The Magic In me

18 Assuntos Da Alma


Sem dar tempo ao vampiro de responder, Sam avançou para ele de arma em punho, mas este era demasiado rápido, demasiado ágil, e foi capaz de se desviar do ataque sem qualquer dificuldade

:- Sam, tem algo que eu quero dizer-te

:- Não há nada que eu queira ouvir vindo de ti! – Sam respondeu erguendo a mão e fazendo com que Declan voasse para longe, logo de seguida, correu ao seu alcance, atirando-se sobre ele, mas mais uma vez ele desviou-se sem dificuldade

:- Não é assim que vai vencer a Lana, pensei que esta altura já soubesse usar os teus poderes melhor – sorriu

:- Eles funcionam melhor quando estou… – elevando a mão mais um pouco, ficando com a palma virada para o vampiro, fez um raio sair da mesma e atingi-lo no peito, atirando-o ao chão – Irritada – Sam completou a sua frase, pronta a atacar de novo

No chão e ainda atordoado, Declan tossiu um pouco tentando levantar-se mas logo a jovem estava sobre si desferindo-lhe um murro no nariz

:- Não és uma lutadora, Sam – empurrando-a pelos ombros, fez com ela se desvia-se sendo por fim capaz de se levantar – Quer dizer, não uma que use os punhos

Ela levantou-se de um pulo parando em frente a ele

:- Testa-me – a feiticeira preparou-se para lhe dar outro murro, mas Declan agarrou o seu ainda ferido pulso, quase como que antecipando o seu movimento

:- Como eu dizia, não és uma lutadora, mas eu – agarrou-a pela garganta com ambas as mãos, elevou o seu corpo como se de papel se tratasse – Eu sou um predador

Sam debateu-se para se libertar mas o aperto era forte demais, por fim, Declan pousou-a, ainda assim, movendo-se e mantendo-a colada a si, com o braço á volta do seu pescoço

:- Que queres de mim? – perguntou agarrando o braço dele com as suas mãos

:- Quero que ouças, tenho algo muito importante a dizer-te, algo que vai poder ajudar-te – Não houve tempo para respostas pois logo uma flecha voou em direcção ao vampiro atingindo-o em cheio no meio da testa, ele grunhiu de dor largando Sam e cambaleando olhos abertos espanto enquanto o sangue lhe escorria pela face vampírica que agora fazia os seus caninos de revelarem

Olhando sob o próprio ombro, Sam viu Jesse e Luka aproximarem-se

:- Que fazem aqui?

:- Viemos á tua procura, estavas a demorar tempo demais – Jesse respondeu recarregando a arma

:- Essa doeu… – Declan arrancou a flecha e atirou-a ao chão

:- Isso é uma prova que vampiros não precisam dos cérebros – Luka disse pronto a atacar, já Jesse disparava outra flecha, desta vez acertando-lhe no ombro

:-Ei! Queres parar com isso, oh Robin Dos Bosques? Eu ia ataca-lo! – O lobisomem queixou-se, Jesse rolou os olhos e andou até ao vampiro, pronto a desta vez disparar bem no seu coração

:- Espera! Jesse para! – Sam pediu, fazendo-o olha-la confuso – ele queria dizer me algo, pelos vistos, algo que me pode ajudar, não perdemos nada em ouvir seja o que for, Depois podem fazer o que quiserem dele.

Com aceno de cabeça, Jesse ficou a meros centímetros de Declan com a besta apontada ao seu peito

:- Começa a falar – exigiu

:- Eu não sou quem vocês pensam! Eu estou do vosso lado! – Sam riu ironicamente

:- Do nosso lado?! Deves estar a brincar! Matas-te a minha melhor amiga, estavas a estrangular-me!

:- Só queria que parasses, que me ouvisses e quando ao resto…teve de ser feito, acredita que ninguém se sente mais culpado que eu pelo que aconteceu á Mila, pelo que eu lhe fiz…

:- Culpado? – Luka perguntou irritado fazendo os seus olhos ficaram vermelhos – És um vampiro, um ser desprezível! Não sentes culpa, dor, não sentes nada! Vampiros nem alma têm! Quer dizer, há o caso de um mas…

:- Dois– Jesse corrigiu

:- Dois?

:- Foi reportado um novo caso há mais de dez anos atrás, és um guardião, devias saber destas coisas

:- Eu sei…coisas… onde apareceu esse outro vampiro?

:- Numa cidadezinha chamada Su… — Sam interrompeu

:- Pessoal! Estamos a afastar-nos do assunto!

:- Certo… Desculpa … — Luka disse e olhou Declan

:- Bom, na verdade …três, existem três vampiros com alma, eu sou um deles. Há muito tempo atrás, quando Deliah tentou dizimar os humanos eu e o meu clã lutamos ao lado dela, criando caos e destruição por onde quer que fossemos, matando só por matar, não nos importava a causa dela, na verdade, fomos idiotas ao juntar-nos a ela visto que os humanos eram a nossa única fonte de alimento, mas o futuro não nos importava, nós queríamos morte, nós queríamos beber até cair, nós queríamos sangue, sangue e morte

