The Lion

17 Capítulo XVI


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo XVI

Isabella Swan jamais seria capaz de se acostumar com a forma como Lion conseguia magoá-la tão profundamente apenas com algumas palavras. Sempre se sentiria humilhada ao encarar as colocações usadas, propositalmente, para feri-la, mas tendo em vista a revelação que tinha acabado de ouvir o sentimento angustiante deu lugar a uma pequena, quase inexistente, centelha de esperança.

Diante do novo sentimento, a modelo foi capaz de ignorar o comentário mordaz do ex-namorado, embora ele a tenha atingido como um tiro certeiro no peito.

- O que você disse? – Ela voltou a questionar, dessa vez com a voz tão tranquila quanto possível e livre de qualquer intenção de deixá-lo.

Se ele esteve mesmo preso... Parecia algo totalmente surreal para Bella. Mas, se ele esteve realmente preso, então, talvez, diante do fato de que ele não tinha simplesmente a abandonado, mas sido obrigado a se afastar... Eles pudessem se entender. Exigiria muito sacrifício, muita dedicação, muita compreensão, mas se ele fosse mesmo capaz de explicar porquê esteve longe durante todo esse tempo, Isabella lhe concederia uma nova chance sem pestanejar.

Sim, ela estava propositalmente tentando encontrar uma razão para mantê-lo em sua vida. Quem poderia culpá-la por isso? Ele sempre foi, e possivelmente sempre será, o grande amor de sua vida e não existia nada mais em todo mundo – além da cura do seu filho – que ela desejasse mais do que tê-lo e, em retribuição, se doar completamente ao homem que por tantos anos tinha desejado manter ao seu lado.

Infelizmente, para Edward Masen falar sobre o tempo em que esteve em reclusão sempre despertava memórias ruins e com elas vinha a intensificação do desejo de se vingar daquele que ele julgava responsável por seu sofrimento. E naquele momento, olhando nos olhos esperançosos de Isabella Swan, o lutador pôde perceber que ela era o canal, a via que o conduziria diretamente a satisfação de destruir quem um dia o tinha destruído. Obviamente, esse era um caminho que destruiria não apenas James, mas também a ele e a mulher que ambos amavam... No fim, os três estariam acabados, mas, enquanto estava sendo movido pelo rancor, Lion não se importava com o fim que os esperava.

Ele pôde ver e sentir, em primeira mão, durante o dia que teve ao lado da jovem, que Bella ainda o amava. Talvez o tempo tenha inclusive intensificado aquele amor juvenil, o transformando em obsessão, um vicio tão profundo quanto destrutivo. O mesmo tinha acontecido com ele. Era inegável que jamais conseguiriam manter-se afastados por muito tempo, então por que ele não deveria unir o útil ao agradável? Tê-la ao seu lado e fazê-la sofrer?

Ele sabia que Wasp amava a noiva. Talvez fosse um amor mais puro e digno do que o que ele dispensava a mesma jovem. Essa era única explicação para que ele a aceitasse como era, para que a quisesse ao seu lado e cuidasse do filho dela com Deus sabe quem, como se fosse seu. Por mais amor que Edward sentisse por Isabella, jamais seria capaz de dispensar ao filho da morena tamanho cuidado.

Não queria mal ao menino. Tinha simpatizado com ele e de certa forma Jared o fazia sentir bem, quase da mesma forma como se sentia quando a vida era mais simples, mas nunca seria capaz de amá-lo como teria amado o filho que deveria ter tido.

Sim. Edward Masen, no fundo, reconhecia a sua parcela de culpa no trágico destino do filho que nunca conheceu, que nunca chegou a vir ao mundo. Assim como sabia que também havia sido sua culpa, em parte, o que Isabella teve que viver após sua partida, Em seu intimo, o lutador, reconhecia que a vida de nenhum deles tinha sido fácil depois da separação, mas independente disso, não conseguia entender, aceitar, que ela tenha se transformado em outra pessoa, que tenha se unido justamente a quem ele odiava.

