilidade, vindo a pensar na história do “lacre” da noite do nosso jantar em família. Tomei um longo gole, soltando um gemido de prazer ao sentir o líquido refrescante lavar minha garganta. Soltei um longo arquejo, colocando a garrafa na bancada outra vez.
Se a noite era uma criança, deixaremos que os adultos cuidem dela.
**~**~**~**
– Prove – mandei.
– Me ajuda? – pediu Tsubaki, mordendo o lábio.
Mordi meu lábio também, mas fiz o que ele disse. Tínhamos tomado mais umas quatro garrafas de cerveja enquanto eu cozinhava, eu estava ainda mais bêbada do que no dia do vinho.
Cortei um pedaço da omelete com o garfo e espetei-o, erguendo a mão. Tsubaki abriu a boca, lançando-me um olhar safado. Mordi o lábio, tentando não rir. Levei o garfo até sua boca, ele mordeu o pedaço de omelete que eu oferecia e mastigou de olhos fechados. Seu maxilar movia-se com graça, senti vontade de toca-lo com a língua.
O que?
– Hum, está uma delícia, quase tão gostosa quanto a pessoa que fez – disse Tsubaki.
Ri, ele abriu os olhos. Seus lábios adotaram um sorriso sensual, mordi o lábio.
– Que bom que gostou – falei.
Minha voz saia um pouco arrastada, se eu não me conhecesse, pensaria que eu estava tentando ser sensual. Tsubaki mordeu o lábio, devia ter sido afetado pela minha embriaguez.
– Me dê mais, minha boca está esperando por você – ele disse.
Ri, mas assenti.
Alimentei Tsubaki na boca durante um tempo, ficávamos mais próximos a cada nova garfada que eu lhe oferecia. Estávamos jogados no sofá, ele envolvia minha cintura com seu braço esquerdo. Eu estava sentada sobre meus joelhos, meu braço envolvia a nuca de Tsubaki. Minha mão direita afagava seu maxilar, sentindo a pele livre de pelos daquele homem lindo. Ele já havia comigo duas omeletes inteiras, de vez em quando ele pedia que eu comesse também. Dividíamos uma garrafa de cerveja, Tsubaki estava tão bêbado quanto eu, mas não parecia estar diferente.
– Obrigado pelas omeletes, as suas são melhores do que as do Ukyo – disse ele.
Sorri, largando o garfo no prato – agora vazio – de Tsubaki. Quando recolhi meu braço, Tsubaki sacou-me com força. Arquejei, batendo em seu peito com meus seios. Ele sorriu, um sorriso sensual.
– O que está fazendo? – falei.
– Desfrutando da minha sobremesa – respondeu.
Bufei, Tsubaki mordeu o lábio. Suas mãos firmaram-se em minha cintura, ele apertou-me contra si. Minha perna moveu-se sozinha, acabei fixando meu joelho em volta do corpo de Tsubaki. Eu estava praticamente sentada em seu colo, com meu rosto praticamente colado ao dele.
– Eu não sou sua sobremesa – protestei.
Ele riu, inclinando sua cabeça em direção ao meu ombro.
– Mas é a cozinheira gostosa que eu quero comer – disse.
Arquejei, sentindo seus lábios tocarem meu ombro esquerdo. Tsubaki apertou minha cintura, ignorando o muxoxo de protesto que eu soltara em algum momento.
– Nós somos irmãos, que droga você está fazendo? – ofeguei.
Ele me ignorou, iniciando uma trilha de beijos quentes do meu ombro ao pé do meu pescoço. Estremeci, ele deixou a boca entreaberta. Seu hálito quente arrepiou os pelos ali presentes, arfei.
– Incesto não é crime, relaxa – disse Tsubaki.
Arfei outra vez, ele retomou seus beijos. Suas mãos deixaram minha cintura, descendo através de meus quadris. Ele apertou minhas coxas, arrancando-me um suspiro. Sua boca encontrou o lóbulo da minha orelha, ele deu uma risadinha.
