The Legacy Of Kidan
4 Capitulo 3 - O Novo Mundo
Notas iniciais
[...] Quase nem posso acreditar, depois de nossa campanha perfeita na qual obtivemos uma grande vitória contra as tribos do sudeste, nosso general Sagafaya renuncia a seu posto.
Lembro-me da primeira vez que o vi, integrou nossas tropas sob o posto de capitão, era um jovem garoto com 15 anos na época, um dos vários prodígios do nosso poderoso clã.
Um ano depois, em uma difícil investida a baia de Fher ao norte, ele regressou com aquela espada enorme, tão grande quanto ele era. Soube que na época o próprio general Zagih indicou ao antigo rei Lurion o título de primeiro general á ele.
Pouco mais de 3 anos, esse foi o tempo em que o servi como capitão, no começo não entendia como alguém tão jovem teria chegado a general tão rápido, então na primeira vez que o vi em um campo de batalha, com a espada demônio, tudo se esclareceu, aquele garoto com certeza é uma das pessoas mais fortes e perigosas de nosso reino.
Depois do anuncio ás tropas fui em sua sala e implorei para que ele ficasse, por que estava renunciando? Por que abandonava seus homens que tanto o admiravam? Realmente não fazia sentido aquilo, ele estava com 19 anos, já tinha ganhado muita experiência em batalhas e acima de tudo ficava cada vez mais forte.
Porém ele com o mesmo jeito reservado de sempre apenas me disse:
"Não se preocupe capitão Enior não é como se eu estivesse abandonando o exercito de Kidan, continuarei atuando porém não em batalha, recusei os títulos de general em Kidan e capitão em Kayamanaky porém recebi o título de Lorde isso faz com que tenha certa autonomia ainda no exercito, entretanto não posso mais combater em campo, espero que entenda minha decisão."
Encarei aqueles olhos convictos, porém não compreendi o porquê daquela renuncia e sinceramente, até hoje nenhuma explicação me parece racional[...]
1º Capitão Enior Kidan/ Data desconhecida
Juntamente com o nascer do sol todos na casa de Hyou Yokaida acordaram, aquele seria um dia agitado, já que depois de muita insistência por parte do anfitrião, mesmo assim os guerreiros da antiga Kidan decidiram aprender as técnicas elementares as quais regiam o mundo atualmente.
Os quatro jovens saíram pelo portão da casa enquanto Hyou abanava para suas netas da porta principal, logo já iam se distanciando na estrada, o velho virou-se e fechou a porta atrás de si, por uns instantes suspirou, retirou os óculos e massageou as pálpebras:
— Isso a cada dia fica mais complicado... E eu já estou velho para esse tipo de assunto...
Disse a si mesmo, depois se dirigiu até seu quarto no segundo andar da casa. Era um cômodo modesto, com uma cama confortável logo a direita da porta, mais ao fundo havia uma estante com objetos antigos e fotos de familiares, a esquerda, uma mesa comprida com várias caixas, papéis, livros e documentos. Apenas um local estava desocupado, foi lá que ele sentou-se puxando a cadeira logo à frente:
"Agora mais isso... Só os deuses poderiam nos dizer o que realmente este treinamento causará."
Da gaveta ele retirou uma carta escrita até a metade, esticou o papel sobre a madeira lisa e retornou a escrever, depois de alguns minutos parou e ficou refletindo, puxou um dos livros que estavam logo à frente, muito antigo e com uma capa já amarelada devido ao tempo:
"Kidan... Kayamanaky... Mar de la tormenta..."
Pensou enquanto observava um mapa que estava no livro, suspirou mais uma vez e depois disse:
— Não é algo que apenas eu tenha que decidir... Esse fator deve ser levado em consideração, o mínimo que devo fazer é informar ao reino, afinal não estou certo se podemos realmente confiar naqueles dois...
***********
Um pouco ao sul de Anick se seguia a estrada que levava até o local de treinamento dos guerreiros daquela cidade, apesar de não estarem diretamente envolvidos na guerra Anick tinha tradição em formar soldados para o reino. Enquanto seguiam pela estrada á sombra de uma árvore, ao longe, Shana reconheceu seu primo:
— Olhem só! É o Toy!
