The Love Is a Drug
7 Reencontro
Tóquio [Japão] — 09:25
Colégio Denpun — Honoka Pov.
Faltam apenas 5 minutos para o término do intervalo, e eu mal consigo me concentrar em meus pensamentos. Shun, o ruivo que se juntou a mim, Akira e Ryoshi para o lanche, não para de tagarelas NEM POR UM SEGUNDO! Ele é muito animado e feliz, nunca vi igual! Ele terminou de comer seu sanduíche em segundos, o que fez ele falar ainda mais em nossos ouvidos. Vez em vez Akira o respondia, porém ele mal dava tempo para isso. Logo, após o intervalo inteiro ter passado, Shun decidiu se focar em seu celular. Ele parou instantaneamente de falar, até ouvir o sinal tocar, se "despertando".
— Er...Shun? — Akira diz, ao ver o ruivo concentradíssimo em seu celular.
— Sim? — Shun se vira a Akira, retomando seu sorriso ao rosto. Logo, guarda o celular em um dos bolsos do casaco.
— Sei lá cara, do nada você começou a olhar esse treco aí e se distraiu totalmente do mundo... — Akira diz coçando a nuca.
— Ah...é que me mandaram uma mensagem, e-e eu gosto de responder, sabe... — ele sorriu novamente, porém parecia nervoso. Ao chegarmos no segundo andar, o ruivo se despediu calorosamente. — Adeus amiguinhos!! Eu queri mesmo continuar conversando com vocês, mas minha aula é lá no segundo ano! — sorriu, apontando para sua sala.
Logo, ele nos abraçou fortemente, um de cada vez, ao começar por Ryoshi, depois Akira e por fim eu. Nós três ficamos a observar o garoto ir saltitando para a sua sala, dando um grito ao adentrar a mesma. De repente, começamos a rir de sua face. Aquele menino é louquinho...
— Doidão, cês num acham? — Akira indaga a mim e Ryoshi, que apenas concordamos com um uníssono "aham".
Logo nós adentramos a nossa sala, e cada um foi para seu lugar. Akira e Ryoshi estavam sentados um ao lado do outro, sendo Ryoshi sentado na janela, na antepenúltima carteira da fileira e Akira ao seu lado. Eu, por minha vez, me encontrava sentada na mesma fileira de Akira, porém na primeira carteira. Me sentei e fiquei de cabeça baixa, até minha atenção ser chamada por um grito, vindo detrás. Era Akira.
— Ei, Kurata!! Vem sentar aqui com a gente!! — chamou-me. Concordemos, Akira se assemelha muito a Shun nesse aspecto risonho e contente de ser...
— C-claro... — eu falei em um tom baixo. Estava mais corada que um tomate, visto que quase todos da classe olhavam diretamente para mim.
Arrumei meu material e me dirigi a carteira a frente de Akira, donde não havia sentado ninguém. Viro um pouco de lado para poder observá-los. Ryoshi estava bastante corado, tanto quanto eu. Já Akira se encontrava sereno e calmo, e olhava sorrindo para mim.
— Bem, vocês não precisam me chamar de Kurata, podem me chamar de Honoka se quiserem. — eu digo com um leve sorriso estampado a minha face. Akira sorri.
— Claro, Honoka! — ele diz, me fazendo corar. Pra ser sincera, eu coro á toa...
A partir daí a aula passou normal. Era um pé no saco, devo confessar. Eu me desconcentrei totalmente do professor, e apenas fiquei a bater o lápis na mesa, apoiando minha cabeça nas mãos. Algumas vezes cheguei a pôr o lápis na boca, ou em outras abaixar minha cabeça por completo, em sinal de completo tédio, lógico. Após uns dois tempos daquela chatura de aula, um dos inspetores adentrou a classe, que a esta altura já estava um furdúncio miserável, como sempre.
— Quero avisar a vocês que a professora Asako não pôde vir a escola hoje... — antes que o mesmo completasse sua frase, a classe havia se tornado um zoológico. Os alunos começaram a pular nas cadeiras e fazer bagunça. Já outros, como o caso de Akira, batiam na mesa e gritavam felizes. Outros, que eram a minoria, ficavam quietos, assim como eu e Ryoshi estávamos. — HEY!!! — ele elevou o tom de voz. — Podem arrumar os materiais, vocês irão mais cedo! — foi aí que a bagunça começou de verdade.
O inspetor saiu com o rabo entre as pernas da sala. Realmente ele não estava nada agradado com a nossa turma, o que me fez dar uma risadinha. Organizo minhas coisas e vou em direção a porta. Por mais incrível que parecesse, eu era a primeira a sair. Caminho rumo a escadaria, para enfim ir embora. Porém, antes que eu chegasse ao primeiro andar, sinto minha mão ser puxada para o canto do corredor, e vejo que era Ryoshi.
— Honoka, precisamos conversar... — ele cochichou, olhando diretamente em meus olhos. Estávamos abaixados num canto do corredor, ao lado das escadas.
— S-sim... — confirmo.
— Escuta, precisamos descobrir logo quem são os outros portadores de diário. — ele afirma. Encaro-o.
— C-como assim? — pergunto.
— Temos de descobrir, antes que eles nos descubram. — ele disse. Logo virou seu olhar para ver se alguém vinha, e ao ver que não havia mais ninguém no local, relaxou-se por completo, finalmente se sentando ao meu lado, saindo de minha frente.
— M-mas...eu não quero matar ninguém, Ryoshi! -digo, desta vez em um tom um pouco mais alto.
— Não é isso. Não precisamos necessariamente matar ninguém, mas você sabe que a maioria dos portadores deseja se tornar Deus, e para isso eles irão vir atrás de nós. — ele coloca as mãos na frente do rosto, cobrindo apenas sua testa. — Só precisamos descobrir quem são e "desviar" dos obstáculos. — representou as aspas com os dedos.
