The Loyal Husband

6 Uma nova rotina, e um encontro escondido


Notas iniciais
Ah, eu realmente espero que estejam gostando, de coração

Seung dormia profundamente, sonhava com as flores do jardim, os aromas e suas cores chamativas. Yuga estava lá, pintando as rosas e Seung no meio, uma expressão feliz, em suas vestes coloridas.

— Por que não tenta uma pose diferente?

Seung abre os abraços, e mexe a cabeça para o lado, seus cabelos voando com a brisa fria.

— Isso! E por que você não acorda?

Seung fica confuso, e sente uma pancada no rosto, acordando assustado com Yuga ao lado de sua cama, a mão levantada pronta para lhe dar outro tapa.

— Mas o quê você está fazendo aqui?!

— Shhh! Dá pra parar de gritar? Elas estão dormindo!

Seung olha em volta, as moças dormindo profundamente, em suas respectivas camas, e olha para Yuga, em um vestido de renda amarela, os cabelos desgrenhados e o rosto amassado. As mãos sujas de tinta seca.

— Se te pegarem estamos acabados.

Seung sussurrou, se levantando.

— E é por isso que vossa senhoria vai sair da cama e me acompanhar até meu quarto, onde vamos conversar, e você vai me explicar tudo o que aconteceu entre você e o principezinho para te deixar tão triste.

— Só se você me explicar porque suas mãos estão sujas de tinta.

Os dois saíram do quarto tentando não fazer barulho, e Yuga abriu a porta lentamente, checando o corredor pra ter certeza que os guardas não estavam ali. Saíram pé ante pé, pelos corredores mal iluminados, e fazia muito frio. Yuga guiou Seung até o corredor dos quartos de hóspedes, e antes que um guarda os visse, puxou Seung pra dentro.

O quarto de Yuga cheirava a tinta, e as janelas estavam bem abertas, as cortinas separadas, a luz da lua iluminando o quarto espaçoso e confortável. Seung sabia que Yuga era uma pessoa noturna, e demorava a pegar no sono. Cenas como aquela, onde ela ficava acordada até tarde, pintando, entalhando, lendo ou limpando eram bem comuns.

— Você... Onde conseguiu os materiais de pintura?

— Graças a você o príncipe ordenou que me entregassem essa enorme maleta de cores. Eu nunca vi tanta variedade! Tem coras escuras... Claras... tonalidades que eu nunca tinha visto!

Yuga mostrou uma maleta do tamanho do braço de Seung, com vários vidros medianos de diversas cores, com uma variedade de pincéis e papéis de diferentes texturas. Yuga olhava a maleta com admiração e carinho, e Seung via papéis espalhados pelo chão com desenhos coloridos e extravagantes. Yuga nunca teve a oportunidade de pintar de verdade, tinha um número restrito de cores, e tinha que se esforçar bastante para conseguir tintas novas.

— Uau... O príncipe foi... bem gentil...

Seung não sabia o que dizer, o príncipe era um tolo mal educado, mas também podia ser carinhoso, alegre, bondoso e... tão sexy...

Não!

— E então... — Yuga se sentou no chão, recolhendo os desenhos novos com cuidado — O que o príncipe fez pra te deixar triste?

Seung se sentou ao lado de Yuga, não estava mais triste, as moças o tinham ajudado e ele se sentia muito melhor. Mas era sempre bom ficar perto de Yuga, com seu aroma de tinta tão familiar... Ele contaria tudo, e ele sabia que aquilo o faria bem.

— Bem... O príncipe me levou a biblioteca e foi bem interessante, ele se mostrou gentil e comfortável com a minha presença, ele me levou a um lugar secreto e nós nos beijamos, mas logo depois ele fugiu, e eu comecei a pensar que eu tinha feito algo errado e...

Seung contou todas as suas preocupações para Yuga, que escutava tudo atentamente. Colocou os papéis de lado e Seung colocou sua cabeça em seu colo macio, enquanto ele contava todas as ideias bobas que passaram pela sua cabeça, sua conclusão e a ajuda das moças.

