The Lion
23 Capítulo XXII
Notas iniciais
O lado racional de Edward, The Lion, Masen lhe dizia, insistentemente, que não deveria se envolver ainda mais com Isabella Swan e passar alguns dias ao lado dela, mesmo que a pedido do noivo, era uma péssima idéia. Mas ele nunca conseguia agir racionalmente quando o assunto era Bella. Por esse motivo, quando voltou para a relativa segurança e calma de seu quarto, o lutador se pegou sorrindo ligeiramente. Provavelmente, estaria cavando sua própria sepultura, mas teria a morena apenas para si... E não era esse o seu eterno desejo?
Depois de deixar a ex-namorada aos cuidados de seu rival, o ruivo não foi capaz de decidir o que fazer. Tinha que pensar nas consequências de suas ações naquela noite, mas tudo o que ocupava a sua mente era a horrível sensação de abandono que passou a sentir no momento em que a mulher que amava o dispensou sem sequer um olhar.
Talvez fosse melhor que deixasse o Canadá o quanto antes. Indo mais além, talvez devesse, de fato, sair do caminho de Bella, deixar que James cuidasse dela... Em todos os sentidos. Mas não tinha sido ele próprio quem havia agarrado, com uma dose quase evidente de alegria, a oportunidade de cuidar dela? Deveria ter dito não, mas havia dito sim e, para sua desgraçada, tudo o que pensava quando concordou com essa loucura era que a teria só para si... Por pelo menos alguns dias.
– Vem para a cama, Baby. A voz manhosa e irritante de Jéssica, fez com que Edward, mais uma vez, se arrependesse da decisão inconsequente de assumir um compromisso com uma mulher por quem nem mesmo sentia uma mínima dose de atração ou afeição apenas para provocar quem ele, realmente, queria a seu lado.
Paciência Ele pensou. Não tinha como mudar o que já havia feito e, além disso, poderia manter a atual namorada, pelo menos, até ter certeza que Isabella, de fato, não se importava. Afinal, Masen não era idiota o suficiente para pensar que os dias que se seguiriam transformariam a sua vida em um paraíso, que todos os seus problemas, especialmente os que incluem Bella, se resolveriam... Obviamente, queria ficar sozinho com ela por ora, mas não sabia como tudo se desenrolaria quando voltassem a desempenhar seus costumeiros papeis e ele precisar ter alguma forma de contra-atacar e se para isso precisasse usar Jéssica, ele a usaria sem nenhum pingo de remorso.
Não era essa a realidade do mundo? O lutador ponderou enquanto se acomodava sobre a cama, incomodado com o sorriso provocante que recebia da mulher sonolenta que o aguardava. As pessoas, fossem quem fossem, estavam constantemente sendo usadas e usando umas as outras... Era como um ciclo vicioso essa merda de vida.
– Volte a dormir, Jéssica. O ruivo disse baixo, mas teve o cuidado de não deixar o tom de voz sério, que sempre usava com a namorada, de fora.
– Onde você estava? Ela perguntou se aconchegando ao lutador, usando o corpo bem feito para provoca-lo. Infelizmente, para a loira, Edward era imune as suas provocações.
– Por aí... Foi a resposta vaga de Edward. Agora volte a dormir, amanhã você tem um vôo cedo.
Vôo esse em que ele deveria também embarcar, mas já estava decidido que não iria.
– Ainda podemos aproveitar a noite... A mão feminina, alheia a indiferença do seu toque, deslizou pelo tórax definido em direção ao sul, esperando ser capaz de se infiltrar sob a calça de moletom larga que Edward usava. O movimento foi interrompido antes que Jéssica fosse capaz de chegar aos cordões que pendiam do cós.
Sentindo-se irritada pelas suas constantes tentativas de intimidade continuarem a ser ignoradas, Jéssica se moveu rapidamente, colocando-se sobre o colo do namorado. O movimento fez com que os seios fartos, precariamente cobertos pela renda transparente no bojo da minúscula camisola, se projetassem para mais perto de Edward. Por alguns segundos, ele observou o balançar dos globos, ponderando que talvez estivesse agindo como uma idiota por se privar dos prazeres sexuais que sua atual namorada tão generosamente lhe oferecia.
