The Lion

20 Capítulo XIX


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo XIX

Estava escuro e estranhamente frio. O céu visível através da ampla janela da suíte do casal parecia morto, sem nenhum ponto de luz, nenhuma estrela para guiar a jovem que se encolhia sobre a cama, como se o movimento fosse capaz de fazê-la conseguir algum calor. Não era. Os tremores que percorriam seu corpo não eram resultado do clima, se parecia mais como uma reação de seu próprio corpo a... A algo que ela não sabia discernir o que era.

Inconscientemente, Bella se aproximou ainda mais do corpo adormecido de seu noivo e o abraçou com tanta força que imaginou que o acordaria. Uma parte de si queria que ele abrisse os olhos e lhe salvasse de si mesma, outra parte, maior, queria apenas continuar como estava, tentando encontrar sozinha uma forma de voltar ao normal.

Estava entrando em pânico. Ela sabia. De forma tão intensa como só havia acontecido uma vez, há anos, quando ainda vivia em sua cidade natal, após mais uma das homéricas brigas com seu pai que resultou na morena trancada do lado de fora de casa, com os flocos frios de neve caindo sobre seu corpo parcialmente nu.

A lembrança a fez bater o queixo e soluçar. Por que ela estava pensando nisso agora? Por que se sentia como se estivesse sufocando? E por que o calor que emanava do corpo ao seu lado não era suficiente para aquecê-la?

No fundo ela sabia a resposta. Só não queria acreditar. O frio que a assolava vinha diretamente de sua alma. Nem que se afogasse em água escaldante pararia de tremer, de ansiar pela única coisa capaz de impedi-la de congelar por dentro, a única coisa que sabia que não poderia ter: Edward.

Deus! Era ainda pior saber que continuava a desejar estar nos braços dele depois do que tinha feito para obrigar James a permanecer ao seu lado. Ela não queria sentir o que sentia, mas simplesmente não era capaz de deixar de pensar no ex-namorado.

Desde que o reencontrou havia desejado com todas as suas forças que ele a afastasse de tudo o que tinha apenas tolerado nos últimos anos, que a salvasse da vida autodestrutiva e solitária que havia imposto a si mesma... Mas agora sabia que Edward não era, talvez nunca tenha sido e, certamente, não seria em um futuro próximo o seu salvador. Ele não era — e aparentemente nem desejava ser — o príncipe encantado montado em um cavalo branco pronto para resgatá-la.

Tinha que aceitar isso. Parar de ansiar pelo o que nunca viria. Tentar, de verdade, ser feliz com o que tinha. E sendo bem honesta consigo mesma, ela não tinha pouco. Tinha amigos que se importavam com ela, alguém que a amava apesar de todos os seus inúmeros e incorrigíveis defeitos, por Deus, tinha um filho em quem deveria pensar, um filho que deveria ser sua prioridade...

Tinha agido de forma tão irresponsável desde que seus olhos se encontrarem com aquele olhar azul, o mesmo que a tinha perseguido em sonhos nos últimos sete anos. Sempre procurando por desculpas para dar a ele uma oportunidade de tê-la novamente em sua vida, criando esperanças vãs que justificassem suas atitudes egoístas.

Sim. Amava Edward como nunca amou James, como nunca amaria ninguém mais. Mas não importa quão avassalador fosse o sentimento que ameaçava sufocá-la no momento, não poderia ser mais forte do que o que, realmente, importava: seu bem estar, sua sanidade, sua força e responsabilidade. Tudo o que era mais do que necessário para continuar a lutar pela vida do filho.

Sentia-se tão suja, imunda, por ter se deixado levar pela força da antiga paixão e relegado ao segundo lugar o que deveria ser prioridade em sua vida, afinal Jared era o que a mantinha viva. Não viveria sem seu pequeno embrulho, mas podia viver sem Edward. Não era o que tinha feito durante todo esse tempo?

Sofreria. Sofreria muito. Talvez mais até do que quando ele a deixou. Mas não podia, não iria, deixar que o que ainda sentia pelo lutador fosse mais forte do que o que era certo. E o certo para ela, para Jared, era permanecer como estava, com quem estava.

Um soluço ainda mais agoniado escapou por seus lábios quando sua mente traiçoeira a fez rever todas as vezes em que o seu pequeno esteve entre a vida e a morte, a forma como ela se sentia morrendo com ele. Em todas as vezes, sem qualquer exceção, James esteve ao seu lado, segurando sua mão, secando suas lágrimas, fazendo seu filho sorrir e imaginar que tudo pelo o que estava passando não era mais do que uma batalha já ganha, algo que o transformaria em um campeão no final. Isabella sabia, sem sombra de dúvida, que jamais encontraria o mesmo suporte no homem que amava. Ele mesmo havia lhe dito, sem qualquer hesitação, que jamais seria capaz de amar e cuidar do seu filho como se fosse dele. O pior de tudo era saber que Jared era filho dele. Como era possível que James o amasse mais do que o próprio pai biológico? Porque era exatamente isso que acontecia. Seu noivo sabia que seu sangue não corria pelas veia do filho, sabia, inclusive, que seu rival era quem dividia o mesmo DNA com o menino e ainda assim, apesar de tudo, ele amava Jared tanto quanto Bella o amava. Ele era o forte, aquele que fazia o filho sorrir, que consolava a noiva, que cuidada de tudo, gritava com médicos e xingava a Deus, mas Bella sempre viu por trás da máscara de força. Sempre que um nova crise surgia, por mais força que o campeão demonstrasse, existia por dentro, evidente em seu olhar, o medo da perda. O mesmo medo que fazia Isabella entrar em pânico. Quantas vezes, ela não o tinha flagrado com o filho adormecido pelos remédios nos braços chorando em silêncio, rezando por uma melhora que talvez nunca viesse?

