The New Girl in the House

23 Barreiras - Especial Natsume


Notas iniciais
Ohoooooooo, como vão? Nossa, eu nunca vi nada parecido. Hentai pode mudar o mundo, descobri isso ao ler seus comentário divos. Teve gente que odiava o Akira passando a simpatizar com ele, teve gente que pediu mais hentai... É, parece que o que o destino reserva para vocês vai ser muito bem aceito, hehehehehe. Esse é o especial que vocês tanto aguardaram, repetindo: NÃO VAI TER HENTAI NESSE CAPÍTULO! Acalmem as ppks, ainda vai ter fogo, mas apenas no futuro. Como é um especial, é longo e tem música. Espero que gostem, foi feito com amor... Mas não, ninguém vai fazer amor nesse capítulo. Imagem de hoje, nossa amada Ema.

Uma palavra sobre o inicio do verão? Mentira!

A noite estava fria, tão fria que aquele vestido que eu escolhera me pareceu uma péssima escolha. Eu estava de casaco, encolhida como uma bolinha. Minhas pernas tremiam de leve, eu agradecia a presença de Wataru em meu colo.

– Com frio, onee-chan? – perguntou o pequeno.

Dei um sorriso sarcástico, mordendo a língua para não dar uma resposta que faria Wataru me odiar para sempre.

– Isso aí – respondi, em vez disso.

Ele riu, abraçando-me. Sorri, retribuindo seu abraço.

– Cuidado com o vestido, Nina – disse Ema.

Assenti, quase empurrando Wataru no chão. Ema e eu estávamos mais próximas desde o dia das lingeries, ela cuidava mais de mim agora, e eu cuidava de nós duas. Finalmente acho que ganhei uma irmã, estava muito feliz.

– Onee-chan, eu não quero que você vá jantar com o Nakkun – disse Wataru.

Ele usou a voz manhosa, meu coração se apertou.

– Não se meta, Wataru – disse Ukyo.

Eu nem tinha percebido que ele estava ali, acho que o frio estava congelando meu cérebro.

– Mas, a onee-chan é só minha – disse Wataru, fazendo bico – Eu não quero o Nakkun com ela.

Ele enterrou o rosto em meus seios, o que não era tarefa difícil. Eu estava usando um espartilho que Miwa havia me dado, ela insistira para que eu usasse-o hoje. Aparentemente, eu não podia discordar do que ela dizia, especialmente depois da tarde de ontem.

Meu corpo se arrepiou, ah, a tarde de ontem...

– Onee-chan, eu não quero que o Nakkun te abrace – disse Wataru, enterrando ainda mais a cara em meus peitos.

Em geral, eu não me importava quando ele fazia aquilo. Mas eu nunca usava um vestido sem alças antes, e nunca usara um espartilho como aquele antes. Meus seios estavam tão pronunciados que até mesmo quem estava longe de mim podia vê-los, eu me sentia como a Megan Fox.

– Tira a cara daí – pedi, tentando tirar Wataru do meu colo.

O pequeno não me obedeceu, em vez disso, apenas enterrou-se mais em meus seios. Sua respiração os esquentava, me arrepiei.

– Wataru – disse Ukyo, em tom repreensivo.

Ele ignorou o mais velho também, agarrando-me com força. Bufei, soltando um muxoxo.

– Eles não são travesseiro, isso dói, Wataru – falei.

O pequeno finalmente desenterrou a cara dos meus peitos, soltei um suspiro de alívio.

– Você vai deixar o Nakkun fazer isso? – ele perguntou.

Ouvi Ema se engasgar, Ukyo baixou o jornal que lia.

– Claro que não, de onde tirou isso? – perguntei, franzindo as sobrancelhas.

O pequeno sorriu, enterrando a cara nos peitos outra vez.

– Hum, onee-chan – suspirou – É tão quentinho aqui, e fofinho.

Arquejei, arregalando os olhos. Wataru continuou com a cara enfiada nos meus peitos, troquei um olhar com Ukyo.

– Wataru, solte-a – ele disse, sério.

O pequeno ignorou-o outra vez, trinquei os dentes. Senti sua boquinha depositar um beijinho em meu seio direito, meu corpo se retesou.

– Sai! – berrei.

Empurrei o pirralho, Wataru caiu sentado no chão. Fechei todos os botões do meu casaco, fazendo cara feia. O pequeno riu, erguendo-se do chão e atirando-se em mim outra vez.

– Onee-chan! – berrou, agarrando-me com todos os seus quatro membros.

Grunhi, tentando empurra-lo.

– Eu vou te jogar pela janela, sai daqui – falei.

Ele riu, divertindo-se com minha irritação. A porta da frente foi aberta, duas pessoas entraram.

– Boa noite, família – disse Tsubaki, piscando – Boa noite, maninha linda.

Acenei, tentando sorrir. Azusa também chegara, ele sorriu para mim.

– Oi, Nina – ele disse.

– Oi, Azusa – falei.

Ele sorriu, fiz o mesmo.

– Onee-chan, tira isso – disse Wataru.

Ele abriu os botões do meu casaco, enfiando a cara nos meus peitos assim que teve a chance.

– Aqui é bom – ele disse, rindo.

Ofeguei, soltando um muxoxo. Tsubaki riu, contente.

– Esse garoto está ficando esperto – ele disse – Muito bem, Wataru. Não tem coisa melhor do que uns bons peitos, não é mesmo, Ukyo?

– Não sei do que você está falando – disse Ukyo, atropelando as palavras.

Tsubaki riu, lançando-me uma piscadela.

– Posso entrar aí também? – perguntou, mordendo o lábio – Está frio aqui fora, mas aí parece ser tão quentinho.

Revirei os olhos, Wataru desenterrou a cara dos meus peitos e encarou Tsubaki.

– A onee-chan é só minha, eles dois são só meus! – berrou.

Arregalei os olhos, Ukyo e Azusa fizeram o mesmo. Ema exclamou alto, Tsubaki encarou o pequeno.

– Vamos, você tem dois aí, me dê apenas um – ele disse.

Wataru negou com a cabeça, agarrando meus dois seios com suas pequenas mãos.

– Os peitos da onee-chan são meus! Eu não vou te dar nenhum! – berrou.

Tsubaki explodiu em uma risada, os olhos de Ema pareciam estar saltando para fora. Ukyo franziu o cenho, surpreso e exasperado. Trinquei os dentes, enfiando as mãos na cara.

– Alguém tira esse pirralho de cima de mim! – rosnei.

Wataru riu, agarrando-se a mim de novo.

– Não, onee-chan – ele disse, ainda rindo – Ninguém vai me tirar de você, e ninguém vai tirar eles de mim.

Ele apertou meus seios quando disse aquela última parte, grunhi.

– Esse puxou ao Ukyo, pelo menos nessa parte – disse Azusa.

Arregalei meus olhos para ele, Azusa pareceu ter percebido o que havia dito um pouco tarde demais. Ukyo tinha as orelhas vermelhas, Ema escondia o rosto nas mãos.

– Wataru, vai agarrar os peitos da Ema, me deixa em paz! – falei.

– Eh?! – disse Ema.

Ela arregalou os olhos, abraçando o próprio corpo. Ri, era mesmo divertido constrangê-la, eu podia entender Miwa perfeitamente agora. Wataru fez um biquinho, agarrando-me com mais força.

– Eu gosto dos seus peitos, os peitos da onee-chan-Ema são pequenos, eu já percebi – ele disse.

Ri do modo como ele tinha chamado-a, Ema arregalou os olhos.

– Wataru! – ela disse, constrangida e nervosa.

Ri, sacudindo a cabeça. O pequeno enterrou o rosto em meus seios de novo, respirando fundo.

– Eu amo as minhas onee-chan’s – ele disse.

Sorri, meus dedos entrelaçaram-se em seus cabelos macios. O pequeno suspirou, sorrindo e deitando sua cabeça em meus seios. Pelo menos ele não estava mais com a cara enfiada neles, aquilo era um progresso.

Uma buzina elegante soou do lado de fora, fazendo-me dar um saltinho. Ukyo ergueu o olhar até a porta, Tsubaki e Azusa me olharam.

– É o Natsume – disse Azusa.