– Negando fogo, Campeão? Jéssica sussurrou e sem esperar por qualquer ação ou resposta, tratou de arrancar do corpo a infame camisola que usava e joga-la ao chão.
Edward era um homem como qualquer outro e ao ter a namorada, semi-nua, em seu colo, não pôde deixar de admirar o corpo feminino que, claramente, o queria. Ela era bonita, ele não poderia e nem queria negar. Mas não era o que ele queria e, embora seu corpo tenha reagido à visão de uma bela mulher oferecendo-se para ele, não estava realmente disposto a cometer mais uma burrice naquela noite.
Ignorando a necessidade de seu próprio corpo, o lutador afastou o olhar dos seios que agora estavam livres, depois de ponderar que apesar de bonitos e turbinados, eles não chegavam aos pés dos seios macios e naturais que ele havia visto naquela mesma noite... e apesar de terem sido maltratados, para Lion, marcados ou não, os seios de Bella, assim como cada centímetro do corpo dela, sempre lhe causariam mais efeito do que Jéssica e sua tentativa de faze-lo transar com ela.
Pegando Jéssica de surpresa, Edward a retirou do seu colo, jogando-a ao seu lado na cama.
– Acredite em mim, Jéssica, se eu quisesse te fuder, já teria feito. O ruivo disse com a costumeira indiferença que costumava usar para falar com Isabella, a diferença era que dessa vez ele não a estava fingindo. Agir como uma vagabunda não vai mudar isso.
– Não é o que o seu amigo diz... A modelo disse sugestivamente e, como provocação, levou uma das mãos até a evidente ereção que o lutador não pôde esconder.
A forma como ela, simplesmente, ignorava a grosseria sofrida, irritou ainda mais o lutador em ascensão, fazendo com que ele, mais uma vez, a comparasse a Bella. Sua ex-namorada talvez fosse ainda mais promiscua e oferecida que a atual, mas ela jamais aceitou, ou aceitaria, a ofensa de bom grado.
– Eu posso cuidar disso sozinho. Lion, mais uma vez, afastou a mão feminina de si e estava pronto para deixar a cama quando se sentiu sendo abraçado por trás.
– Você sabe, não é? Jéssica sussurrou em seu ouvido. Que nunca vai tê-la de verdade. Bella é uma piranha de marca maior... Seu passatempo predileto é jogar com todos os homens que, assim como você, ficam enfeitiçados por ela. Você não é o primeiro, Campeão, e não será o último. No importa o quanto ela flerte com você, no final ela sempre vai voltar para a cama do James.
Irritado pela verdade contida no comentário feito com a intenção de atingi-lo, Edward afastou a mulher que ainda se prendia a ele e se colou de pé, olhando-a com o mais evidente dos desprezos. Qualquer resquício de excitação havia desaparecido.
– E o seu objetivo é ser, exatamente, como ela, não é?
– Ah não... Jéssica continuou a sussurrar, mas dessa vez a voz tinha voltado ao tom manhoso e ela fingiu um gemido enquanto acariciava os próprios seios. Meu objetivo é você.
– Você é patética! Está tão acostumada a conseguir o que quer com sexo que não percebe que o seu par de seios falsos não me diz nada.
Sim. Ele estava sendo especialmente cruel e desagradável. Talvez estivesse tentando fazer com que Jéssica se irritasse ou se cansasse do namoro que nem deveria ter começado e tomasse a iniciativa de sumir da sua vida ou, talvez, e mais provável, estivesse apenas descontando nela a raiva que sentia de si próprio, da mulher que sempre o afetaria e, possivelmente, jamais voltaria a ser somente sua.