Ao olhar para a jovem mulher parada a sua frente, o ruivo sempre seria invadido por um misto conflituoso de sentimentos: Sentia que ainda a amava; a desejava ainda mais do que antes; a culpava pelas feridas que carregava dentro de si; queria vê-la sorrir, ao mesmo tempo, em que queria provocar suas lágrimas; ansiava pelos sons excitantes que só ela era capaz de emitir sempre que ele a tocava, assim como ansiava por ver refletido no lindo par de olhos esmeraldinos a intensidade de uma dor emocional tão intensa e desgastante que só poderia ser provocada por alguém por quem ela morreria.

Agora sabia que ela enxergava, e sentia, o mesmo ao olhar para ele. Estavam condenados a se destruírem. O amor doentio que sentiam, seria o responsável por levá-los ao fundo do poço... E de lá nunca mais sairiam.

- Edward... – Isabella voltou a falar, desejando que o ruivo parasse de olhá-la como se estivesse pronto, e desejoso, para matá-la e desse-lhe respostas. Se possível respostas que viabilizassem um futuro juntos.

- O que você quer saber, Isabella? Detalhes? – Como de costume, o lutador se apossou do braço feminino e a puxou em sua direção. – Comemorar o grande feito?

A modelo se deixou arrastar, nem mesmo se importou quando seu corpo foi prensado contra uma parede qualquer. Estava começando a se habituar com o tratamento que o lutador sempre lhe dispensava. Gostaria que ele agisse com aspereza sempre. Com isso a morena sabia lidar. Mas quando ele agia com delicadeza, apenas para recomeçar o ciclo vicioso mais tarde... Deus! Isso sim era o que a despedaçava.

- Eu quero saber porquê me disse que foi preso. Eu, simplesmente, não consigo entender, Edward. Você sempre fugiu de qualquer problema com a policia... Sempre teve tanto cuidado. – A voz feminina não falhou ou entregou toda a confusão existente na mente e coração de Isabella.

A octagon girl conhecia, como poucos, o passado do lutador. Sabia o quanto ele sempre lutou para estar dentro do limite da legalidade, conhecia a intensidade do caráter do jovem por quem se apaixonou quando ainda era adolescente.

Na pequena e fria cidade de Nappanee, Edward Masen sempre foi tratado como escoria, embora ele, realmente, não tivesse culpa alguma do passado de seus pais, de sua origem – motivo pelo qual a população tradicional e preconceituosa da cidade sempre o olhou como se não merecesse estar entre eles. Salvo por algumas explosões de raiva e uma ou outra rebeldia, ele sempre tentou se manter longe de problemas maiores, era importante para ele – muito mais do que para Bella e todos os jovens da cidade – mostrar à todos que ele tinha caráter, valor e que podia ser tão boa pessoa quanto qualquer um. Não fazia qualquer sentido que alguém tão preocupado com a aceitação dos demais, cometesse qualquer ato ilícito que o levasse à cadeia por tantos anos.

Por um segundo, a jovem modelo chegou a cogitar que ele poderia ter perdido o controle em alguma briga, mas isso também não condizia com o rapaz que ela conheceu. Ele era um lutador profissional agora, mas desde sempre agiu de acordo com a consciência de um verdadeiro campeão. Tinha conhecimento de suas habilidades, de sua força e jamais – por mais provocado que fosse – iniciou uma briga física contra alguém que não fosse capaz de se proteger, de revidar os golpes com a mesma potência e desenvoltura, ainda assim, Bella se viu perguntando:

- Foi uma briga? Você perdeu o controle? Agrediu alguém?

- A única pessoa contra quem eu lutaria fora dos ringues, e o mataria de porrada se pudesse, é o seu noivinho.

A resposta fez Isabella estremecer. Ela o conhecia e o olhar penetrante que ele lhe dirigia apenas comprovava que ele não estava blefando. Temeria por James, se ela não soubesse que ele seria capaz de revidar com a mesma ferocidade. Uma eventual luta entre os dois dentro de um octógono seria feroz, alucinante... – exatamente como o publico do campeonato apreciava. Mas uma luta fora dos ringues e sem um arbitro para intervir só acabaria quando um deles estivesse morto.

- Por que você o odeia tanto? É pelo cinturão? Isso é ridículo!

- Eu quero aquele cinturão, Isabella! E vou ter! Nem que seja a última coisa que consiga na vida... Não importa quem seja o adversário. Mas minha luta contra James é por muito mais do que um título. Ele destruiu a minha vida, me roubou o que eu tinha de melhor e mais importante... Eu vou retribuir o favor.

