The New Girl in the House
33 Basquete - Especial Subaru
Notas iniciais
Fiz a terceira flexão, quase desabando no chão. Ofeguei, tentando achar forças para fazer a quarta.
Alguém bateu na minha porta, assustando-me.
– Nina, você está aí? – disse.
Arquejei, erguendo-me do chão com certa dificuldade.
– Está aberta, Masa – respondi.
A porta foi aberta, permitindo que o mais velho dos Asahina me visse. Ele arregalou um pouco os olhos, surpreso.
– O que aconteceu com você? Foi atropelada por um trator? – ele perguntou.
Ri, acenando.
– Estou tentando perder o peso que ganhei no natal, mas não tá dando muito certo – respondi – Eu comecei bem, mas agora não consigo nem fazer cinco flexões. E eu achando que já estava muito avançada, estou dando muito duro.
Masaomi olhou em volta, analisando minha bagunça. Estava tudo certo, o único problema era a esteira de ioga jogada no meio do caminho. Eu estava jogada na esteira, como se tivesse acabado de parir um filho.
– Você está fazendo isso desde quanto? – perguntou o médico.
Dei de ombros, erguendo-me do chão em um pulo.
– Muito tempo, acredite – respondi – Desde ontem, para ser exata.
Masaomi riu, sorri. Chutei a bola de basquete que surrupiara do quarto de Wataru para debaixo da minha cama, não queria que Masaomi pensasse que eu estava obsessiva demais com a perda de peso.
– Muito bem, continue com essa força de vontade que você vai longe – disse Masaomi, rindo um pouco – Preciso ir ao hospital, tenho plantão hoje. Você ficar bem aqui sozinha?
Assenti, tentando ignorar a câimbra que ameaçava dar em meu braço. Estiquei-me toda, engolindo um gemido de dor.
– Estou ótima, não se preocupe – menti, rindo nervosamente – Pode ir, eu vou ligar pra uns amigos e combinar alguma coisa.
O médico assentiu, olhando-me como se quisesse ter certeza de que eu estava mesmo bem. Revirei os olhos, endireitando-me.
– É sério, eu to bem – falei, rindo um pouco – Vou só tomar um banho decente e fazer umas ligações, não precisa se preocupar. Meus amigos são muito protetores, eu vou estar segura.
Sacudi um pouco os ombros, respirando fundo. Masaomi riu um pouco, mas pareceu ter se convencido.
– Certo, até mais tarde – ele disse.
Assenti, acenando. Masaomi sorriu uma última vez, e saiu do meu quarto. Suspirei, girando nos calcanhares para olhar melhor meu quarto. Meu celular parecia acenar para mim, deitado em cima do teclado do meu Macbook. Sorri, mordendo o lábio. Ter irmãos bem sucedidos tinha lá suas vantagens, eu podia viver com alguns mimos.
Peguei meu celular, desbloqueando a tela. Tinha uma nova mensagem do Louis, mas eu decidi que precisava mais ouvir a voz de Yelisei do que ler o que Louis tinha pra me dizer. Disquei o número certo e colei o celular contra a orelha, esperando durante pouco tempo.
– Ninfa, que surpresa! – disse Yelisei, quase explodindo de alegria.
Ri, revirando os olhos.
– Eu mato o Liu! Que droga de apelido é esse – falei, rindo.
Yelisei riu, esperei.
– Você parece mesmo uma ninfa, não reclame – ele disse.
Bufei, mostrando a língua para o celular.
– Nem vem, eu não pareço uma ninfa coisa nenhuma – reclamei – Se formos brincar disso, você é o namorado da boneca Barbie!
Yelisei bufou, tenho certeza de que estava corado.
– Eu não pareço aquele boneco horroroso, ache outra coisa pra me comparar – ele disse, ligeiramente constrangido.
Ri, sacudindo a cabeça. Eu já chamara ele daquilo uma vez, ele tinha corado muito por ter sido chamado de boneco. Olhei em volta, tentando localizar meu sabonete.
– É o seguinte: Eu quero você, Liu e Ken na porta da minha casa em meia hora – falei – Vamos ao shopping, ao parque, ao inferno! Mas hoje eu não passo o dia todo em casa nem que me paguem.
Yelisei riu muito, sua risada era tão fofa quanto seu rosto.
– Tudo bem, Ninfa Chefe – ele disse, ainda rindo – Vou ligar pro Liu, nos vemos mais tarde.
– Yes! Valeu, Yelisha – falei, vibrando – Vou desligar, preciso me arrumar.
Ele riu, mas grunhiu positivamente em resposta. Estalei um beijo no microfone antes de encerrar a chamada, apenas para ter certeza de que eu deixaria-o constrangido o bastante para gaguejar meu nome quando nos víssemos. Era engraçado, nos conhecíamos a pouco mais de quatro meses e eu já sabia quase tudo sobre ele. Yelisei era fácil de amar, ele já era como um irmão para mim.
Peguei minhas roupas, meu sabonete e tudo que precisava para tomar um banho, movimentando-me aos pulos pelo quarto. Quase tropecei em um par de tênis, mas não parei para tirá-los do lugar. Pulei para fora do quarto, correndo e cantando “Sweet Child o’ Mine” loucamente.
Ninguém ia me parar hoje.
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– Filho da mãe! – berrei.
Rosnei, quase arrancando meus próprios cabelos. Peguei o iPod que dera de presente para Subaru, refreando o impulso de gritar com o aparelho pelos erros de seu dono.
– Aquele gorila gostoso prometeu que ia levá-los aos treinos sempre, por que todo mundo mente pra mim? – bufei, sacudindo a cabeça – Vem, bebê. Eu vou te levar até seu dono, e dar uma surra naquela bunda dura.
Soquei o iPod no bolso, espremendo meu celular. Terminei de lavar o copo que eu usara para beber água, encerrando minhas tarefas. Saí da cozinha, dirigindo-me à saída da casa. Eu estava vestida para matar, matar Miwa do coração. Não tinha vestido nada que ela considerasse sexy o bastante para um encontro com três garotos, mas eu estava me sentindo gorda demais para colocar algo mais justo ou bonito.
Saí de casa, trancando a porta com rapidez. Os meninos já estavam me esperando há quase meia hora, digamos que eu tive um pequeno problema com o chuveiro. Ele escaldou-me como se eu fosse um frango cru, aquilo devia ser obra do Fuuto. Precisei ficar dez minutos diante da central de ar condicionado do meu quarto, apenas para tentar deixar minha pele bem outra vez. Corri pelo jardim, sentindo meus seios balançarem. Eu estava com um top hoje, nem de longe o traje mais indicado para correr. Avistei meus amigos assim que cheguei perto do portão. Liu praticamente dormia, escorado nas costas do irmão. Ken bufou quanto me viu, Yelisei nem percebeu minha presença. Escancarei o portão, trancando-o com uma batida.
– Yelisha! – gritei.
Corri em sua direção, pulando em suas costas. Ele riu, ajeitando-me em suas costas. Eu fizera aquilo no nosso último dia de aulas do ano passado, ele me dera uma carona da nossa sala até o portão da escola em suas costas confortáveis. Liu e Ken se entreolharam, maliciando aquele meu gesto carinhoso.
– Eu tava morrendo de saudade – falei, abraçando Yelisei com força.
O garoto riu, girando uma vez comigo em suas costas.
– Também senti saudade, N-nina – ele disse, gaguejando meu nome.
Ri daquilo, pulando no chão. Pendurei-me em seu ombro, alcançando sua bochecha macia e depositando um beijo ruidoso lá. Yelisei corou, mas eu não me importei. Soltei-o, encarando os irmãos maliciosos.
– Bom dia para vocês também, seus falsos – brinquei, sorrindo.
Liu bufou, Ken lançou-me um olhar acusador.
– Nós somos falsos? Você pula no Yelisha e nem olha pra nós, e nós somos os falsos? – ele disse, rindo pelo nariz.
Revirei os olhos, atirando-me nele. Ken riu, retribuindo meu abraço. Soltei-me dele, indo até Liu. Ele estava mais forte do que eu me lembrava, talvez estivesse malhando. Seu abraço quase me partiu ao meio, ofeguei. Soltei o garoto, firmando-me no chão.
– Como foi o natal de vocês? – perguntei, animando-me com a questão.
Liu olhou para o irmão e riu, Ken apenas bufou.
– Podia ter sido melhor, se uma tia distante não tivesse vindo – disse Ken – Ela não tem crianças, tem demônios em forma de gente.
Yelisei riu, lançando um olhar na minha direção.
– Ele só está assim porque um dos priminhos afogou seu PSP no vaso sanitário – ele disse.
Ri, Ken bufou. Liu também riu, cutucando o irmão com força.
– E a nossa prima mais velha não era nada se jogar fora, não é? – disse Liu rindo – Jogou charme pra mim, mas deu um fora histórico no Ken.
Ri, sacudindo a cabeça. Yelisei riu, postando-se ao meu lado. Ken podia ter maliciado aquilo também, se não estivesse ocupado demais tentando enforcar o irmão.
– Cala a boca, seu idiota! – ele disse.
Liu riu, afastando o irmão de seu corpo. Tentei não rir, mas foi impossível.
– Ela disse assim “E por que motivo aparente uma garota como eu perderia seus preciosos segundos de uma vida que só será vivida uma vez com um garoto como você?” – disse Liu, imitando a voz da garota de forma bizarra – Era uma nerd de primeira, mas era muito gata. E adivinha pra quem ela deu mole? Pro Liuzão aqui!
Ele gesticulou na direção de seu próprio corpo, rindo. Ken bufou, avançando sobre o irmão de novo.
– Ah! Seu idiota! – berrou Ken, socando o peito do irmão.
Liu riu, debochando do irmão.
– Quer brigar? Então cai dentro! – provocou.
Ken aceitou o desafio, eles começaram uma luta muito engraçada. Ri muito, precisando me apoiar em Yelisei para não cair. O garoto me amparou de muito boa vontade, embora também estivesse precisando de um apoio para não cair no chão de tanto rir. Os irmãos não pareciam intimidados com aquela atenção, Liu ainda debochava da cara de Ken. Respirei fundo, tentando parar de rir. Yelisei deu uma risadinha, encarando-me com seus olhos verdes.
– E o seu natal? – perguntei, um pouco cansada por ter rido tanto.
Ele deu de ombros, dando uma última risada.
– Foi bom, meu pai fez um verdadeiro banquete – ele disse – Eu ganhei presentes legais também, mas meu favorito foi saber que um novo Sakura está a caminho.
Arregalei os olhos, rindo.
– Sua mãe está grávida? – perguntei.
Yelisei negou com a cabeça, feliz por receber tanta atenção.
– Minha irmã, na verdade – ele disse – Ela casou há dois meses, e já está esperando um garotão.
– Ou uma garotinha – ponderei.
Ele riu, assentindo. Respirei fundo, feliz.
