The Lion

22 Capítulo XXI


Notas iniciais
Música do capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=RVPHc4fONAo Boa leitura!

Embora o reconhecimento tenha ocorrido prontamente, Isabella Swan não teve qualquer reação além de se manter onde estava, caída ao chão, fitando com os olhos arregalados o homem que se projetava a sua frente. Havia imaginado que, embora não fosse capaz de esquecer a sua existência, o tinha retirado definitivamente de sua vida.

O corpo jovem só foi capaz de reagir quando uma de suas pernas nuas foi atingida fortemente pela correia de couro que Bella havia observado, em transe, ser retirada da cintura masculina.

– Pára! – Ela gritou e tentou se afastar, levantar-se, qualquer coisa que a tirasse da linha de ataque, mas o súbito movimento apenas a aproximou ainda mais de seu algoz e fez com que o próximo golpe atingisse seu rosto, deixando a sensação de que sua bochecha havia sido beijada pelo fogão. – Pai, pára! – Ela voltou a gritar, dessa vez ocupando-se apenas de levar uma mão trêmula ao local atingido.

– Não me chame assim. – Charlie Swan se apossou de alguns fios de cabelos castanhos e puxando-os fez com que a filha ficasse de pé, encarando-o. – Se tornar uma vagabunda e esfregar o nome da minha família na lama não foi o suficiente para você... Agora você manda o seu delinquente atrás de mim?

– O que? – A modelo tentou se livrar do aperto em seu cabelo, mas tudo o que conseguiu foi receber um sonoro tapa. – Do que é que você está falando?

Embora fingisse inocência, Isabella sabia bem sobre o que o pai falava e, enquanto o via encará-la com um olhar furioso, chegou a conclusão que tinha sido mesmo uma grande burrada ter permitido que James chegasse em qualquer lugar próximo de seu pai.

– Eu tentei te dar um futuro... – Charlie voltou a falar e para azar de sua filha continuou a atingi-la, ora com as mãos, ora com o cinto. – E o que você me deu em troca? Engravidou do primeiro marginal que apareceu, fugiu de casa, se tornou uma vagabunda sem a menor vergonha de desfilar praticamente nua por aquela arena e, agora, manda o seu marginal voltar à minha cidade e me agredir. – Como os gritos de Isabella continuaram a ecoar, pedindo para que o pai a soltasse, o homem a arrastou ainda mais para o interior do beco até que os dois se vissem envoltos pela escuridão, onde retomou o ataque verbal e físico.

Revolta pela agressão que sofria, assim como as acusações que era obrigada a enfrentar, Bella tentou, com mais afinco, livrar-se das mãos que a atingiam. A luta não a levou a lugar nenhum. Tudo o que a morena conseguiu foi deixar o homem, a quem um dia ela tinha admirado tanto, ainda mais irritado.

– Eu deveria ter te ensinado essa lição há muito tempo. – Movido pelo rancor que sentia pela filha, Charlie a empurrou contra uma parede fria, prendendo- a com o peso do seu corpo, a impedindo de, sequer, tentar se libertar. – Eu deveria ter te ensinado que agir como uma vagabunda fará com que te tratem como uma. – Sem que Isabella fosse capaz de se dar conta, os dedos fortes do Swan pai rasgou o tecido fino do minúsculo vestido que a octagon girl usava, deixando-o nua da cintura para cima.

A situação além de aterrorizante se tornou humilhante quando o homem continuou a rasgar o restante de pano que cobria a filha.

– Se o que você sonhava para o seu futuro era se tornar uma vadia, eu mesmo poderia tê-la transformado em uma puta.

– Foi o que você fez. – Isabella gritou, ainda a lutar para afastar as mãos fortes do seu corpo. – Quando me obrigou a fugir. – Dessa vez, a tentativa de defesa foi capaz de manter o pouco que ainda existia do vestido preso ao corpo da jovem, mas não a livrou de novas agressões. — Eu sou sua filha, droga! Você deveria me proteger, cuidar de mim e não me obrigar a fazer um aborto.

