The Lion
16 Capítulo XV
Notas iniciais
Capítulo XV
Aquela foi uma noite insone para Isabella Swan. Sua mente simplesmente não era capaz de se desligar, de parar de pensar no que tinha feito, na facilidade com que tinha, mais uma vez, se rendido aos encantos, e efeitos, de Edward Masen e nas possíveis consequências de seus atos.
A modelo se sentia culpada pela traição cometida contra o namorado que naquele momento estava em outro país, arriscando sua carreira, e talvez a própria vida, para vingá-la. Mas, acima de tudo, sentia-se absurdamente temerosa. Não conseguia ser hipócrita consigo mesma e apesar de não aprovar suas próprias atitudes sabia que voltaria a agir exatamente como tinha agido há algumas horas se o lutador adormecido ao seu lado a quisesse.
Era doentio! Ela bem sabia que o que deveria fazer era ir embora, esquecer a história que tinha com o ex-namorado, seguir em frente e dar valor a quem, de fato, merecia, mas não era capaz de fazer nada disso. Queria estar onde estava, nos braços do homem que amava e, embora, sentisse seu coração oprimido e o medo percorrendo seu corpo, sabia que continuaria grudada a Lion por quanto tempo quanto pudesse, até que ele deixasse aquela faceta carinhosa – que tanto a agradava — de lado e voltasse a magoá-la. Talvez isso acontecesse assim que ele despertasse... O pensamento a fez sentir um frio na espinha que logo se alastrou por todo o corpo, a ponto de fazê-la tremer e se encolher e apesar dos braços fortes que a mantinha presa ao corpo masculino, a modelo sentiu-se sozinha, tão solitária como nunca tinha se sentido antes, nem mesmo quando Edward a deixou.
Logo após a separação, Bella se apegou ao fato de que ele voltaria para ela, então, apesar de estarem a quilômetros de distancia um do outro, a modelo o sentia próximo, quase como se estivesse ao seu lado, apenas de uma forma como ela não podia ver. Quando os dias se tornaram meses e essa sensação começou a esmorecer, ela teve algo mais a se apegar: Edward tinha deixado uma parte de si com ela e essa parte estava crescendo dentro do ventre juvenil e no que dependesse de Isabella, viria ao mundo tão feliz e saudável quanto possível.
Embora muita coisa tenha acontecido, muitas lágrimas tenham sido derramadas, em seu intimo, Bella Swan sempre se sentiu, de certa forma, agraciada. Não estava sozinha, nunca estaria porque tinha o seu pequeno embrulho para aquecer o coração que com o tempo se tornou frio e amargurado. Jared sempre lhe trouxe a sensação de que era necessária, de que sempre teria alguém a quem amar e que a amaria em troca... Só Deus sabe o quanto a jovem modelo precisa dessa sensação.
Sentir-se sozinha, de tal forma que chegasse a pensar que sua medíocre vida não importava para ninguém, era, sempre foi, o seu maior medo.
E era, exatamente, dessa forma que ela se sentia naquele momento.
Seu filho estava em outro país, sendo cuidado por outras pessoas que não era ela e sempre existiria a possibilidade de não tê-lo por muito tempo. Seu noivo, embora a tivesse sempre em pensamento – ela sabia – também estava longe e não poderia ser, como tinha sido nos últimos anos, seu porto seguro e apesar de todo o amor que ela tinha certeza que despertava no campeão, sabia que se continuasse a agir como agia, chegaria o momento em que ele se cansaria de lutar por algo que sempre esteve fadado ao fracasso. E Edward... Embora ele estivesse deitado bem ao seu lado, ela sabia que, no fundo, o lutador continuava tão longe dela quanto tinha estado nos últimos 7 anos.
O bolo sufocante que se formou na garganta feminina, aliado ao pânico desesperador que se apossou da jovem a fez levantar da cama e correr até a pequena janela, abri-la e colocar sua cabeça para fora, tentando levar ar aos pulmões que queimavam.
Isabella Swan se sentia sufocar, como se mãos invisíveis estivessem apertando o seu pescoço a ponto de quebrar sua traqueia e lhe roubar a vida.
Apesar das mãos trêmulas e da falta angustiante de ar, a modelo não derramou nenhuma lágrima. Em sua mente ainda ouvia o eco das palavras de Aro Volturi, o homem que a tinha transformado em uma prostituta, lhe dizendo – e mostrando – o quanto odiava ver alguém chorando.