— Olá!
Disse ele levantando com uma dos braços para cima, depois foi ao encontro dos outros:
— O que esta fazendo aqui Toy?
Indagou a garota assim que ele se aproximou:
— Ora eu vim acompanhar vocês até a academia.
— E quem disse que era para você vir?
— Eu sei que você aprecia a minha presença Osora.
— Cale a boca, pode ir voltando, ninguém precisa de você aqui.
— Osora não seja assim tão rude com o Toy.
— Não defenda ele Shana!
Kadec e Sagafaya estavam mais atrás apenas observando a conversa dos outros três, depois de alguns instantes das corriqueiras discussões novamente todos retomaram a caminhada, não demorou muito para chegarem a academia, Sagafaya notou que não era um local como as academias que ele recordava, estava mais para uma pequena vila, porém algumas coisas não haviam mudado, como os locais de torneios e os treinamentos físicos e com a espada.
Depois de andarem por algum tempo pelo terreno chegaram a uma das casas do local, Toy foi o primeiro a entrar na sala sem mesmo bater.
— Bom dia mestre! Como esta?
Os outros entraram logo atrás, a frente deles estava um homem magro de cabelos compridos e escuros presos em um coque no alto da cabeça, seus olhos castanhos observavam a janela ao seu lado e em sua mão esquerda estava uma xícara que exalava um aroma forte.
— Bom dia Toy e a vocês também garotas.
Disse enquanto virava-se para observar melhor seus visitantes:
— Bom dia mestre!
Responderam as duas fazendo também um cumprimento com o corpo:
— Chegaram cedo, parecem que estão com pressa.
— E estão mesmo mestre, estes aqui são eles.
Toy foi demonstrando os outros dois, Sagafaya tomou a frente e se aproximou:
— Meu nome é Sagafaya, este é Kadec, prazer em conhecê-lo.
O homem apertou sua mão, tinha um olhar firme e uma aparência tranquila no rosto que já contava com suas primeiras rugas:
— Muito prazer, meu nome é Takezo, sou o responsável pelo treinamento dos recrutas de Anick e região, pelo que o senhor Hyou me disse vocês dois desconhecem técnicas elementares e querem aprende-las.
— Isso mesmo, é para isso que viemos até aqui.
— Bem, eu realmente fico feliz em ter novos alunos, porém as técnicas elementares devem ser iniciadas na infância e apesar de serem jovens, vocês dois não me parecem mais crianças.
Disse o mestre da academia com um leve sorriso no rosto e Sagafaya sério como sempre completou logo depois:
— Sabemos disso, mesmo assim aprenderemos essa técnica, não há com o que se preocupar.
Takezo andou um pouco pela sala e depois de tomar um gole da xícara que estava em sua mão continuou:
— Humn... Não que eu nunca tenha treinado alguém mais velho... Porém quando a pessoa tem mais de 10 anos, geralmente leva-se uns três anos para dominar os procedimentos básicos.
— Três anos não é um tempo que eu estaria disposto a esperar... Devemos sair de Anick no máximo em um mês, esse é o tempo que temos para permanecer em sua academia.
— Você esta louco?!
Interrompeu Osora indignada com o comentário:
— Em um mês? Isso é impossível! Até os mais habilidosos de Hully levaram no mínimo um ano para dominar as técnicas básicas, você só pode estar de brincadeira!
Completou a última frase revirando os olhos:
— Tudo bem Osora, seus amigos parecem estar decididos... Se querem aprender em um mês, faremos o máximo para conseguir, tenho certeza que se nos esforçarmos poderemos ter bons resultados não é?
Sugeriu Takezo encarando-a, a garota colocou a mão sobre o medalhão em seu pescoço enquanto desviava o olhar:
— É... Talvez...
— Bem, então estamos acertados não é?
Falou dessa vez Toy, com um grande sorriso colocando uma das mãos no ombro de Sagafaya:
— Eu ainda não disse isso Toy, vá até o local de exercícios e chame Sato e sua equipe.
— Hã? Para que chamar aqueles três?