– Parabéns, titio – falei.
Ele corou, mas estava feliz demais para deixar de sorrir abertamente.
– Obrigado – ele disse – Acho que esse foi o melhor Natal da minha vida, e olha que meu pai nem me deu um carro.
Ri, ele sorriu para o chão.
– E por que você quer um carro? Você não tem sua moto? – indaguei, gesticulando na direção da motocicleta do rapaz.
Yelisei deu de ombros, fazendo uma careta rápida.
– Eu gosto da moto, mas um carro é bem melhor – ele disse, pensativo – A gente não se molha quando está chovendo, nem corre risco de cair se fizer uma curva errada. Podemos carregar mais coisas e ainda dar carona a alguém.
– Ele está pensando no quanto adoraria te dar uma carona, Ninfa – disse Ken.
Liu riu, Yelisei arregalou os olhos. Pisquei, tentando não rir da cara corada de Yelisei.
– N-não é verdade – ele disse, engolindo em seco – Vocês dois não estavam brigando?
Liu deu de ombros, seu irmão fez o mesmo.
– Até estávamos, mas o assunto aqui está mais interessante – comentou Liu, abrindo um sorriso sacana – Aliás, continuem, estava divertido.
Yelisei fez uma careta irritada, fugindo do meu olhar. Ele deu um empurrão em Liu, Ken apenas riu.
– Calem a boca, vocês dois só pensam besteira – disse Yelisei, bufou – Não viemos aqui para ficar brigando, principalmente na frente... Principalmente por bobagens.
Ele se corrigiu antes de falar besteira, mas nada escapa aos ouvidos espertos dos irmãos Yamasaki. Eles se entreolharam, explodindo em uma gargalhada escandalosa logo em seguida. Ri, sacudindo a cabeça. Yelisei lançou-me um olhar de esguelha, estava muito vermelho. Lancei-lhe um sorriso carinhoso, abraçando suas costas.
– Oh, meu Yelisha – murmurei, rindo – Você é um fofo, principalmente quando fala coisas sem pensar direito.
Ele arquejou, engolindo em seco logo em seguida. Ri, soltando-o.
– Vocês formam um casal lindo, sabia? – zombou Ken, imitando a voz de uma garota – Me convidem para o casamento, eu quero estar lá!
Liu riu, sacudindo a cabeça.
– Cara, você é muito gay – ele disse, encarando o irmão – Mas está certo, eles fazem mesmo um belo casal.
Revirei os olhos, Yelisei bufou.
– Vamos logo pra algum lugar, já cansei da idiotice de vocês – ele disse, voltando-se para me encarar.
Dei de ombros, olhando em volta para decidir.
– Pra qualquer lugar, desde que passemos no centro de treinamento do meu irmão pra entregar uma coisa pra ele – falei.
Yelisei assentiu, Liu e Ken finalmente pararam de rir.
– Quem é seu irmão? – perguntou Liu, curioso.
Abri um sorriso misterioso, piscando para ele.
– Vocês vão ver – respondi.
Os irmãos bufaram, Yelisei sorriu para mim.
– E o que estamos esperando? – ele disse, também misterioso.
Ri, indo em sua direção.
Eu estava feliz hoje, e algo me dizia que ver Subaru deixaria meu dia ainda melhor.
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– Você nunca se acostuma? – zombou Liu.
– Deixa ela, eu adoro rir da cara dela mesmo – comentou Ken.
– Querem parar? – protestou Yelisei, sacudindo a cabeça e encarando-me fixamente – Nina, você está bem?
Grunhi em resposta, segurando-me em seus braços para não beijar o chão. Eu já tinha andado de moto com Yelisei algumas vezes, mas aquele enjoo nunca melhorava. Ainda que a sensação já fosse minimamente familiar, ainda era terrível.
– Respira fundo, já vai passar – disse Yelisei.
Assenti, fechando os olhos para ver se ajudava.
– Ela precisa de um médico? – perguntou uma voz grossa.
Ouvi Liu e Ken rirem daquilo, Yelisei suspirou.
– Não precisa, obrigado – ele disse.
Engoli em seco, Yelisei deu uma risadinha calma para mim.
– Você chamou atenção dos seguranças, que bom que eu não estava armado – brincou – Pode abrir os olhos? Queria saber se você não está desmaiando.
Senti vontade de rir, mas minha cabeça ainda estava girando. Abri os olhos, engolindo em seco. O rosto de Yelisei estava bem perto do meu, ele sorria gentilmente.
– Você está bem? – ele perguntou.
Assenti, respirando fundo. Firmei-me melhor no chão, percebendo que não estávamos sozinhos. Um homem robusto com uniforme de segurança me encarava, como se tentasse decidir se confiava em Yelisha ou chamava um médico.
– Você está grávida? – o homem perguntou.
Ri pelo nariz, Yelisei arregalou os olhos.
– Eu espero que não – respondi.
Liu e Ken riram, o segurança franziu o cenho.
– Ela sempre passa mal quando anda de moto, é apenas natural – disse Yelisei, prendendo o riso – Mas vamos levá-la ao médico para ver se seremos pais.
Ri, assim como os outros três garotos. O segurança arregalou os olhos, surpreso.
– Pais? São mais de um? – ele disse.
Assenti, soltando um suspiro falsamente triste.
– Sabe como é, seu guarda – disse Ken, dando de ombros – Ela fez com todos nós, nunca damos descanso à coitada.
Liu suspirou dramaticamente, encarando-me.
– Por trás, pela frente... – ele disse, arquejando – E ela ainda fez uma dança maravilhosa.
Sorri marotamente, dirigindo uma piscadela ao segurança. O homem engoliu em seco, sacudindo a cabeça.
– Esses jovens de hoje, casos perdidos! – disse o homem.
Os meninos riram, o segurança voltou ao seu posto. Yelisei sacudiu a cabeça, olhando-me com uma expressão divertida.
– Nós somos loucos ou apenas estamos drogados? – ele perguntou.
Ri, dando de ombros.
– Um pouco dos dois – chutei.
Ele riu, Liu e Ken fizeram o mesmo. Olhei em volta, aquietando minhas risadas em um suspiro feliz. Estávamos no estacionamento do centro de treinamento do time que Subaru jogava, eu ainda não acreditava muito bem que meu irmão era um jogador famoso. Ele fazia o tipo, claro. Mas ainda era surpreendente.
– Vai dizer agora quem é seu irmão? – perguntou Liu.
Neguei com a cabeça, fazendo um biquinho.
– E como vamos saber se ele é o cara certo? – perguntou Ken.
Franzi o cenho, Yelisei fez o mesmo.
– Como assim “o cara certo”? – perguntei.
Ken deu de ombros, esperei.
– Nós não vamos deixar que um cara suado te abrace sem que ele seja o cara certo – disse.
Liu assentiu, apontando para o ginásio com o dedo indicador.
– Lá dentro tem vários jogadores suados – disse Liu – Alguns deles vivem nos sites de fofoca por traírem as namoradas ou por se meterem em brigas judiciais.
Estremeci, meu irmão fazia mesmo parte daquele time?
– Isso mesmo – concordou Ken – E sabendo disso, nós nunca vamos deixar que um deles te abrace sem ser o cara certo.
Revirei os olhos, Yelisei me olhou.
– Meu irmão não vai me abraçar, ele é muito tímido – falei – Além disso, eu nunca vim aqui antes. Ou seja, nenhum jogador suado, nem mesmo o cara certo vai me abraçar.
Liu e Ken se entreolharam, Yelisei franziu o cenho. Comecei a andar, não queria ficar ali fora o dia inteiro.
– Ele é tímido com você? – perguntou Yelisei, vindo atrás de mim.
Assenti, ele continuou com o cenho franzido.
– Mas vocês são irmãos – insistiu.
Bufei, dando de ombros.
– Fala isso pra ele – resmunguei – Eu até tento, mas é difícil. Ele está bem melhor desde a noite de natal, mas continua caladão. E nós não temos assuntos em comum, eu não sou das mais atléticas.
Liu bufou, Ken lançou-me um olhar cético.
– Você não é das mais atléticas? – ele disse.
Neguei com a cabeça, ignorando sua risada de escárnio. Yelisei olhou-me com curiosidade, subimos na calçada.
– Você tem um irmão médico, um irmão jogador de basquete profissional, um irmão modelo e um irmão ídolo – ele disse, suspirando antes de falar – Como você pode não ser das mais atléticas se está rodeada por pessoas que devem viver uma vida regrada para manter a saúde em dia?
Bufei, ele esperou.
– Meu irmão médico vive dando doces para nós, me surpreende ninguém nunca ter tido cárie – falei, sacudindo a cabeça – O jogador de basquete come muito, é quase um desafio tentar fazê-lo comer devagar. O modelo quase não come, então fica tudo bem. E o Fuuto mal para em casa, deve comer comida de fast food ou tem um cozinheiro particular. Eu não deixo de comer meus doces, sempre fui desse jeito. Nunca me preocupei com minha alimentação e não é agora que eu vou começar.
Os três riram do meu discurso, dei um sorrisinho. Chegamos na entrada principal, mas não tinha muita gente do lado de fora. Dentro do grande ginásio masculino, podia-se ouvir o som das bolas e dos atletas treinando. Do lado de fora, três seguranças guardavam a entrada. Um deles era o homem de antes, sorri para ele.
– Com licença, podemos entrar? – pedi, piscando os olhos três vezes.
Aquilo fora o bastante para deixar um dos guardas balançado, mas os outros continuavam firmes. O maior deles era bem alto, seu corpo era tão largo que eu podia jurar que ele tinha um irmão gêmeo dentro da roupa.
– O ginásio está fechando para a imprensa e torcedores, podem dar meia volta – ele disse.
Fiz um biquinho, ele não amoleceu.
– Por favor, eu preciso ver meu irmão – insisti.
O homem não respondeu, Yelisei segurou minha mão.
– Tente dizer quem é – ele disse, sussurrando em minha orelha.
Assenti, ele afastou-se de mim. Estava corado, mas sua mão não largou a minha.
– Seu irmão trabalha aqui? – perguntou o primeiro guarda a se render a mim.
– Não exatamente – respondi, fazendo uma careta infantil – Ele é Subaru Asahina, camisa 14 do time.
Dois dos guardas arregalaram os olhos, o maior nem mesmo pareceu impressionado.
– Sabe quantas garotas afirmam ser irmãs ou namoradas dos jogadores? Asahina é o mais procurado – ele disse.
Pisquei, surpresa.
– Ei, assim eu fico com ciúme – falei – Mas eu sou mesmo irmã dele, é verdade.
O guarda do meio bufou, Yelisei apertou um pouco minha mão.
– Claro, com certeza – ironizou o guarda do meio – Muito bem, já chega de palhaçada. Vão embora, e eu não chamo a polícia.
Bufei, reprimindo a vontade de socar aquele homem. Peguei meu celular, procurando o número de Subaru furiosamente. Disquei, colando o celular contra a orelha. Ele não atendeu, tentei de novo.