– Tsubaki, para com isso – ofeguei, mordendo o lábio – Eu tenho namorado.
Tsubaki me ignorou, mordiscando minha orelha. Suas mãos subiram em minhas pernas, brincando com o tecido da minha camisola.
– Eu tenho namorado – repeti.
– É um garoto forte? – perguntou Tsubaki.
Assenti, estava com a boca ocupada demais arquejando para responder com palavras. Tsubaki riu, colando nossos corpos.
– Então ele aguenta um par de chifres – disse.
Arquejei, ele mordeu o lóbulo da minha orelha.
– Mas eu não sou forte, não aguento o peso de uma traição – falei.
– Relaxa, maninha – disse Tsubaki – Eu te ajudo a superar.
Abri a boca para falar, mas Tsubaki me calou com uma chupada em meu pescoço. Soltei um gemidinho, fechando os olhos. Aquilo era muito errado, mas eu não conseguia afasta-lo. Seus toques eram tão bem vindos, era como se meu corpo clamasse por ele. Aquele cheiro que ele tinha, ah, aquilo me enlouquecia.
Tsubaki enfiou as mãos por baixo da minha camisola, tocando minha pele com suas mãos másculas e delicadas ao mesmo tempo. Inclinei meu corpo para cima, tentando escapar de seus toques. Os dedos de Tsubaki apertavam minha pele, sentindo-me. Sua boca traçava uma trilha de beijos e chupadas na linha do meu maxilar, sua respiração esquentava minha boca.
– Quer conhecer meu quarto? – ele perguntou, quase ronronando naquela voz sexy.
Era como se meu ventre estivesse em chamas, as mãos de Tsubaki apertaram minhas nádegas intensamente. Senti um arrepio, que bom que eu resolvera colocar uma calcinha hoje.
– Eu não vou pro seu quarto – falei, quase sem voz.
Tsubaki sorriu, mordendo meu queixo com certa força. Arquejei, minha boca tentava puxar o ar que meus pulmões precisavam.
– Então eu vou te mostrar minha masculinidade aqui mesmo, nesse sofá – ele disse.
Não pude responder, já que Tsubaki cobriu meus lábios com o seus. Foi como se eu estivesse beijando a chama de uma vela, tão quente que meus lábios queimavam. Toda a força que eu tinha para lutar contra me abandonara, como se os lábios de Tsubaki estivessem sugando meu racional. Ele me jogou contra o sofá, senti minhas costas colidirem contra as almofadas. Arfei, ele não me deixou encerrar o beijo. Sua língua invadiu minha boca, enlaçando a minha sem cerimônia alguma. Tsubaki abriu minhas pernas, enfiando-se no meio delas e deitando sobre mim. Suas mãos só não eram mais quentes do que seus lábios, eu quase não conseguia respirar. Tentei bater em seu peito, mas tudo que minhas mãos fizeram foi agarrar seus ombros com força. Ele soltou uma risadinha em meio ao beijo, pressionando-me com seu corpo. Senti seus músculos serem moldados contra os meus, arrancando o mínimo de consciência que ainda me restava. Em meu ventre em chamas, ele pressionou sua ereção.
AH! Aquilo era tão grande!
– Me ajude aqui, querida – rosnou /gemeu Tsubaki.
Suas mãos tentavam baixar minha calcinha, mas eu não parava de movimentar meus quadris para cima e para baixo. Por mais constrangedor que possa parecer agora, meu corpo parecia estar clamando pelo dele, implorando para tê-lo dentro de mim. Arquejei, mordendo os lábios com força. Tsubaki enfiou os dedos por dentro da minha calcinha, esticando o tecido para que ele cedesse. A vestimenta foi rasgada com força, ele devia ter sentido que seria difícil retira-la comigo daquele jeito. Minha cabeça girava enquanto ele estendia os restos da calcinha de renda preta diante de si, seu sorriso era tão grande quanto sua expressão de triunfo. Meu corpo parecia tremer enquanto Tsubaki descia seus beijos até o decote da minha camisola, senti meus olhos arderem. Eu bebera muito, estava vendo as paredes girarem. Ele beijou meu mamilo esquerdo por cima da camisola, dando umas mordidinhas de vez em quando. Ofeguei, sua mão direita brincava com meu outro mamilo.