O que quer que Charlie Swan pretendesse revidar se perdeu no ar, no entanto o novo golpe atingiu em cheio aquela que ele tinha escolhido como alvo naquela noite, levando-a ao chão, levemente desorientada.

Isabella precisou de longos segundos até que percebesse que o furioso ataque de seu pai havia chegado ao fim tão inesperadamente como havia começado e ainda mais tempo para notar os sons de um punho atingindo o alvo.

Trêmula, encolhida contra o chão, a modelo não foi capaz de fazer absolutamente nada, exceto observar o ex-namorado sobre seu pai, atingindo-o seguidamente.

Ela teria continuado olhar a cena, inclusive com certa dose de contentamento, se subitamente não lhe viesse a mente que o fato de estar ali, naquele momento, a defendendo poderia colocar Edward Masen em problemas.

– Edward? – Ela chamou com a voz rouca, só então se dando conta de que chorava, quando notou que o pai desfalecera. – Edward?

A modelo precisou chamar mais algumas vezes, a cada tentativa aumentando o tom de voz, até que o lutador, por fim, interrompesse os socos que distribuía, mantendo o braço erguido no ar.

A adrenalina ainda corria pelas veias de Lion, quase como ele se sentia após uma luta no octógono, mas dessa vez ainda existia uma grande dose de insanidade e foi essa mistura que quase o levou a cometer uma loucura. Teria continuado a acertar o filho da puta, canalha que tinha se atrevido a agredir a sua ex-namorada se não tivesse ouvido a voz dela, chamando o seu nome e tivesse reconhecido o desespero no som que chegava aos seus ouvidos.

Sem se importar com o homem caído, o lutador praticamente se arrastou até Isabella. O beco estava escuro demais para que ele pudesse ver as reais dimensões da agressão que ela tinha acabado de sofrer, mas apesar da falta de iluminação ele a sentiu tremer, assim como ouviu o choro baixo quando a puxou para o seu colo. Ao puxá-la para o seu colo e abraçá-la, Masen pode, também, notar o tecido rasgado que pendia no corpo da modelo e a pele arrepiada que seus dedos trataram de acariciar.

– Vai embora... – Bella, finalmente, foi capaz de dizer algo. Nenhum dos dois sabia ao certo por quanto tempo continuaram firmemente agarrados um ao outro. Ele a pensar o que poderia ter acontecido a ela, caso tivesse demorado demais para encontrá-la, ela a agradecer mentalmente por ter como salvador quem ela sempre desejou que a salvasse do inferno em que tinha se metido. – Vai embora, Edward.

– Cala boca, Bella. – Edward respondeu, mas em sua voz não existia o habitual desprezo com o qual ele sempre a tratava.

– Eu tô falando, sério. – Bella tentou afastar-se. – Droga, Edward, vai embora.

– Cala a boca! – O lutador repetiu, mais firme dessa vez.

– Droga! – Bella conseguiu fazer com os dois se encarassem, embora tudo o que eram capazes de ver fosse os contornos dos rostos. Libertando uma mão, ela deslizou os dedos pelo queixo másculo. – Se ele acordar ou alguém chegar... Você vai se meter em problemas. Vai embora.

Por um segundo, Masen não acreditou no que tinha acabado de ouvir. Ela o estava mandando embora, mas não porque estava irritada, magoada – como acontecia normalmente – mas porque queria impedi-lo de conseguir novas complicações para a sua vida já tão complica.

– Foda-se! – Ele respondeu, mas levantou-se, trazendo a modelo junto consigo. – Foda-se os problemas! Deixa eu dar uma olhada em você... – Então, sem esperar por resposta, o lutador conduziu a ex-namorada em direção a rua principal, onde poderia, graças a melhor iluminação, vê-la melhor.