Assenti, dando um sorrisinho nervoso. Eu não tinha mais motivos para ficar intimidada, mas ainda ficava receosa. Ele estava sendo mais simpático comigo desde a festa de halloween, mas eu não esqueci como era sua expressão robótica.

A porta da frente foi aberta, revelando meu “encontro”. Ele vestia um terno azul escuro que eu nunca tinha visto, assim como uma gravata branca. Seus cabelos estavam penteados do mesmo jeito de sempre, seus olhos varreram a sala até me encontrarem. Ele deu um sorriso quando meu viu, não pude segurar um sorriso.

– Boa noite, Natsume – disse Ukyo.

– Ainda estamos aqui – completou Tsubaki, lançando um olhar frio ao gêmeo.

Natsume expirou, sacudindo um pouco a cabeça.

– Boa noite a todos – ele disse, focando seu olhar em mim – Boa noite, Nina.

Abri um sorriso satisfeito, por que eu estava nervosa mesmo?

– Boa noite, Natsume – respondi.

Ele sorriu para mim, um sorriso pequeno, porém um sorriso lindo. Sorrisos e mais sorrisos, essa noite promete, no bom sentido.

– Vamos? – perguntou Natsume, encarando-me.

Assenti, ficando ligeiramente mais ansiosa. Joguei Wataru para o lado, ignorando o gemido doloroso que ele deu quando desabou no sofá. Sorri, vingança.

– Traga ela de volta antes da meia noite – disse Ukyo.

– E nem pense em passar a mão nela – disse Tsubaki.

– Não a encha de histórias sobre nossa infância, arrume um assunto decente – disse Azusa.

– E fique longe dos peitos dela! – berrou Wataru.

Pisquei, engolindo em seco. Pois é, Rintarou não estava ali, mas eu tinha outros quatro pais.

– Vocês não tem autoridade para mandar em mim – disse Natsume, inabalável – Vamos, Nina.

Pisquei outra vez, assentindo de leve. Ele deu um sorrisinho mínimo, abrindo a porta devagar.

– Juízo, Nina – disse Ukyo.

Revirei os olhos, mas não deixei ninguém além de Natsume ver aquele gesto. Ele riu discretamente, mordi o lábio.

– Proteja os peitos! – berrou Wataru.

Trinquei os dentes, saindo da casa antes que estrangulasse aquele garotinho. Natsume saiu logo depois de mim, nos encaramos.

– O carro está no portão – ele disse.

Assenti, dando um meio sorriso. Aquela sensação de ansiedade voltara, tentei não pensar que estava saindo para um encontro com Natsume, apenas nós dois.

Sacudi a cabeça, aquilo não era um encontro.

Segui-o pelo jardim, nenhum de nós falou, o que foi ainda mais desesperador. Iríamos ficar naquela a noite toda? Deus, até com Ukyo que conseguia me soltar. O que Natsume tinha que me prendia tanto? Que escudo era aquele que eu não conseguia penetrar?

– Nina! – chamou-me uma voz calorosa.

Pisquei, sentindo meu corpo ser abraçado. O cheiro de Louis invadiu meus pulmões, fiquei mais calma de imediato.

– Louis! – falei, levando um sustinho.

Ele riu da minha reação, afastando seu corpo do meu. Ele trazia uma sacola plástica com alguns dvd’s dentro, sorria de maneira calorosa para mim.

– Desculpe-me pela demora, o salão estava cheio hoje – ele disse.

Pisquei, um pouco confusa. Natsume nos encarava, parecia estar prestando muita atenção em cada movimento nosso.

– Eu comprei alguns filmes no caminho para cá, achei que talvez você quisesse fazer um cineminha comigo – disse Louis.

Fiz uma careta, olhando-o estranhamente.

– Eu vou sair com Natsume, eu te disse isso ontem – falei.

Louis piscou, sua expressão facial pareceu mudar um pouco. Foi só por uma fração de segundo, mas ele fez uma careta.

– Oi, Natsume. Eu não tinha te visto, como vai? – ele disse, virando-se para o irmão com um sorriso.

– Vou bem, Louis – respondeu Natsume, firme – Estou saindo com Nina agora, não quero perder as reservas.

Pisquei, mordendo o lábio. Louis pareceu um pouco surpreso, seu sorriso parecia um pouco artificial.

– Reservas? Vão a um restaurante? – perguntou.

Franzi o cenho, encarando-o.

– Eu te disse isso ontem – repeti.

Louis me encarou, seu olhar fixou-se no meu.

– Eu devo ter esquecido, sinto muito – ele disse.

Dei de ombros, olhando em volta.

– Vamos, Nina – disse Natsume.

Ele encarava-me fixamente, seu olhar me deu calafrios. Assenti, sorrindo de leve para Louis.

– Até mais tarde – falei.

Louis sorriu, puxando-me para si. Ofeguei, surpreendida por seu abraço. Ele beijou minha testa carinhosamente, soltando-me logo em seguida.

– Eu vou te esperar, talvez dê tempo de vermos pelo menos um filme – ele disse – Bom jantar, divirta-se.

Assenti, um pouco tensa. Louis acenou ligeiramente para Natsume, passando por mim com um sorrisinho. Lancei um olhar de esguelha a Natsume, ele me encarava fixamente.

– Podemos ir agora? – perguntou.

Sua voz forte me fez tomar um choque, engoli em seco.

– Claro – falei.

Ele assentiu, gesticulando para que eu passasse à sua frente. Obedeci ao seu pedido silencioso, baixando um pouco o rosto ao passar por ele. Natsume me seguiu, fazendo uma coisa que me surpreendeu: segurando-me firmemente pela cintura. Arregalei um pouco os olhos, estremecendo sob seu toque. Ele ignorou os sinais do meu corpo, abrindo o portão e guiando-me para fora. Caminhei até seu carro, nervosa. Natsume abriu a porta para mim, lançando-me um olhar sugestivo.

– Obrigada – falei.

Ele apenas assentiu, sério. Engoli em seco, entrando no carro com a cabeça baixa. Natsume fechou a porta com um baque firme, fazendo-me tremer. Ele deu a volta no carro, encaminhando-se ao seu lugar. Coloquei o cinto, não queria irrita-lo de jeito nenhum. Natsume entrou no carro, fechando a porta, colocando o cinto e ligando o carro em questão de segundos. Olhei pela janela, evitando seu olhar, mesmo sabendo que ele me encarava.

Louis estava parado na porta da mansão, olhando para nós. Tinha certa distância entre nós, mas eu sabia que ele não estava sorrindo. Engoli em seco, encarando minhas pernas. Não tinha certeza de qual olhar era o pior, então era melhor bancar a desentendida e fingir que não estava percebendo nada.

Cinco pais, com certeza.

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Sentei-me na cadeira, sorrindo ligeiramente para Natsume. Ele não sorriu de volta, apenas empurrou minha cadeira para frente. Suspirei, mordendo o lábio de nervosismo. Ele deu as costas para mim, rodeando a mesa para encontrar seu lugar. Olhei em volta, tentando me acalmar.

O restaurante estava cheio, mas ainda era um lugar muito espaçoso. Natsume me dissera que aquele era o melhor restaurante francês da cidade, e aquele lugar fazia jus ao titulo. A mobília era linda e impecável, combinando tons pastel com estampas florais nas cortinas e cadeiras. As mesas eram de vidro, cobertas por toalhas de cetim pérola. Um lindo lustre pendurava-se sobre uma pequena pista de dança, onde casais rodopiavam ao som de uma música suave e agradável.

– Gostou do lugar? – perguntou Natsume.

Virei meu rosto em sua direção, ele não sorria.

– É maravilhoso – respondi.

Ele assentiu, desviando o olhar. Mordi o lábio, respirando bem fundo.

– Devíamos fazer logo os pedidos – ele disse, abrindo um cardápio.

Assenti, mesmo sem ter sido questionada. Peguei o segundo cardápio, abrindo-o. Deparei-me com muitas palavras francesas escritas à mão, o dono desse lugar podia se orgulhar de tudo que tinha ali. Não reconheci nenhum daqueles pratos, engoli em seco. O único prato que eu conhecia de lá era uma coisa medonha, estremeci.

– Boa noite, senhores – disse um garçom que eu nem vira aparecer – Já querem fazer o pedido.

Natsume baixou seu cardápio, sem me olhar.

– Um Coq Au Vin,por favor – pediu – Ah, e uma garrafa de Chardonnay.

