The Loyal Husband

7 Uma descoberta incrível e assustadora


Notas iniciais
Eu não sei vocês, mas do capítulo um até agora, esse é o meu favorito

Joo tocava o ombro de Yuga enquanto falava, animadamente;

— E foi nesse dia que eu descobri que o palácio tem uma sala de mapas, com um globo enorme, e uma miniatura do palácio, e todas as províncias do reino, eu pensei que ninguém mais soubesse daquele quarto, as janelas estavam cobertas com cortinas negras, e estava tão empoeirado... Então eu comecei a levar meus doces escondidos e guardar eles bem atrás do globo gigante, mas eu comecei a notar que eles sumiam bem na noite seguinte, e... — Joo começou a sussurrar, com medo de alguém a ouvir, mesmo que estivessem sentadas bem ao fundo — eu escondia os doces à tarde para comê-los a noite, e mesmo que seja extremamente proibido, nós damos nossos passeios em ocasiões especiais... Mas o importante é que eu descobri que todas as outras também escondiam algo nessa sala.

Joo começou a rir histericamente, e Yuga se sentiu contagiada com a risada alegre da moça.

Seung assistia tudo em silêncio, enquanto saboreava a sobremesa de chocolate. O rei conversava com a rainha entre sussurros, e dessa vez ambos pareciam muito preocupados. Estavam no jantar, e o príncipe não tinha aparecido no palácio o dia inteiro. Sun-Hee não parecia preocupada com o fato do filho ter faltado o café da manhã e o almoço, e por isso Seung pensou que ele estivesse cumprindo com alguma responsabilidade real. Tinha estudado o dia inteiro, etiqueta, linguagem, política, tudo passava girando em sua cabeça, e ele queria mais. Tinha decidido que desobedeceria uma das ordens do palácio e pegaria alguns livros na biblioteca, para estudar a noite no quarto de Yuga. Tinha que aprender o máximo possível nos próximos cinco meses. As moças tinham ajudado Yuga dessa vez, que no dia anterior ficou grudada com Joo e Kwan, conversando como melhores amigas. Não entendia como as mulheres ficavam próximas uma das outras tão facilmente, e queria que o mesmo acontecesse com ele e o príncipe.

— Eu não sei! — Jun gritou, chamando a atenção de todos ao redor — Eu queria saber de algo mas eu não sei! Por isso reuni o Conselho! Temos que tomar uma decisão rápido!

O rei voltou a conversar em seu tom de voz normal, um pouco envergonhado pelo grito que deu, e por atrair a atenção de todos na mesa. Seung esticou as orelhas para ouvir mais.

— Querido... Não se martirize. Assim que reunir o Conselho, os Cinco Reis vão saber o que fazer. Essa bruxa e esse alquimista não são páreos para o exército dos Cinco Reinos.

Sun-Hee disse, Seung observou como ela era sábia com as palavras e gestos, tentando acalmar seu esposo, e sabia que teria que ser assim. Olhou para a cadeira vazia de Bon-Hwa e tentou imaginar ambos no lugar de Rei e Rainha, resolvendo os problemas do Reino.

— Eu sei... mas há boatos de que essa bruxa tem a capacidade e enfeitiçar pessoas, e está formando um exército. Eles planejam atacar o reino de Chin-Hwa, ele está apavorado. Se essa bruxa for tão poderosa como dizem, perderemos muitos soldados.

— Isso não vai acontecer. O reino Nam possui guerreiras com habilidades mágicas nunca vistas antes. Elas podem cuidar da Bruxa.

— Eu não sei... Isso nunca aconteceu antes...

Mesmo que estivessem sussurrando, Seung podia ouvir tudo, estava sentado de frente á rainha, onde era seu local reservado, e percebeu que Kyung-Soon também tentava ouvir a conversa do Rei.

— Vamos cuidar disso — Sun-Hee pousou sua mão delicadamente no ombro de Jun, que se sentiu mais calmo quase instantaneamente — Já sabem o nome dessa bruxa?