– Está ligando para quem? – perguntou Yelisei.
Ia abrir a boca para responder, mas a chamada foi atendida.
– Alô? – disse a voz de Subaru.
Bufei, sorrindo do nada.
– Achei que você não ia atender, por que demorou? – perguntei.
Ele estava ofegante, esperei.
– Estou treinando, o que você quer? – ele respondeu.
Fiz um bico, todos os presentes olhavam para mim de forma curiosa.
– Eu quero te ver, trouxe algo para você – respondi – Estou na frente do ginásio, mas os guardas não querem me deixar entrar. Poderia resolver isso? Obrigada!
Estiquei o braço, abrindo um sorriso cínico para o guarda do meio.
– É pra você, um tal de Subaru Asahina – falei, doce.
O guarda bufou, mas pegou meu celular. Sua mão era enorme, não tanto quanto sua orelha.
– Alô – ele disse.
Esperei apenas uns cinco segundos, o rosto do homem perdeu a cor por completo.
– S-sim, senhor – gaguejou, quase sem ar – C-como quiser.
Ele tirou o celular da orelha, entregando-o para mim. Ainda estava muito branco, engolindo em seco várias vezes.
– Deixem-na entrar – ele disse, como se não fosse ele mesmo quem duvidava de mim.
Os outros pareciam prender o riso, fiz o mesmo. Curvei-me da forma mais infantil que consegui, abrindo um sorriso radiante.
– Obrigada, senhores gentis – falei.
Dois deles sorriram para mim, até o que enganáramos mais cedo. O do meio parecia estar querendo se controlar, dirigi-lhe uma piscadela.
– Vamos – falei, puxando Yelisha comigo.
Os três prenderam as risadas, passando pelos guardas. Entramos juntos, cabisbaixos. Assim que estávamos longe o suficiente do guarda do meio, explodimos em gargalhadas.
– Aquilo foi demais! – disse Liu.
– Aquele cara merecia um chute no saco – concordou Ken.
– Ele só estava fazendo seu trabalho – disse Yelisei, antes de olhar para mim – Você foi demais.
Dei de ombros, sorrindo.
– Fazer o que? Eu sou uma Kazama – falei.
Ele riu, entrelaçando nossos dedos.
– Acho melhor você soltar ela, Subaru Asahina é dos grandes – disse Liu, rindo.
Ken riu, assentindo para o irmão.
– E ele é um cara certo – disse – Sem dúvida o melhor do time.
Revirei os olhos, soltando a mão de Yelisei apenas por instinto. Ele pareceu murchar um pouco, mas sorriu quando eu o abracei de lado.
– Meu irmão não é um “cara certo”, ele é “O cara certo”- falei.
Os três riram, Yelisei correspondeu ao meu abraço.
– Uma irmã babona, isso é a cara da Ninfa – disse Liu, debochando de mim sem pena algum.
Os três garotos riram, bufei.
– Eu já falei que eu não pareço uma ninfa! – protestei.
Liu puxou-me de Yelisei, apertando-me em seus braços fortes.
– E eu já disse que eu não ligo – ele disse – Você é nossa garota, nossa ninfa.
Ri, ele me soltou. Afastei-me dos três, quase correndo na direção do barulho de bolas quicando. Olhei para trás, indicando que eles deviam vir comigo. Rindo, os três rapazes obedeceram meu comando silencioso. Corri até alcançar as portas da quadra, parando para respirar um pouco. O que acontecia lá dentro era simplesmente sensacional, minha boca se escancarou.
Eu nunca vi tanto homem suado na minha vida, aquilo devia ser o paraíso.
Vestidos com uniformes de treino, e cobertos de suor, os jogadores do time praticamente dançavam pela quadra. Eles se movimentavam com tanta leveza e habilidade que pareciam um grupo de cervos correndo de um predador. Uma bola molhada escorregava de mão em mão, sendo quicada no chão toda vez que era passada. No meio do grupo de homens musculosos, estava meu irmão. Ele recebeu um passe no momento em que grudei meus olhos nele, correndo pela quadra em direção à cesta enorme. Eu nunca tinha visto uma pessoalmente, e pareceu ainda mais linda quando Subaru deu uma enterrada incrível. Os companheiros de equipe elogiaram meu irmão, ele sorria. Nada daquilo cortou meu transe, nem mesmo o ofegar extasiado dos garotos ao meu lado.
– Esse é meu irmão! – berrei, rindo – Asahina é o poder!
Aquilo chamou a atenção de todos, mas eu não me importei. Corri em direção ao meu irmão, ignorando os murmúrios de surpresa de todos os presentes. Invadi a quadra, rindo como a retardada que era. Pulei em Subaru, abraçando-o com força. Ele ofegou, congelando. Estava suado, mas eu não me importava. Aquele cara não fedia, ele tinha seu próprio perfume.
– Quem é essa garota?! – bradou uma voz forte.
Subaru me afastou como se eu fosse um inseto, fiz um bico.
– Você podia ao menos fingir que está feliz em ver sua irmãzinha – reclamei.
– Asahina, quem é essa garota?! – aquela voz gritou outra vez.
Um homem entrou na quadra, fuzilando-me com os olhos. Engoli em seco, até Subaru se encolheu um pouco.
– É minha irmã, treinador – disse meu irmão, um tom de constrangimento mascarava a timidez em sua voz.
Engoli em seco, o homem respirou pesadamente.
– O treino de hoje é fechado para o público, você não sabe como são as regras? – o homem disse, duro.
Meu irmão engoliu em seco de novo, franzi o cenho.
– Ela precisava me entregar alguma coisa, então eu permiti a entrada – disse Subaru – Me desculpe, treinador.
O homem me encarou, congelei.
– Não peça desculpas, agora o dano já está feito – ele disse – Ranmaru Meris, técnico do time da Universidade de Meiji.
Sorri, percebendo que o homem não era tão severo assim.
– Nina Kazama, irmã desse gigante aqui – falei, apontando para Subaru por cima do ombro.
Os outros jogadores riram, meu irmão corou.
– É um prazer – disse o técnico.
Ele estendeu a mão, olhando-me com firmeza. Sorri, aceitando seu cumprimento. Trocamos um aperto firme, a mão dele quase esmagou a minha.
– Agora dê o fora da minha quadra, e assista em silêncio – ele disse, soltando-me.
Arquejei, até Subaru riu dessa. Corri para as arquibancadas, sendo recebida por meus amigos boquiabertos. Massageei minha mão, balançando as sobrancelhas para eles.
– Mandei bem, não mandei? – perguntei.
Liu bufou, Ken esmagou-me em um abraço.
– Sua maluca – disse – Eu até podia ver aquele técnico quicando você pela quadra até chegar aqui.
Ri, ele não me soltou.
– Aliás, quem é aquele cara? – perguntei, curiosa.
Ken soltou-me como se eu tivesse acabado de vomitar em sua camisa, Yelisei me segurou para que eu não me esborrachasse no chão.
– Quem é aquele cara?! – perguntou Liu, abismado – Aquele cara é Ranmy, o dominador.
Pisquei, ainda confusa. Até Yelisei me soltou, os três garotos pareciam estar querendo esmagar meu crânio.
– É o cestinha mais famoso dos anos noventa, já marcou milagrosos duzentos pontos em uma única partida – disse Yelisei, era fofo até quando estava exasperado – É o jogador mais famoso do Japão, isso pra não dizer do continente.
– Continuo na mesma – insisti, dando de ombros.
Liu socou o irmão, considerando que não podia socar minha cara. Ken nem mesmo reclamar, ele mesmo parecia estar se controlando. Yelisei fechou os olhos, como se tentasse acordar de um sonho ruim.
– Nina, ele foi um dos ícones do basquete mundial – ele disse, engolindo em seco – Em que mundo você viveu até aqui? Como nunca ouviu o nome dele?
Bufei, olhando em volta. Encarei o tal Ranmy, analítica. Ele realmente me parecia dominador ao berrar com os jogadores, mas não era familiar.
– Eu morava na Europa, e nunca fui chegada ao esporte – confessei.
Os três respiraram fundo, Liu lançou-me um olhar repreensivo.
– Você é irmã de Subaru Asahina, é seu dever saber pelo menos o nome do técnico dele – disse Ken, juntando-se ao irmão.
Arquejei, tentando não sair correndo.
– Subaru não é exatamente o cara mais comunicador do mundo, me desculpe por ser uma leiga idiota – falei, afastando-me dos garotos.
Soltei um suspiro pesado, sentindo-me completamente de fora. Subi as escadas das arquibancadas, bufando. Sentei-me em uma cadeira na parte mais alta que consegui achar, cruzando os braços. Fixei meu olhar na quadra, sem prestar muita atenção ao que os jogadores faziam.
Tudo bem, eu não era a maior fã de basquete do mundo. Conhecia algumas coisas básicas, como a enterrada e a cesta de três pontos. Mas nunca me interessara por times ou jogadores, nem mesmo depois de ganhar um irmão jogador. Eu achava aquilo apenas legal, não uma necessidade. Odiava me sentir daquele jeito, burra. Eu não era lá muito brilhante, mas não era assim tão limitada.
– Ninfa – chamou-me Liu.
Grunhi, indicando que eu estava escutando. Os três garotos vieram até mim, cabisbaixos. Liu sentou ao meu lado, Ken sentou ao lado do irmão. Yelisei sentou do meu outro lado, deixando-me completamente cercada.
– Desculpa, a gente não quis te deixar mal – disse Liu.
– É só inaceitável e...
Yelisei e Liu encararam Ken com um olhar assassino, o garoto calou a boca. Expirei pesadamente, forçando um sorriso.
– Tudo bem, eu sei que é um crime não saber nada sobre basquete quando se é irmão de um... – parei de falar assim que vi o que Subaru fazia.
Ele lançou a bola do meio da quadra, e acertou em cheio a cesta. Três pontos, claramente. Dei um pulo da cadeira, gritando o mais alto que meus pulmões me permitiram:
– Esse é meu irmão! ASAHINA É O PODER!
Todos os jogadores caíram na risada, meus amigos não ficaram em melhores condições. O técnico de Subaru lançou-me um olhar glacial. Se ele não estivesse quase sorrindo, eu teria ficado com medo.
– Eu mandei ficar em silêncio! – bradou, quase berrando para que eu ouvisse.
Ri, Subaru estava muito vermelho.
– Desculpe! – gritei, pondo as mãos ao redor da boca para fazer minha voz soar mais confiante – Irmã orgulhosa, vou ficar quieta!
Os jogadores riram de novo, o técnico sacudiu a cabeça para fingir que não estava rindo.
–Voltem ao jogo! – ele berrou.
O técnico soprou um apito enorme, e todos os jogadores voltaram a correr pela quadra. Meu irmão arriscou um olhar em minha direção, soprei-lhe um beijo. Ele corou, tentando concentrar-se no jogo outra vez. Ri, sentando na cadeira.