Sim. Ela não tinha dado o valor devido a nada disso antes. Era uma vadia sem coração que tinha feito o único homem que cuidou dela na vida sofrer uma decepção atrás de outras, mas tinha chegado a hora de mudar isso. De mudar a si mesma. Morreria por dentro no processo, mas conseguiria. Tinha de conseguir.

...

O sol começava aparecer timidamente, levando seus raios, ainda fracos, através do vidro, quando The Wasp despertou. Sentiu, antes mesmo de abrir seus olhos, as mãos delicadas de sua noiva acariciando as suas. Quando um leve beijo foi depositado sobre seu punho, ele soube que ela estava cuidando dos hematomas que tinha adquerido ao confrontar o sogro. Não era a primeira vez que Bella cuidada de seus ferimentos, mas existia algo mais na forma como ela estava fazendo isso naquela manhã. Ainda sonolento, James abriu lentamente os olhos e sua primeira visão foi de Isabella ajoelhada sobre o colchão, ao seu lado, segurando uma de suas mãos e colocando sobre seus dedos um pequeno saco de gelo. O campeão estremeceu com o contato gelado em sua pele.

- O que você está fazendo, Lover? — A voz soou mais rouca do que ele pretendia. Poderia culpar os resquicios de sono, mas era muito mais do que isso. Também não tinha nada a ver com o desejo que sempre sentia por aquela mulher. Era culpa apenas da forma como seu coração se apertava sempre que a via, que a tinha por perto.

Bella desviou os olhos da tarefa que fazia e sorriu para o noivo. James já a tinha visto sorrir muitas vezes, todas ao lado do filho, mas nunca para ele, apenas para ele e da forma como ela lhe sorria agora: com os olhos levemente brilhantes, as bochechas um tanto coradas. Ele quase podia acreditar que era de verdade.

- Cuidando de você. — Ela respondeu simplesmente e com um encolher de ombros.

Nenhum dos dos disse mais nada enquanto a modelo aplicava gelo em suas mãos e um pomada para a dor, tudo em meio a rápidos e surpreendentes beijos. Ela se obrigando a não pensar em nada mais que não fosse o homem a sua frente, lutando para empurrar para bem fundo dentro de si tudo o que tinha remoido durante a noite insone. Ele com medo de se deixar animar, iludir, com aquele pequeno e ainda assim tão significativo gesto.

Quando Bella, finalmente afastou suas mãos das do noivo, James tinha o coração acelerado e estava um tanto ofegante. Tentando recuperar algum controle sobre si mesmo, apesar de ainda estar abalado pelo acontecido da noite anterior, o campeão sentou-se na beirada da cama, pronto para se levantar. No entanto antes que fosse capaz de completar o movimento, ele sentiu-se sendo abraçado, o corpo pequeno de Bella colando-se às suas costas.

- Onde você vai? — Ela perguntou baixinho.

O loiro cerrou os olhos com força, tentando manter-se afastado, imune, ao poder que ela tinha sobre ele, mas sem que percebesse uma de suas mãos procurou pelo braço que circulava sua cintura e deslizou pela pele macia.

- Ao banheiro. — Ele respondeu. — Preciso de um banho, escovar os dentes... — Ele poderia ainda ter acrescentado que precisava de um momento longe para tentar colocar seus pensamentos em ordem, mas teve medo do que as palavras poderiam causar, especialmente depois de tê-la visto em ação horas antes. Sempre se sentiu responsável por ela, mas após vê-la agir com tanto desespero... Estava morrendo de medo do que suas ações poderiam levá-la a fazer.

- Você nem me deu um beijo de bom dia. — Bella voltou a falar, apertando ainda mais seu braço ao redor da cintura bem definida.

James ainda precisava se afastar, mas não foi capaz de evitar procurar pelo olhar da noiva. Por cima do ombro, meio relutante, ele encontrou um par de olhos verdes ansiosos.

- Você odeia que eu te beije pela manhã, antes de escovar os dentes.

Ele viu quando um fileira de dentes pequenos e brancos morderam o lábio inferior e um lampejo de tristeza cruzou o olhar que estava preso no seu.

- Não odeio mais. — A morena respondeu e sem esperar por um nova resposta, colou sua boca na do campeão, surpreendendo-o.

Por alguns segundos, James não soube o que fazer, indeciso entre retribuir o beijo que recebia e afastar-se, mas quando sentiu as mãos meio trêmulas de Bella pousaram em seu rosto, mantendo-o preso a ela, ele cedeu. A puxou para o seu colo e assumiu o controle do beijo, de tudo. Como sempre fazia.

Bella soltou um suspiro e se entregou como nunca antes tinha feito com James.

- Não precisa ter medo. — Ele disse suavemente no ouvido dela após por fim ao beijo que se tornava mais afoito a cada segundo. — Eu não vou a lugar algum. Eu prometi, lembra?

Isabella afastou-se minimanente, apenas o suficiente para conseguir um novo contato visual.

- Quero que fique, James. — Ela disse com a voz embargada. — Quero que fique comigo. Com Jared. Que não vá embora... Mas quero que fique porque ainda quer ficar, não por medo do que eu vou fazer, não por... Eu sinto, muito! — Uma pausa foi necessária quando as lágrimas começaram a se acomular nos olhos esmeraldinos. — Nã deveria ter feito o que fiz, mas eu... Não posso viver sem você, James. Não posso!

O campeão sabia que ela não o amava, que a necessidade que sentia no tom de voz dela, não tinha nada a ver com amor, mas também sabia, sem sombra de dúvida, que ela, realmente, não seria capaz de continuar, de seguir em frente sozinha. Tal certeza, aliada ao que ele sentia por ela, era mais do que o suficiente para mantê-lo onde estava. Talvez não para sempre, mas por ora, com certeza, ele não iria, e nem queria ir, a lugar algum.