Takezo sentou-se novamente em sua mesa enquanto largava a xícara já vazia:
— Para um treinamento tão duro e intensivo como o que os dois estão dispostos a fazer, é preciso algumas qualidades não é mesmo? Pois bem, eu duvido muito que vocês tenham pensado em dominação elementar se já não tivessem um pouco de experiência em combate, afinal só há um motivo para se desejar poder e força nestes tempos... A guerra, muitos jovens como vocês treinam aqui em busca de habilidades para ingressar no exército de Hully, eu não os condeno, assim como não condeno vocês, é o sacrifício de jovens guerreiros assim que mantém nosso reino até hoje... Bem, então creio que seria justo eu fazer uma analise das suas técnicas e conhecer mais sobre sua força e agilidade, e caso eu julgue que não estão aptos, vocês deverão desistir disso tudo e voltar para suas casas, a guerra não seria o lugar ideal para jovens como vocês.
Saga o encarou seriamente, Kadec estava ao seu lado assim como os outros:
— Tem razão, você tem esse direito se desejar, faremos o que pede.
O mestre dos garotos deu um meio sorriso satisfeito e depois prosseguiu dizendo:
— Sato é um dos meus melhores alunos, será um bom exercício.
Algum tempo depois todos estavam no local designado pelo mestre da academia, os três alunos começavam a chegar acompanhados de Toy:
— Lutar com criancinhas não é algo que se deva fazer para testar nossas habilidades.
Disse Kadec ao lado de Sagafaya, não gostando nada daquela situação:
— Pare de reclamar Kadec, se não fizermos isso ele não nos ensinara as técnicas, por isso faça o que deve fazer e não machuque esses garotos.
Kadec concordou enquanto Toy já se aproximava com Sato e outros dois:
— Aqui estão eles mestre.
Sato era o mais velho deles, tinha 21 anos, era um pouco mais alto que Kadec e tinha uma condição física digna de um guerreiro. Aparentemente Kadec não o venceria em um combate físico, os outros dois eram um pouco mais novos e ligeiramente menores tanto em corpo quanto altura.
— Mas olhem só, se não é a nossa digníssima dama.
Disse Sato, em tom de ironia, olhando para Osora com um sorriso sarcástico no rosto, ela por sua vez já se preparou para partir para cima dele furiosa, mas Shana a segurou pela cintura e Takezo o repreendeu:
— Sato, já disse que não deve provocar Osora... Bem, deixando isso de lado, eu chamei vocês três aqui por que quero que enfrentem estes dois, eles são Sagafaya e Kadec, e se tiverem um bom desempenho nessa batalha se tornaram nossos alunos pelo próximo mês.
Sato encarou-os lhes observando dos pés a cabeça, depois disse a seu mestre:
—Mestre, isso não é uma boa ideia, nós três somos monitores dos alunos, novatos como eles não ganhariam de nós nunca... Por que o senhor não indicou a vencedora do último torneio, ou será que ela só luta com campeões agora?
Disse cinicamente, de novo se referindo a Osora, que dessa vez não ficou calada:
— Seu imbecil! Não pense que tenho medo de você! Eu lhe derroto a hora que eu quiser! Farei você engolir esse seu sorriso idiota!!!
Toy e Shana começaram a acalmá-la sem muito sucesso, enquanto isso Sagafaya deu um passo em direção ao jovem dizendo:
— Monitores ou não aceitaremos lutar contra vocês, Kadec lutará primeiro.
O garoto apenas o encarou e Takezo por fim disse:
— Pois bem tomem seus lugares então, os primeiros a lutarem serão Jonas e Miro contra Kadec, depois Sato e Kadec, Sagafaya os enfrentará na mesma ordem depois.
— Isso não é necessário, lutarei contra os três e acabaremos logo com isso.
Sato achou graça nas palavras de Kadec e seu mestre novamente falou:
— Você não o venceria Kadec, por cinco anos seguidos Sato foi o campeão do tornei de Anick, apenas não participou do último que a propósito foi conquistado por Osora, desde sua formatura ele me ajuda no treinamento de novos alunos, suas habilidades são excepcionais além dele ser bem mais forte que você, em uma luta física você acabaria se machucando.