:- Uau, estou a amar a história até aqui! – Sam disse sarcástica

:- Muitos dos outros vampiros opuseram-se a Deliah, muitos lutaram juntos das forças do bem, por causas não tão nobres, mas numa guerra não se pode olhar a pormenores. Mas nós não, nós eramos um clã imaturo, vampiros bebés, morte era para nós como uma droga. Quando a grande batalha se deu, o meu clã foi dizimado, eu fui o único que sobrei, mas estava demasiado ferido para o que quer que fosse, sabia que levaria dias, meses a curar-me, então fiquei ali, á beira de um rio, esperando a manhã chegar, pois eu sabia que com ela viria a minha morte, não podia mexer-me e sabia que o sol se ocuparia de acabar com a minha existência… Foi aí que ela apareceu, pouco antes do dia clarear, ela levou-me para sua casa e cuidou de mim, eu não podia entender porque, ela sabia que eu era um vampiro, mesmo me confundindo por um dos que lutaram a seu lado não faria sentido ela salvar-me, pois sabia que a única razão os da minha espécie lutara pelos humanos fora porque num mundo sem ele também nós morríamos…

:- Ela? – Luka perguntou

:- Kaya. Ela cuidou de mim até a minha saúde estar quase restaurada. Eu estava ainda fraco mas bem melhor do que quando me encontrou, ela tinha salvo a minha vida, a vida de um assassino sem remorsos, salva por uma feiticeira de luz que mais tarde se sacrificou a ela mesma para garantir que o mundo não passaria pela mesma guerra. Quando lhe perguntei porque o fez, disse-me que a morte seria o caminho fácil para mim, queria que entendesse o mal que causei a todas as minha vitimas, a todas as pessoas que matei pela causa da Deliah, então amaldiçoou-me, com a pior das maldiçoes que se pode causar a um vampiro…

: — Ela restaurou a tua alma – Jesse completou e ele acenou

:- Dias depois ela sacrificou-se, depois de saber do ritual de Deliah para restaurar os seus poderes que foi deixando num livro. Eu tinha já fugido, estava a dar em doido com a culpa de tudo o que fiz, quando por fim o superei, mantive-me escondido do mundo, vivendo no subsolo, longe de tudo, de todos, alimentando-me de bancos de sangue e nunca mais magoando outro ser humano…Um dia estava num bar, (era raro sair mas por alguma razão decidi faze-lo), foi aí que ouvi falar do ritual de Lana… de como Deliah ia de certa forma erguer-se de novo e acabar com a vida humana. Eu queria fazer o que estava certo desta vez, mas eu sabia que sozinho não a podia derrotar, eu também sabia que por aí haveria alguém com os poderes da Kaya, quando descobri que eras tu, o resto foi fácil, fui ter com a Lana e contei-lhe parte da história, de como eu lutei ao lado de Deliah, contei-lhe sobre os actos horríveis que cometi. Enganei-a, não lhe contei sobre a alma, sobre a maldição de Kaya, fi-la acreditar que ainda estava do lado das trevas e em pouco tempo tornei-me o seu braço direito. Ela não se lembrava de mim, passou-se muitos anos e os seus seguidores eram demasiados para que se lembrasse de todos.

:-Okay, tudo bem, mas como é que isso nos tem ajudado a nós? Porque até agora não me pareces muito diferente do teu antigo Eu – Sam disse desconfiada

:- Tenho andado a trabalhar infiltrado, por assim dizer. Quem achas que parou a bomba? Quem achas que te mandou as sms para que pudessem encontrar o professor?

:- O professor disse que bomba só poderia ser parada com um toque de magia de quem criou o encantamento

:- Não estava errado – O vampiro retirou um anel do dedo e atirou-o para as mãos de Luka

:- Bonito mas não é o meu estilo – O lobisomem gozou

:- Um toque de magia… esse anel está enfeitiçado para que eu possa andar na luz do dia, e adivinha quem o enfeitiçou?

:- Lana – Luka concluiu observando o objeto – um toque de magia – repetiu – quando apanhas-te a bomba depois de eu a ter atirado estavas a usar o anel, ao tocar na bomba desactivou-a… foi um golpe de muita sorte. Ainda assim… matas-te uma inocente que nem estava a par de nada

:- Eu senti que a Lana estava a desconfiar, todos os planos dela davam errados, eu tive de achar uma maneira de provar que estava do lado dela…

:- Então usaste a minha melhor amiga?

:- Fiz o que tinha de ser feito. Sinto muito.

:- Kaya devia ter-te deixado arder!

:-Concordo com isso. Mas eu estou do vosso lado, eu posso ajuda-los! E ela está a planear algo, algo grande, o exercito dela cresce a cada dia passa, nós temos de nos despachar…

:- Nós? Não há nós. Eu não confio em ti

:- Eu sei que não, mas estou a dizer-te a verdade

:- Como é que eu sei que não se trata de mais um plano da Lana? Como é que tenho a certeza que não estás a dar uma de duplo agente?

:- Dá me tempo de prova-lo!

:- Dar-te tempo? E deixar-te ir, para que vás correr para tua adorada bruxa e contar tudo? Não me parece. Basta uma palavra minha e o Jesse dá cabo de ti

:- Basta um movimento e eu dou cabo dele. Poupei-te uma vez, lembras-te? – perguntou olhando Jesse – No beco, podia ter-te morto facilmente mas deixei-te escapar…

:- Não ofendas a masculinidade dele, ele não gosta – Luka disse

:- Achei estanho a princípio, mas depois achei que fosse só um cobarde o que estivesses com presa para chegar á tua presa – Jesse olhou Sam – então que fazemos com ele?

:- Eu tenho um ideia – Luka disse fazendo todos olha-lo – levamo-lo ao Julian. Se bem lembro existem pelo menos alguns feitiços capazes de determinar se ele tem alma e com certeza outros capazes de nos revelar se ele está ou não a contar a verdade.

Sam acenou

:- Parece-me bem. Vamos.

:- Mexe-te! – Jesse puxou Declan com mais força do que era necessário e desta vez apontando a besta ás suas costas

:- Eu disse que ele não gosta que o chamem fraco – Luka observou a cena divertido.