- Eu sei. — Ele disse calmamente. — Agora eu sei. — E como não sabia mais o que dizer, ele apenas abraçou, embalando-a, acariciando os cabelos longos e cheios, sentindo seu cheiro, ouvindo a sua respiração.

Ela não precisava mesmo ter medo. Ele ainda era dela, como tinha sido desde que a viu pela primeira vez. Não iria a lugar algum e se fosse sempre acabaria voltando. No entanto qualquer vontade de se afastar acabou desaparecendo, lentamente, a cada dia, a cada novo gesto, a cada novo sorriso e cuidado que Bella agora lhe dispensava.

Após duas semana ele já nem mesmo se lembrava de um dia ter desejado deixá-la.

Ele não sabia como, mas ela tinha mudado. Alguma coisa dentro dela havia mudado. E, pela primeira vez em sete anos, ela estava com ele, realmente com ele.

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Edward Masen tinha muito sobre o que pensar, muito sobre o que ponderar e tentar encontrar explicações, mas estava tentando ao máximo manter sua mente sobre controle. Ou seja, nada de longos momentos refletindo. Embora existisse muita coisa que pudesse ser esclarecida se vista de um ponto de vista compreensivo, o lutador preferia continuar a ser guiado por sua lógica fria e calculista. Já sabia tudo o que precisava saber e não pretendia se deixar enrolar pelas milhares de questões que pareciam dançar por sua mente desde que tinha estado com sua ex-namorada pela última vez, há mais de quinze dias.

Bella havia saído de seu apartamento como um fucarão. Com o rosto manchado pelas lágrimas e o corpo pequeno tremendo, ela tinha prometido, de pé em frente a sua porta, que nunca mais voltaria e que o quer que tenha existido entre eles tinha, definitivamente, chegado ao fim. Edward não deu atenção ao que foi dito. Imaginou que, no máximo, no dia seguinte a veria bater em sua porta e então continuariam de onde tinham parado, afinal estava seguro de que, independente de todo o resto, acabartiam juntos — mesmo que esse "juntos" significasse muita dor para ambos. Estava enganado. Ela não só cumpriu com sua promessa de não voltar, como se recusou a falar com ele quando havia tentado ligar para o celular da jovem. Por fim, para deixar bastante claro que não desejava nenhum contado, a morena havia mudado o número do seu telefone, não sem antes lhe enviar uma mensagem dizendo para o lutador esquecer que um dia a conheceu e lembrar-se que ela estava noiva agora.

"Na verdade, eu deveria te agradecer. Você me mostrou o quanto eu estava sendo idiota ao jogar o que tenho fora por alguém traiçoeiro e sem carater.Aceite que a gorata que você quer, não existe mais. Ela está morta. Assim como o garoto por quem um dia eu me apaixonei."

Ele já havia decorado as palavras, mas continuava a ler a maldita mensagem mais vezes do que sua sanidade gostaria.

Sabia que não dariam certo juntos. Em parte, a octagon girl estava certa. Os jovens que haviam sido não existiam mais, mas ainda existia a mesma magnitude que os unia, a mesma eletricidade que corria de um para o outro, a mesma sede que faziam com que os jovens bebessem um do outro, como um peregrino há muito perdido no deserto ao encontrar uma fonte. Por mais doentio que fosse, precisam um do outro e agora que Edward Masen estava convencido de que não seria capaz de viver sem a modelo, não a deixaria fugir.

Obviamente, ele sabia, seria muito mais facil se ele estivesse disposto a esquecer os últimos anos, a sufocar a magoa que guiava sua vida... Mas não era capaz. A queria ao seu lado — e teria -, mas não iria esquecer todo tudo o que tinha vivido, tudo o que tinha perdido. Sofreriam juntos, era bem verdade, mas estariam juntos. Isso era o que importava para o lutador.

Isabella Swan tinha sido sua uma vez. James a roubou. Agora ele a roubaria de volta.

Foi movido pela necessidade de recuperar o que julgava lhe pertencer e por um saudade aniquiladora que quase o levava a nocaute todos os dias, que o lutador em ascensão aceitou prontamente participar de um evento beneficente em prol de uma campanha de doação de sangue e médula quando Jasper Whitlock entrou em contato. A mesma campanha que ele e Bella haviam iniciado semanas atrás quando pousaram juntos para um photoshoot. Ela estaria lá e não teria como fugir dele como andava fazendo.

...

Era estranho, quase surreal, estar de volta ao seu país de origem, a mesmo de 2:30h de viagem de carro até Napanee, sua cidade natal. Da última vez que esteve tão próximo do lugar que por muito tempo chamou de casa, logo após deixar a prisão e ir ao encontro de quem não mais o aguardava, tinha jurado a si mesmo que não mais pisaria em solo canadense. No entanto seu trabalho o tinha feito regressar e também o faria reencontrar a mulher que não saia de seus pensamentos.

Gostaria de ter desembarcado em Toronto dias antes, como soube, através de Jasper, que Bella, acompanhada do noivo, tinha feito. Poderia ter tentando encontra-la, embora não soubesse o que poderia dizer para convencê-la a ficar com ele. No entanto, não existia motivo para isso e Emmett estava com os dois olhos grudados sobre ele, afinal desde que soube que tudo parecia perfeito no reino de Bella e James ele tinha perdido o controle de si mesmo, levando seus treinos muito além do limite da exaustão e gastado suas noites em bares — embora ainda não tivesse cedido a vontade de ingerir bebidas alcoolicas — na companhia de outros lutadores e de muitas mulheres bem dispostas a ser uma boa e fácil distração para os lutadores.

Não poderia culpar o treinador pela carranca que carregava no rosto sério. Ele mesmo tinha uma em sua face, especialmente depois de uma noite incrivelmente ruim em que cometeu a burrada de ceder aos avanços de Jéssica Stanley, a octagon girl que era declaradamente um desafeto de Isabella.