Kadec não deu atenção às palavras de Takezo e foi para o local destinado a luta um pouco mais a frente, Sato deu um meio sorriso e disse antes de se dirigir para o mesmo local com seus companheiros:
— Tudo bem... Pode deixar mestre, pegaremos leve com o novato.
************
— Acho que isso não é uma boa ideia mestre, sabe como o Sato é, ele tem um braço pesado e não pega leve, lembra-se da última vez que ele e Osora brigaram? Nossa! A cara dela ficou horrível!
— Cala boca Toy! Eu vou te matar seu imbecil!
Toy e Osora começaram a brigar, Shana entre eles tentava acalmá-los inutilmente, enquanto isso Sagafaya e Takezo observavam os outros se prepararem mais a frente:
— E então novato não vai nos atacar? Ou esta com tanto medo que ficou paralisado?
Provocou Sato assumindo uma posição a cerca de dez passos do adversário:
— Se eu fosse você pegaria uma espada, assim como os outros.
— Essas coisas não machucam tanto quanto meus punhos.
Jonas e Miro, os dois membros da equipe de Sato, estavam com espadas de madeira que geralmente eram utilizadas nos treinamentos de esgrima, Kadec também estava com a sua, a pedido de Hyou ele havia deixado a espada Kay em sua casa durante a visita a academia:
— Tudo bem, de qualquer forma eu não me importo vamos acabar logo com isso.
Kadec encerrou a conversa ali, em um movimento instantâneo surgiu à frente de Miro que estava mais distraído, acertou com o cabo da espada de madeira o estomago do garoto, por um instante os olhos dele reviraram com o golpe e Kadec num segundo movimento rápido, acertou sua nuca o desmaiando de vez.
O segundo alvo estava mais esperto e atento, porém não teve melhor sorte que seu primeiro parceiro, Kadec deu um salto e atacou com a espada de madeira, o garoto deixou a sua na diagonal a fim de defender o golpe aéreo, mas a força de seu oponente era fora do normal, a espada se quebrou em duas, o impacto que o atingiu foi tão grande que ele pode sentir o osso da sua clavícula ranger antes da dor se espalhar e ele perder os sentidos.
Takezo e os outros estavam paralisados, em poucos segundos viram dois dos melhores guerreiros da academia sendo derrotados, porém alguém ainda estava de pé e não perdeu mais tempo em contra-atacar.
Sato rapidamente fez uma magia de elementos, era a primeira vez depois de Kayamanaky que Sagafaya via magias daquele tipo e era por aquele momento que ele esperava quando concordou com o desafio.
Pareciam que raios estavam percorrendo os braços e pernas do garoto, depois disso ele atacou, como seu adversário havia feito anteriormente preferiu um ataque aéreo, o chute mirava em cheio a cabeça de Kadec, mas antes que ele pudesse acertar seu alvo, Kadec rolou para a direita e o golpe explodiu no chão abrindo uma cratera no local, o segundo golpe foi novamente um chute, antes mesmo que Kadec pudesse se levantar totalmente.
Com a perna direita, desferiu-o dessa vez na horizontal, entretanto foi bloqueado pela espada de madeira que facilmente foi quebrada, mas Kadec já esperava por aquilo e com um giro segurou Sato pela mesma perna que ele havia o atacado e num movimento o atirou para o alto, antes que o monitor da academia pudesse entender o que havia acontecido, sentiu o cotovelo de Kadec enterrar em sua coluna e a dor aguda se espalhou por todo o seu corpo. Com um baque o corpo de Sato caiu no chão já sem os sentidos, logo depois seu adversário de pé ao seu lado admirava o resultado daquela situação.
********
Pela primeira vez em muitos anos o mestre da academia estava sem palavras, o desempenho do recém chegado estava de longe acima do que ele esperava até para veteranos da academia, que na verdade haviam sido derrotados por ele, antes que pudesse formular uma palavra sequer quem falou foi Sagafaya:
— Pois bem, creio que a sua avaliação esteja concluída, apesar de seus alunos não terem mais condições de lutar comigo, acho que pode confiar quando digo que o resultado não seria muito diferente.