– Tsuba... Ki – gemi, arfando com força.
Ele deu uma risada provocativa, mordendo o vale entre meus seios. Ele largou meus mamilos por um segundo, descendo as mãos por minha cintura. Ofeguei, suas mãos massagearam meus quadris.
– Mais alto, querida – ele disse – Quero ouvir sua música, grite para mim.
Ele sugou meu mamilo com força, minhas costar arquearam-se.
– Tsubaki! – gemi, trincando os dentes.
Ele massageava um ponto muito mais quente do que meus quadris agora, seus dedos pareciam escorregar em minha pele. Meu corpo se retorceu, mordi a língua para não gritar. Alguma parte de mim sabia que aquilo era errado, mas eu não conseguia achar forças para empurra-lo.
– Gosta do que posso fazer com os dedos? – perguntou Tsubaki.
Seus dedos manuseavam a bolinha no centro da minha vulva com força, eu não conseguia respirar.
– Agora vou te mostrar o posso fazer com minha língua – ele disse.
Sem largar meu clitóris, Tsubaki ergueu seu corpo alguns centímetros. Meus olhos derramavam lágrimas que eu não sabia que estavam saindo, meu corpo tremia violentamente. Eu não conseguia respirar, meus pulmões pareciam estar queimando. Senti Tsubaki respirar contra a pele da minha vulva, não senti mais nada depois disso, apenas uma vontade enorme de gritar.
Era como se meu corpo estivesse em chamas. Eu sentia cada célula do meu corpo se agitar, como se eu estivesse entrando em combustão. Minha cabeça estava quente, doía tanto que até minhas lágrimas pareciam em chamas. Eu sentia a língua de Tsubaki fazer vários movimentos ao redor do meu clitóris, uns rápidos, uns lentos... Todos torturantes. Aquilo era bom, muito, muito bom. Aquela sensação era indescritível, eu sentia como se estivesse me desfazendo na boca de Tsubaki. Ele beijava cada pedaço da minha vulva quando não estava sugando meu clitóris, eu sentia pequenos espasmos me atingirem lá. Mais rápido do que pude processar, senti aquele calor ficar mais forte e intenso. Aquilo queimava, arrastando-se para fora. Eu não conseguia resistir, precisava expulsar aquilo. Tsubaki penetrou-me com a língua, seus dedos apertaram meu clitóris com força. Ofeguei, mordendo o lábio para não gritar. Ele voltou a sugar meu clitóris, suas mãos subiram pelo meu corpo até alcançarem meus mamilos. Tsubaki começou a puxa-los enquanto lambia e chupava minha vulva, senti meus olhos revirarem sem minha vontade. Aquele calor ficou tão forte que doía, gemi. Ele gemeu em resposta, largando meu clitóris para lançar-me um olhar intenso. Ah, aquele olhar me fez retorcer no sofá, nem mesmo pensei ao fazer o que fiz a seguir. Minha mão direita agarrou os cabelos de Tsubaki, forçando sua cabeça para baixo. Ele riu quando percebeu onde eu queria chegar, mas não me desobedeceu. Mais rápido e com mais força do que antes, ele começou a chupar meu clitóris. Seus dedos puxavam meus mamilos com força, aquilo era torturante. Puxei seus cabelos, empurrando-o contra mim. Tsubaki gemeu de nome, dando uma suave e intensa mordida em meu clitóris. Aquilo foi a gota, meus gemidos ficaram incontroláveis. Sua língua ia e vinha, sentindo-me em meu ponto mais quente.