A recordação da voz calma e gentil sussurrando obscenidades para ela ao mesmo tempo em que as mãos enrugadas percorriam o corpo jovem, tocando cada centímetro de pele descoberta a deixou doente. Lutando contra a náusea, Bella tentou afastar as memórias, tentou duramente não se recordar das vezes em que ele, sempre sorridente, invadia seu quarto, lhe entregava mantimentos, roupas e tudo mais o que ela vivia repetindo que seu filho precisava e depois a fazia pagar pela ajuda com sexo... Até o ponto em que agradar Volturi não era suficiente, afinal seu bebê precisava de mais do que apenas leite, frutas e roupa quente esporadicamente.
Isabella Swan nunca viu um centavo do dinheiro que fazia ao se deitar com quem quer que Aro mandasse. O pagamento por seus serviços eram entregues diretamente ao homem que a abrigava e repassado a adolescente em forma de remédios, uma ou outra consulta que nem de longe era o suficiente para o tratamento que seu filho precisava.
Era frustrante, degradante e altamente depressivo sentir-se violentada todas as noites e ainda assim ver a vida se esvaindo do pequeno e frágil corpo de Jared. Em algum momento, movida pelo desespero após uma piora significativa no quadro do filho, Isabella tentou barganhar com um ou outro cliente: ela estava disposta a fazer o que eles quisessem em troca de algum dinheiro entregue diretamente a ela e que ela investia sem nenhuma hesitação em remédios e comida melhores para seu bebê. Funcionou por um tempo, até que Aro encontrou o pouco que ela tinha guardado dentro da fronha do fino travesseiro que Jared usava.
Volturi não se preocupou em fingir ser amigável naquele momento e algumas horas depois Isabella mal conseguia se mover graças as dores espalhadas por seu corpo causadas pela agressão física e sexual e teve seu pequeno embrulho arrancado de seus braços.
Foi terrível ser obrigada a ceder seu corpo para o que quer que Aro fosse capaz de pensar em fazer com ela, e ele foi bastante criativo e sádico com seu castigo, mas nada foi pior do que vê-lo pegar o seu bebê e levá-lo para longe.
Bella não pôde se aproximar da sua única razão de viver por mais de um mês. Ela o via, uma ou outra vez e sempre o ouvia chorar, mas estava trancada no pequeno e decadente quarto que Aro tinha lhe cedido ocupada demais agindo como uma maldita boneca inflável para todos os homens que adentravam o cômodo e se colocavam entre as pernas finas. E a noite era obrigada a ir para as ruas.
Ao menos sabia que seu bebê estava sendo alimentado, se assegurou disso ao manter a cabeça em pé e escolher que seu “pagamento” deveria ir para o filho. Tinha sido a condição de Aro. Ela o devia, mais do que antes, e sua cota pelos serviços prestados teria que ser reduzida, como Volturi era alguém generoso ele a deixou escolher se os mantimentos seriam entregues para ela ou para Jared. A modelo ainda se lembra, perfeitamente, do olhar surpreso no rosto gasto de seu algoz ao ouvir sua escolha.
Não foi uma época fácil. Bella perdeu mais peso do que era saudável e muitas vezes se pegava vasculhando os lixos das esquinas escuras onde fazia ponto em busca de algo que pudesse comer.
Foi assim que James a encontrou. Ele era só mais um dos muitos homens que pagariam para fodê-la, mas por alguma razão, diferente da maioria, ele a levou até o hotel em que estava hospedado e enquanto ele estava distraído ao telefone, Bella se viu devorando os restos de uma pizza esquecida no chão do quarto. Quando sentiu o olhar masculino cravado sobre si, pensou em se jogar aos pés do seu cliente e implorar para que ele não contasse nada ao seu cafetão. Se Aro descobrisse seria ainda pior. Mas antes que Isabella fizesse qualquer coisa, James sorriu para ela, a puxou para a beirada da espaçosa cama e, quando ela pensou que ele arrancaria as minúsculas roupas que ela usava, apenas passou a conversar sobre nada importante.