– Ninfa, você é doida – disse Ken.
Ri, dando de ombros.
– É uma doida – disse Liu, agarrando minha mão – Mas é a nossa Ninfa doida.
Yelisei sorriu, pegando minha outra mão. Ken pegou a mão do irmão, juntando-se a nossa união brincalhona e séria.
Éramos uma família, mesmo não sendo unidos por laços sanguíneos. Aqueles três já eram meus irmãos, eu não tinha como mudar aquilo.
E então, nós gritamos o nome de Subaru a plenos pulmões quando ele marcou outra cesta. De mãos dadas, nós fomos repreendidos pelo técnico e pelos jogadores. Meu irmão apenas encavara-nos, corado.
– Asahina, olhos no jogo! – berrou o técnico.
Meu irmão parou de encarar a mão de Yelisei na minha, e voltou sua atenção ao jogo.
**~**~**~**
– Foi demais! – gemi, arquejando.
– O melhor treino que eu já vi, confesso – disse Ken.
Liu assentiu, ainda sem palavras. Yelisei suspirou, encarando a quadra de forma quase tristonha.
– Queria ser bom como eles – ele disse.
Liu, Ken e eu nos entreolhamos, Yelisei não percebeu.
– Vocês aí, intrusos – chamou-nos uma voz – Levantem e venham até aqui. Preciso ver a cara de vocês direito, ter certeza de que não são jogadores do time adversário.
Alto e poderoso, Ranmy, o técnico, vinha até nós. Os três garotos que estava comigo praticamente pularam do banco, ri.
– R-ranmy, o dominador – guinchou Ken, gaguejando – É uma honra conhecê-lo!
Liu assentiu, sem palavras. Os irmãos fizeram uma espécie de reverência, bufei.
– Dá pra acreditar neles? – cochichei, inclinando-me na direção de Yelisei.
Minha voz morreu assim que vi que ele também estava fazendo uma reverência, engoli em seco.
– Fiquem direitos. Sou um homem comum, não um Deus – disse o técnico, rindo pelo nariz.
Os três apressaram-se para endireitar suas posturas, ri. O técnico estudou o rosto de cada garoto, até abrir um sorriso satisfeito.
– Não me parecem espiões, está tudo bem – ele disse – O que acharam do treino?
Os três garotos começaram a gaguejar palavras de incentivo, Ken quase chorava. Ri, sendo acompanhada pelo técnico.
– Certo, certo, já chega – ele disse, parando de rir – Teremos essa conversa depois, preciso falar com aquela senhorita.
Meus amigos assentiram, soltando risinhos nervosos. O técnico veio até mim, tentei não parecer intimidada por sua pose “dominadora”.
– Kazama, não é isso? – ele disse.
Assenti, tentando sorrir. Ele olhou em volta, como se procurasse alguma coisa no ar.
– Posso ter uma conversa em particular com você? – ele perguntou, sem me encarar.
Engoli em seco, pigarreando para tentar achar minha voz.
– P-pode – respondi.
Por que eu gaguejei?
– Ótimo – disse o técnico, quase falando junto comigo – Vem comigo.
Ele passou por mim e começou a descer as escadas, sem nem se preocupar em me esperar. Arquejei, apressando-me para segui-lo. Passei por várias cadeiras da arquibancada até ele finalmente resolver parar, girando o corpo para me encarar. Estávamos no fim da escada, um parapeito laranja separava-nos de uma queda de um metro até alcançar a área da quadra. Alguns jogadores se alongavam, meu irmão não estava visível. O técnico pigarreou para atrair minha atenção, percebi que estava encarando demais a bunda de um dos jogadores.
– Você é mesmo irmã do Subaru? Vocês não se parecem nem um pouco – disse o técnico, com um tom de desafio na voz.
Pisquei, ele me encarava fixamente.
– Eu fui adotada – respondi – Moro com os Asahina a cerca de oito meses.
Ele assentiu, dando a entender que tinha sacado. Olhei em volta, ligeiramente desconfortável.
– É chegada ao Subaru? – o homem perguntou.
Dei de ombros, pensativa.
– Ele é fechado, mas a gente se dá bem – respondi – Por quê?
Seus olhos faiscaram, ele não parecia muito acostumado com alguém o questionando. Não me deixei abalar, embora estivesse um pouco desconfortável.
– Essa conversa está te deixando nervosa? – o técnico perguntou.
Dei de ombros, ele me encarou com firmeza.
– Não é isso, eu só queria saber o motivo desse interrogatório todo – acusei, cruzando os braços.
O técnico riu pelo nariz, seu olhar continuava sério.
– Você é explosiva, boa característica em certas áreas do esporte – ele disse – É preciso ser uma fera nesse ramo, os fracos quase nunca sobrevivem.
Respirei, tentando entendê-lo. O técnico olhou na direção da quadra, segui seu olhar. Os jogadores ainda presentes raramente falavam entre si, apenas poucos riam um com o outro. Meu irmão não estava naquele meio, apenas corria em volta da quadra para se aquecer. Não parecia um jeito muito bom de descansar, mas ele não parecia se importar muito com aquilo.
– É um bom garoto, seu irmão – disse o técnico, soltando um suspiro quase imperceptível – Tem um bom coração, e é extremamente talentoso.
Sorri, o técnico não olhou para mim.
– Ele veio para cá com uma motivação enorme, era praticamente impossível tirá-lo da quadra nos primeiros jogos dele pelo time – contou o homem – Demorou para deixá-lo ciente do nosso estilo de jogo, mas ele se encaixou perfeitamente.
O técnico apontou para meu irmão, Subaru finalmente parara de correr. Ele olhou em volta, ofegante. Esperei, meu irmão sacudiu a cabeça e voltou a correr em volta da quadra.
– Aquilo ali só significa uma coisa – disse o técnico – É por isso que eu te chamei até aqui.
Ele finalmente me olhou, seus olhos pareciam quase em chamas.
– O que está havendo com meu garoto? – ele disse.
Pisquei, o homem continuou me encarando. Procurei meu irmão, encontrando-o perto de um dos jogadores. O cara sorriu e disse alguma coisa, mas Subaru apenas assentiu e continuou correndo. Suspirei, era por causa daquilo?
– Senhor, eu...
– Pode me chamar de Ranmaru – disse o técnico – Ou de treinador, só não me chame de senhor. Eu não gosto de me sentir superior a ninguém, me trate como seu igual.
Assenti, ele esperou. Engoli em seco, será que eu podia falar aquilo para alguém?
– Eu acho que ele está gostando de alguma garota – confessei, encarando o chão – Eu já tentei descobrir quem é, mas ele fugiu.
Ranmaru suspirou, lançando um olhar compreensivo ao meu irmão. Esperei, um pouco arrependida por ter contado o que sabia.
– Amor é perigoso – disse o treinador – Já vi muitos homens caírem diante desse sentimento, tudo por não conseguirem compreender o que sentiam. Pior do que uma rejeição é uma dúvida, não saber o que a outra pessoa sente pode ser tão doloroso quanto saber e não ser correspondido.
Suspirei, um pouco surpresa por ouvir aquilo. Ranmaru não parecia ser o tipo de cara que sabia algo sobre sentimentos, mas parece que minha capacidade de julgamento era ruim. Ele me olhou, esperei.
– Seu irmão precisa da sua ajuda – ele disse, quase melancólico – Eu sei como ele se sente, e não é uma posição confortável, acredite.
Pisquei, ele olhou em volta.
– O senhor á casado, treinador? – perguntei.
Ele deu um pequeno sorriso, encarando a quadra.
– Já fui, há anos atrás – ele disse – Cometi um erro, perdi minha amada para sempre.
Suspirei, ele continuou encarando a quadra. Olhei em volta, tentando pensar em algo para dizer. Não gostava de ver ninguém sofrendo, e aquele homem parecia ter sofrido muito. Eu vira aquele olhar em Natsume, e não gostara nada de saber o que ele guardava para si. Talvez o treinador não fosse se abrir comigo, mas eu ainda me sentia mal com aquilo.
– Nunca é tarde demais, para sempre é uma expressão muito forte – falei.
Ele estancou, sem me encarar. Suspirei, olhando para a quadra.
– Eu vou dar meu sangue, mas meu irmão vai ser muito feliz – falei – Nós nunca devemos desistir do amor, e nunca devemos nos sentir inferiores o bastante para não lutarmos por ele.
Ranmaru me olhou, parecia um pouco surpreso. Sorri, dando de ombros.
– Nina – disse uma voz.
Tremi, meu irmão vinha até mim. Ele parecia sério como sempre, me olhava de um jeito estranho.
– O que você veio me entregar? – meu irmão perguntou.
Pisquei, ele parecia um pouco ansioso. Enfiei a mão no bolso da calça, tirando o iPod de dentro. Estendi o aparelho na direção de Subaru, ele piscou.
– Atravessou a cidade só pra me dar isso? – ele disse, incrédulo.
Assenti, fazendo um biquinho.
– Você prometeu que o traria quando viesse treinar – falei.
Subaru arquejou, seus olhos estavam um pouco arregalados. Esperei, piscando os olhos graciosamente. Duro, meu irmão pegou seu iPod.
– O-obrigado – ele disse, ainda um pouco chocado.
Sorri, soltando um suspiro meigo.
– Não esqueça de novo, ou eu vou ser obrigada a chutar você daqui até seu quarto – falei, doce.
Subaru arregalou os olhos, sorri abertamente.
– Deixarei os irmãos se acertarem, tenho trabalho a fazer – disse o técnico.
Prendi o riso, Subaru encarou o chão.
– Foi um prazer conversar com o senhor, treinador – falei.
Ele sorriu minimante, dirigindo-me um aceno de cabeça. Observei-o afastando-se de nós, meu irmão ergueu a cabeça assim que ele estava longe o bastante para não nos ouvir mais.
– O que ele disse? – Subaru perguntou.
Pisquei, ele me encarou com certa firmeza.
– Como? – perguntei.
Ele bufou, olhando em volta. Olhei em volta também, tentando entender o que ele procurava tanto. Meus amigos nos encaravam, Liu e Ken meio que seguravam Yelisei para que ele não viesse até nós. Ri pelo nariz, sacudindo a cabeça.
– Ele é seu namorado? – Subaru perguntou.
Neguei com a cabeça, fazendo uma ligeira careta.
– Ele é meu amigo, apenas isso – respondi – Você está bem? Parece meio cansado.
Subaru fez uma careta, sem me encarar.
– Você passou o treino inteiro me envergonhando, estou evitando o vestiário até agora – ele disse.
Ri, Subaru continuou sem me encarar.
– Me desculpe por isso, eu não resisti – falei – Você joga muito! Eu nunca tinha visto nada parecido.
Subaru corou, mordi o lábio.
– O-obrigado – ele disse.
