The Magic In me
17 Flashback
Passaram-se dias e dias desde a ultima vez que vi a Mila e comecei a ficar preocupada, embora não tenhamos estado muito próximas desde que Lana ganhou os poderes dela, sempre há tempo para uma sms, uma chamada, sempre a vejo pela universidade, mas como eu disse tinham-se passado dias e não havia um único sinal dela, procurei por todo o lado mas nada. Eu sabia que a Mila não era do tipo de fazer isso, de desaparecer sem uma única palavra, sabia que só havia uma única pessoa capaz de estar por trás do desaparecimento da minha melhor amiga, não era muito difícil chegar a essa conclusão…
Sam passeava pelos corredores da universidade, nervosamente observando cada canto, cada pessoa, esperando um sinal que fosse de Mila, fazia dias que não a via, que não recebia qualquer tipo de noticia dela, tinha ligado a sua mãe e vagamente perguntado se ela estava por lá, não queria preocupa-la, por isso apenas referiu que ela mesma (Sam) tinha estado fora da universidade e precisava de falar com a amiga.
Não demorou até o rosto familiar se destacar no meio da multidão, o único problema foi esse rosto não ser exatamente aquele que ela esperava, ainda assim, sem pensar duas vezes, Sam andou até ela, queria exigir uma explicação.
:- Onde está a Mila?! – Perguntou á loira, puxando-a pelo braço para longe das pessoas presentes, mas ela simplesmente sorriu – Não estou com paciência para jogos, Lana, onde está ela? , não vou perguntar de novo! – Podia sentir a raiva dentro de si, o desespero de não poder fazer nada caso a sua amiga estivesse em perigo, ou pior, ser tarde demais para poder fazer fosse o que fosse. A mão que mantinha livre foi virada com a palma para cima, dos dedos saíram pequenos raios que se cruzavam entre si.
:- Uau! – Lana riu divertida – é só isso que consegues fazer? Pensei que nesta altura – Colocou a mão no peito de Sam o que fez com que ela fosse projetada para trás – Fosses capaz de muito mais do que brincar com a eletricidade!
Levou alguns segundos até que Sam se conseguisse levantar, ainda estava atordoada e coração batia agora a mil á hora, quando por fim o fez, pode sentir as pernas ainda a tremer, não deixou que isso a intimidasse antes pelo contrario, andou em Direcção a Lana colocando uma mão no pescoço dela e com uma força que ela não esperava nem sabia que tinha empurrou-a contra a parede mantendo a mão no lugar. As costas da outra embateram contra a estrutura, com um som mais alto do que Sam esperava, nesta altura já várias pessoas paravam para olhar aquela que esperavam ser uma “luta de gatas”, algumas tiravam até os telemóveis prontos a filmar a acção.
:- Queres mesmo fazer isto aqui? – Lana riu – em frente a todos estes Neutros? Queres que eles saibam o que somos?
:- Ponto e virgula aí, eu não sou da tua laia! – Sam retirou por fim a mão do pescoço da outra, deixando-a cair ao longo do corpo e dando um passo atrás, entendendo que Lana fazia muito sentido naquele momento, não, ela não queria que os expectadores soubessem o que realmente se estava a passar – Onde está a Mila e o que fizeste com ela? – perguntou calmamente , o mais calmo que conseguiu para não levantar suspeitas, os outros estudantes pareceram perder o interesse e começaram por fim a afastar-se
:- A Mila…Sabes meio que me deu pena…pobre coitada, ela nunca soube, ela nunca suspeitou!
:- Lana…
:- Ela pensou que vinha ter comigo, para falarmos, para pormos a conversa em dia, andava preocupada contigo, sabes? – riu – preocupada por andares tão afastada, pobrezinha! Pensou que nós as três íamos passar o fim-de-semana juntas, tal como nos velhos tempos, ela não sabe, pobrezinha nunca soube que nunca mais haverá “como nos velhos tempos” ela não sabe que a Lana também já esta morta…
A raiva dentro de Sam cresceu ainda mais, era como que o borbulhar de um mar toxico que criava bolhas no topo da agua que explodiam logo de seguida, como um quente mar toxico que se apoderava do seu sangue fazendo-o borbulhar dessa mesma maneira. Então sem saber muito bem como, (ainda não controlava os seus poderes a cem por cento, estava bem longe disso na verdade), toda essa raiva se manifestou fazendo com que os vidros de uma sala ali perto, simplesmente explodissem
Lana riu divertida
:- Conheces o Declan, certo? Sabes que ele é um vampiro? Contou que teve um encontro excelente com Mila… Ela pensou que estava a ir para a minha casa nova, mas ele – riu de novo, alto, como se tivesse acabado de ouvir a piada mais divertida de sempre – Ele tinha algo diferente em mente.