Toy e as garotas não estavam menos impressionados, principalmente Osora, afinal por dois anos seguidos ela havia perdido o torneio para Sato:
"Impossível, aquele idiota do Sato acabou perdendo, agora Kadec vai se achar mais ainda, droga! Aqueles movimentos foram perfeitos, ele é muito rápido, odeio admitir, mas eu não teria um resultado tão diferente daqueles três imbecis"
— Impressionante! Isso foi muito legal! O meu amigo é muito forte mesmo! Agora não tem desculpa não é mestre, o senhor vai treiná-los não é?!
Insistia Toy dando leve puxões em um dos braços de Takezo, enquanto isso Kadec se aproximava parando a alguns passos de distância:
— Eu falei que aqueles garotos não serviriam para nada.
— Em questão de técnica você com certeza os venceria Kadec, porém aquilo que ele fez foi algo realmente surpreendente, aqueles raios não apenas serviram como ataque, como também aumentaram a potencia de seu golpe.
Sagafaya aproximou-se dele:
— Deixe-me ver suas mãos.
Kadec obedeceu e virou ambas as palmas para cima, Sagafaya percebeu que a pele estava levemente queimada:
— Hunm... Interessante, parece que serviram como algum tipo de proteção também, realmente as técnicas elementares são algo impressionante, porém essa não é a mesma técnica que conheci, poderia dizer que aquilo se assemelhava mais ao fogo do que à raios.
Finalmente recuperado Takezo voltou à realidade e falou ao garoto:
— Estou realmente impressionado, depois do que vi aqui talvez não seja impossível para vocês dois aprender o que querem... Bem como o prometido irei treiná-los...
Ele observou seus três monitores caídos mais a frente e depois voltou-se aos netos de Hyou:
— Shana, por favor, cuide dos ferimentos deles, Toy e Osora ajudem-na a levá-los á enfermaria... E enquanto a vocês dois vamos até minha sala.
*******
Novamente em sua sala Takezo sentou-se, por alguns instantes ainda pensou sobre o que havia ocorrido anteriormente, já passava um pouco das dez horas da manhã e o sol estava forte aumentando a sensação de calor:
— Como disse anteriormente irei treiná-los, porém é obvio que vocês já tiveram algum tipo de treinamento e por sinal excelente, é estranho que com toda a habilidade que você demonstrou garoto ainda não tenha conhecimento sobre técnicas elementares... Realmente, algo raro...
O homem seguiu introspectivo, os outros dois permaneceram em silencio de pé do outro lado de sua mesa:
— Bem, sobre o que você havia falado antes... Disse que a magia que você havia visto se assemelhava ao fogo.
—Sim, isso mesmo.
— Há tipos distintos de técnicas elementares, mas todas seguem os cinco elementos fundamentais da magia, são eles: fogo, água, vento, terra e raio, nem todas as pessoas nascem com o dom de dominar elementos e nem todas conseguem, mas cada uma das que dominam são regidas por um único elemento que esta em sua própria essência, em outras palavras cada um nasce com um tipo de elemento regente e a partir de que ela saiba qual é o seu, inicia-se o treinamento para desenvolver habilidades relacionadas a tal.
— Então creio que antes que possamos iniciar o treinamento Kadec e eu devemos descobrir quais são os nossos elementos regentes.
— Isso mesmo, espere um instante.
Takezo levantou-se e foi até uma das várias estantes em sua sala, em uma das prateleiras havia uma pequena caixa de bronze, ele levou-a até sua mesa enquanto a abria:
— Essa é uma esfera Elemental ela é utilizada para descobrir qual elemento a pessoa tem mais afinidade, vários lugares as tem, não são tão raras assim, então agora podemos descobrir a quais elementos vocês pertencem.
A esfera era totalmente transparente e em seu núcleo parecia que havia algo muito pequeno emitindo uma fraca luz, o homem se aproximou dos dois e prosseguiu falando:
— Vocês devem apenas colocar a mão sobre ela e eu farei o resto geralmente o elemento corresponde com o tipo físico e personalidade da pessoa então os observando eu posso dizer o de vocês... Kadec por ser rápido seu elemento com certeza é vento e Sagafaya só de olhar para você e seu físico posso apostar que usa força bruta em combate e para esse tipo de guerreiro o elemento é terra ou raio bem vamos confirmar.