Ri de novo, erguendo a mão para afagar seu rosto de leve.
– Ninfa! – cantou uma voz.
Meu corpo foi abraçado com força, cambaleei. Liu e Yelisei entraram em meu campo de visão, então era Ken quem me agarrava.
– Então você é o irmão da nossa Ninfa? – perguntou Liu, sorrindo ironicamente.
Subaru piscou, meus amigos continuaram sorrindo ironicamente.
– Sim, sou um dos irmãos da sua... Ninfa – meu irmão respondeu.
Os três malucos riram, Subaru me encarou como se pedisse respostas. Revirei os olhos, bufando.
– Ignore-os – falei, fazendo um aceno com a mão – Enfim, só passamos aqui para te dar aquilo.
– NÃO! – disseram os quatro garotos ao mesmo tempo.
Dei um pulo, arregalando os olhos de susto. Todos eles me encaravam, até Subaru parecia ansioso. Engoli em seco, meu coração estava acelerado por conta do susto.
– T-tudo bem – respondi, gaguejando um pouco.
Meus amigos esboçaram pequenos sorrisos, Subaru suspirou de leve. Respirei fundo, cruzando os braços.
– O que vocês querem fazer, então? – perguntei.
Liu e Ken se entreolharam, Yelisei e Subaru trocaram um rápido olhar. Esperei, ainda de braços cruzados.
– Podemos usar sua quadra? Faz um tempão que estamos querendo jogar basquete de verdade – disse Liu, lançando um sorriso amigável ao meu irmão.
– E adoraríamos uma bola também, sabe? – disse Ken, voltando a me agarrar – Nossa Ninfa aqui podia ser nossa plateia, não é?
Revirei os olhos, ele riu.
– Eu já mandei vocês pararem de me chamar assim, que droga – falei.
Ken riu de novo, Liu deu um peteleco na minha bochecha. Yelisei apenas dirigiu um sorriso meigo em minha direção, Subaru ergueu uma sobrancelha.
– Vou pedir ao treinador – meu irmão disse.
– Yeah! – comemorou Ken.
Ele gritou aquilo bem na minha orelha, fazendo-me dar um pulo de susto. Liu, Ken e Yelisei riram daquilo, Subaru deu apenas um sorrisinho. Dei uma cotovelada na barriga de Ken, ele ofegou. Seu corpo afastou-se do meu, soltei um suspiro de alívio.
– Volto já – disse Subaru.
Assenti, ele nos deu as costas. Observei-o caminhar, não parecia nada focado. Suspirei, o que estava acontecendo com meu jogador favorito?
– Ele é caladão mesmo, achei que fosse mentira da Ninfa – comentou Liu.
Bufei, ele deu um sorrisinho sacana.
– Eu não minto – falei.
– Muito – corrigiu Yelisei.
Olhei-o, acusadora.
– Até você, Yelisha? – falei, cruzando os braços.
Ele deu de ombros, jogando a cabeça para o lado ao sorrir para mim.
– Às vezes é bom zoar minha Ninfa – ele disse.
Pisquei, surpresa. Ele não pareceu ter percebido o que disse até Liu e Ken explodirem em uma risada, ri pelo nariz.
– A “Ninfa dele”, isso mesmo – zombou Liu, malicioso.
Ken assentiu, os dois encararam Yelisei com a mesma expressão. O garoto corou, arregalando os olhos. Ri, ele era uma graça de garoto.
– Vocês não...
– Ei! – soou a voz forte de Subaru – Podem descer!
Yelisei pareceu aliviado por ter sido interrompido, o chamado do meu irmão distraiu os gêmeos risonhos. Ri, ele fingiu que não tinha percebido.
– Vamos! – disse Liu, quase pulando por cima da cadeira da frente.
Ken fez o mesmo, ri mais um pouco. Os irmãos desceram correndo, animados demais para perceberem que riam alto demais. Subaru sorriu um pouco ao ver aquilo, erguendo o olhar até onde Yelisei e eu estávamos. Acenei, meu irmão desviou o olhar sem retribuir meu cumprimento. Ri, sacudindo a cabeça. Olhei para Yelisei, o garoto fugiu do meu olhar.
– Você não vai lá jogar? – perguntei.
Ele respirou fundo, esperei.
– Não sei se...
– YELISEI! – berraram Liu e Ken em uníssono.
Yelisei grunhiu de insatisfação, irritando-se pela segunda interrupção. Ri, sacudindo a cabeça.
– Vai jogar, eu torço por você – falei, dando-lhe um leve empurrão brincalhão.
Ele deu uma risadinha nervosa, corando um pouco.
– C-certo, eu vou – ele disse, olhando-me rapidamente.
Assenti, sorrindo. Ele sorriu de volta, e seguiu seu caminho. Recostei-me no parapeito da arquibancada, soltando um suspiro. Liu e Ken já estavam com Subaru, conversando animadamente. Meu irmão parecia mais confortável com eles do que comigo, talvez fosse pelo fato de que meus amigos entendessem algo de basquete. Quando Yelisei chegou, a conversa ficou ainda mais animada. Meus três amigos estavam muito sorridentes, Subaru até esboçava um sorriso animado. Suspirei, abrindo um sorriso carinhoso para a cena.
Minhas duas famílias estavam se dando bem, e aquilo alegrava meu coração.
**~**~**~**
– Dois pontos! – vibrou Liu.
Ri, ele correu de encontro ao seu irmão. Os dois se abraçaram, aquilo já seria lindo o bastante se eles não estivessem sem camisa. Era uma visão linda, dava pra sentir o suor... O amor entre os irmãos. Mordi o lábio, aqueles rapazes maravilhosos eram mesmo aqueles meus amigos bobos?
– Vamos jogar ou não? – resmungou Yelisei, bufando.
Liu e Ken riram, suspirei. Eles estavam suados, seus corpos pareciam brilhar. Subaru emprestara calções de jogador para meus três amigos, mas não tinha mais blusas disponíveis. Eu agradecia aos céus por isso, estava adorando aquele jogo maravilhoso. Nem contava os pontos, apenas assistia. Liu e Ken eram bons, mas meu irmão era melhor. Eles fizeram duplas: os Yamazaki contra Yelisha e Subaru. O time do meu irmão estava ganhando, mas Liu marcara muitos pontos nos últimos cinco minutos de jogo. A diferença de placar ainda era gritante, mas estava diminuindo rápido. Eu estava completamente absorta nos movimentos dos garotos, principalmente em Liu e Ken. Eles eram bem... Interessantes sem camisa.
– Você viu isso, Ninfa? – perguntou Ken, animado.
Ele devia estar se referindo ao pulo enorme que ele deu, tudo para tentar uma enterrada. Ele errou, mas estava muito orgulhoso do próprio desempenho. Sorri, fazendo um sinal de positivo com a mão.
– Foi demais – falei.
Ken abriu um sorriso largo, feliz. Ele fez um gesto com os braços na direção de Yelisei, como se minha opinião contasse mesmo pra alguma coisa. Ri daquilo, sacudindo a cabeça.
– Acabou o tempo! – berrou Subaru.
Ri daquilo, meus amigos gritaram de alegria. Observei-os enquanto eles se cumprimentavam, tentando não morder o lábio. Ah, os irmãos Yamasaki...
– Nina, desça aqui – chamou-me Subaru.
Assenti, dando um pulinho para achar minha capacidade de andar. Desci as escadas quase correndo, animada pela adrenalina do jogo. Não fora nada perto do treino de antes, mas ainda era muito divertido ver meus amigos jogarem. E depois de ver tantos músculos e corpos perfeitos, eu só conseguia me sentir mais gorda. Alcancei a quadra, correndo um pouco até chegar onde os quatro rapazes suados aguardavam por mim. Subaru estava muito mais suado do que antes, mas era o que parecia mais inteiro.
– Vamos tomar banho, depois eu vou pra casa – ele disse, um pouco ofegante – Você quer ficar com eles ou ir comigo? Ouvi dizer que você fica morrendo sempre que anda de moto.
Semicerrei os olhos, Liu e Ken trocaram um sorriso cúmplice. Bufei, Subaru esperou por minha resposta.
– Nós íamos sair, eu acho – falei.
Yelisei fez uma careta, evitando contato visual comigo. Franzi o cenho, estranhando. Ele estava estranhamente corado, mas eu não via o motivo.
– Eu cansei com esse jogo, e tenho que ajudar minha mãe com o jantar – disse Yelisei.
Suspirei, Liu e Ken deram de ombros.
– Então você fica comigo – disse Subaru, sem olhar na minha direção.
Os três garotos assentiram, meu irmão afastou-se como se nunca tivéssemos iniciado uma conversa. Ri um pouco, cruzando os braços.
– Enfim – disse Liu, espreguiçando-se desajeitadamente – Vamos tomar banho, estou louco para conhecer o vestiário de um time profissional.
Ken riu, animando-se. Os dois irmãos foram atrás de Subaru, rindo e conversando sobre o jogo. Sorri, soltando um suspiro calmo. Alguém pigarreou, olhei para o lado e percebi que Yelisei ainda estava lá. Ele ainda não me olhava nos olhos, seu rosto continuava corado.
– Você está bem? – perguntei, preocupada.
– C-como assim? – ele disse, gaguejando um pouco.
Aproximei-me dele, esticando a mão na direção do seu rosto. Toquei sua testa com a palma da mão, ele se retraiu um pouco com o contato. Franzi o cenho, ele encarou o chão.
– Você não parece estar com febre, mas seu rosto está muito vermelho – comentei, mordendo o lábio – Pode olhar pra mim, por favor?
Ele relutou um pouco, mas me obedeceu. Continuei mordendo o lábio, Yelisei corou mais ainda, e logo desviou o olhar.
– E-eu estou bem, só estou cansado – ele disse – Vou tomar banho e vestir alguma coisa.
Ri, confusa.
– Vestir? – perguntei.
Ele assentiu, corando mais ainda. Desviei o olhar até seu tronco, arregalando os olhos um pouco. Ele também estava sem camisa, o que era estranho, porque só foi chamar minha atenção naquela hora. Não que ele fosse feio, muito pelo contrário. Ele tinha o tipo de corpo musculoso e perfeito que toda garota sonha, e ainda conseguia combinar isso com uma magreza bonita. Talvez os corpos de Liu e Ken tivessem ofuscado Yelisei, mas ele também era lindo.
– Ah – falei, rindo um pouco – Entendi.
Ele corou, engolindo em seco. Franzi o cenho, jogando a cabeça para o lado.
– Ei, você não está com vergonha de mim, está? – perguntei.
Ele não respondeu, apenas encarou o chão. Ri, aproximando-me dele. Abracei-o rapidamente, ele estava suado também. Yelisei respirou fundo, lançando-me um olhar de soslaio.
– Eu nunca mais tinha ficado sem camisa na frente de uma garota, não de uma garota que eu... – ele tossiu – Enfim, desculpa.