– Merda! – Ele sibilou quando a luz fluorescente de um poste publico a iluminou. O rosto de boneca que ele tanto admirava estava marcado por uma linha grossa avermelhada, assim como continha diversos outros pontos de vermelhidão. Ele sabia, por experiência própria, que os hematomas estariam ainda piores na manhã seguinte. – Filho da puta! – Edward não foi capaz de conter o xingamento ao notar os seios expostos que, possivelmente durante a briga, foram também atingidos.

– Está tão ruim assim? – Bella perguntou baixinho, enquanto tentava cobrir-se com o pano rasgado de seu vestido. Lion não a respondeu, apenas se ocupou de arrancar ele próprio as tiras de tecido que não faziam nada para cobrir a mulher a sua frente e em seguida lhe entregou a sua jaqueta de couro. O agasalho era grande demais para a modelo, mas ela o aceitou de bom grado, assim como permitiu que Edward continuasse a arrumar o pouco de roupa que ela ainda tinha cobrindo o seu corpo.

Quando deu o seu trabalho por terminado, o lutador em ascensão percorreu com o olhar o corpo pequeno e ainda levemente trêmulo a sua frente. Qualquer um seria capaz de ver que ela não tinha desfrutado de uma boa noite, mas pelo menos estava coberta, na medida do possível, e após deixar que alguns fios de cabelo caíssem por seu rosto, ninguém veria, de imediato, os machucados causados pelo pai. Desde que Bella mantivesse a cabeça baixa, eles seriam capazes de passar pelo saguão do hotel sem maiores problemas.

Bastaria por ora.

– Espera! – Isabella tentou manter-se parada quando Edward a puxou em direção a via principal que os levariam de volta ao hotel. – Para onde está me levando?

– Anda logo, Bella. – O lutador disse, sem se importar em responder o questionamento da morena. – Eu não quero estar aqui quando ele acordar... – Ele completou ao apontar o polegar em direção ao beco escuro do qual tinham saído há pouco.

– Espera! – A modelo voltou a dizer quando o ex-namorado, mais uma vez, tentou levá-la para longe. – Eu não posso.

Com a pouca paciência que tinha chegando ao limite, Lion ignorou os protestos fracos da jovem e praticamente a arrastou para longe do pai. Bella não tinha como saber, mas o lutador sentia seu próprio estomago revirar apenas pelo fato de estarem tão perto do ex-sogro. Definitivamente, não seria capaz de se controlar caso o desgraçado se quer ameaçasse a filha novamente. O melhor a fazer era mantê-la o mais longe possível do pai.

– Eu tenho que falar com ele. – Isabella teimou, fincando os pés no chão o máximo que conseguia.

– O que é que você pode ter para falar com ele? – Edward a questionou, dessa vez a voz soando tão ríspida como sempre.

– Você deveria estar preocupado com o que ele vai fazer depois de acordar. Ele viu o seu rosto... Pode muito bem prestar queixa e, então, o que é que você vai fazer? – Mesmo sem ser a sua intenção, mas uma vez a modelo demonstrou se importar com o lutador e o fato de deixar evidente a sua preocupação com ele, naquele momento, amoleceu o sempre oprimido coração de Lion.

– Não é uma equação tão complicada, Bella. – Edward empregou o máximo de sarcasmo que podia em sua voz, tentando, dessa forma, não entregar como estava abalado por tê-la ao seu lado, ferida e, ainda assim, a se importar com ele antes de si própria.. – Se ele ou qualquer outro prestar queixa, eu volto para a cadeia. Estou em condicional, lembra?

Sem que a modelo soubesse explicar a razão, seu corpo voltou a tremer.

– E você não está preocupado com isso?

Deveria. O lutador pensou, mas naquele momento só conseguia se importar com a mulher parada ao seu lado. Era absurdo e só evidenciava o quanto ela era capaz de mexer com a sua cabeça, mas ele deixaria para ponderar sobre isso mais tarde... Quando ela estivesse bem cuidada e segura.