– Engraçado você me chamar de patética... A modelo disse sem se abalar pelo ataque sofrido e ainda a se acariciar. Quando você é o único a correr atrás de quem te despreza. Eu tenho observado vocês, Lion¸ desde a sua primeira luta... Chega a ser engraçado a forma como você parece a ponto de explodir quando ela te provoca... Essa noite mesmo quando você, pateticamente, tentou me usar para fazer ciúmes nela. Não surtiu efeito, não é? Ela sorriu para ele antes retirar as mãos dos seios e levá-la até o sexo ainda coberto por uma minúscula calcinha. Não tem problema. Você pode continuar a me usar... Eu te uso de volta. É como uma troca de favores.
– Você é... O lutador tentou encontrar um adjetivo a altura da mulher que tinha a sua frente,
– Patética? Ela completou. Não! Talvez, oportunista... Sabe como é, quando não se pode ter o melhor, tem que se contentar com o segundo melhor. E é isso que você é: O segundo melhor.
Edward Masen estava ao ponto de se igualar ao seu rival e dar a namorada alguns hematomas com os quais lidar na manhã seguinte. Se Bella agia dessa forma com James, o lutador podia entender porquê ele perdia a cabeça.
Embora tenha preparados os punhos, tudo o que o lutador fez foi se afastar da cama antes que cometesse uma loucura.
– Mas não há motivos... Jéssica continuou, aumentando o tom de voz quando percebeu que o namorado se afastava. Para não nos divertirmos enquanto usamos um ao outro.
– Você pode se divertir arrumando a suas coisas e sumindo da minha frente. Edward voltou a se aproximar. Você pode esperar pelo horário do vôo lá embaixo, no saguão...
Alguma coisa no brilho do olhar ferino que a encarava, fez com que a modelo parasse o que estava fazendo e levasse Edward a sério, pela primeira vez.
– Baby... Ela colocou, novamente, um sorriso no rosto. Mas seu charme barato não tinha, mesmo, efeito sobre o Masen.
– Você tem 10 minutos, Jéssica. Edward disse e, para deixar claro que estava farto, apanhou as roupas femininas que encontrou pelo quarto e as jogou diretamente no rosto da loirs.
– Edward! Ela protestou, irritada.
– 10 minutos, Jéssica. Ele repetiu enquanto se apossava de um dos braços da namorada e, sem delicadeza, a arrastava em direção a porta. Ou eu te coloco para fora do jeito que está.
Jéssica estava devidamente vestida antes que os 10 minutos se passassem. Enquanto se aprontava, a modelo ponderou que havia escolhido a caminho errado a seguir. Deveria ter continuado a fingir ser a menina estúpida que não se importava com a forma como era tratada... Mostrar a verdadeira face tão cedo foi um erro de principiante, mas isso não a faria desistir.
Ela queria chegar ao topo e era inteligente o suficiente para saber que não conseguiria sozinha. Edward era seu passaporte para a fama e uma vida de luxo, assim como James havia sido para Bella e Jéssica encontraria uma forma de carimbar o seu visto. Pouco se importava com as grosserias que sofreria ou com a forma que teria que usar seu corpo caso fosse capaz de convencer Edward a dormir com ela... Desde que chegasse onde almejava. Além do mais, ele não era de se jogar fora.
– Ainda está de madrugada, Baby. Ela voltou a falar, tentando encontrar uma forma de se manter por perto. Você não pode me colocar para fora assim...
– É claro que posso! Edward respondeu, embora tivesse gasto os últimos minutos ponderando tudo o que tinha ouvido e chegado a conclusão de que, apesar do que tinha acontecido, continuaria a usar Jéssica quando sentisse necessidade e a deixaria usá-lo em troca. Era, verdadeiramente, um idiota, mas era a única arma que tinha na luta contra Bella e não abriria mão dela tão facilmente, apenas tentaria ficar mais alerta... afinal, estava claro que Jéssica não era tão inofensiva quanto ele tinha imaginado.
Quando voltou a se aproximar da namorada para, de fato, coloca-la para fora, o lutador lembrou-se das palavras de seu treinador naquela noite e chegou a conclusão de que ele estava certo. Tinha mesmo um dedo podre para mulheres.
Isso foi tudo sobre o que Lion foi capaz de pensar pela horas seguintes, até que um pouco antes do sol raiar, James voltasse a bater a sua porta.