– Claro, senhor – disse o garçom.

Ele anotou algo rapidamente em seu bloquinho, Natsume não me encarou.

– E para a senhorita? – perguntou o garçom, lançando-me um sorriso educado.

– Escargot – respondi.

Natsume finalmente me encarou, sustentei seu olhar.

– Você sabe o que é isso, não sabe? – perguntou.

Assenti, ele franziu as sobrancelhas.

– Nina, sem brincadeiras, por favor – ele disse.

Encolhi meus ombros, tremendo um pouco.

– Eu quero esse prato, não estou brincando – falei.

O garçom olhou de mim para Natsume, tentando decidir quem deveria ouvir. Natsume ficou me encarando, tentei sustentar seu olhar.

– Traga o que ela pediu – cedeu.

O garçom assentiu, anotando em seu bloco.

– E traga suco de laranja – disse Natsume.

O garçom anotou tudo, retirando-se silenciosamente. Tentei não encarar o homem que me trouxera para jantar, ele era simplesmente intimidador demais. Fixei meu olhar em minhas unhas, tentando resistir ao impulso de arrancar uma lasca do esmalte.

– Sabe que vai se arrepender disso, não sabe? – perguntou.

Ergui meu olhar, Natsume também encarava minhas unhas.

– Eu não gosto desse esmalte – falei.

Ele respirou fundo, sua boca tremeu.

– Eu me referia ao prato – ele disse.

Ri, sacudindo a cabeça. Ele ainda encarava minhas mãos, sua boca estava quase sorrindo.

Bingo, matei a charada.

– Eu nunca provei caracóis antes, ouvi dizer que tem gosto de frango – falei.

Natsume fez uma careta, finalmente me encarando.

– Onde você ouviu isso? – perguntou.

Dei de ombros, encarando minhas unhas.

– Coisas que a gente vê na TV – falei.

Ele sacudiu minimamente a cabeça, como se não conseguisse acreditar na minha besteira.

– Nem tudo que vemos na TV é verdade – ele disse.

– Eu sei, mas tem coisas que parecem ser bem reais – falei.

Ele me olhou, seus olhos pareciam estar querendo analisar minha alma.

– Exemplo? – pediu.

Dei de ombros, curvando a boca para baixo.

– A bunda do Ian Somerhalder? – chutei.

Ele fechou os olhos, parecia ter levado um impacto forte na boca do estômago. Sorri, satisfeita.

– Você fala cada coisa – comentou.

Ele parecia fazer esforço para não rir, aquilo me motivou ainda mais.

– Mas é verdade – insisti, rindo um pouco – Eu vejo a bunda dele e sinto vontade de aperta-la, aquilo precisa ser real, ou minha vida toda foi uma mentira.

– Deus, Nina – disse Natsume.

Ele finalmente sorriu, parecia estar contendo uma risada. Sorri abertamente, ponto para mim!

– É só por isso que você assiste televisão? Para ficar olhando a bunda dos atores? – ele perguntou.

Ele parecia estar zombando de mim, mas de um modo bom. Sorri, negando com a cabeça.

– Também presto atenção nos abdomens – falei.

Ele finalmente riu, sacudindo a cabeça. Dei uma risadinha, radiante por dentro.

o garçom se aproximou de nós, dirigia uma espécie de carrinho de aço. Ele sorriu educadamente, parando diante de nós.

– O vinho, senhor – ele disse.

Natsume ainda sorria, então não pude deixar de sorrir também.

– Obrigado – disse.

O garçom sorriu de volta, servindo o vinho em uma taça refinada. Ele depositou um copo de suco de laranja diante de mim, dirigindo-me um sorriso afetado. Sorri de volta, assentindo de leve. O garçom recolheu suas coisas e foi embora, encarei a taça de Natsume com um olhar esperançoso.

– Nem pense nisso – ele disse, cortando-me antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisa.

Mordi o lábio, encarando meu suco.

– O mundo é um lugar injusto quando você é menor de idade – resmunguei.

Natsume sacudiu a cabeça, sorrindo de leve.

– Mesmo quando você for maior de idade, eu não vou te dar vinho – ele disse – Já vi como você fica bêbada com facilidade, e não estou com vontade de apanhar dos outros 12.

Ri, sacudindo a cabeça. Aquilo era meio que verdade, se eu chegasse bêbada depois de jantar com Natsume, é bem provável que meus outros irmãos o matariam sem pena alguma.

– É melhor ficar no suco mesmo, eu prezo a sua vida – falei.

Eu não tinha Idea do quão carinhoso aquilo soara até perceber que Natsume corara um pouco, desviando o olhar. Mordi o lábio, tentando refrear um sorriso.

– Seus pedidos, senhores – disse o garçom.

Pisquei, nem havia notado sua aproximação. Natsume não me olhou, o garçom depositou nossos pratos. O do meu irmão era apetitoso, eu devia ter escolhido aquele. No meu prato havia umas seis bolinhas, as bolinhas eram caracóis. Eles estavam escurinhos, como se tivessem sido cozidos, graças aos céus.

– Bom apetite – disse o garçom.

Ele afastou-se, olhando-me como se me desejasse sorte. Engoli em seco, tentando não lembrar como eram aquelas coisas quando estavam vivas.

– Er... Eu posso começar pelo suco? – falei, dando um sorriso nervoso.

Natsume sorriu, quase rindo.

– Faça como quiser – respondeu.

Engoli em seco, assentindo. Tomei um gole do meu suco, tentando arranjar coragem para comer aquelas bolinhas. Eu não sabia nem como se comia aquilo, mas eu ia comer. Baixei o copo de lado, encarando meu prato.

– Precisa de ajuda? – perguntou Natsume.

Ele parecia se esforçar para não rir, engoli em seco.

– Não, estou bem – menti.

Minha voz tremeu, ele pareceu ter sentido isso.

– Boa sorte – ele disse.

Assenti, eu iria precisar mesmo de sorte. Encarei as bolinhas, minha mão segurou firmemente meu garfo. As lesmas estavam fora da casca, eu pude soltá-los com facilidade. Espetei um caracol com o garfo, ele emitiu um chiadinho assim que eu o perfurei. O bicho soltou uma gosma espumante, arregalei os olhos.

– Ai meu Deus, eu vou chorar! – guinchei.

Era verdade, meus olhos estavam lacrimejando. Natsume fazia muito esforço para não rir, seu rosto estava vermelho.

– Não ria, isso é crueldade – falei – Me desculpe, Sr. Caracol.

Agora sim, Natsume deu uma risadinha. Ele estava se contendo, pude sentir. Ergui meu garfo, aproximando o caracol da boca.

– Nina, não coma isso, por favor – disse Natsume – Eu posso pedir outra coisa, você não precisa fazer...

Mas já era tarde, aquele discurso dele me deu raiva. Enfiei a bolinha na boca, mastigando sem pensar. Era macio, lembrava gelatina. O tempero era ótimo, o sabor era exótico, mas aquilo nunca se passaria por frango. Engoli, respirando fundo. Natsume me encarava, ligeiramente boquiaberto.

– É uma delícia – falei, abrindo um sorriso.

Ele piscou, embasbacado. Ri de sua expressão, espetando outro escargot.

– Nina, você tem problemas mentais? – ele perguntou.

Neguei com a cabeça, enfiando outra bolinha na boca. Natsume me encarava, seu prato estava intocado.

– Não vai comer? – perguntei, indicando seu frango com a cabeça.

Ele sacudiu a cabeça, encarando o próprio prato. Ele parecia um pouco enjoado, franzi as sobrancelhas.

– Você está bem? – perguntei.

Ele respirou fundo, engoli outro caracol enquanto esperava por sua resposta.

– Você está comendo caracóis, bem na minha frente – ele disse.

Pisquei, virando um pouco a cabeça.

– Qual o problema? – perguntei.

Ele me encarou, seu rosto estava um pouco verde.

– Se eu te desse um desses vivo, você teria coragem de comer os mortos? – perguntou.

Pisquei, pensando naquilo. Imagens de caracóis vivos vieram-me à cabeça, engoli em seco.

– Eu vou vomitar – anunciei.

Natsume arregalou os olhos, enterrei meu rosto nas mãos.

– Nina, você está...

– Seu desgraçado, a culpa é sua! – guinchei, engolindo em seco – Eu estava bem, por que você fez isso?