Takezo aproximou-se primeiro de Kadec que colocou a mão sobre a esfera, uma energia começou a fluir no interior dela e aquela fraca luz se intensificou mudando a esfera de cor e a tornando verde.
— Como eu disse antes, verde isso representa o elemento vento.
Ele então repete o mesmo processo com Sagafaya, porém dessa vez a esfera tomou a cor azul:
— Interessante... Realmente vocês são garotos muito excêntricos.
O homem sorriu e Sagafaya perguntou sem entender:
— Azul, isso representa terra ou raio?
— Na verdade nenhum dos dois, é a primeira vez em muitos anos como mestre da academia que me engano no elemento de algum aluno, a cor azul representa o elemento mais raro de se ter afinidade, a água, seu elemento é água Sagafaya, poucas pessoas do reino tem afinidade com esse elemento, creio que em todo o tempo que estive aqui não tive mais de cinco alunos com o elemento água.
— Bem, durante o próximo mês você terá mais um para sua restrita lista.
—É verdade, creio que seria mais indicado para vocês dois ficarem por aqui nesse mês, temos instalações para os alunos e vocês teriam liberdade para praticar o quanto quiserem, Toy e as garotas estão sempre por aqui treinando também, então não se preocupem em não ter pessoas conhecidas ao redor.
— Ótimo, ficaremos aqui, será mais vantajoso, daremos inicio ao treinamento assim que você puder.
— Sim, começaremos hoje à tarde ensinarei um pouco da teoria dos elementos já que pelo jeito vocês dois não tem o mínimo de conhecimento sobre esse tipo de magia, bem venham comigo encontrarei quartos para os dois e durante o próximo mês sejam bem vindos a minha academia e sintam-se em casa.
********
Alguns dias depois na casa de Hyou, Osora encontrava-se distraída atirada em um dos sofás olhando para o teto, as tardes na cidade pareciam a cada dia mais quentes, e uma brisa abafada entrava por uma das janelas, de repente alguém abriu a porta gritando:
— Boa tarde minhas lindinhas!
Era Toy, Osora o ignorou totalmente e apenas suspirou se arrumando um pouco mais confortavelmente no sofá:
— Ei sua surda! Não me ouviu falar não?
— O que quer aqui Toy? Não deveria estar na academia essa hora? Já não disse que não é para você aparecer por aqui, você só vem para comer.
— Não diga isso! Que crueldade! Eu estava com saudades de todos foi por isso que eu vim.
— Você esteve aqui ontem à noite seu idiota.
— Eu sei, mas já estava com saudade de novo.
Disse sorrindo, Osora deu outro suspiro e colocou as mãos na nuca fechando os olhos:
— Pois bem, a Shana esta lá na cozinha vá lá matar a sua "saudade".
— Ah que bom! Espero que ela esteja preparando algo delicioso para hoje!
Antes de dar mais que dois passos ele voltou novamente à atenção para Osora e não perdeu a oportunidade de provocá-la:
— E você Osora? Por que não aparece mais na academia?
— Hump, enquanto aqueles dois imbecis estiverem lá eu não ponho meus pés na academia.
— Humn... Saiba que o mestre nem perguntou por você, ele esta muito mais interessado nas habilidades do Saga e do Kadec, nossa aqueles dois são realmente muito fortes mesmo, não tem nem comparação com qualquer um daqui, acho que eles derrotariam quem eles quisessem, afinal nessa cidade não tem ninguém que possa se comparar á eles.
Osora se irritando cada vez mais tentou manter a calma dizendo:
— Já terminou de falar? Agora pode ir até a Shana.
— Haa bem, sabe você esta ai toda pensativa nem parece a mesma, eu realmente acho que você deveria ir até a academia para treinar um pouco. Aproveite e peça a Shana para preparar um lanchinho e leve até o Saga e o Kadec, tenho certeza que eles vão gostar, quem sabe você não ganha um beijinho como recompensa.