– Você disse que viajaria em alguns dias... Ele disse ao seu rival quando apanhou o cartão chave que ele lhe oferecia.
– Mudanças de planos. Wasp respondeu com indiferença. Ela ainda está dormindo, praticamente dopada por causa dos remédios que tive que dar a ela para aliviar a dor.
– O que é que vai fazer? O ruivo não foi capaz de calar a pergunta. Sei que vai fazer alguma coisa contra aquele filho da puta e embora ele mereça...
– Vou cuidar de Charlie. James o interrompeu. Mas antes tenho outras coisas para resolver.
– E quando cuidar dele, vai arrumar uma forma de jogar a culpa para cima de mim mais uma vez?
James se recostou contra a parede e encarou o rival por um instante.
– Você vai continuar com isso? Só estamos nós dois aqui... E nós dois sabemos muito bem que eu não armei nada contra você.
– Eu não estuprei aquela vagabunda.
– Mas dormiu com ela, não foi? James rebateu. Que culpa eu tenho se você escolheu a puta errada?
– Você sabia a verdade.
– Existe uma grande diferença, Brow... James manteve o sorriso irônico. Entre omitir a verdade — talvez dar uma pitada de veracidade a mentira, e armar contra você. Desviando o olhar do rival para o celular que tinha começado a tocar uma chamada de Bella que ao que parecida havia acordado antes do previsto e sentido a sua falta o Campeão continuou: — Mas se isso te deixa mais tranqüilo, eu juro pelo meu filho que seja lá o que acontecer com Charlie, seu nome nem será cogitado.
– Eu não confio em você ou nas suas promessas.
– Você seria realmente um idiota se confiasse. Wasp se afastou da parede e, deixando Edward parado onde estava, caminhou em direção ao elevador.
No entanto, antes que o elevador se abrisse, ele se virou em direção ao lutador rival e disse:
– Ela é minha vida, Edward. Sei que conhece o sentimento... É por isso que estou deixando-a em suas mãos.
– Talvez sua vida não esteja mais a sua espera quando voltar.
Com o sorriso debochado que era a sua marca pessoal, James respondeu:
– É um jogo, Brow. Então ele fez uma pausa para olhar novamente para o celular que ainda tocava em sua mão, a foto da noiva junto ao filho estampada na tela. Que vença o melhor.
*****
Isabella Swan sentia-se doente e, completamente, atordoada quando abriu seus olhos no início da manhã. Talvez fossem as cortinas fechadas, mas tinha a impressão de que ainda não havia amanhecido de verdade, mas simplesmente não conseguiria voltar a dormir. Agora que estava desperta, sentia cada centímetro do seu corpo protestar e por pouco a morena não passou a chorar de dor.
Odiava a letargia e enjôo que os analgésicos sempre lhe provocavam e por isso sempre os evitava ao máximo, mas naquele momento preferia os efeitos indesejáveis de alguns comprimidos ao martírio de dor que percorria o seu corpo naquele momento.
Deus! Nem mesmo após suas piores brigas com James, a modelo se sentiu daquela forma.
Não era só as conseqüências físicas da agressão sofrida na noite anterior, ela sabia. A identidade do agressor é que tornava tudo pior e fazia com que a intensidade com que tudo era sentido fosse duplicado. Não, talvez triplicado chegasse perto do que ela sentia naquele momento.
Gostaria de ser capaz de fechar os olhos e esquecer o olhar de desprezo que teve sobre si, das palavras cruéis que seu próprio pai lhe disse, das mãos dele arrancando a sua roupa, tocando em seus seios... No calor do momento, Bella não tinha, de fato, dado maior importância ao fato de quase ter sido deixada nua do que ao todo resto, mas agora que estava em relativa segurança, tinha passado a se perguntar o que teria acontecido se Edward não tivesse aparecido.