Fechei os olhos, respirando fundo. Minha boca estava com gosto de escargot, ou melhor, minha boca estava com gosto de caracol. Caracol! Molusco nojento! Lesma!

– Nina, se acalme – disse Natsume, nervoso.

Nem percebi que ele havia levantado-se, apenas senti seu toque em meu ombro.

– Está tudo bem, senhores? – disse a voz do garçom.

Não abri os olhos, se visse meu prato, eu vomitaria ali mesmo.

– Sim, está tudo bem – disse Natsume, sua voz estava carregada de incerteza – É só remorso, ela é muito chegada aos animais.

– Me perdoe, Gary – gemi, engolindo em seco – E se eu comi o Gary? O Bob Esponja nunca vai me perdoar.

Eu fiz aquilo apenas para tentar esquecer como eram nojentas as criaturas reais, já que o do desenho é bem mais fofinho. Pude ouvir o garçom rir, assim como Natsume.

– Traga-a uma merluza com ervas, por favor – disse Natsume, parecia tentar conter o riso.

– Sim, senhor – disse o garçom.

Pude ouvi-lo retirar o prato de caracóis da mesa, mas não me senti segura.

– Nina, eles já foram, pode abri os olhos – disse Natsume.

Sua voz estava gentil, mas eu sabia que ele estava tentando não rir. Tirei as mãos da cara, respirando fundo. Abri os olhos, notando a presença de Natsume ao meu lado. Tentei ignorar sua mão em meu ombro esquerdo, respirei fundo de novo.

– Melhor? – perguntou Natsume.

Ele lançava-me um olhar gentil, quase carinhoso. Fingi que não tinha visto, receber carinho dele depois de comer caracol iria acabar com meu sistema nervoso.

– Sim, me desculpe – falei.

Ele deu uma risadinha, soltando-me para voltar ao seu lugar. Tentei não encara-lo, foi difícil, já que ele segurou minha mão que estava estendida na mesa.

– Ei – chamou.

Ergui meu olhar, ele me encarava com firmeza.

– Não pense no que fez, só vai piorar – aconselhou, prendendo o riso – Tente focar em outra coisa, seu suco, por exemplo.

Meu olhar vagou até meu copo, o suco parecia me encarar. Sem querer, foquei meu olhar na taça de Natsume. Mordi o lábio, o vinho branco quase acenava para mim.

– Posso tomar um pouco? – pedi.

Fiz minha melhor voz manhosa, erguendo meu olhar. Natsume me encarou, sério.

– Nem pensar – respondeu.

Pisquei meus olhos, tentando imitar Wataru da melhor maneira possível.

– Por favor? – pedi.

Fiz minha melhor cara de cachorro pidão, Natsume engoliu em seco.

– Apenas uma taça – cedeu.

Sua voz saiu um pouco estrangulada, ele parecia estar em um conflito interno. Abri um sorriso, grata demais para descrever. Peguei a taça, minhas mãos tremiam um pouco. Tomei um gole, fechando os olhos. Eu estava quase chorando, meu interior parecia estar tentando expulsar as lesmas que eu comera.

– Por que eu fiz isso? – gemi, engolindo em seco.

Natsume pareceu sentir meu nervosismo, ele arregalou os olhos um pouco.

– Nina, tome o vinho – ele disse, desesperado – Tome o vinho.

Assenti, tomando mais um gole. O gosto do vinho lavou o sabor dos caracóis, mas não lavou minha mente das lembranças. Engoli em seco, tomando todo o conteúdo da taça sem hesitar. Coloquei a taça na mesa, enfiando o rosto nas mãos. Engoli em seco, tentando contar de um até cem para me acalmar.

– Respire, Nina – disse Natsume.

Não me mexi, apenas tentei contar. Respirei fundo várias vezes, engolindo em seco.

– A merluza com ervas, senhores – disse a voz do garçom.

– Obrigado – disse Natsume.

Ouvi o garçom depositar um prato diante de mim, mas não abri os olhos. Senti Natsume apertar minhas mãos, tirando-as de meu rosto.

– Pronto, Nina – ele disse – Coma.

Assenti, fixando meu olhar no novo prato. Era peixe, peixe era bom, peixe não rastejava, eu confiava em peixe. Funguei, piscando para me livrar das lágrimas que haviam se formado. Natsume encarava-me, estudando-me cuidadosamente. Peguei o garfo novamente, cortando um pedaço do peixe. Levei-o à boca, mastigando devagar. O sabor estava ótimo, suspirei de alívio. Engoli aquele pedaço, meu estômago parecia ter aceitado aquele prato.

– Tente comer, respire fundo – disse Natsume.

Assenti, ele continuou me encarando, preocupado.

– Eu estou bem, não se preocupe – falei – Coma seu prato.

Ele continuou me encarando, não parecia ter se convencido.

– Natt, coma – falei.

Ele piscou, senti meu estômago se revirar. Eu não devia tê-lo apelidado, apelidos são coisas intimas demais para o primeiro encontro.

Droga, aquilo não era um encontro.

– Você está bem mesmo? – ele perguntou.

Suas bochechas estavam um pouco vermelhas, mas seu rosto não exibia sinais de irritação. Ele não odiara o apelido, meu coração bateu normalmente outra vez.

– Estou, me desculpe – falei.

Ele me olhou nos olhos, tentei fazer uma expressão facial melhor.

– Tudo bem – ele disse.

Natsume encarou o próprio prato, sua comida estava intocada. Concentrei-me em comer meu peixe, meu interior já estava calmo outra vez. Só ergui o olhar depois da quarta garfada de merluza, percebendo que Natsume olhava para mim. Seus olhos não estavam críticos ou analíticos como de costume, ele encarava-me quase afetuosamente. Não consegui desviar o olhar, ele percebeu, mas também parecia não conseguir desviar o olhar.

Meu celular tremeu no bolso do meu casaco, fazendo-me dar um pulinho de susto. Aquilo foi como um balde da água fria, Natsume cortou nosso olhar. Suas bochechas ficaram um pouco mais vermelhas do que já estavam, ele concentrou-se em seu prato. Tirei meu celular do bolso, desbloqueando a tela para achar uma nova mensagem.

Como está seu jantar? Não estou atrapalhando, estou?

– Louis.

Respirei fundo, sorrindo involuntariamente. Digitei uma rápida resposta, sentindo o olhar de Natsume em mim.

Está... Intenso. Você salvou minha vida, obrigada.

– Nina.

Enviei a mensagem e guardei meu celular no bolso do casaco outra vez, Natsume desviou o olhar. Cortei mais um pedaço de peixe, colocando-o na boca e mastigando-o. Meu celular vibrou outra vez, engoli o peixe e peguei o aparelho.

Intenso? Como assim salvei sua vida?

– Irmão preocupado.

Soltei uma risadinha, quase pude vê-lo franzindo a testa. Louis era uma criatura incrível, eu dera muita sorte ao ganhá-lo como irmão.

Intenso no sentido “Teeenso”. Salvou minha vida ao evitar que eu pirasse, Natsume é sério demais.

– Irmã segura.

Enviei aquela resposta, guardando o celular. Senti Natsume me encarar, fingi que não tinha visto e cortei mais um pedaço de peixe. Outra mensagem chegou, eu não tinha nem colocado o garfo na boca. Mordi o peixe, apressando-me para pegar meu celular.

Haha, imagino. Tente não encara-lo muito, isso pode piorar.

– Irmão aliviado.

Sorri, sacudindo a cabeça. Digitei rapidamente uma resposta, não queria deixar Natsume ainda mais sério.

Não ria, é verdade. Obrigada, vou tentar do seu jeito. Como vai sua maratona de filmes? Você não está sendo mal educado ao ficar mandando mensagens no meio da sua sessão particular, está?

– Irmã sorridente.

Coloquei o celular sobre a mesa, assim pouparia tempo na hora de responder. Cortei mais um pedaço de peixe, enfiando-o na boca bem na hora em que outra mensagem chegara.

Vou tentar, me desculpe. Minha maratona vai bem, obrigado. Seria melhor se certa garota espanhola estivesse ao meu lado, mas eu me viro sozinho com meus travesseiros, eles não se incomodam com suas mensagens.

– Irmão que faria de tudo para ver o sorriso da irmã sorridente.