Ele não a tocou, beijou ou fez qualquer outra coisa que não fosse falar durante aquela noite. E durante todas as outras em que ele a procurou na mesma esquina em que a tinha visto pela primeira vez. Após 3 encontros, Bella confiava o suficiente nele para aceitar os lanches que ele passou a oferecer e após mais alguns se viu respondendo as perguntas que ele fazia sobre sua vida e, em uma noite especialmente ruim até mesmo aceitou o ombro que ele oferecia e chorou ao contar sobre o filho.
James poderia tê-la delatado ou usado as informações que ela cedia contra a jovem, mas tudo o que fez foi criar uma linha de crédito – bancada por ele -, em uma farmácia próxima, custear consultas com o melhor pediatra do Canadá e pagar a Aro uma quantia absurda pela a exclusividade de Isabella. Ela era só dele, nenhum outro cliente, nem mesmo Aro poderia tê-la e o mais importante, para Bella, Jared voltou para os seus braços.
Ela poderia ter se apaixonado por Wasp naquele momento, se seu coração já não tivesse dono. Como não havia espaço para um amor, ela deu a ele as únicas coisas que ainda tinha: seu corpo e gratidão. Com o tempo, James quis mais e fez o que teve que fazer para conseguir e com isso Isabella deixou de ser uma prostituta para se tornar a namorada de um lutador talentoso que tinha há pouco se tornado o campeão de sua categoria.
Lutando contra o sentimento opressor que massacrava seu peito, a modelo se voltou em direção a cama, fitou o homem que ainda amava adormecido e se perguntou se ele teria feito o mesmo por ela, se ele a aceitaria e cuidaria dela. Em seu intimo sabia que a resposta para seu questionamento interno era negativo e isso só a fazia sentir ainda mais asco por si mesma.
...
Edward Masen despertou assim que os primeiros raios de sol invadiram o quarto através da janela aberta. A primeira coisa que notou era que estava completamente sozinho no pequeno quarto. Se não fosse pelas roupas femininas meticulosamente dobradas e colocadas sobre uma cadeira, ele seria capaz de se questionar se não havia fantasiado a noite tórrida ao lado de Isabella.
Ignorando o corpo dolorido, cortesia da luta irresponsável da noite anterior, Lion vestiu uma bermuda larga e encontrou aquela que transformava sua vida em inferno e céu ao mesmo tempo, de costas remexendo nos armários em sua humilde cozinha. Ela vestia uma das blusas polo do lutador o que deixava as pernas esbeltas livres para serem admiradas e tinha o comprido cabelo preso em coque frouxo. Sem realmente se importar com o que fazia, Masen a envolveu por trás em um abraço apertado e depositou um beijo molhado na curvatura do pescoço feminino.
Isabella temia que o jovem lutador gritasse com ela ou a mandasse embora, então foi positivamente surpreendida ao se sentir ser abraçada e beijada.
Largando as canecas que havia encontrado sobre um balcão, a modelo tombou sua cabeça de encontro ao peito másculo às suas costas e fechou os olhos.
- Você precisa fazer compras... – Ela sussurrou quando mais um beijo, agora mais forte, lhe foi dado e uma das mãos de Edward deslizou por seu estomago.
- Nós podemos pedir algo se você está com fome. – A voz ainda sonolenta de Lion provocou arrepios na morena.
Elevando seu braço, Isabella infiltrou seus dedos pelos cabelos macios do ex-namorado e puxou sua cabeça para ainda mais perto de sua pele.
- Eu estou faminta! – Bella confessou, embora seus pensamentos estivessem voltados para um alimento bem diferente.
- Não tanto quanto eu...- Edward moveu o corpo feminino, fazendo com que os olhares, dele e dela, se encontrassem. Com um sorriso malicioso, o lutador colocou a ex-namorado sentada sobre o balcão e se acomodou entre as pernas dela. Sem perder tempo, Isabella o abraçou pelo quadril, o puxando para mais perto de si. – Mas minha fome é toda de você.
- Edward... – O nome saiu em um gemido quando os lábios masculinos voltaram a atacar o pescoço da modelo.
O lutador não queria ser delicado. Tinha sentido muito a falta dela e queria, de uma vez por todas, tomar posse do que imaginava ser seu por direito: a mulher que amava. Mas tinha medo do que novas marcas no corpo pequeno dela poderiam causar. Felizmente, Isabella desejava o mesmo e fez questão de deixar isso claro ao apertá-lo ainda mais contra si.