Os motivos para que ele tenha se permitido beijar pela loira noite após noite desde que cedeu pela primeira e tenha, inclusive a levado a tiracolo para Toronto? Simples, e ao mesmo tempo, patético demais: Teria que lidar com o ciúme doentio que o atingiria no momento em que visse a mulher que desejava nos braços de outro homem. Queria provocar a mesma reação nela, fazer com que Bella sentisse a mesma dor que ele sentiria.

Possivelmente conseguiria o que desejava, mas a que custo? Talvez mais do que estava disposto a pagar, o lutador pensou ao sentir Jéssica praticar se sentar em seu colo quando se acomodaram no carro que os levaria até o hotel.

- Tem espaço de sobra para nós dois, Jéssica. — Ele disse de mau humor, ao afastá-la.

A loira ensaiou um biquinho irritante que fez Lion virar a cabeça para admirar a paisagem da cidade, em vez de encarrar o rosto excessivamente maquiado e falso de sua nova namorada.

Onde estava com a cabeça quando tinha lhe concedido tal titulo? Ah sim, imaginava o olhar de ódio que veria em um determinador par de olhos esmeraldinos... Puta merda! Se pelo menos desse certo... Então terminaria a noite ao lado de quem realmente queria e poderia dispensar a loira que ele sabia, sem qualquer duvida, só estava interessada na imagem que ele estava começando a formar, na carreira que estava começando a ganhar vida. O rompimento do que nem deveria ter começado teria que acontecer o quanto antes, afinal já não tinha mais desculpas para não agir como qualquer homem agiria ao ter uma mulher fácil e absurdamente disposta ao seu lado. Mas, Edward Masen, já havia desfrutado de uma mulher assim e isso só o levou a passar quase sete anos na prisão. Não arriscaria novamente.

- Baby? — A modelo voltou a se aproximar, embora estivesse claro que o ruivo não queria tanta proximidade, e deslizou uma das mãos por uma coxa masculina. — Eu mal posso esperar para ficar sozinha com você. Nós vamos nos divertir muito.

Contendo o avanço da mão feminina, Edward apertou os dedos finos.

- Eu estou aqui a trabalho, Jéssica. Não a diversão.

- Eu sei. — a loira respondeu docemente e se inclinou para plantar um beijo molhado no pescoço másculo. — Mas nós podemos gastar uns minutinhos cuidando de você antes de você ter que sair para os seus compromissos... O que você achar de termos nosso próprio ritual d...

Subitamente, Edward se virou em direção a sua acompanhante e calou a voz dela com um beijo rude, ao mesmo tempo em que infiltrava sua mão pelos cabelos platinados e os puxava com mais vigor do que necessário. Era melhor do que ouvi-la falar sobre o que ele não queria escutar.

Não passava da metade da manhã quando Edward Masen, acompanhado de seu treinador e sua nova namorado, chegaram ao The Hospital for Sick Children. Jasper Whitlock já estava lá, com sua esposa, um fotografo e a tentação particular de Edward: Bella Swan. A mesma que não fez qualquer esforço para reconhecer a sua presença. preferindo dispensar toda a sua atenção ao noivo que, nem por um segundo, saiu do seu lado.

Lion quis se colocar entre eles, separa-los, mas não existia nada que pudesse fazer sem provocar um escândalo, uma briga e deixar mais do que claro seus sentimentos. Por tanto, tudo o que fez foi sorrir para Jasper, aceitar a camiseta da campanha que o empresário lhe oferecia e vesti-la, enquanto ouvia o diretor do hospital, um homem de semblante cansado e gentil chamado Dr. Carlisle Cullen lhe dizer o quão importante e altruísta era a a iniciativa que haviam tomado em ajudar o seu hospital a conseguir doações de sangue e médula óssea.

- Algumas das nossas crianças simplesmente não têm outra alternativa a não ser passar por transfusões de sangue, aguardar por transplantes e, claro, sempre há os casos emergenciais... — Uma parte do cérebro de Edward registrava o que o médico lhe falava, mas outra, a maior parte, estava focada no olhar atento que Bella dispensava ao doutor, na forma como balançava a sua cabeça em concordância a cada frase proferida, ao sorriso tímido que via surgir nos lábios carnudos. Era ridículo mas o lutador estava com ciúmes inclusive da forma como a Dr. havia ficado com o olhar iluminado quando a modelo sugeriu que eles visitassem algumas das crianças internadas.

- Isso seria maravilhoso, Bella! — Dr. Cullen apertou a mão feminina na sua. — Você sabe o quanto elas ficarão felizes?

- Eu tenho uma boa ideia. — Isabella sorriu amplamente. — Podemos fazer isso agora? Ou seria melhor depois que doássemos sangue?

- Se você continuar a olhar assim... — Emmett disse baixo no ouvido do lutador.

- Todo mundo vai perceber que está aqui por ela e não pela campanha que aceitou participar.

- Não seja idiota! — O lutador replicou, mau humorado. — Estou apenas prestando atenção na conversa.

- Todos vocês estão de acordo? — O médico disse um pouco mais alto, e Edward se deu conta de que não fazia ideia sobre o que ele estava falando. Então, apenas acenou com a cabeça em concordância depois de perceber que todos já acompanhavam o médico por um corredor.

- Isso vai ser tão enfadonho... — Jéssica disse ao seu lado, enquanto Edward mantinha seus olhos cravados nas costas de Bella e James que caminhavam de mãos dadas a sua frente. — Nós poderíamos aproveitar muito melhor o nosso tempo.

- Qual é o problema, Jéssica? — A morena se virou para eles, com o semblante claramente irritado. — Vocês são importantes demais para dispensar um pouco de tempo para alegrar algumas crianças doentes?

Edward apertou o braço de sua acompanhante com força.

- Ninguém te obrigou a vir. Poderia ter ficado no hotel.

- Sem você não teria a menor graça, Baby. — Ela sorriu de forma provocante para a modelo que ainda a encarava. — Tudo bem. Podemos recuperar o tempo perdido mais tarde, depois do coquetel.