Hyou tomava tranquilamente seu chá gelado, enquanto mais a frente Toy consertava a mesinha que ele e Osora haviam quebrado em mais uma de suas brigas rotineiras:
— Você dois não tomam jeito mesmo! Olha só como você deixou o olho do Toy, Osora! Qualquer dia irão destruir toda a casa do vovô!
Repreendia Shana com ambas as mãos na cintura:
— Por que esta dando sermão em mim? A culpa é do Toy!
— Eu? Eu não fiz nada! Você que é agressiva, violenta e não tem senso de humor, por isso não arruma um namorado nunca.
— O que?!
Antes que Osora pulasse novamente no pescoço de seu primo ouviu o avô falar:
— Shiiiu, quietos os dois, parem de brincadeiras na hora do chá, sabem que eu gosto de silencio.
Osora assassinava Toy apenas com o olhar, enquanto que ele apenas sorria com uma cara boba:
— Bem eu irei até a cidade, quer vir comigo Toy? Poderia me ajudar com as compras.
— Claro! Eu vou sim, terminei de arrumar a mesa vovô esta novinha em folha, da próxima vez que a Osora quebrar algo pode me chamar que eu conserto, sem problema.
Toy já começava a levantar quando Hyou disse:
— Espere um momento Toy, você esteve na academia recentemente não é? Diga-me como Sagafaya e Kadec estão se saindo? Tenho andado ocupado nestes últimos dias, assuntos da profissão sabem como é, pesquisas e mais pesquisas, enfim não tive tempo de falar com Takezo e mesmo que fosse até lá duvido que ele esteja com tempo disponível já que esta ensinando á aqueles dois.
Ele muito empolgado sentou ao lado de Osora a empurrando com o corpo e invadindo seu espaço no sofá:
— Ha sabe como são os meus amigos não é?! Não é á toa que eles eram pessoas famosas e tal, pelo que eu soube estão se saindo muito bem no treinamento, parece que até já conseguem lançar algumas magias.
— O que? Não faz nem 15 dias que eles estão lá! Como poderiam estar lançando as magias não eram nem para eles saberem concentrá-las ainda, muito menos conjurar alguma coisa!
— É verdade Osora, foram os próprios veteranos que me contaram.
— Isso é incrível, tenho certeza que os dois vão se sair bem, eles são muito fortes mesmo, podemos ver aquele dia, foi surpreendente.
— Tem razão Shana eu diria que aquilo foi sobre-humano.
— Humano? Hump! Diga-me onde aqueles dois têm algo de humano? São duas aberrações isso sim.
— Não diga isso Osora!
— Não estou falando nenhuma mentira Shana, é claro que aqueles dois não são pessoas normais como nós, tenho certeza que esse tal Reino de Kidan que eles vieram deveria ter algo fora do comum, sei lá algum tipo de magia antiga que criou esses dois, afinal Kayamanaky é especialista nesse tipo de coisa.
Hyou riu diante do comentário de sua neta e depois disse:
— Bem, essa é uma teoria bem interessante Osora, quem sabe ela não seja verdade, não é? Mas eu acho que eles são humanos sim e viveram toda uma vida assim como vocês, nasceram, cresceram e se tornaram guerreiros.
— Não sei não vovô, acho que dessa vez eu vou concordar com a Osora, eles são muito estranhos, aqueles olhos do Kadec mesmo me dão muito medo, sério mesmo, são muito estranhos, como pode uma pessoa nascer com olhos daquele jeito são totalmente negros, escuros como a noite eu nunca vi algo do tipo e espero não ver de novo, um só já é suficiente.
— Eu não acho que eles sejam estranhos, talvez um pouco sérios demais eu diria.
Falou dessa vez Shana, também interessada na conversa:
— Talvez? Desde que os dois apareceram não mudaram de expressão sequer uma vez nem nada, estão sempre do mesmo jeito parecem dois bonecos sem emoção nenhuma, principalmente o tal lorde, hump! E aquele outro exibido também, o rei de Kayamanaky deveria ser muito louco para ter colocado aquele garoto egocêntrico como comandante do seu exército.