- Eu quero você! – Ela sussurrou.
- Não me diga isso... – Os lábios masculinos se afastaram e Edward posou seu olhar sobre o rosto de porcelana de Bella. – Me faz te querer ainda mais. Me faz querer prendê-la no quarto e não sair mais de dentro de você. Me faz querer te marcar inteira e...
- Faça isso... – Bella sorriu para o lutador.
Masen imaginou não ter ouvido bem o que ela disse, mas quando as mãos delicadas se apressaram em retirar a camisa de algodão que cobria o corpo bem feito e passaram a acariciar os seios firmes toda a hesitação e cautela desapareceu.
- Porra, você é linda! – Era um elogio, mas soou como uma critica. E no fundo era mesmo.
Isabella Swan era bonita demais para seu próprio bem, ao menos era o que Lion pensava. Talvez se ela não fosse tão atraente e desejável, ele pudesse tê-la só para si.
O toque masculino sobre os montes arredondados acabou sendo bruto demais, provocando um gemido de dor e excitação.
- Se ele te machucar de novo por minha causa...
- Ele não está na cidade. – Bella o interrompeu. – Esqueça ele.
- Não posso! – Edward continuou com a exploração pelo corpo da modelo e uniu seus lábios as mãos, deixando um rastro molhado por cada pedaço de pele que tocava. Propositalmente, os dentes brancos dele cravaram-se ao redor de um mamilo intumescido e Isabella fincou as unhas grandes nos ombros largos do lutador. – Enlouqueço só de pensar que ele vai fazer o mesmo que eu estou fazendo agora.
- É por isso que você quer me machucar? – Não existia magoa alguma na voz sussurrada, apenas resignação, quando uma nova mordida foi dada no outro seio da morena.
- Não! – Edward garantiu e delicadamente passou a beijar carinhosamente as marcas deixadas por seus dentes na pele alva. – Quero te machucar porque odeio o efeito que você tem sobre mim... Odeio que me faça te desejar tanto que sou capaz de aceitar inclusive que volte para ele. Odeio o feitiço que lançou sobre mim que não me permite te esquecer.
Calmamente, Masen a fez se apoiar nos cotovelos, oferecendo aos seus olhos uma visão melhor a ainda mais excitante do corpo desnudo de Isabella.
Bella viu o olhar de safira deixar seu rosto e se fixar em seu quadril, exatamente sobre a pequena e delicada tatuagem que ornamentava seu corpo.
- Jared... – Ela disse baixinho. – É um “J” de Jared, não de...
- Eu sei! – O ruivo a interrompeu porque não tinha a menor vontade de ouvir o nome de seu rival.
Nada mais foi dito por um longo tempo. O lutador se ocupou em descer os beijos quentes e úmidos até que alcançassem o centro pulsante e necessitado da modelo e Bella, por sua vez, não faz capaz de fazer nada mais do que puxar os cabelos acobreados e gemer de prazer. Edward não se afastou até que a tivesse presenteado com um orgasmo.
Sentindo o corpo mole e sonolento, a octagon girl não se importou com sua própria nudez e permaneceu jogada sobre o frio balcão por mais alguns minutos após Edward ter se afastado e iniciado o preparo de um café forte.
Quando, finalmente, começou a se mover, ele voltou a se aproximar e a fez se recostar mais uma vez.
- Gosto de te ver assim...
- Parece que sim... Mas acho que gosta ainda mais de me ter. – Afastando as mãos masculinas, Bella soltou do balcão para o chão e voltou a apanhar a camisa que havia sido descartada.
- Você vai ficar o restante do dia?
Abaixando a cabeça para esconder o pequeno sorriso que se formou em seus lábios, Bella deu de ombros.
- Se você quiser...
...
- Eu tenho algo para confessar... – Edward disse, fitando o teto do quarto.
Estavam de volta à cama, nus, suados e exaustos.
Com um olhar desconfiado, Bella se acomodou melhor sobre o colchão de forma que pudesse olhar o lutador.
- Quero te foder de novo, e de novo, e de novo... Mas antes preciso de uma pausa e alguma coisa para comer. Comida de verdade.
Surpreendentemente, uma risada cristalina e, de certa forma, contagiosa ecoou pelo quarto.
