O princípio de aborto de Bella começou de forma quase silenciosa.

A tontura veio primeiro.

Depois o cansaço excessivo.

E então a sensação estranha de fraqueza que a fez sentar-se rapidamente no sofá enquanto Anthony brincava no tapete da sala com pequenos blocos de madeira. Bella tentou ignorar, dizendo a si mesma que era apenas o peso da gravidez e o estresse emocional acumulado com as notícias constantes da guerra.

Mas quando a dor abdominal começou de forma intermitente, Renée percebeu imediatamente.

— Bella… você está pálida.

Carlisle foi chamado.

Os exames confirmaram o que temiam: a gravidez era de alto risco.

— Você precisa de repouso absoluto — disse o médico com firmeza. — Qualquer esforço pode colocar a vida do bebê e da mãe em perigo.

Bella não chorou.

Mas Edward ficou em silêncio por um longo tempo quando soube.

A despedida de Edward, Jasper e Carlisle aconteceu alguns dias depois.

O caminhão militar estacionou diante da casa dos Swan-Cullen para levá-los de volta ao Vietnã.

Não havia estação de trem.

A guerra agora era mais direta, mais brutal, e o transporte era realizado através de aviões militares que partiam de bases estratégicas.

O quintal da casa estava cheio.

Anthony abraçava o pai com força.

Audrey segurava a mão de Jasper.

Renée chorava silenciosamente ao lado de Esme.

Bella estava de pé diante de Edward.

O vento mexia suavemente no cabelo dela.

— Não vá com medo — Edward disse.

— Eu tenho medo de perder você.

— Eu volto para você.

Bella fechou os olhos por um segundo.

— Promete?

— Prometo lutar para voltar.

Ela segurou o rosto dele com as duas mãos.

O beijo foi lento, como se ambos tentassem guardar cada detalhe da presença do outro.

Edward abraçou Anthony.

— Cuide da mamãe — disse ao filho.

— Eu cuido — respondeu o menino, sem entender completamente a profundidade da promessa.

O caminhão partiu lentamente.

Bella permaneceu parada no quintal até que o veículo desapareceu na estrada.

A viagem até o Vietnã tornou-se cada vez mais militarizada.

O transporte agora era feito por aviões militares.

A chegada à base foi marcada por reencontros silenciosos com soldados conhecidos.

O trabalho médico tornou-se ainda mais intenso.

Os ataques eram constantes.

Feridos chegavam quase sem parar.

Edward dormia pouco.

Comia menos.

Mas continuava escrevendo cartas.

Bella enviava fotografias polaroide.

Fotos dela com Anthony.

Fotos da família.

Fotos da gravidez.

Havia também um pequeno recorte de ultrassom do bebê ainda em formação.

Ela escrevia nas cartas:

“Estamos esperando você voltar.”

Edward respondia sempre.

Mesmo quando o tempo era escasso.

“Bella,

Hoje cuidei de sete soldados feridos.

Laurent ainda faz piadas ruins sobre a comida.

Anthony provavelmente já está falando demais.

Eu sinto falta de vocês.

Eu volto.

Eu amo vocês,

Edward.”

Quatro meses depois, o bombardeio aconteceu.

A sirene de alerta começou a soar antes que as explosões chegassem.

O ar tornou-se pesado.

O céu ficou coberto por fumaça escura.

O prédio onde havia civis escondidos estava sendo atingido.

Edward estava com Laurent quando o ataque começou.

— Temos que entrar — disse Edward.

— É suicídio — respondeu Laurent.

— Tem crianças lá dentro.

Jasper deveria ter ido.

Mas estava com febre severa causada por uma inflamação grave no ouvido.

Edward tomou a decisão.

— Eu vou.

— Você é médico, não soldado de linha de frente — disse Laurent.

— Hoje somos os dois.

Eles correram para dentro do prédio enquanto o som das bombas se aproximava.

O calor era sufocante.

O cheiro de concreto queimado e poeira dominava o ar.

Edward encontrava civis escondidos nos andares inferiores, gritando para que seguissem atrás dele.

— Fiquem abaixados! — ordenava.

— Não parem!

Uma explosão atingiu o andar superior.

O prédio tremeu.

O teto começou a ceder.

Laurent estava ajudando uma mulher e uma criança quando outra bomba atingiu o lado leste do edifício.

O impacto lançou fragmentos metálicos e fogo.

Laurent foi atingido diretamente.

O corpo dele foi consumido pelas chamas.

Carbonizado.

Edward tentou puxá-lo, mas o calor era insuportável.

— Edward… vai! — Laurent gritou antes de morrer.

Edward viu o amigo desaparecer nas chamas.

E correu.

Os civis conseguiram sair.

Edward também.

Ferido.

Sangrando.

Mas vivo.

Caiu inconsciente alguns metros depois do prédio destruído.

Os militares não encontraram o corpo.

O relatório oficial foi concluído com base nos escombros e testemunhos.

Na base militar, Carlisle recebeu a notícia.

O mundo parou.

— Meu filho… está morto?

O oficial apenas confirmou.

Carlisle caiu de joelhos.

O grito que saiu dele foi o som de um pai que perdeu tudo.

Jasper chorou em silêncio ao lado dele.

Pensava em Bella.

Pensava em Anthony.

Pensava em todos que esperavam em Forks.

Edward não morreu.

Foi encontrado desacordado por civis de um vilarejo próximo à base militar.

O homem que o salvou chamava-se Eleazar Denali, um nativo da região.

Edward estava gravemente ferido e em coma.

Eleazar levou o soldado americano para sua casa.

Sua filha, Tânia, cuidou dos ferimentos de Edward durante o coma.

Tânia se apaixonou silenciosamente pelo homem inconsciente que repetia o nome de uma mulher que ela nunca conhecera.

— Bella… — Edward murmurava às vezes.

O funeral de Edward aconteceu em Forks.

O caixão estava fechado.

Carlisle e Jasper já estavam na cidade quando a cerimônia ocorreu.

Bella não conseguiu falar durante o enterro.

Renée chorava.

Esme permanecia ao lado da nora.

Emmett segurava a cadeira de rodas com força, os olhos vermelhos.

Mais tarde, Esme encontrou Bella sentada no chão do quarto, cercada pelas cartas que trocava com Edward.

Bella lia cada uma delas novamente.

Como se pudesse encontrar uma última respiração dele entre as palavras.

Esme sentou-se ao lado dela e apenas a abraçou.

Bella chorava silenciosamente.

— Ele prometeu voltar — sussurrou.

— Eu sei — disse Esme.

— Eu ainda o amo.

— Eu sei, minha filha.

Esme permaneceu ali, protegendo a nora como uma mãe protege uma criança quebrada pelo mundo.

E em algum lugar distante, num vilarejo esquecido pela guerra, um soldado americano em coma respirava lentamente sob os cuidados de uma jovem que acreditava que o amor podia salvar até mesmo homens perdidos entre vida e morte.