Meu orgasmo foi como um vulcão expelindo lava, arrancando um grito de mim. Meu corpo inteiro parecia entorpecido, eu sentia meus músculos tremendo, mas não tinha força alguma para me mexer. Senti Tsubaki dar uma ultima sugada em meu clitóris e tirar a cara dali, seu sorriso brilhava mais que a luz do sol. Ele arrastou-se sobre mim outra vez, meu corpo não parava de ter espasmos.
– O que me diz, querida? – sua voz disse, carinhosa como um gatinho manhoso – Você tem um gosto incrível, eu adorei.
Não respondi, nem mesmo consegui me mexer. Minhas lágrimas não paravam de sair, eu sentia como se algo muito duro estivesse esmagando meu coração. Tive a sensação de sentir beijos em meu pescoço, mas não consegui focar minha atenção naquilo. Minha cabeça doía demais, eu gemia baixinho de dor.
– Nina, você está bem? – perguntou a voz de Tsubaki.
Não respondi, ainda não conseguia me mexer. Minha visão estava muito embaçada, eu quase não conseguia respirar.
Ouvi uma voz familiar, e aquele som fez minhas lágrimas saírem com ainda mais força. Era como se, ao ouvir aquela voz, meu emocional desabara de vez. Eu sentia vergonha, nojo de mim mesma. Eu não queria decepciona-lo, não conseguia parar de me sentir suja.
– Ela começou a chorar, eu não fiz nada – disse Tsubaki.
Ouvi um suspiro pesado, nem percebi que o peso de Tsubaki havia me abandonado. Aquilo me ajudou a respirar, mas meus pulmões ainda ardiam.
– Ela bebeu muito, acho que deve ter tomado umas dez garrafas sozinha – disse Tsubaki – E nem desceu para jantar, acho que deve ter sido isso.
– E você sabia que ela está bêbada, mas continuou fazendo aquilo? – disse a voz – Eu podia chamar a polícia agora mesmo, ela é menor de idade, e você estava praticamente estuprando ela.
– Ela não estava reclamando, eu achei que ela estava gostando – disse Tsubaki, confuso.
– Como ela vai reclamar desse jeito? Ela nem consegue respirar direito! – disse o dono da voz, irritado.
Ouvi um arquejo, as vozes soaram de novo. Tudo que eu conseguia ver era a luz da sala, embora ela estivesse quadriplicada em minha visão.
– Eu cuido dela, vai tomar um banho frio – disse a voz familiar.
Senti algo quente em minha testa, tão quente quanto minha própria pele. Eram macios, eu sentira-os em minha vulva um momento atrás. Ele devia estar beijando minha testa, aquele cheiro me invadia.
– Foi mal, maninha – disse Tsubaki, parecia triste.
Ouvi a voz familiar resmungar alguma coisa, Tsubaki engoliu em seco. Tentei piscar, minhas pálpebras estavam tão pesadas quanto meus membros. Tsubaki se afastou, seu calor me deixou. Tentei respirar, tentei me mexer, mas não conseguia.
Senti meu corpo ser erguido, minha cabeça tombou em algo macio. Um cheiro familiar encheu meus pulmões, aquilo parecia me ajudar a respirar. Ergui meu olhar, deparando-me com um brilho malva diante dos meus olhos. Tentei emitir algum som, a pessoa que me carregava apertou-me com mais força.
– Durma, Nina – disse – Eu estou aqui, você está comigo.
Como se suas palavras fossem mágicas, senti meu corpo ficar mais mole. Minhas pálpebras se fecharam, senti minha consciência me abandonar.
**~**~**~**
O som de uma descarga me fez acordar, confusa. Abri meus olhos, arrependendo-me terrivelmente por ter feito aquilo. O quarto estava muito claro, aquilo agredia minha retina.
Ouvi um clique, e a luz se apagou. Consegui abrir meus olhos, evitando olhar para a janela. A cortina fora acionada por controle remoto, as persianas grossas quase não deixavam a luz entrar, mas aquilo deixava a janela clara. Pisquei, tentando me acostumar. Estava tão ocupada tentando enxergar que nem reparei que tinha companhia, engoli em seco.