Ri, ele arriscou outro olhar na minha direção.
– Você é uma graça, Yelisha – falei – Não se preocupe, você não é o primeiro garoto sem camisa que eu vejo.
Agora sim ele me olhou, um pouco surpreso. Dei um meio sorriso, tentando não rir. Ele pensou um pouco, até abrir um sorriso sem graça.
– Claro, Liu e Ken também estavam jogando – ele disse, rindo um pouco – Certo, me desculpe assim mesmo.
Ri, assentindo. Yelisei sorriu, seu rosto estava quase da tonalidade normal agora.
– Certo, eu vou tomar banho – ele disse, acenando – Ah, me desculpe por ter outros planos. Eu sei que você queria sair pra outro lugar.
Dei de ombros, ele esperou.
– Foi uma tarde ótima, eu adorei ver minhas duas famílias juntas – falei – E você joga bem, já pensou em entrar no clube de basquete da escola?
Ele riu, sorri.
– Obrigado, mas eu prefiro um pouco mais de sossego – ele disse.
Bufei, revirando os olhos.
– Disse o cara que anda a 100 km/h quando o trânsito está bom – falei.
Ele riu de novo, revirando os olhos.
– Você me entendeu, eu não tenho físico de atleta – ele disse.
Encarei-o, cética. Yelisei me olhou, piscando.
– O que foi? – ele disse.
Sacudi a cabeça, suspirando.
– Nada – falei – Não se subestime, tá?
Ele piscou de novo, desviei o olhar.
– YELISEI! – berrou a voz de Ken.
– Corre aqui, você precisa ver isso! – disse Liu, rindo.
Yelisei e eu piscamos, virando o rosto na direção que as vozes vinham. Os irmãos Yamasaki acenavam para Yelisei, ambos com os olhos brilhando. Ri, Yelisei fez o mesmo.
– Vai lá, eles devem estar se passando por crianças animadas lá dentro – falei, dando um soquinho brincalhão no peito de Yelisei pra chamar sua atenção.
– Ah – ele disse, corando um pouco, mas sorrindo – Você tem razão, volto já.
Assenti, ele sorriu para mim, antes de ir na direção dos gêmeos. Ri um pouco, o que eu faria sem aqueles bobos?
– Ei! – disse uma voz.
Girei nos calcanhares, dando de cara com um dos jogadores do time de Subaru. Devia ter 1,90 de altura, fácil. Tinha olhos castanhos e cabelos claros, quase loiros. Ele corria na minha direção, os músculos sacudiam como os de um touro. Engoli em seco, ele parou diante de mim.
– Você é a irmã mais nova do Subaru, não é? – ele disse, abrindo um sorriso amigável.
Retribuí seu sorriso, ele parecia ser um cara legal.
– Sou, uma delas, na verdade – falei, dando de ombros.
Ele riu, olhando em volta rapidamente.
– Ei, legal – ele disse – Eu me chamo Keita, fui transferido de Las Vegas para cá, intercâmbio. Os rapazes me chamam de Keith, então você também pode me chamar assim.
Assenti, ele coçou a nuca.
– Enfim, eu e os caras estávamos conversando no vestiário, e concordamos que você é bem bonita e tal – ele disse, dando de ombros – Chegamos a um acordo, e decidimos que você sairá comigo, antes de sair com um deles.
Pisquei, ele não parecia estar brincando.
– Como é? – perguntei, incrédula.
Ele deu de ombros, encarando-me como se eu fosse um alienígena.
– Sair, você sabe. Tipo, ir a uma lanchonete; assistir um filme piegas; andar de mãos dadas até seu alojamento e... Fazer valer a pena – ele disse.
Encarei-o, cética.
– Isso é uma pegadinha? – zombei, rindo pelo nariz – Sinto muito, colega. Não vai rolar.
Ele fez uma careta, quase irritado.
– Você não pode estar falando sério – ele disse – Você veio aqui atrás de um encontro, não foi?
Neguei com a cabeça, refreando a vontade de socá-lo. Keita bufou, lançando-me um olhar indagador.
– Fala sério. Que tipo de garota vem a um treino de basquete apenas por interesse? Quem você pensa que engana com isso? – ele disse – Olha só pra você: Uma garota gostosa; linda, engraçada; com um corpo maravilhoso. Tem idade de colegial, mas não parece ser das mais recatadas e ingênuas. O que alguém como você viria fazer em um treino de basquete a não ser arrumar um jogador? De que planeta você veio?
Ri, cruzando os braços.
– De um planeta bem diferente do seu, por sinal – falei, rindo com escárnio – O que eu vim fazer aqui não é da sua conta, mas já que você insiste, eu vim ver o meu irmão.
– E trouxe outros três garotos que devem estar tendo ereções involuntárias só de ver nossos chuveiros lá dentro – zombou Keita – Eu não sou idiota. Ouvi boatos sobre você estar tentando entrar sem permissão e ligar para o Asahina liberar sua entrada, isso não parece coisa de uma irmã, e sim coisa de uma prostituta.
Meu joelho agiu por conta própria, acertei em cheio seus testículos. Keita gritou, jogando-se no chão. Quem ainda estava na quadra parou para olhar, Subaru no meio.
– Sua vadia! – berrou Keita, rolando no chão – Eu vou fazer você pagar por isso!
– Que droga está acontecendo aqui?! – perguntou Subaru, aproximando-se de nós.
Apontei para o jogador que se retorcia de dor no chão, meu irmão estava firme.
– Esse cara acabou de vir aqui e dizer que “permitiram” que eu saia com ele, e ainda me chamou de sua prostituta – acusei, disparando as palavras com certo nojo.
Meu irmão encarou o jogador caído, seu olhar era tão raivoso e frio que até eu me encolhi.
– Minha irmã não é aquela sua ex-namorada, então nunca mais chegue perto dela e diga essas coisas idiotas, Carter – ele disse, cuspindo o sobrenome do cara como se dissesse o nome de uma doença terrível.
Keita grunhiu algo indecifrável, Subaru bufou. Bufei também, meu irmão me encarou.
– Saia daqui, me espere no corredor – ele disse, gesticulando em direção à saída.
Assenti, lançando um último olhar enojado a Keita antes de ir. Os colegas de time de Subaru me encaravam, um deles ria tanto de Keita que seu corpo não conseguia ficar ereto de jeito nenhum. Apressei-me para sair, não queria mais ninguém olhando para mim.
O corredor só estava ocupado por um velhinho, e julgando pelo uniforme que ele usava, tratava-se do faxineiro. Ele não notou minha presença, nem mesmo quando passou a vassoura enorme nos meus pés. Ri um pouco com aquilo, ele deu um sorrisinho, mas não disse nada. Respirei fundo, olhando em volta para analisar o ambiente. Havia um banco de madeira cumprido perto de uma lixeira preta, e era a única mobília do corredor. Vários quadros com fotografias enfeitavam as paredes, como um mural cheio de orgulho. Tinha uma porta ali, mas devia estar trancada, já que não vinha luz alguma do lado de dentro. Resolvi ir até o banco, tinha ficado em pé para assistir o jogo dos garotos. Sentei-me assim que pude, soltando um longo suspiro. Tinha alguma coisa me incomodando, eu só não sabia o que era. Talvez eu estivesse esquecendo de algo importante, se eu me concentrasse um pouco...
Antes de sair, eu tinha conversado com Masaomi. Guardei a esteira de ioga no canto correto, desliguei o notebook e coloquei o tablet para carregar. Tranquei a porta e os portões, então não podia ser isso.
Meu celular vibrou, despertando-me de meu transe. Tirei-o do bolso da jaqueta, franzindo o cenho. Era uma mensagem de Yelisei, abri-a.
Fomos pelos fundos, desculpe. Nos vemos na semana que vem, até.
– Yelisei.
Sorri de leve, então eles tinham mesmo me abandonado. Soltei um suspiro dramático, pronta para bloquear a tela outra vez. Um ícone chamou minha atenção assim que apertei o botão de bloqueio, fazendo-me desbloquear a tela no mesmo instante. Era uma mensagem antiga, chegara de manhã. Franzi o cenho, abrindo a mensagem.
Vou voltar para casa mais cedo, o que acha que assistir um filme comigo?
– Irmão contente (Por favor, me diga que você não marcou nada com ninguém).
– Oh, Louis – falei.
Mordi o lábio, quase pude ouvir sua voz falando aquelas palavras para mim. Meu coração se apertou, soltei um muxoxo. Digitei rapidamente uma resposta, mas não fiquei satisfeita e acabei apagando tudo. Depois de mais três tentativas, consegui escrever algo que me agradasse.
Mil perdões, Louis! Saí com uns amigos e esqueci de abrir sua mensagem, espero que eu não tenha estragado seu programa. Estou com Subaru agora, vamos pra casa em breve. Se ainda quiser companhia, conheço um bom filme.
– Irmã arrependida (Sério, me desculpe ;-; )
Enviei aquela resposta e esperei, Louis nunca demorava para responder. Contei de um até dez em japonês, mas não fora o suficiente. Contei de novo, em espanhol dessa vez. Olhei para a tela do celular, nada. Contei em italiano dessa vez, batendo um pouco os pés no chão. aquilo fez barulho, engoli em seco. Meu celular continuou inerte, bufei.
– Deus, que ele não tenha ficado chateado – murmurei, jogando a cabeça para cima.
A verdade era que eu ignorara a mensagem de Louis, achei que fosse algo bobo como ele sempre envia. Eu já fizera aquilo algumas vezes, mas nunca era algo sério. Mordi o lábio, eu só fazia besteira.
– Ei – disse uma voz.
Pisquei, desviando o olhar até o foco da voz. Subaru vinha até mim, tinha trocado de roupas e tomado banho. Seus cabelos estavam molhados, ele exalava um forte cheiro de sabonete. Carregava uma mochila no ombro direito, seu andar era cansado, e ao mesmo tempo, forte. Aquele era um jogador profissional, suspirei.
– Alguém mais te incomodou? – ele disse, parando diante de mim.
Neguei com a cabeça, ele não pareceu convencido.
– Então, qual é o motivo dessa cara de velório? – ele perguntou.
Bufei, ainda que tivesse achado graça. Subaru esperou, sua sombra era enorme no chão claro.
– Ignorei uma mensagem do Louis sem querer, e agora ele não está respondendo – contei, engolindo em seco.
Subaru ergueu um pouco as sobrancelhas, esperei.
– Isso é novidade, ele nunca ignora ninguém – ele disse.
Fiz uma careta, encarando o celular.
– Obrigada, me sinto bem melhor – resmunguei – Vamos, ele deve estar querendo puxar minhas orelhas, mas eu preciso pedir desculpas.
Subaru assentiu, ainda que de um jeito brusco. Ergui-me do banco, ele nem tentou me ajudar.
– Conhece a saída? – ele perguntou.