- Você quer que eu cozinhe para você? – Isabella conseguiu dizer após conter a risada.
Edward a olhou com uma sobrancelha arqueada.
- Você não costumava ter muito talento para culinária...
- Eu aprendi. – A modelo disse ainda com um sorriso a enfeitar o rosto belo. – Cozinho relativamente bem e prometo que não vou tentar te envenenar.
- O que mais você aprendeu nos últimos anos? – Não era, realmente, a intenção do lutador demonstrar tamanha amargura em seu tom de voz, mas lembrar-se que ela não era a mesma que ele havia deixado, o fazia perder a sanidade.
O sorriso espontâneo desapareceu.
- Muita coisa. Pouquíssimas teriam a sua aprovação.
Deixando a cama, Edward deu as costas à mulher que ainda o encarava.
- Vou pedir alguma coisa... Guarde todos os seus dotes para quem esteja interessado.
- Filho da puta! – Isabella gritou e tacou um travesseiro na cabeça do lutador. – Você estava bastante interessado há alguns minutos.
...
Quando Edward voltou ao quarto, se deparou com uma Isabella completamente vestida, penteada e maquiada, mas ao se aproximar ainda pôde sentir o seu cheiro sobre ela.
Ignorando o olhar irritado, o jovem lutador colocou algumas embalagens de comida chinesa sobre a cama e se sentou.
- Vai esfriar... – Ele disse de boca cheia quando ficou claro que a modelo não tinha a intenção de se juntar a ele para a refeição improvisada.
Há menos de 1 hora, Bella sentia-se faminta, mas todo o apetite tinha ido embora. Assim como a alegria por estar no mesmo ambiente que Edward, mas não conseguia encontrar vontade para ir embora.
- Por que você tem sempre que falar algo, encontrar uma forma, de ser grosseiro? De me fazer sentir como uma prostituta barata? – Ela questionou, recostando-se a janela, agora fechada.
- Porque quero te magoar, te ferir... – Edward Masen respondeu calmamente, como se estivesse falando sobre o tempo. – E sei que odeia que a tratem como uma vagabunda, apesar de agir como uma.
- Então, tudo bem me tratar como uma puta, tudo bem em levar uma vagabunda para a cama... Estou começando a cogitar que você não se importaria, nem um pouco, se eu fosse mesmo uma prostituta. – A calma com que a fala foi colocada não entregava a apreensão que corroia a jovem por dentro. Não tinha dito tais palavras movida pelo despeito ou pela magoa de ter sido destratada mais uma vez. Tinha usado o tempo em que ele esteve longe, para pensar em uma forma de tentar descobrir como o homem que amava reagiria caso ela cedesse ao seu coração e lhe contasse tudo o que tinha vivido até reencontrá-lo.
Deixando a comida de lado por alguns segundos, Lion encarou a mulher que o fitava tão intensamente.
- Você pode ser a minha prostituta particular, se quiser. – Ele sorriu para a indignação que viu no olhar esmeraldino, e embolou alguns guardanapos até formar uma pequena bola que o lutador jogou aos pés da ex-namorada. – Me faça uma tabela de preços. U$10 por um boquete? U$ 50 por anal?
- Vai à merda! – Bella apanhou a bolinha de papel e tacou sobre ele. – Vê por que eu não acredito em nada do que me fala? Há menos de 24h você me disse que nunca mais tentaria pagar por sexo comigo e agora está me perguntando quanto cobraria por isso... Você é um maldito mentiroso!
Sem dar maior importância para a explosão de mau humor de Isabella, Edward voltou sua atenção para a comida que tinha em mãos.
- Que bom que você ficou tão indignada, Baby. Porque se você fosse uma prostituta de verdade, eu nunca mais olharia na sua cara.
...
- Qual é o problema com você? – Edward se apossou do braço feminino e impediu que Isabella deixasse o apartamento. O dia nem havia chegado ao entardecer e eles já haviam discutido tantas vezes quanto haviam transado.
Isabella estava emocionalmente cansada e queria apenas ficar longe do homem que a fazia se sentir pior do que todos os outros homens já haviam feito com que ela se sentisse.
- Qual é o meu problema? — A modelo rebateu. – Você não consegue ficar dez minutos ao meu lado sem que esteja me atirando farpas.