:- Se ele lhe tocou…
:- Oh, Sam…andas sempre tão tensa! – Aproximou-se da outra falando-lhe ao ouvido – Vai ter á cabana abandonada no bosque esta noite, eu prometo que a Mila vai lá estar – sorriu e afastou-se, basicamente sumindo no corredor.
Ainda meio tonta depois todos aqueles acontecimentos inesperados, e esperando que ninguém tivesse entendido algo que não devia, enquanto observavam a luta, Sam realmente considerou que aquilo não passava de uma armadilha de Lana, sabia que ela podia estar a leva-la lá para a matar, mesmo assim decidiu arriscar. Não podia perder a oportunidade de salvar Mila! Contou tudo a Luka, claro, assim que pode e ao cair da noite os dois rumaram á cabana.
Não demorou muito até a Mila chegar, ela entrou a chorar e com alguns cortes e hematomas
:-Sam, que raio se está a passar? Eu não entendo! – Disse entre soluços, Sam estava tão aliviada por finalmente a encontrar…, Não pensou, não pensou duas vezes, não pensou como Mila tinha chegado até ali tão silenciosamente, como aquilo era sem dúvida uma cilada e tanto ela como Luka tinham caído direitinhos na boca do lobo, não pensou em nada a não ser que a sua amiga estava ali sã e salva, ou pelo menos assim ela pensava… Correu para a ruiva abraçando-a
:- Mila, eu sinto muito, eu quis contar-te mas eu tive medo que não acreditasses em mim! – Disse afastando-se do abraço e olhando a volta – Vieste sozinha? Onde está a Lana? Que ela te fez?! –
:- Ela—ela…- Mila gaguejou ainda por entre soluços – aquele rapaz, o Declan veio atrás de mim! Ele é…ele é um monstro! Ele bateu-me, trancou-me numa jaula durante dias, ele…ele mordeu-me! Bebeu o meu sangue! – Colocou a mão sobre o pescoço chorando ainda mais, naquele momento, Sam jurou achar aquele vampiro nojento e mata-lo! Puxou Mila para junto de si, para mais um abraço
Foi então que os sentidos de Luka começaram a “acordar” conseguia sentir algo em Mila, algo diferente, embora só a tivesse conhecido uma vez, podia sentir que aquele não era o cheiro dela, não era o cheiro de ninguém, era um cheiro horrível a podre a… morte
:- Sam! – chamou mas a jovem nem sequer o ouviu
:- Vai ficar tudo bem agora! Vais ficar bem! – Sam tentou consolar a sua amiga mas ela começou a rir, a rir sadicamente, Não teve tempo de fazer nada, de pensar fosse o que fosse em relação aquele comportamento estranho…sentiu no entanto uma dor aguda, como se alguém lhe estivesse a cravar uma faca muito fininha no pescoço, constatou para seu horror que tinha sido mordida…mordida pela sua melhor amiga que agora sorria abertamente para ela mostrando os caninos afiados que quase brilhavam com a luz da lua.
Luka correra em seu auxilio , puxando-a para trás de si de forma protetora
:- Eu não acredito que caíste nessa!, Mereço um Óscar não acham? – riu -Guardião! – limpou o sangue que agora lhe escorria pelos cantos da boca com a palma da mão, fitando Luka com um expressão trocista, quase desafiante – Pensei que assim que entrasse aqui ia detectar algo diferente em mim, fico feliz por seres um lobito de trazer por casa – deu uma gargalhada
:- Ele transformou-te – Luka respondeu simplesmente assumindo uma posição de ataque
:-Duh! , Ele tornou-me melhor. Desculpa, querido, eu estou do lado dele agora, eu temo que a nossa relação tenha de terminar mesmo antes de ter começado
:- Tem de haver uma maneira! Uma maneira de a fazer voltar ao normal, conseguimos com o Julian! –Sam gritou esperançosa, com uma mão no pescoço tentando estancar o sangue da dentada, Luka abanou negativamente a cabeça
:- Ela foi-se, coração, lamento….
:- Só há duas saídas desta situação, eu mato o lobo e tu tornas-te um de nós –fitou agora Sam – Ou eu mato-vos aos aos dois – cruzando os braços divertida, Mila olhou os dois – A escolha e vossa!
:- Eu acho que escolho fazer-te em pó! – Luka retaliou pronto a atacar.
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:- E foi mais ou menos depois disso que tu entras-te
:- Interessante – Jesse acenou – e esse tal Declan, como é ele?
:- Alto, cabelos castanhos quase loiros, olhos claros, que importa? estás a pensar convida-lo para uma saída?
:- Não, — Jesse disse levantando-se e andando até a sua besta – estou a pensar em caça-lo. Alias eu vi-o guiar a vossa amiga para fora de um beco, mas os vampiros são rápidos e acabei por perder-lhe o rasto, só o encontrei de novo mais tarde, acho que ela já estava morta na altura – pegou a arma e olhou-os – Prazer em conhecer-vos, mas eu prometi á miúda que caçava quem lhe fez isto, então, tenho um vampiro para fazer em pó!
