The Midnight Storyteller
5 Nunca incomode os mortos
Notas iniciais
xoxo , Bells '
Amélia sorriu um pouco ao abrir a abrir a porta do carro. Mas a sensação de alívio acabou quando ela pisou com seus sapatos negros no chão molhado e terroso. Ela abriu uma sombrinha, seguindo para o túmulo do senhor Bates. O cemitério era um lugar tão calmo, mas ao mesmo tempo escondia na sua beleza pacífica um manto de terra e tristeza, velado por corpos em seus caixões. Tantas pessoas repousavam aos seus pés, pessoas que nunca mais seriam vistas, pessoas que só existiram nas lembranças de seus amados. Mas para ela o cemitério sempre fora mais do que um repouso final, para ela o cemitério era algo muito mais sombrio, frio e cruel. Ela fechou o casaco e depositou o buquê vermelho de rosas no túmulo, virando-se para sair, quando alguns adolescentes passaram rindo e gritando.
- Será que você poderiam parar? Os mortos não gostariam de ser incomodados. – Amélia disse, sobriamente e obteve uma rodada de risos. Mas ao mesmo tempo fez com que eles fossem até ela.
- Atrapalhar os mortos, mas que idéia de doido. – Uma menina de mais ou menos quinze anos respondeu, rindo um pouco, olhando para Amélia.
- Idéia? Claro que não, minha cara, isso realmente aconteceu. Á uma menina de quinze anos, assim como você e seus dois amigos. Mas acho que vocês não vão querer ouvir a história. – Amélia seguiu uns passos á frente, mas eles imploraram que ela contasse. Então ela seguiu até uma árvore, a árvore mais alta do cemitério e apontou três túmulos.
“Aqui jaz três adolescentes. A menina, Lucy, e os irmãos, Charles e Daniel. Era uma noite escura, fria e cinzenta quando os três vieram passear no cemitério. Eles contaram histórias de terror, brincaram com os nomes de mortos, simplesmente perturbaram a paz sagrada deles. Mas naquele dia, algo mudaria. Eles se dirigiram á um túmulo de um senhor, o senhor Alaric Grountemberg, que era o homem mais ranzinza da cidade inteira, as vezes era considerado o mais chato. Mas todos o respeitavam porque ele era sábio na vida, fazia as escolhas certas e amava sua esposa, que jazia morta no túmulo do lado. Lucy foi até o túmulo e riu, zombando das escolhas que ele tinha feito quando vivo, da esposa que escolheu da vida que levava. E falou que ele merecia ir para o inferno, porque tinha sido ruim com as crianças que invadiam sua casa para pegar moedas. Os outros dois fizeram coro e, numa cantiga desajeitada sobre o velho Alaric, jogaram uma pedra que partiu um pedaço da sua lápide. Eles riram muito, até que o velho salgueiro do cemitério começou a se contorcer com o vento. E começou a chover, muito forte. Foi quando Lucy ouviu seus irmãos gritarem. Eles estavam sendo arrastados por um senhor magro. Ela viu o túmulo de Alaric aberto, mas não quis acreditar nos seus olhos, parecia ter saído de um filme de terror. Ela correu, mas não em direção á saída e esse foi o seu erro. No dia seguinte, acharam os corpos de Lucy e seus irmãos enterrados debaixo dessa árvore, suas lápides em pedra negra com os dizeres: ‘A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens.’ Mas a principal parte foi que Alaric estava do lado de fora de sua tumba, com uma pá, recostado na árvore, duro e parado como uma estátua. E ali ele ficou, até o presente dia, tomando conta dos arruaceiros e vândalos, que nunca saem desse cemitério com vida. Até hoje as pessoas dão flores e acendem velas para que ele toma conta dos seus mortos. Então se eu fosse vocês, eu faria questão de não incomodar os mortos.”
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