- Posso ficar mais de 10 horas te fodendo... É só voltar para o quarto, tirar toda essa roupa e abrir as pernas.
Em seu intimo, Bella havia prometido a si mesma que jamais voltaria a agredir o ex-namorado, mas antes que percebesse sua mão já havia atingido o rosto já marcado por alguns hematomas.
- Porra, Bella! Eu estou começando a ficar de saco cheio dessa sua maldita mania de bater na minha cara.
- Eu estou de saco cheio de você me tratar como uma cadela. Estamos quites então.
- O que você quer? Que eu te traga rosas? Te leve para jantar? Talvez um passeio de mãos dadas em um parque? Que eu volte no tempo e apague todas as merdas que nós dois fizemos?
- Queria que não tivesse ido embora. Queria que não tivesse me deixado sozinha. Queria que não tivesse me deixado esperando depois de eu ter te contado que estava grávida. Queria que tivesse me perguntado como me senti durante os últimos anos. Queria que tivesse tentando me entender em vez de estar sempre pronto a me esfaquear pelas costas.
- Não podemos ter tudo o que queremos, Isabella. Eu queria que não tivesse me trocado por outro e daí? Você trocou da mesma forma.
- Não! O que você queria era que eu tivesse deixado de viver enquanto esperava pelo seu retorno que, possivelmente, nunca aconteceria. Foram sete anos, Edward! Sete malditos anos! Como você esperava que eu sobrevivesse? Já sei! Você esperava me encontrar na mesma casinha em Napanee, vivendo com meus pais. Esperava que nada tivesse mudado, mas eu tenho uma novidade para você: meu pai sempre te odiou e odiou ainda mais saber que a sua menininha tinha não só dormido com a ovelha negra da cidade como estava grávida dele. Nada seria como antes!
Dizem que a verdade machuca... Edward Masen comprovou a veracidade dessa afirmação naquele momento. Mas nunca foi do tipo que abaixava a cabeça e aceitava acusações facilmente.
- Tive meus motivos para não voltar. – Ele respondeu simplesmente.
Sorrindo ironicamente, Bella acariciou a área que tinha batido há pouco.
- Tive meus motivos para me tornar o que sou hoje.
- Eu sei! – O lutador, enfim, admitiu. – Sei porquê tem tanta raiva de mim e do mundo.
- Ah é, Edward? Eu não acredito nisso!
Afastando-se, Lion vasculhou a mochila que havia abandonado na noite anterior no chão da sala e apanhou do interior o celular da jovem que ele havia apanhado na última vez que se encontraram.
- Ontem a noite, você me disse que eu não fui o primeiro a te bater... Seu pai foi. Foi ele também quem a levou até um clinica para que abortasse. – Com um movimento forçadamente calmo, o lutador colocou o aparelho sobre uma mão feminina trêmula. – Sei que me culpa e me odeia por tudo isso. E quer saber? Eu também me odeio por isso.
O choque de Isabella pela declaração foi maior do que a indignação por Edward ter se apossado e vasculhado o seu telefone móvel. A jovem já tinha dado o celular como perdido, então reencontra-lo em posse do ex-namorado a fez desejar cavar um buraco a seus pés e se esconder, afinal tinha sido tola o suficiente para manter mensagens nunca enviados para ele.
- Como descobriu a senha?
- O dia em que nos despedimos... – Lion respondeu como se não tivesse quase enlouquecido ao tentar decifrar o código.
Não! O dia em que Jared foi feito...- Bella pensou.
- O dia em que me engravidou... – Ela sussurrou. – E foi embora.
- O que você quer eu diga? – Masen gritou. – Quer que eu caia aos seus pés e implore por perdão? Quer que eu diga que não me importo por ter se transformado em outra pessoa só porque eu fiquei alguns anos longe?
- Só por isso? Eu não faço ideia do que você fez ou onde esteve nos últimos anos, mas para mim foi muito mais do que “só alguns anos longe”. Eu estive nas ruas, Edward. Por meses, no sol, na chuva, com frio e fome. Eu dormi nas ruas, procurei por comida no lixo, invadi casas e roubei o que encontrava nelas para conseguir algo para comer. Fui espancada e violentada... Então, me diz, foram mesmo “só alguns anos”? E sim, eu te culpo por tudo isso e muito mais. Então, não me olhe como se fosse melhor do que eu, como se eu não passasse de escória por ter encontrado e me aproveitado da oportunidade de voltar a viver como um ser humano de verdade.