— Até agora tudo o que sabemos são rumores, rumores que crescem a cada dia. Sempre que enviamos soldados para deter essa bruxa, ou o alquimista, eles desaparecem. Homens e mulheres de vilas dispersas são sequestrados, sem deixar um rastro sequer. E então ouvimos que o exército deles está maior. Essa bruxa, dizem, tem poder suficiente para tornar as pessoas em zumbis, sem sentimentos, ou consciência do que estão fazendo. São mais fortes e muito violentos. Ela controla eles como bonecos, pela mente.

Seung sentiu um frio na espinha, e a Rainha parecia perder um pouco de sua tranquilidade, mesmo que não quisesse demonstrar seu medo para o Rei.

— Os rumores falam de uma bruxa chamada Hyo, do Reino Nam.

Todos sabiam que o reino Nam era onde as mulheres possuem mais afinidades mágicas, e os alquimistas mais poderosos sempre vinham de lá. Um Reino controlado por uma família de bruxas, amaldiçoado por uma das Três Grandes Bruxas, fadado a conter ambas as magias, negra e branca, para sempre.

— Confesso que nunca ouvi seu nome antes.

Sun-Hee disse, pensativa.

— Ninguém sabia dela, ou do alquimista, Hak-kun, dizem que eles se alimentam de carne humana para aumentar seus poderes.

— Magia negra...

— Muito forte.

— Não vamos pensar demais sobre isso, você vai reunir o Conselho amanhã e a decisão certa vai ser tomada.

— A decisão certa, — Jun segurou forte a mão da Rainha — É atacar enquanto ainda temos chance de sair vencendo. Se eles conseguirem tomar o Reino de Chin-Hwa, vão tomar seus navios de guerra e atacarão todo o continente. Vão enfeitiçar todo o exército do reino, e então vão atacar todos os outros quatro reinos. O continente será tomado em menos de um ano, e os que sobreviverem vão viver anos de trevas, e a magia negra vai reinar.

Jun beijou a mão de Sun-Hee, e se levantou lentamente, uma expressão cansada e extremamente preocupada. A Rainha estava séria, segurando algumas lágrimas que tentavam escapar. Seus olhos azuis cruzaram com os de Seung, e ele se levantou, sem saber o que estava fazendo, passando pelo rei, que saía do salão. Ele se ajoelhou ao lado da Rainha, e segurou em suas mãos brancas e macias.

— Tudo vai ficar bem.

A Rainha parecia grata pelas palavras de conforto de Seung, e o abraçou carinhosamente.

— Sim. Tudo vai acabar bem.

Seung tentava passar despercebido, carregava quatro livros, e andava sorrateiramente pelos corredores escuros. Já se passavam das onze da noite e o turno dos guardas noturnos começava bem agora.

Kwan tinha dado dicas valiosas para Seung caminhar pelo palácio à noite. Ele nem quis saber como ela sabia tantas coisas, mas ficou muito curioso.

Não conseguia parar de se perguntar o que o príncipe tinha feito o dia todo fora do palácio, com a situação que começava a piorar. O Rei parecia cada vez mais preocupado e nervoso, e a Rainha começava a perder a calma.

Seung queria saber mais sobre essa Bruxa, e pegou um livro lista com nomes de bruxas muito poderosas da nova geração do reino de Nam, o reino do Sul.

A cada vez que um novo rumor chegava aos ouvidos do Rei, ele ficava mais preocupado, Seung achou que se ele pesquisasse um pouco sobre essa bruxa, e o alquimista, ele poderia dar uma informação importante para a Rainha.

Entre o livro lista, ele levava um livro que o ajudaria a entender como as afinidades mágicas funcionavam, um livro de etiqueta, e até um livro de moda, para saber se vestir sem a ajuda dos servos.