Bella Swan bem sabia que seu noivo não era o mais honesto de todos os homens. Ele sempre tinha cartas nas mangas para serem usadas quando julgava necessário e não se importava em sujar as próprias mãos... Prova disso é que ele estava agora acertando contas com Charlie Swan. Mas embora fosse ambicioso e vingativo, Wasp não era, exatamente, o monstro que Edward retratava. Se fosse ele não a teria tirado da rua.

- O que ele fez? O que James fez para que você tenha tanta raiva dele?

- Me enviou para o inferno... E eu tive que queimar por malditos 7 anos. – O lutador já não gritava, mas o aperto com que mantinha a jovem prensada contra a parede se intensificou. – Você faz ideia do que eu vi lá dentro? Do que eu vivi lá dentro? Do quanto eu tive que lutar para sobreviver?

Não. Bella não sabia, mas pelo estremecer do corpo músculo ela pôde supor que não tinha sido nada bom, ainda assim não lhe parecia possível que ele tenha vivido um terço do que ela mesma teve que experimentar.

- Não tanto quando eu. – A morena respondeu calmamente.

Edward Masen sorriu.

- É claro! Seu sofrimento foi bem maior... Enquanto eu fui obrigado a permanecer trancafiado em uma maldita solitária pelos últimos 3 anos, você estava viajando pelo mundo, vivendo em uma mansão, ganhando joias, sendo capa de revistas, pousando em tapetes vermelhos.

- Solitária? – Foi tudo o que Isabella conseguiu dizer. A cena que seu cérebro projetou diante da nova informação trouxe lágrimas a seus olhos. Por mais difícil que sua vida tenha sido nos últimos anos, Bella sempre teve seu pequeno embrulho ao seu lado... Ela nem mesmo era capaz de imaginar o quão morta se sentiria se estivesse trancafiada em uma solitária por tanto tempo.

- Era isso ou ir dormir sem sabe se ia acordar no dia seguinte. “Para a sua própria segurança” era o que o meu incompetente advogado dizia.

- Do que é que você foi acusado? Roubo? Agressão? Merda, Edward! Você se envolveu com alguma maldita gangue? Matou alguém?

Soltando os braços femininos, Edward deu as costas à mulher que o encarava esperando uma resposta.

- Não é da sua conta!

- Não é da minha conta? Vai à merda! Você desconta toda a sua raiva sobre mim e me diz que não é da minha conta?

Ignorando a explosão da ex-namorada, Edward caminhou até a porta da sala e a abriu.

- Já passou da hora de você ir embora.

A Swan mal podia acreditar no que estava vendo e ouvindo. Ele a estava mandando embora? Embora perplexa, ela não estava nem um pouco disposta a facilitar as coisas para o lutador.

Com uma força maior do que a necessária, a jovem bateu a porta, fechando-a com um estrondo.

- Quer saber? Eu acho que não teve prisão nenhuma. Não me surpreenderia. Você é um filho da puta mentiroso!

Prendendo seus dedos entre os cabelos sedosos da modelo, Edward trouxe o rosto de boneca para bem perto do seu. Ele sabia que o movimento brusco deveria causar dor, mas tudo o que viu no olhar esmeraldino era desafio. E Masen sempre detestou ser desafio, tanto quanto ser chamado de mentiroso.

- Estupro! – Ele revelou com fingida indiferença. – Eu fui acusado e condenado por estupro. Sete fodidos anos em uma penitenciária tendo que fugir de todos e mais 3 que precisam ser cumpridos em condicional. Satisfeita? Agora você pode ir embora, comemorar e espalhar por aí o que eu fiz naquele maldito ensaio e me mandar de volta para o inferno. Talvez eu fique melhor longe do efeito que você tem sobre mim.

- Você nunca faria isso. – Não era uma suposição. Isabella Swan sabia que se existia algo que Lion jamais faria era violentar qualquer mulher.

A certeza com que a fala foi proferida, seguida do deslizar da mão pequena e macia pelos braços musculosos, fez com que Edward a soltasse. No entanto, a confusão durou apenas um segundo, logo ele a prensava dessa vez contra a porta.