Assenti, ele fez o mesmo, indicando que havia entendido. Meu irmão seguiu reto pelo corredor, não olhava para trás. Deixei aquilo de lado, voltando a encarar a tela do celular. O aparelho continuava inerte, trinquei os dentes.
Subaru me guiou até o lado de fora, onde alguns jogadores tomavam seu caminho. Não vi o tal Keita por ali, o que me deixou mais aliviada. Eu não tinha medo de ninguém com um cara grande como Subaru ao meu lado, mas era melhor evitar contato com aquele cara.
– Venha – chamou-me Subaru.
Ele nem olhara na minha direção, mas fora sensível o bastante para falar comigo. Ele seguiu pela calçada, iniciando uma espécie de caminhada. Suas passadas eram longas e fortes, arquejei. Corri um pouco para alcança-lo, ele já abrira certa distância de mim com cinco passos. Emparelhei-me com ele, já ofegante.
– Você vai pra casa andando todos os dias? – perguntei.
Ele assentiu, olhando para frente. Engoli em seco, nem queria pensar em como seria tentar imitar os passos dele.
– Como você ainda consegue? – perguntei – Digo, seu treino foi puxado.
Ele deu de ombros, em silêncio. Respirei fundo, olhando em volta. Quem passava pela rua virava a cabeça para encarar meu irmão, mas ele não parecia nem perceber. Talvez ser alto demais chame esse tipo de atenção, ou talvez eles só estivessem interessados na figura esportiva que Subaru representava.
– É sempre assim? – perguntei, lançando-lhe um olhar curioso – As pessoas sempre ficam olhando pra você?
Subaru deu de ombros de novo, sem olhar pra mim. Bufei, pulando um degrau que ele quase nem notara no caminho.
– Será que você pode ao menos olhar pra mim quando eu falo com você? – perguntei.
Ele deu de ombros pela terceira vez, encarando fixamente o caminho. Pisquei, ele nem estava ouvindo o que eu dizia. Ri pelo nariz, ele nem percebeu.
– Eu nunca vi alguém burro como você – falei, aumentando o tom de voz – Acho que isso deve-se ao rabo peludo que está crescendo em você nesse exato momento.
Subaru deu de ombros, sem me olhar. Arquejei, trincando os dentes.
– Eu transei com o Tsubaki no sofá da sala – contei.
Subaru deu de ombros, encarando o caminho. Bufei, cruzando os braços.
– Ema e eu falamos sobre a sua bunda – falei.
Ele parou de andar, sua expressão congelou. Abri um sorriso vitorioso, ele me olhou como se eu tivesse virado outra vez um crocodilo albino.
– O-o que você disse?! – ele perguntou, arregalando um pouco os olhos.
Ri, ele continuou me encarando daquele jeito.
– Sua bunda é seu ponto fraco? Sério? – perguntei, ainda rindo – Ela é linda, você não precisa ter vergonha.
Ele corou, muito. Ri, Subaru desviou o olhar.
– N-não diga besteiras – ele disse, voltando a andar.
Ri, acompanhando-o.
– Sério que seu ponto fraco é sua bunda? Eu acabei de confessar que transei com o Tsubaki no sofá da sala, e você só me escuta quando eu falo da sua bunda? – perguntei.
Ele arregalou os olhos, encarando-me como se eu tivesse virado um crocodilo albino com pernas de moça.
– Você o que?! – ele disse, incrédulo.
Assenti, fazendo uma careta.
– Foi, eu estava bêbada – confessei – Mas qual é o lance com a bunda? Você tem trauma dessa palavra?
Ele continuava incrédulo, seus olhos estudavam-me como se ele tivesse acabado de achar um cadáver em decomposição.
– Eu não sei do que você está falando – ele disse, voltando sua atenção ao caminho.
Mordi o lábio, ele engoliu em seco.
– “Ema e eu falamos sobre sua bunda” – recitei, pensando – “Eu”; “falamos”; “bunda”... Certo, só me resta...
Parei de falar, estancando. Meus olhos se arregalaram, Subaru nem notou meu movimento.
– Você está apaixonado pela minha irmã! – acusei.
Subaru estancou, duro como uma estátua. As pessoas da rua viraram para olhar, curiosas e surpresas com meu grito. Arquejei, soltando uma gargalhada.
– Meu Deus! É pela Ema – falei – Subaru Asahina ama Ema Hinata, hoje é o dia mais feliz da minha vida.
Meu irmão virou o rosto, parecia estar entrando em combustão. Ri, dando dois pulinhos para conseguir pular em suas costas. Envolvi seus quadris com minhas pernas, trancando-o por completo. Subaru ofegou, exasperado. Tranquei meus braços em volta dos seus ombros, agarrando-o com força.
– S-sai, sua maluca! – ele disse.
Subaru fez um pouco de força, soltando-se de meu aperto. Caí no chão, de bunda. Ofeguei de dor, ele era muito alto, a queda fora alta. Gemi, tentando me erguer do chão.
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Fiz um esforço, conseguindo levantar. Subaru estava muito vermelho, eu devia mesmo parecer um crocodilo albino.
– Você é doida? O que foi isso? – ele perguntou, nervoso.
Bufei, massageando meu traseiro.
– Eu faço isso com meus amigos, você é o primeiro a me jogar no chão com tanta brutalidade – acusei – Eu só estava brincando, já viu como você é enorme? Eu podia ter quebrado no meio, e por sua culpa, não vou conseguir sentar direito por uma semana.
Subaru corou, desviando o olhar. Olhei em volta, engolindo em seco. Todos olhavam para nós, só fui perceber o duplo sentido de minhas palavras quando um garoto do time de Subaru começou a rir. Arquejei, meu irmão parecia ter caído de cara num balde de tinta vermelha.
– Eu acabei de cair aqui, me deem um desconto! – reclamei, bufando – Chega, eu quero ir pra casa.
Saí pisando forte, puxando Subaru pelo braço. Ele ofegou, não deixei aquilo me abalar. Bufei, as pessoas ainda riram.
Talvez eu devesse tomar cuidado com as coisas que eu falo. E talvez eu não devesse pular nas costas de alguém daquele jeito.
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– Só mais esse quarteirão – insistiu Subaru.
Neguei com a cabeça, tentando respirar. Ele suspirou, minhas pernas doíam tanto que talvez eu fosse precisar de um novo par. Meu irmão olhou em volta, um pouco impaciente.
– Vamos, não é longe – ele disse.
Soltei um muxoxo, ele respirou fundo.
– Eu devia ter pedido uma carona pro Yelisha – resmunguei, engolindo em seco – Vou dizer pra nossa mãe que você estava tentando me matar, e vou precisar de uma cadeira de rodas.
– Menos, não foi uma caminhada tão longa – disse Subaru.
Bufei, ele esperou.
– Atravessamos a cidade à base da canela, foi uma caminhada longa — falei.
Ele revirou os olhos, trinquei os dentes.
– Levanta, chega de moleza – ele disse.
Soltei um muxoxo, ele ignorou minha manha.
– Pelo menos me ajuda a levantar? – pedi, estendendo a mão em sua direção.
Subaru encarou minha mão durante alguns segundos, depois fixou seu olhar em meu rosto. Esperei, ele nem se mexeu. Respirei fundo, recolhendo minha mão. Antes que eu pudesse levantar sozinha, Subaru revirou os olhos e deu um puxão na minha mão. Teria sido gentil, se eu não tivesse voado até seu peito. Ele ofegou, fiz o mesmo. Afastei-me dele, seu rosto estava vermelho.
– Obrigada, irmão – falei, sarcástica.
Ele desviou o olhar, bufei. Passei por ele sem olhá-lo, meus seios estavam doloridos pelo impacto. Subaru tinha músculos firmes, e isso doera. Senti como se tivesse colidido contra uma parede, uma parede alta e bonita.
– E-ei – disse Subaru.
Ele emparelhou-se comigo na calçada, ainda vermelho.
– Você não vai falar sobre aquilo pra ninguém, vai? – ele disse, pigarreado em meio à frase.
Dei de ombros, ele esperou.
– Não foi grande coisa, todo mundo já quis partir a irmã ao meio na vida – respondi.
– I-isso não, doida – ele disse, gaguejando – O que você disse naquela hora.
Franzi o cenho, ele não me encarava.
– Sobre sua bunda ser seu ponto fraco? – falei.
Subaru bateu a mão na cara com força, arregalei os olhos. Aquela força fora suficiente para derrubar um cavalo, eu esperava nunca irritar Subaru.
– Não isso, mas essa é outra coisa que devemos manter só entre nós – ele disse – Sobre eu g-gostar... Você sabe.
Pisquei, virando o rosto para encará-lo. Meu irmão estava corado, respirava como se tivesse acabado de atravessar a cidade andando. Ele fizera mesmo isso, mas eu tinha certeza de que aquela sua ansiedade era por outra coisa. Voltei a encarar o caminho, tentando não rir. Ele devia estar mesmo apaixonado. Se ele não estivesse, ou estivesse confuso quanto a isso, ele não pediria segredo.
– Não é da minha conta, fica frio – falei – Claro, vou ficar feliz em ficar de boca fechada se você não comentar com ninguém sobre o que eu disse sobre Tsubaki e eu.
Subaru corou um pouco, engolindo em seco.
– C-certo – ele disse, brusco.
Assenti, ele imitou meu gesto. Suspirei, ele continuou calado.
– Já tentou falar com ela? – perguntei.
Meu irmão me olhou, seus olhos estavam um pouco arregalados. Esperei, sustentando seu olhar. Achei que ele me daria um soco e me mandaria cuidar da minha própria vida, mas ele apenas suspirou.
– Já – respondeu, cansado.
Esperei, ele encarou o chão.
– E o que ela disse? – perguntei, inclinando meu rosto em sua direção.
– Nada, eu saí antes que ela pudesse reagir – disse Subaru, quase atropelando minhas palavras – Passei um tempo fora de casa, queria me transformar em um homem que pudesse fazê-la feliz.
Pisquei, sentindo minhas entranhas se revirarem.
– Tem ideia do quanto isso foi lindo? – perguntei.
Subaru corou, ri baixinho.
– E o que aconteceu quando você voltou? Vocês pelo menos conversaram sobre o assunto? – perguntei, deixando a voz um pouco mais suave.
Subaru negou com a cabeça, sua expressão ficou um pouco distante. Bufei, sacudindo a cabeça.
– E como você esperava que ela dissesse alguma coisa? Você tinha que, ao menos, tentar dar o primeiro passo – falei.
– Eu sei, já cansei de ouvir isso do... Já ouvi isso antes – disse Subaru, arquejando – Não sei o que devo dizer, não sei como devo agir. Acho que não me tornei homem o bastante, talvez ela mereça alguém melhor.
– O que?! – guinchei.
Pulei na sua frente, bloqueando seu caminho. Subaru arregalou os olhos, surpreso pela minha reação. Encarei-o com firmeza, reunindo toda força de persuasão que tinha dentro de mim.