– Ele não vai prestar queixa. – Lion afirmou. – Ele teria que explicar o que estava fazendo antes que eu chegasse... Me desculpe a honestidade, mas ele não parece muito disposto a mostrar ao mundo quem é a sua filhinha.

Bella sabia, em seu intimo, que ele estava, mais uma vez, tentando encontrar uma forma de atingi-la. Das outras vezes não sabia a razão para tal comportamento, além do evidente ódio que ele parecia lhe direcionar, mas agora estava claro que atingi-la seria uma forma de desviar a atenção dos problemas que ele próprio tinha trazido para si por ajudá-la.

Ela deveria ter retrucado, encontrado uma das suas respostas mordazes, mas tudo o que fez foi puxar o lutador para mais perto de si e, surpreendentemente, colar seus lábios aos dele.

Pego de surpresa, Masen precisou de alguns segundos para corresponder ao beijo. Não era o melhor lugar para se beijarem, muito menos a melhor situação, mas se ela estava disposta a se perder nas sensações inebriantes que os dois sempre experimentavam quando tinha qualquer contato mais intimo, não seria ele a impedi-la. No entanto, a resolução de não ser a ele a pôr fim ao beijo que trocavam se perdeu no ar frio de Toronto ao ouvir o gemido baixo que Bella não foi capaz de calar ao ter os braços do lutador apertando-a contra ele.

Subitamente, a modelo foi invadida por uma timidez quase inexplicável. Não era exatamente pelo fato de ter iniciado um beijo com quem há poucos dias tinha jurado não ter mais nenhum contato, muito menos o fato de ele ter presenciado a agressão que sofrerá do pai, embora esse fosse uma memória que ela gostaria de ser capaz de apagar da memória dos dois, mas sim pela constatação, para si mesma, de que, no fundo, estava feliz por estar onde estava, nos braços de Edward, e por ele, pela primeira vez desde que tinha reaparecido, não estar fazendo nada mais do que cuidar dela.

Felizmente era madrugada e a escuridão da noite foi capaz de encobrir o rubor inesperado que se apossou do rosto feminino quando Edward pôs fim ao beijo, mas manteve-se próximo o suficiente para que Bella fosse capaz de sentir sua respiração morna misturar-se a sua e com as pontas do dedo passou a acariciar delicadamente o contorno do rosto de boneca.

Sem pensar nas possíveis consequências, a morena envolveu o lutador em um abraço e recostou sua cabeça no tórax masculino. Sem que pudesse evitar, lágrimas voltaram a inundar seus olhos e ela se apertou ainda mais a Lion.

– Não posso ir com você. – Ela repetiu. – Não é só por Charlie... – Ela prosseguiu, antes que o lutador em ascensão a interrompesse. – James não...

– Merda, Bella! – Com um movimento rápido, Edward se afastou e deu as costas a morena, alheio ao fato de que sua ação a tinha feito abraçar a si própria e permitir que as lágrimas acumuladas descessem por seu rosto. – Por que você sempre tem que estragar tudo citando aquele filho da puta?

– O que você espera que eu faça? – Ela respondeu. – O que espera que eu faça? Eu devo apenas ir com você... Para onde? Talvez eu deva te seguir até o seu quarto e depois? Dividir a cama com você e a sua namoradinha?

Edward Masen precisou cerrar os olhos e respirar fundo para não voltar a se deixar guiar pelo temperamento de sempre. Bella tinha o poder de sempre tirá-lo do sério, mas ele estava empenhado em tentar não iniciar uma nova briga com ela, não depois do que já havia acontecido naquela noite.

E, de certa forma, ela tinha razão. Gostando ou não, Jéssica estava a sua espera e a culpa por isso era toda dele. De fato, não seria a melhor solução levar a ex-namorada até o seu quarto, embora o lutador estivesse bastante disposto a colocar a atual namorada para fora sem um segundo pensamento.

