The Legacy Of Kidan
1 Prólogo
Notas iniciais
“Legado não são os bens que vamos deixar, nem tampouco aquilo que os outros pensam a nosso respeito, legado é a herança imaterial que você deixa quando vai embora, é aquilo que propositadamente entrega para que o futuro seja melhor do que o passado”
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As infindáveis guerras deste lado do continente sempre trouxeram dor e sofrimento aos muitos povos da região, inúmeras cidades e vidas eram perdidas diante da ganância de guerreiros que combatiam em busca de terras, recursos e poder.
Após vários e vários séculos de um confronto que sempre pareceu infinito chegara porém a época em que esses homens bárbaros começaram a buscar outros meios para progredirem, assim foram criando-se alianças e tratados na região.
Com o tempo muitas famílias destacaram-se politicamente das demais, dentre uma das mais conhecidas estava Kayamanaky, um clã poderoso das planícies que migrou aos poucos conquistando terras e aliados ao sul, com o tempo Kayamanaky adquiriu poder e recursos suficientes para unificar-se com clãs nobres e influentes que dominavam a floresta negra e a costa leste, trazendo enfim estabilidade ao norte do continente de Zarenon.
Teve inicio então o grande Reino de Kayamanaky, sob o comando desse clã e sob sua tutela estavam quatro importantes famílias da região, o Clã Doroshi, o Clã Madaka, o Clã Tsuma e o Clã Kidan.
Urish Kayamanaky atualmente era o homem que se posicionava a frente do reino, muito conhecido por seu coração ambicioso e seu governo implacável, suas feições brutas de olhos negros e frios assemelham muito com os do antigo rei Enawar, seu pai, herói de guerra que dera inicio a bem sucedida aliança há cerca de 30 anos.
Entretanto apesar da aparente paz no coração do reino, as fronteiras e zonas longínquas ainda sofriam com guerras e revoltas constantes. As nobres famílias aliadas buscavam elevar seu status e poder enviando seus guerreiros para a batalha em nome do rei.
Foram muitos aqueles que venciam e pereciam anonimamente no campo de batalha, mas também foram nestas mesmas disputas que excepcionalmente alguns alcançavam notáveis vitórias, trazendo glória e reconhecimento para seu povo.
Em nosso clã dois deles destacavam-se entre os guerreiros da aliança, o primeiro deles era Kadec Kidan, suas ações em batalha e a dedicação e lealdade que tinha para com o rei Urish lhe renderam o título de comandante dos generais de Kayamanaky, o mais poderoso guerreiro que posicionava-se a frente dos líderes das seis legiões do exército do reino, possuidor das desejáveis espadas Sey e Kay, duas das cinco lendárias espadas demônios existentes no mundo.
O segundo deles era um dos poucos lordes em Kayamanaky, influentes nobres que despachavam ordens ao exército e aconselhavam ao rei, apesar de não ter sequer chegado aos 25 anos de idade ainda, Sagafaya Kidan era o maior orgulho do clã o qual pertencia, de porte alto e forte, cabelos curtos e prateados, olhos azulados comum aos membros do clã, era o retrato perfeito do sangue ancestral e puro que corria em suas veias. Um grande estrategista do reino, dotado de incomparável inteligência e força, fez com que suas ações fossem a chave para a vitória de inúmeras batalhas, além de também ser mestre de uma das espadas demônios, Tartarus.
Foi com a ajuda desses dois homens que a jovem líder de nosso clã, Vossa Majestade Ayame Kidan, conquistou a confiança de seu povo e dos aliados menos influentes do reino, entretanto a elite das outras grandes famílias não estava satisfeita com nosso continuo progresso e ascensão, aos poucos começávamos a representar uma ameaça aos planos do rei e aos interesses dos outros aliados.
Então, no fim da estação, quando as árvores secavam anunciando mais um inverno gélido da região, o clã Kidan foi traído pelo próprio reino que um dia ajudara a construir, em um ato conjunto as elites dos aliados enviaram seus melhores soldados para chacinar nosso próspero clã.
Contam que o primeiro a perecer foi o general Kadec, que em uma tentativa de atrasar o exército inimigo em sua saída da capital, enfrentou sozinho os generais da 1ª e 6ª legião do exército, acabou por cair em uma emboscada e a espada de Kensha Madaka, líder da 4ª legião atravessou o coração do general o único lugar que diziam que um ferimento o mataria tamanho era seu poder.
Após sua morte e confirmada a traição, Sagafaya Kidan marchou ao lado de seus irmãos de guerra em direção á capital, as batalhas que se seguiram foram sangrentas e ambas as tropas foram eliminadas depois de cinco dias de conflito, suor e sangue, o jovem lorde chegou sozinho a cidade e o que aconteceu a seguir não se sabe ao certo, pois naquela noite do solstício de inverno mais de dez mil pessoas morreram em Kayamanaky tamanha a fúria do guerreiro, alguns dizem que o céu ficou negro e nenhum animal apareceu a noite, até mesmo o vento cessara demonstrando a apreensão dos deuses diante de sua presença.
Não se teve evidencias físicas da morte de Sagafaya, pois naquela madrugada foi como se um vulcão estivesse nascendo no castelo do rei, o chão todo tremeu, a rajada súbita derrubou as torres menos resistentes da capital e o fogo subiu aos céus e o tingiu de vermelho por um longo momento.
Apesar da perda de grande parte de seu exército, Urish Kayamanaky saiu vitorioso, aniquilando os dois principais guerreiros de Kidan, porém antes de sua morte Sagafaya ainda havia realizado com perfeição sua última estratégia, enquanto seus soldados marchavam rumo a Kayamanaky, Vossa Majestade Ayame e seu povo dirigiram-se ao sul com todos os cavalos disponíveis e o mínimo possível de provisões, durante os cinco dias de conflito vagaram por entre a floresta negra rezando aos deuses por proteção e no fim daquela semana finalmente cruzaram o grande rio Lyrus, deixando o norte para trás e adentrando em território desconhecido, porém com a vida de seus cidadãos salvas diante do sacrifício de nossos dois corajosos e amados heróis.
Para sempre levaremos seus nomes gravados em nossos corações e memória, descansem em paz sob as raízes da grande floresta.
Documento anônimo; Data desconhecida; Biblioteca Real; Reino de Hully.
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