— Eu estou decidido a provar que Bon-Hwa está errado! Eu vou mostrar pra ele que eu posso ser o melhor esposo que ele poderia imaginar! E um dia ele vai se ajoelhar e me pedir em casamento!

Seung estava exagerando um pouco, mas ele estava irritado, e ainda se sentia ofendido com a reação do príncipe.

— Bem... eu acho que dessa vez você não precisa dos meus conselhos. Essas moças parecem bem gentis, gostaria de conhecê-las.

— Mas é claro! Você vai amá-las! Elas são muito gentis e desde o começo foram muito amigáveis. Elas ficariam felizes em te conhecer.

Yuga gargalhou, uma risada doce e contente. Seung acreditava que não poderia estar mais feliz, naquele momento, ao lado de Yuga, em um lugar confortável, em roupas exuberantes, sem as dificuldades e preocupações de antes. Os Espíritos tinham o abençoado com aquela oportunidade, e ele faria de tudo para aproveitá-la.

Enquanto isso, no aposento real, o Rei discutia com a Rainha sobre suas preocupações. ambos em seus pijamas, a Rainha penteando seus longos cabelos negros, se preparando para dormir.

— Eu tenho que admitir, depois que recebi a carta de Chin-Hwa fiquei preocupado com o motivo da reunião do Conselho.

Jun disse, enquanto tirava sua roupa real e vestia seu pijama de seda negra.

— Provavelmente é algo sobre política, não deveria se preocupar.

Sun-Hee penteava seus cabelos suavemente, os olhos fitando o corpo do marido pelo espelho.

— Mesmo assim, algo me diz que alguma coisa aconteceu.

— Não vamos pensar nisso. Os Espíritos tem nos abençoado com dez anos de quase total paz. Por que isso mudaria agora?

— Eu só quero resolver isso antes que Bon-Hwa seja coroado rei. Não quero deixar uma guerra para ele resolver.

— Não acha que ele seja capaz?

Sun-Hee se virou para seu esposo, um olhar questionador.

— Claro que não é isso! Ele tem talento com a espada. Luta muito bem e possui uma habilidade de prever os movimentos do adversário. Algo muito útil.

— Acha que ele não sabe lidar com questões políticas?

— Ele foi educado para saber lidar com qualquer questão política. Eu acredito nele. Ele vai ser um grande rei.

— E quanto a Seung? Anda evitando falar dele.

Jun hesitou por alguns instantes, sem saber o que dizer. Sabia que Sun-Hee possuía a habilidade de ler as pessoas. Algo em sua intuição e magia.

— Eu tenho evitado falar de Seung porque não queria me precipitar. Eu sei que ele é um homem de caráter. Mas ele precisa ter mais do que isso para ficar ao lado de um rei. E também sei que ele ainda tem muito o que aprender, e vai aprender, aqui, no palácio. Mas ele também precisa de algo que venha dentro dele. Um talento, ou uma habilidade. E eu ainda não vi isso nele. Por isso, não quero me precipitar.

— E o fato dele ser um homem o incomoda?

Sun-Hee o observava, atenta a cada expressão e olhar. O marido não poderia mentir para ela.

— Não. Isso nunca aconteceu antes, mas... Isso não me incomoda. Os Espíritos o escolheram e em nosso tempos, isso não é algo abominável. Eu só espero que Bon-Hwa se acostume com isso. É óbvio que nenhum rei sonharia em ter um homem como seu esposo real.

— Certo...

Sun-Hee não sentia que seu marido estava mentindo, por isso se voltou ao espelho enquanto trançava seus longos cabelos.

— Você sentiu algo vindo de Seung? Algum talento... Algo que seus... instintos... lhe disseram?

Jun sempre se sentia desconfortável quando o assunto era a magia de Sun-Hee. Talvez porque o filho não havia herdado suas afinidades mágicas, ou porque ele já havia visto ela matando pessoas usando apenas sua magia. Mas Sun-Hee não se importava, talvez fosse uma forma de respeito. Só não gostava da ideia de o marido ter medo dela.