Andava grudado com a parede, com medo de ser visto por um dos guardas. Ouviu passos vindo em sua direção e parou em um canto escuro, implorando que não fosse visto. Sentiu um vulto passando em sua frente e se virou, vendo Kyung-Soon passando correndo, sem notar ele ali. Era a terceira vez que ele via Kyung-Soon andando pelo palácio a noite, e mesmo que ele também estivesse burlando a ordem de ficar no quarto á noite, Seung estava muito curioso para saber o que ela fazia toda noite.

Andou mais rápido, e entrou no quarto de Yuga, fechando a porta lentamente. Sentiu o cheiro de tinta fresca e a brisa fria que vinha das janelas abertas. O quarto estava iluminado pela luz da lua, e também cheirava á pães.

— Você roubou comida?

Yuga se virou, pintava algo parecido com um lago, com cores alegres e claras.

— Claro que não! — Yuga voltou a pintar — Joo pegou pra mim.

Seung colocou os livros na cama macia de Yuga e foi até a mesa onde os pães estavam. Pegou um e se virou pra Yuga.

— Estou preocupado.

Yuga suspirou.

— Com o quê dessa vez?

— Com o príncipe que não apareceu no palácio o dia inteiro...

Yuga o interrompeu:

— Eu já te disse, ele deve estar entregando uma mensagem...

— Temos três mensageiros que vivem aqui só pra fazer isso!

— Ou estudando algo, comprando alguns livros, ou quem sabe, mais tintas pra mim!

— Impossível, ele é o príncipe!

— Talvez ele foi dar uma olhada no exército, nos postos de treinamento de cada província...

— Eles tem pessoas pra fazer isso, toda semana.

— Nossa, mas você sabe de tudo?!

Seung riu, as moças estavam ajudando bastante o explicando como as coisas funcionavam. Começou a desfazer as pequenas tranças em seu cabelo ondulado. Yuga o olhava, atenta.

— Com o que mais você está preocupado?

Seung se sentou ao lado dela.

— Hoje no jantar eu ouvi a conversa do Rei com a Rainha e...

Seung contou tudo o que ouviu para Yuga, que escutava tudo atentamente. Tinha guardado os pincéis quando viu a seriedade daquilo. Dessa vez, pela primeira vez, Seung estava preocupado com algo importante.

— E... O que o Rei vai fazer?

— Até agora, tudo o que ele pode fazer é reunir o Conselho.

— Conselho...?

Yuga não sabia do Conselho, tinha estado ocupada demais com Joo para prestar atenção nas aulas.

— Os cinco reis do nosso continente formam o Conselho. o Rei Jun, o Rei Chin-Hwa, do norte, onde essa bruxa pretende atacar, o Rei Bong, o Rei In-Su, e a Rainha Woong.

— Bem... assim que reunirem o Conselho, eles vão tomar a decisão certa e vão acabar com essa mulher... certo?

— Não é tão fácil assim... E ainda tem o alquimista, que é muito poderoso. Dizem que ele cria Golems para lutar entre os homens enfeitiçados.

— Como alguém é capaz de enfeitiçar outra pessoa?

— Ah!

Seung correu até a cama e pegou o livro de capa negra, com letras bordadas em ouro que diziam "A Magia, livro Um".

Se sentou, enquanto abria o livro no sumário.

O livro tinha vários kanjis desconhecidos, e símbolos que Seung nunca tinha visto antes. Algo dentro de si o fazia se sentir familiar com aqueles símbolos, o que era muito estranho.

Yuga passou os dedos sobre o livro, tentando ler o sumário.

— Nossa... Esses hiraganas... são muito complicados.

Seung se sentia muito mal por não poder ler o livro, mas ele não ia desistir.

— Eu vou até a biblioteca, e pego um livro de hiraganas. E então nós dois vamos ler esse livro antigo e complicado.

Yuga sorriu, sabia que Seung não ia deixar aquilo pra trás. Quando ele queria algo, ele fazia de tudo para conseguir. Especialmente quando se tratava de comida ouinformações.

Seung pegou um pão na mesinha e saiu do quarto, se sentindo animado. Um sentimento de curiosidade crescia dentro de si, como se fosse muito importante que ele aprendesse o significado daqueles símbolos, e de como tudo relacionado à magia fosse algo muito importante pra ele.