- Patético! — Bella comentou com um encolher de ombros e voltou o seu rosto para frente, cortando qualquer contato visual com o ex-namorado e apressando os passos como se quiser ficar o mais longe possível dele.

- Mais um comentário como esse... — Edward sibilou no ouvido da loira que praticamente corria para acompanhá-lo. — E eu juro que te coloco em um avião de volta para os Estados Unidos na mesma hora.

...

Edward Masen tentou duramente se concentrar, mas não conseguia desviar o seu olhar de Isabella por mais do que cinco segundos. Enquanto conversava, sorria, doava o seu tempo para algumas crianças que claramente tinham ganho seu dia com as visitas inesperadas, o lutador esteve mais do que atento a cada olhar que sua ex-namorada distribuía, a cada sorriso, a forma como ela se aproximava das macas e conversava baixinho com os pacientes, como acariciava os rostos pequenos e os fazia rir do que quer que ela dissesse. Antes que percebesse estava encantado. Absurdamente encantado e seu nível de encantamento só aumentou quando chegaram a um sala destinada a recreação e encontraram as crianças menores. Alguma coisa se iluminou dentro dele quando viu a modelo sem qualquer hesitação se sentar ao chão forrado por tapetes acolchoados, ao lado dos pequenos, e brincar com eles, rindo dos desenhos que eles lhe mostravam, montando peças que no final não formavam nada, se deixando ser pintada. Era patético, mas Lion não foi capaz de deixar de sorrir amplamente ao vê-la permitir que as crianças colocassem suas mãozinhas sujas de tinta na camiseta branca que ela usava. Antes que se desse conta, tinha se aproximado, ajoelhado ao lado dela e permitido que as crianças fizessem o mesmo com sua própria camisa. Quando terminaram, os dois tinham as camisas da campanha repletas de marcas coloridas de mãos pequenas e Bella tinha ainda, uma das crianças, em seu colo, permitindo que a menina brincasse com seu cabelo.

Por um segundo, passou pela cabeça do lutador que aquela cena seria ainda mais linda e emocionante, se fosse o seu filho no colo da mulher que ele nem mais tentava negar que ainda amava. O pensamento lhe trouxe subitamente alguma tristeza e fez com que o lutador se colocasse de pé.

- Então, é seu aniversário? – Mesmo de pé, ele ainda conseguia o tom de voz doce que a modelo usava para falar com a menina que parecia encantada com a mulher que a segurava. – Quantos anos?

Ele sabia que estava dando bandeira, tal certeza apenas sendo confirmada pela forma como Alice Whitlock e James o observava, mas continuou a olhar para a mulher acomodada aos seus pés. Vi quando a menina levantou a mão aberta respondendo a pergunta que Bella tinha feito.

- 5? – Um polegar fino e ornamentado por um anel de prata deslizou pelo rosto da pequena, em um carinho despretensioso. – O que você gostaria de ganhar de presente?

- Cabelos bonitos como o seu. — A resposta simples e imediata trouxe lágrimas aos olhos de Isabella. Lágrimas que ela duramente conteve. Edward desejou voltar a se ajoelhar, passar um braço ao redor dela, embora não soubesse porquê. Mas antes que tivesse tempo de mostrar a todos o quanto era fascinado por aquela mulher, James já estava lá, colado nela, dizendo algo em seu ouvido que a fez sorrir lindamente para ele e em seguida lhe conceder um beijo demorado na bochecha.

Fechando os punhos com força, o lutador se afastou, dando as costas para a cena amorosa que presenciava.

- Ela pode estar sorrindo, mas essa visita está sendo bastante difícil para ela. – Alice parou ao seu lado, zunindo em seu ouvido como uma mosca impertinente.

- Ela me parece muito bem. Bastante confortável em seu papel de celebridade altruísta, capaz de fazer alguma caridade...

- Essa visita significa muito mais do que só caridade para ela. – Alice o cortou, a voz soando mais dura do que ele alguma vez já tinha ouvido.

Edward lançou um olhar irritado a mulher parada a sua frente.

- O que te leva a pensar que eu estou interessado em qualquer coisa sobre ela?

Uma risada feminina e baixa o fez ficar ainda mais contrariado.

- Não tem ninguém aqui, talvez exceto Bella, que não tenha se dado conta do fato de que você não é capaz de tirar os olhos dela. Eu, caso não soubesse quem você é para ela, diria que você está interessado nela, como a maioria dos lutadores ficam, mas como sei... Você simplesmente a ama. É uma pena que prefira agir como um idiota e entregá-la de bandeja para outra pessoa.

- Sabe mesmo quem eu sou, Alice? Sabe também o que ela fez? Sabe também o quanto eu...

Mais uma vez Alice não o deixou continuar.

- Sei o que você acha que ela fez. Sei o quanto está sendo egoísta. Sei muito mais do que você. Coisas que você também saberia se não estivesse tão focado em acreditar que a sua dor é maior do que a de todo mundo. Sei que você vai perdê-la de vez se continuar a se fazer de cego. No momento, Edward, olhando para eles agora... – Com um movimento de cabeça, Alice indicou o casal que ainda se mantinha juntinho, conversando baixinho. – Eu quase acredito que ela está mesmo melhor com James. Muito melhor do que estaria com você.

Com uma risada sarcástica e repleta de sentimentos conflituosos, Edward se aproximou mais da primeira dama do UFC e disse baixinho.

- Vamos ver se você vai achar a mesma coisa quando ele der a ela novos hematomas, talvez alguns ossos quebrados dessa vez... – Ele pretendia chocá-la, ver um olhar de pânico surgir no rosto confiante que o encarava, mas nada disso aconteceu. Alice continuou a olhá-lo da mesma forma critica de antes.

- O que me garante que você não faça o mesmo?

- Eu nunca...

- Uma vez foi o suficiente?