Abri um grande sorriso, soltando um suspiro. Natsume encarava-me fixamente, evitei seu olhar.

A garota espanhola está comendo um peixe incrível, mas também iria gostar de participar da sua maratona. Não maltrate seus travesseiros, e tente maneirar nas mensagens.

– Irmã que sorriu ainda mais depois disso :)

Enviei aquela e coloquei o celular na mesa, Natsume me encarava. Cortei mais um pedaço de peixe, colocando-o na boca. Meu celular tremeu outra vez, preparei-me para pegá-lo.

– Chega! – disse Natsume.

Meus músculos se enrijeceram, arregalei os olhos. Ele encarava-me fixamente, seu olhar parecia estar me congelando.

– Chega de mensagens, isso é muita falta de educação – ele disse.

Sua voz soou fria, porém irritada. Engoli em seco outra vez, deixando minha mão cair acima do meu garfo.

– Desculpe – falei.

Ele não respondeu, seu olhar fixou-se em seu prato. Respirei fundo, tentando não pegar meu celular e sair correndo. Eram apenas mensagens, seria bem pior se eu recebesse uma ligação e passasse o jantar inteiro ignorando ele, não é?

– Não, me desculpe – disse Natsume.

Ele ainda encarava o prato, parecia estar em outro conflito interno.

– Eu te chamei para jantar para poder te conhecer melhor, mas sou tão travado que tudo que consegui até agora foi quase fazê-la vomitar – ele disse, respirando fundo – Eu sei que você preferia estar com Louis agora, ele é bem mais sociável do que eu.

– Natsume – falei.

Ele respirou fundo, desviando o olhar até a pista de dança. Alguns casais dançavam, a música tinha uma batida romântica.

– Desculpe por tudo, essa noite deve estar sendo péssima ara você – disse Natsume, ainda sem me encarar – Vou te levar para casa, espere só um segundo.

Ele ia erguer a mão para chamar o garçom, mas impedi seu movimento com minha mão.

– Natt, chega – falei, quase aflita – Eu estou adorando, mesmo.

Sua mão era quente, grande, máscula. Era diferente da mão de Akira, da de Louis, da de Wataru, diferente de todas as mãos que eu já havia tocado. Ele encarou minha mão, entrelacei meus dedos nos dele.

– Eu adorei ter comido aqueles caracóis, mesmo quase vomitando logo em seguida – falei, rindo pelo nariz antes de continuar – Você não sabe o quanto essa noite está sendo incrível, eu estou adorando passar um tempo com você, de verdade.

– Nina – ele disse.

Esperei, ele parecia não ter mais palavras. Nossos pratos já estavam vazios, então ele não tinha mais o que encarar. Apertei sua mão, ele ergueu os olhos.

– Obrigada – falei, sorrindo ternamente – Por me trazer para jantar e por me fazer sentir tão bem, acho que eu não estaria tão contente se estivesse com Louis. Há coisas únicas que só você pode fazer, Natt.

Ele piscou, respirei fundo. Natsume me encarou, olhando-me no fundo dos meus olhos intensamente. Sustentei seu olhar, olhando-o no fundo dos olhos também. Vi tanta coisa naquele olhar, tanta coisa que eu não queria ver. Natsume era um homem solitário, ele morava sozinho há anos, não se enturmava muito. Ele lembrava Subaru nisso, mas parecia ser ainda mais solitário do que o outro. Apertei sua mão, ele continuou me encarando.

– Estou aqui, Natsume – falei – Você não está sozinho, eu estou aqui com você.

Ele piscou, ainda me encarando. Lentamente, quase bruscamente, ele afagou minha mão com seus dedos. Afaguei sua mão de volta, dirigindo-lhe meu sorriso mais gentil.

– Desculpe – ele disse, sua voz estava quase falha – Obrigado.

Assenti, suspirando. Ele afagou minha mão por um tempo, aquilo podia durar para sempre, eu não daria a mínima.

– Você aceita dançar comigo? – ele disse.

Pisquei, sentindo um sorriso incrédulo nascer em meu rosto.

– É sério? – perguntei, quase rindo.

Natsume me encarou, ele parecia ter entendido mal.

– Eu sei, é uma Idea estúpida – ele disse, desviando o olhar – Esqueça isso.

– Não, Natt – falei.

Coloquei minha outra mão acima da sua, apertando a mão dele com minhas duas mãos.

– Eu adoraria, de verdade – falei.

Sorri abertamente, sentindo meu coração transbordar de alegria. Aquilo era incrível! Eu já havia feito-o sorrir, rir, tocar-me... Aquele pedido era como a realização de um sonho.

– Sério? – ele perguntou.

Assenti, acalmando meu sorriso gigante em algo mais elegante e educado. Natsume sorriu de leve, soltando minhas mãos. Observei-o erguer-se da cadeira, ele dirigiu-se a mim e parou ao meu lado com a mão estendida para mim.

– Me concede esta dança, Srta. Kazama? – ele disse.

Sua voz estava cheia de cortesia, seu sorriso era educado e selvagem ao mesmo tempo. Ele estava feliz, aquilo eu podia ver. Abri um grande sorriso, aceitando sua mão.

– É claro, Sr. Asahina – respondi.

Ele sorriu ainda mais, finalmente mostrando os dentes. Meu sorriso cresceu, era quase como se minha boca estivesse tentando fugir. Ergui meu corpo, Natsume afagou minha mão com seus dedos, guiando-me à pista de dança. Uma nova música começou a tocar assim que toquei meus pés na pista, abri um grande sorriso ao reconhecê-la.

– Eles tocam U2 aqui – falei.

Natsume assentiu, sorrindo para mim. Ele parou diante do meu corpo, eu já vira aquilo em muitos filmes, sabia o que tinha que fazer. Posicionei minhas mãos em seus ombros, as mãos dele encontraram minha cintura. Encaixamos-nos como peças de um quebra cabeça, suspirei.

– Eu não sei dançar – confessei.

Ele riu, sacudindo um pouco a cabeça.

– Nem eu – confessou.

Ri, ele me acompanhou.

– Vamos tentar aprender juntos? – perguntei.

Ele assentiu, lançando-me um olhar gentil. Olhei em volta, tentando aprender o que os outros casais faziam. Concentrei-me nos passos de uma mulher de azul, guiando Natsume em nossa dança desajeitada. Eu não via seu rosto, mas sabia que ele estava sorrindo.

– Devemos estar parecendo um casal de velhos com artrite – falei.

Ele riu, suas mãos apertaram levemente minha cintura.

– Eu não me importo – ele disse.

Ergui meu rosto, encontrando seu olhar. Natsume era mais alto que eu, minha testa batia em seu nariz sem esforço, e eu estava de saltos. Ele olhava dentro dos meus olhos, retribuí seu olhar. Os olhos dele brilhavam como enfeites de uma árvore de natal, fiquei presa em seu brilho violeta. Percebi um pouco tarde demais que ele dançava muito bem, franzi a testa.

– Eu menti – esclareceu, parecia ter lido minha mente.

Fiz uma careta, ele riu.

– Não queria que você ficasse constrangida, valeu à pena – disse.

Revirei os olhos, cedendo-lhe um sorriso.

– Obrigada – falei.

Ele sorriu, desviei meu olhar. Havia apenas três casais na pista naquela hora, tínhamos espaço suficiente para nos afastarmos, mas eu não queria. Natsume tinha uma espécie de magnetismo, eu não conseguia me afastar. Continuamos dançando durante algum tempo, eu não sei dizer exatamente o quanto, mas sentia como se estivesse flutuando nos braços de Natsume.

– Quer continuar dançando? – perguntou Natsume.

Pisquei, olhando em volta. A música havia acabado, eu não tinha percebido.

– Nina? – chamou-me Natsume.

Encarei-o, surpreendendo-me com que eu tinha visto. Sua expressão estava muito serena, ele sorria naturalmente. Seus olhos estavam quase fechados, como se ele estivesse olhando algo muito adorável.

– Podemos dançar mais uma? – perguntei.

O sorriso dele cresceu, ele assentiu. Assenti de volta, apertando um pouco seus ombros.

Eu podia passar a noite toda dançando com ele, mas nunca seria suficiente.

**~**~**~**

– Quer voltar para casa agora? – perguntou Natsume.