– Em que quarto vocês estão? – Masen questionou com desagrado.

– Eu não sei...

Tentando não mostrar a sua insatisfação, Edward apanhou o telefone celular em um dos bolsos da calça jeans que usava que o estendeu para Isabella.

– Descubra qual é a porcaria do quarto.

O tom de voz empregado fez a octagon girl se encolher minimamente e ponderar se era mesmo uma boa ideia fazer o que ele estava pedindo, mas sem uma alternativa melhor, ela apanhou o aparelho ofertado e, após digitar a combinação conhecida de números, tentou se afastar antes que a voz de James soasse em seus ouvidos.

Antes que ela desse mais do que dois passos, Edward voltou a puxá-la em direção ao hotel.

A conversa ao telefone não durou mais do que alguns segundos, mas foi o suficiente para que Isabella percebesse que o noivo não estava em seu melhor humor. Ela o ignorou, questionando-o sobre o quarto em que estava e quando ele lhe respondeu, ela apenas encerrou a ligação.

– Mantenha a sua cabeça baixa... – Edward lhe disse assim que começaram a subir os degraus que os conduziriam ao saguão e, para guiá-la, prendeu seus dedos aos dela.

Bella não ousou desobedecê-lo. Não por medo do que ele faria, mas por vergonha pela forma como estava desgrenhada e, possivelmente, marcada. E, mesmo que quisesse negar, o calor que irradiava das mãos unidas lhe trazia certo conforto.

– Eu posso continuar daqui sozinha... – Ela disse, ainda de cabeça baixa quando, finalmente, se viram presos entre as paredes de um elevador.

– A merda que pode... – Foi a resposta sibilada de Edward.

...

Era realmente irracional, Edward ponderou consigo mesmo enquanto caminhava pelo corredor do luxuoso hotel em direção a suíte que hospedava o seu maior rival, que ele se sentisse rechaçado. Mas era como se sentia.

Sabia que era melhor que deixasse James a cuidar da noiva e fosse, ele próprio, cuidar de sua vida. Talvez deixar o Canadá o quanto antes. No entanto, ele não conseguia encontrar energia dentro de si para se importar com a inconveniente namorada que o aguardava em seu quarto, com a irritação que despertaria em seu treinador quando ele descobrisse o que tinha feito naquela noite ou com seu bastante provável retorno para a prisão caso Charlie Swan resolvesse denunciá-lo por agressão.

Tinha agido por impulso, afinal jamais poderia se manter afastado ao encontrar a ex-namorada a ser fisicamente agredida. Portanto, não tinha parado para pensar nas consequências, mas agora que estava tão próximo de entregar Bella para quem ele desejava, mais que tudo, afastar , o lutador tinha começado a se perguntar se tinha sido inteligente de sua parte se envolver ainda mais com Isabella. Já não bastava o passado que compartilhavam e a relação quase doentia que mantinham no presente, agora Edward saia por aí se metendo em brigas para defendê-la e, de certa forma, entregava o seu futuro nas mãos de quem já havia provado não se importar de verdade com ele.

Por que sempre deixava de ser racional quando Isabella Swan estava por perto? Se continuasse com isso acabaria por se destruir.

Voltar para a prisão, ela pensou ao parar de frente para a porta da suíte e bater, não seria nada comparado com o que lhe aconteceria se ele continuasse a se deixar influenciar tanto pela ex-namorada. Tinha sobrevivido há sete anos no inferno, graças a esperança de reencontrá-la quando ficasse livre, apenas para se sentir ser massacrado ao perceber que ela não mais lhe pertencia... Morreria, sem sombra de dúvida, se se permitisse envolver mais uma vez por ela, apenas para constatar que não a teria só para ele.

– Está entregue... – Edward tentou soar o mais frio e impassível possível ao ser diante de um James, claramente, contrariado. – Não tão inteira quanto deveria, mas está entregue.