— Você quer dizer, minha magia?

— Bem... sim...

— Não. Não senti nada. Os talentos dele surgirão com o tempo. Você se esquece de quando eu vim ao palácio, escolhida entre centenas de donzelas, quando eu era apenas uma aprendiz de magia, uma plebeia comum. Uma estudante.

— Você nunca foi comum... — Jun se aproximou de sua esposa e a abraçou por detrás, sentindo o aroma de seus cabelos, e sua pele macia — E as suas habilidades mágicas sempre foram esplêndidas. Você era a melhor aprendiz de sua província.

Sun-Hee se sentiu grata pelo elogio, e virou o rosto em direção ao marido, o beijando carinhosamente.

Seung acordou assustado, estava na cama de Yuga, tinha adormecido lá por acidente, e ele não podia imaginar o que aconteceria se os guardas descobrissem que ele tinha saído de seu quarto no meio da noite e dormido no quarto de uma mulher. Se levantou às pressas, sem acordar Yuga, que tinha um sono pesado, e saiu do quarto devagar, com medo de esbarrar em um dos guardas que patrulhavam os corredores. Olhou pelas janelas do corredor e viu o sol nascendo, ainda era bem cedo, por volta das cinco da manhã, as amas que cuidavam de despertar as concubinas chegavam por volta desse horário, por isso tinha que se apressar e chegar antes delas.

Os corredores eram menos patrulhados de manhã, por isso o risco de se esbarrar com um guarda era menor, Seung começou a correr, e quando chegou ao corredor de seu quarto, foi atingido por alguém que vinha na mesma direção, e ambos caíram.

Seung se virou, no chão, e com as costas doendo, murmurando de dor, viu os cabelos avermelhados de Kyung-Soon, que se levantava. Vestia um vestido diferente, feito de um tecido pesado e escuro. Tinha um corte no braço esquerdo e parecia preocupada. Estendeu a mão para Seung, que agradecendo pela ajuda, se levantou.

— Nossa, me desculpe não te vi. Você está bem?

Kyung perguntou, olhando em todas as direções, preocupada de alguém os ver.

— Ah, não, estou bem. O que você estava fazendo aqui fora?

— Não acha melhor voltarmos?

Kyung-Soon parecia muito nervosa e preocupada, mais do que o normal. Puxou Seung pelo braço em direção ao quarto e sussurrou em seu ouvido:

— Por favor, não diga que me viu por aqui, pode fazer isso? Pela nossa amizade?

— Ah... sim, claro... mas... o que você est...

— Obrigada.

Seung percebeu que Kyung-Soon evitava a pergunta, e decidiu não pressioná-la, ele também não queria admitir que tinha visitado Yuga, e ela não parecia querer perguntar.

Ambos entraram no quarto, tentando não fazer barulho, e foram até suas respectivas camas, Seung tinha dormido menos de duas horas, mas não se sentia cansado. Não deu atenção a Kyung-Soon e seu passeio pelo palácio. Logo voltou a dormir, em sua cama macia, para ser acordado por Mei, horas (que se pareceram minutos) depois, e iniciar seu dia, onde teria suas primeiras aulas.

No café da manhã, todos à mesa, dessa vez esperando por Bon-Hwa, atrasado por cinco minutos, Yuga conversando com Sun-Hee sobre seus desenhos, e agradecendo pela maleta de cores, Seung percebeu uma certa aflição no rosto do Rei, e se perguntou se era uma questão pessoal ou uma questão que afetava o reino todo. Conversava com Joo, que tentava adivinhar os sabores das cinco deliciosas tortas que estavam sobre a enorme mesa, todas com diferentes recheios.

A porta subitamente se abriu, e Bon-Hwa entrou, vestido com um terno azul escuro, os cabelos negros soltos, os olhos brilhantes. Sorria, e todos podiam sentir seu bom humor. Passou pelo lado da mesa onde apenas as concubinas se sentavam, cumprimentando cada uma com um beijo na testa. Quando chegou a Seung, que pôde sentir seu delicioso aroma de ameixas, sentiu o beijo delicado de Bon-Hwa em sua bochecha, e sentiu seu rosto esquentar.