Neguei com a cabeça, lançando-lhe um sorriso. Ele sorriu de volta, olhando-me rapidamente antes de voltar a prestar atenção na rua.

– Tem algum lugar em mente? – ele perguntou.

Mordi o lábio, ele esperou.

– Me surpreenda – falei.

Ele sorriu, parecia ter gostado da minha resposta. Estávamos em seu carro, ele dirigia na velocidade permitida. Havíamos saído do restaurante há uns dez minutos, dançáramos três músicas ao todo, até Natsume perceber que tinha passando muito das dez e meia da noite. Ele estava muito mais leve depois daquelas danças, eu podia perceber isso apenas observando-o respirar.

– Você gosta de lugares ao ar livre? – ele perguntou.

Pisquei, sorrindo ao ser retirada dos meus devaneios.

– Adoro, na verdade – falei.

Ele sorriu, assentindo. Olhei pela janela, um sorrisinho bobo tomava meus lábios. Não havia muita gente nas ruas, mesmo sendo Tóquio. O trânsito também estava leve, Natsume só parava nos sinais. O rádio estava ligado, uma suave melodia tocava em um volume agradável. Eu ainda podia ouvir minha própria respiração, o que era muito calmante.

A velocidade foi reduzida, olhei em volta. Natsume estacionou o carro em um estacionamento vazio, a rua era iluminada apenas por um poste.

– Vamos – ele disse.

Assenti, abrindo a porta do carro. Saí, olhando em volta. Natsume bateu sua porta, também olhando em volta.

– Onde estamos? – perguntei.

Natsume sorriu, esperei.

– Parque Yoyogi, Shibuya – respondeu.

Assenti, mesmo não reconhecendo o nome. Eu não sabia muito sobre o Japão, mesmo morando aqui há dois anos. Digamos que não se pode fazer turismo quando se está preso em um orfanato, e eu gastava tempo demais me lamentando para pegar um mapa e estudar um pouco.

– Venha por aqui – disse Natsume.

Assenti, seguindo-o até a calçada. Não havia ninguém ali, mesmo sendo em Shibuya.

– Eu venho muito aqui, nós todos, eu digo – disse Natsume – Esse lugar fica cheio na época da floração das cerejeiras, mas enquanto elas estão fechadas, as pessoas não vêm aqui tão tarde da noite.

Assenti, sorrindo de leve. Natsume me olhou de esguelha, enfiei as mãos nos bolsos do casaco.

– Vamos te trazer junto na próxima floração, não se preocupe – ele disse.

Assenti outra vez, sorrindo um pouco mais. Natsume parecia querer dizer mais alguma coisa, mas fechou a boca e encarou o caminho que trilhávamos. Caminhamos durante mais alguns metros, alguns postes iluminavam o lugar, mas eu não pude ver tudo. Tinha uma ponte mais à frente, varias cerejeiras nos ladeavam, como se o parque quisesse nos abraçar.

– Esse lugar é lindo – falei.

Natsume sorriu, parecia minimamente aliviado.

– É mesmo – ele disse – Fica melhor quando está tudo claro, mas continua sendo lindo.

Assenti, sorrindo. Ele olhou-me rapidamente, fiquei calada.

– Nós sempre ficamos nessa parte – ele disse.

Sua mão indicava um ponto bem à nossa frente, sorri.

– Boa localização – falei.

Era verdade, eles ficavam perto da ponte e das cerejeiras. Era um belo lugar, assim como o rosto do parque inteiro.

– Eu já caí nesse lago uma vez – disse Natsume.

Arregalei os olhos, encarando-o. Ele quase riu da minha expressão, encostando-se à cerca de madeira.

– Como foi isso? – perguntei.

Natsume riu pelo nariz, recordando-se de algo.

– Wataru estava tentando pegar em um pato ou coisa parecida, ele estava quase caindo quando eu resolvi puxa-lo – contou – Mas, é claro que algo tinha que acontecer e eu acabei caindo no lugar dele. Acabei quase beijando o maldito pato, e caí de novo quando Tsubaki, bêbado, tentou me puxar para fora.

Fiz muito esforço, mas foi em vão. Ri, tentando abafar minhas risadas com as mãos. Ele percebeu o que eu estava tentando fazer, então segurou meus braços no lugar.

– Ria, fiquei à vontade – ele disse.

Não me segurei, explodi em uma risada. Ele acabou rindo junto comigo, sua risada era tão linda que me fez parar de rir apenas para ouvi-la. Fiquei encarando seu rosto, sem me importar em saber que aquilo ia deixa-lo constrangido. Seu rosto era tão lindo, igual ao rosto dos outros gêmeos, e tão diferente deles ao mesmo tempo. Ele tinha um pequeno sinal no queixo, assim como Tsubaki tinha um perto do olho esquerdo e Azusa tinha um perto do olho direito. Eram todos iguais, mas, de alguma forma, O de Natsume parecia ainda mais charmoso. Ele percebeu que eu estava encarando fixamente seu rosto, suas bochechas coraram de leve. Abri um grande sorriso, mas não desviei o olhar.

– Wataru está sempre nos fazendo passar por situações bizarras, não é? – falei.

Natsume assentiu, dei uma risadinha.

– Ele está ficando muito esperto, principalmente perto de você – disse Natsume.

Franzi as sobrancelhas, confusa.

– Ele me parece um garotinho normal, só é mimado demais – falei – Ele é muito inocente também, mas é por causa da idade.

Natsume revirou os olhos, encarando o lago.

– Ele estava agarrando seus seios quando eu cheguei à mansão, você acha que isso é comportamento de um garotinho inocente? – perguntou.

Neguei com a cabeça, rindo pelo nariz.

– O Azusa disse algo sobre o pequeno ter puxado ao Ukyo nisso, eu não entendi muito bem – falei – O que o Ukyo fez?

Natsume pareceu querer rir, ele não me encarou.

– Ukyo gosta de mulheres com seios grandes – contou – Quando ele era mais novo, ele ficou tão bêbado em uma festa que agarrou uma garota e enfiou a cara nos seios dela.

Escancarei a boca, rindo de forma desembestada. Natsume deu uma risada rápida, aquele som era forte, diferente da risadinha de Louis.

– Meu Deus! Eu nunca imaginaria algo assim – falei, rindo – Logo o Ukyo? Não acredito.

Ri mais um pouco, respirando fundo para tentar parar. Natsume sorriu para o chão, cruzando os braços acima do peito.

– Wataru sempre gostou de mamar, ele adorava brincar com os seios da mamãe – contou, rindo pelo nariz – Acho que é por isso que ele gosta dos seus.

Ri, sacudindo a cabeça.

– Por que ele não agarra os da Ema? Ela também tem peitos – falei.

Natsume deu de ombros, lançando-me um rápido olhar.

– Os seus são maiores – ele disse.

Arquejei, espremendo os lábios. Natsume pareceu não perceber que me constrangera, mas eu tive mais vontade de rir do que vontade de desviar o olhar.

– Tsubaki disse que também queria enterrar a cara nos meus peitos, isso é de família? – perguntei.

Natsume deu de ombros, sem me olhar.

– Deve ser – ele disse.

Mordi o lábio, lançando-lhe um olhar travesso.

– Então isso significa que você também quer enfiar a cara nos meus peitos? – perguntei.

Ele arregalou os olhos, olhando-me rapidamente. Lancei-lhe um olhar malicioso, sorrindo como a louca que era. Ele desviou o olhar, corando.

– Claro que não! – respondeu, engolindo em seco.

Ri, fechando os olhos. Natsume continuou encarando o chão, suas bochechas voltaram ao normal aos poucos.

– Então não diga que é de família, ou você também estaria incluído nessa lista de tarados por peitos – falei.

Ele sacudiu a cabeça, querendo rir. Ri da cara dele, sacudindo a cabeça.

– Eu nunca mais vou ver o Ukyo da mesma forma agora – confessei.

– Como você o via antes? – perguntou Natsume.

Pensei um pouco, olhando em volta rapidamente.

– Como um advogado sério e reservado que jamais iria enterrar a cara nos peitos de uma garota? – chutei – Talvez como meu irmão mais velho, mas eu nunca pensei que ele seria capaz disso.

Natsume riu pelo nariz, encarando-me.

– Ele pode ser daquele jeito, mas continua sendo um homem – ele disse – Todos nós somos homens, passamos a vida toda entre homens em casa, mas ainda somos, queremos, sentimos e fazemos coisas de homens.