A cena que se desenrolou a seguir, em sua frente, só comprovou seu pensamento anterior e enviou uma estaca diretamente ao seu coração.

Quando a porta da suíte foi aberta, Bella imediatamente soltou a mão que ainda mantinha-se presa a sua e, antes que James pudesse processar o que via, se jogou sobre o noivo, abraçando-o. Não era exatamente em busca de consolo que ela estava, queria apenas distrair, o máximo possível, o campeão. Sabia que a presença de Edward não seria bem recebida e tentaria, como pudesse, evitar que uma nova briga tivesse início.

– Lover, o que foi? – James retribuiu o abraço, embora mantivesse o seu olhar vagando entre a mulher fortemente agarrada a si e o rival a encará-lo do lado de fora do seu quarto. – O que você fez? – Ele tentou afastar a noiva e se dirigir até Edward, mas Isabella apenas apertou-se mais contra ele e, teatralmente, invocou novas lágrimas, dessa vez se obrigando a chorar abertamente.

Por um segundo, James desviou o olhar de Masen e o prendeu em sua noiva e usou uma das mãos para obrigá-la a erguer o rosto e olhá-lo.

A modelo pode ver o misto de emoções a passar pelo olhar do campeão: espanto, preocupação e, por fim, fúria. Foi a última que a preocupou.

– Filho da puta! – Wasp sibilou e antes que Bella conseguisse pensar em qualquer coisa para dizer, sentiu seu corpo ser empurrado para longe e viu o noivo ir ao encontro de seu ex-namorado.

– Não, James! – Ela, finalmente, conseguiu fazer as palavras saírem e correu para se colocar entre os dois lutadores. – Não foi ele.

O Campeão não estava certo quanto à declaração que tinha ouvido por isso procurou pelo olhar de Isabella. O olhar dela sempre a entregou. E foi a preocupação, pelo lutador que se mantinha do lado de fora do quarto, que ele enxergou no olhar da noiva que o fez parar. Não por não desejar atingir o rival com o máximo de força que possuía., mas porque o brilho no olhar que o encarava deixava claro que ela continuaria entre eles, se preciso fosse, para evitar uma briga. E sendo o idiota apaixonado que era, James não queria vê-la ainda mais machucada.

– Você sabe... – Edward disse calmamente. – Eu não sou o tipo que bate em mulher. – Sim. Era uma clara provocação e os três presentes sabiam disso.

Ainda entre os dois homens, Bella voltou a se aproximar de James, ficando o mais próximo possível, sem voltar a abraçá-la.

– Obrigada, Edward. – Ela disse baixinho, sem se virar ou procurar pelo olhar do lutador, completamente atenta ao homem que tinha a sua frente, alerta a qualquer movimento que ele fizesse. – Pela ajuda hoje à noite. E por me trazer de volta. Você já pode ir agora.

Com o olhar cravado nas costas de Isabella, Edward sentiu seu ódio pelo casal a sua frente retomar.

– Vá a merda com os seus agradecimentos! – Ele disse antes de seguir pelo corredor, para longe da ex-namorada ingrata que o tinha dispensado em o menor embaraço.

...

Mesmo de costas. Bella soube que Edward havia partido. O brilho de diversão que passou pelo olhar de James a deixou saber e esse mesmo olhar a deixou consciente de que tinha, mais uma vez, ferido quem a tinha salvado naquela noite.

Não era a sua intenção. Na verdade, não existia nada que ela desejasse mais do que voltar para os braços de Edward, pedir a ele que cuidasse dela e nunca mais ir a lugar algum, mas não era o que poderia fazer, por isso, se deixou cair de volta contra o peito do noivo, novamente a chorar... mas dessa vez o choro era verdadeiro. Chorava não pela agressão sofrido, pelas dores físicas que ainda sentia ou pelos hematomas que teria que esconder no dia seguinte. Chorava por ter sido salva por quem desejava e por tão pouco tempo depois ter de mandá-lo embora.

