The Minstrel
1 Prelúdio: Registros históricos.
Prelúdio: O contador de histórias, O Menestrel.
Desde os tempos mais remotos, fatos que não podiam ser explicados ocorriam em diversas regiões do mundo com diferentes povos que vagavam pela terra selvagem. Os antigos, ou respeitosamente chamados de anciões, os traduziam em lendas e cultos que adentravam na cultura de seu povo como raízes e ali permaneciam enquanto a manutenção destas continuasse, ditando os fatos para cada geração seguinte, permitindo assim que a história permanecesse viva e alimentando a origem de tudo isso.
Dizem que as palavras tem um poder, um significado, uma função. Palavras podem influenciar decisões, opiniões, respostas. O seres humanos usam-nas como forma de comunicação, começou com desenhos em cavernas e rochedos, evoluíram para urros, gestos até nossa linguagem, isto é, a fala, que usamos atualmente.
Nos dias atuais, tudo é tão padronizado e corriqueiro que não percebemos o poder que elas tem em nossas vidas, e se cada silaba fosse a semente de uma grande colheita e se cada palavra fosse fruto de um pessegueiro, se tudo então viesse a ser parte de um grande plano maior.
A história ganha vida, nós mantemos ela viva.
PANGEIA – REGIÃO DA ÁFRICA, Data Desconhecida – Período Paleolítico.
Lascas de pedras se colidiam causando faíscas, um dos poucos hominídeos a residirem sobre a terra selvagem descobria o fogo em sua caverna úmida. Quando a brasa caiu sobre a palha seca, seus olhos famintos por conhecimento se arregalaram quase fora de sua orbita, ele grunhiu e pulou como se festeja-se, aproximando-se do fogo ele observou-o com atenção enquanto a luz da chama dançava sobre suas íris.
Enquanto pela savana ouvia-se o rugido dos felinos e o trote das manadas, fugindo em debandada pelo início da penumbra, o homem se abrigou em seu refúgio, agora iluminado por sua descoberta, tendo certeza de que a grandiosa luz o protegeria enquanto a escuridão reinasse. Deitado sobre a rocha fria, ele permaneceu fitando o dourado, até que adormeceu.
Em uma época em que as cidades grandes não cobriam território e o mundo era selvagem, o céu noturno poderia exibir sua grandiosidade infinita, de grandes e diversos brilhos, as estrelas preenchiam o céu, assim como as poucas galáxias que ainda eram próximas do planeta e é claro o rastro da nossa galáxia – Via Láctea – que cruzava o céu de ponta a ponta até onde a vista poderia alcançar. As noites poderiam ser calmas para aqueles que soubessem onde plantar suas sementes e dali fazer seu povoado, apesar dos homens das cavernas serem considerados nômades, constantemente viajando, fugindo de ambientes desagradáveis que não fornecessem temperatura agradáveis, alimento em abundância e acima de tudo segurança do mundo selvagem. Porém, muitos tinham a felicidade de poder encontrar um local em que todos os padrões residiam ali ou em seus arredores.
Naquela noite foi um dos primeiros registros datados da pré-história que uma vida acima de quaisquer conhecimentos que os homens possam compreender, graças à capacidade do homem primata de registrar momento através de sangue e fezes de animais, ou até mesmo suas, muitas rochas acabaram servindo como um diário de vida primitiva e nos permitiram aos dias atuais compreender e contestar inúmeros fatos. A relva seca que cobria os pastos estava toda amassada pela manada enfurecida que passará ali pelo crepúsculo, os felinos estavam em suas árvores, assim como os pássaros afugentados em suas copas.
Foi quando tudo aconteceu... Tão de repente, eles vieram.
Um assobio rompeu-se por todo vale e um jorro de luz rasgou o céu, parecia um cenário que se distorcia – contraindo-se e esticando-se – e em seguida tudo se acalmou. Como uma pedra que cai em um lago e provoca pequenas e seguidas ondas o mesmo ocorreu quando uma sombra invadiu a atmosfera investindo contra a Terra lentamente. Os círculos se espalhavam até o horizonte e desapareciam silenciosamente. Sua forma incendiou-se conforme ganhava velocidade e se aproximava, revelando-se então algo que para nós seria uma nave. Até então o primitivo já havia acordado com tantas perturbações à seu habitat, seus olhos estavam refletindo toda aquela luz, curiosos e perturbados, trocando olhares entre sua pequena fogueira e as chamas que alastravam-se pela abóboda, grunhia e pulava, socava o chão em festa, pensava então que era fruto de sua engenhoca.
A bola de fogo veio a baixo com tremenda velocidade, rodopiando em seu próprio eixo, deixando um rastro de fumaça e chamas, fazendo a terra tremer com tanto barulho. Uma cortina de pássaros cruzava a noite desesperada, os animais terrestres fugiam e se escondiam assustados com o acontecimento.
Logo caiu por terra a poucos quilômetros dali.
A curiosidade invadiu o homem, mas a escuridão envolta amedrontava-o. Olhava a sua volta, sem saber o que fazer, espreitando com os olhos a luz longínqua que emanava o objeto. A fogueira o chamou estalando brasas, como se dissesse, “me leve contigo”. Até que então apanhou uma lenha e a chama que a queimava acompanhou-a, isto despertou-lhe surpresa, a cada momento era uma nova descoberta.
Passos desordenados e respiração confusa, ofegante e destrambelhado. Já era fase em que se andava ereto, mas a cabeça era esticada à frente com o queixo saliente. Iluminava a escuridão à sua frente agitando a tocha, então olhos brilhavam na escuridão – animais amedrontados – e abria caminho na relva com seus pés gigantes. A luz se aproximava cada vez mais, afundando-se em uma larga cratera.
Estava ali a sua frente, uma enorme pedra esculpida, tinha aspecto de uma opala. Refletia toda a imensidão do céu, como se uma galáxia residisse em sua face. Sua ponta afundou-se na areia queimada, algumas áreas se tornaram sólido cristal com tamanho calor. Um cheiro de carne assada e enxofre tomava conta do local radicalmente, era desconfortável. Órgãos, sangue, pele, tudo estava espalhado pelo chão e ele pisava, sem se importar, era selvagem notavelmente.
Permaneceu na borda da cratera, com seus pés ungidos em sangue e restos. Fitava curioso o objeto que despencou dos céus, era brilhante e lindo, emitia um som engraçado e suave, como o de uma baleia jubarte. Então a pedra partiu-se o meio, descomprimindo-se, um intenso frio tomou conta do local no momento. Três ou quatro sombras ficaram postas ao arredor da grande opala, tocando-a com seus membros esguios, vozes aguçadas e roucas, indecifráveis.
Recuou com voracidade, estava assustado e acabou caindo entrelaçando seus pés, mergulho seu corpo em toda aquela podridão gerada pela queda, a tocha se apagou. Desesperado, ele levantou-se e correu sem rumo, tentando encontrar o caminho de volta na escuridão.
Certamente ele encontrou seu caminho, e registrou tudo que viu com o sangue que permaneceu em seu corpo. Atualmente os registros deste acontecimento podem ser encontrados em acervos virtuais ou em galerias de rochas no oeste do continente africano. Desenho vago, mas explicativo. Uma bola – a pedra – e vários homenzinhos ao seu arredor – as sombras. Muitos historiadores contam que isso são hominídeos, ao arredor de uma simples rocha. É apenas uma forma de ocultar isso das pessoas, de não gerar pânico. Apenas uma pessoa de onipotência, onisciência e onipresença, seria capaz de nos afirmar isso.
Este sou eu, O Menestrel.
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