Fiz uma careta, estremecendo.

– Até o Louis? – perguntei.

Natsume assentiu, estremeci outra vez.

– Vocês não parecem homens – falei.

Natsume me olhou, cético. Ri, erguendo as mãos em rendição.

– Desculpe, eu não quis dizer isso, saiu tudo errado – falei, rindo – Eu quis dizer que vocês não parecem o tipo de homem que enterra a cara nos peitos de alguém, isso é coisa de tarado.

Natsume fez uma careta, ri ainda mais.

– Ukyo estava bêbado, não foi algo pensado – ele disse.

Neguei com a cabeça, tentando parar de rir.

– O que se faz bêbado é pensado sóbrio, nem tente defendê-lo, não vai me convencer – falei.

Ele bufou, sacudindo a cabeça.

– Todo homem gosta de seios, todos os que gostam de mulher, pelo menos – ele disse.

Encarei-o, cética.

– Até você? – perguntei.

Ele assentiu, voltando-se para me encarar.

– Então você também faz parte da gangue de tarados que quer enfiar a cara nos meus seios? – chutei – Você disse todas as pistas, não tente negar.

Ele arregalou os olhos outra vez, afastando-se de mim como se eu estivesse armada. Soltei uma gargalhada, dando-lhe uma tapa brincalhona no braço. Ele franziu as sobrancelhas, parei de rir.

– Desculpa! – falei, afastando-me dele.

Ele expirou com força, sacudindo a cabeça.

– Doida – falou.

Mordi o lábio, tentando não rir. Ele pareceu não querer, mas cedeu-me um sorriso. Ri de novo, percebendo que ele não havia negado minha pergunta.

– Venha, eu vou te deixar em casa – ele disse, desencostando-se da cerca antes que eu pudesse levantar a questão novamente.

Fiz um bico, soltando um muxoxo.

– Já? – perguntei.

Ele assentiu, lançando-me um olhar rápido.

– Já são onze e quarenta da noite, você deve estar cansada – ele disse.

Assenti, fazendo um biquinho. Ele começou a andar, lançando-me um olhar sugestivo. Segui-o, respirando fundo. Havia sido uma conversa e tanto, mas eu não queria ir embora. Passar a noite com Natsume estava sendo assustadoramente agradável, eu não queria que o encanto se quebrasse. E se, talvez, quando nos víssemos de novo ele comece a agir como se nada tivesse acontecido? E se ele continuasse me detestando, mesmo depois daquela noite?

(Música)

– Natsume? – chamei.

Ele olhou para mim, eu estava ficando para trais. Apressei-me a alcança-lo, mordendo o lábio.

– Por que não gosta de mim? – perguntei.

Ele piscou, olhando-me como se eu tivesse acabado de dizer que o Shrek é um gato.

– O que? – disse, confuso.

Respirei fundo, querendo recuar, mas já tinha falado demais.

– Você não gosta de mim, não é? – falei – Eu só queria saber o motivo.

Ele expirou rapidamente, como se estivesse ouvindo algo muito absurdo.

– Por que você acha que eu não gosto de você? – perguntou.

Poxa, ele quer a lista?

– Você me evita, quase nunca fala comigo, age de uma maneira estranha quando eu chego perto – falei, suspirando – O que eu fiz pra você? Às vezes você me olha como se eu tivesse chutado um cachorro, eu sou assim tão repulsiva?

Ele piscou, ouvindo o que eu dissera sem dizer nada.

– Eu sei que você é sério, mas até o Ukyo sorri para mim – confessei, engolindo em seco – Eu preciso me fazer de burra ou falar alguma besteira pra você poder parar de agir como uma estátua, isso é muito estranho. Eu me dou bem com todo mundo, menos com você. Por quê? O que eu fiz de errado?

Ele me encarou, franzindo o cenho.

– Isso dói, Natsume – falei, respirando fundo – Dói muito, de verdade. Você é meu irmão também, eu quero me conectar com você. Eu não sei mais o que fazer, quando mais eu tento, mais difícil fica derrubar suas barreiras. Eu sinto como se eu estivesse tentando fazer uma coisa muito errada, você me odeia tanto que...

– Nina! – gritou Natsume.

Ele segurou meus dois braços, empurrando meu corpo contra a cerca de madeira. Arregalei os olhos, meu corpo tremeu. Natsume encarou meu rosto, seus olhos pareciam estar em chamas.

– Eu. Não. Odeio. Você – disse, arrepiando-me por completo – Não diga algo sem ter certeza, não é justo para ninguém.

Pisquei, ele continuou me segurando. Sua respiração esquentava meu rosto, seu rosto estava muito perto do meu. Engoli em seco, ele apertou meus braços com força, desviando o olhar.

– Não é justo, Nina – ele disse – As coisas que você diz, isso não é justo.

Ele fechou os olhos, respirando fundo. Esperei, minha expressão devia ser de pavor total. Eu não tinha medo dele, mas aquele grito me surpreendera muito.

– Eu não quero passar por isso de novo, eu não aguento, não outra vez – ele disse, ainda de olhos fechados – Eu nunca senti... Eu nunca fui tão...

Ele arquejou, tentando encontrar as palavras certas. Suspirei, a voz dele saíra tão dolorosa. Eu não sabia o que tinha acontecido com ele, mas devia ser algo muito ruim.

– Foi horrível, eu nunca me senti tão impotente – ele disse – Eu não quero aquilo de novo, mas você é tão forte...

Ele deixou a voz morrer, soltando meus braços. Seu corpo não se afastou, ele baixou a cabeça.

– Me desculpe – disse.

Pisquei, soltando um suspiro. Natsume fez menção de se afastar, mas eu não deixei. Segurei-o pelos ombros, puxando-o de volta com força. Seu corpo colidiu-se contra o meu, ele ofegou. Abracei-o com força, ele não reagiu.

– Eu não sei o que aconteceu, mas não é minha culpa – falei, exasperada – Eu não fiz nada de errado, pelo menos eu acho que não.

Ele não disse nada, nem mesmo se mexeu. Continuei abraçando-o, tentando acalma-lo de alguma forma ainda desconhecida.

– Eu sinto muito, Natsume – falei – Sinto muito. Eu não sei o que foi, mas já passou.

Ele respirou fundo, fiz o mesmo. Afaguei seus cabelos, ele suspirou pesadamente.

– Já passou, Natt – falei, minha voz saiu bem delicadamente – O pior já passou, eu prometo.

– Nina – ele disse.

Sua voz estava sofrida, meus olhos se arregalaram. Abracei-o com ainda mais força, respirando contra a pele de seu pescoço.

– Eu estou aqui, Natsume – falei – Você não está mais sozinho, eu estou aqui.

Arquejei, mordendo o lábio. O cheiro dele era tão inebriante quanto o de Tsubaki, eu não conseguia larga-lo.

– Nina – ele disse.

Sua voz não estava tão sofrida, estava quase exasperada agora. Engoli em seco, afrouxando meu aperto em volta de seu pescoço.

– Não, não me solte ainda – ele disse.

Natsume envolveu minha cintura com seus braços fortes, colando nossos corpos outra vez. Ele respirou fundo, enterrando o rosto em meus cabelos. Abracei-o com força, ele fez o mesmo comigo.

– A culpa não é sua, Nina – ele disse – Me desculpe por te afastar, eu não sabia como... Eu não conseguia... Não de novo, não depois de...

– Para! – falei, exasperada outra vez – Não diga, não diga nada.

Ele parou de falar, obedecendo-me como se eu fosse a mais velha ali. Aspirei seu cheiro, engolindo em seco.

– Me deixa entrar, Natsume – falei – Por favor, me deixa entrar.

Ele não disse nada, apenas abraçou-me com mais força. Interpretei aquilo como uma resposta positiva ao meu pedido, arquejei de alegria. Natsume respirou fundo, afrouxando seu abraço. Meus braços caíram ao lado do meu corpo, ele segurou-me pelos braços. Seu rosto estava sério, mas ele não parecia estar sofrendo tanto quanto antes.

– Natt – chamei.

Minha voz saiu bem baixinha, como um sussurro. Natsume ergueu o rosto, encarando-me.

– Obrigada – falei – Eu estou com você, prometo.