Prensando o corpo magro contra a parede mais próxima, Edward encarou a ex-namorada com olhos desfocados e lacrimejantes.
- Você ainda me ama? – A pergunta vociferada em agonia calou tudo o que Isabella tinha para dizer.
Sim, ela ainda o amava. Nunca deixou de amar. Mas não parecia existir espaço para amor entre eles.
- Edward...
- Você ainda me ama! – Não era mais uma pergunta. – Sei disso. Vejo na forma como tá me olhando agora. Você ainda me ama, Isabella. É tão louca e enfeitiçada por mim quanto eu sou por você, então esquece todo o resto, largue todo o resto... Eu não vou deixar que você volte para rua, não vou deixar nada te faltar. Não vou permitir que ninguém nunca mais te bata ou... faça qualquer outra coisa que não queira. Volta pra mim, Bella. Volta pra mim e podemos começar de novo. Podemos fazer outro bebê e tentar superar a falta do filho que seu pai te obrigou a tirar... Podemos...
- Cala a boca! – Bella tentou se afastar. Não queria ouvir sobre possíveis futuros filhos. Uma gravidez traumatizante tinha sido o suficiente para fazê-la temer uma nova gestação tanto quanto temia perder o filho que tinha. Além disso, a capacidade de Edward em se manter cego diante de todos os fatos a inervava imensamente. – Você desaparece por anos e agora me diz para deixar toda a vida que construí de lado por você?
- Deixe o James, Isabella. – O lutador confirmou. – O deixe e eu juro que vou te dar tudo o que ele lhe dá.
- Quando você vai entender que eu não ligo para o que James me dá? Não me importo com a casa grande, com os carros, com as joias, com o dinheiro...
- Com o que se importa, então?
- Com Jared! Com meu filho! Me importo com ele, só com ele... Você me pede para largar tudo e ficar com você. Eu poderia fazer isso, Edward. Poderia mesmo. Mas, me diz, existe espaço para o meu filho nos seus planos? Você o amaria como eu amo? Faria qualquer coisa por ele? Daria a sua vida por ele?
Esse era o momento de Isabella olhar nos olhos do homem que amava e lhe dizer que o filho dela, também era filho dele, mas antes queria ter certeza de que seu pequeno embrulho teria tanto amor, carinho e dedicação que tinha daquele que não tinha lhe gerado, mas o idolatrava acima de tudo e todos.
- Não, Bella! Eu não conseguiria olhar para ele sem lembrar de James. Com o tempo eu o odiaria tanto quando odeio o seu maldito noivo.
Isabella Swan sentiu seu coração sendo rasgado ao meio.
- James é um homem infinitamente melhor do que você. – A modelo disse calmamente. – Ele não é o pai do meu filho, Edward, mas ele o ama muito mais do que o verdadeiro pai seria capaz.
Soltando-se do aperto de ferro que Edward mantinha sobre si, Bella o empurrou para longe.
- Você está certo quando diz que sou uma vadia. E como tal vou ir para a cama com você tantas vezes quanto quiser me levar, mas você nunca mais terá nada além disso de mim. Nesse momento, eu gostaria que você jamais tivesse saído do inferno onde esteve escondido nos últimos anos, assim teria nos poupado de mais uma decepção.
- Me acha um monstro por ter sido honesto com você? – Edward permitiu que a ex-namorada se afastasse. – Talvez mudasse de opinião se soubesse quem seu noivinho, realmente, é.
- Não há nada que você possa me dizer sobre James que eu já não saiba.
- O que você acabou de dizer só prova que eu estive certo o tempo todo ao acreditar que você sempre soube e, provavelmente, adorou saber que o aclamado Wasp foi o filho da puta responsável por me mandar para a prisão.
A revelação roubou o ar e toda a indignação que movia a morena.
- O que? – Ela questionou em espanto.
- Você pode continuar brincando de casinha o quanto quiser, afinal conseguiu, finalmente, me fazer enxergar que não quero nada mais de você, a não ser te fazer abrir as pernas para mim de vez em quando. No fundo, vai ser divertido te foder sabendo que estou enfeitando a cabeça do homem que destruiu a minha vida.
CONTINUA...
Notas finais
xoxo
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