- Como você pode saber? Eu estou a um passo de fazer exatamente isso com você.

Mantendo o contato visual, Isabella respondeu sem qualquer hesitação.

- Não é estupro se eu consentir. E não importa como comece, no fim, eu sempre concedo.

- Nem todas as mulheres são assim tão fáceis...

Embora o comentário tenha atingido a morena como um soco no estomago, ela elevou sua mão e acariciou levemente o rosto masculino.

- Me atacar é a sua forma de fingir que não está magoado? Que essa falsa acusação não está te corroendo até hoje? Eu não sei quem você se tornou, Edward. Não sei nem mesmo quem você é agora. Mas se tem alguma coisa que eu sei sobre você, sem qualquer sombra de dúvida é que você jamais levaria alguém para a cama contra a vontade dessa pessoa.

Masen gostaria de continuar a atingi-la, a magoá-la, mas diante da declaração que tinha acabado de ouvir, ele não foi capaz de fazer nada além de deslizar o corpo feminino pela madeira da porta, levantando-o e se acomodar entre as pernas bem feitas que sem hesitação o abraçou.

- Como você pode ter tanta certeza?

Isabella Swan soltou um suspiro ao ver que os hipnotizantes olhos azuis não a encaravam mais com tamanho rancor. O olhar que ela correspondia estava apenas perdido, quase como clamando por ajuda.

Apertando mais seus calcanhares contra as nádegas firmes do ex-namorado, a modelo usou as mãos para aproximar o rosto masculino do seu.

- Sua mãe... – Ela respondeu simplesmente. – E o fato de você ser um homem muito melhor do que o que está tentando parecer ser nesse momento.

- Você me odeia e ainda assim diz que eu sou melhor do que tento aparentar...

- Te odeio... – Ela confirmou. – Odeio pelo tanto que me fez sofrer. Odeio ainda mais pelo tanto que ainda vai me fazer sofrer. Te odeio com a mesma intensidade com que te amo.

Lion desejou retribuir a declaração afinal sentia-se da mesma forma, mas não era capaz de se mostrar tão vulnerável, não era capaz de se entregar como ela sempre fazia quando estavam juntos, então apenas a beijou, com carinho, cuidado, delicadeza e quando a afastou da porta, conduzindo-os em direção ao quarto, ele acariciou o rosto delicado e sussurrou o quanto ela era linda.

- Por que nós sempre terminamos na cama? – A Swan disse baixinho, enquanto observava Edward retirar as suas roupas e passar a distribuir beijos por cada centímetro de pele exposto.

A resposta do lutador foi acomodar a jovem sobre o seu colo e acariciar os seios bem formados com a ponta da língua.

- Eu sou melhor do que ele... – A voz masculina soou abafada, mas Bella o ouviu nitidamente.

Sabendo que naquele momento ele não se referia a James ou qualquer outro homem que pudesse ser considerado um rival, a modelo não tinha qualquer outra resposta que não fosse:

- Sim. Você é. Sempre foi!

E para comprovar o que tinham acabado de proferir, os dois jovens, pela primeira vez desde que se reencontraram, fizeram amor. Não sexo sem sentido, movido única e exclusivamente à saudade e ao desejo descabido que sentiam um pelo outro. Era, na verdade, a união de dois corpos que se conheciam e se amavam loucamente.

Talvez no dia seguinte voltassem a agir como dois estranhos movidos pela atração, digladiando-se como se suas vidas dependessem disso, mas naquela noite, enquanto Isabella movia-se lentamente sobre Edward, ela era apenas a jovem apaixonada que faria qualquer coisa pelo homem que amava e que, naquele momento, estava fazendo por ele o que ele precisava – embora nem mesmo ele soubesse o quanto necessitava disso. Enquanto o recebia dentro de si, a modelo o estava acolhendo, colocando-o no colo e tentando cicatrizar as feridas que pelo jeito ainda sangravam.

Antes que alcançassem o primeiro orgasmo, Isabella fez algo que há anos não fazia: fechou seus olhos e mentalmente proferiu uma prece aos céus rogando para que Edward em um futuro não muito distante pudesse ampará-la como ela estava fazendo com ele naquele momento.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, se chegou até aqui, me deixe saber o que achou.

xoxo