Ele me encarou durante vários segundos, até soltar um suspiro pesado. Soltei meus braços de seu aperto, erguendo minha mão até tocar seu rosto. Afaguei sua bochecha esquerda, ele fechou os olhos, inclinando a cabeça em direção à minha mão.

– Vamos para casa – falei.

Ele assentiu devagar, ainda de olhos fechados. Tirei minha mão de sua bochecha, ele abriu os olhos. Eu ainda estava de fora, mas tinha finalmente quebrado o muro.

Agora era só pular os destroços e entrar.

**~**~**~**

– Eu te levo até a porta – disse Natsume.

Assenti, sorrindo minimamente. Ele saiu do carro, fechando sua porta com um baque surdo. Eu estava me sentindo muito mais leve depois daquele nossa conversa, mas ele estava muito mais calado depois disso. Eu sabia que era difícil para ele, mas ele estava disposto a me deixar entrar, e aquilo era o suficiente para mim.

Natsume abriu a porta do carro, deixando o caminho livre para minhas pernas passarem. Saí do carro, ele fechou a porta. O portão já estava trancado, deveras, eram meia noite e meia. Por sorte, Natsume tinha a chave. Ele abriu os portões, abrindo-os para que eu pudesse entrar.

– Obrigada – falei.

Ele assentiu, cedendo-me um sorriso microscópico. Suspirei, entrando no jardim. Natsume veio atrás de mim, fechando os portões levemente. Fiz menção de andar, mas ele segurou minha mão.

– Espere – pediu.

Virei meu rosto, ele apertou minha mão.

– Eu disse que ia te levar – ele disse.

Sorri, ele sorriu um pouquinho. Entrelacei nossos dedos, iniciamos nossa caminhada pelo jardim da mansão. As luzes da casa ainda estavam acesas, pude ver uns três irmãos meus com os narizes colados contra algumas janelas aleatórias. Ri, Natsume me olhou.

– Já passa da meia noite, você vai apanhar – brinquei.

Ele bufou, mas cedeu-me um sorriso maior.

– Eles não têm o direito de exigir nada de você, e muito menos de mim – ele disse – Se eu te chamei para jantar, isso significa que você é minha por uma noite. Eles não podem se meter, não é da conta deles.

Pisquei, virando-me para encara-lo. Natsume olhou-me intensamente, como se me desafiasse a dizer alguma coisa.

– Tem razão – falei.

Ele assentiu, sorrindo de leve. Sorri de volta, tentando fingir que não via que o número de irmãos nas janelas cresceu para quatro, incluindo Ema e o esquilo, Juli.

– É aqui que eu te deixo – disse Natsume.

Assenti, parando diante do batente da porta. Olhamos-nos por alguns segundos, talvez quase um minuto, não sei dizer ao certo. Natsume não soltou minha mão, e nem eu soltei a dele.

– Eu posso abraçar você outra vez? – perguntou.

Não respondi com palavras, apenas abri os braços. Ele deu um meio sorriso, aproximando-se de mim. Não soltamos nossas mãos, ele me abraçou. Abracei-o de volta, soltando nossas mãos para enlaçar seu pescoço com meus braços. Suas mãos fixaram-se em minhas costas, mesmo com o casaco que eu vestia, seus dedos pareciam dar choques em minha pele.

– Obrigada pela noite – sussurrei em sua orelha.

– Não há de que – respondeu, sussurrando de volta.

Fechei meus olhos, ele liberou-me de seu abraço. Sorri para ele, lembrando-me de algo muito importante.

– Posso te dar um conselho? – perguntei.

Tentei não morder o lábio, ele assentiu.

– Tente sorrir com mais frequência – falei – Você fica muito lindo quando está sorrindo.

Ele corou, desviando o olhar. Ri, sacudindo a cabeça.

– Mas fica ainda mais lindo quando cora – falei.

Ele não me encarou, ainda corando. Ri, inclinando-me em sua direção. Ele não se mexeu, depositei um beijo em sua bochecha. Quando retornei à minha posição normal, Natsume virou o rosto para me olhar.

– Boa noite, Natt – falei.

Peguei sua mão, apertando-a de leve. Natsume me encarou, sorri para ele, e ele sorriu para mim quase automaticamente.

– Boa noite, Nina – respondeu.

Nossos dedos escorregaram-se uns nos outros, soltando nossas mãos. Sorri para Natsume uma última vez, ele sorriu de volta. Eu não queria ter soltado sua mão, mas abri a porta de casa. Entrei, olhando para trás uma vez. Ele sorriu ao ver meu gesto, sorri abertamente, entrando de vez e fechando a porta. Pude ouvir seu suspiro, eu não queria mesmo ter soltado sua mão.

**~**~**~**

Deitei na minha cama, soltando um suspiro pesado.

Tinha sido uma semana e tanto, eu nunca me sentira daquele jeito.

Miwa havia voltado, eu havia dito a verdade sobre Akira, ela havia dito que já sabia, surpreendendo-me por completo.

Akira e eu havíamos feito amor, fortalecendo nossos laços como nunca antes. Éramos um só, estávamos fundidos um no outro.

Natsume havia me levado para jantar, havíamos nos dado bem. Foi difícil, mas ele finalmente sorrira para mim. Eu havia derrubado o muro que ele havia construído, e ele me deixara entrar. Havíamos nos abraçado, e mesmo depois de tomar banho e trocar de roupas, eu ainda sentia o cheiro dele como se nunca tivéssemos nos soltado.

De alguma forma, eu sentia como se minha vida estivesse mudando de novo. O processo de adaptação já estava feito, todos os meus irmãos já reagiam a mim como eu queria. Era como se a primeira fase daquele jogo incrível estivesse se completando, e o boss final havia sido derrotado naquela noite. Sorri com o pensamento, droga de namorado lindo e gamer.

Levei um pequeno choque, lembrando-me de um ponto importante. Peguei meu celular, abrindo a última mensagem.

Queria que você estivesse aqui, talvez assim o filme ganhasse algum sentido. Só estou abraçando meus travesseiros, podia ser você, sabia?

– Irmão que te ama (muito).

Suspirei, sentindo um sorriso lento espalhar-se em meu rosto. Louis já estava dormindo quando eu cheguei, e eu esquecera-me de ler sua mensagem. Por mais que eu amasse Louis, ter tido aquela conversa com Natsume foi muito melhor do que trocar mensagens durante mais tempo.

Ouvi alguém batendo em minha porta, soltei um suspiro.

– Onee-chan? – chamou-me.

Sorri, pulando da cama para abrir a porta. Wataru esperava-me do lado de fora, ele agarrava a hiena que eu havia lhe dado. Seus cabelos estavam bagunçados, ele estava morrendo de sono. Wataru também já havia dormido quando eu cheguei, o que me surpreendera. Alguém devia tê-lo convencido, ele nunca iria por conta própria,

– Eu tive um pesadelo – contou.

Sorri, ele fungou.

– Venha, a onee-chan tá aqui – falei.

Ele assentiu, abri espaço para ele. Wataru entrou no quarto, dirigindo-se à minha cama. Fechei a porta, indo para a cama também. O pequeno já havia deitado quando eu cheguei, mas aconchegou-se ao meu corpo com força assim que deitei. A hiena de pelúcia ficou atrás dele, abracei-o com força.

– Durma, minha hiena – falei – Eu estou aqui com você.

Ele fechou os olhos, enterrando a cara em meus seios. Esforcei-me para não rir, sacudindo a cabeça.

Se adorar peitos era parte do gene dessa família, então eu estava ainda mais certa de que todos eles eram especiais.

IMAGEM ESPECIAL

Ema Hinata (Segunda temporada).

Notas finais
E aí, como foi? Querem escargot para acompanhar a leitura ou vocês passaram mal só de ler? Imagem de hoje---> http://img1.wikia.nocookie.net/__cb20131118003140/brothersconflict/images/thumb/9/98/Ema_Hinata%27.JPG/32https://www.youtube.com/watch?v=i8q8fFs3kTM1px-Ema_Hinata%27.JPG Próximo capítulo: 20/11/2014. Roupa da Nina: http://www.polyvore.com/nina_kazama_encontro/set?id=129491593 Roupa do capítulo passado que eu esqueci de colocar: http://www.polyvore.com/nina_kazama_orfanato/set?id=138874180 Beijo...