– Você acordou – ele disse.
Senti meu sangue gelar, Louis não estava sorridente como sempre. Vê-lo tão perto depois de uma semana de distância me fez estremecer, e mesmo que aquilo fosse muito errado, eu senti certo conforto. Tentei sentar, mas meus músculos pareciam estar rígidos. Soltei um muxoxo de dor, minha cabeça começou a latejar.
– Ai – gemi, fazendo um bico.
Aquilo parecia ter amolecido ele, já que Louis apenas soltou um suspiro pesado. Fechei os olhos, tentando aplacar aquela dor de alguma forma. Ouvi o som de seus passos vindo em minha direção, engoli em seco.
– Tome isso – ele disse.
Relutei, mas abri meus olhos. Ele estendia-me um copo cheio de água e dois comprimidos, seu olhar estava tão repreensivo que me fez tremer. Estendi a mão para pegar o copo, eu quase derrubei a água.
– Calma, deixa eu te ajudar – disse Louis.
Assenti, ele sentou-se ao meu lado. Eu estava em seu quarto, deitada em sua cama. O relógio da parede indicava que passava do meio dia, meu estômago se revirou.
– Abra a boca – disse Louis.
Fiz o que ele disse, estirando a língua para fora. Ele quase riu daquilo, mas a situação era séria demais para rir. Louis colocou os comprimidos na minha língua, empurrei-os para o fundo da garganta. Ele encostou o copo na minha boca, inclinando o objeto para me ajudar. Bebi três goles, engolindo os comprimidos com certa dificuldade. Aquilo teria bastado, mas eu estava morrendo de sede. Bebi toda a água, mas ainda não parecia o suficiente. Louis colocou o copo em seu criado mudo, engoli em seco.
– É normal eu estar com tanta sede? – perguntei.
Louis respirou fundo, sério.
– Só é normal para quem tomou um porre – disse.
Engoli em seco, sentido a cabeça doer. Baixei o rosto, procurando as mãos de Louis, mas ele colocou as duas acima dos joelhos. Ele parecia estar evitando meu contato, eu acho que eu merecia aquilo. Eu sabia que era culpada, mas a reação dele me fez sentir como se um punho de ferro estivesse apertando meu coração com força.
– Louis, eu não me sinto bem – falei – Minha cabeça está doendo, meu estômago também está, e meus olhos...
Ele lançou-me um olhar indignado, engoli em seco, deixando minha voz morrer.
– O que deu em você? – ele disse, levemente irritado – Uma garota de 16 anos, bebendo dez garrafas de cerveja sem nem forrar o estômago. Como você queria acordar hoje? Pronta para mais bebedeira?
Engoli em seco, apavorada. Louis nunca tinha ficado bravo comigo, aquilo era pior do que quando meu pai me deu uma bronca por brincar de motorista e bater o carro em um poste por deslize. Tentei não parecer muito assustada, mas tudo que pude fazer foi refrear um gemido. Louis sacudiu a cabeça, lançando-me um olhar de soslaio.
– Eu acordei no inicio da madrugada com o seu grito, você nem imagina o medo que eu senti quando cheguei ao seu quarto e encontrei a Ema dormindo na sua cama e não vi nem um sinal de você – disse Louis, ainda irritado – Desci as escadas correndo, e acabei vendo a cena. Tsubaki estava bêbado como um cachorro, praticamente engolia você. E você estava praticamente desmaiada, nem conseguia se defender.
Ele arquejou, batendo a mão na cara.
– Eu te dou meu amor e você me joga na lata de lixo – disse, engolindo em seco – Você foge de um beijo meu, mas se entrega ao Tsubaki com a rapidez de uma garota fácil, e nem se lembra do coitado do seu namorado. Que bom que eu fui o único a descer, eu sei que sou o único aqui que se preocuparia tanto com seu bem estar a ponto de esquecer a idade do Tsubaki. Ele tem quase trinta anos, pelo amor de Deus!