O pensamento de que, talvez, seu pai fizesse mais do que rasgar as suas roupas, fez com que o estomago já embrulhado da modelo se apertasse. Ela tentou se levantar, mas tudo o que foi capaz de fazer foi se colocar de lado, a cabeça pendendo para fora da cama, enquanto lutava contra a ânsia de vômito. Tateando pelo escuro, Bella tentou encontrar algo, sobre a mesa de cabeceira ou no chão próximo a cama, que lhe servisse como bacia. Em sua busca desenfreada, e quase desesperada, a morena apenas conseguiu derrubar uma garrafa do que ela imaginava ser água, assim como os remédios que ansiava por engolir, e bateu com um dos cotovelos contra a quina da mesa, provocando uma nova dor. Sem conseguir evitar, ela gemeu e imaginou que o barulho surdo de seu cotovelo batendo contra a madeira acordaria James e ele, como sempre, cuidaria dela.
Passada a intensidade do impacto sofrido, o enjôo retornou ainda mais forte. Bella teve que tampar a boca com uma das mãos e tentou respirar fundo.
– James? Ela chamou depois de alguns segundos, quando ficou claro que ele não havia acordado. James?
Sem obter resposta, a octagon girl lutou contra si mesma para conseguir voltar a se deitar corretamente e depois rolou em direção ao noivo... Mas tudo que encontrou foi um espaço vazio.
– James? Ela chamou mais uma vez, sua voz agora com um ligeiro toque de terror, soando esganiçada, enquanto ela tateava o colchão frio, onde ele deveria estar.
Imaginando que ele talvez estivesse no banheiro e de lá não a estivesse ouvindo, Bella conseguiu encontrar forças para se pôr de pé, mas antes que conseguisse dar um passo, seu corpo desabou contra o chão duro, a lateral do seu corpo atingindo a mesinha de cabeceira, o que a fez, depois de caída ao chão, encolher-se e imaginar que perderia a consciência tamanha era a intensidade da dor que sentia. Por um segundo, e apavorada, imaginou se não tinha uma das costelas quebradas. Ela conhecia a sensação e era assustadoramente similar ao que ela sentia naquele momento. Trêmula e suada, a morena levou uma das mãos ao ponto dolorido e o pressionou levemente a procura de alguma alteração. O local estava inchado, mas felizmente ela não foi capaz de encontrar nada que a fizesse acreditar que tinha quebrado qualquer osso. A dor que sentia era forte e bastante incomoda, mas quando tentou respirar fundo, ela não se agravou, assim como não havia qualquer dificuldade para respirar. Como noiva de um lutador, conhecia bem os sintomas de uma fratura como essa, por isso se permitiu relaxar, na medida do possível, quando se convenceu que não tinha nada mais do que uma contusão muscular, ou na pior das hipóteses, uma luxação.
Ela ficaria bem, desde que descansasse um pouco. Por essa razão, depois de mais uma vez tatear pela mesinha e encontrar seu celular, ela permaneceu exatamente onde e como estava e quando o enjôo a assolou novamente, apenas permitiu que seu corpo expulsasse o que quisesse.
Encolhida no chão, ao lado de uma poça de seu próprio vômito, Bella Swan sentiu, mais uma vez, a vontade de chorar retornar.
Além de doente, agora, sentia-se suja e, terrivelmente, sozinha.
Com os olhos embaçados pelas lágrimas que escorriam por seu rosto, ela discou a conhecida e confortante combinação de números, esperando que o celular de James tocasse em algum lugar próximo e ele saísse correndo de onde quer que estivesse para atender e então ele a veria.
No entanto, ficou bastante claro que o Campeão não estava no quarto quando Bella não foi capaz de ouvir nenhum toque, exceto o pulsar do outro lado da linha.
O pânico crescente voltou quando sua chamada não foi atendida e se agravou na segunda tentativa. Na quarta, ela estava a ponto de se arrastar até a porta do quarto e gritar por alguém. Foi quando ele a atendeu, com a mesma euforia de sempre evidente em sua voz.
– Lover? Um suspiro de alivio deixou os lábios trêmulos da morena. Você deveria estar dormindo.
– Meu Deus, James! Ela não foi capaz de manter a rouquidão, evidência de seu choro, longe de sua voz. Onde você está?