— Bom dia a todos e desculpem pelo atraso.

Disse, enquanto os servos começavam a servir.

Seung não prestou atenção em nada pelo resto da refeição, pensando nos lábios de Bon-Hwa em seu rosto, e corando ainda mais.

Logo após o café, as concubinas se reuniram na biblioteca, onde seriam dividas em dois grupos para começarem suas aulas matinais.

Estudavam do café da manhã, às nove horas, até o almoço, às uma da tarde. Tinham quatro aulas, uma hora de duração cada, e depois do almoço podiam estudar assuntos menos necessários, como arte, música, dança, canto, por mais duas horas. Tinham o resto do dia como horário livre.

Seung gostou de como as coisas funcionavam, assim poderia aprender mais rápido. Sabia que havia seis concubinas, e que elas estavam no palácio há muito mais tempo que ele, por isso sabiam muito mais. Mas com a chegada da esposa, ou no caso, o esposo, ao invés de estudarem apenas três horas por dia, como as concubinas estavam acostumadas, elas estudariam as seis horas, com Seung, e depois do casamento real, seus estudos acabariam, e assumiriam as responsabilidades que era concedia a cada uma, e teriam acesso livre para a biblioteca.

As moças pareciam animadas de ter Seung ao seu lado, e de começar a ter aulas mais intensivas. Os anos que passaram no palácio foram incríveis, mas com a chegada do esposo, estava na hora de serem treinadas nas artes da política, nos estudos da guerra (apenas as questões sociais), aprender as responsabilidades das concubinas, e da esposa real, de como agir em diversas situações, e em magia.

Os dois professores entraram na biblioteca, suas feições rigídas. Dividiram o grupo em dois, o grupo que estudaria política seria Kyung-Soon, Mi-Cha, e Kwan. E o outro grupo, incluindo Seung estudaria linguagem.

Era exatamente o que Seung precisava no momento, e se sentiu animado para aprender a ler, escrever, e interpretar textos em Hangul, Kanji e em Hiragana.

As horas se passaram depressa, e Seung ficou chocado com as habilidades dos professores, que tornavam tudo aquilo muito mais fácil e compreensivo. Sempre gostou de aprender coisas novas, e os professores deixavam um sentimento de curiosidade na mente de Seung, que o fazia querer estudar mais. Sabia que havia muito o que aprender, mas sabia que seria capaz, com a ajuda dos professores, e da biblioteca, que continha livros incríveis.

Após a aula de linguagem, veio a aula de exatas, e Seung era particularmente bom em matemática. Depois veio política, e Seung começou a aprender sobre a situação do Reino, e do continente. A última aula era história, e Seung viu desenhos que retratavam as guerras, e entendeu o tratado que acabou com a Grande Guerra, e fez com que todo o continente ficasse em paz até aquele ano. Se sentia mais inteligente, e podia pular de alegria só de imaginar como seriam os próximos cinco meses, e o quanto aprenderia. Queria que todas as pessoas tivessem a mesma oportunidade que ele estava tendo agora, de aprender a ler, contar, a saber mais sobre política e história, e até geografia.

Enquanto caminhava até o salão, sua mente girava em torno dos livros que leria nos próximos dias, em todo horário vago que tivesse, para aprender mais. Quase não notou Yuga ao seu lado, o olhando com curiosidade.

— O que fez você ficar tão animado?

Seung se assustou, e se virou na direção de Yuga, que caminhava ao lado dele por vários minutos.

— As aulas! Eu não sabia que tinha tantas coisas para aprender!

Yuga riu, sabia da curiosidade de Seung, sempre querendo aprender mais sobre as coisas.

— Fico feliz por você.

— Quem é você? — perguntou Joo, se aproximando de Seung.

— Ah, essa é Yuga, a mulher que cuidou de mim.