- Merda! – O lutador sibilou. – Ela te contou. Aquilo foi...

- Eu sei. Você perdeu o controle e blá blá blá... Fique tranquilo, ela me fez prometer que jamais contaria isso a alguém. Ela me mataria agora se soubesse que estou tendo essa conversa com você. Mas eu queria que você soubesse que demorei demais para descobrir o que acontecia entre ela e James, tempo o suficiente para fazer com que ela acreditasse que não estava recebendo dele mais do que ela merecia, mas eu conheço os sinais agora, Lion, e se você encostar nela mais uma vez...

Ela não precisou terminar para que o lutador entendesse a ameaça velada.

- Eu nunca a machucaria. – Ele disse baixinho.

- Sabe que de uma forma distorcida eu até acredito em você. Fisicamente, acho mesmo que nunca mais fará nada para feri-la, mas isso não muda o fato de que você continua a machucá-la constantemente.

- Você fala como se ela fosse uma santa, alguém a ser adorada... quando na verdade, ela não tem sido mais do que uma vadia. Noiva de um, amando outro, indo para a cama com esse outro.

- Sabe, Edward, chega a ser digno de pena a forma como você se acha o senhor da razão. Você não sabe nada sobre ela e se soubesse... Bom, eu vou estar bem aqui para assistir a sua expressão cheia de si dar lugar ao desespero quando souber. Mas se quer um conselho, é melhor começar a consertar as coisas desde já ou depois pode ser tarde demais.

- Se você tem algo para dizer, Alice, diga logo.

- Por que você não pergunta a ela? O cão de guarda vai dar um passeio sozinho, é a sua oportunidade. – Sem conseguir evitar, Edward se voltou na direção que sabia que sua ex-namorada estava a tempo de ver James se afastar, deixando a sala que estavam, a deixando sozinha. – Ou, ao menos, pare para pensar. Tire a venda dos olhos.

Com a mesma confiança com que se aproximou, a esposa de Jasper, se afastou e embora, Edward desejasse correr até Bella, ele se obrigou a continuar onde estava. A vontade de se preservar seja lá do que ela pudesse jogar sobre ele era tanta que ele encontrou espaço em seu coração até mesmo para ficar grato a sua atual namorada quando ela se aproximou e o abraçou, impedindo-o de ir aonde queria.

- Ainda vai demorar muito, Baby? – Jessica sussurrou em seu ouvido.

A voz dela o irritava, mas o lutador, percebendo um par de olhos esmeraldinos sobre si, acariciou o rosto a sua frente e depositou um beijo na testa feminina.

- Só mais um pouco. – Por mais que tentasse a voz não soou tão relaxada quanto ele gostaria.

...

Bella Swan observou atentamente a cena a sua frente. Odiou ver a forma como seu ex-namorado abraçou sua companheira de trabalho e sentiu seu estomago embrulhar quando presenciou um beijo calmo ser depositado na testa da lambisgoia. Por dentro, a modelo desejava arrancar os cabelos falsamente loiros de Jessica e mostrar a ela e qualquer outra a quem Edward pertencia, mas não podia fazer tal coisa, afinal ao contrario do que seu coração dizia, ele não pertencia a ela. E ela estava decidida a não se deixar mais levar pela paixão desenfreada que sentia.

- Nem precisa dizer nada! – A modelo disse entre dentes quando sua melhor amiga se aproximou.

- Eu ia dizer alguma coisa? – Alice comentou com um sorriso. – Mas tudo bem, relevo o mau humor. Sei que deve ser terrível ter que assistir o que não queremos, né? Deve doer.

Respirando fundo, Bella ignorou a presença da amiga ao seu lado e voltou sua atenção para a menina que a tinha cativado e emocionado, apenas por lembrá-la tanto do seu filho. Jared estava, no momento, bem. Tão saudável quanto era possível em sua situação, mas Bella já o tinha visto com o melhor rostinho cansado, com as mesma olheiras, com a mesma sobre no olhar.

- Eu preciso fazer algumas coisas agora... – Ela disse suavemente. – Mas eu volto para te ver novamente antes de ir embora, ok?

Não era uma promessa vazia. Ela, assim como James, realmente voltariam e trariam consigo bexigas, presentes e um bolo de aniversário. Ideia de James que alguns anos atrás tinha feito o mesmo pelo filho em um aniversário em que o pequeno teve que passar em um leito de hospital. Bella esperava ver no olhar daquela menina, a mesma alegria gratuita e genuína que tinha enxergado no olhar do seu embrulho na ocasião. Era só mais um gesto que comprovava que ela estava fazendo a escolha certa ao massacrar o seu coração.

...

Isabella Swan sempre teve medo de agulhas, aquele tipo de aversão que quase a fazia desmaiar ao pensar em ser furada por aquele instrumento pequeno e ainda assim tão pavoroso para ela. Mas no momento em que se acomodou sobre a poltrona confortável e esticou seu braço para que a doação de sangue tivesse início, seu rosto bonito não mostrava nada além de relaxamento. Para completa surpresa de Edward Masen, ela inclusive manteve seu olhar focado sobre o trabalho da enfermeira.

Mais uma coisa que, aparentemente, tinha mudado sobre ela.

Acomodando-se na poltrona ao lado, o lutador não pôde deixar de questionar:

- Você não tinha pavor de agulhas?

Por longos segundos, a modelo ficou em silêncio, sem se dar ao trabalho de erguer o seu olhar.

- Aprendi a lidar com os meus medos. – Ela respondeu por fim.

- O que mais você aprendeu, Bella? – Não era exatamente a intenção de Edward mostrar tamanho descontentamento, mas não foi capaz de esconder o sentimento evidente em seu tom de voz.

Olhando diretamente, Bella respondeu:

- Aprendi a não confiar em promessas vazias, a não esperar pelo o que nunca virá.