Alheio aos pensamentos e sentimentos da morena, James a levou até a espaçosa cama e a acomodou o melhor que pode. Sempre lhe cortaria o coração vê-la chorar. Tentou acalmá-la o melhor que pode, mas a deixou chorar enquanto lhe contava o que tinha acontecido. Ao final da narrativa, James havia se esquecido do sentimento de rejeição que sempre se apossava de seu peito ao constatar que Edward ainda era o dono do coração de Bella. Tudo o que conseguia sentir era uma dose cavalar de culpa e, o que mais o irritava, gratidão para com o rival por ele ter feito aquilo que era a sua obrigação: proteger a mulher que amava.

Depois de banhar a noiva, cuidar de seus ferimentos e obrigá-la a ingerir alguns analgésicos, o Campeão ficou a acariciá-la, gentilmente, até que ela adormecesse em seus braços. Conforme seus dedos deslizavam pelo sedoso cabelo castanho, James se pegou a pensar em como resolver o novo problema que havia surgido. Não importa o que Bella havia dito, ele sempre soube que deveria ter acabado com Charlie Swan ou nunca tê-lo procurado novamente. Havia mexido em um vespeiro e algum veneno havia respingado em que ele mais estimava... Teria, agora, que colocar, mais uma vez, o seu próprio ferrão para fora.

Ao se certificar de que Isabella não daria por sua falta, Wasp deixou a cama, usou um edredom para cobrir o corpo feminino e, sem olhar para trás, deixou o quarto.

Odiava sentir-se em divida com alguém e era ainda pior quando esse alguém era quem ele queria ver pelas costas, de preferência, caído sem possibilidade de se reerguer.

Com os músculos tensos, James dispensou o elevador e desceu dois andares pela escada até que se viu parado diante da porta do quarto de Edward Masen. Bateu à porta sem o mínimo de delicadeza, sem importar-se com o barulho que fazia.

Precisou refrear-se para não seguir o impulso que sempre teria e acertar o ruivo quando ele abriu a porta com uma sobrancelha erguida e um sorriso debochado no rosto.

– Precisa que eu cuide da sua mulher mais uma vez? – Lion disse baixo, a voz carregada de provocação.

Apertando os punhos, James tentou o seu melhor para ignorar a provocação velada.

– Obrigado! – Ele disse, a palavra queimando seus lábios a ser proferida. – Por ajudá-la.

A situação era tão inusitada que Edward não soube o que responder.

– Se você não pretende chamar a atenção da sua namoradinha, sugerido que feche a porta para conversarmos.

– Eu não tenho nada para...

– Mas eu tenho. – O campeão o interrompeu.

Movido mais pela curiosidade do que por qualquer outra coisa, Lion fez como o sugerido e, depois de apanhar o cartão chave do quarto, o trancou por fora. Com os braços cruzados sobre o peito, encarou o rival, esperando pelo o que ele tinha a dizer.

– Tenho que voltar para LA em alguns dias... – James disse casualmente, como se tivesse a conversar com um amigo de longa dada. – Talvez ela esteja bem o suficiente para viajar até lá, ou não. Não importa. Antes disso preciso resolver algumas coisas e não quero deixá-la sozinha.

– E o que eu tenho haver com isso? – Masen o interrompeu, irritado pelo tom amigável com que James lhe falava. Não eram amigos. Se odiavam. Portanto não tinha porquê manter uma conversa amigável no meio do corredor de um hotel.

– Quero que cuide dela. – Lion jamais seria capaz de imaginar o quanto custava a James dizer o que dizia, nem mesmo se se esforçasse para tanto.

– Como é?

– Quero que cuide dela. – O campeão respondeu. – Que a proteja. Como fez essa noite, se for preciso.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, se você chegou até aqui, me deixe saber o que achou. xoxo