— Quando você fala assim parece que eu sou muito mais velha que você...

— Então essa é a mulher que você nos contou... — Mi-Cha disse, todas as moças se aproximando para conhecer Yuga.

As moças cumprimentaram Yuga amigavelmente, fazendo perguntas casuais, todos pareciam contentes.

— Então você sabe pintar... Eu gostaria de ver seus desenhos...

Joo disse, tocando a mão de Yuga de leve, que corou.

— Ah, sim! Seria uma honra. Mas meus desenhos não são tão bons...

— Seung disse que você é brilhante. — Yong disse, sorrindo.

— Eu mesmo já vi alguns de seus desenhos e posso afirmar que são belíssimos.

Todos se viraram na direção da voz de Bon-Hwa, que observava o grupo parado no meio do corredor por vários minutos.

Seung sentiu seu rosto arder, e as moças ficaram muito desconcertadas.

— Por que não vamos ao salão, onde podemos conversar e comer ao mesmo tempo?

Bon-Hwa disse, tomando Joo e Kwan pelo braço delicadamente, acompanhando as moças até o salão.

— O príncipe parece de bom humor hoje ou é só minha imaginação?

Ryung sussurrou, ao lado de Seung e Kyung-Soon.

— Algo deve ter acontecido para deixá-lo feliz.

Kyung disse, e Seung se lembrou do beijo que recebeu, delicado, e o aroma de Bon-Hwa, suave e inebriante.

— É...

Enquanto almoçava, Seung observava Yuga e Joo conversando animadamente, sentadas de frente para a outra. Não podia ouvir sobre o quê conversavam, mas ambas pareciam alegres. Kyung-Soon conversava com Ryung sobre algo relacionado com espadas, Mi-Cha discutia com Kwan sobre qual sobremesa seria, e Bon-Hwa conversava com Yong sobre um passeio no jardim, naquela tarde. Seung apenas observava, saboreando a carne macia de carneiro, o vinho delicioso, enquanto fitava o Rei Jun, que ainda tinha uma expressão preocupada, enquanto sussurrava algo para a Rainha. Não sabia do que se tratava, mas sentia algo dentro de si que dizia que era algo importante, para o reino todo.

Bon-Hwa tocou o braço de Seung subitamente, e, como sempre, Seung se assustou, saindo de um transe, sem saber o que realmente acontecia a sua volta.

— Seung?

A voz de Bon-Hwa era suave, e Seung se perguntava se ele estaria fingindo, na frente da Rainha.

— Sim?

Ele disse, não sabia se deveria fingir também.

— Gostaria de passear com Yong e eu no jardim? Hoje à tarde?

Aquilo era uma surpresa, e quando o coração de Seung começou a palpitar em seu peito, ele sabia que aquela era uma surpresa mais que agradável. Mas ele não tinha certeza se aquela proposta era do príncipe ou da Rainha, que ele tinha a impressão de tentar interferir na relação dos dois. Algo dentro de si o dizia que a Rainha gostava de ter tudo sobre controle.

— Ah, bem... Hoje foi o meu primeiro dia de aula e... Eu pensei em estudar um pouco de etiqueta hoje á tarde.

— Oh, tudo bem. — Bon-Hwa disse, não parecia desapontado, e voltou a comer.

Você é um idiota de negar um encontro com o príncipe!

Seung ouviu uma voz vindo de sua mente.

Não era um encontro, seu tolo! Yong estaria lá também.

Mesmo assim! E o plano de conquistar Bon-Hwa?

Vamos conquistá-lo com as habilidades e talentos de Seung não com encontros falsos.

Bem... Seung podia mostrar outras habilidades para o príncipe... no meio das moitas de cravos ele poderia...

Seung sacudiu a cabeça, tentando não escutar o que seu lado... menos educado, tentava insinuar. Sentia que todos os anos que passara com Yuga e agora com as concubinas, principalmente com Joo e Mi-Cha, tinham colocado pensamentos inapropriados em sua mente puríssima.

Não podia pensar certas coisas sobre o príncipe ainda.