— Ah...entendi! — confirmo. — Mas ainda não me sinto confortável para isso. — ele tirou a mão de sua testa e segurou a minha.
— Estamos juntos nessa, ok? — ele me pergunta. Sinto minhas bochechas arderem um pouco, e percebo que a esta altura eu já estava vermelha. Concordo com a cabeça e ele sorri. — Vamos então? — afirmo novamente, e assim fomos em direção a saída.
Shibuya [Japão] — 12:30
Yuuka Pov.
Eu e Shuichi continuamos brincando durante aquele tempo todo. Acho que Gwen e Macao realmente se deram muito bem! Eu espero que continue assim, eu não quero que Gwenzinha brigue com o Macaozinho. Após a o Dia do Brinquedo todinho passar, a professora liberou a saída, para que nossos pais viessem nos buscar. Eu, por documentação, tenho o direito de ir embora sozinha, mesmo sendo novinha demais para isso. Porém eu não tenho escolha alguma, meus pais não podem me buscar. Pego minha bicicleta e vou em direção ao portão da saída, antes é claro, me despeço de Shuichi.
— Tchau amigo! — dou-lhe um abraço.
— Tchau Yuu! — ele retribui, com um sorriso no rosto. Afago seus cabelos brancos, sorrindo para ele. — Yuukinha, você vai sozinha para casa? — ele me pergunta, erguendo uma sobrancelha.
— É, sim eu vou. — respondo-lhe.
— Mas...não é perigoso? — ele retruca.
— Um pouquinho, mas minha casa fica bem perto!! — eu sorrio para ele, e carinhosamente lhe dou um beijinho na bochecha. O albininho tinha ficado corado com o beijinho que eu lhe dei, hehe. — Tchau Shuichi!! — subo na bicicleta e começo a pedalar.
Pedalo por algumas ruas, e faço uma parada rápida para comprar alguns doces. Minha casa fica a apenas 2km da escola, não preocuparia meus pais. Após comprar os doces, continuo meu percurso, até chegar em frente a minha casa. Era uma casa simples, havia algumas outras casas ao seu lado, uma cerca marrom-clara com uma pequena portinha em seu centro. Ao entrar, é possível ver um jardim de grama verde clara, com um pequeno caminho de pedra em seus meios, de forma quadrada.
A casa em si possuía a coloração branca, sendo seu teto feito de tijolos. Ao adentrar a mesma, vejo que estivera tudo escuro. Suas paredes azuis bebê não eram claramente visíveis, e os cômodos se encontravam totalmente em breu. Apenas ponho parte da cabeça para dentro, e logo vejo papai e mamãe "sentados" no centro da sala. Os cumprimento diretamente da porta.
— Olá mamãe. Olá papai. Eu cheguei! — exclamo, dando-lhes um sorriso. Em seguida, entro finalmente.
Shuichi Pov.
Após Yuu ir embora, eu me sentei no cantinho do pátio. Comecei a observar os meninos brincando e sorri. Já ia me juntar a eles, porém ouço meu nome ser chamado, e infelizmente paro. Tomo meu material em mãos e vou em direção ao portão, correndo.
— Dona Tereza!! — exclamo abraçando a mulher, que retribui calorosamente.
— Shuichi! — pega minha mochila e minha merendeira em mãos, e me dá a sua disponível para que eu a segurasse. — Como foi seu dia? — pergunta-me.
— Foi ótimo! — exclamo sorrindo. — Hoje foi o Dia do Brinquedo na escola, e eu levei o Macao!
— É Shu? Que legal! — ela sorria para mim simpaticamente. "Shu" era um apelido carinhoso que ela havia me dado quando me conheceu.
— Aham, aham! — digo com um pouco de pressa na fala. — E sabe o que mais? A Yuuka levou a boneca dela, a Gwen, e o Macao e ela se tornaram grandes amigos!! — exclamo aos risos.
— Muito legal Shu! Vejo que hoje você se divertiu! — eu afirmei. Continuamos caminhando, até chegarmos em casa.
Ao chegarmos na mesma, fui direto ao banheiro lavar as mãos e esperar até a dona Tereza terminar de preparar a comida. Ela avisou que hoje faria bife com batatas fritas, minha comida favorita. Fiquei super feliz com a notícia, e é claro que acabou me vindo em mente os velhos tempos.
Eu lembrei de quando minha mão cozinhava essa mesma comida para mim, e quando ela ia me buscar na escola. Ela sempre me perguntava como havia sido meu dia, e sempre fazia carinho em meus cabelos. A gente ia de carro para casa, pois naquela época era um pouco longe a creche de casa. Ela contava os "problemas" dela (que na realidade ela os inventava só para me fazer rir) e contava algumas piadas. Sempre, antes de chegar na vila onde morávamos, ela me comprava uma barrinha de chocolate ou balas açucaradas em tubinhos. Era muito bom... Também lembro que, quando o papai chegava em casa, ele me ajudava com os deveres, e geralmente os fazia para mim (visto que era somente para colorir alguns palhaços no Dia do Circo, ou então um coração no Dia dos Namorados). Todo a semana, desde que havia aprendido a falar, eu fazia uma surpresa para meus pais, e cantava uma música qualquer de roda.
Suspiro, despertando de minhas lembranças. Logo, vejo que ainda estou no banheiro e que dona Tereza estava a me chamar. Eu seco as mão e vou descendo as escadas, avisando-lhe que já estava indo.
— Já vou Tetê!! — solto uma risadinha e ela também, lá da cozinha. A nossa vizinha tinha o costume de a chamar de "Tetê", então eu comecei a chamá-la assim também de vez quando, o que era engraçado.
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