O ancião balançou a cabeça uma vez, depois falou de maneira calma:
— Osora, Osora não fale assim, saiba que por muitos anos eles deram seu sangue para proteger o reino de Kidan que foi nosso antepassado, e também foi graças a eles que os sobreviventes do clã escaparam de Kayamanaky, podemos dizer que se não fosse por aqueles dois, nós do clã Yokaida não estaríamos aqui hoje.
— Vovô da primeira vez que o senhor os viu os reconheceu imediatamente não é? O senhor conhecia a história sobre eles, e também sabia sobre a espada, o anel e o medalhão... Por que nunca nos contou nada?
— A Shana tem razão, acho que nós deveríamos saber sobre isso também, afinal é nosso clã não é mesmo?
Concordou Osora, Hyou por sua vez tomou um longo gole do chá e depois disse pausadamente:
— Bem... Não havia motivos para jovens como vocês se preocuparem com histórias tão antigas como essa, isto é coisa para velhos como eu... E também, vocês mais do que ninguém sabem como o sangue do clã Kidan é visto por aqui...
Os três ficaram em silencio por um momento, o velho tomou outro gole e depois falou dessa vez num tom um pouco mais descontraído:
— Mas quem sabe eu possa contar uma ou duas coisas que sei sobre eles, afinal são nossos antepassados.
Largou a xícara na mesa a frente que á pouco Toy havia consertado e depois de sentar novamente deu um longo suspiro:
— Bem deixe me ver... Humn que tal começarmos pelas espadas, afinal foi a conquista delas que os deixou ainda mais conhecidos do que já eram... Kadec é o mestre de duas espadas demônios, assim conhecidas devido ao seu poder destrutivo, são elas Sey e Kay, a espada que pertencia a Osora é a espada Kay, o demônio do fogo...
— Do fogo! Quer dizer que aquela espada é do mesmo elemento que eu?
— Sim, isso mesmo Osora.
— Talvez tenha sido por isso que você tenha a conquistado Osora.
— Tem razão Shana.
— Shiuu! Quietas as duas, continue vovô.
— Humn a outra espada é Sey o demônio do vento, ambas são espadas poderosas e temidas, dizem que o general Kadec derrotou legiões inteiras enquanto a portava.
— Hump, isso com certeza é mentira!
— Quieta Osora, deixa o vovô terminar.
— Sobre os olhos dele, bem eu não sei muito sobre isso, as únicas coisas que se referem a este fato é que eles refletem seu coração sombrio, creio que para saber de verdade deveriam perguntar a ele.
— Como se ele fosse falar, ele mal abre a boca e quando abre é para reclamar de alguma coisa ou de alguém.
— Até que enfim o Toy falou algo que é verdade, nisso eu concordo.
Hyou balançou novamente a cabeça achando graça e prosseguiu falando:
— Enquanto a Sagafaya, ele foi um grande estrategista, coordenava os ataques das legiões de Kayamanaky e também do exército de Kidan, sua espada demônio era a mais temida de todas, Tartarus o demônio da destruição, a mais perigosa espada dentre as três, dizem que era tão grande quanto ele e tão pesada que somente o próprio Sagafaya poderia levantá-la.
— Humn, isso é muito estranho ninguém lutaria com uma espada tão pesada assim.
— Pois é Toy, tem razão, porém não esqueçam que o que eu disse foram apenas coisas que li, as pessoas de antigamente tendiam a aumentar certos fatos, principalmente quando tinham medo ou respeito a determinadas pessoas, então não há como saber se o que estava escrito era realmente verdade ou apenas um exagero dos povos mais antigos.
Nesse momento Shana se deu conta da hora:
— Nossa já esta ficando tarde, vamos à cidade logo Toy ou o jantar irá atrasar.
— Tem razão, vamos logo então, gostei muito de suas histórias vovô talvez no jantar possa contar mais algumas.
— E quem disse que você vai jantar aqui Toy?! Pode ir pra sua casa e não me apareça mais aqui ouviu!
Osora foi empurrando ele até a porta, enquanto seu avô apenas sorria diante dos hábitos cotidianos de seus netos, lá fora o sol de mais um dia de primavera em Anick lentamente começava a se pôr.
Fale com o autor