– Você foi, você lutou, você cresceu e se tornou um homem incrível – falei – Você é talentoso, responsável, forte, e tem uma garra e uma força de vontade que eu nem sabia que existia. Eu não achava tudo isso até te ver jogar, você mudou bastante o que eu pensava de você. E seu coração? Puro, bom e gentil. Você é homem o bastante, você nasceu para fazer a Ema feliz.
Parei de falar, respirando fundo. Subaru me encarava fixamente, seus olhos estavam completamente arregalados. Ele parecia incrédulo, chocado por minhas palavras. Permaneci firme, olhando-o nos olhos durante quase um minuto. Meu irmão ainda parecia chocado, seu rosto começou a corar. Suspirei, sacudindo a cabeça. Deixei meu corpo tombar pra frente, minha testa bateu em seu peito largo. Ele ofegou, mas não me afastou.
– O que eu faço com você, seu gorila fofo? – perguntei, bufando – Relaxa, eu vou te ajudar.
Subaru ofegou, afastei-me dele. Olhei para cima, deparando-me com um par de olhos cinzentos e brilhantes.
– Quero que você me conte exatamente tudo que você já fez, incluindo no tempo que você passou fora de casa – falei.
Saí de sua frente, recomeçando a andar. Subaru hesitou, mas fez o mesmo que eu.
– Eu confessei tudo, e foi apenas isso – ele disse, relutante – Tentei beijá-la uma vez, mas tive... Receio de pressioná-la.
Revirei os olhos, meu irmão suspirou.
– Tentou beijá-la antes mesmo de perguntar como ela se sente? Você é um caso perdido – falei – Você nunca tentou pressioná-la muito, isso é bom. Você está fazendo alguma coisa errada, talvez você devesse mostrar um pouco mais de afeto ao falar com ela.
Subaru não me respondeu, o que me fez entender que ele havia entendido. Suspirei, não fora tão difícil entrar no coração dele. Talvez, justamente por ser tão silencioso, Subaru fosse fácil de ler.
– O que você tem com Tsubaki? – Subaru disse.
Pisquei, ele não me encarava. Hesitei, mordendo o lábio. Talvez contar aquilo para ele não fosse exatamente uma boa ideia, mas eu confiava em Subaru o bastante para saber que ele não contaria.
– Foi só uma vez – comecei, engolindo em seco – Ema e eu fizemos uma noite das garotas, e eu bebi um bocado. Tsubaki bebeu também, e depois de várias coisas, nós acabamos bem... Íntimos.
– Não podiam ir para um quarto? – Subaru disse.
Ri, ele lançou-me um olhar de soslaio.
– Tsubaki perguntou se eu queria ir pro quarto dele, mas eu devia estar muito alta pra pensar direito – respondi, mordendo o lábio – Eu me arrependi muito depois. Tenho um namorado.
Subaru assentiu, parando de me olhar de soslaio e fixando sua atenção no caminho. Estávamos na rua da nossa casa, mas o quarteirão era grande. Meu irmão estava calado, seu rosto estava um pouco vermelho por termos andado tanto, mas ele parecia quase normal agora. Sorri um pouco, feliz. Subaru e eu não éramos os irmãos mais unidos do mundo, mas aqui estávamos nós. Ele tinha me contado algo íntimo, e eu contara a ele o que tinha feito com Tsubaki. Ele confiara em mim, e eu confiara nele. Dias atrás, eu jamais pensaria em contar isso pra ninguém. Mas Subaru tinha conquistado minha confiança, ele era alguém com quem eu podia conversar.
– Agora eu sei por que ele não respondeu sua mensagem – Subaru disse.
Pisquei, ele indicou nossa casa com a mão. Franzi a testa, mas olhei. Meu coração gelou, parei de andar. Na frente dos portões escancarados, estava um casal. A mulher abraçava o homem com força, rindo bastante. O homem abraçava a mulher com o mesmo entusiasmo, talvez até mais contente e aliviado do que ela. Eles riam juntos, seus corpos estavam praticamente colados. Minha boca se abriu, meu coração parecia estar bombeando sorvete. Meu corpo inteiro tremeu, dei um passo para trás.
– Ei, você está bem? – disse Subaru.
Ele deve ter percebido a ausência de sangue no meu rosto, eu mesma me senti mais gelada. O casal não parou de se abraçar, nem pareciam ter notado nossa presença ali. Engoli em seco, Subaru segurou meu ombro.
– Nina? – ele disse, franzindo a testa.
Mordi o lábio, voltando-me para encarar seu rosto.
– Finja que crescemos juntos e que isso é muito normal – pedi.
Ele não pareceu ter entendido, mas não lhe dei mais que dois segundos para tentar. Usei o último fôlego que eu tinha para pular, atirando-me nas costas de Subaru. Ele ofegou de surpresa, mas não deixei que ele se livrasse de mim. Posicionei-me na maneira correta, encaixando meu corpo no dele.
– Segura minhas pernas – falei.
– V-você ficou...
– Segura! – insisti, rosnando.
Ele tremeu, mas fez o que eu disse. Como se estivesse tentando arrancar raízes de uma árvore, Subaru puxou minhas pernas e segurou-as para que eu não caísse. Respirei fundo, envolvendo seu pescoço com os braços.
– Agora, finja que veio correndo desde o começo da rua – falei – Desacelere quando eu gritar, vai.
Ele assentiu, tomando um impulso. Subaru começou a correr comigo em suas costas, segurando-me para me manter segura. Era como montar em um búfalo, eu acho. Yelisei corria como um alce, então eu nunca me senti tão caipira. Meu irmão não parou de correr, tentei não vomitar meu coração no caminho. Forcei uma expressão alegre, por sorte, Subaru teve a mesma ideia.
– Subaru! – gritei, rindo.
Meu irmão riu, desacelerando como eu pedira. Pulei no chão outra vez, ainda rindo. Contornei o corpo de Subaru, atirando-me em seus braços assim que pude. Ele tremeu um pouco, mas me abraçou de volta. Soltei um muxoxo, tentando não parecer uma atriz de filme barato.
– Obrigada pela carona – falei, antes de sussurrar – Sorria, por Deus.
Soltei-me dele, dando de cara com o rosto mais vermelho que eu já vira. Felizmente, ele sorria mesmo. Sorri com aquilo, soltando um suspiro de alívio. Estiquei-me em sua direção, plantando um beijo cheio de doçura em sua bochecha direita. Subaru ofegou com aquilo, mas sorriu de verdade. Afastei-me dele, dirigindo-lhe uma piscadela. Girei meu corpo na direção da casa, abrindo o maior sorriso alegre que consegui forçar.
Dera resultado, pois o casal que antes se abraçava agora olhava para nós com expressões copiosas de surpresa e desagrado. Aquilo me irritou, mas consegui continuar sorrindo. Agarrei a mão de Subaru, fazendo com que meu irmão corasse um pouco.
– Nina – chamou-me Louis, sem conseguir sorrir.
Sorri, aproximando-me deles. Yui olhou-me de cima a baixo, um sorriso estranho esticou-se em seus lábios quando nosso olhar se encontrou.
– Vejam só, é a minha cunhada querida – ela disse, esbanjando doçura – Você se lembra de mim, bonequinha?
Senti vontade de vomitar, mas consegui continuar sorrindo.
– Yui, já faz um bom tempo – respondi, acenando minimamente.
Ela sorriu, lançando um rápido olhar na direção de Subaru.
– Vocês fazem isso sempre? Deviam parar – ela disse – Você mais parecia um ogro sequestrando uma garotinha, a polícia suspeitaria de um possível sequestro.
Subaru fechou a cara, Yui abriu um sorriso meigo. Meu interior pareceu ter sido incendiado, ninguém provoca meu irmão.
Dei um passo à frente, abrindo um sorriso inocente.
– E você mais parecia aquele bicho feio do filme “Jogos Vorazes”, acho que o nome dele era Bestante – falei.
Subaru arregalou os olhos, mas logo explodiu na risada mais alta que eu já o ouvi dar. Sorri, satisfeita com o resultado. Louis lançou-me um olhar sério, sorri pra ele.
– Nina, seja mais...
– Ah, como você é fofa – disse Yui, rindo ao atirar-se no peito de Louis – Você tem um ótimo senso de humor, tenho certeza de que vamos nos dar muito bem.
Sorri, ela fez o mesmo.
– Já somos melhores amigas, querida – falei.
Subaru prendeu o riso, mordi o lábio. Louis respirou fundo, desviando o olhar até Yui.
– Vamos, eu vou chamar um táxi para você – ele disse.
A garota abriu um sorriso enorme, mordi a língua para não chamar um palavrão.
– Adoro quando você se preocupa comigo, é como nos velhos tempos – disse Yui, derretendo-se.
Louis deu um pequeno sorriso, erguendo o olhar até meu rosto. Fugi, encontrando o olhar de Yui no caminho. Ela sorriu para mim, sorri de volta.
– Nos vemos em breve, eu espero – ela disse.
– Claro – falei – Mal posso esperar.
Ela riu, fiz o mesmo. Subaru sacudiu a cabeça, Louis suspirou.
– Venha, Yui – ele disse, tomando a mão da garota.
Ela pareceu se iluminar com aquele gesto, meu sorriso vacilou. Louis não me olhou, apenas guiou Yui para longe de nós. Soltei um suspiro tão profundo que meu corpo parecia ter se esvaziado, engoli em seco.
Meu corpo foi erguido do chão com força, fazendo-me gritar. Olhei em volta, confusa. Subaru sorria para mim, abrigando-me em seus braços.
– Vamos entrar, hoje foi um dia longo – ele disse.
Arquejei, o sorriso dele vacilou.
– Sorria – sussurrou Subaru, voltando a sorrir.
Engoli em seco, mas fiz o que ele disse. Subaru levou-me par dentro da área da mansão, tive a impressão de ver Louis encarando-nos com uma expressão indecifrável. Meu atleta favorito me pôs no chão assim que terminou de atravessar o jardim, seus passos largos faziam o trajeto parecer coisa de criança. Respirei fundo, firmando-me no chão.
– Obrigada – falei.
Subaru assentiu, olhando em volta rapidamente.
– Eu nunca gostei dessa garota, ela sempre me pareceu perfeita demais – ele disse – Mulheres são assustadoras.
Ri, ele me olhou.
– Eu sou mulher, Subaru – falei, ainda rindo.
– E porque você acha que eu disse isso? – ele disse, abrindo a porta sem olhar para mim.
Pisquei, ele entrou sem olhar para trás. Ri, sacudindo a cabeça.
Tínhamos avançado, mas ele ainda era o mesmo Subaru de sempre. Mas, pensando bem, era exatamente assim que ele era perfeito.
IMAGEM ESPECIAL
Ukyo Asahina (Pense num advogado gostoso, por um desses eu iria presa por assédio sexual ( ͡° ͜ʖ ͡°) )

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