- Minhas promessas nunca foram vazias... – O lutador respondeu calmamente, depois que as enfermeiras os deixaram sozinhos.

- Engraçado você dizer isso... – Bella respondeu calmamente. – Logo você que nunca cumpriu nenhuma das promessas que fez.

Apertando a bolinha que tinha em sua mão direita, Edward Masen cerrou os olhos com força.

- Quero você de volta, Bella.

- Nem sempre temos o que queremos.

- O que você quer que eu faça? – O lutador virou sua cabeça de forma que pudesse olhar para o rosto delicado, e encontrou a jovem ao seu lado de olhos fechados, com a mão direita tão apertada ao redor da bolinha que segurava que deixava claro, embora ela tentasse esconder, o quanto aquela conversa a abalava. – Quer que eu implore? Que eu me coloque de joelhos e peça para ficar comigo?

As palavras praticamente sussurradas pelo ex-namorado fez o coração de Isabella acelerar. Se ele desse qualquer indicação de que faria o que tinha acabado de dizer... Deus, ela não sabia se conseguiria se manter indiferente.

- Não vou fazer isso, Bella. Não vou mesmo. – Edward continuou, inconscientemente dando a morena ao seu lado o incentivo que ela precisava para continuar a se manter longe dele.

- Que bom! – Bella abriu seus olhos e olhou diretamente para o mar revolto que era os olhos de Edward. – Porque seria em vão. Não há nada que você possa fazer para me fazer voltar para você. Você teve a sua oportunidade e a jogou fora há sete anos, quando me deixou sozinha, grávida, e decidiu ir para a cama como uma vadia qualquer. Quase a mesma coisa que está fazendo agora, não é? Você vive me acusando de não passar de uma puta... Bom, eu tenho munição o suficiente para enviá-lo de volta de onde veio e ainda não fiz isso, nem vou fazer. Mas a sua namoradinha... Vocês formam um belo par. Uma puta interesseira e um mentiroso.

- Um par tão bom quanto você e seu noivo, não? Você já contou a ele sobre nós? Sobre ter esquentado a minha cama?

Sem vontade alguma, Bella forçou um sorriso.

- Nós vamos nos casar, Edward. É engraçado que eu esteja pensando nisso agora, em ter um vestido pronto, uma recepção intima, uma certidão de casamento em mãos... o quanto antes. Talvez eu consiga planejar tudo para daqui 3, 4 meses... Então, respondendo a sua pergunta, sim, James sabe tudo sobre mim, e sabe o que é mais surreal em isso tudo? Ele continua comigo. Você diz que me quer de volta, mas continuaria comigo caso soubesse tudo sobre mim? Nem precisa responder. Eu já sei a resposta.

- O que mais eu tenho para saber, Isabella?

- Tudo! – Bella respondeu sentindo um nó se formar em sua garganta. – Tudo. Você acha que me conhece, mas não conhece. Não mesmo.

- Então, me diga... – Edward foi obrigado a abaixar ainda mais o tom de voz quando o fotografo que os acompanhavam, adentrou a sala e passou a fotografá-los.

A voz de Bella Swan só voltou a ser ouvida quando voltaram a ficar sozinhos.

- Você sabe o que estamos fazendo aqui?

- Não desvie da porra do assunto? – O lutador disse entre os dentes.

A modelo voltou a cerrar os olhos, sentindo uma quase incontrolável vontade de chorar. Como ele podia ser tão cego? Se negar com tanta veemência a enxergar o que estava bem diante dele?

- Essa campanha... Se der certo, e vai dar, vai ajudar muitas crianças, as que visitamos hoje e muitas mais. Mas uma em especial foi quem nos trouxe aqui, foi quem motivou isso tudo: meu filho. Você está ai agora, sentado após assinar um termo que o coloca na lista de doadores de sangue e médula óssea e, talvez, um dia você venha a ser convocado, sabendo que um pouquinho do seu sangue pode salvar uma criança. Mas assinar aquele papel não te obriga a nada, você ainda vai poder dizer não, Edward. E eu estou aqui, me perguntando, se a criança esperando pelo seu sangue fosse o meu filho, o filho de James, qual seria a sua resposta, sim ou não?

Dois pares de olhos, azuis e verdes, repletos de questionamentos e intensidade, se encararam por quase um minuto. Os dois jovens em silêncio, cada um remoendo suas próprias emoções diante das palavras proferidas a pouco.

- Não! – Finalmente, Edward respondeu. Sua voz soava calma, embora seu coração batesse tão depressa que ele temeu estar sofrendo um ataque cardíaco.- Minha resposta seria não.

- No fundo, eu sempre soube que essa seria a sua resposta. – Bella respondeu, a voz soando embargada, falha. E sem esperar por nenhuma outra resposta, a morena moveu sua cabeça para o lado oposto, para onde Edward não poderia ver seus olhos, a dor refletida neles e chorou. Chorou pela faca que ele tinha acabado de cravar em seu peito, levando o amor que sentia por ele ao coma. Chorou pelo filho que embora tão cativante, não tenha sido capaz de cativar aquele que possivelmente seria sua melhor chance de vencer a batalha que lutava desde do nascimento: o seu próprio pai. – Sabe aquele filho que você tanto diz que deveria ter conhecido? Você jamais o merecia, Edward. Jamais!

...

Edward não queria pensar em nada, mas as palavras de Isabella continuava a voltar a sua mente. Cada uma delas. E a cada vez que ele ouvia voz em sua mente, lhe dizendo sobre o filho que ele não teve a oportunidade de ter em seus braços, a raiva que sentia dela, de tudo e todos só aumentava.