Começou a correr, passando pelos corredores mal iluminados e frios, os cabelos soltos desgrenhados voando com a brisa fria. Ia em direção a biblioteca quase sem se preocupar em cruzar com alguém, e só pensou em parar de correr como uma criança quando esbarrou em algo, que o fez cair.

— Ouch!

A dor nas costas, e na bunda de Seung não foi o pior, quando ele procurou pelo motivo de sua queda e viu Bon-Hwa, suado, com roupas desgrenhadas, e sem camisa, sentiu o rosto esquentar.

— Er... Me desculpe...

Seung se levantou, Bon-Hwa parecia irritado, os punhos cerrados, os olhos vermelhos encaravam Seung. Usava um manto negro nas costas, as calças estavam sujas e tinha uma espada atada na cintura.

— Você...

Bon-Hwa disse, parecia querer estrangular Seung, mas, felizmente, se controlou. Saiu apressado, não sem antes empurrar o ombro de Seung com toda força.

— Espera um pouco!

Seung gritou, sem se preocupar de serem vistos. Aquilo era a gota d'água.

Bon-Hwa se virou, e vendo a expressão de Seung, veio até ele, com medo do homem continuar gritando no meio do corredor e acabar com a sua descrição.

Seung se aproximou do príncipe, estava furioso.

— Está na hora de você me ouvir.

Bon-Hwa estava cansado, cansado demais para aquilo.

— Desde que eu cheguei aqui, você não foi nem um pouco amigável, e quando eu pensei que você tinha me dado uma chance de te mostrar que eu não sou só um plebeu imundo que você pensou que eu era... Era tudo uma atuação! Eu sei que a rainha te pediu, isso mesmo! Ela teve que te pedir pra você ser educado comigo! E aí eu tive que fingir que tudo estava bem na frente dela! Por que você não pode me dar uma chance como você fez com as outras?! Você tem uma relação especial com todas as suas concubinas! E por que não comigo?! — Bon-Hwa suspirou, estava levando o primeiro sermão de seu esposo? — E não venha com essa história de não gostar de homens por que eu ouvi boatos de que você gosta, e muito, de ambos os sexos — os olhos de Bon-Hwa se arregalaram com a surpresa e indecência de Seung — e você me beijou! Não tem como você não ter gostado de mim! Ou foi a sua mãe que te pediu pra me beijar tamb...

Bon-Hwa tampou a boca de Seung com a mão esquerda, o prensando na parede, os corpos de ambos bem próximos. Seung podia sentir a respiração de Bon-Hwa em seu rosto, e o aroma que emanava de seu corpo era inebriante.

— Nunca mais fale do nosso... beijo... As paredes tem ouvidos

Seung tirou a mão do príncipe de seu rosto com um empurrão.

— E ninguém pode saber que o grande príncipe Bon-Hwa beijou um homem certo? É por que eu era um servo? Ou só por que eu sou um homem? Não sou inteligente o suficiente? Não tenho curvas que voc...

— Shhh! — Bon-Hwa prensou o corpo de Seung na parede mais uma vez, segurando o rosto de Seung em sua mãos — Eu não quero que ouçam que o "grande príncipe Bon-Hwa" — disse, tentando imitar a voz de Seung com sarcasmo — beijou seu esposo no primeiro dia que passaram juntos.

Os olhos de Bon-Hwa foram até a boca de Seung, que sentia o coração palpitar.

— Mas... eu posso te beijar a qualquer hora agora...

Bon-Hwa foi em direção aos lábios de Seung lentamente, e Seung queria tanto aquele toque, desde a primeira vez que sentiu o gosto dos lábios de Bon-Hwa ele queria mais, mas não naquela noite.

Virou o rosto, e continuou a gritar:

— Nada disso! Você me trata mal e acha que eu vou te beijar?! Se acha que o nosso casamento vai ser assim você está muito enganado!