– Eu precisei sair, Lover. O campeão disse calmamente. Na verdade, vou precisar ficar fora por uns dias...
– O quê? Bella o interrompeu. Ela teria gritado se o esforço não a fizesse se encolher de dor. Agora? Por quê? Eu... Droga, James! Onde é que você precisa ir logo agora... Então, antes mesmo de completar a frase, ela já sabia. Merda! Não faz isso, ok?
– Fazer o quê, Lover? James manteve a voz baixa, totalmente calma. Eu não vou fazer nada além de resolver algumas pendências e...
– Isso! Droga! Charlie não é uma pendência, ok? Eu já esqueci o que aconteceu e você deveria fazer o mesmo e...
– Bella? Wasp tentou cala-la. Bella, me escuta: Eu não vou procurar por ele... Pelo menos, não agora. Não tem nenhum motivo para que você se preocupe com isso.
– Não acredito! Isabella voltou a falar ao mesmo tempo em que uma nova onda de lágrimas a atingia. Não acredito mesmo.
– Pare de chorar, Lover. Não há nenhum motivo para isso.
– Não há nenhum motivo? Isabella disse e ao olhar para si mesma, jogada no chão sobre seu próprio vômito, ela teve vontade de rir, mas tudo o que fez foi chorar ainda mais. Eu não consigo sequer me mexer aqui, James. Merda! E estou tão enjoada que acho que vou vomitar sobre mim mesma mais uma vez... O que é que você tem para fazer que seja mais importante do que estar aqui, comigo, agora?
A Swan aguardou por uma resposta. Tinha pedido ajuda, sem poupar detalhes, porque de fato precisava, mas também porque queria sensibilizar o noivo o suficiente para trazê-lo de volta.
– E, Baby... Ela voltou a falar quando não obteve nenhuma resposta. Eu estou com medo.
Ela não tinha como saber o quanto as suas palavras haviam atingido o Campeão, deixado-o transtornado, desejoso de estar ao seu lado. Não quando não podia ver o olhar transtornado dele, a postura quase irreconhecível, as lágrimas que ele lutou para esconder do motorista de táxi que o conduzia até o aeroporto.
– Não se preocupe, amor. James, finalmente, disse algo. Eu não te deixaria sozinha. Você sabe disso, não é?
– Então, onde você está? Bella o questionou.
– A caminho do aeroporto. Ele respondeu. Mas, não se preocupe. Eu tenho alguém para ficar com você. Para cuidar de você enquanto eu estiver fora.
Foi a vez de Isabella ficar em silêncio. Ela não conseguia pensar em nada para dizer, exceto acusações de que ele a estava deixando, sim, sozinha quando ela precisava dele. Mas, mesmo em meio as dores e mal estar que sentia, ela foi capaz de refrear a acusação ao se lembrar de todas as vezes em que ele estava por perto.
– É importante, não é? Ela disse por fim, quase não conseguindo calar um gemido ao se mover.
– Claro que é. O lutador respondeu prontamente. Eu não iria a qualquer lugar longe de você agora se não fosse.
– Estou com raiva. A modelo disse baixinho e tentou voltar, por conta própria para a cama. Não conseguiu e dessa vez não se preocupou em calar o gemido. Estou com muita raiva.
– Eu sei que está. James sussurrou para ela. Mas com raiva ou não, quero que faça o que eu vou te dizer, ok? Se ainda não voltou para a cama, quero que fique onde está.
– Não vou a lugar nenhum... Bella tentou carregar a voz de sarcasmo, mas não foi capaz. Vai voltar logo?
– Assim que eu puder... E, Bella, eu te amo!
A modelo ouviu, e apreciou, a declaração, mas tudo o que disse foi:
– Estou com sono. E então ouviu a porta sendo aberta. Alice está aqui... Falou ao deduzir que a amiga seria a única pessoa que James poderia mandar a seu resgate. Tá... Tudo bem.
E sem esperar para ouvir a voz do noivo mais uma vez, ela encerrou a ligação e deixou que o celular caísse de sua mão.