:- Ei, aguenta os cavalos! Se alguém tem de ajustar contas com o Declan, esse alguém sou eu!
:- Tu? – Jesse riu – eu sei que supostamente és uma feiticeira, blah, blah, mas o caçador aqui sou eu, faço-o desde criança, não me parece que consigas achar esse vampiro sem mim
:- Oh Boohoo! – Luka interrompeu perdendo a paciência – Poupa-nos a triste historia da tua infância, de como foste forçado a caçar porque o teu pai era caçador e faz parte da geração, cliché, cliché, e mais cliché! Não és forte o suficiente para enfrentar isto, não se trata de um simples vampiro, trata-se de um vampiro aliado de uma bruxa negra, se o matares, é muito provável ela vir atrás de ti!
:- Pois ela que venha – Jesse encolheu os ombros – Já matei bruxas antes, vampiros, demónios…Lobisomens –olhou Luka, depois aproximou-se, parando apenas a centímetros dele – Nunca mais fales da minha vida dessa maneira, não me conheces, não conheces a minha historia, e sobretudo, nunca me acuses de ser fraco, entendido? – perguntou apontando-lhe o dedo ao peito
:- Isso é uma ameaça? – o moreno aproximou-se ainda mais
:- Oh, por amor da Santa! – Sam suspirou e rolou os olhos – Podem parar?! – Concentrando-se nos seus poderes, usando a réstia de energia que ainda tinha, depois de tudo aquilo, ela usou os seus poderes para afastar Luka, fazendo com que uma força invisível o empurrasse, gentilmente para perto dela – Okay tu queres matar o Declan, nós queremos matar o Declan e parar a Lana… vocês estão a ver um padrão? – eles olharam-na confusos – Grande Lobisomem e Caçador que me saíram! Unimos forças, tu podes ajudar-nos a achar o Declan e quando a Lana vier atrás de ti, nós ajudamos-te a lutar contra ela!
:- Eu não preciso de ajuda, eu luto sozinho!
:- Este tipo é um cliché andante – Luka cruzou os braços de sobrancelha erguida
:- Cala-te, Luka! Olha, Sr. Eu-sou-forte-e-já-matei-bruxas/Eu-trabalho-Sozinho, a Lana é demasiado poderosa! Quer queiras admitir ou não, meteste-te numa guerra! Uma guerra que já provou ser perigosa, uma guerra que já derramou sangue…Lana tem o Declan como aliado e quem sabe quantos mais Sobrenaturais estão do lado dela, a sua aliança com as trevas vai ficar mais e mais forte! Se fores atrás do Declan, começas a fazer parte desta guerra, é isso mesmo que tu queres?!
:- Eu nunca viro as costas a uma boa luta – Respondeu fazendo um sorriso aparecer-lhe no canto dos lábios
:- Que foi que eu disse? Cliché andante – Luka sussurrou para si mesmo
:- Okay se é o que queres, tudo bem. Mas vais precisar da nossa ajuda porque no momento que atacares um dos dela….
:- Faço parte da guerra. Entendido. Tudo bem, estou dentro, não tenho nada a perder.
: -Luka? – Sam perguntou olhando-o
:- Tudo bem – Luka suspirou
:- Okay, vamos então, meus senhores, Temos um vampiro para caçar!- Sam exclamou confiante
:- Ainda não gosto dele – Luka e Jesse comentaram em coro
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Sam dirigia-se agora ao laboratório de Julian, ia encontrar-se lá com ele , Luka e Jesse para que o professor ficasse a par dos últimos acontecimentos, tinha revelado aos seus amigos que estava pronto para “voltar ao jogo” e gostaria de ser posto a par das novidades, visto que a culpa dos seus actos enquanto demónio o tenham feito afastar-se um pouco para poder digerir tudo, ainda assim ele sabia qual era o seu papel naquela guerra, sabia que tanto Luka como Sam precisavam da ajuda, agora e sempre.
Caminhando pelo bosque, Sam ouviu passos atrás de si, virando-se rapidamente, deu de caras com ele…
:- Não és lá muito silencioso para um vampiro
:- Não és lá muito esperta para uma feiticeira, para andares aqui sozinha a meio da noite – Declan lançou-lhe um sorriso
Sem pensar duas vezes, Sam ergueu a mão, usando os seus poderes para o projectar contra uma árvore, ele olhou-a meio espantado
:- Que foi? Pensaste que podias vir aqui, intimidar-me e não pagar pelo que fizeste á minha melhor amiga?!
:- Compreensível…
:- Não paro enquanto não fores mais do que poeira ao vento –ergueu a mão fazendo um pequeno tronco caído voar até ela, Sam nem sequer sabia como estava a ser capaz de usar os seus poderes tão eficazmente, talvez fosse tal como Luka uma vez lhe ensinara, as suas emoções eram a chave para controlar o seu poder– Vampiros e madeira ainda é uma combinação que não resulta, certo?
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