— Shhh! — Bon-Hwa pressionou o seu corpo musculoso sobre o corpo de Seung — Eu... olha, me desculpa ok? Eu não tinha aceitado o fato de me casar com você no começo mas... Eu... falei com o Grande Ser e... bem, eu não me importo mais. Você, Seung da província amarela, é o meu esposo. E dessa vez, de verdade, vamos nos dar — Bon-Hwa fez questão de enfatizar a palavra — muito bem...

Aproximou o seu rosto com o de Seung e se beijaram. O gosto de Seung era algo que ele começava a se acostumar, o cheiro de canela e coco que vinha de seus cabelos macios, e o toque de sua mão em sua nuca era algo que mexia com ele, de várias formas.

Seung abraçava Bon-Hwa, passando a mão pelo peitoral definido do príncipe. Bon-Hwa começou a beijar seu pescoço, abrindo o colarinho de seda de seu terno de seda, mordiscando sua orelha. Seung nunca beijara alguém daquela forma, e enquanto passava as mãos pelo tórax de Bon-Hwa, ele não conseguia pensar em mais nada, todo os sentidos se concentrando no toque dele em seu corpo, querendo mais.

Ouviram algo passando pelo corredor e se separaram subitamente, ofegantes, os corpos quentes e o rosto de Seung extremamente vermelho.

O corredor estava vazio, e o barulho era apenas um pássaro que passava do outro lado da janela. Bon-Hwa se virou para Seung, ambos tentando recuperar o fôlego.

— Er... é melhor eu ir dormir...

— Sim.. claro, eu também só vou...

Saíram em direções diferentes, o corpo de Seung quente, ainda sentindo o gosto da língua de Bon-Hwa, o pescoço ardendo pelas mordidas do príncipe. Correu até a biblioteca, sorrindo de um jeito bobo, sem se concentrar em nada, sentindo o cheiro de Bon-Hwa em suas vestes.

Bon-Hwa entrou em seu quarto, a respiração ofegante, começou a se despir, pronto para entrar na banheira gelada preparada pelos servos na manhã passada. Precisava de um banho gelado para aliviar seus nervos, e quando se virou, nu, em direção a banheira, ele se assustou com a mãe, sentada em sua cama, o olhando atentamente.

Rapidamente cobriu seu membro, e com o rosto extremamente vermelho, procurou por uma toalha, que sua mãe jogou em sua direção. Se enrolou rapidamente, e tentando recuperar a postura, perguntou:

— Mãe... é tão tarde e... o que você está fazendo acordada e... no meu quarto?...

— O que você fez o dia todo para chegar assim?

A aparência de Bon-Hwa não se parecia em nada com um príncipe. As calças sujas, sem camisa, os sapatos enlameados, os cabelos desgrenhados, o rosto vermelho, enrolado em uma manta escura e suja.

— Eu... Bem...

— Como foi a conversa com o Grande Ser? — Sun-Hee sabia da reunião do filho com o Ser, pois foi ela mesma quem arrumou tudo, com muita dificuldade, pois o Grande Ser era muito ocupado e... esquecido — Foi o que esperava?

— Não. Ele não fez nada do que eu pensei que ele fosse fazer.

Bon-Hwa se sentou ao lado de sua mãe, lhe contando como tudo aconteceu.

"Estava descendo do cavalo, se enrolou na manta, tentando se proteger do frio, as rajadas do vento eram muito fortes naquela montanha, onde o Grande Ser o esperava, no centro de um círculo de pedras, onde as Bruxas costumavam fazer seus cultos. A Floresta Negra era cheio deles.

Não sabia como agir diante do Grande Ser, e por isso decidiu agir como um príncipe, com imponência e arrogância. Entrou no círculo e os ventos pararam, era como se tivesse entrado em uma sala, quente e com o cheiro das velas aromáticas que faziam qualquer um se sentir confortável. O céu naquela parte estava estrelado, e a lua brilhava ainda mais. Bon-Hwa sabia que aquilo era uma ilusão, fazia parte da magia do Grande Ser, que sorria para ele, vestido com uma túnica branca, a barba descendo até sua cintura.