Sua voz saía quase dolorosa, como se seu peito estivesse em chamas. Funguei, nem percebi que eu estava chorando.
– Eu não sei o que fazer com você, Nina – ele disse, arquejando – Quanto mais eu me esforço, menos eu consigo te entender. Você devia ter me escutado, devia ter me deixado te ajudar. Eu tento cuidar de você, mas é tão difícil quanto montar um cavalo selvagem.
Ele parou de falar, deve ter ouvido meu soluço desesperado. Meu peito parecia ter sido perfurado, minha cabeça doía tanto que estava difícil até de respirar.
– Me desculpe – chorei, abraçando meu próprio corpo para tentar parar de tremer – Me desculpe, Louis. Por favor, me desculpe.
Encolhi-me como uma bola, enterrando a cara entre meus joelhos. Solucei violentamente, chorando tão alto que meus gemidos ecoavam pelo quarto. Eu detestava chorar, mas era tudo que eu conseguia fazer no momento.
– Oh, minha criança – disse Louis.
Senti seus braços me envolverem, apertando-me contra seu peito. Abracei-o com força, soluçando ainda mais. Ele me abraçou, soltando um suspiro pesado.
– Não chore, minha criança – ele disse – Vai ficar tudo bem, você está comigo, eu vou cuidar de você.
Deitei minha cabeça em seu ombro, tentando aquietar meu choro. Louis afagou meus cabelos suavemente, suspirando baixinho. Eu podia sentir sua respiração em meu rosto, perto o bastante para me acalmar.
– Não se sinta mal, a culpa não foi toda sua. Não beba mais, Nina. Já é a segunda vez que algo dá errado, o que mais precisa acontecer para você me ouvir? – ele disse, beijando minha testa com ternura.
Ele embalou-me nos braços como se eu fosse um bebê de colo, solucei mais uma vez.
– Minha cabeça dói – sussurrei.
– Shii, eu sei – sussurrou de volta, beijando minha testa de novo – Durma, minha criança. Você só precisa dormir, eu vou cuidar de você.
Assenti, tentando relaxar. Quase nem lembrava que estávamos brigados, ter passado a semana toda o evitando tinha me destruído. Até Akira percebeu que eu estava diferente, mas eu não tinha coragem de encarar a realidade. Eu morria de saudade do abraço de Louis, era como se minha força tivesse me abandonado, mas eu estava recebendo-as de volta do corpo dele. Louis afagou minha nuca, deitando-me em seu colo. Ele recostou-se no encosto da cama, puxando-me com ele. Eu não conseguia pensar em um momento onde eu ficara tão aliviada, como se estivesse recebendo meu espírito de volta após um longo tempo vagando na terra. Doía, mas eu estava aliviada. Louis era minha força, afasta-lo seria minha morte. Aninhei-me contra seu corpo, respirando fundo, aspirando seu cheiro. Pensei em dizer alguma coisa, dizer que eu o amava, pedir desculpas. Mas eu estava fraca, e precisava desesperadamente de Louis. Como se eu fosse um bebê, ele me embalou até minhas pálpebras começarem a pesar.
– Feche os olhos, minha criança – sussurrou – Vai passar, eu prometo.
Fechei os olhos devagar, sentindo meu corpo ficar mais leve. Louis beijou minha testa mais uma vez, voltando a cantarolar suavemente uma música em espanhol. Achei aquilo um pouco estranho, mas resolvi não dizer nada. Respirei fundo, soltando um suspiro choroso logo em seguida. Louis deixou que eu me acalmasse em seu colo, embalando-me em seu doce amor.
Por mais estranho que parecesse, foi como se eu estivesse sendo embalada pela minha mãe.
IMAGEM ESPECIAL
Natsume Asahina (Não estuprem essa imagem, por favor).

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