Estava sendo propositalmente tolo, ele sabia. No fundo, sabia que existia mais por trás do que ela tinha lhe falado, mas não queria, não iria, não poderia parar parar pensar, desvendar o que era. Existia algo cravado bem dentro de si que lhe dizia que no momento em que se deixasse levar pelos questionamentos que o atingiam agora, seria levado ao nocaute. E o lutador não queria isso. Sua vida já estava fora de ordem demais para se deixar abater, cair... No entanto, se arrependia, como se arrependia do que tinha dito. Foi só mais uma forma de ferir quem o feria constantemente. A resposta negativa que havia dado... Ele sabia que não era a resposta correta. Por mais aniquilador que fosse, ele jamais deixaria de salvar aquele menino, o filho da mulher que amava, se pudesse fazer tal coisa. Especialmente agora que sabia que o menino não era, de fato, filho de seu rival. Tinha se encantado pela criança quando o conheceu e não seria, jamais seria, tão mesquinho a ponto de condená-lo a morte apenas por ter sido rejeitado por sua mãe, mas uma parte de si se sentia compelido a fazê-la acreditar no que tinha dito. Ele pôde ouvir a dor na voz dela, a angustia, o medo... E por um segundo, antes que ficasse claro que ele tinha conseguido afastá-la ainda mais dele, o lutador se sentiu bem por fazê-la sofrer.

No entanto agora... Agora que era obrigado a vê-la, linda e tentadoramente coberta por um vestinho curto, dançando com o noivo, claramente se exibindo, durante o coquetel em homenagem a campanha que estrelavam, Edward se julgou um imbecil.

Deveria ter dado a ela a resposta que ela queria, a resposta certa, verdadeira. Se tivesse feito tal coisa, ele sabia, ele a teria de volta.

Poderia se levantar, afastar-se das pessoas que o acompanhavam, principalmente de Jéssica, ir até a mulher que realmente tinha sua atenção, e lhe dizer que tinha mentido, mas a cada novo beijo que presenciava, a cada nova troca de sorrisos, a cada vez que via a mão de James deslizar pela lateral do corpo que Edward sentia que ele pertencia... A cada nova demonstração pública de afeto, o lutador sentia seu ódio aumentar, sua raiva a ponto de transbordar. Não confiava em si mesmo para se aproximar dela. Queria ser ele a provar daqueles beijos, ser ele a receber aqueles sorrisos, ser ele a deslizar a mão forte por cada centímetro do corpo bem feito, queria ser ele a levá-la embora, tê-la em sua cama no final da noite.

Sua fúria era tamanha que Edward, The Lion, Masen mal podia contê-la ao ver a forma como a cobra que, infelizmente, ainda amava destilando o seu veneno. E sua irritação só aumentava de tamanho ao vê-la deixar claro para ele e todos os presentes que não se importava em mostrar o quanto estava contente por estar dando amostras grátis do tipo de relacionamento que ela e noivo mantinha. Por Deus! James praticamente a fodia em público e ela parecida bastante contente com isso. Ou talvez, fosse contente com a forma como isso estava matando Edward por dentro.

Sem se dar conta do que fazia, as mãos do lutador se fecharam com força ao redor de um braço fino, causando um gemido de dor de sua mais nova companhia. O som só o irritou ainda mais. Tinha, realmente, sido um idiota ao imaginar que se exibir ao lado de um declarado desafeto de Isabella, a faria correr de volta para ele.

– Você é tão forte, baby! – O ruivo desejou ouvir a mesma declaração em outra voz, mas a dona dessa voz estava muito ocupada se deixando prensar contra uma parede e sendo beijada por outro, bem na sua frente.

Sem conseguir, tirar os olhos do casal que se exibia sem qualquer pudor, Edward puxou Jéssica até o seu colo e a beijou com a mesma fúria com que via sua ex-namorada ser beijada, infelizmente não teve a metade de satisfação que o outro casal parecia gozar com esse ato. Tão fugaz como começou, o beijo chegou ao fim. Mas decidido a não demonstrar fraqueza, o lutador manteve a modelo loira em seu colo e sem perceber se apossou do copo de cerveja que Jessica mantinha e sorveu um gole.

Emmett que estava sentado ao lado do inusitado casal, impediu que um segundo gole fosse dado e afastou o copo da mão do seu pupilo.

- Sinceramente, Edward. – O treinador comentou sem se importar se soaria grosso. – Eu não consigo entender como é possível que alguém tão talentoso em sua área possa ter um dedo tão podre. Por que você sempre tem que escolher as vagabundas?

Masen não deu ouvidos ao que seu treinador tinha acabado de dizer, ainda movido pelo ciume que o corroía, voltou a se apossar dos lábios da namorada, no exato momento em que Bella desviou o seu olhar até o dele. Não foi capaz de fechar os olhos, enquanto o beijo acontecia, preso pela magnitude daquele olhar esmeraldino que parecia zombar dele.

- Porra! – Ele sibilou quando, Isabella levantou o seu copo em sua direção, em um brinde mudo a sua incapacidade de esquecê-la. – Vamos embora. – O lutador puxou a namorada pelo braço. – Estou afim de um pouco mais do que só uns beijos.

Emmett recostou-se na cadeira que ocupava, após lançar um olhar claramente desaprovador ao pupilo.

- Tome cuidado com o que vai fazer, Edward.

- Eu sou bem grandinho, Emmett. Sei me cuidar.

- Sabe mesmo? – O treinador questionou ao ver seu pupilo se afastar sem lhe dar atenção e chegou a conclusão de que ele não sabia. Não sabia se cuidar nenhum pouco, a prova disse estava na forma como ele havia se deixado provocar, afundar diante das insinuações, provocações da ex-namorada que continuava a se exibir com o atual noivo mesmo após a saída intempestiva de Edward.

Observando a morena se permitir ser beijada, o treinador prometeu a si mesmo, enquanto torcia para que seu pupilo não acabasse por cair na mesma armadilha que o havia levado à prisão, que encontraria algo para usar contra aquela que levava seu melhor lutador e amigo para o fundo do poço apenas com a sua existência.

Notas finais
Por favor me deixem saber o que acharam.
xoxo