– Alice? Ela chamou. Alice, aqui...
Mas quem se materializou a sua frente e lhe olhou com um misto de choque e irritação, não era a sua melhor amiga.
Ela teria recusado a ajuda que se seguiu se fosse capaz de se mover sem que sentisse como se milhares de facas estivessem sendo cravadas em seu corpo. Por isso, quando Edward Masen se abaixou ao seu lado e cuidadosamente a pegou no colo, tudo o que a modelo fez foi repousar a sua cabeça contra o peito masculino e, sem dizer nada, o deixar leva-la até o banheiro, onde ele a colocou suavemente na banheira.
– Me sinto péssima... Ela disse quando a água quente começou a correr.
– Você está péssima! Lion respondeu sem olhar para ela, ocupando-se de retirar a camisa que ela usava e joga-la dentro da pia.
Bella ponderou que deveria estar mesmo péssima, já que ele não era capaz nem mesmo de olha-la... E ela estava praticamente nua na sua frente.
– Se eu estiver tão péssima como me sinto... Ela disse depois de algum tempo. Então, está explicado porque você nem mesmo olha para mim.
Edward deixou o sabonete que havia acabado de apanhar de lado e levou seu olhar até o rosto da mulher que amava. As bochechas estavam inchadas, assim como olhos vermelhos. A faixa avermelhada que ele tinha visto há algumas horas, agora estava ainda mais evidente e abaixo do olho esquerdo havia um hematoma começando a ficar roxo. E as marcas se estendiam pelo restante do corpo. Ele não tinha visto muito da agressão, mas sabia que a maioria das marcas que via sobre ela tinham sido provocadas por um cinto.
– Eu estou mesmo horrível, não é?
Não era assim tão ruim. Edward ponderou quando começou a ensaboa-la. Pelo menos, não esteticamente. Ela não precisaria se preocupar com nenhuma cicatriz... física.
– Tenho certeza que você já teve dias piores... Ele comentou.
– Tive mesmo. Isabella concordou.
– Agora é o momento em que você vai me dizer que, seja lá o que aconteceu nos seus dias piores, a culpa é minha.
– Ahhh... Bella olhou bem nos olhos que a fitavam e tentou sorrir. Que bom que você já sabe. Assim não preciso repetir.
Edward retribuiu o sorriso embora não sentisse nenhuma vontade de sorrir e continuou a banha-la, tentando ignorar o ódio que borbulhava em si a cada nova evidência de que ela havia sido machucada. Naquele momento, mataria Charlie Swan com suas próprias mãos se pudesse.
– Dói... A morena sussurrou depois de um tempo, com os olhos fechados. Queria dormir porque, realmente, sentia-se sonolenta, mas a dor a impedia.
– Eu sei. O lutador a tirou da banheira e com o máximo de cuidado possível a secou, antes de leva-la para a cama.
Precisaria limpar a bagunça que ela havia feito... Ele ponderou ao se dirigir para o outro lado da cama. Não estava aborrecido pela tarefa que se seguiria, mas queria se deitar ao lado dela e vê-la dormir. Talvez assim seu coração ficasse em paz, convencido de que ela estava bem, em segurança ao seu lado.
– Aqui... Ele estendeu alguns comprimidos que havia encontrado pelo chão para ela e a auxiliou a engolir tudo com a ajuda de um gole generoso de água. Tenta dormir um pouco agora.
– Não! Ela disse, tentando segurar a mão masculina quando o lutador ameaçou se afastar. Fica aqui.
– Só alguns minutos, Bella. Ele respondeu com o coração estranhamente acelerado ao vê-la lhe pedir para ficar por perto.
– Não! Ela repetiu. Edward, fica aqui comigo...
– Eu estou aqui. Ele ignorou o que ainda tinha para fazer e se juntou a ela na cama. Com delicadeza, ele a puxou para próximo de si e a abraçou quando viu que ela se aconchegou em seu peito e começou a chorar. Shiii, amor! Ele sussurrou. Está tudo bem. Acabou. Eu estou aqui agora e não vou a lugar nenhum.
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