— E então? — o Ser disse, se aproximando — Qual é o motivo dessa reunião tão importante? — antes que Bon-Hwa pudesse falar algo, o Ser continuou — E por favor não me diga que me chamou até aqui, atrapalhando o meu sono de três dias para me dizer que ainda duvida da escolha dos Espíritos.

— Eu...

— Bon-Hwa, antes que possa tentar me fazer entender sua lógica, deixe-me lhe fazer três perguntas simples.

Bon-Hwa assentiu, tirando o manto e o jogando ao seu lado, ali onde estava não fazia frio.

— Você se incomoda com o fato de Seung ser um plebeu? Por que todas as concubinas também foram plebéias... você se lembra do passado de Ryung?

— Sim...

— Você a aceitou, foi amigável, viu ela se tornar uma dama, uma concubina real. Certo?

— Sim...

— E então por que não faz o mesmo com Seung?

Bon-Hwa hesitou, sem saber o que dizer.

— Minha segunda pergunta é simples, e não adianta tentar negar, eu não preciso saber dos boatos que correm no palácio, ou de te perguntar isso mas eu sei que você tem sentimentos por homens.

Bon-Hwa corou violentamente.

— E então por que não aceitar Seung?! Os Espíritos não se enganaram, meu príncipe.

O Grande Ser se aproxima de Bon-Hwa, colocando uma mão enrugada e pálida em seu ombro.

— Não se preocupe com o que os outros vão falar, sobre as fofocas ou murmurações. Com o tempo, Seung vai provar ser digno da escolha dos Espíritos. Confie em mim.

O Grande Ser sussurrou no ouvido de Bon-Hwa:

— E se mesmo assim alguém o ofender, você vai ser o rei e vai poder...

Fez um sinal de corte com a mão, passando pelo pescoço.

— Sabe, matar quem não te respeitar.

O Grande Ser deu uma grande gargalhada, e se afastou de Bon-Hwa.

— E então? Mais alguma coisa?

— Ah... não... Obrigado.

— Não há de quê. Mas você tem certeza que não quer me perguntar nada? Por que se vocÊ me acordar mais uma vez para resolver algo tão bobo quanto isso, eu vou ter que mandar uma praga e...

— Não! Eu tenho certeza que não vou te chamar mais. Não vou interromper o seu... sono... muito importante.

— Bom, está bem, então eu vou indo.

O Grande Ser se virou e desapareceu, levando com ele a sensação de conforto que Bon-Hwa sentia, o vento veio forte em sua direção, o aroma das velas desaparecendo. A manta de BOn-Hwa voou para longe, e enquanto ele tentava se proteger do vento frio, ele correu para pegar o manto, e acabou tropeçando em uma pedra e..."

Bon-Hwa não quis terminar a história, e sua mãe o escutava atentamente. Por algum motivo, seu rosto não estava sereno como de costume, sua expressão era preocupada.

— Bem, agora que essa questão está finalmente resolvida... Acho que posso dormir em paz.

Bon-Hwa sorriu, e segurou a mão da mãe.

— Obrigado.

Sun-Hee sorriu, e beijou o rosto do filho suavemente.

— E se não for pedir demais... Se você puder não beijar seu esposo pelos corredores...

— Mãe!

Bon-Hwa corou, e sua mãe gargalhou, passando a mão pelos cabelos desgrenhados de Bon-Hwa. Saiu de seu quarto lentamente, fechando a porta atrás de si, e Bon-Hwa se deitou, ainda sujo e suado, com o gosto de Seung em sua boca. Se sentia um bobo, mas estava alegre e ansioso por tudo que estava por vir.

Notas finais
Meu Deus kkkkkkk que cena...!!!! Espero que tenham gostado tanto quanto eu Até que enfim o senhor Bon-Hwa parou de palhaçada né! Agora sim teremos cenas hot Finalmente! Tadinho do rei Jun, tá todo nervoso e preocupado com essa situação... mas é só o começo...