Logo depois do almoço Seung foi para a biblioteca, acompanhado de Kwan, Mi-Cha e Ryung, que prometeram ajudá-lo com as aulas de etiqueta para se acostumar mais rápido com os costumes reais. Yuga e Joo também iam para a biblioteca, onde Yuga mostraria alguns de seus desenhos feitos na noite anterior para Joo, que se mostrava muito animada e ansiosa para vê-los.

As moças ajudariam ambos Seung e Yuga a se acostumar com as etiquetas do palácio.

A tarde passou rapidamente, Seung aprendeu sobre a postura correta, como se sentar, (e por ser um homem, era óbvio que ele teria um ensino diferente das outras moças, que tiveram que procurar por toda a biblioteca um livro que ensinasse etiqueta aos homens), Yuga não tinha aprendido nada, Joo não deixara se concentrar por sequer um minuto, mas ela não se importava. Estava começando a gostar da presença da moça.

A noite tinha passado rápido, o jantar foi animado, Seung conversou com Bon-Hwa sobre os kanjis novos que aprendera e sobre os livros que logo poderia ler. Seung podia notar um pouco de nervosismo em Bon-Hwa, uma ansiedade incomum, mas não se preocupou, ele era um príncipe, devia ter muitas responsabilidades.

—---- ----- ---- ---- ----- -----

A lua iluminava o céu escuro, quase sem estrelas. Era uma lua cheia, o que tornava tudo mais fácil. Teve que sair escondido do palácio. Tinha feito aquilo várias outras vezes mas dessa vez parecia mais perigoso, enquanto sentia a brisa fria do vento em seu rosto, um manto preto por cima de suas vestes reais, para que ninguém o reconhecesse.

Não havia ninguém acordado naquela hora da noite, e muito menos alguém passeando pela Floresta Negra, mas ele tinha que manter a discrição. Seu cavalo branco corria o mais rápido que podia, o som de seus cascos passando pelo chão úmido da floresta era a única coisa que podia ouvir. Segurava uma luminária com a mão esquerda e mantia a rédea firme com a mão direita, a espada de ferro e bronze bem afivelada na cintura. Sentia frio, e estava cansado, mas se sentia ansioso e nervoso com o que estava por fazer.

Tinha levado aquela história adiante, seus pais acreditavam em sua atuação, e Seung achava que ele estava conformado com a escolha dos Espíritos, mas ele nunca aceitaria aquilo. Uma coisa desonrosa para seu reinado, seria lembrado sempre como o Rei que se casou com um homem.

Bon-Hwa não queria aquilo, e mesmo que às vezes sua mente confusa e fraca quisesse se lembrar, e sentir novamente os lábios macios de Seung, e seu toque quente em seu corpo... ele não permitiria que aquilo o fizesse mudar de ideia!

Apertou as rédeas de um jeito firme e cavalgou mais rápido, pensando no encontro que teria com o Grande Ser, e de como faria para resolver toda aquela situação. Na verdade, não tinha ideia do que estava fazendo, mas não podia ficar parado, enquanto via o seu legado ruir por causa de um homem.

Notas finais
Ok, o que Bon-Hwa vai fazer agora? Meu Deus kkkkkk Eu gostei de narrar esse momento do rei com a rainha e tals... foi bem fofinho, acho que vou narrar mais momentos assim, de romance entre os dois (e quem sabe, no futuro, não teremos momentos românticos entre Bon-Hwa e Seung também?) Notaram que o rei começou a se preocupar com uma carta? Pois é, ele recebeu a carta de um outro rei, que disse que seria necessário o Conselho se reunir de novo. Nos próximos capítulos essa parada toda vai se explicando, então sem preocupações. Só curtam esse momento de mistério com essa reunião do príncipe com o Grande Ser. Será que Ele vai "desfazer" tudo e Seung não vai ser mais o esposo real? E se esse Grande Ser se colocar entre os dois? Aí o nosso casalzão vai demorar muito mais pra se beijar de novo... Assim não dá